Fundado por Paulo Pinto Mascarenhas


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Bernardo Pires de Lima
Diogo Belford Henriques
Eduardo Nogueira Pinto
Francisco Mendes da Silva
Henrique Raposo
Inês Teotónio Pereira
Jacinto Bettencourt
João Marques de Almeida João Vacas
José Bourbon Ribeiro
Leonardo Ralha
Luciano Amaral
Luís Goldschmidt
Manuel Castelo-Branco
Manuel Falcão
Nuno Costa Santos
Paulo Pinto Mascarenhas
Pedro Marques Lopes
Rodrigo Moita de Deus
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Vasco Rato
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domingo, abril 09, 2006

THE END (ou até já)

DOMINGO, 9 Ouvir o programa Descubra as Diferenças em 90, 4 FM, uma parceria entre a Rádio Europa e a Revista Atlântico, desta vez com a presença de Rui Ramos , Luciano Amaral, PPM e com a (i)moderação de Antonieta Lopes da Costa, a directora da Rádio (11h e 19h).

SEGUNDA, 10 Assistir ao primeiro debate organizado pela revista Atlântico em conjunto com o Centro de História Contemporânea e Relacões Internacionais e a Editora Edeline. A propósito do livro "A Ascensão ao poder de Cavaco Silva 1979-1985", de Adelino Cunha. Com moderação do jornalista José Eduardo Fialho Gouveia, a sessão tem como convidados os historiadores Rui Ramos e António Costa Pinto. Pelas 18 horas em ponto na FNAC do Chiado.

TERÇA, 11 Começar a ler o blogue da Atlântico, nos intervalos da revista. E esperar por novas iniciativas, que não tardarão.

[O Acidental]

Sign out

Sem jeito para lamachices, ou para análises, deixo-vos aquela que é a minha maior preocupação no momento em que a casa fecha a porta: que raio vou eu fazer na segunda-feira?
Obrigado Paulo por teres feito tudo isto acontecer.
Obrigado a todos que estiveram aqui, deste lado e desse lado. O prazer, esse, foi todo meu.

[Rodrigo Moita de Deus]

sábado, abril 08, 2006

your blog published successfully

dois anos de emissões acidentais.
[Rodrigo Moita de Deus]

Keywords, Research, Feedback: até à próxima

Depois de dois extraordinários anos na blogosfera, temos a honra de comunicar aos leitores deste blogue (doravante, o “Blogue”), os resultados de uma experiência inédita.

Com o patrocínio do Centro de Estudos de Sociologia Política Aplicada (CESPA) e da Revista Índico, foram realizados dois estudos de investigação policlínica semântica, utilizando 922 entrevistas a targets-markets, e de que resultou uma estrutura discursiva logo-polissémica.

Foi assim criado este Blogue para testar os resultados da analítica exposta, designadamente na captação de input e feedback de grupos tipo A de direita.

Utilizando expressões típicas de grupos tipo A, reacções de input denominadas liberais e feedbacks em modo reacção do sub-tipo conservador, criou-se um ambiente simulado sistémico, aparentando uma mobilização tribal de direita.

Procurou-se, com isto, transmitir a ideia de que o Blogue é efectivamente de direita, constituído por reaccionários (sub-modo perigoso e totalitarista), de género masculino.

Para credibilidade da simulação foram inseminadas duas personagens de género feminino (Inês e Ana), e personagem não totalitária (Henrique Raposo).

As audiências mostraram-se estáveis e o público-alvo não desenvolveu respostas contrárias.

Pelo exposto, e depois da resposta positiva do modelo barnabé como experiência inversa de arquétipo dicotómico humano-animal, sugere-se a continuação da experiência, sem revelação de dados e formats ao público, sob pena de desenvolvimento de reacção adversa micótico-cerebral.

Os investigadores,

Ana Albergaria Sá Lopes
Bernardo Sá Lopes
Diogo Sá Lopes
Eduardo Sá Lopes
Francisco Sá Lopes
Henrique Sá Lopes
Jacinto Sá Lopes
João Sá Lopes
José Bourbon Sá Lopes
Leonardo Sá Lopes
Luciano Sá Lopes
Luís Sá Lopes
Manuel Castelo Sá Lopes
Manuel Falcão Sá Lopes
Nuno Sá Lopes
Paulo Sá Lopes
Pedro Sá Lopes
Rodrigo Sá Lopes
Tiago Sá Lopes
Inês Sá Lopes
Vasco Sá Lopes
Vitor Sá Lopes
João Marques Sá Lopes

[The End]

O Acidental: Uma Elegia

Gostaria que o tempo avançasse hoje cinco, dez, quinze anos, o que fosse preciso para uma análise completa do que O Acidental significou para mim e para a vida recente e futura do debate público em Portugal. Tal não é possível, mas não é difícil adivinhar o que dele então se dirá. Julgo que, como acontece com todos estes fenómenos seminais e passageiros (e O Acidental foi uma espécie de Sex Pistols ou David Bowie da blogosfera), serão muitos mais os que dele falarão no futuro do que os que efectivamente o foram lendo com regularidade.

O dia 8 de Abril de 2006 ficará na imberbe história da blogosfera ao lado do dia 10 de Junho de 2003, o último da Coluna Infame. O fim do blog fundador do Pedro Mexia, do Pedro Lomba e do João Pereira Coutinho (que chegou a editorial de José Manuel Fernandes no Público), num tempo em que os leitores de blogs cabiam ainda num Renault Twingo, marcou, ele próprio, o fim de um tempo. Um tempo em que a Coluna e outros blogs, nascidos e crescidos em grande parte à sombra da sua influência tutelar (e muitos reunidos na mítica União dos Blogues Livres), revelaram um mundo até então subterrâneo, feito de uma nova geração que à cultura abrangente, livre e descomplexada acrescentavam o facto inusitado de se dizerem de direita. Se a Coluna foi responsável pelo choque inicial e pela definição do padrão, O Acidental foi responsável pela normalização do fenómeno. Foi no tempo d’ O Acidental que a surpresa se esfumou e o país atento a estas coisas aceitou finalmente a legitimidade da liderança da blogosfera política por parte da direita e a ascensão aos canais tradicionais da intelectualidade de pessoas formadas na tradição anglo-saxónica e não pelas importações francesas. Nisso, é certo, não estivémos sozinhos. Blogs como o Blasfémias ou O Insurgente contribuiram também decisivamente para a vitória parcial das nossas pequeninas culture wars. Mas nenhum deles suscitou as paixões, os ódios e demais urticárias suscitadas pel’ O Acidental, como outrora o fizeram a Coluna Infame e, do outro lado da barricada, o Barnabé.

Tudo isto se deve, com é óbvio, ao Paulo Pinto Mascarenhas, que começou o blog sozinho. Segundo me lembro, o nome deve-se ao filme “O Turista Acidental”, de Lawrence Kasdan e protagonizado por um absorto e billmurrayiano William Hurt, obra profundamente pessimista e uma espécie de metáfora ou alegoria sobre a natureza imprevisível da vida. Por coincidência - ou talvez não -, penso que O Acidental se tornou – ou talvez não - numa coisa bastante diferente da idealizada pelo Paulo. De blog estritamente político, interessado essencialmente no combate cultural à esquerda e de tom por vezes académico, O Acidental acabou por assumir características diversas e matizes distintas. Foi ao mesmo tempo sério e galhofeiro, violento e ternurento, politicamente empenhado e individualmente livre, informado e, no seu melhor, gloriosamente diletante. Disseram-se as palavras mais acertadas e as maiores parvoíces. E teve sempre, naquela que é, a meu ver, a sua grande vantagem relativamente a outros blogs, a facilidade de se rir de si próprio e de formular as suas próprias caricaturas. É algo que se deve reconhecer. Durante estes dois anos, gozou-se muito com a esquerda, com os seus figurões e com as suas ideias mirabolantes. Mas julgo ter-se brincado ainda mais com as manias e a percepção exterior dos conservadores e liberais da direita. Mais do que a forma descomplexada de se assumir de direita, foi a forma igualmente descomplexada de ver a direita que contribuiu para a “normalização” dessa direita no espaço público. Mais do que toda a self-righteousness (como é que se diz isto em português?) dos políticos portugueses, foi a leveza desta “normalidade” que fez dos blogs a melhor coisa que aconteceu à política portuguesa nos últimos anos.

No que a mim me diz respeito, digo-o pesando bem as palavras: depois dos pais e irmã que me calharam, da namorada que escolhi (e que, felizmente, me escolheu também) e de todos os bons amigos que fui fazendo, a descoberta da blogosfera foi a coisa mais importante que me aconteceu. Lembro bem o dia de 2002 em que, folheando O Independente, li uma nota do Paulo Pinto Mascarenhas anunciando a Coluna Infame como um “blog” do Pedro Mexia, do Pedro Lomba e do João Pereira Coutinho. Depois da excitação espantada, vieram as perguntas (o que raio é um blog? Quem é o Pedro Lomba?) e o vício. Dei notícia da descoberta aos meus amigos e correlegionários Fernando Albino, Diogo Henriques e João Vacas e, por impulso deste último, fizémos o No Quinto dos Impérios, a minha morada blogosférica de sempre. Para quem, como eu, despertou politica e intelectualmente com O Independente dos bons velhos tempos mas passou toda a vida fora de Lisboa, não é uma medalha qualquer conhecer o Paulo Pinto Mascarenhas e, no momento em que isso acontece, ser convidado para escrever no seu blog.

O Acidental, nunca será demais dizê-lo, foi principalmente um grupo de amigos com um blog, que continuará a ser um grupo de amigos sem (este) blog. Para mim, isso é coisa de uma importância acrescida, já que, ao contrário de outros elementos, que se conheciam há muito entre si, eu conhecia previamente apenas o João Vacas, o Diogo, o Eduardo e o Nuno. E, mesmo assim, não eram amizades de longa data. O melhor que O Acidental fez por mim foi ter-me dado a oportunidade de reforçar esses laços e de fazer novos amigos naquelas que são as pessoas com quem eu mais me identifico na maioria das dimensões da vida. N’ O Acidental e fora d’ (a propósito d’) O Acidental.

Tenho pena que isto acabe. Percebi os argumentos que me foram apresentados mas – que querem? – é como quem me tira um brinquedo. Existem, de facto, inúmeros projectos por onde continuar o espírito d’ O Acidental. Acredito que este não se vai perder e se irá tranformar em algo bastante melhor.

Mas não me peçam para lançar os foguetes. Para um conservador, Lavoisier não é consolo que se aproveite.

Um brinde a todos. Já sabem onde me encontrar.




[Francisco]

PUM!

Acidental muito ocasional, leitor muito frequente, admirador confesso do Paulo Pinto de Mascarenhas e da equipa do Acidental que me acolheu, não vejo melhor maneira de saudar o fim, do que citar excertos do manifesto anti-dantas do grande Almada:
Pois aqui vai:

BASTA PUM BASTA! UMA GERAÇÃO, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM DANTAS É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UM COIO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS! É UMA RÊSMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO! ABAIXO A GERAÇÃO! MORRA O DANTAS, MORRA! PIM! UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS A CAVALO É UM BURRO IMPOTENTE! UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS À PROA É UMA CANÔA UNI SECO! O DANTAS É UM CIGANO! O DANTAS É MEIO CIGANO! O DANTAS SABERÁ GRAMMÁTICA, SABERÁ SYNTAXE, SABERÁ MEDICINA, SABERÁ FAZER CEIAS P'RA CARDEAIS SABERÁ TUDO MENOS ESCREVER QUE É A ÚNICA COISA QUE ELLLE FAZ! O DANTAS PESCA TANTO DE POESIA QUE ATÉ FAZ SONETOS COM LIGAS DE DUQUEZAS! O DANTAS É UM HABILIDOSO! O DANTAS VESTE-SE MAL! O DANTAS USA CEROULAS DE MALHA! O DANTAS ESPECÚLA E INÓCULA OS CONCUBINOS! O DANTAS É DANTAS! O DANTAS É JÚLIO! MORRA O DANTAS, MORRA! PIM! O DANTAS FEZ UMA SORÔR MARIANNA QUE TANTO O PODIA SER COMO A SORÔR IGNEZ OU A IGNEZ DE CASTRO, OU A LEONOR TELLES, OU O MESTRE D'AVIZ, OU A DONA CONSTANÇA, OU A NAU CATHRINETA, OU A MARIA RAPAZ! E O DANTAS TEVE CLÁQUE! E O DANTAS TEVE PALMAS! E O DANTAS AGRADECEU! O DANTAS É UM CIGANÃO! NÃO É PRECISO IR P'RÓ ROCIO P'RA SE SER UM PANTOMINEIRO, BASTA SER-SE PANTOMINEIRO! NÃO É PRECISO DISFARÇAR-SE P'RA SE SER SALTEADOR, BASTA ESCREVER COMO DANTAS! BASTA NÃO TER ESCRÚPULOS NEM MORAES, NEM ARTÍSTICOS, NEM HUMANOS! BASTA ANDAR CO'AS MODAS, CO'AS POLÍTICAS E CO'AS OPINIÕES! BASTA USAR O TAL SORRISINHO, BASTA SER MUITO DELICADO E USAR CÔCO E OLHOS MEIGOS! BASTA SER JUDAS! BASTA SER DANTAS! MORRA O DANTAS, MORRA! PIM! O DANTAS NASCEU PARA PROVAR QUE, NEM TODOS OS QUE ESCREVEM SABEM ESCREVER! O DANTAS É UM AUTOMATO QUE DEITA PR'A FÓRA O QUE A GENTE JÁ SABE QUE VAE SAHIR... MAS É PRECISO DEITAR DINHEIRO! O DANTAS É UM SONETO D'ELLE-PRÓPRIO! O DANTAS EM GÉNIO NUNCA CHEGA A PÓLVORA SECCA E EM TALENTO É PIM-PAM-PUM! O DANTAS NÚ É HORROROSO! O DANTAS CHEIRA MAL DA BOCA! MORRA O DANTAS, MORRA! PIM! O DANTAS É O ESCARNEO DA CONSCIÊNCIA! SE O DANTAS É PORTUGUEZ EU QUERO SER HESPANHOL!

(Manuel Falcão)

Bye-bye Maria Ivone


Não tenho nada de especial para escrever acerca do fim da blogosfera. Tenho apenas um agradecimento pessoal a fazer ao Paulo, também conhecido lá em casa como o “Mascas”. Há uns anos tive um blogue, que decidi fechar por falta de tempo. Mais ou menos na mesma época do blogue, fui convidado a escrever para um determinado jornal onde o Mascas trabalhava. Escrevi durante uns meses, e depois abandonei a colaboração, por achar que o projecto editorial que o sustentava não me interessava. Órfão de sítios para mandar bitaites, fui vergonhosamente assediado pelo Mascas para começar a escrever no Acidental. Durante muito tempo não quis. A minha vida, em teoria, não é escrever em blogues e jornais, embora comece perigosamente a parecer que sim. Finalmente, por alturas do ominoso consulado santanista, apeteceu-me mandar uma boca aqui, e mandei. O sacana do Mascas logo insistiu para que eu continuasse a mandar mais. Continuei a não mandar assim tantas. Mas depois houve temas irresistíveis: a dissolução parlamentar pelo Presidente Sampaio, as eleições presidenciais americanas e mais alguns, e lá me fui afeiçoando aqui ao bicho. Sabe-se lá porquê, parece que adquiri uma reputação qualquer a escrever para o Acidental, coisa que levou a direcção do Diário de Notícias a convidar-me a escrever para lá. Sabe-se lá porquê, há quem goste daquilo que eu por lá escrevo (e há quem deteste) e recebo e-mails, cartas e telefonemas de criaturas que nunca vi mais gordas a elogiar (ou a zurzir) os artigos, para além de que o meu nome vai aparecendo aqui ou ali na comunicação social a propósito de uma coisa ou outra. Passei assim do estatuto de académico obscuro (obscuríssimo) para o de nome (um poucochinho) público, que vai sendo por aí comentado. Não estou a brincar quando digo que nunca me passou pela cabeça tal coisa. Eu bem estava sossegado a dar umas aulas, a escrever uns livros e uns artigos lidos por três carolas e a tentar ter uma vida pacata. Se as coisas assim não ficaram, devo-o ao Mascas. Devo-lhe o ter-me desassossegado a vidinha e obrigado a escrever. E continuo desassossegado, nomeadamente todas as semanas, quando me sento ao computador para escrever para o DN ou a Atlântico, e me sinto sempre angustiado e vagamente mal-disposto antes de conseguri passar para o papel o que quer que seja. Nada do que escrevo me sai assim muito facilmente. Não me queixo. Até me estou a divertir, pelo menos enquanto tiver paciência e capacidade para continuar num mundo que não é originalmente o meu. Mas no meio disto tudo, há uma coisa que eu sei. Se estou nesse mundo, isso não se deve a mim, mas ao sacana do Mascas. Não fosse ele e eu, provavelmente, nunca mais teria escrito em lado nenhum fora da academia.
Conto isto, não por cabotinismo, mas porque tenho a certeza de que há mais histórias parecidas com a minha aqui no Acidental. O Mascas conseguiu pôr a escrever em abundância pessoas de que muitos de nós nunca tínhamos ouvido falar e de cujo talento agora ninguém duvida: basta pensar no Rodrigo, no Henrique, no Jacinto, no Bernardo e nos outros todos que aqui encontraram um espaço livre para dizerem o que muito bem entendessem.
E prontos. E é verdade que, com o fim do Acidental, há realmente uma certa blogosfera que acaba. Mas tenho a certeza de que o Mascas há-de querer começar outra noutro lado qualquer. So long, pal.
[Luciano Amaral]

Land Of The Free & The Home Of The Brave


Sobre o Paulo, o Henrique já disse quase tudo. O Paulo tem envergonhado a ociosidade de muitos patriarcas desta nossa direita. Dispensa a preguiça e a sinecura e faz aquilo que todos pensámos que um dia deveria ser feito sem sabermos quem teria, quando o dia chegasse, atrevimento e coragem bastante. O Paulo tem-na e muito, e sem um pingo do pedantismo que alastra com o reconhecimento e a notoriedade, tem sido o rosto visível desse «combate cultural» de que tanta gente falava há já tanto tempo. Um muito obrigado por tudo e um grande abraço para ele.
O Acidental foi um caso de sucesso nestes dois anos. Como leitor assíduo, lembro-me do FMS a escrever recensões sérias e apaixonadas sobre o Roger Scruton e o estilo (ou a ausência dele) do Engenheiro Sócrates, o RMD a fazer humor de esquerda com a incubadora, a Inês Teotónio Pereira a desancar sem pudor em feministas assanhadas, as referências do ENP com que todos aprendemos, o Henrique Raposo a desconstruir os argumentos dos desconstrucionistas nos seus parágrafos escrupulosos e asseados, o DBH e o uso desassombrado do Google Image, o Bernardo e a sua italianíssima paixão, o Jacinto Bettencourt e os advérbios de modo oportunamente colocados, o Luciano Amaral a falar com o povo sem se importar de descer do estrado, o Nuno Costa Santos a dissertar sobre a cruel promiscuidade nas relações com os livros e o Paulo a «marcar a agenda» da blogosfera durante este tempo todo, transformando uma convicção íntima num verdadeiro comunismo (calminha, oh literais iracundos) da convicção.
Muitas polémicas, muito humor, muito talento. E um excelente retrato do que é hoje uma direita desempoeirada e plural. Como no Indy dos velhos tempos, O Acidental foi um blog conservador no conteúdo e libertário na forma – o que não deixou de chocar muitas alminhas, à esquerda mas sobretudo à direita, formadas na velha escola do vernáculo sensaborão, muita casca-grossa no trato e o indispensável escutismo no toutiço.
Quanto a mim, vou ter saudades desta vasta conspirata direitista. Diverti-me muito e corei de orgulho no dia em que comecei a escrever por cá. Foi muito bom conhecer Os Acidentais. Uns senhores. Cheios de bom gosto e boa disposição. São daquele tipo de pessoas que acredita que a política não é a coisa mais importante do mundo: como o Paulo escreveu e eu tive a oportunidade de notar, este foi sempre um blog de amigos. Que vão deixar saudades.
Os rumores acumularam-se e durante estes dois anos O Acidental ouviu de quase tudo. Entre mimos vários, chamaram-nos muitas vezes de falcões. E têm razão. Este blog gosta manifestamente de andar em guerra. Contra a paz intelectual.

Um grande abraço a todos e até sempre. Foi um prazer.

[Tiago Geraldo]

Se não existisse tinha de ser inventado


Acidental: uma ocorrência inevitável devida à acção de leis naturais imutáveis.
(Ambrose Bierce saíu da urna para fazer um jeitinho especial a’O Acidental.)

[O ACIDENTAL]

sexta-feira, abril 07, 2006

Este é o primeira dia do resto da blogsfera...

Parece fácil, não é? Confesso que, no início, desconsiderei um bocadinho o fenómeno dos blogues. Pensei que era coisa de inspirados dionísicos (Rodrigo Moita de Deus), profícuos mestrandos (Henrique Raposo), fidalgos espirituosos (Diogo Belford Henriques), aguçados queirosianos (Bernardo Pires de Lima), dandies relaxados (Pedro Marques Lopes), liberais elegantes (Francisco Mendes Silva), conservadores arrojados (Eduardo Nogueira Pinto), líderes generosos (José Bourbon Ribeiro), espíritos sagazes (Vítor Cunha), graciosas inclinações (Inês), leais paladinos (Luís Goldschmidt), probas figuras (Manuel Castelo-Branco), sábios despretensiosos (Luciano Amaral), poetas geniais (Nuno Costa santos), delicadas ausências (Ana Albergaria), jovens destrezas (Tiago Geraldo), seguranças distintas (Manuel Falcão), militâncias autênticas (João Vacas), penas precisas (Leonardo Ralha) e demais ilustríssimos e ilustrados (Vasco Rato e João Marques de Almeida).

O Acidental, no entanto, é também hoje uma referência de uma determinada geração e de uma determinada direita, e digno, por isso mesmo, de celebração. Este blogue, depois de trancado, ficará como registo virtual e perene de uma visão plural, versada mas espirituosa, de uma agremiação de indivíduos que, em comum, se excluem do bolorento mito abrilista de socialismo totalitário, de caducos super-egos populares, de consequentes desvios semânticos. E a sua riqueza é tanto maior quando, num panorama nacional em que temos blogues vaqueiros, blogues femininos e blogues assexuados, toda esta panóplia de temas enfadonhos foi sendo oportunamente temperada com desconcertantes ‘tarrachinhas’, debates desportivos e questiúnculas de rodapé. Que ninguém duvide, portanto: o Acidental excitou, inspirou, animou e perturbou muito boa gente, com especial incidência em minorias cerdosas que, até há muito pouco tempo, se arrogavam o exclusivo conceptual do que é direita. E no fim, o Acidental fez vencimento, provando que a direita, essa realidade viva e pujante, não se subordina a uma qualquer elenco de categorias, não vive de determinismos, não se apreende em custos e oportunidades, e, sobretudo, não aposta em classes universais ou em escatologias de inveja: a direita, esta nossa direita, é uma visão prospectiva do que aí vem - o viagra da civilização ocidental!

Cumpre agora recordar que tudo isto, meus amigos, começou graças ao Paulo Pinto Mascarenhas e à sua visão muito particular e acertada. E que tudo isto continuou porque a boa cepa do criador não lhe permitiu repouso; consciente do que brotava, o Paulo arregaçou as mangas, congregou esforços, perseverou, concebeu e insistiu. O Acidental teve, na sua esfera íntima, essa particularidade única: longe das vaidades estéreis que definem a blogosfera, muitos dos acidentais escreveram precisamente porque o Paulo, subtilmente, os coagiu a tal em nome de um bem comum. E em boa hora o fez.

Por este facto político, por esta fértil opinio comunis, os parabéns ao Paulo, o criador, e a todos os que por aqui passaram, de alguém que gostou muito de os ler.

Até à próxima.

[Jacinto Bettencourt]

Facto social-conservador do ano

Ontem, na Trindade (um espaço cheio de referências maçónicas), havia uma mesa reservada em nome de Deus.

[Tiago Geraldo]

ttfn!

acidentalbye


[Vitriolica]

Graçolas num edifício de escritórios

Toda a gente sabe que, com dois filhos ou mais, se precisas realmente de descansar, arranjas trabalho para ficar no escritório até mais tarde.

[Rodrigo Moita de Deus]

Arrivederci

Não gosto muito de despedidas. Devido a esse facto e a um fecho de edição tão agreste que tive vontade de criar um blogue com esse nome - só não o fiz por alguém ter chegado primeiro - nem apareci na festa de encerramento. De qualquer forma, garanto a todos os camaradas que gostei de escrever ao vosso lado, agradecendo ainda aos leitores e aos comentadores.
Mas o maior agradecimento, claro está, vai directo para o Paulo Pinto Mascarenhas, com quem tive e tenho o prazer de colaborar em projectos que dão gozo e muito trabalho. Sendo ele o pai deste espaço de liberdade e controlada anarquia, mais não resta do que ficar feliz pela confiança que depositou em mim ao alistar-me para a causa que foi nossa e de tantos outros. Não chegámos a destronar outros blogues de referência no "ranking" dos mais lidos, mas outros projectos virão.
No que me toca, até esquecimento em contrário, ficarei pelo recém-criado Papagaio Morto. Ainda está a cheirar a tinta, não tem uma única peça de mobiliário e sabe-se lá quando haverá tempo para ir ao Ikea. Até à vista, camaradas.

[Leonardo Ralha]

O facto social-intelectual do ano

Esteves Cardoso capa da FHM.

[FMS]

See y'all!

Foi bonita a festa pá.

Obrigado Google Image, sem ti este blog não teria sido possível. Pelo menos comigo.

Volto, com o João Vacas e o Francisco Mendes da Silva, para o blog de origem onde não há liberais. Aliás, desconfio que, deste ontem à noite há muito menos gente disposta a intitular-se liberal.

God bless everyone.

[Diogo Belford Henriques]

“Juro que vi o Rodrigo Moita de Deus a tentar adoptar um brasileiro de dois metros.”

Me chama de Saddam!

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Francisco, não vale a pena apressar a coisa. é só amanhã que apagamos a luz.

E ainda antes do fim-de-semana, um poste à Diogo Belford Henriques

(pormenor da festa de ontem no frágil. ao meio, francisco mendes da silva tentando justificar a dimensão do seu "francisquinho" com o frio na sala)

Uma direita desavergonhada

[Rodrigo Moita de Deus]

Adeus mundo acidental, II

O Acidental serviu para muita coisa. Revelou, por exemplo, que, neste momento, o Paulo Pinto Mascarenhas é a Direita portuguesa. Ponto. A maioria pensa. Muito. Pois, mas o Paulo faz. E muito também. A maioria faz projectos no papel. O Paulo constrói projectos na prática. "PPM" é marca registada! O Paulo já fez mais pela existência de uma direita desempoeirada em Portugal do que os centos de deputados “de direita” que já pousaram o rabiosque na Assembleia. Um abraço para o meu amigo PPM!

Serviu para mostrar que não existe “A Direita”, esse fantasma que ainda habita a cabeça de muita gente, sobretudo na cabeça dos partidos que, por acaso e por mero acaso mesmo, se sentam à direita. Muitas vezes, ouve-se a queixa: “ah, não há respeito pela direita em Portugal”. Ora, se os partidos “de direita” não têm respeito pelas palavras “direita”, “conservador”, “liberal”, etc., as outras pessoas, obviamente, também não vão revelar esse respeito. O Acidental serviu para mostrar uma direita sem vergonha. Desavergonhada, mesmo.

Serviu para mostrar que existem muitas direitas. Direitas que, ainda por cima, gostam de andar à murraça. Um jovem universitário uma vez disse-me o seguinte: “sabes o que aprendi com o Acidental? Quando me tentam ofender com o eterno “mas tu és de direita”, eu respondo “pois, mas diga lá de que direita está V. a falar. É que há muitas”. Vitória. Nada acidental.

Da minha parte, o Acidental serviu para fazer amigos e camaradas. E haverá sempre um “antes” e um “depois” do Acidental. Porque o Acidental não era um blog. Era uma forma de estar. Uma forma de estar que causava algum desconforto a blogs políticos (sobretudo à direita) que encaram a ideia de “blog” como o novo púlpito. Mas esta forma de estar, incompreendida por talibans do comício virtual, foi bem percebida por duas senhoras da blogosfera, a Carla e a Isabel. O meu obrigado para as duas pérolas bombásticas (ah!) da blogosfera.

Porque não é um comício ou um púlpito, o Acidental acaba hoje. Até breve,

[Henrique Raposo]

Adeus, mundo acidental

Agora é que chegou a hora da despedida final. A minha mulher e as minhas três filhas chamam-me e não vou estar por aqui amanhã, o dia do fim. Por isso, peço aos meus queridos amigos acidentais que tratem do fecho com todos os cuidados, não se esquecendo de colocar os nomes d' Os Acidentais que faltam ali na coluna do lado esquerdo: a Inês Teotónio Pereira, o José Bourbon Ribeiro, o João Marques de Almeida, o Vasco Rato e o Vítor Cunha. E o último poste deveria ser assinado às 24h00 pelo Tiago Geraldo, essa minha última grande aquisição (obrigado, Pedro Lomba). Adeus e até à próxima.

[PPM]

Para que é levantaste esse assunto agora, Rodrigo?

Sim, não era preciso acabar assim com a divulgação de uma história tão delicada e que tanto agastou as nossas relações. Não tinhas nada de o fazer neste momento, ainda que não aceitasses o convite do dr. Pacheco. Mas que ficaste tentado, lá isso ficaste. E ele lá teve de ir convidar a Agustina para afogar as mágoas.

[PPM]

A blogosfera é um mulher linda

A festa do fim da blogosfera esteve cheia de mulheres bonitas. E os melhores blogues, os mais inteligentes e interessantes, são a cara (e não digo mais nada) de quem os escreve. É o caso da Helena Ayala Botto (espero que desta vez o nome esteja correcto), que tem tudo a ver com o Tristes Tópicos. E esta blogosfera é que não pode acabar.

[PPM]

a propósito de crónicas sociais

Depois de ontem ter ouvido demasiadas perguntas e demasiadas versões sobre o tema, gostaria de deixar escrito que não me zanguei com o Paulo Mascarenhas por causa do convite que recebi para ir escrever para o Abrupto. Não me zanguei com o Paulo - e espero que o Paulo não se tenha zangado comigo - e não é certamente por causa desse convite que o Acidental acaba. É verdade que a conversa que tive com Pacheco Pereira (que, para quem não sabe, conheça há muitos anos), foi num momento conturbado, no auge da polémica com o Espectro e com a Atlântico. Transmiti a conversa ao Paulo Mascarenhas. E depois de alguns emails naturalmente acalorados, disse-lhe que compreendia o seu melindre e que por isso recusaria o convite. O assunto ficou arrumado assim, até que ontem a novela ressurgiu. Acusaram-me inclusivé de nos últimos dias ter postado algumas graçolas sobre o José Pacheco Pereira à pressa só para camuflar a suposta "falta de solidariedade" no auge da polémica.
Do Paulo Mascarenhas só posso dizer bem e agradecer a hospitalidade.
Da eventual "zanga" vou levâ-la como fofoca de quem não tem melhor coisa para fazer.

[Rodrigo Moita de Deus]

Crónica social (II)

Quem também marcou presença na noite do fim da blogosfera, foi o Zé Diogo Quintela. É óptimo termos nas nossas festas as pessoas que mais admiramos, como é o caso. Para além de ser um fã do programa do Gato Fedorento na RTP 1 (hoje, de novo, às 21h00) sou leitor assíduo das crónicas do Quintela no Indy. O melhor é que se vê a milhas que é um tipo impecável.

[PPM]

The Bomb

O Rodrigo foi injusto e inexacto ali em baixo quando se referiu ao que verdadeiramente nos une. Em nome do rigor e do cavalheirismo, diga-se que, se temos tido a possibilidade de nos reunirmos no mítico Frágil, isso deve-se ao empenho e aos contactos da Carla Quevedo (bomba-inteligente.blogspot.com - não sei fazer links em Macs). Como cantava o Morrissey, "If it's not love, then it's the bomb, the bomb, the bomb, the bomb, the bomb, the bomb, the bomb that will bring us together".

[FMS]

Crónica social

O meu esquerdista preferido, o Francisco Trigo de Abreu do Mau Tempo no Canil, esteve muito bem acompanhado nesta sua incursão nocturna. Soube depois que a sua giríssima acompanhante era a Sam do belo blogue serendipity. A blogosfera é uma linda mulher.

[PPM]

Rainha Bomba

A Carla Hilário Quevedo, também lá esteve, com su Zeus (a ira dos deuses pode ser terrível e eu sei que estou em falta). A Bomba é definitivamente a maior alma da blogosfera e foi uma vez mais essencial para que a festa d' O Acidental se realizasse. Só posso agradecer. Cheguei à conclusão que o blogue pode acabar mas as festas acidentais continuarão a marcar a agenda. Sempre no Frágil do Rodrigo Leão, é claro.

[PPM]

A dança dos pastéis de nata

Quem também esteve em grande foi o Luís Filipe Borges, da Revolta dos Pastéis de Nata. Ele é irmão do Alexandre Borges, o homem que dá texto aos cartoons da Atlântico, que ontem falhou a convocatória. Uma família de gajos porreiros. O LFB tem de escrever na futura Atlântico Online. Só nos falta um patrocinador.

[PPM]

Sobre esta coisa da polémica no hino da galp

Para variar, os activistas LBGT estão a portar-se como umas meninas.

[Rodrigo Moita de Deus]

A noite do fim

Ricardo Araújo Pereira esteve na festa do fim da blogosfera. Disseram-me que disse - porque infelizmente não falei com ele - que não podia deixar de ir festejar o fim d' O Acidental. Para ele, era uma festa quase tão importante como o 25 de Abril.

[PPM]

PS. Rodrigo, FMS, vocês não dormem? Depois contam-me como foi a continuação no Lux. E para onde foi o Eduardo?

O melhor é rever o valor da avença

Hoje ainda só vi quatro ou cinco fotografias do Fernando Ulrich e seis ou sete notícias a dizer que o BPI é um Banco bestial.

[Rodrigo Moita de Deus]

Pedidos especiais durante a noite de ontem...

Acompanha-me a casa
Já não aguento mais
Deposita na cama
Os meus restos mortais
Frágil
Sinto-me frágil
[Rodrigo Moita de Deus]

É mais o que nos une do que tudo o que nos separa

À volta da mesa nessa, mítica trindade, discutimos para não variar. Mais estado, melhor estado, privatize-se, nacionalize-se, download grátis, download pago, Rita Andrade, menina do gás.
E no calor da discussão dou-me conta da improbabilidade de juntar durante dois anos tanta gente tão diferente na mesma mesa e no mesmo blogue. Liberais, neo-liberais, liberais-conservadores, conservadores, marialvas sociais cristãos. Tamanha heteronomia ideológica!
Subitamente ocorre-me que houve sempre algo que nos uniu:



Obrigado Dr. Pacheco Pereira.

[Rodrigo Moita de Deus]

Da festa e after-festa IV

Os meus CDs pirateados foram toda a noite rejeitados pelos pratos do Frágil. O Manuel Castelo Branco e os senhores da Judiciária que apontem o que eu digo: isto não fica assim.

[FMS]

Da festa e after-festa III

O Santanismo continua vivo, pleno de energia e ululante. Felizmente, não a horas capazes de incomodar o cidadão trabalhador. E não no Frágil, se bem que em estabelecimento irmanado. O Sampaio lá sabia o que estava a fazer.

[FMS]

Da festa e after-festa II

O Eduardo encontrou finalmente o público para o seu deejaying.

[FMS]

Da festa e after-festa I

Riscar o que não interessa:

José Cid Vicious.

[FMS]

quinta-feira, abril 06, 2006

Sing me to sleep

O Acidental deu-me amigos para a vida. Não podia pedir mais.
Obrigado a todos os que me leram, a todos mesmo.
Adeus e até ao meu regresso.

[Pedro Marques Lopes]

E porque é que se ri? Porque é hoje, é hoje, É HOJE! *


FESTA DO FIM DA BLOGOSFERA

Acidental

Venha festejar connosco o fim da velha blogosfera e o início da nova. Reconheçam: já não há pachorra para os early mornings do Pacheco, a Aspirina perdeu a validade, o Sinédrio desapareceu e isto já é um Espectro.

Jovem, se tens uma idade compreendida entre a do Dinis Maria e a de Mário Soares (inclusivé), vem à Festa do Acidental dar um pé de dança ao som de música da boa e das melhores aulas de Isaiah Berlin e de Oakeshott. A entrada é aberta a liberais, conservadores, liberais conservadores, reaccionários, gajos de esquerda, gajos dos comments, Joana Amaral Dias, frequentadores do Lidl, do Abrupto (desde que tenham mais de 11 anos), do Gallery, da Buchholz, da Brasileira e da blogosfera em geral. Só o bar não é aberto.

A música estará a cargo de um trio de djs acidentais, que já deu provas noutras ocasiões: Francisco Mendes da Silva, Nuno Costa Santos e Eduardo Nogueira Pinto (se regressar a tempo da sua digressão nova-iorquina). O Pedro Marques Lopes promete demonstrar que a sua cultura não se resume à ditadura de Allende e o Tiago Geraldo vai provar que não tem Kahlo nem Frida nas mãos.

A não perder. Hoje. No Frágil, claro.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

* Título inspirado em texto de Juca Chaves

Agenda de Abril

Hoje - Ir ouvir o Rui Ramos na conferência organizada pelo CDS e esperar que seja o primeiro a falar porque a partir das 11 da noite há que estar no Frágil, para a festa do fim da blogosfera.
Dia 7 - Ler O Acidental, passar os olhos pelos blogues amigos, que são muitos - e não ligar a possíveis comentários insultuosos de ressentidos.
Dia 8 - Assistir ao fim da blogosfera acidental.
Dia 9 - Ouvir o programa Descubra as Diferenças em 90, 4 FM, uma parceria entre a Rádio Europa e a Revista Atlântico, desta vez com a presença de Rui Ramos e Luciano Amaral, para além de mim e da (i)moderação de Antonieta Lopes da Costa, a directora da Rádio.
Dia 10 - Assistir ao primeiro debate organizado pela revista Atlântico em conjunto com o Centro de História Contemporânea e Relacões Internacionais e a Editora Edeline. A propósito do livro "A Ascensão ao poder de Cavaco Silva 1979-1985", de Adelino Cunha. Com moderação do jornalista José Eduardo Fialho Gouveia, a sessão tem como convidados os historiadores Rui Ramos e António Costa Pinto. Pelas 18 horas em ponto na FNAC do Chiado.
Dia 11 - Começar a ler o blogue da Atlântico, nos intervalos da revista. E esperar por novas iniciativas, que não tardarão.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Adeus e até ao teu regresso!










[JBR]

Despedidas de hoje

Agora que está a chegar a hora do adeus, há que prestar as devidas homenagens a todos aqueles que por aqui escreveram, das mais diversas origens políticas e pessoais, sempre com a coragem de contrariar as conotações que alguns pretenderam atribuir a este blogue.
Compreendam que assinale agora quem por aqui andou e por razões pessoais ou profissionais teve de deixar de o fazer. É o caso de Vasco Rato, um liberal do PSD, mas sobretudo um grande amigo de longa data e o primeiro a partilhar comigo este espaço de liberdade. É o caso também do João Marques de Almeida, um liberal independente, mas sobretudo meu velho amigo de sempre e compadre muito estimado. É finalmente o caso da Inês Teotónio Pereira, do Vítor Cunha e do José Bourbon Ribeiro, antigos camaradas de profissão n' O Independente, amigos que ficaram e ficarão para a vida. Todos eles vão constar a partir de sábado à meia-noite, quando este blogue se finar, da lista d' Os Acidentais. Porque o merecem. Para quem ainda não o tinha percebido - e calculo que nunca perceberá -, O Acidental foi, antes de mais e de tudo o resto, um blogue de amigos.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Boas notícias para os conservadores

É verdade, FMS, o Benfica está desde ontem fora das competições europeias. E o princípio conservador confirma-se na história do futebol português: isto só acontece muito depois de Sporting e Porto terem sido eliminados.

[PPM]

Obrigado, Acidental!

«Death or Glory, becomes just another story!»
Joe Strummer, The Greatest.

[Bernardo Pires de Lima]

Então, até já

[Rodrigo Moita de Deus]

Chamar-me menino é uma provocação. Ainda por cima eu gosto. Ainda por cima ela sabe. Retribui-se.

Perde a fidalguia novo encanto. Fica este consolado.
Que é deleite mais do que suficiente imaginar-lhe a leitura do meu bilhete com o olhar agrafado às etiquetas. Que é quase volúpia imaginar-lhe a face ruborizada quando lhe sussurrei “chama-me Escamillo”. Que é sentimento certamente para além da legalidade imaginar-lhe os cuidados com a mão trémula na lavra da resposta.
Bom, imaginação, dirá. Sou menino de imensa imaginação. Verdade. O que nem sempre é mau. Você sabe.

Se a julguei com outro arrojo, queira perdoar-me a falta de juízo. Se pelo contrário, pequei por defeito, digo-lhe apenas que o menino é mais fácil de encontrar que o endereço de email.

[Rodrigo Moita de Deus]

Um aplauso bem forte ao PPM














(De pé)

Por estes anos acidentais! Foi bonita a festa, pá!

Bem hajas!

[JBR]

Poste de título variável. Hipótese III: o que sabe este senhor que os tribunais, pelos vistos, não sabem?

«em Portugal a corrupção progride e intercepta cada vez mais níveis diversos da Administração e do aparelho do Estado»,

Euclides Dâmaso, director do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP)

[Rodrigo Moita de Deus]

Poste de título variável. Hipótese II: é por isso mesmo que o governo tem estado tão empenhado na polícia judiciária

«em Portugal a corrupção progride e intercepta cada vez mais níveis diversos da Administração e do aparelho do Estado»,

Euclides Dâmaso, director do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP)

[Rodrigo Moita de Deus]

Poste de título variável. Hipotese I: e tu? quanto é que te pagaram para dar entrevistas em vez de andares a prende-los?

«em Portugal a corrupção progride e intercepta cada vez mais níveis diversos da Administração e do aparelho do Estado»,

Euclides Dâmaso, director do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP)

[Rodrigo Moita de Deus]

E de repente, está-me a dar para a poesia

Uns saem, outros entram. A blogosfera é como a porta giratória do Altis mantida quente como o regaço de uma cortesã.
Um abraço Francisco!

[Rodrigo Moita de Deus]

e eu não aguento muito mais estes tabus

A falta de qualidade dos jornalistas portugueses vê-se é nestas coisas. A verdade é que já estamos em Abril e o país continua por saber que destino paradisíaco vai José Sócrates escolher para as férias de verão deste ano.

[Rodrigo Moita de Deus]

Boas novas, fresquinhas, sobre o terço do PIB

O governo da república informou que o jogging, aquele que não estava no programa e que não era para ser divulgado não fosse uma inconfidência no avião, correu, e cito, muitíssimo bem. O piso era um tanto ou quanto irregular, mas ainda assim foi possível escapar à intensa chuva que caiu poucos minutos antes das oito, hora marcada para a iniciativa. Foi o nosso amado primeiro acompanhado de vários seguranças, colegas de partido e, claro, dos jornalistas que lá se encontram para dar conta das novidades à nação expectante.
Informou também que na meia hora que a sessão durou não foi, ainda, atingido um ritmo ideal por causa da lesão que o nosso amado primeiro sofreu durante as suas férias na neve. Sempre na lógica de serviço público, vamos manter os leirores de O Acidental informados sobre tudo o que de mais importante se passa nos Assuntos de Estado.
[Rodrigo Moita de Deus]

A partir de agora, sim, tudo pela Nação


[FMS]

Camp Nou em sentido (acreditem que se trata mesmo de uma homenagem)

"El rellotge semblava que no corria fins que ha arribat el minut 88. En aquell moment el camerunès, incansable, ha robat una pilota en el mig del camp, entre Ronaldinho i Belletti han fet que la pilota tornés als seus peus i llavors Eto’o ha afusellat Moretto des de ben a prop."

(in “site” do Barcelona)

[Leonardo Ralha]

E o Benfica está fora das competições europeias


[FMS]

quarta-feira, abril 05, 2006

The end is near

A cortina deste palco já sobe, como se pode ver lá em cima na produção da sempre tão generosa e amiga Vitriolica, tão Acidental como qualquer um de nós. Tristeza não há nenhuma - ou se existe alguma neste momento é apenas pela derrota justa do Benfica em Barcelona - porque O Acidental cumprirá até ao último dia a sua missão: o de demonstrar que a direita pode e deve ser liberal e que a direita liberal é aquela que maior capacidade tem para trazer ao debate democrático todas as outras direitas. Ao contrário de outros blogues, nomeadamente de esquerda, que tentaram seguir os passos d' O Acidental e se abriram a outras tendências, não acabamos zangados ou sequer desavindos - acabamos porque não nos queremos eternizar nem vivemos como outros da exposição multimediática - e saíremos de cena com ainda maior convicção de que tínhamos alguma razão. Mas a luta vai continuar.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Então deixa-te estar

“Estou a sentir-me em casa”

[José Sócrates, em Angola]

[FMS]
5.4.06
18:26 (JBR)

RETRATOS DO TRABALHO NA MARMELEIRA, PORTUGAL
Pronto para mais uma intervenção na TV

Festa do fim da blogosfera (última hora)

Pacheco Pereira interpõe providência cautelar para impedir festa do Acidental

O comentador e bloguista alega que a festa irá prejudicar o seu bom nome, dado que, segundo consta, os DJ´s irão passar por diversas vezes o próximo hit de Verão: "Quem Nasceu para Maoísta, Nunca Chega a Democrata".

[O ACIDENTAL]

Grande hit da Festa do Acidental

O Vídeo:
Bush Was Right

A Letra:
Freedom in Afghanistan, say goodbye Taliban
Free elections in Iraq, Saddam Hussein locked up
Osama’s staying underground, Al Qaida now is finding out
America won’t turn and run once the fighting has begun
Libya turns over nukes, Lebanese want freedom, too
Syria is forced to leave, don’t you know that all this means

Chorus
Bush was right!
Bush was right!
Bush was right!

Democracy is on the way, hitting like a tidal wave
All over the middle east, dictators walk with shaky knees
Don’t know what they’re gonna do,their worst nightmare is coming true
They fear the domino effect, they’re all wondering who’s next

Repeat Chorus

Ted Kennedy – wrong!
Cindy Sheehan – wrong!
France – wrong!
Zell Miller – right!

Economy is on the rise kicking into overdrive
Angry liberals can't believe it's cause of W's policies
Unemployment's staying down, Democrats are wondering how
Revenue is going up, can you say "Tax Cuts"

Repeat Chorus

Cheney was right,
Condi was right,
Rummy was right,
Blair was right
You were right, we were right,
“The Right” was right and Bush was right

Bush was right

[Com o devido agradecimento ao Bruno]

[FMS]

Falando em festa do fim da blogosfera, não se esqueça, porque é amanhã

Acidental

Venha festejar connosco o fim da velha blogosfera e o início da nova. Reconheçam: já não há pachorra para os early mornings do Pacheco, a Aspirina perdeu a validade, o Sinédrio desapareceu e isto já é um Espectro.

Jovem, se tens uma idade compreendida entre a do Dinis Maria e a de Mário Soares (inclusivé), vem à Festa do Acidental dar um pé de dança ao som de música da boa e das melhores aulas de Isaiah Berlin e de Oakeshott. A entrada é aberta a liberais, conservadores, liberais conservadores, reaccionários, gajos de esquerda, gajos dos comments, Joana Amaral Dias, frequentadores do Lidl, do Abrupto (desde que tenham mais de 11 anos), do Gallery, da Buchholz, da Brasileira e da blogosfera em geral. Só o bar não é aberto.

A música estará a cargo de um trio de djs acidentais, que já deu provas noutras ocasiões: Francisco Mendes da Silva, Nuno Costa Santos e Eduardo Nogueira Pinto (se regressar a tempo da sua digressão nova-iorquina). O Pedro Marques Lopes promete demonstrar que a sua cultura não se resume à ditadura de Allende e o Tiago Geraldo vai provar que não tem Kahlo nem Frida nas mãos.

A não perder. Quinta-feira dia 6 de Abril. No Frágil.

[O Acidental]

Despedidas (II)

Cara Ana Cláudia Vicente, não seja tão literal. O fim da blogosfera não é para ser levado à letra. Espera-se sempre mais de quem se diz Amigo(a) do Povo. Mas está convidada para a festa. Do fim. Da Blogosfera.

[PPM]

Morte

Para celebrar o óbito do único blogue que amei decidi escrever um último post - uma oração fúnebre.

O Acidental é filho de um homem (Paulo Pinto Mascarenhas), mas não é homem.

O Acidental é repouso, mas não é pousio.

O Acidental é arte, mas não tem Estado.

O Acidental é plural, mas não tem dono.

O Acidental irrita, porque acerta.


O Acidental
é geracional, como garante o velho rezingão do Abrupto.


O Acidental é o kindergarten de alguma (pouca) esperança nesta humanidade.


O Acidental é liberal, mas não é liberal.


O Acidental é livre - e isso eles não percebem porque nasceram num tempo em que o mundo era a branco e preto.




[Vítor Cunha]




Despedidas (I)

Haverá muitas despedidas que todos iremos fazer até ao dia 8 de Abril, mas há uma que faço desde já com um abraço para toda a tripulação do Mar Salgado, um dos meus blogues de sempre, em especial ao Filipe Nunes Vicente (um grande benfiquista) e ao Pedro Caeiro, com quem em tempos tive um rápido desaguizado, já nem me lembro bem porque razão (reagir a quente sempre foi um dos meus defeitos, que assumo, mas também não guardo rancores).
Leio o Mar Salgado ainda antes de ter entrado neste mundo e vai continuar a ser uma das minhas leituras diárias. Conheci aliás o Nuno Mota Pinto - esse grande timoneiro, hoje em banho-maria - pouco tempo antes de abrir O Acidental - e ele avisou-me das dificuldades para manter um blogue devidamente actualizado. Desconfio que não acreditava que iríamos continuar por aqui durante tanto tempo. Estivemos durante dois anos. Agora chega.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

A ver se o maradona aprende (e porque hoje é um dia especial para o Benfica, perca ou ganhe no Camp Nou)

Ser benfiquista, segundo Miguel Esteves Cardoso:

"É por não gostar de futebol que sou do Benfica . Tal como compreendo como é que há portugueses que conseguem ser de outros clubes. O Sporting, o Porto podem jogar bem, e o Belenenses e a Académica podem calhar bem em sociedade, mas só o Benfica, como o próprio nome indica, é o próprio Bem. Que fica.

Só o Benfica pode jogar mal sem que daí lhe advenha algum mal. Basta olhar para os jogadores para ver que sabem que são os maiores, que não precisam de esforçar-se muito, porque são intrínseca e moralmente a maior equipa do mundo inteiro. Ninguém sabe. Mas sente-se. Quando perdem, não se indignam, não desesperam.

Eusébio só chorou quando jogou por Portugal. Quem joga no Benfica tem o privilégio e o condão de estar sempre a sorrir.

Não conseguem resistir. O Benfica, a bom ver,nem sequer é uma equipa de futebol. É um nome. É como dizem os brasileiros, uma "griffe". Têm uma cor. Antes de entrar em campo, já têm um mito em jogo, já estão a ganhar por 3-0, graças só à reputação. Quando o Benfica perde, parece sempre que quis perder.

Essa é a força inigualável do Sport Lisboa e Benfica - faz sempre o que lhe apetece. O problema é que lhe apetece frequentemente, perder.

Qual é o segredo do Benfica ? São os benfiquistas. São do Benfica como são filhos de quem são. Ninguém "escolhe" o Benfica, como ninguém escolhe a Mãe ou o Pai. Em geral, aliás, os benfiquistas odeiam o Benfica e lamentam-no no estádio e em casa, mas pertencem-lhe. Quanto mais pertencemos a uma entidade superior, seja a Família, a Pátria, Deus - ou o Benfica, mais direito, temos de criticá-la e blasfesmá-la.

Não há alternativa.

Em contrapartida, os sportinguistas e portistas parecem genuinamente convencidos que apoiam as equipas deles porque são as mais dignas ou as melhores.

Desgraçados!

Se fossem coerentes, seriam todos adeptos do REAL MADRID, AC MILAN, etc, etc.

No Benfica, não se exige qualquer lealdade. Só se pede, em relação aos adeptos de outros clubes, caridade e comiseração. O Sporting, por exemplo, tem a mania e a pretensão de ser "rival" do Benfica, um pouco como o PSN se julga crítico parlamentar do PSD. Mas, se se tirasse o Benfica ao Sporting, o Sporting deixaria de existir.

O Benfica é um grande clube porque tem história e talento suficientes para não dar importância aos resultados. Tem uma tradição de "nonchalance" e de pura indiferença que não tem igual nos grandes clubes europeus.

O Benfica não joga - digna-se jogar.
Não joga para vencer - vence por jogar.

Odeio futebol. Mas amo o Benfica.

As opiniões de quem gosta de futebol são suspeitas.

Claro que os sábios são do Benfica. Mas a força deste grande clube está nos milhões que são benfiquistas apesar do Benfica, apesar do futebol, e apesar deles próprios. Em contrapartida, aposto que a totalidade de pessoas que são do Sporting ou do Porto, por infortúnio pessoal ou deficiência psicológica, são sócios.

A força do Benfica, meus amigos, está em quem não paga as quotas, que não vai a jogos, quem não sabe o nome dos avançados - isto é, no resto do mundo.

O Benfica, é o Benfica.

E o que tem de ser - e é - tem muita força."

[PPM]

O Acidental ainda à escuta

Já o disse uma vez: temos um Governo muito engraçado. O Simplex 2006 obriga-me a dizê-lo outra vez. Não por causa do nome caricato, que arrastou imediatamente as pessoas mais respeitáveis para trocadilhos dignos de um recreio de escola primária, mas por causa do célebre e inesquecível número de medidas que o eng. Sócrates anunciou em Belém. Não foram 300, nem 335, nem 334, mas 333. Exactamente 333. Um acaso? Qualquer amador de mistérios sabe que os acasos não existem. Os mais simples imaginaram que os ministros tinham andado apenas à procura de uma capicua publicitária. É óbvio que há em tudo isto um sentido mais profundo. 666 é o número da Besta. A Besta, neste caso, seria a burocracia. 333 significaria, portanto, a Besta reduzida a metade. Como alguns jornais explicaram, para se atingir o número esotérico fizeram-se todos os malabarismos, abolindo 94 vezes a mesma coisa. Tal era o desespero de fazer passar a mensagem. Aparentemente, alguém no Governo descobriu Dan Brown com entusiasmo. Quando é que o eng. Sócrates começará a chamar a atenção dos portugueses para certos detalhes dos quadros de Leonardo da Vinci?

Rui Ramos, no "Diário Económico" de hoje.

[PPM]

Sketch do blogue morto

This blog is no more!
It has ceased to be!
It expired and gone to meet its maker!
It’s a stiff!
Bereft of life it rests in peace!
If you hadn’t nailed it to the Blogger, it would be electronic trash!
Its metabolic processes are now history!
It’s off the twig! It has kicked the bucket, it has shuffled off its mortal coil, run down the curtain and joined the bleeding choir invisible!
This is an ex-BLOG!!!

[Leonardo Ralha]

Posts de Despedida: aqui fez-se pluralismo

Caro Francisco,

(Para terminar, nada como uma boa polémica interna à la Acidental. Outros falam em pluralismo, mas quando surge a dissidência as coisas ficam turvas e acabam por terminar abruptamente e de forma quase blasfémica. Nós, ao invés, fazemos pluralismo. A dissidência é um modo de estar. Murraça interna. Com fartura. Se o Acidental serviu para alguma coisa, foi certamente para isto: à direita, faz-se pluralismo)


Não tenho ânsias. Mas tenho desespero. Desespero por ver uma direita que não é coisa nenhuma, a viver num limbo sem qualquer pensamento ou projecto. Como diz hoje Rui Ramos, devíamos perguntar aos lideres do PSD e do CDS se são mesmo de direita.

Não disse que o PS está a governar como se fosse de direita. Disse - repito – está a governar numa posição mais à direita do que aquela ocupada por este PSD. Fala-se em mexidas no SNS. Logo vem o PSD, qual partido de esquerda, atacar o governo que toca no tabu. Quem está mal neste foto não é o PS mas o PSD. Era esse o meu objectivo no post de ontem.

Sim, “liberalização” interna. Basta falar com pessoas da nossa geração com ligações ao PS. Felizmente, já não conseguem sequer pensar de forma socialista. Há muitos liberalismos. O liberalismo não é exclusivo de quem está à direita. E o liberalismo pode entrar em Portugal pelo PS. De forma envergonhado, híbrida, na Terceira Via possível para um país continental. Mas pode entrar. Mais: não disse que o PS já é um partido de esquerda liberal. Disse que caminha para lá (uma parte, pelo menos). Por necessidade. Mas política é necessidade.

Não me estou a deixar enganar. O Modelo Social continua. O Liberalismo Envergonhado (o de esquerda) sempre se preocupou com uma coisa: direccionar a ajuda do Estado directamente para o Indivíduo. A Esquerda Socialista pensa em Massas: Ajudar o Povo, essa entidade que nunca ninguém viu. Esbanja colectivamente. Os liberais envergonhados esbanjam individualmente. Esbanjam no Zé e não nos sindicatos ou corporações dos Zés. Do mal, o menos: prefiro o esbanjamento individual. Não concordo, mas é um mal menor quando comparado com a visão clássica socialista. Sócrates não quer mudar o Modelo Social. Mas quer adaptá-lo ao mundo de hoje. Lentamente? Sim. Mas, olhando para os candidatos que lutaram com Sócrates pela liderança do PS, posso dizer que outro líder nem sequer seria lento na adaptação. Não se adaptaria. Ponto. Como se passa na França, onde ninguém, quer à Esquerda, quer à Direita, está disposto a tirar a venda dos olhos.

É uma mudança de grau e não de natureza. E sobre isto uma coisa: não percebo porque razão os partidos de direita não apresentam uma mudança de natureza. Por que razão não apresentam um liberalismo sem vergonha por oposição ao liberalismo envergonhado? Por que razão não apresentam um projecto novo? Uma nova “natureza” para o país e não uma simples mudança de grau? É isto que não percebo. É isto que é irritante. Sobretudo quando o opositor está a mudar. Não perceber que o velho PS foi vencido nas últimas presidenciais é um erro grave. Não perceber que Cavaco Silva vai secar a posição "híbrida" do PSD durante 10 anos também é um erro grave. Só há uma saída: um novo projecto para Portugal. Sem vergonha. Sem medo. Sem poeira.

Outra coisa: eu não elogiei o Governo. Critiquei a direita servindo-me do PS. É diferente. Não qualifiquei. Analisei. E é isso que falta à nossa direita: menos tribalismo e mais sangue-frio. Andamos a levar lições de maquiavelismo! Não sujo as minhas credencias de conservador só pelo facto de fazer uma análise que tende a ser favorável à esquerda e desfavorável à direita. Pelo contrário. Um conservador não gosta de tribos cegas. No máximo, gosta de ajudar tribos de olhos bem esbugalhados. E, por enquanto, os partidos de direita em Portugal têm demasiada ramela nos olhinhos.

[Henrique Raposo]

PS: E agora aquilo que interessa: amanhã quero Sex Pistols!! E um abraço para Francisco Mendes da Silva!

Optimismo moderado

Hoje o jogo, amanhã a festa. Se tudo correr bem, passo o resto da semana a dormir no sofá.

[Rodrigo Moita de Deus]

Isto hoje também pode dar festa muito acidental

[Rodrigo Moita de Deus]

Caro Henrique,

Aprecio o teu inorganicismo desempoeirado (hã?!) e percebo a ânsia que muitos temos, à esquerda e à direita, de demonstrarmos pontualmente a nossa admiração por aspectos diversos do lado adversário. Dá-nos como que uma aura de credibilidade e de homens livres. Tudo bem. Mas a ideia de que o PS está a governar à direita e se está a liberalizar (e a liberalizar o país) é errada e surpreende que seja defendida por ti, que tens inteligência e formação para te não deixares enganar, e por muitas outras pessoas de direita (nos partidos, no comentário profissional e nos cafés).

Tudo o que o PS está a fazer, seja em medidas avulsas ou naqueles programas palavrosos, é a tentar reduzir a despesa pública sem colocar em causa o modelo social-democrata de estado. Não vejo sinceramente onde possa estar Sócrates a reformular ideologicamente o PS. Pode não passar o dia a cantar loas a Abril, mas o essencial está lá. E não é por ser antipático e insensível perante os protestos das multidões (coisa que, aliás, não é quando os protestantes são os governadores civis, os presidentes das regiões de turismo e outros boys em perigo) que o podemos considerar de direita ou da esquerda "liberal". Tudo o que neste ano foi feito serviu apenas como tentativa desesperada de salvar esse moribundo que é o estado providência tal qual o conhecemos. Coisa que, como se sabe (cfr. o valor do défice e o nível da despesa pública), tem tido um insucesso retumbante, mesmo num ano em que o governo subiu nove impostos (grande liberal, este Sócrataes, ó Henrique).

O governo anda há mais de um ano a escutar odes à sua actividade. Mas em nenhum momento demonstrou sensibilidade para ponderar o modelo de estado que temos. E nunca se lhe notou qualquer intenção séria de tornar Portugal num país competitivo e criador de emprego, de acordo com as exigências do novo mundo global.

Quando morrer, dificilmente merecerá uma elegia.

[FMS]

Circular Interna

Camaradas Acidentais, confirma-se o nosso jantar de despedida na quinta-feira. Nove e meia da noite no sítio do costume (a comida não é nada de especial, mas é uma questão sentimental).

[Rodrigo Moita de Deus]

The rain in Spain falls mainly in the plain

Chamem-me optimista mas depois dos brócolos do corte inglês, dos sapatos prada e de outros apetites mais aburguesados vejo na f. uma betinha de enorme potencial. Sim. É verdade que a f. defende o casamento dos homossexuais, a igualdade entre todos os Homens a solidariedade para com os miseráveis e sabe Deus quantas mais causas perdidas e birras de minorias. Exige trabalho, mas é possível, garanto-vos. Faria da f. uma tiazorra de impressionar cortes e fidalgos.

Duas semanas e começava com a terminologia. Na mesma caixa arrumava a “empregada doméstica”, os “lábios”, os “cortinados”, o “vermelho” e a “carpete”. Entre vocabulário próprio de uma senhora, ensaiava-lhe o solfejo com a frase “odeio pobres”, repetida à exaustão até que o resultado fosse melodia em Estoril puro.

E por falar em linguagem, ainda antes de sair de casa, avultava-lhe a elegância nos gestos e no andar para inveja das invejosas duquesas de Palermo. Num final de tarde quente perguntar-lhe-ia: a menina dança? Valsa, porque obrigatório, mambo porque divertido, tarrachinha, porque ainda mais divertido. f feita Salomé com este desditoso ceifando cabeças por caprichos dela. Compreendam que tamanha expectativa me deixe com arritmia.

Só depois a decoração. Um banho de loja e outro de iodo para ganhar uma corzinha. Qual Gucci, Prada ou Chanel. Tudo isso já foi coisa na década de oitenta. George Rech, para soirées, Buckles, mais arrojada e Fendi em assessórios. Entretinha a minha Barbie com vestidos e vestidinhos. Entretinha-me de Ken garantindo-lhe ocasião para os usar a todos.

Dar mundo. Dar Proust pelo jantar à minha odalisca ao som de Albinoni. Dar conta das bravatas dos antigos nas areias das arenas e daquelas nas costas de África. Dar Óscar Wilde, furtivo, entre dois, sob o luar de Marraquexe. Dar aconchego no frio de um nascer do sol numa varanda do George V e uma estreia de tiara Swarovski no metropolitan. Finda a encenação sussurrar-lhe-ia ternurento ao ouvido: “chama-me Escamillo”.

Da nativa festa de branco ali no T ao baile de gala na eterna Viena. A minha odalisca, já diplomada nas artes de salão, verdadeira betinha de jet e ligeiramente entediada do melhor que a vida consegue oferecer, cumularia êxitos com feminis protestos a este “horrível mundo de mendicantes, suburbanos e debochados sexuais”.

[Rodrigo Moita de Deus]

terça-feira, abril 04, 2006

Agenda de Abril

Dia 5 - Comprar a revista Atlântico, se ainda não a comprou. Torcer pelo Benfica contra o Barcelona, nem que seja a primeira e última vez.
Dia 6 - Ir ouvir o Rui Ramos na conferência organizada pelo CDS e esperar que seja o primeiro a falar porque a partir das 11 da noite há que estar no Frágil, para a festa do fim da blogosfera.
Dia 7 - Ler O Acidental, passar os olhos pelos blogues amigos, que são muitos - e não ligar a possíveis comentários insultuosos de ressentidos.
Dia 8 - Assistir ao fim da blogosfera acidental.
Dia 9 - Ouvir o programa Descubra as Diferenças em 90, 4 FM, uma parceria entre a Rádio Europa e a Revista Atlântico, desta vez com a presença de Rui Ramos e Luciano Amaral, para além de mim e da (i)moderação de Antonieta Lopes da Costa, a directora da Rádio.
Dia 10 - Assistir ao primeiro debate organizado pela revista Atlântico em conjunto com o Centro de História Contemporânea e Relacões Internacionais e a Editora Edeline. A propósito do livro "A Ascensão ao poder de Cavaco Silva 1979-1985", de Adelino Cunha. Com moderação do jornalista José Eduardo Fialho Gouveia, a sessão tem como convidados os historiadores Rui Ramos e António Costa Pinto. Pelas 18 horas em ponto na FNAC do Chiado.
Dia 11 - Começar a ler o blogue da Atlântico, nos intervalos da revista.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Não me referia a nenhuma dessas direitas...

... caro Rui. A direita não tem de ser personalizada, pessoalizada ou partidarizada. Sei que o Rui A. é suficientemente culto e inteligente para não cair nesse velho lugar-comum, que soa mais a fuga para a frente (quanto a Salazar, definitivamente não faz parte da minha ideia de direita). Se eu prefiro Paulo Portas a Manuel Monteiro - como prefiro - ou Marcelo Rebelo de Sousa a Durão Barroso - como também prefiro - isso já é uma questão de política doméstica, não tem nada a ver com definições ideológicas. Mas se insiste em responder com uma pergunta, eu não fujo à questão: com a excepção de Salazar, sinto-me mais próximo em termos políticos de qualquer dos nomes indicados do que de Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã ou mesmo de José Sócrates. Talvez seja um princípio de definição à direita. E o Rui, de quem está mais próximo?

[PPM]

Primeira Pessoa


Foi hoje a apresentação do livro de crónicas do Pedro Mexia publicadas na extinta «Grande Reportagem».
Como disse o RAP, são crónicas sobre mulheres bonitas, mulheres menos bonitas, a memória e o sempre curioso e desafiante umbigo do Pedro Mexia. Com um enorme talento e referências impossíveis de controlar, da Bíblia a Leonard Cohen, de Woody Allen ao doutor Freud, quantos monumentos labirínticos de cultura onde nos podemos abastecer de verdades múltiplas e contraditórias. Na conclusão de vários textos, o PM recorre notavelmente à poesia, um «instrumento» que fornece sempre as melhores estrofes para rematar uma demonstração.
Comprem que vale bem a pena.

[Tiago Geraldo]

Posts de despedida: Post tântrico


Caros senhores dos partidos à direita,

Espero que andem a tomar notas. Muitas. Como o Mourinho. Como o Valéry. Como o maluquinho que vejo todos os dias na Estrela. Espero que tomem notas sobre a acção deste governo. Sobre o quê em concreto? Sobre a forma como se faz política “mediática”, em “interacção” com os media. Um feito administrativo pode ser pequeno (ex: nova sala de espera em Condeixa-a-Nova), mas torna-se grandioso em 30 segundos de sorrisos filmados e mostrados à hora do jantar!

Mas a principal nota é outra, meus caros! É esta: José Sócrates está a implementar uma mudança ideológica profunda no PS. Quando Sócrates sair, o PS já não será socialista. Será um partido com um liberalismo de esquerda ou liberalismo social. A necessidade a isso obriga!
Mas não é preciso viajar até ao fim do mandato Sócrates. Basta observar aquilo que se passa hoje. E aquilo que vejo é… aquilo que temia há muito: o PS está a começar a sua “liberalização” antes do PSD. Sim, neste momento, o sector do PS que domina e governa (sector que, recorde-se, “derrotou” o velho PS nas últimas presidenciais) está mais à direita do que este PSD, aliás, está mais à direita do que qualquer PSD depois de Sá Carneiro. Louco? Não, posso ser longamente tântrico, mas não sou louco! Comparem os discursos e entrevistas de Sócrates, a caminho de um envergonhado liberalismo de esquerda, e de Marques Mendes.
O CDS? Que tal aproveitar o momento para lançar um liberalismo clássico (o de direita!). Estão à espera do quê? Também querem ficar à esquerda de Sócrates?

“Caros todos”, CDS e PSD, o que têm a perder se adoptarem uma agenda liberal? Eu ajudo: NADA! Está na hora de acordar. É deprimente ver um governo de esquerda ultrapassar os partidos de direita… pela direita! Isto é demasiado caricato para ser verdade. Caricato? Porquê? Tentem explicar isto (e a restante política portuguesa) a um amigo estrangeiro! Tarefa impossível. Já tentei todos os meus truques tântricos. Em vão!

[Henrique Raposo]

PS: Abraço tântrico para o Rodrigo Moita de Deus.

E agora algo realmente importante

Já decidiram quem vai cantar os parabéns dia 8?

[Tiago Geraldo]

Está decidido, Rodrigo



[FMS]

Sondagem O Acidental: Para uma festa Sexy

Por favor indique qual destas personalidades gostaria de ver na Festa Sexy de O Acidental:

a) José Pacheco Pereira
b) Vital Moreira
c) Fernando Rocha
d) Mariano Gago
e) José Cid

We aim to please!

[Rodrigo Moita de Deus]

E por falar de ideias originais























Este é um livro altamente recomendável de um assumido liberal de esquerda que é secretário de Estado no Governo Sócrates. Lançado pela Occidentalis, outra editora que promete dar muito que ler. Felizmente que existem liberais à esquerda, como à direita. O que me leva a questionar porque será que os liberais de esquerda se assumem naturalmente como sendo de esquerda e alguns liberais de direita fogem da direita como o diabo da cruz?

[PPM]

Surpreendente: leitura original no Abrupto

















Escrita por Agustina Bessa-Luís, é claro. Esta Guerra e Paz de Manuel S. Fonseca merece ser aplaudida, nem que seja por nos dar finalmente a possibilidade de ler material original no blogue do dr. PP.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

E ontem, enquanto a via no telejornal a fazer de conta que a colecção Berardo era obra sua, dei por mim a pensar nisto:


Um dos grandes contributos de Isabel Pires de Lima para a cultura em Portugal neste seu primeiro ano de mandato é aquele corte de cabelo.
[Rodrigo Moita de Deus]

Postes de despedida: cada um tem a sua técnica

Com uma média de quase dez mil caracteres por poste, penso no Henrique Raposo como uma espécie de blogger tântrico. Por outro lado, eu escrevo postes rápidos. São rápidos, é verdade, mas também são imensos de cada vez.

[Rodrigo Moita de Deus]

Os exageros do costume

O dr. Freitas do Amaral parece uma criança de cabeça perdida. (...) A presença de Freitas no Governo é humilhante.

Vasco Pulido de Valente in Público

O Dr. Pulido de Valente é, como sempre, um exagerado. Eu, por exemplo, olho para o ministro Alberto Costa ou Manuel Pinho e acho que Freitas não faz assim tão má figura.

[Rodrigo Moita de Deus]

Agora que O Acidental está para acabar, é um bom momento para confissões


Um anonymous acusou-me várias vezes de estar obcecado com Pacheco Pereira. Todos sabem que tenho imensas obsessões, angolanas, francesas, meninas de esquerda em geral. Sempre me vi amante latino (e atlântico sul), tão preocupado com a felicidade do sexo oposto que nunca sequer pensei em encontrar contentamento entre os meus próprios pares.
Mas de facto ontem referi o nome de Pacheco Pereira três vezes e agora que falam nisso de facto sinto um arrepiozinho de cada vez que vejo a quadratura do círculo. Deve ser das barbas.
[Rodrigo Moita de Deus]

Desde que vi a notícia no telejornal que ainda não consegui parar de rir

Os socialistas são homens de fé e de inesgotável optimismo. Entregaram, por exemplo, a difícil missão de devolver "credibilidade" e "seriedade" à polícia judiciária a um senhor chamado "Tibúrcio".
[Rodrigo Moita de Deus]

Coisas simples que eu não consigo entender

Tipo o acordo com o MIT - Se a anunciada reforma da administração pública ainda nem sequer arrancou, porque raio todos falam dela como se já tivesse sido feita?

[Rodrigo Moita de Deus]

Napoleão já entrou e não sai de Moscovo

Meu caro Manuel,

Não há confusão nenhuma. É pacífico que existe uma violação dos direitos de autor e da propriedade intelectual. Mas é igualmente inquestionável que a prática em questão não esmorecerá. Até porque quem mais recorre aos downloads são adolescentes, que se movem como ninguém na internet, que contactam diariamente com dezenas de novas bandas, que as não encontram nas lojas de discos (e os de fora de Lisboa e Porto nem sequer têm acesso aos estabelecimentos especializados em raridades e coleccionismo) e que não possuem cartão de crédito para poderem encomendar online o que bem lhes apetecer. Este "é um primeiro passo" exactamente para quê, Manel? Quanto muito, aplicam-se uma multas a meia dúzia de azarados e dois ou três vão a tribunal só para tentar assustar os demais. Estamos num ponto sem retorno. E, como sempre, há os que se adaptam e os que apertam o cinto num avião a despenhar-se. O Napster, a Apple e grande parte das editoras multinacionais, por exemplo, perceberam o futuro. Em Portugal, insiste-se na edição de colectâneas bafientas do Luis Represas a preços exorbitantes. Já se lá dizia n'"O Leopardo": É preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma. E já que estamos a falar de uma batalha jurídica, lembro apenas um princípio básico: é o direito que acompanha a vida e não a vida que acompanha o direito.

Quanto ao facto de "sem remuneração justa e adequada da referida propriedade", não haver "criatividade nem inovação", dois exemplos recentes: Os Clap Your Hands Say Yeah!, de Brooklyn, e os Arctic Monkeys, de Sheffield. Editaram ambos os seus álbuns de estreia no início de 2006. Porém, estes circularam nos programas de partilha de ficheiros durante todo o ano de 2005, criando um movimento de boca-a-boca que lhes deu uma base de seguidores na casa dos milhões. Quando se estrearam em disco, foram capa de publicações especializadas em todo o mundo e hoje vendem discos como nunca pensaram. Os Arctic Monkeys são quatro rapazes de 17, 18 e 19 anos. Fizeram do mundo global a sua editora, entraram para a história com o disco de estreia que mais rapidamente vendeu no Reino Unido e estão ricos antes dos vinte. O concerto que darão em Lisboa no dia 18 de Maio está esgotado desde há cerca de 2 meses. Se isto não é "remuneração justa e adequada" da sua criatividade, desconheço o que isso seja

[FMS]

segunda-feira, abril 03, 2006

A musica é de todos e não de Moscovo!!!!

É curioso como o Francisco Mendes da Silva e o João Miranda confundem a inevitabilidade dos downloads de música através da Internet com o atentado aos direitos de autor que é hoje a pirataria institucionalizada de partilha de ficheiros via Internet, acto que provavelmente todos nós já praticamos.
A música não é de todos e traduz a verdadeira propriedade intelectual dos seus criadores. São tão legítimos os direitos dos U2 como os da Martha Reeves & The Vandellas. Sem remuneração justa e adequada da referida propriedade, não há criatividade nem inovação.

PS. Para informar o João Miranda no seu post, tecnicamente é possível identificar quem faz os downloads através do endereço IP. Se eu partilhar os meus ficheiros poderei com software adequado identificar quem o retirou por um normal sistema de peering. Não há aqui qualquer problema com a partilha de dados confidenciais de operadoras á APF.

PS2. A acção até pode ser considerada quixotesca, mas tem o seu lado pedagógico e mediatico que não pode ser desprezada. É um primeiro passo!!

[MCB]

Violação de privacidade

Muito bem alertado pelo João Miranda.

[Vou assistir com gáudio a esta batalha quixotesca da AFP, certo de que no final haverá muito por onde rir. Entretanto, gostaria só de dizer o seguinte: os senhores que se prestam a estas invectivas têm obviamente a carteira recheada e o gosto musical balizado entre os U2, o Richard Clayderman e a Anastacia. Se o seu sucesso financeiro fosse mais moderado e andassem por aí a suspirar pelos discos perdidos da Martha Reeves & The Vandellas ou dos Gomez (como uma amigo meu), veriam a coisa de outra maneira. Infelizmente, o bom gosto e o enciclopedismo musical andam muitas vezes a par com a modéstia de recursos monetários, pelo que a prática dos downloads de música é um caminho sem retorno. Há empresas que se adaptam aos tempos e outras que lutam contra moinhos de vento. Mas, de facto, para já, a discussão mais urgente é a suscitada pelo João Miranda.]

[FMS]

Festa do fim da blogosfera

Acidental

Venha festejar connosco o fim da velha blogosfera e o início da nova. Reconheçam: já não há pachorra para os early mornings do Pacheco, a Aspirina perdeu a validade, o Sinédrio desapareceu e isto já é um Espectro.

Jovem, se tens uma idade compreendida entre a do Dinis Maria e a de Mário Soares (inclusivé), vem à Festa do Acidental dar um pé de dança ao som de música da boa e das melhores aulas de Isaiah Berlin e de Oakeshott. A entrada é aberta a liberais, conservadores, liberais conservadores, reaccionários, gajos de esquerda, gajos dos comments, Joana Amaral Dias, frequentadores do Lidl, do Abrupto (desde que tenham mais de 11 anos), do Gallery, da Buchholz, da Brasileira e da blogosfera em geral. Só o bar não é aberto.

A música estará a cargo de um trio de djs acidentais, que já deu provas noutras ocasiões: Francisco Mendes da Silva, Nuno Costa Santos e Eduardo Nogueira Pinto (se regressar a tempo da sua digressão nova-iorquina). O Pedro Marques Lopes promete demonstrar que a sua cultura não se resume à ditadura de Allende e o Tiago Geraldo vai provar que não tem Kahlo nem Frida nas mãos.

A não perder. Quinta-feira dia 6 de Abril. No Frágil.

[O Acidental]

Momento zen da blogosfera

“no outro dia pedi à empregada doméstica que comprasse brócolos.”

Mas que coisa mais linda. A f. “pediu à empregada doméstica que comprasse bróculos”. Está bom de ver que a f. não é betinha como a gente! Este bruta montes, por exemplo, logo tinha “mandado a serva comprar verdes”. Chique mesmo era ter “despachado a criada apanhar legumes à horta da quinta”, mas depois do 74 já quase ninguém tem serviçais criados em casa e as casas não têm quintas e as quintas não têm hortas. Enfim (suspiro).

A f. é uma pessoa respeitadora. Cliente do BES, tá-se a ver. “Pede” à empregada doméstica que vá comprar brócolos. Para efeitos de memória futura, penso que podíamos trabalhar um pouco mais nesta coisa da nomenclatura, que a gente trabalhadora não se deve sentir superior a outra gente trabalhadora.

Em vez de pedir, que é, mesmo assim, muito autoritário, tente-se solicitar, requerer ou o velhinho rogar. Género: “roguei à empregada doméstica que me comprasse bróculos” e como não queremos parecer que andamos a impor tarefas não incluídas no justo contrato de trabalho assinado com a assalariada, acrescente-se: “e tal só aconteceu por óbvio estado de necessidade, que a gente, pá, somos iguais”.

Continuando. Se bem que “empregada doméstica” é bem melhor que “serva”, “moça” ou “serviçal” temos de admitir que há aqui um certo preconceito. Proponho desde já terminologia mais respeitadora dos direitos da trabalhadora. A saber: “funcionária de higiene do domicílio” ou “auxiliar de sanidade”.

Fórmulas mais pomposas estão à disposição dos mais engenhosos. Aqui ficam duas: “roguei à adjunta para a salubridade doméstica que me adquirisse uns brócolos”, “requeri à assessora da residência que me tomasse vagem na venda mais oportuna”.

A f. pediu. Podia ter mandado. Mas pediu. A f. tem uma empregada doméstica. Podia ter uma empregada. Mas tem uma espécie de assistente. Saiu um bocado possidónio mas macacos me mordam se a f. não perdeu uns minutitos a pensar na melhor maneira de dizer a coisa.

[Rodrigo Moita de Deus]

ADENDA, alfa-actualizado, v01 e tal: só agora reparei nos milhares de caracteres que a f. gastou a tentar justificar o facto de ter uma "empregada doméstica". Pois para mim a "exploração do homem pelo homem, não tem justificação".

A nova Europa

















A RÁDIO EUROPA E A REVISTA ATLÂNTICO APRESENTAM:


DESCUBRA AS DIFERENÇAS


UM PROGRAMA DE OPINIÃO LIVRE E CONTRADITÓRIO ONDE O POLITICAMENTE CORRECTO É CORRIDO A 4 VOZES E NENHUMA FIGURA É POUPADA. COM A IMODERAÇÃO GARANTIDA DE ANTONIETA LOPES DA COSTA E A PRESENÇA PERMANENTE DE PAULO PINTO MASCARENHAS.

DOMINGOS 11H00. COM REPETIÇÃO ÀS SETE DA TARDE.

DESCUBRA AS DIFERENÇAS UMA PARCERIA EUROPA-ATLÂNTICO.

[PPM]



Um país onde até as manifs são sexy


Eu? Eu? Eu sempre fui pelo europeismo, republicanismo, ateísmo, jacobinismo, a liberdade, a igualdade, a fraternidade Sartre e Verdi.
[Rodrigo Moita de Deus]