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quinta-feira, março 02, 2006

Old Skool II

Em Inglaterra, pais, empresas e grupos religiosos vão poder gerir as escolas públicas. Por proposta do Partido Trabalhista. Isto é a confissão do fracasso de uma geração de "educadores" (em Portugal, gente como Veiga Simão, Roberto Carneiro, Marçal Grilo e por aí fora). Em primeiro lugar, o ensino do Estado, de que se esperava a famosa "igualdade de oportunidades", é uma terrível fonte de desigualdade: as escolas são melhores ou piores, conforme os bairros são ricos ou são pobres. Em segundo lugar, a qualidade média do ensino desceu de tal maneira que ir ou não ir à escola se começa a tornar indiferente. Para salvar a Inglaterra da iliteracia (ou mesmo da "idiotia funcional"), Tony Blair tem agora de reinventar uma espécie de ensino "privado".Quando os governos ou os partidos portugueses nos buzinam aos ouvidos que a educação (ou a "formação") nos vai salvar e nos propõem mais uma reforma para finalmente melhorar as escolas, seria bom que nos lembrássemos do erro histórico que hoje está à vista.

A reforma de Blair (com oposição de metade do Labour e apoio substancal dos Tories) é uma reforma beneficamente progressista. Pode ser, como diz Vasco Pulido Valente ali em cima, uma fuga para a frente resultante da confissão do fracasso, mas são assim que se descobrem os grandes remédios.

Em Portugal, a reforma necessária, para já, é uma reforma reaccionária. A escola pública portuguesa é um espaço que varia alegremente entre o inócuo e o pernicioso. Quer ensinar o que não pode, o que não consegue e o que não deve. Desdenha crescentemente das línguas estrangeiras, da História, da Filosofia, da Literatura, enquanto aposta em ideias alegadamente salvíficas como a "educação sexual" e a "educação para a cidadania" (esta tresanda tanto a Manuel Alegre que até provoca náuseas). A escola pública portuguesa (é a que eu conheço) desitiu de promover os conhecimentos estruturantes de qualquer intelecto (um mínimo denominador comum a partir do qual se constrói a liberdade de qualquer um) e optou por um modelo maximalista, normalizador e - sim - totalitário. Em Portugal, não se quer preparar para a vida; quer-se condicionar a vida. E, nesta vertigem igualitária, acabou, igualmente, por destruir qualquer noção de autoridade. Os alunos estão representados em tudo, são escutados para tudo, decidem tudo e não obedecem a nada.

Para concluir o que disse aqui, a reforma necessária é a que recupere a centralidade das matérias clássicas nos curricula e a autoridade dos professores. Só assim estes demonstrarão o brio profissional que a Ministra reclama. Como está, a escola pública portuguesa é tudo menos recomendável. Quanto menos tempo a criançada lá passar, melhor. E a falta de um professor é uma bênção para todos nós


[FMS]

Comments on "Old Skool II"

 

Blogger Pedro Picoito said ... (1:59 da tarde) : 

Excelentes posts. O naufrágio da escola pública é hoje, realmente, um dos mais dramáticos bloqueios da sociedade portuguesa. Há quem não se dê conta disso e insista nas velhas receitas para o desastre. Talvez até não haver nada a fazer. A minha única esperança é que, nessa altura, vão lembrar-se todos da querida sociedade civil. Como em Inglaterra.

 

Blogger Moita said ... (2:57 da tarde) : 

No Brasil, as escolas particulares já existem há muito tempo, mas criaram uma situação exdrúxula. São muito boas e muito caras.

Só estudam os ricos e riquissimos, o que aprufunda mais ainda as diferenças das classes sociais.

O berço da desigualdade está na desigualdade do berço.

Abraços

 

Anonymous Mário Gabriel Pinto said ... (3:09 da tarde) : 

Sim, é verdade que o ensino em Portugal padece de inúmeros defeitos. Mas, e o outro "lado da moeda"?
É que para mim, a escola pública tem a vantagem de não distinguir, isto é não separa ricos e pobres, sexos, religiões, e costumes....Uma escola privada ou gerida pela sociedade civil não poderá vir a ter o problema de se tornar num "condominio privado", imune ao que está "lá fora"? Imagi-ne: uma escola gerida por ex. por um grupo religioso (pode qualquer um), não poderá vir a ser uma escola que regrida nalgumas das conquistas do ensino público?! Poderemos vir a assistir a uma escola que separe os sexos, que ensine o "criacionismo", que defenda os castigos corporais, que defenda apenas certos autores/ideias/posições históricas?! Estou a ser demasiado paranóico?! É verdade que a nossa Constituição ao impor a gratuidade do ensino ou no acesso à saúde peca por exagero, mas o Estado não deve "assegurar" um núcleo duro de matérias que permita evitar desigualdades ou exageros?

 

Anonymous Jorge Cruz said ... (5:09 da tarde) : 

Caro Mário G. Pinto,

Não creio que a escola pública não separe ricos e pobres. Pelo contrário: para poder escolher uma escolha melhor para um filho, posso ter de mudar de bairro (para aceder pelo critério de residência a uma escola pública melhor) ou colocá-lo num colégio privado, pagando duas vezes a escola dele (uma no IRS, e outra directamente). Ambas as alternativas são inviáveis para a maioria dos portugueses.

Também não creio que não separe religiões. As escolas públicas não têm uma posição tolerante ou isenta sobre a religião: têm uma agenda anti-religiosa, menorizando e tratando de forma paternalista qualquer espécie de crença, tanto nos programas como na mentalidade da maioria dos docentes (excepto a crença na omnipotência e bondade do Estado...).

Por último, creio que está a assumir uma coisa importante no seu raciocínio: que o Estado constitui um padrão de qualidade que se pode (e, em alguns casos, deve) sobrepor às escolhas livres dos cidadãos. Ora o Estado comete muitos disparates na escolha dos programas e enviesa a forma como os conteúdos são apresentados. Quando estudei no secundário, há meia dúzia de anos, os programas de introdução à economia eram uma verdadeira agenda política anti-capitalista e anti-americana que culpava o comércio internacional pelo subdesenvolvimento do 3º mundo, e nos programas de história falava-se até à exaustão da Revolução Francesa e do "bem comum", sem sequer mencionar a origem do liberalismo e do primado do indivíduo em Inglaterra. Dois exemplos, de muitos. Portanto, a defesa de certos autores e suas orientações políticas já domina. Quanto ao creacionismo, devolveria a questão com uma provocação: neste momento, uma teoria bastante "esburacada" como o Darwinismo continua a ser apresentada nas escolas como um "dogma de fé" inquestionável. Será que com a liberalização do ensino passaria a haver mais espírito crítico?

 

Anonymous Mário Gabriel Pinto said ... (5:37 da tarde) : 

Caro Jorge Cruz,
Reconheço que o ensino "estadual" tem muitos defeitos, aliás comecei por dizer isso mesmo no comentário anterior. No entanto, continuo a considerar o Estado mais "isento" do que qualquer grupo de cidadãos. No que toca à religião, (mesmo sendo eu católico e tendo frequentado Religião e Moral até ao fim do secundário), acho que o Estado não deve "tomar partido" e nem devia haver uma "disciplina" religiosa na escola. Aliás, nem concordo consigo quando diz que o estado toma uma posição anti-religiosa. A grande maioria das escolas tem Religião e Moral (pode-se optar frequentar ou não), que só aborda o catolicismo! E os outros?! Olhe, falou-se muito aqui à uns tempos de haver uma "disciplina" que abordasse a questão da educação sexual. Não seria necessária?! Não somos o País da U.E (dos antigos 15), onde as infecções pelo HIV mais aumentam?! E porque é que a ideia não foi para a frente? Porque somos um país de falsos moralismos, e onde grupos de pais vieram logo levantar voz, com medo que lhes pervertessem os filhos!! Concordo consigo que muitas das opções do Estado são erradas ou exageradas, mas confio mais no Estado do que num grupo de pessoas. A História infelizmente está cheia de maus exemplos....

 

Anonymous Anónimo said ... (12:31 da manhã) : 

Eu saí do secundário há apenas um ano e meio e sinto tantas lacunas na minha educação. Quando comparo com amigos que tiveram acesso a educação nas chamadas escolas internacionais e que fizeram o IB, por exemplo, o fosso é tão grande entre a educação que eu recebi e a deles. É assustador.

Em relação ao Darwinismo (como é um exemplo que é mais próximo da minha área sinto-me mais à vontade), há inúmeros cientistas e investigadores por este mundo fora que não acreditam. Fazendo o espírito crítico parte de tudo (inclusivé do espiríto científico) parece-me parvoíce apresentar tudo como sendo um dogma.

E uma coisa que eu "adoro" é aprender algo no secundário para depois chegar à faculdade e ver que, afinal, não era tão linear nem tão absoluto como nos queriam fazer parecer. Às vezes, nem tem nada a ver. É um processo de reaprendizagem contínuo.

Em relação a exemplos relativos à História (que eu só tive até ao 9º ano) nunca ouvi falar numa aula de outros liberais para além dos da Revolução de 1820 (e eu era mto boa aluna a história por isso saberia caso o tivessem mencionado).

 

Anonymous Nuno Ferreira Martins said ... (12:34 da manhã) : 

"confio mais no Estado do que num grupo de pessoas" MGP.

Caro MGP,

Esta sua citação coloca-nos desde logo em total oposição. Essa mentalidade omni-estatalista portuguesa, fruto aliás de uma concepção esquerdista da teoria geral do estado, a que a direita cobardemente aquiesceu nos momentos mais críticos, conduziu-nos exactamente onde nos encontramos hoje. Bom, de facto somos hoje em dia um dos 25 países da UE. Mas em que lugar precisamente nos encontramos hoje? E em que lugar nos encontraremos amanhã? Culpei a esquerda de uma síndrome de "estatite" aguda, mas fui porventura injusto: lembre-se da margem de manobra que a iniciativa privada teve durante o Estado Novo. Tanto Cunhal como Salazar; tanto Vasco Gonçalves como o cardeal Cerejeira acreditavam mais no Estado do que num grupo de pessoas. Não era isso que os afastava. Julgo não ser isso que o aproxima, amigo MGP, às pessoas que citei, ou aos seus apaniguados. Agora, estarmos em pleno século XXI, a tentar construir um "wellfare state", quando todos os países aos quais fomos copiar esse modelo já laboram em pleno estado pós-social, parece-me mais um evidente sinal do nosso atraso congénito. (A propósito: não lhe parece que esta história do TGV é um tema vagamente "fontista"? E todavia, lá andamos nós a projectá-lo para as (vindouras) calendas gregas). Portugal necessita de uma série de "saltos civilizacionais" que nos coloque, quanto mais não seja mentalmente, a par dos nossos congéneres ocidentais. E um desses saltos parece-me ser a confiança que os portugueses têm de atribuir aos agentes não-estatais. Outro desses passos é destruir o mito do "paradise lost" miltoniano da (dis)função pública, eventualmente para alcançarmos o "paradise regained" da administração pública que todos desejamos. E antes de tudo, caro MGP, o ensino (fala-lhe um professor), essa pedra basilar de qualquer estado evoluído (espero não ser confundido com as fugazes paixonetas do engenheiro Guterres!). Não seria altura do Estado se deixar de atitudes proto-paternalistas no que ao ensino concerne, e legar, de uma vez por todas essa missão aos órgãos vivos da sociedade portuguesa, tivessem eles o direccionamento ideológico que tivessem. Afinal de contas, parece-me que em pleno século XXI, as funções mais óbvias do Estado devem ser a fiscalizadora, mas sobretudo a planificadora.

 

Anonymous Anónimo said ... (12:37 da manhã) : 

Cara anónima da 12:31,

Vá-se preparando, se para isso quiser prestar atenção, às sucessivas "descobertas" de coisas que não lhe disseram nas aulas de história no secundário. É que isto do ensino público não ter orinetações ideológicas, tem que se lhe diga...

 

Anonymous Mário Gabriel Pinto said ... (10:17 da manhã) : 

"Afinal de contas, parece-me que em pleno século XXI, as funções mais óbvias do Estado devem ser a fiscalizadora, mas sobretudo a planificadora."

Caro Nuno Ferreira,
Não podia estar mais de acordo!Não sou um crente absoluto nessa entidade que é o Estado :-)
Todavia, o que quis exprimir vai basicamente de encontro a este seu último parágrafo. O Estado até pode "prescindir" da responsabilidade de proporcionar Educação aos seus cidadãos (embora eu continue a achar que a educação pertence ao "núcleo duro" de responsabilidades do Estado), mas caso o faça, como em Inglaterra, ao menos que balize muito bem a maneira como essas escolas irão funcionar! Não sendo um crente do Estado, infelizmente também não o sou das pessoas....

 

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