Land Of The Free & The Home Of The Brave
![]() Sobre o Paulo, o Henrique já disse quase tudo. O Paulo tem envergonhado a ociosidade de muitos patriarcas desta nossa direita. Dispensa a preguiça e a sinecura e faz aquilo que todos pensámos que um dia deveria ser feito sem sabermos quem teria, quando o dia chegasse, atrevimento e coragem bastante. O Paulo tem-na e muito, e sem um pingo do pedantismo que alastra com o reconhecimento e a notoriedade, tem sido o rosto visível desse «combate cultural» de que tanta gente falava há já tanto tempo. Um muito obrigado por tudo e um grande abraço para ele. O Acidental foi um caso de sucesso nestes dois anos. Como leitor assíduo, lembro-me do FMS a escrever recensões sérias e apaixonadas sobre o Roger Scruton e o estilo (ou a ausência dele) do Engenheiro Sócrates, o RMD a fazer humor de esquerda com a incubadora, a Inês Teotónio Pereira a desancar sem pudor em feministas assanhadas, as referências do ENP com que todos aprendemos, o Henrique Raposo a desconstruir os argumentos dos desconstrucionistas nos seus parágrafos escrupulosos e asseados, o DBH e o uso desassombrado do Google Image, o Bernardo e a sua italianíssima paixão, o Jacinto Bettencourt e os advérbios de modo oportunamente colocados, o Luciano Amaral a falar com o povo sem se importar de descer do estrado, o Nuno Costa Santos a dissertar sobre a cruel promiscuidade nas relações com os livros e o Paulo a «marcar a agenda» da blogosfera durante este tempo todo, transformando uma convicção íntima num verdadeiro comunismo (calminha, oh literais iracundos) da convicção. Muitas polémicas, muito humor, muito talento. E um excelente retrato do que é hoje uma direita desempoeirada e plural. Como no Indy dos velhos tempos, O Acidental foi um blog conservador no conteúdo e libertário na forma – o que não deixou de chocar muitas alminhas, à esquerda mas sobretudo à direita, formadas na velha escola do vernáculo sensaborão, muita casca-grossa no trato e o indispensável escutismo no toutiço. Quanto a mim, vou ter saudades desta vasta conspirata direitista. Diverti-me muito e corei de orgulho no dia em que comecei a escrever por cá. Foi muito bom conhecer Os Acidentais. Uns senhores. Cheios de bom gosto e boa disposição. São daquele tipo de pessoas que acredita que a política não é a coisa mais importante do mundo: como o Paulo escreveu e eu tive a oportunidade de notar, este foi sempre um blog de amigos. Que vão deixar saudades. Os rumores acumularam-se e durante estes dois anos O Acidental ouviu de quase tudo. Entre mimos vários, chamaram-nos muitas vezes de falcões. E têm razão. Este blog gosta manifestamente de andar em guerra. Contra a paz intelectual. Um grande abraço a todos e até sempre. Foi um prazer. [Tiago Geraldo] |



Comments on "Land Of The Free & The Home Of The Brave"
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Arrebenta said ... (2:26 da manhã) :
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Cristina Ribeiro said ... (10:58 da tarde) :
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Tiago Geraldo said ... (7:00 da manhã) :
post a commentA Rainha da Sucata
Andam por aí umas vozes em sobressalto com o que se escreve na Net, e, à cabeça, com a crescente influência das temáticas, abordadas nos “blogues”, sobre a Opinião Pública Nacional. Cumpre-me aqui dizer que sou novo nos “blogues”, e suficientemente antigo, na Opinião Pública. E como me estou, à cabeça, aparentemente – depois, verão que não... – zenitalmente borrifando para os “blogues”, vou, pois, começar pela Opinião Pública.
Ora, em qualquer país pretendido civilizado, a Opinião Pública não é mais do que um misto de emoção e raciocínio difuso, que leva a que as sociedades exerçam, em conjunto, as suas auto-análises, os seus direitos espontâneos de aprovação e desagrado, e uma necessária catarse colectiva, fruto dos sabores e dissabores do Rumo da História.
Os períodos de Opressão e de Distensão medem-se, pois, pelo vigor e maturidade que essa Opinião Pública manifestar.
Na sua coluna de despedida do “Diário Digital”, Clara Ferreira Alves, criatura que nunca frequentei, nem sequer sabia que escrevia, mas que, naquele panorama do Ridículo Nacional, apenas me fazia, de quando em vez, sorrir, entre as suas apalhaçadas oscilações entre o negro azeviche e o louro caniche, dizia eu, centra-se, num dado momento da sua despedida, sobre a perniciosa influência dos blogues na tradicional “Imprensa Impressa”: de acordo com ela, “A Blogosfera é um saco de gatos, que mistura o óptimo com o rasca, e (as vírgulas atrás são todas minhas) acabou por se tornar num magistério da opinião (d)os jornais”, os quais nunca foram sacos de gatos, sempre souberam recolher o óptimo, e nunca constituíram um prolongamento do magistério dos Interesses Ocultos Predominantes.
É óbvio que em todos os jornais, como em todos os "blogues", como em todos os programas de televisão de carácter rasca, -- terríveis eixos do mal --, “existe e vegeta um colunista ambicioso, ou desempregado, (as vírgulas continuam a ser minhas), ou um mero espírito ocioso e rancoroso”, que pode ser vário, como os nomes de Satã.
“Dantes, a pior desta gente praticava o onanismo literário e escrevia maus versos para a gaveta, [publicando] agora as ejaculações”, as quais deveriam continuar a ser privadas, porque o exercício da cobrição, que tantas vezes levou a que um mau texto aparecesse nas parangonas da Crítica, fruto de uma noite mais ou menos bem passada, ou de uma jantarada em lugar eminente, poderia, e deveria, pelos mais elementares deveres do Pudor, nunca ultrapassar a atmosférica fronteira do Secreto e do Invisível. Para mais, parece que, nos blogues, escancarada janela rasgada sobre o Tudo, já não existe aquela claustrofóbica sensação das escassas três ou quatro janelinhas, onde a iluminação da Crítica Impressa revelava ao profano o pouco que se fazia, e, logo, podia aspirar a existir. Parece que nos blogues, dizia eu, se fala agora abertamente de tudo e de todos, e não apenas dos amigos, dos que nos assalariaram o texto, ou dos que nos pagaram para sermos gerentes da sua irremediável Insignificância.
Compreende-se a angústia da Clarinha: com a ascensão dos “blogues” e o declínio dos jornais, anuncia-se também o fim do monopólio das palas postas nos olhos dos burros, e daqueles que tinham o exclusivo poder de as pôr.
Clara Ferreira Alves manifesta-se inquieta pelo seu Presente, e teme pelo seu Futuro. Mais acrescento eu que o que está em jogo é, sobretudo, o seu PASSADO e o de todos os que se lhe assemelham, porque a Cabala, que, durante décadas, tão habilmente geriram, se está agora a desmantelar por todos os lados.
Nos “blogues”, nada mais existe do que quem diariamente fale de tudo e todos, sem defender quaisquer sistemas que não os da prevalência do Excelente sobre o Medíocre, do Livre sobre o Encomendado, e, sobretudo, quem o faça GRATUITAMENTE, ou seja, por mero Dever Cívico, por vontade de intervir, por caturrice, ou tão-só pela amistosa gratidão de poder Partilhar.
É verdade que com os “blogues”, poderá estar em jogo o fim da Palavra Comprada, e já estar a vislumbrar-se o início da Era da Palavra Livre e Particular, o Reino da Palavra Gratuita. Talvez seja isso a Comunicação Global. Em breve, também aí se fará a separação do Trigo do Joio, e passará a vencer quem melhor escrever e mais for lido, dispensando-se as tradicionais encomendas das almas.
Penso, publico, sou lido, e logo existo. Tudo o resto é vão.
Ah, e isto não é um texto para resposta, sobretudo qualquer tipo de resposta, como dizia o Vasco Pulido Valente, que metesse “na conversa a sua célebre descrição do pôr-do-sol no Cairo.
Muito obrigado.”
http://braganza-mothers.blogspot.com/
Eu comecei muito mais tarde a visitar este mundo da blogosfera(era,.até há pouco tempo totalmente"infoexcluida"),pelo que muito daquilo que refere terei que procurar nos arquivos,mas já por"cá"andava quando entrou em"campo".Foi bom ter-lo por aqui!
Obrigado pela simpatia, cara Cristina. É bom ouvir coisas agradáveis de vez em quando. Sobretudo na blogosfera, um espaço em que o comentário é quase sempre crítico e acusador.
Obrigado uma vez mais.