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sábado, abril 01, 2006

Dedo na Frida

Portugal é um país de modas. Desde que Frida Kahlo foi para as galerias do CCB que muitas conversas de café se prestam abundantemente ao aplauso e à aprovação. A fidelidade às ideias, a ousadia, o ideal rústico. O exemplo. Há quem veja em Frida e na arte em geral uma espécie de muleta ideológica. Eu não vejo e desde já declaro que não pretendo ir ao CCB.
O exotismo de Frida Kahlo e essa estranha rebelião contra os padrões de beleza criados e exultados na «gringolândia» lembram-nos dialécticas antigas. O poder e a opressão. O modelo e a alternativa.
Sou estupidamente incapaz de perceber tamanha fúria e desespero. Há modelos que me comovem. Um modelo é por definição frágil e complexo. E é em larga medida isso que revela a sua superioridade sobre uma originalidade secreta, presumida e extravagante.
Lembram as conversas de café: Frida excrecava o capitalismo. Claro que execrava. Eu próprio consigo compreender as razões da menina Kahlo. A impotência de alterar o ritmo e o toque do mundo produz em muita gente um desconforto muito pouco pacífico e uma fúria incontrolável contra quase tudo. Atitudes que, paradoxalmente ou não, merecem aclamações visivelmente excitadas das cabecinhas mais conformistas da paróquia.
Aprendi a desconfiar sempre desta espécie de voluntarismo que não aceita, fundamentalmente, que a natureza possa ser imperfeita. Como o capitalismo.
Pobre Frida que nunca fez capa na Vanity Fair.

[Tiago Geraldo]

Comments on "Dedo na Frida"

 

Anonymous Cristina Ribeiro said ... (12:29 da manhã) : 

Eu não aprecio a pintura de Frida,embora tivesse gostado do filme com a Salma Hayek,pelo que,mesmo que vivesse em Lisboa,também não iria ao CCB.

 

Blogger ToMuchBeer said ... (1:25 da manhã) : 

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

 

Anonymous albertino said ... (12:58 da tarde) : 

Tiago, quando quiser falar sobre pintura é melhor escrever um livro. Assim só lê quem quer.

 

Anonymous albertino said ... (12:58 da tarde) : 

Tiago, quando quiser falar sobre pintura é melhor escrever um livro. Assim só lê quem quer.

 

Anonymous Roteia said ... (1:58 da tarde) : 

Caro Tiago: O dedo na Frida, do meu ponto de vista, foge preconceituosamente (ideológicamente)ao essencial. Para pôr o dedo na Frida é preciso tocar-lhe. O ícone popularizado em que a pintora mexicana se transformou tem muito pouco a ver com arte e muito mais a ver com uma representação exorcisada da coragem perante a dor. Ou ainda com a ideologia, se nos reportarmos ao México de meados do último século.
Mas para quem, como eu, viu Frida Kahlo no CCB, quase por acaso, várias surpresas:

A primeira surpresa foi a enorme fila de espera para entrar na exposição, o que pode significar que o público português já não corre apenas para as filas dos estádios de futebol e dos hipermercados. Ícones, por cá, já não são apenas estrelas do relvado ou do cinema. Não é nada mau, assim até parece que estamos numa capital europeia.
A segunda surpresa foi a desastrosa "cenografia" da exposição, com muita estilização folclórica do México, cores primárias, muita biografia e pouca museografia. Coisas feitas para atrair públicos de subúrbio.
A terceira surpresa, foi a pouca pintura própriamente dita, naif sim, mas com densidades plástica e poética raras. Julgava que Frida era um produto romantizado do surrealismo mas enganei-me, afinal é mesmo uma pintora "mui preciosa", como se diria no México.
É sempre aconselhavel falar apenas daquilo que se conhece.

 

Blogger Lugones said ... (3:33 da tarde) : 

Aos membros d’O Ocidental parece que lhes deu para sentirem bonomia em ostentar a ignorância em público (não que isso não deixe de ser uma peculiar demonstração de audácia, mas, admitamos, que um pouco tortuosa – de resto, talvez um nadinha como certa faceta da arte de Frida...). Não pretendo ensaiar uma defesa da pintora mexicana diante do comentário labrego do Sr. Tiago Geraldo (entre muitas razões, porque não tenho agora tempo nem paciência e, principalmente, porque ele não o mereceria de todo), mas não quero deixar de sublinhar, em primeiro lugar, que se a arte de Frida se limitasse a essa suposta crítica primária dos modelos estéticos e económicos americanos já teria há muito sido esquecida no baú de curiosidades da iconografia do século XX; em segundo lugar, que negar antes de investigar assumindo o preconceito primário é coisa feia de se confessar (e não há desculpa com as filas, porque a exposição está até 21 de Maio e, ao que parece, durante a semana entra-se bem – confesso que ainda não a foi ver por esta razão, ainda que conheça e aprecie medianamente a obra da Frida há já alguns anos: há muita publicação de qualidade que também pode consultar). Posto isto, Portugal é sim um país de modas e até é possível que esteja a passar por um “Frido-bimbismo” mas, e se imaginarmos com força que algo semelhante poderia acontecer com uma exposição de Caravaggio e com a militância revolucionária em prol da destruição dos paradigmas estéticos tradicionais? Qual seria a sua reacção reaccionária (passo a tautologia), Sr. Tiago Geraldo?

 

Anonymous R.S. said ... (5:08 da tarde) : 

Sr. Lugones, parece-me que existe uma deficiência na sua capacidade de interpretação do Sr. Tiago G., este texto não é uma crítica à arte da Sra. Frida, é, isso sim, uma crítica a uma narrativa ideológica criada a partir da sua arte por parte dos pseudo-intelectualóides de esquerda.
Obrigado pelo texto! De uma vez por todas que se deixe de demonizar injustamente os EUA.

 

Blogger Lugones said ... (5:39 da tarde) : 

Caro R.S.:
Cito: «Sou estupidamente incapaz de perceber tamanha fúria e desespero. Há modelos que me comovem. Um modelo é por definição frágil e complexo. E é em larga medida isso que revela a sua superioridade sobre uma originalidade secreta, presumida e extravagante.» - parece-me claramente um juízo estético feito na ignorância (pelo menos usa o advérbio "estupidamente") e não um manifesto contra as interpretações dos «pseudo-intelectualóides de esquerda». É que eu também desconfio logo de quadros transformados em bandeirinhas.
Cumprimentos.

 

Anonymous Tiago Geraldo said ... (5:57 da tarde) : 

Eu não passei procuração ao R.S. mas ele (ou ela) acabou por dizer o que tinha de ser dito.

Caro lugones, a atitude de Frida (com reflexo evidente na arte) serve de projecção ideológica para muita gente e a dialéctica dos oprimidos perspassa por todo o lado. Não fiz, obviamente, qualquer juízo estético - até porque não basta sensibilidade e bom senso. Coisas que fatalmente falham também em si e nesses comentários labregos.

 

Anonymous Tiago Geraldo said ... (6:01 da tarde) : 

Se a exposição fosse sobre Caravaggio e se soltasse o bruá e a raiva sopitada a que tenho assistido, acredite que criticava à mesma este país de modas.
Estes súbidos interesses pela arte causam-me náuseas.

 

Blogger quarentaom said ... (6:22 da tarde) : 

APELO em divulgação:

ÚTEROS ARTIFICIAIS: Uma Investigação Cientifica Prioritária


As Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas têm de Assumir a sua História!!!

As Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas têm de Assumir que a SOBREVIVÊNCIA não caiu do céu!!!
As Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas têm de Assumir que a SOBREVIVÊNCIA só foi possível graças a um Largo Trabalho Sociológico...... nomeadamente, uma Boa Gestão dos Recursos Humanos...... nomeadamente, o facto de elas terem conseguido MOTIVAR os machos sexualmente mais fracos no sentido de eles se interessarem pela SOBREVIVÊNCIA da SUA Identidade!!!
Dito de outra forma, agora que possuem as 'costas quentes' - graças à existência de Armas de Alta Tecnologia - as Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas não podem... pura e simplesmente... deitar os machos sexualmente mais fracos... para o 'caixote do lixo' da sociedade!!!!!!......


Como seria de esperar, o FIM do Tabú-Sexo está a provocar o Declínio Acelerado de muitos Povos Tradicionalmente Monogâmicos...
Com o FIM do Tabú-Sexo veio a acontecer aquilo que seria exactamente de esperar: a percentagem de MACHOS SEM FILHOS disparou... e... exactamente como seria de esperar... os machos de maior sucesso passaram a ter filhos de sucessivos casamentos...


Com o fim do Tabú-Sexo também vieram a suceder os seguintes fenómenos:
-1- a proibição da Poligamia passou a ser uma coisa que JÁ NÃO FAZ SENTIDO; de facto, basta observar o seguinte: muitas fêmeas das Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas passaram a procurar machos de melhor qualidade... oriundos de Sociedades Tradicionalmente Poligâmicas...
[ Nota: Nas Sociedades Tradicionalmente Poligâmicas apenas os machos mais fortes é que têm filhos... ou seja... estas Sociedades procuram seleccionar e apurar a qualidade dos seus machos... ]
-2- muitos machos das Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas passaram a ir à procura de fêmeas Economicamente Fragilizadas... oriundas de outras Sociedades...
[ Nota: Aqueles machos ( dotados de Boa Saúde... ) que não estão interessados em seguir este caminho..., devem possuir o LEGÍTIMO Direito de ter acesso a Úteros Artificiais ]


Mais, a Prostituição deve ser uma actividade rigorosamente controlada pelo Estado... de forma a que:
-1- seja concedido às profissionais do sexo todas as condições consideradas necessárias...
-2- os lucros obtidos com a exploração da 'Prostituição de Luxo'... possam comparticipar uma 'Prostituição a Custos Controlados'... mais barata ( para os Machos Sexualmente Mais Fracos - rejeitados pelas Fêmeas ) ... e sem 'beliscar' a dignidade das profissionais do sexo.





ANEXO: A origem do TABÚ-SEXO

--- Nos tempos mais antigos... as mulheres teriam possuído toda a Liberdade e Independência.

--- Depois, mais tarde, pela necessidade de luta pela sobrevivência... ou ... pela ambição de ocupar e dominar novos territórios... alguém fez uma descoberta extraordinária: --> A REPRESSÃO DOS DIREITOS DAS MULHERES!
--- A Repressão dos Direitos das Mulheres tinha como objectivo tratar as mulheres como uns meros 'úteros ambulantes'... para que... as sociedades ficassem dotadas duma VANTAGEM COMPETITIVA DEMOGRÁFICA!!!!!!
--- De facto, quando as guerras eram lutas 'corpo-a-corpo' o factor numérico ( número de combatentes disponíveis ) era de uma importância decisiva... visto que...esse factor era ( frequentemente ) determinante na decisão das Batalhas e das Guerras...

--- Depois, pela necessidade de luta pela sobrevivência... ou ... pela ambição de ocupar e dominar novos territórios... alguém fez uma nova descoberta extraordinária: --> O TABÚ-SEXO!
--- O Tabú-Sexo tinha como objectivo proporcionar uma melhor rentabilização dos Recursos Humanos da Sociedade!?!?!?!...
--- De facto, o Ser Humano não é nenhum Extraterrestre: tal como acontece com muitos outros animais mamíferos, duma maneira geral, as fêmeas humanas são 'particularmente sensíveis' para com os machos mais fortes...
--- Analisando o Tabú-Sexo:
- a sociedade dificultava o acesso das mulheres à independência económica;
- as mulheres que não casassem eram alvo de crítica social...
[ portanto... como é óbvio... as mulheres eram 'pressionadas' no sentido do Casamento ]
- não devia haver sexo antes do Casamento;
- as mulheres não deviam procurar obter prazer no sexo;
- as mulheres que se sentissem sexualmente insatisfeitas, não podiam falar nesse assunto a ninguém, pois o desempenho sexual dos machos não podia ser questionado;
- era proibido o divórcio;...
...........torna-se óbvio que o Verdadeiro Objectivo do Tabú-Sexo eram montar uma autêntica armadilha às fêmeas... de forma a que... estas fossem conduzidas a aceitar os machos sexualmente mais fracos!!!
--- Dito de outra forma, o VERDADEIRO OBJECTIVO do Tabú-Sexo era proceder à integração social dos machos mais fracos!!!

--- Nota: Quando as guerras eram lutas ' corpo-a-corpo', para além do factor numérico ser de de muita importância... frequentemente... o que decidia as guerras era a MOTIVAÇÃO com que os combatentes ( os homens ) lutavam...
--- Concluindo, ao permitir que fosse realizada uma Boa Gestão dos Recursos Humanos da Sociedade... o Tabú-Sexo fez com que... as sociedades ficassem dotadas duma VANTAGEM COMPETITIVA!!!...

MAIS:
--- Quando as batalhas eram lutas corpo-a-corpo... essas batalhas seriam autênticas carnificinas... portanto... era necessário uma grande disciplina... para não existirem homens cada um a fugir para o seu lado...
--- Ora, os responsáveis militares, da altura, não andavam a dormir... e sabiam que para se construir um exército disciplinado era necessário realizar previamente um Largo Trabalho Sociológico de Longo Prazo... no sentido de formar 'Homens Rudes'...; portanto, não é de admirar que tenham surgido na sociedade ' frases-feitas ' do tipo:
- " um homem nunca chora ";
- " não és homem não és nada se... ";
- " a tropa foi feita para os homens ";
- etc...

Que eu me lembre... eis três casos curiosos:
-1- as mulheres tinham de ficar em casa a cuidar dos filhos ( ou seja, era necessário assegurar a Capacidade de Renovação Demográfica...) , caso contrário, o inimigo impunha uma Guerra de Desgaste Demográfico... e ao fim de uma geração ( sem Renovação Demográfica do ‘outro lado’... )... ganhava a guerra 'com uma perna às costas'.
-2- as viúvas não podiam voltar a casar... pois... não era nada benéfico para a moral dos combatentes... eles pensarem que... se eles viessem a morrer no campo de batalha... depois a mulher ia 'curtir' com outro...
-3- existia uma forte repressão sobre os homossexuais... visto que ... a Sociedade necessitava de 'Homens Rudes' para combater nas batalhas ( autênticas carnificinas de lutas corpo-a-corpo... ).

 

Blogger zazie said ... (6:23 da tarde) : 

ahahhahah o Geraldo é um humorista

":O))))

estava a fazer falta um assim na equipa

 

Anonymous MP-S said ... (6:55 da tarde) : 

"a atitude de Frida (com reflexo evidente na arte) serve de projecção ideológica para muita gente e a dialéctica dos oprimidos perspassa por todo o lado."

Mas, valha-nos Deus, ca' temos o sr. Tiago Geraldo e o sr. rs, em encarnacao de comissarios ideologicos maiostas, para esclarecer e acalmar os espiritos mais impressionaveis. Ficamos, assim, todos mais descansados.

 

Anonymous Roteia said ... (7:50 da tarde) : 

Caro Tiago Geraldes:

Disse: "Estes súbitos interesses pela arte causam-me náuseas".

Admitindo que a sua frase seja simplesmente uma provocação, creio que mesmo assim é uma afirmação um tanto ridícula. E grave, sendo publicada no circuito jornalístico da blogosfera.
Mas porquê grave? Porque no mais periférico dos países europeus, não apenas em termos geográficos mas também artísticos e culturais, ainda que a arte se tivesse tornado apenas moda teríamos muito que agradecer aos deuses. Infelizmente tal milagre está por acontecer. Continuamos a ter os mais baixos índices de hábitos culturais da Europa, próximo de países do terceiro mundo.
E porque é que os espanhóis não param de investir em arte, incluindo na arte portuguesa?
Agora não diga que esta situação terceiromundista não lhe causa nem uma pontinha de náusea. Ou então, por favor, queira explicar porque é que a arte, ou o interesse por arte (súbito, lento, gradual ou outra coisa qualquer), o repugna a esse ponto.

 

Anonymous Roteia said ... (7:57 da tarde) : 

Só mais uma coisinha a propósito da natureza imperfeita do capitalismo: Os EUA, são os maiores investidores mundiais em arte. Digo investidores no sentido em que adquirem, conservam mostram, e divulgam obras de arte. Como nenhum outro país. Será que não têm mais nada a fazer ao capital, ou será que por lá a arte também se tornou moda?

 

Anonymous Tiago Geraldo said ... (8:19 da tarde) : 

O problema deve ser meu, dada a manifesta incapacidade de compreender este post.
Quando falo em país de modas não faria sentido contrapor um conceito de «arte» em geral. O que digo é que, balançada por certos eventos, a cultura em Portugal vive de modas. O que digo é que depois da Paixão de Cristo a venda de Bíblias aumentou exponencialmente. E que isso, sendo obviamente legítimo, não me agrada por aí além.

 

Anonymous Roteia said ... (8:46 da tarde) : 

Bom, mas os fenómenos artísticos estão realmente sugeitos a modas. E as modas são provocadas pelos mercados, para o bem e para o mal.
Agora continua sem explicar porque é que os eventos culturais em Portugal constituem moda. É que não se dá por nada. E que bom seria para ajudar financeiramente as instituições de arte (CCB, Museus, etc.).
Conto-lhe uma experiência: Aqui há uns anos atrás fui a Madrid convencido que iria ver uma grande exposição de Velasquez no Museu do Prado. Não vi... porque a fila para as bilheteiras tinha mais de um quilómetro. Percebi nessa altura que as bilheteiras estavam a vender entradas para as semanas seguintes. Em Portugal filas destas só se for à entrada dos estádios. Por causa da moda do futebol, já se vê.

 

Anonymous Anónimo said ... (10:29 da manhã) : 

“Sou estupidamente incapaz de perceber tamanha fúria e desespero.”

Está a ser demasiado severo consigo próprio, Tiago Geraldo. Acho que percebeu bem o fenómeno. A Frida Kahlo passou a vida a tentar posar para o Medina ou o Eduardo Malta para fazer a capa do Vanity Fair. Como não o conseguiu, tornou-se comunista e desatou a fazer quadros feios. Sei lá. Bejinhos.
caramelo

 

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