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terça-feira, janeiro 31, 2006

Um breve esclarecimento

Eu não serei propriamente o melhor exemplo de liberal que por aí se pode encontrar. Por isso, são me indiferentes as acusações de desvio à causa. Gostaria sim que, dado o Estado do país, fossem tomadas algumas (muitas) medidas liberais. Sobretudo de carácter económico e financeiro. Como sei o que a casa gasta (e a casa não é Portugal, é toda a Europa ocidental), sei que ninguém é eleito com um programa razoavelmente liberal (veja-se o que aconteceu a Angela Merkel quando resolveu abrir o livro no fim da campanha), quanto mais com um programa fundamentalmente liberal. Por isso - parece-me óbvio – só se pode fazer qualquer coisa liberal com uma agenda escondida. Só se consegue chegar ao poder, omitindo boa parte das políticas (liberais) que se pretendam aplicar.

Aí chegados, e aproveitando a distracção generalizada com “questões” de arbitragem, fenómenos climatéricos e novas epidemias de origem animal, poder-se-á, a pouco e pouco, ir destapando o véu da agenda real. Agenda essa que, em todo caso, não deve ser revolucionária. A mudança tem de ser firme, mas gradual para que não seja interrompida a meio.

Já aqui elogiei algumas medidas do governo Sócrates. Reconheço que o que tem sido feito é curto. Mas é mais do que aquilo que, até agora, outros com maior obrigação fizeram. Com a vantagem de uma parte desse pouco que já foi feito ser dificilmente reversível (fim de alguns subsistemas de apoio social).

Claro que os liberais com fé devem continuar a acreditar nos dogmas e, tal como a Igreja, a ser intransigentes com certos princípios para si essenciais. Sucede que eu não professo semelhante religião. Quero tão só ver algumas mudanças. Porque sei bem que a alternativa a algumas é – há que não ter ilusões - nenhumas.

[ENP]

31 de Janeiro


Acredito que o 31 de Janeiro de 1891 tenha sido muito importante, sim senhor. Mas há pessoas para quem o 31 de Janeiro de 1980 foi muitíssimo mais importante.

[FMS]

The media darling

O blogger preferido da Nação, logo depois do Bibi do aqui é só gatas, lançou ontem livro sobre os seus textos presidenciais textos. A dada altura do lançamento Pacheco confessa que o título é aparentemente arrogante. A audiência vacilou perante tamanha demonstração de modéstia. Dia raro e incomum. Talvez não. Pacheco logo tranquilizou a legião de fãs. É que ele, lá para o fim, percebeu perfeitamente que Alegre ia ter mais votos que Soares. Claro que sim. Lá para o fim. Alguém acha que o homem se enganou? Só aparentemente. Como a arrogância. Quod erat demonstrandum.

[Rodrigo Moita de Deus]

*com especial agradecimento

Onde está o Vasco?



Desde o momento em que VPV passou a escrever n'O Espectro que espero o dia em que tenha mais um pageview que o Abrupto. Como quem antes assistia, entusiasmado, à escalada de exemplares do Independente atrás do Expresso.

Provavelmente isso nunca vai acontecer. Não me parece que o Espectro algum dia poste desenhos como os da "Maria, leitora do Abrupto, 11 anos."

Mas tem os melhores comentários:

"mas isto parece uma repartição das finanças: Olhe, José, agora o Vasco não está, mas dê-me o número do ser telemóvel que eu aviso assim que o Vasco chegar. É uma questão de esperar um tudo nada. O Vasco já volta! Aproveito para lhe dizer que a sua declaração está muito bem preenchida.
Mas que raio de coisa é esta?! Mas que infantilidade vem a ser esta? Eu estou banzado com o que leio aqui. Pronto, pronto... vou andando para onde? Para onde o Vasco está. E onde está o Vasco? Está onde não pode aceder a um computador!
Isto é que é a inteligência portuguesa?! Fogo! vou ali e já venho. Um diz que esteve seis meses a jiboiar na Assembleia e a ler os jornais do Pacheco Pereira... a outra, enfim, diz o que diz e a malta? elogia imenso. dá as boas vindas, diz que é anódino. Até eu que me tenho por sossegado me ponho aqui a escrever patacoadas... isto pega-se? oh se pega!"


[DBH]

Coteries literárias

Ainda a propósito da "nota certeira no Esplanar contra a troca grupal de elogios mútuos, uma das pragas da blogosfera, herdeira do mesmo tipo de atitude já antiga nos nossos meios literários" - frase que cito do Abrupto - gostaria de saber o que pensa Pacheco Pereira sobre a crítica que saiu ontem na pág. 11 do "Público" assinada pelo director José Manuel Fernandes? A crítica é sobre o último livro de Pacheco Pereira e é publicada no mesmo jornal em que o comentador escreve todas as semanas. Não sei se JMF não é amigo de PP, ou se PP não é amigo de JMF, mas calculo que não sejam propriamente desconhecidos.
A mesma "nota certeira" poderia ser feita em relação aos meios de comunicação social a que Pacheco Pereira deu entrevistas sobre o seu último livro - "Sábado" e SIC, por exemplo - e em que Pacheco Pereira colabora regularmente. Eu sei, é verdade, "há hoje no mundo literato vários sistemas e subsistemas grupais competindo pelos mesmos "bens", influência, artigos, colunas, programas de televisão, entrevistas, promoções, editoras, colóquios." Pois há.

[PPM]

Estratégia de contraprogramação

Quando a campanha eleitoral para as presidenciais norte-americanas pendia para o lado do democrata John Kerry havia uma frase-feita pronta a ser disparada por qualquer anti-bushista: Ossama Bin Laden estava cercado há longos meses e seria apresentado como troféu uma semana antes das eleições. Afinal, George W. Bush foi reeleito mesmo sem aprisionar o líder da Al-Qaeda, ao qual provavelmente estarão a ser prestados dispendiosos cuidados médicos para que possa ser capturado a tempo de assegurar a vitória de Condoleezza Rice ou Rudolph Giuliani.
Sugiro que, caso esta teoria da conspiração tenha fundo de verdade, a Casa Branca altere os planos. Tendo em conta as temáticas das longas-metragens hoje nomeadas para o Óscar de Melhor Filme - homossexualidade ("Brokeback Mountain"), racismo ("Crash"), polémicos métodos de luta antiterrorista ("Munich"), pena de morte ("Capote") e atropelos do poder político à liberdade de expressão ("Good Night and Good Luck") -, numa cerimónia que será apresentada pelo "liberal" (ainda que seja um "liberal" com muita piada) Jon Stewart, o melhor será programar a detenção de Bin Laden para a noite de 5 de Março.

[Leonardo Ralha]

P.S. - Fora de brincadeiras, “Brokeback Mountain" é um belo filme que só os homófobos mais radicais terão dificuldade em apreciar. E "Crash" é uma pérola que passou quase despercebida pelas salas portuguesas.

Depois dos amigos de JPG, o tema do momento

Ora aí está uma boa receita para os liberais: ambiciosos nos impulsos (liberais), evasivos nas promessas (liberais) e, uma vez eleitos, comedidos nas políticas (liberais). Isto é se quiserem lá chegar e por lá ficar algum tempo. Caso contrário, sempre vão animando a blogocena.

[ENP]

Para que serve uma comissão?

O problema merece quase meia hora e oito pares de olhos de atenção. Os homens debruçam-se sobre a matéria trocando ideias e sugestões. Ali olham, ali ficam, ali discutem:
“Então senhor engenheiro, como vai ser?”,
“o que acha?”
“O senhor engenheiro já sabe o que eu penso.”
“Pois é...então tá bem, ponha uma caixa de junção nisso.”
Depois do debate e do confronto de ideias a decisão foi finalmente tomada. Faltam trinta e sete outros pontos de luz.

[Rodrigo Moita de Deus]

Lambe botismo, esse passatempo nacional

Hoje, com quase todos os ministros e secretários de estado a dar manteiga no bill gates, o mais provável é a emissão dos blogues políticos sair fortemente prejudicada.

[Rodrigo Moita de Deus]

Não esquecer (hoje nas bancas)

Capa

[PPM]

Entre o mau perder e o mal perdido

Pois o ritual é liturgia.
Senta-se o engenheiro ao lado do pedreiro.
Na luz só é doutor quem fizer tese em década de sessenta.
Anunciam-se as equipas titulares.
Aos bons aplaude-se de acordo com o serviço prestado no passado domingo. Aos outros apupa-se pela ordem invertida das ideias.
Apupa-se também aquele. Vestido de preto. Está bom de ver que a gente também tem apriorismos.
Vai a águia glória que, todos sabemos, já não voa, dar uma volta ao campo ao colo do gordo. O gordo também não voa, mas corre. Aplaude-se a corrida do gordo.
Vai a criança até meio do campo chamar a águia: vitóooooooria. E a vitória desce de quando em vez. De quando é à conta do treino, de vez à conta da fruta. A vitória, sabe o Veiga, raramente sai de borla. Aplaude-se o Veiga e a fruta. E quando o maldito bicho decide ir passear, logo se vê que a vitória é espanhola e o treinador péssimo também. Apupa-se. Emprestem a velhaca ao Alverca que aqui só faz falta quando cá não estiver.
Vai o hino. Erguem-se os cachecóis. Parece a carga da ligeira contra os russos. Russo, russo, era yuran que marcava comó caraças. Bons tempos. Sempre. Os outros. Aplaude-se. Os tempos e o hino.
Vai o Pedro entrar. É meio golo. Dança, corre, perde a bola, corre, dança outra vez. Perde a bola outra vez. Bons tempos quando ele marcava. Aplaude-se a recordação.
Acaba o jogo. Venham uns lavagantes e um branco gelado para abrir praça. Depois disso a Santola e uns bichos que eu já peço o jantar. Se os bichos vêm vivos tragam aquilo que os mata. E mais uns desses que a conversa vai animada. Grande jogo. E aqueles tempos? Os bons. Aplaude-se, que os bons tempos, já se sabe, aplaudem-se sempre. E quando o eco do manifesto se vai entra o rei. Se entra o rei abre-se outra que a conversa, já se sabe, é sobre outros tempos. Os bons.
E por falar em tempo, só é tempo de ir quando o homem esfrega em chão limpo. A conversa está boa de continuar. É só mais uma antes de acabar. Com a outra lá se foi a propina do miúdo. E quase a horas de acordar, lembra-se alguém do final da trilogia. Que diabo a noite vale a pena festejar. Aplaude-se a desculpa. E lá chegado pede-se a carta que bem vistas as coisas um homem ainda não comeu nada.
Lendo, relendo e treslendo. Pode alguém explicar que tamanha rambóia se estrague à conta de miudezas tipo jogo de futebol? Foi mal perdida. Foi sim senhor.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Vital Moreira? Vital Moreira? Mesmo na blogoesfera há limites.

Não é só a economia, estúpidos!



Pesquisa comparada nos Google chinês e português com a entrada «Tiananmen» [Via bombyx mori]

A resistência do Google às investidas da Administração Bush, ainda que não directamente inspirada nas cartilhas do Liberalismo Clássico, merece louvor e máxima aprovação. Mas a indulgência com uma ditadura vagamente tolerada no Ocidente pela aderência selvagem ao capitalismo tardio dá uma imagem quase caricatural de uma empresa que, uma vez abolidas as liberdades civis, de pouco ou nada nos serviria.
O capitalismo, pelos benefícios imediatos que proporciona, tem-se assumido por todo o Mundo como um «bem exportável», relegando a cultura de liberdade para um papel acessório e marginal. Para além do enorme desprestígio para o Ocidente, a transigência com a China e o contínuo espezinhar da liberdade no exercício do seu benquisto soft power rasam um tacticismo cego e uma ingenuidade proverbial. Não parecem haver suspeitas insurreccionais na China, pelo que é de esperar que o regime continue forte e insubmisso às nossas cordiais recomendações. Com esta confrangedora frouxidão o Ocidente caminha mansamente para o dia em que serão abertos ouvidos aos doutos conselhos de Tiananmen sobre milagres económicos e outras enormidades.

[Tiago Geraldo]

O clube de fãs do Esplanar, baralhado com os últimos acontecimentos, exige saber

A lactante sueca Lena é amiga do João Pedro George? Ou apenas conhecida?

[ENP]

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Imperdoável

O Sinédrio fez um ano e O Acidental ainda não lhe deu os parabéns. Deve ser por isso que ando a receber mensagens sádicas do Bernardo Pires de Lima sobre o Benfica. Parabéns, Bernardo. Parabéns, Henrique Raposo. Parabéns, Gonçalo Curado. Parabéns a todos, que bem merecem.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

A estreia de VPV

As graçolas sobre a "recuperação" de Alegre não me parecem de muito bom gosto. Depois de trinta anos de ociosidade no parlamento, três meses de trabalho matam um homem.

Vasco Pulido Valente, n' O Espectro.

Em grande.

[PPM]

Leitura Recomendada

«A administração norte-americana sabe agora que poderá contar com um apoio maior de Paris na “guerra contra o terrorismo”. O novo Governo alemão percebeu que o Presidente francês tudo fará para evitar a liderança alemã na Europa. Aliás, não foi por acaso que Chirac recorreu ao “trunfo nuclear”, aquele onde o “poder” francês e a “fraqueza” alemã são mais evidentes, e precisamente três dias antes de receber a visita de Merkel, causando-lhe assim um problema. Se Merkel se distanciasse, publicamente, das afirmações de Chirac enviava um sinal de divisão ao Irão e de hesitação a Washington na pior das alturas. Não se distanciando de um modo claro, ficará com embaraços dentro da coligação governamental, que certamente dispensava. Com o seu discurso nuclear, Chirac demonstrou uma mudança de estratégia política para impedir que Merkel seja o rosto da reaproximação europeia aos Estados Unidos».

João Marques de Almeida, Diário Económico.

[Bernardo Pires de Lima]

Um poste mais ou menos sobre a baixa médica do deputado-poeta

Foi criado a semana passada o Movimento Amigos de Manuel Alegre (MAMA).

[Rodrigo Moita de Deus]

Agenda de marialva para o mês de Fevereiro, em jeito de Mário Crespo


Fiquem vossemecês sabendo que a menina Maria Ana Bobone vai lançar novo disco de seu nome “Nome do Mar”. É já no sábado, dia 4, no Almada Fórum. Coisa mais linda! E provando que o mês de Fevereiro é amigo das guitarradas volta João Braga, depois de lesão, ao onze titular. É dia 16 de Fevereiro, no Centro cultural de Belém, Grande Auditório, que entretanto deve ser pequeno para a rapaziada do costume.

E por falar em pequeno, esta quarta-feira assinala 98 anos sobre esse infame dia da história portuguesa em que dois candongueiros dispararam cobardemente sobre Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon Saxe-Coburgo-Gotha, aka D. Carlos I. E antes que Maria Amélia afugentasse os covardes com um ramo de flores, tombou o filho varão. Luís Filipe Maria Carlos Amélio Francisco Vítor Manuel António Lourenço Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Bento morreu também naquele dia. Em memória, Quarta-feira, às 19:00, celebra-se a tradicional missa no Panteão Nacional.

[Rodrigo Moita de Deus]

E para o fim de semana, um poste sobre figuras de estilo*

Escreve um leitor: "caso casa pia" não é uma cacofonia, mas aliteração. Leia mais a gramática ao invés da imprensa estrangeira. Far-lhe-ia bem melhor...

Caro leitor,

Erro meu, confesso. Da cacofonia tinha achamento de cacologia. Ver nisso estilo é coisa da minha ignara escrita, ver nisso figura é coisa da sua douta leitura. Diria com gosto que o meu revisor é engenheiro da língua, mas temo que a expressão seja vista como injusto eufemismo ao invés de justo oximoro.

Já nem estranho mais esta denúncia.
A coisa vem dos bancos da escola e daquele nefasto dia que assinei redacção para impressionar. Gramática é para betos disse este gajo para o colega. Era vê-las escarrapachadas. As figuras e os estilos. Uma a uma. De espantar. De poucos espantos foi o pedagogo, que julgou de besta as minhas perífrases pleonasmos e anacolutas. Sem apelo nem agravo foi corrida de zero a tal hipérbatada redacção. Lá em casa, onde o zero era agravado, apelaram com extraordinária veemência aos meus dotes ocultos de arquitecto da sintaxe. A convincente colher de pau assentou, sem luva, nos meus misteres. E o argumento caiu com tal determinação que jurava, até esta revelação, ter visto luz pouco metafórica.

O correctivo, vê-se agora em litote, não emendou. Figura tonta esta que, no alto da sua cagonice, sempre fez anáfora da ideia de que a sua querida escrita até era prosopopeia. Blasfémia malandro e quase assíndeto. Na fecunda fúria de quem vive a vida como um sinédoque, a gramática sempre foi unto para escritor já de si com queda. Que se lixe não preciso. A minha figura é boa e sabe Deus que não me falta o estilo.

[Rodrigo Moita de Deus]

*O fim-de-semana é sempre que um homem quiser.

Steak para a mesa um, fachavor...

Caro Henrique,

Venho por esta reclamar o meu jantar. Tenho uma edição, em português, chamada
Extractos das obras politicas e economicas de Edmundo Burke, editada por José da Silva Lisboa.

[DBH]

Sim um poste à Barbas. Claro que sim! É futebol caraças!

Sobre os meus comentários ao jogo do Benfica alguns acusam-me de mau perder. Claro que sim. Muito mau perder. Para além do custo do bilhete a nabice alheia custou-me uma santa trilogia e a boa disposição durante um fim-de-semana inteiro.

[Rodrigo Moita de Deus]

Chat acidental - irra que não há maneira de aprenderem

Francisco, citei Burcke e não Burke.

[Rodrigo Moita de Deus]

A neve não é socialista?

getimage-1

Lembrando os dissabores que causou nos últimos meses ao Partido Socialista - provocando a queda de José Sócrates na Suiça e impedindo Mário Soares de se deslocar a um almoço com eleitores em Trás-os-Montes durante a campanha eleitoral -, a neve que ontem caiu poderá não ser vista como bom augúrio para os tempos que aí vêm.

[PPM]

Contas saldadas

O Leonardo Ralha escreve estar disposto a contribuir para o pagamento da presuntiva dívida da pátria ao dr. Mário Soares. Eu também estaria se não entendesse, como entendo, que essa dívida está mais do que saldada com 10 anos na Presidência da República, outros tantos como primeiro-ministro, mais a Fundação que leva o seu nome, mais os institutos que levam nomes de familiares seus, mais o filho na Câmara de Lisboa - e por aí adiante.

[PPM]

Pura Maldade























[PPM]

Sou um benemérito (sem links)


Devo dizer que na Atlântico deste mês - a sair amanhã - falo muito bem dos Arctic Monkeys sem sequer os conhecer pessoalmente. Pese embora gostasse.

[FMS]

Normalidade democrática

A maioria absoluta conquistada por José Sócrates há um ano tem vindo a diluir-se. Não é, de facto, comum ver-se desbaratar tão grande capital de confiança em tão pouco tempo. No entanto, e como defendo a estabilidade e a previsibilidade democráticas, espero e desejo que a legislatura se conclua. Sobretudo porque temos três anos pela frente sem eleições e como é sabido só nesses períodos se fazem algumas coisas.
Mas este ano que passou levou-me a duas conclusões rápidas. Primeiro, o PS está a conviver mal entre o seu passado e o seu futuro, isto é, entre o socialismo tradicional e a social-democracia reinante. Segundo, por mais que exijam, os portugueses não gostam de reformas, detestam que lhes toquem nos privilégios e até apreciam alguma confusão política que lhes quebre a monotonia. O pior é que isto normalmente acaba mal e a história já provou que um salvador não dá conta do recado. Precisamos de normalidade democrática. Apenas isso.

[Bernardo Pires de Lima]

Acerto de contas

No fórum matinal da Antena 1 continuam a insistir que Portugal deve muito ao terceiro candidato mais votado nas eleições presidenciais. Concordo. Mas estou tão farto de ouvir esse argumento para justificar arrogância, cegueira e falta de sensatez que peço a quem de direito para calcular quanto é que o país lhe deve, dividir o montante por dez milhões e publicitar o NIB da fundação homónima. Se o fizerem prometo que liquido a minha parte da dívida no primeiro terminal de multibanco que me aparecer à frente.

[Leonardo Ralha]

Milagre

Em Óbidos, numa tarde de neve surpreendente, Deus, mais desconcertante que O Outro, falou e citou Edmund Burke.

[FMS]

Balada da Neve

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
- Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu! [...]

[Leonardo Ralha]

P.S. - O Augusto Gil que me perdoe, lá onde estiver, mas sendo este um blogue neoliberal e insensível ao sofrimento dos oprimidos, o poema vai mesmo sem a parte das crianças descalças...

Nevou em Portugal


Um país incomparavelmente lento e relaxado como o nosso dá-se melhor no Verão. Durante o Inverno, sob outros aspectos mortais, o país, igualmente lento e relaxado, anda também deprimido, sôfrego e impaciente no combate à provação. Contra o Inverno alinham-se objecções de consciência e saudades de Agosto. Para a grande maioria dos nossos compatriotas, o Inverno parece impor à sua vontade um tempo que não passa e uma fleuma pouco menos que britânica que os lembra, paradoxal mas decididamente, que têm mesmo de trabalhar.
Hoje, para nossa surpresa, nevou em Portugal e a grande maioria dos nossos compatriotas, habitualmente exaltante com a loucura impossível dos meses de Verão, pareceu gostar da ideia. Os flocos de neve que hoje caíram por todo o lado são aquilo que de mais próximo da prosperidade se encontra ao alcance do país. Os portugueses continuam deprimidos mas sentem-se agora parte da civilização. Não me interessa o que dizem os mais puristas e académicos correccionais. A neve faz mais pela espécie do que três anos de contenção orçamental.

[Tiago Geraldo]

O sítio da Atlântico







Ainda agora começou mas já está apresentável: a revista "Atlântico" tem novo sítio - www.revista-atlantico.com - e um blogue acoplado (www.revista-atlantico.blogspot.com) para comentários, opiniões, propostas de artigos, etc. - basta escrever numa das habituais caixas de comentários. A revista em papel vai para as bancas terça-feira, dia 31.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

domingo, janeiro 29, 2006

Outra boa notícia

O teaser do ano

Acabo de ler que O Espectro vai ter Vasco Pulido Valente como colaborador permanente. Não sei quando começa mas este é, sem dúvida, o teaser do ano - para quem não saiba, teaser não é insulto nem palavrão em inglês mas o termo que também se costuma usar na blogosfera para os anúncios que antecipam alguma coisa de realmente importante. Neste caso, trata-se de um grande teaser, diria mesmo um Senhor Teaser. Que seja muito bem-vindo à blogosfera, nem que venha para denunciar a nossa iliteracia.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

PS. Se precisares de ajuda para o template, Constança, just ring a bell.

[Adenda à Gorjão] - Segundo esclarece Constança Cunha e Sá nos comentários, Vasco Pulido Valente começa já amanhã n' O Espectro.

Alguém viu por aí os rins deste senhor?

[Bernardo Pires de Lima]

Não aguento. Não aguento mais. Comento já aqui.

É azia sim senhor. É aquele ardor no estômago como se me tivesse esquecido de tomar pequeno-almoço. Aqui o Acidental não tem a dignidade desse libérrimo fórum que é a Bancada Central, mas como não aguento até segunda-feira, aqui vai disto: não é normal estragar dois bons guardas redes para contratar um sofrível. Não é normal estragar um bom central para ganhar um mau lateral direito. E, sobretudo, não é normal estragar um fantástico lateral direito para ganhar um mediano lateral esquerdo. O Sporting não ganhou o jogo. O Benfica é que o perdeu. Senhor Koeman: por favor, não invente!

[Rodrigo Moita de Deus]

Frase da semana

"Oh! Meus amigos, eu trabalho muito"
Pacheco Pereira, no Abrupto, a propósito de um comentário certeiro de Pedro Mexia mas sem o citar directamente como já se tornou habitual.

[PPM]

sábado, janeiro 28, 2006

Eu hoje à noite sinto-me assim



















Preocupado por não ter capacidade de resposta - como teria certamente o Erico Verissimo - para as ideias da Bomba Inteligente. Enfim, precisam-se capitalistas com muita visão para transformar revista mensal em semanal.

[PPM]

Ficar em casa no sábado à noite é muito educativo

Ver de rajada duas telenovelas da TVI faz pensar que o Código Penal deveria prever os crimes de “underacting", "overacting" e "hardly acting". Há que puxar pela cabeça para encontrar pior "casting". A não ser, claro está, na liderança dos partidos à direita do PS.

[Leonardo Ralha]

O deus liberal e os incréus

S. Agostinho Calcando aos Pés a Heresia





















Autor: Francisco Vieira de Matos (Vieira Lusitano) (1699 - 1775)
Século: XIX
Ano: 1770
Tipo: óleo sobre tela
Local: Museu Nacional de Arte Antiga (Lisboa)

Copiado do blogue Pintura Portuguesa

"O princípio comum que une os liberais de tradição clássica é a defesa intransigente das liberdades individuais".

Responde o Miguel no Insurgente, a propósito de um texto curto que aqui publiquei. Se me permite, Miguel, a "defesa intransigente das liberdades individuais" é um princípio tão genérico que quase qualquer democrata o assume sem grandes dúvidas. É, como escrevi na caixa de comentários do poste do Miguel, uma mensagem que pode ser aceite por qualquer democrata que não seja socialista ou colectivista.
O que me parece às vezes - e nem me refiro aos insurgentes, que têm defendido a sua causa com elegância e moderação - é que há alguns "liberais" que se julgam ungidos pelo deus liberal, detentores oficiais da verdade, únicos portadores da boa-nova que vieram anunciar. Se alguém se atreve a discordar, ou a avançar com a sua própria interpretação da ideia liberal, é acusado de usar em vão o nome do deus que julgam ser só deles e de mais ninguém. É blasfémia e ponto final. No caso dos textos sagrados dos blasfemos, de que apenas falo por também estarem presentes na referida caixa de comentários, já li demonstrações públicas de intolerância pessoal ou religiosa que se têm alguma coisa a ver com qualquer tipo de liberalismo é com os "liberais" do séc. XIX em Portugal - que de liberais tinham pouco mais do que a designação. O russo Vladimir Jirinovsky também se afirmava liberal e democrata, sabendo nós muito bem o que ele realmente representa. O liberalismo não é só de boca nem se aprende só nos livros. Pratica-se - e a verdade é que a prática de alguns não coincide com o que vão citando das velhas sebentas. Na minha humilde opinião - como diria Manuel Monteiro nos seus melhores momentos -, essas intolerâncias dão mau nome ao liberalismo.

[PPM]

Vitória agridoce

Quando aquela que nos atura é adepta do clube de águia "Vitória" é certo e sabido que o Sporting vencer o Benfica por três bolas a uma não é completamente uma boa notícia.

[Leonardo Ralha]

Um cão como nós

Aqui ao lado deste poste, nas notícias que correm no canto superior direito do blogue, vejo que Manuel Alegre vai criar um "movimento aberto de cidadãos" - seja lá isso o que for. Como li hoje algures, já não sei se no "Público" se no "Expresso", que Alegre está de baixa oficial com direito a atestado médico, pergunto-me se a convalescença das presidenciais lhe estará a fazer bem à saúde. Política.

[PPM]

PS. Descobri, tardiamente talvez, que a melhor forma de aceder à internet num MAC é através do Mozilla, fácil e gratuitamente descarregável se tiver um gmail. O Acidental ainda fica mais bonito e sem qualquer problema de configuração. E já não preciso de fazer os strongs manualmente.

Parabéns ao Sporting

Jogaram muito melhor e mereceram ganhar. O (meu) Benfica não jogou nada. Parabéns aos acidentais sportinguistas. Significativo da importância que tinha este jogo para eles é que os sportinguistas estejam a festejar como se tivessem acabado de ganhar o campeonato. Aqui da minha casa já ouvi buzinas de carros em grande euforia. Será que vai haver concentração no Marquês de Pombal?

[PPM]

Post dogmático


- É verde

- Pois é.

- É verde.

- Pois é.

- É verde.

- Pois é.

- ...

- ...

[ENP]

Precisamos de uma “Campo das letras”

Campo das Letras: uma editora do Porto que traduz toda a intelectualidade radical de esquerda: Negri, Said, Chomsky, etc. E inunda as livrarias com esses livros. E faz muito bem. É assim o debate cultural num espaço liberal e democrático. O problema não é a “Campo das Letras”. O problema é a inexistência de uma “Campo das Letras” à direita.

É mais do que necessário uma editora que traduza autores como Niall Ferguson, Roger Scruton, Robert Cooper, Mark Steyn, Peter Berkowitz, Lee Harris, Philip Bobbitt, John Kekes, Stanley Kurtz, Roger Kimball, etc. E já não falo em clássicos: pago um jantar a quem encontrar uma tradução portuguesa de Oakeshott, Burke ou Leo Strauss. Pago mesmo.
E, já agora, pago um lanche a quem encontrar livros da esquerda liberal (Michael Ignatieff, Garton Ash, etc). O mundo não começa em Chomsky. E não acaba em Negri. Mas ao passar os olhos pelas bancas das livrarias portuguesas ficamos com essa impressão. Pergunto: como é que as gerações mais velhas sobreviveram? Como é que sobreviveram sem a Amazon?

Queremos ter uma direita? Queremos ter um movimento conservador-liberal no país? Então, temos de ter livros “de direita” nas livrarias. Até prova em contrário, não se consegue formar pessoas com opinião à direita num país onde apenas se lê à esquerda. Precisamos de uma “campo das letras”. Uma editora dedicada à tradução de autores conservadores liberais, liberais libertários e mesmo liberais progressistas. E não apenas anglo-saxónicos. Gostava de ver, por exemplo, livros traduzidos de um pensador francês que está a fazer um percurso mais do que interessante: André Gluksmann.

[Henrique Raposo]

O regime que gosta do baloiço



No “expresso da meia-noite”, Manuel de Lucena afirmou uma coisa mais do que verdadeira: o nosso regime balança; o nosso semi-presidencialismo tende a balançar consoante as pessoas que ocupam os cargos, sobretudo aquele cargo em Belém.

O que faz impressão é a ausência de discussão sobre este assunto. Em Portugal, não se discute a ordem constitucional, as relações entre poderes, a esfera dos poderes. Como se esta ordem institucional fosse a verdade revelada. Este vício no baloiço institucional, esta ambiguidade institucional não é própria de uma democracia ocidental consolidada. Numa democracia liberal não há, não pode, não deve haver ambiguidade. A questão “mas o que ele vai fazer?” não se pode colocar, porque os limites dos poderes têm de estar claros para além de qualquer ambiguidade, para lá de qualquer subjectivismo interpretativo de X ou Y. Isto é a marca da modernidade política: o primado da constituição sobre a pessoa do político. Em Portugal, isso não é claro.

É próprio de uma democracia consolidada a vitalidade ideológica, se quisermos, o baloiçar ideológico. Este baloiçar ideológico é o chamado pluralismo político, ideológico, cultural. Coisa que não temos. Não é próprio de uma democracia liberal a ambiguidade institucional. Coisa que temos.

Esta ambiguidade tem a ver com a difícil transição (74-76). Mas a transição está feita. É tempo de completar o caminho. É tempo de mudar o quadro constitucional. E nem sequer estou a falar do “modelo social”. Estou a falar das relações entre poderes. Com ou sem “modelo social”, esta ambiguidade, esta dependência da pessoa nunca será benéfica para Portugal.

Como é que isto se muda? Isto não vai lá por acordo entre os dois partidos gémeos. Um dos partidos tem de gerar a força suficiente para a mudança. Um dos partidos tem de forçar a mudança, obrigando o outro a adaptar-se. Será isso impossível em Portugal? Não sei. Mas é assim que se faz numa democracia. Thatcher levou o “centro” para a direita. Resultado: Blair está mais à direita do que qualquer político de direita na Europa continental. Num futuro hipotético, uma “Thatcher” de esquerda forçará o centro para a esquerda. Numa democracia liberal, coloca-se as opções ideológicas – e sem ambiguidade - em cima da mesa. O eleitorado vota. Essas opções ficam legitimadas. Não há acordos de regime.
Política, numa democracia liberal, é um baloiço ideológico apoiado numa base institucional imóvel. Quando a base institucional não pára quieta, como a nossa, não há estabilidade, não há debate ideológico, há apenas unanimismo e cálculos a curto prazo: “que vai ele fazer?”.

[Henrique Raposo]

Discussão dogmática II


- Aquela árvore é verde e castanha

- Não, é verde.

- É verde e castanha.

- Não, é verde.

- Verde e castanha. E no inverno vai ficar menos verde.

- És um relativista.


[ENP]

Mozart, 250 anos depois


«All I wanted was to sing to God. He gave me that longing... and then made me mute.» (Salieri)

Nos 250 anos do nascimento de Mozart, a RTP repetiu o filme de Milos Forman sobre o compositor austríaco.
Em Amadeus, uma versão romanceada da vida de Mozart, Salieri (F. Murray Abraham) assume um protagonismo que, em vida, verdadeiramente nunca teve. Correm rumores de que teria envenenado Mozart mas nenhum biógrafo sério lhes atribui qualquer credibilidade.
A função de Salieri e da sua personagem, ainda que sem correspondência na realidade, invoca, recuperando a ideia de Schlegel sobre a função do coro na tragédia, a corporização de uma audiência ideal. Salieri representa a multidão de espectadores, homens médios, absolutamente normais - insuportavelmente normais perante a grandeza de um génio.
Há uma moralidade neste confronto típico que me interessa. A verdade é que somos tendencialmente condescendentes com o fracasso e a mediocridade mas raramente perdoamos o génio. Toleramos os «companheiros de jogos à nossa medida» (Eliot) mas coramos de vergonha perante um talento que nos supera.
Como simples admirador, o impulso de gratidão que me leva a escrever sobre Mozart não envolve discursos encomiásticos nem superlativos xaroposos. A falta de formação musical permite-me apenas lembrar esta humana impotência perante o génio, esta miserabilidade própria que os homens sentem quando se aproximam de Mozart. É também uma forma de reconhecer a nossa ínfima pequenez e o génio de Mozart, aproveitando para agradecer ao compositor austríaco o banho frio de humildade.
Passados 250 anos Mozart ainda corre pelos ouvidos desse Mundo. Mas terá havido admirador mais comprometido que o pobre Salieri? Provavelmente não. Nessa rígida e submissa admiração houve sempre um misto de inveja e de revolta. Uma revolta que se entende e se perdoa. Que se admira. Uma revolta que também é nossa.

[Tiago Geraldo]

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Olá cá estou eu

Sem tempo para responder ao liberal moderado Rodrigo do Blue Lounge sobre o SNS. Nem para dizer porque concordo integralmente com este texto da Constança Cunha e Sá ou porque não tenho paciência para algum sensacionalismo liberal, que poderá ser bom para as audiências, mas que serve para pouco mais do que afastar possíveis adeptos ou seguidores das ideias que pretende servir.
Infelizmente, apenas tenho alguns minutos para fazer mais alguma publicidade à revista "Atlântico" e dizer que o próximo número terá não só o Leonardo Ralha a escrever sobre livros e filmes, como só muitos poucos sabem fazer, desculpem a presunção; como também contará, numa prova de anti-sectarismo liberal e de abertura ao debate em diversos tabuleiros, com o nosso esquerdista preferido, o jornalista Francisco Trigo de Abreu, activo bloguista do Mau Tempo no Canil e sportinguista empedernido, a escrever sobre futebol. E por hoje é tudo.

[PPM]

PS: Acuso-me. Fui eu que andei a mexer no template. Mas acho que já era tempo de apagar as presidenciais acidentais.

Acidental à escuta

Pedra Espia



Sim, porque não são só os bifes que têm o estado da arte nesta matéria...

[DBH]

Resposta a João Miranda

Teria com certeza. Mas não sem antes avaliar os custos causados por essas 200 mil saídas (reformas antecipadas, indemnizações, subsídios de desemprego, subsídios de reintegração, etc.) . E, já agora, a sustentatibilidade social de uma medida dessas.

Que uma das soluções para diminuir o défice é reduzir de forma drástica os custos correntes com os funcionários públicos, já toda a gente sabe, inclusive os "keynesianos". O problema é fazer isso sem criar novas despesas correntes igualmente incomportáveis e, simultaneamente, uma crise social.

Mas talvez os donos do liberalismo em estado puro nos possam dar umas luzes

[Eduardo Nogueira Pinto]

Um neo-marxista sobre um tipo que não sabe muito bem o que é, mas que tem uma legião de fãs, como as estrelas de rock

“Império” «is neither a robust guide to the realities and the challenges of global governance, not to the potential for social challenge and change». Porquê?: «Hardt and Negri largely ignore the real insights that can be generated from Marxist political economy». Mais: «for all the talk of postmodern republicanism, the underlying logic of Empire is an infantile vanguardism». A Multitude, a revolução mundial em direcção à cidadania mundial «is a fantasy that exists only in their own head».
Paul Thompson, na Capital & Class

1. Não estou a defender o neo-marxismo. Estou apenas a dizer que Negri não é neo-marxista, usando, para esse efeito, os verdadeiros autores neo-marxistas.

2. Ser-se anti-liberal não é sinónimo imediato de ser-se marxista, ou mesmo ser-se progressista, ser-se de esquerda. Foucault e Lévi-Strauss construíram as suas carreiras através da crítica à sociedade liberal, mas não eram esquerdistas, marxistas ou progressistas. Como diria Habermas - este, sim, um homem de Esquerda - em relação Foucault, eram “neoconservadores” (não confundir este termo com aquela brigada de esquerdistas que andou a lixar o primeiro mandato ao Bush).

[Henrique Raposo]

Um neo-marxista - Amin - sobre alguém que já não é marxista - Negri

Samir Amin, além de afirmar que Negri está mais perto da superficialidade do sound-byte jornalístico do que de uma leitura atenta da história, afirma que Negri, um suposto marxista, acaba por se render às postmodernist ideas in vogue today, sobretudo ao culturalism - a vision of human plurality founded on some supposed cultural invariants […] the developments of “communitarianism” and the invitation to recognize “multiculturalism” are the products of this vision of history. Such a vision is not that of the historical materialist tradition.

Mais: Negri é um sonhador idealista a milhas da tradição marxista. Tal como Zizek, Amin critica a retirada da realidade e consequente quebra da percepção evidente nos sonhos de Negri: leads to ephemeral unrest and the profusion of para-theoritical propositions that both legitimate that unrest and give rise to the belief that it constitutes na “effective” means for “transforming the world. Multitude é uma ”idealist” invention.

E termina assim: «the renaissance of a left worthy of the name […] requires a radical rupture with discourses of this type».

[Henrique Raposo]

Confiantes nos sinais de retoma económica anunciados pelo governo...

...o povo tem feito fila para entregar o euromilhões.

[Rodrigo Moita de Deus]

Sobre a Utopia utilitária


1. Se um liberal nega o direito natural, deixa de ser liberal. Todo o edifício liberal assenta no direito natural. Às vezes, não se trata de negar, mas de perceber que sem direito positivo não há direito natural. Mas isso não implica a negação do Direito Natural. O direito natural é a base de qualquer constituição liberal. O liberalismo não anula o abismo entre a ideia de Justo (direito natural) e o direito constitucional (direito positivo). Aliás, é esta a sua especificidade perante as escolas românticas e socialistas, que tendem a abolir este abismo de transcendência entre troca da imanência do poder.

2. Bentham talvez não gostasse desta ideia de abismo entre o Justo e o Direito Positivo, dado que o sr. Utilitarista anulou a diferença entre a Ética e o prazer/felicidade material, isto é, a economia. A felicidade é tudo. A economia é tudo. E esta a felicidade move-se, à vontade do freguês. A ideia imóvel de Justo perde-se. E aqui o liberalismo passou a utilitarismo. A partir daqui, há que distinguir o liberalismo clássico e céptico, de base conservadora, do resto que se seguiu.

«The final reductio ad absurdum of benthamism is know as Marxism; drained of spirit and imagination by the gross objectives of the Utilitarians, we have ended defenceless before this brutal descendant of Bentham’s Philanthropy»
Kirk, citando Keynes. Agora, tal como os esquerdistas sobre Marx, a tribo libertária dirá que um conservador tradicionalista e um liberal de esquerda não podem criticar libertários porque, ora, não são libertários.

3. Prazer absoluto: ver libertários benthanianos lambendo feridas junto de esquerdistas.

[Henrique Raposo]

Hamas e o barco

Rabin, ainda nos primeiros anos do Estado de Israel, afundou um barco cheio de radicais israelitas. Melhor: enquanto comandante da defesa da costa, ordenou um ataque de artilharia sobre um barco cheio de radicais israelitas e de armas clandestinas. Rabin matou israelitas; israelitas inimigos de um processo de paz com os palestinianos. Mais tarde, Rabin disse qualquer coisa como isto a Arafat: “tu tens de afundar o teu barco! Eu já afundei o meu”.

Serve isto para dizer o seguinte: sempre existiram quatro guerras e não apenas uma. Duas legítimas, duas ilegítimas. A guerra do Estado de Israel e a Guerra da AP. As justas. A guerra de radicais do “grande Israel” e do Hamas e afins. As ilegítimas. O segredo da paz sempre esteve na capacidade revelada ou não pelos “moderados” no sentido de controlar, prender e até matar os seus radicais, os seus ilegítimos. Os israelitas fizeram isso (outro exemplo: retirada de Gaza). Arafat nunca o fez. Os seus, apesar de ilegítimos, eram seus. Nunca pensou como político. Sempre se viu como uma espécie de autocrata paternal de todos os palestinianos. Preferiu a linha do mártir. Azar. Azar para os palestinianos. Os movimentos radicais aumentaram a sua importância. Hamas venceu ontem. Nada de surpreendente. Há muito tempo que o Hamas é um poder autónomo, quase um estado dentro do não-estado.

A vitória do Hamas será necessariamente negativa? Ninguém sabe. Mas de uma coisa podemos estar certos: em política, as consequências de certos actos são imprevisíveis. Poderá suceder o seguinte: dado o seu radicalismo, o Hamas pode fazer aquilo que Arafat nunca foi capaz, isto é, impor uma autoridade única. Aquilo que Arafat deveria ter feito com o Hamas (exterminá-lo, controlá-lo ou prendê-lo), poderá agora ser utilizado pelo Hamas contra os moderados. A tal guerra civil. Uma guerra civil de que ninguém gosta de falar, mas que será inevitável. A realidade é uma meretriz com cio e sem piedade.

Com um Estado dominado pelo Hamas, a Palestina deixará de ser autoritária e corrupta. Passará a ser totalitária. Dantesco? Sim, para os palestinianos. Não, para o processo de Paz. Eles podem ser terroristas, mas não são parvos. Em primeiro lugar, sabem que não tem hipóteses no confronto militar com Israel. E, depois, vão começar a gostar do sabor do Poder absoluto. E o Hamas, como bom movimento totalitário, só se contenta com o Absoluto.
Mas, com um Absoluto do outro lado, Israel, poderá ter, finalmente, alguém com o monopólio exclusivo da violência com quem falar. Israel nunca deu passos largos porque sabia que Arafat não controlava os radicais. Agora são os radicais que têm o poder. Já não é preciso afundar o barco; o barco afundou quem o deveria ter afundado. Poderá vir a ser uma das ironias da história: um acordo de paz sólido entre Israel e o seu pior inimigo.

Poderá suceder outra coisa: com tanto poder (e, não esquecer, o islamismo qutbista do Hamas é semelhante ao leninismo: quer capturar estados a fim de expandir a sua revolução), o Hamas poderá pensar numa guerra com Israel. Uma guerra à antiga. Há loucos totalitários para tudo. Nesse ponto, o pior, Israel poderá ter aquilo que nunca teve: um inimigo clássico, para uma guerra clássica. Para uma guerra que implica a invasão da capital do inimigo, a deposição do regime do inimigo e um recomeço.

[Henrique Raposo]

Flashback

As mulheres são fundamentais na vida de um homem. Eu devo-lhes muito. Sobretudo às professoras do Liceu. A valia de uma geração depende sobretudo da formação que recebe na escola.
Sou, como Nelson Rodrigues, um homem susceptível de violentas nostalgias. Nestes momentos de apoteose ideológica lembro-me sempre das minhas professoras de Liceu.
Lembro-me de como foram pacificadores e instrutivos os seus argumentos, o seu vanguardismo, o bel-espirit e o seu profundo amor aos homens. Devo-lhes quase tudo. Um dia, pensei com afinco nas minhas Professoras e percebi que não queria ser como elas. Por detrás daquele sorriso susceptível e daquela castidade na luta havia algo de muito errado. Havia ideias para mim, para os meus colegas e para o mundo. Havia o convencimento estúpido e a frustração própria dos que acordam determinados a conformar os outros à sua imagem, resolutos na vontade de esmagar o indivíduo em nome de uma falsa canonização.
Com as minhas Professoras de Liceu percebi finalmente que não queria ser mais um esquerdista de biocos suplicantes, com o bolso cheio de aborrecidas e progressistas intenções. Não. Desta recordação odiosamente colegial sempre retirei aquilo que espero da política: que não se metam no meu bolso nem na minha vida. Ainda hoje, passados alguns anos, continuo a pensar exactamente o mesmo. Sou um conservador. Mas ainda não desisti do Émile.

[Tiago Geraldo]

P.S.: Aproveito para saudar as hostes e agradecer, mais uma vez, o agenciamento do Pedro Lomba e o convite acidental do Paulo Pinto Mascarenhas.
Sinto as primeiras entorses. Peço desculpa pela pontaria nos remates. Compreendam por favor, não é todos os dias que se joga num estado cheio.

Publicidade propriamente minha (PPM)

www.revista-atlantico.blogspot.com

Ainda não avisei que o Nuno Garoupa e o Nuno Sena escrevem neste número da revista "Atlântico", pois não? E será que já disse que o Rodrigo Moita de Deus tem uma coluna marialva? Da Constança Cunha e Sá, da Carla Hilário Quevedo, da Rita Barata Silvério, do Pedro Lomba e do João Pereira Coutinho já falei, é claro. Do João Marques de Almeida, do Vasco Rato, do Rui Ramos e do Luciano Amaral, do Bernardo Pires de Lima e do Henrique Raposo, também foram umas quantas. Idem aspas para o Nuno Costa Santos, mas do Eduardo Nogueira Pinto, do Alexandre Borges e do Francisco Mendes da Silva é que não. E do Leonardo Ralha ou do Adolfo Mesquita Nunes? Também não, nem da viagem do Henrique Burnay, nem do Hotel do Carlos Quevedo, nem da vida de mãe da Inês Teotónio Pereira, nem das ilustrações da Lucy Pepper, a começar na capa. E de ter o orgulho máximo de ler a Maria de Fátima Bonifácio antes da publicação? Bem vistas as coisas, talvez o Rui Veloso não estivesse enganado na letra, ainda que a música possa ser maçadora. Não há estrelas no céu, porque a revista "Atlântico" ficou com quase todas. Ah, é verdade, para os mais distraídos, a revista sai na próxima terça-feira, dia 31.

[PPM]

Um novo Acidental

Apelando ao estatuto de fundador - e contando com a intermediação do Pedro Lomba, agente de créditos firmados no meio - tenho a anunciar que não resisti a regressar à minha antiga função de Abramovich da blogosfera e acabo de contratar um novo avançado-centro de grande pujança e sentido de posicionamento, porque, como indicam os manuais da especialidade e o Gabriel Alves nos momentos de maior inspiração, a melhor defesa é o ataque. O "miúdo" chama-se Tiago Geraldo e, como o seu nome indica, deu goleadas a diversos adversários durante a última campanha eleitoral também no Pulo do Lobo.
Tiago, faz aí uns aquecimentos, que vais entrar logo que estejas preparado.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Para conservar o liberalismo

Concordo com praticamente tudo o que escreve o Eduardo aqui e aqui. Eu também – como aliás já o disse diversas vezes – me identifico como conservador liberal, ou talvez prefira inverter a ordem dos factores e dizer que sou liberal conservador. Ao contrário do que alguns pretendem, não há qualquer contradição entre os termos, porque os liberais fazem tradicionalmente parte do grande espaço conservador.
O problema de certos liberais (e por alguns deles tenho até alguma estima e consideração) é que são utópicos, acreditam ainda que se pode mudar o homem e a sua natureza, que se pode criar uma espécie de homem novo, acabando por ser revolucionários. O pior é que, usando a linguagem popular, assustam a passarada, afugentam quem poderia muito bem aceitar e aderir à ideia liberal como uma boa solução para resolver problemas que há décadas se eternizam. Eu não acredito na bondade das revoluções – e basta comparar a História dos últimos trinta e poucos anos em Portugal e Espanha para se perceber que não há nada que uma revolução possa fazer que uma evolução baseada nos princípios conservadores e liberais não possa fazer melhor.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

PS. Sobre o Sistema Nacional de Saúde e sobre a sua preservação, concordo parcialmente com o Eduardo. Ou seja, entendo que o SNS deve continuar, obviamente administrado de acordo com princípios de boa gestão e de racionalidade económica, enquanto sistema dirigido a quem realmente precisa. Não para quem possa ter um serviço privado de assistência médica – pessoas como eu, que não sou infelizmente um capitalista mas posso pagar um seguro privado, não precisam de encher os bancos dos hospitais públicos. Aliás, nos dias de hoje, eu e a minha família frequentamos normalmente hospitais privados, pagando todos os meses uma soma aceitável para o efeito. Naturalmente que até podemos preferir ou ser obrigados a aceitar determinado médico ou fazer determinada operação, tratamento ou internamento que só é possível ou tem mais qualidade no SNS – o que aliás já aconteceu quando uma das minhas filhas ficou doente -, mas deveria ser pago de acordo com os nossos rendimentos ou através do seguro que temos. Seria uma questão de justiça – esta sim realmente social – e julgo que este é o tipo de solução conservadora liberal ou liberal conservadora. Já os liberais utópicos exigem a abolição imediata do SNS, tal como os socialistas utópicos pretenderam um dia abolir a propriedade privada. Com os resultados que se conhecem.

O primeiro culpado


1.Hamas venceu. Há, para já, um culpado: Arafat. Durante o seu reinado, a corrupção minou a chamada Autoridade Palestiniana e a Fatah. O voto no Hamas é, entre outras coisas, um voto de protesto contra a ordem estabelecida. Arafat foi um líder corrupto, incompetente e autoritário. E assim foi aceite pelos sectores ditos progressistas da Europa. Na sua morte, foi saudado como herói por jornalistas e políticos europeus. Hoje, através do voto, vemos a sua verdadeira face.

2.Gostei de ver uma rapariga palestiniana – que acredita nessa coisa tão ocidental, a “liberdade” - a afirmar que não aceita o Hamas no parlamento. Bom, vai ter de aceitar politicamente, mas é bom ver a recusa ética.

3. O Hamas não é “complexo”. É baseado na doutrina mais simples do mundo: o ódio. O que é complexo é o jogo democrático. Pode ser que esta complexidade democrática complique a vida ao radicalismo do Hamas. A ver.

[Henrique Raposo]

"O meu liberalismo é maior que o teu" volta a atacar

Não CAA, a melhor maneira para que tudo fique na mesma é deixar o liberalismo exclusivamente entregue a fundamentalistas que de forma surreal, absurda e ingénua querem virar tudo do avesso.

Mas esses, apesar de afugentarem muita boa gente, também têm o seu papel: quanto mais não seja, o de tornar respeitáveis e aceitáveis os liberais moderados.

PS: Um amigo meu, carregado de razão, compara o modo como estes liberais revolucionários pregam o liberalismo aos métodos usados por certos antiabortistas americanos. De facto, rebentar com clínicas à bomba não é, nem nunca será, a mais eficaz forma de defender a causa.

[Eduardo Nogueira Pinto]

Notas que nos salvam

A tarde de quinta-feira seria muito mais difícil se não tivesse à mão um CD de obras do maestro Ennio Morricone que me possibilita ouvir, repetidas vezes, "The Man with the Harmonica", da banda sonora de "Aconteceu no Oeste".

[Leonardo Ralha]

Marxismo com a densidade de melodrama mexicano

A milhas do “realismo científico” de Marx

Amazing discovery - Jornal Público diz que o caso Google "levanta questões sobre liberdade de expressão" na china.



Questões? Quais questões? Alguém tem dúvidas? Hã!
Se alguém tiver dúvidas ou questões o melhor é dizer já!
Ah! pois. Também me pareceu.

[Rodrigo Moita de Deus]

A direita pode ter emenda

A propósito deste texto da Constança Cunha e Sá:

Não me parece que a direita tenha rejubilado com a eleição de Cavaco. A direita, realista, limitou-se a ficar contente q.b. com a eleição de Cavaco, pois esta significou mais um passo no longo caminho de afastamento da esquerda. Ninguém na direita está à espera que, de um dia para o outro, o país mude e surjam candidatos eleitos capazes de entusiasmar os ortodoxos. Cavaco era o que de mais aproximado da direita havia para concorrer (com hipóteses de ganhar) nestas eleições. E isso foi o bastante para que tivesse o seu apoio. O caminho faz-se passo a passo. Da esquerda para a direita é inevitável uma paragem ao centro. Vamos ver é por quanto tempo.

Tal como José Sócrates, Cavaco está ao centro. Procura distância das ideologias - que, aliás, despreza – e joga pelo seguro, afirmando-se em tom solene pelo “desenvolvimento”, pela “qualificação das pessoas”, contra “a estagnação” e contra “o desemprego”, como se houvesse alguém a defender o contrário. Mas passar a ouvir estas frivolidades em vez da constante evocação de fantasmas do passado é já um belo avanço.

Com o bloco central a mandar, não há duvida que a direita tem espaço para crescer. Sempre que a esquerda sobe ao poder, tirá-la de lá torna-se a principal preocupação do eleitorado potencialmente de direita. Como tem sido o centro (PSD e quejandos) a ter melhores hipóteses de ganhar à esquerda, tem sido no centro que esse eleitorado tem votado de forma mais expressiva. Agora, com a social-democracia de Sócrates e Cavaco em alta, a história pode ser diferente. Já não haverá tanto a preocupação de apostar em males menores, uma vez que os males menores já lá estão. Haverá, pois, alguma calma para poder votar a favor, naquilo que de facto se quer.

Ainda faltam muitos anos para que alguém de direita - intrinsecamente de direita - ganhe umas eleições neste país. A direita é minoritária. (Mas está certa). O seu objectivo, para já, deve ser crescer. Crescer de modo sustentado até ter peso suficiente para, pelo menos, influenciar o rumo das principais políticas. O ponto de partida é muito baixo. Difícil será não subir.

É obvio que esse crescimento não pode ser tentado (apenas) à margem dos partidos. Isso é uma fantasia. O problema é que entre as prioridades da maioria das pessoas de direita não constam os partidos. A direita gosta de ganhar dinheiro e por isso dedica-se a outras empreitadas. Mas se as suas ideias crescerem, crescerá proporcionalmente o número daqueles com disponibilidade para a causa pública. E entretanto, enquanto esses não aparecem em quantidade suficiente para tomar os partidos de assalto, sempre se vai podendo fazer qualquer coisa a partir de fora.

O liberalismo mitigado deve ser a aposta da direita para os próximos anos. Em Portugal, país onde o Estado continua a ter uma presença asfixiante em quase todas as áreas, não é ideologicamente complicado a um direitista ser liberal. Mesmo os mais puros conservadores se tornam de bom grado liberais. Há muito pouco para preservar. Há muito para liberalizar. Não se trata de querer privatizar tudo e mais alguma coisa, de acabar com a segurança social e com o sistema nacional de saúde, ou de outros niilismos megalómanos. Trata-se, tão-somente, de repor algum bom senso na coisa pública. Depois de alcançado esse objectivo, depois de reduzido o Estado às suas tarefas fundamentais, depois de as políticas essencialmente de direita passarem a ser prática comum, depois de tudo isso, poderemos, então, voltar a ser conservadores. Conservadores-liberais, bem entendido.

[Eduardo Nogueira Pinto]

Jorge Coelho demite-se de consultor da Associação de Turismo de Lisboa



Espero que estejas satisfeito Pedro! Por causa dos teus comentários e outros do género, Lisboa perde um consultor/coordenador/especialista/jogador de xadrez sem igual na área do turismo! Ainda por cima um homem com tantos afazeres que se tinha disponibilizado para este trabalhoso papel.

Parece impossível!

[Rodrigo Moita de Deus]

A esquerda nunca teve talento para a matemática, mas estas contas são simples II

Parece evidente que Mário Soares tirou a hipótese de Alegre chegar à segunda volta.

[Rodrigo Moita de Deus]

O Acidental à escuta

A esquerda nunca teve talento para a matemática, mas estas contas são simples

Manuel Alegre foi, desde o princípio, o candidato da esquerda melhor colocado para levar Cavaco Silva a uma segunda volta.

[Rodrigo Moita de Deus]

O regresso da bipolarização

No final, contou sobretudo o povo de direita, de quem Cavaco se quis esquecer, mas que não o abandonou. Bastava 60 mil almas (o bairro da Cova da Moura) porem a cruzinha noutro lado e a conversa hoje seria outra. E como iria Cavaco aguentar, na segunda volta, o tom ansiolítico da primeira? Como poderia ele ganhar senão mobilizando o povo de direita? O resultado de domingo passado, com a vitória decimal, obriga Cavaco a um exercício de humildade. Cavaco, por si só, vale muitos votos, mas sem o sustento do seu povo, nunca seria o que é (hoje como ontem).

O sinal é importante para ele. Mas sobretudo é importante para os partidos de direita. Cavaco já alcançou o seu objectivo e, se não for acicatado, tem pouco para mudar do que pretende fazer. Já ao PSD e ao CDS apresenta-se-lhes uma oportunidade. Também eles ganharam. Um resultado de Cavaco muito acima dos 50% ou, a fortiori, a rondar os 60%, demonstraria a sua irrelevância. Este resultado, pelo contrário, demonstrou a sua imprescindibilidade. Talvez devessem agora, fortes com ele, avançar uma agenda política independente de Cavaco e, sobretudo, uma agenda política colocando problemas e sugerindo soluções indo além do consensualismo cavaquista. Depois da vaga humilhação a que foram sujeitos durante a campanha, PSD e CDS têm agora a oportunidade de colocar Cavaco no seu lugar, lembrando-lhe a quem deve ele a vitória. Mas para isso teriam de perceber uma das grandes mensagens destas eleições a de que o seu resultado acabou por ser decidido a partir da bipolarização e, portanto, em larga medida por razões ideológicas. A oportunidade abriu- -se e a escolha é deles: ou serem os partidos de Cavaco ou serem algo diferente disso e mesmo daquilo que são hoje. A vitória marginal de Cavaco mostrou os limites da estratégia "centrista". Mais longe do que isto não conseguirão ir, ainda por cima não estando o trunfo Cavaco sempre à mão de semear. Mas cabe-lhes a eles escolher, e eles lá saberão as linhas com que se cosem.


Luciano Amaral no "DN" de hoje.

[PPM]

Mesmo em final de mandato, Sampaio lança nova discussão vital para o futuro da pátria


josé antónio tenente?


ou Miguel Vieira?


[Rodrigo Moita de Deus]



A tribo do sr. Negri

Quem usa Foucault e Deleuze na argumentação deixa de ser marxista. Ponto. Negri pode (e deve: dada a falência do marxismo) usar as teorias de Foucault para criticar a sociedade e democracia liberal. Tudo bem. Não pode é juntar Foucault (pós-estruturalista, a antítese de qualquer iluminismo, sobretudo do marxismo) e Marx no mesmo argumento. Há uma coisa que se chama coerência interna. Aliás, Negri repete a falta de rigor de Marcuse: o senhor da tolerância repressiva juntava Freud e Marx no mesmo argumento. Uma impossibilidade em qualquer cabeça, excepto na cabeça do senhor que gostava de queimar uns livrinhos. Livrinhos de autores liberais, com certeza. Os textos de Negri ou Marcuse podem ser objectos de propaganda, de activismo. Tudo bem. Mas não são coerentes do ponto de vista intelectual. E são textos que deixam os verdadeiros marxistas de cabelos em pé.

Um conservador não pode continuar a dizer que é conservador a partir do momento em que despreza a ordem orgânica. Um liberal deixa de o ser quando nega o direito natural. Um marxista deixa de ser marxista quando o seu trabalho está inundado por Deleuze ou Foucault. Nem sequer estou a discutir a substância. Apenas a estrutura interna de pensamento.
O problema é que o “marxismo” é uma senha vitalícia. Já não se tem uma pinga de marxismo na cabeça, mas continua-se com o cartão ao peito: “sim, ainda sou marxista porque isto é fixe: diga o que disser, faça o que fizer, estou acima do bem e do mal; o futuro salvar-me-á”.

Como diz Kolakowski (que não percebe nada do assunto), a actual geração marxista, liderada por Negri, é uma aberrante caricatura do marxismo. Michael Walzer (que, como se sabe, é um perigoso direitista) chamou-lhe “rag-tag marxism”.

Mas, se calhar, isto da coerência já não interessa. Com diz um perigoso conservador(e que por isso não pode ser lido... por quem não é conservador - “pá, só podemos ler os nossos autores; só os nossos é que podem criticar os nossos; ouviram!”), Sartori, vivemos a era da pós-coerência. Negri é o perfeito exemplo da pós-coerência.

Para quem ainda não percebeu: quando alguém é de uma dada escola de pensamento, esse facto não lhe garante superioridade de análise sobre a dita escola. Aqui não há password obrigatória. E o melhor indicador para o grau de tribalização do "ideólogo" é quando este não aceita críticas do exterior, críticas que não estão dentro do dogma. É a velha táctica esquerdista: a ideologia é uma verdade interna e apenas os crentes podem criticar essa verdade. Fico contente por verificar que ainda existirem esquerdistas. Estava farto de discutir com românticos anti-progressistas que se julgam de esquerda (vulgo: multiculturalistas).

[Henrique Raposo]

Coisas realmente eruditas


Luís,
Lembrar Isaac Hayes é também lembrar a mais controversa e fracturante de todas as questões. Aquela que tem dividido eruditos e irmãos, muito para além de cores, crenças ou religião. Lembrar Isaac Hayes serve pois para relançar na blogosfera a polémica:
Afinal quem foi o maior? Dirty Harry ou Shaft?
Quem foi o melhor? Make my day ou lets f**** a white bitch today?

[Rodrigo Moita de Deus]

É o Rosas, senhores












Dos comentários pós-eleitorais retenho um, que me parece demonstrativo do estado de desnorte da esquerda não democrática. Dizia o Sr. Rosas, num artigo do "Público" de hoje, que o Governo foi irresponsável porque teria avançado com um conjunto de medidas durante o processo eleitoral. Ora, o Sr Rosas considera essas medidas gravosas para a população. Por isso, o Governo deveria pelo menos ter adiado as medidas de modo a não prejudicar o candidato Mário Soares.
Ficamos esclarecidos quanto ao entendimento que o Sr Rosas tem da actividade política. Espero o sincero aplauso do dito senhor quando em períodos eleitorais o Governo e as autarquias desatarem a inaugurar obras e a distribuir benesses.

[Pedro Marques Lopes]

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Deve haver uma esperança da esquerda europeia com um aperto no estômago...

A polícia brasileira prendeu o jovem que confessou o homicídio de Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André, no estado de São Paulo. O alegado autor dos disparos disse que a 20 de Janeiro de 2002, quando tinha apenas 16 anos, matou o membro do Partido dos Trabalhadores. Desde então especula-se que o óbito não será alheio a um esquema de corrupção que servia para financiar campanhas como a que levou o impoluto Lula da Silva à presidência do Brasil.
Realmente irónico é que a captura, capaz de fazer descer a temperatura corporal das cúpulas do Partido dos Trabalhadores, tenha ocorrido numa rua chamada António de Oliveira Salazar.

[Leonardo Ralha]

Comovido com tamanho elogio

Caro Nuno Ramos de Almeida,

Compreendo a sua indisposição. Um conservador a escrever sobre Negri sem o insultar?! Sem o apelidar de terrorista?! E, ainda por cima, usando autores marxistas (Amin)!?
Caro, critiquei Negri fazendo apenas duas constatações óbvias para quem conhece o pensamento de esquerda do século XX: não é novidade e já tem muito pouco de marxista. E não sou eu que o digo. Os verdadeiros neo-marxistas como Samir Amin fizeram-me esse favor. Acho curioso que me critique por usar… autores liberais. Mas quais autores liberais? Tive o cuidado de colocar o meu texto a girar em volta da argumentação de Amin. Mas é isso que o irrita, não é? Ao usar autores de esquerda para criticar um autor de esquerda, sabia que iria causar algumas cócegas, quer à esquerda quer à direita. Estava curioso. Obrigado pela confirmação.

Compreendo que não goste que critiquem os seus autores. Tudo bem. Mas a sua atitude revela uma velha arrogância de esquerda: um autor de esquerda só pode ser criticado por alguém de esquerda. V. não critica o meu argumento. Diz que é apenas um desastre. E porquê? Porque ousei dar uma visão diferente da sua – e da esquerda em geral – sobre um autor da moda. Pior: porque sou de direita e, portanto, a minha visão será sempre um desastre quando a questão é um autor como Negri.
Agradeço esse desdém, essa aura de superioridade. Vindo de um esquerdista, é um elogio e a confirmação que fiz alguma coisa certa. Se Utopia totalitária é pleonasmo, esquerdista humilde é contradição. Essa atitude de provedor dos leitores é gira. Fico satisfeito por verificar que V. sinta a necessidade de avisar as massas que a minha visão não serve. O melhor elogio, meu caro. O melhor. E agradeço que vá comentando tudo aquilo que escrevo. É bom ter um eco. E dá para afinar a pontaria.

[Henrique Raposo]

Caçar gato com Coelho









Congratulo-me com a escolha deste verdadeiro especialista para “coordenar, na Associação de Turismo de Lisboa, um trabalho sobre o desenvolvimento do turismo na cidade nos próximos dez anos” (jornal “Público” de hoje).
Segundo Fontão de Carvalho a sua especialidade é... “influenciar o Governo”.
Estamos conversados...

[Pedro Marques Lopes]

Pois pode contar com a minha











Ontem, no "DN", o deputado bloquista João Teixeira Lopes dizia qualquer coisa como isto: "Joana Amaral Dias não espere contar com a nossa simpatia". Solidário, quero dizer - à Drª Joana Amaral Dias - que pode contar com a minha. Simpatia.

[PPM]

Conselho Acidental

Tendo ouvido diversas queixas do novo grafismo porque - dizem os queixosos - a coluna dos postes só aparece lá em baixo, explico que basta fechar a janela dos favoritos no lado esquerdo do seu ecrã para que a coluna do meio suba imediatamente. O Acidental não aceita e é incompatível com outros favoritos.

[PPM]

Deus está em todo o lado?

Para que o nosso Moita de Deus seja feito à imagem de Deus e esteja realmente em todo o lado, só lhe falta escrever no Renas e Veados.

[PPM]

PS. Esta foi só para não escrever que o Rodrigo Moita de Deus dá para os dois lados, depois de ter começado a acumular no Aspirina B. Não só seria injusto como homofóbico e, para além do mais, estaria a dizer uma mentira.

O amor é tão lindo*



Who's the black private dick
That's a sex machine to all the chicks?
SHAFT!
Ya damn right!

Who is the man that would risk his neck
For his brother man?
SHAFT!
Can you dig it?

Who's the cat that won't cop out
When there's danger all about?
SHAFT!
Right On!

They say this cat Shaft is a bad mother
SHUT YOUR MOUTH!
I'm talkin' 'bout Shaft.
THEN WE CAN DIG IT!

He's a complicated man
But no one understands him but his woman
JOHN SHAFT!
[Rodrigo Moita de Deus]
PS: Dizem-me que Isaac Hayes está internado. Quais Hobbes ou Hayeck, Kant ou Adams! Isaac is the man!

penitência

Caro André Azevedo Alves,

Embora não perceba se os visados são os alunos ou os padres salesianos, dou-lhe toda a razão. Foi uma frase escrita a quente e que inclusivamente visa o autor... Penitencio-me pelo erro e peço-lhe que a ignore.

[JB]

Fartos do tele-evangelista

As notícias da morte do Bloco de Esquerda são manifestamente exageradas. Mas estas presidenciais vieram demonstrar que Louçã não é já o media darling de outros tempos. Há um desgaste da figura e do estilo que deveria levar a agremiação a pensar em alternativas de renovação da sua primeira linha. Será difícil retirar a Louçã o protagonismo de que tanto gosta. Mas se não for assim, aquele arrisca-se a afundar todo o projecto junto com a sua casmurrice. O Professor Anacleto é um produto televisivo que, como todos os produtos televisivos, rapidamente se tornou um enfado. As televisões são empresas capitalistas que, como todas as empresas capitalistas - e segundo a economia marxista -, praticam a obsolescência programada. Se o Bloco não se cuida, terá o mesmo fim do Big Brother e das novelas mexicanas.

[FMS]

Agora sim, o medo instala-se nos partidos

Calma e estupidez natural

Devemos ter calma e evitar misturar duas dimensões que, no mundo civilizado, são necessariamente distintas; a do Bloco de Esquerda enquanto partido político, associação de direito privado cuja vida interna se rege pela vontade dos seus associados/filiados, formada e expressa nos termos estatutários; e a do Bloco de Esquerda, enquanto partido proponente de um candidato presidencial.
Se o BE proponente de um candidato presidencial foi fortemente punido pelo eleitorado, é uma coisa que pode e deve ser analisada, dissecada e publicitada. Já se o candidato presidencial deve demitir-se da liderança do partido, é outra completamente diferente. E não nos cabe aqui invocar os casos de outros dirigentes de esquerda ou de direita que em situações idênticas preferiram demitir-se e dar o seu lugar a outro; Louçã lá terá as suas fortes e briosas razões para se manter no cargo, e os associados do Bloco certamente que serão unânimes em apoiá-lo nessa decisão tão racional e consistente.
E por mais estranhos, obtusos e desavergonhados que possam parecer, não nos cabe a nós comentar, julgar e adjectivar estes comportamentos de índole pessoal.
Devemos ter calma, repito.

[JB]

terça-feira, janeiro 24, 2006

A América é que é “de Kant”



A linha central da actual estratégia do Pentágono é a seguinte: «we will expand the community of nations that share principles and interest with us. We will help partners increase their capacity to defend themselves and collectively meet challenges to our common interest». Precisamente, a ideia kantiana de federação de estados liberais: «o direito à paz é o direito […] de associação mútua (confederação) entre diversos Estados, para conjuntamente se defender contra todo o possível ataque externo ou interno»(Kant, Doutrina do Direito).

[Henrique Raposo]

Passatempo d´O Acidental - Descubra a profissão de José Sócrates?

Mais uma fabulosa iniciativa de O Acidental. Desta feita disponibilizamos aos leitores a nota biográfica oficial do Primeiro-Minitro para os desafiar a encontrarem uma profissão ou qualquer actividade digna de registo na repartição de finanças de Vilar de Maçada. Boa Sorte!




Nascido em Vilar de Maçada, concelho de Alijó, distrito de Vila Real, em 6 de Setembro de 1957
Engenheiro Civil
Pós-graduado em Engenharia Sanitária, na Escola Nacional de Saúde Pública
Militante do Partido Socialista desde 1981
Presidente da Federação Distrital de Castelo Branco entre 1986 e 1995
Membro do Secretariado Nacional do Partido Socialista desde 1991, e membro da Comissão Política do PS
Porta-voz do PS para a área do Ambiente a partir de 1991
Deputado à Assembleia da República de 1987 a 1995 e desde 2002 (V, VI, VII, VIII e IX Legislaturas), pelo círculo de Castelo Branco, tendo sido, na IX Legislatura, Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS, membro da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional e membro da Comissão Permanente da Assembleia da República
Membro da Assembleia Municipal da Covilhã
Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território do XIV Governo Constitucional
Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro do XIII Governo Constitucional
Secretário de Estado Adjunto do Ministro do Ambiente do XIII Governo Constitucional
Eleito Secretário Geral do Partido Socialista em Setembro de 2004

[Rodrigo Moita de Deus]

E por falar em comentários, um poste sobre a bancada central

O meu comentador preferido é o José Barros.

[Rodrigo Moita de Deus]

Desde ontem que o anti-cavaquismo é um nicho de mercado

Nesta campanha, Santana Lopes, pasme-se, foi um verdadeiro político com vista e jeito para a meia distância.

[Rodrigo Moita de Deus]

E agora um momento de publicidade

Mais um bocadinho da capa da revista "Atlântico":


















[PPM]

Chat acidental

Por uma vez, gostei do efeito produzido pelos comentários idiotas de alguns anónimos nas caixas d' O Acidental: conseguiram pôr de acordo o Henrique Raposo e o Jacinto Bettencourt. Bem vistas as coisas - ou bem lidos os textos -, eles sempre estiveram de acordo no essencial. Só que ainda não o tinham percebido.

[PPM]

Nem mais:

«De gente ordinária e carente de chapada»
Jacinto Bettencourt

Não tenho problemas com os comentários. Não tenho problemas com as críticas ou mesmo com o gozo, ironia ou sátira. Só tenho problemas com a arrogância pedante, com o atrevimento da ignorância e com o anonimato. E sobretudo o anonimato de quem nos conhece mas que não tem a coragem para dizer as coisas na cara. E, por isso, esta gente prefere fazer da caixa de comentários uma espécie de poste ou roda de carro onde vem depositar a sua mijinha de ódio.

Ódio é um bom sinal. É sinal que estamos a fazer qualquer coisa bem. Se um comunista ou um fascista não me odiar, então, estou a fazer qualquer coisa de errado. Mas não gosto de ódio sem rosto. O ódio tem de vir com um rosto para levar uma chapada de volta. E há mesmo muita gente “carente de chapada”.

[Henrique Raposo]

Agora sem gente desta...

Pensei, há algum tempo, ter descoberto a minha vocação blogosférica. Não como escritor de postes - como é manifesto -, mas a comentar postes dos camaradas de O Acidental. Comentários ardilosos, acelerados, brutais, subtis, irónicos, magros, raposianos, numerados ou em bruto. Comentários que, em segundos, me autorizam a descarregar a frustração pela alienação do meu trabalho. Comentários como “mil aditamentos a postes mal interpretados”. Comentários que fundam a escolas de glosadores pós-moderna, a nova pandectística da desconstrução blogosférica. Comentários que, logo ali, rechaçam na segunda linha os inimigos da razão e da razoabilidade...

Uma incursão de cariz mais pessoal de um bloquista anónimo fez-me repensar se, de facto, vale a pena misturar-nos ali em baixo, na caixa de comentários. Chamando-me de “totó” - o que é justo, digamos -, mas imputando-me, injustamente, o culto da heráldica - quando o era da genealogia -, durante a minha segunda breve incursão nos Salesianos de Lisboa - quanto tudo se passou já no Colégio Moderno -, é demais. E é, sobretudo, estranho entrarem-nos na vida, baralhando tudo e voltando a dar, apenas porque expressámos determinadas opiniões políticas. Se eu tenho sangue azul? Acha que este assunto diz respeito a um cobiçoso anónimo? E não acha que se o meu sangue tem cor, não é certamente a do seu sangue cinzento, ressequido e manifestamente pouco oxigenado? Confirma-se que a exposição prolongada a padres salesianos resulta numa redução dramática da massa cerebral.

Eu compreendo que um bloquista não seja capaz de distinguir a vida privada de um cidadão, do projecto público que o seu plano holista tem para cada um de nós. Eu compreendo que um bloquista não seja capaz de distinguir a opinião política de alguém institucionalmente estranho, dos defeitos ou virtudes passadas de um antigo colega. Eu compreendo, inclusivamente, que um bloquista seja incapaz de viver em sociedade de forma civilizada, manifestando aquela cortesia mínima adequada à convivência de pessoas razoáveis. Eu compreendo que em cada bloquista deste género exista um ordinário ressentido, cheio de ódio e assuntos mal resolvidos. O que eu não compreendo é o seu anonimato, mesmo que, eventualmente, se imponha entre nós um sopapo de outrora e bem aplicado.

Como tal, e no que se refere aos meus postes, decidi seguir o bom exemplo do Henrique, e cortar definitivamente o pio ao referido anónimo e a toda a corja de seguidores rastejantes que por aqui pulula diariamente. De gente ordinária e carente de chapada, que abusa da voz com que é (mal) agraciado, está o país farto. As minhas desculpas a quem vinha com boas intenções e com bons contributos.

[Jacinto Bettencourt]

Em quem ele votou só às paredes confessa

Estou a contar os dias até que, no decorrer de uma reunião mais acalorada no Largo do Rato, alguém tenha a coragem de se levantar e dizer a José Sócrates: “Você sabe que eu sei que você sabe que eu sei.”

[Leonardo Ralha]

Como não assumir a derrota em 10 lições

Para aprendizes de político demagogo, recomendamos a leitura do artigo no "Público" de hoje em que Francisco Louçã ensina como se pode justificar uma derrota estrondosa sem a assumir e sem retirar dela as respectivas consequências. Para quem se arroga a moralizador-mor da classe política, estamos conversados. Já houve dirigentes que se demitiram por menos - e a verdade é que, comparando com o resultado das legislativas, Louçã vale hoje menos do que o Bloco de Esquerda.
A responsabilidade, segundo Louçã, é de Manuel Alegre, que terá desviado votos do Bloco - o problema é explicar, como lembra e muito bem José Manuel Fernandes no seu editorial, porque é que o mesmo fenómeno de deslocação de votos não afectou Jerónimo de Sousa - bem pelo contrário.

[PPM]

PS. Habituado a ter algum respeito pelo estatuto académico de Vital Moreira, só posso lamentar o seu artigo de hoje no mesmo "Público", porque é lamentável a falta de rigor com que analisa os resultados de domingo, nomeadamente a tentativa de menorizar a vitória inatacável de Cavaco Silva, que "só" conseguiu vencer a cinco candidatos de esquerda à primeira volta. Comparar com eleições presidenciais do passado, é comparar o incomparável, mas Vital parece estar mais preocupado em consolar o dr. Mário Soares pela derrota realmente histórica.

O João Carlos Espada que há em cada um de nós

Segundo a capa do 24 Horas de hoje, a nova Primeira Dama frequenta o cabeleireiro do bairro e compra roupa no pronto-a-vestir. Os factos, mais uma vez, dão razão a Vital Moreira, esse aristocrata que só se veste nos melhores costureiros de Saville Row.

[FMS]

Entre estas duas capas da "Atlântico" houve uma eleição

Antes dos resultados de domingo, segundo algumas sondagens:

Esta é da Lucy Pepper, quando lia as sondagens

Depois dos resultados de domingo:

Esta também é da Lucy

Descubra as diferenças.

[PPM]

PS: Ambas as ilustrações da capa da revista "Atlântico", nas bancas dia 31 de Janeiro, são de Lucy Pepper.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Meter a esquerda na ordem (V)

Vital Moreira acha mesmo que Mário Soares é maior do que o país, e que Sampaio é um verdadeiro aristocrata. O problema deste tipo de pessoas inteligentes, é que, não só não conhecem o próprio país e as suas elites, como destinam ao pouco que conhecem o mais insistente ódio. É claro que, aos olhos destas pessoas, qualquer um possa passar por um grande homem.

Ana Gomes responsabiliza Manuel Alegre pela derrota da esquerda. Mesmo sabendo que Alegre teve 20% dos votos, e que foi o único candidato de esquerda que verdadeiramente ameaçou a eleição de Cavaco Silva à primeira volta. Ora, isto não se chama responsabilizar; chama-se invejar…

[JB]