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segunda-feira, março 20, 2006

O Acidental à escuta

REPRESSÃO EM CUBA. ‘O calor da Primavera’, de Raúl Rivero.

«No autocarro que nos levava para a prisão, uma manhã de Abril de 2003, perguntei ao poeta e jornalista Ricardo González Alfonso qual havia sido para ele o momento mais duro durante o fulminante processo que nos condenou a passar 20 anos na prisão por escrever e dar opiniões no país em que nascemos. ‘A noite em que puseram na minha cela o rapaz que iam fuzilar no dia seguinte’, disse-me, e meteu a cabeça entre as mãos, muito juntas por obra e graça das algemas. Muito juntas, como se fosse começar a rezar. ‘O que é que lhe disseste, de que é que falaram essa noite?’

Fiquei calado, não falamos de quase nada. Ele era um homem sem crenças religiosas e iam matá-lo ao amanhecer. O que é que lhe podia dizer? Creio que, quando o foram buscar e ele se levantou do beliche, senti que algo de mim ia com ele. É assim, a vida. O azar ou a ambição e a maldade de um ditador levam-te a lugares que não queres, em viagens reais ou sonhadas.

Este sábado [18 de Março], eu, que sou só um homem livre devido à Espanha e por vontade de muitos homens livres no mundo, viajo às prisões onde 60 amigos meus, 25 deles jornalistas, estão há 36 meses fechados a cadeado apenas porque a sua maneira de ver o mundo (o seu mundo) não coincide com a do Governo que Cuba tem desde os anos 50 do século passado. Fazem hoje três anos que aconteceu ali a Primavera Negra e continuam obscuros e nocturnos os Verões e os leves Invernos, e o Outono, desapercebidos.

Lá estão Ricardo González e Pedro Pablo Alvarez, no Combinado do Leste, de Havana, empenhados em escrever poemas atrás do ferro das grades pintadas com alcatrão. Lá estão Luís Milán e José Rámon Castillo, a rabiscar sonetos na prisão de Santiago de Cuba, e Normando Hernández e Horácio Piña, na de Pinar del Rio, doentes, amontoados, em perigo. No centro do país, próximo de Varadero, com os seus 22 quilómetros de espuma e água azul, Ariel Sigler Amaya, condenado a 25 anos, mas mais atormentado por a sua mãe, uma anciã octogenária, ter a casa cercada por turbas governamentais que a insultam [os chamados ‘actos de repúdio’, frequentes nos anos 80, agora de regresso]. Lá estou, com todos eles, hoje e até ao dia em que chegue a liberdade.»


Esta crónica é inédita em linha e foi hoje publicada na imprensa portuguesa e estrangeira. Raúl Rivero é jornalista e poeta cubano. Cumpriu 2 anos de prisão, depois de uma ofensiva das autoridades de Havana contra 75 dissidentes e jornalistas independentes. Reside, exilado, em Madrid.


Publicado por Tiago Barbosa Ribeiro, no Kontratempos, um blogue recentemente criado e a seguir com muita atenção.

[PPM]

Comments on "O Acidental à escuta"

 

Anonymous Anónimo said ... (1:06 da tarde) : 

É triste de facto, mas se ele continua a levantar a palheta os americanos levam-no de avião para guantánamo, ou de taxi, afinal é mesmo ali ao lado, e bem pior.

 

Anonymous C.A.R. said ... (1:50 da tarde) : 

Um testemunho de arrepiar.Penso que os vividos pelas maiores vítimas da PIDE não poderão ser piores;então porque é que os nossos pseudo"democratas"só falam destas,se uns estão tão privados de liberdade como outros?

 

Anonymous C.A.R. said ... (2:09 da tarde) : 

...ou seja-lamento,profundamente,que num país democrático como o nosso, quando se fala em privação de liberdade haja dois pesos e duas medidas(antes que alguém me acuse de sectarismo-condeno qualquer atentado à liberdade SEJA EM QUE PAÍS FOR...)

 

Anonymous Nuno Ferreira Martins said ... (4:09 da tarde) : 

Isto é, em última instância aquilo que nós (leia-se, a direita: seja ela nacionalista, conservadora ou liberal) rejeitamos, e que nos faz divergir da extrema-direita, da extrema-esquerda e da esquerda politicamente correcta: para a direita não há, nem pode haver, boas ditaduras!
Quando um dia Fidel Castro cair da cadeira o mundo será seguramente um sítio muito mais seguro e muito melhor para viver!

 

Anonymous Nuno Ferreira Martins said ... (4:15 da tarde) : 

Numa reunião do Comité Central do PC Cubano um dos assistentes adormece em plena digressão oratória do "caudillo".
Minutos mais tarde irrompe um rato pela sala adentro. Os camaradas desatam todos a gritar: "Matem-no! Matem-nos!".
O camarada adormecido acorda sobressaltado e grita imediatamente: "Sim, sim, matem-no! E matem o irmão também!

 

Anonymous Nuno Ferreira Martins said ... (4:20 da tarde) : 

Um cubano e um católico encontram-se. Pergunta o cubano ao católico:
"Olha lá, tu acreditas nisso [no cristianismo]?" E o católico retorque: "Sim, acredito mas não pratico." O católico pergunta então ao cubano: "E tu, acreditas nisso [no castrismo]?" E responde o cubano: "Não acredito mas pratico!"

 

Anonymous Anónimo said ... (7:08 da tarde) : 

Como mais uma vez se comprova, a argumentação da direita baseia-se no caceteirismo e no piada pouco inteligente. É sintomático. A direita francesa despenalizou o aborto, a direita portuguesa ainda está na fase da arte rupestre. E nunca se viu a esquerda em Portugal incendiar as sedes dos outros.

 

Anonymous Nuno Ferreira Martins said ... (8:36 da tarde) : 

COPCON diz-lhe alguma coisa?
E Conselho da Revolução?
E FP-25? Também não?
E ARA? E as Brigadas revolucionárias? O "anônimo" é obviamente de esquerda. Nunca compreendi é por que carga de água é que para se ser de esquerda se tem de ter memória curta... Ah, é verdade, o "anônimo" não condenou a ditadura de Castro! Talvez para o "anônimo" também existam ditaduras boas e ditaduras boas. Quando chegar a democrata avise, ok?

 

Anonymous António said ... (11:15 da tarde) : 

PPM se descobrires algum poema do poeta cubano Raúl Riveron, não te acanhes publica. Já agora sempre era bom apreciar os dotes poéticos desse senhor

 

Anonymous Nuno Ferreira Martins said ... (12:16 da tarde) : 

Ficámos agora a saber que, para denunciar atentados aos direitos humanos é necessário saber compor alexandrinos e/ou decassilábicos...
Ah, esta esquerda, sempre preocupada com a educação do povo... O que seria de nós sem vocês, caro camarada António!

 

Anonymous António said ... (10:56 da tarde) : 

Camarada Nuno Ferreira Martins, não é necessário saber compor alexandrinos e/ou decassilábicos para denunciar atentados aos direitos humanos...mas basta ser anti-cubano para se ser poeta? ou será isto um atentado à inteligencia, que parece rariar para os lados dos amigos da casa branca

 

Anonymous José Emílio Rosário said ... (11:10 da tarde) : 

"nunca se viu a esquerda em Portugal incendiar as sedes dos outros."

Deixa-me rir, não se viu outra coisa. Incendiar, espancar, insultar. Vão brincar com os vossos pais.

 

Anonymous Nuno Ferreira Martins said ... (11:23 da tarde) : 

Oh António, deixe-se de merdas e responda frontalmente:
Cuba é ou não é uma ditadura?
Castro é ou não é um ditador?
E o meu amigo: apoia Castro ou é contra ele?
A partir daqui discuto poesia consigo quando quiser num salão de chá perto de si.

 

Anonymous Anónimo said ... (10:12 da manhã) : 

Camarada Nuno se se for anti-cubano é se logo poeta??? Tenho para mim que com a sua linguagem também deve ser um grande poeta. Já agora, para si os EUA são uma DEmocracia???

 

Anonymous Nuno Ferreira Martins said ... (7:34 da tarde) : 

Caro "anônimo",

Suponho que seja o "antónio" do post anterior. Por que não usou o seu nome neste?
Reparo que não respondeu às minhas perguntas. Foram demasiado directas?
Ou devo supor que apoia Castro e a ditadura cubana?
Bom, o meu amigo me há-de esclarecer estas minhas inquietações. Eu, todavia, respondo-lhe frontalmente à sua pergunta:
Quer queira, quer não, quer goste ou não de Bush, os EUA são uma democracia. Tomara aliás que os cubanos vivam algum dia num regime semelhante ao dos EUA. Espero que o meu amigo não venha com aquela história do candidato mais votado não ter sido o eleito. Antes de escrever esse argumento aconselho-o a ler qualquer manual de sistemas eleitorais (aconselho-lhe particularmente o de Maurice Duverger). Os EUA têm um sistema eleitoral muito diferente do nosso. Contudo, e se bem sabe, esse mesmo sistema foi um dos equacionados para Portugal aquando do travejamento da Assembleia Constituinte. Poupo-lhe a exposição por ser demasiado ridículo ter de dar lições sobre sistemas eleitorais a uma pessoa que (julgo) tem consciência crítica do mundo que o rodeia. Pelo que deduzo para si há ditaduras às quais se pode condescender. Ao contrário de um fascista ou de um comunista, um democrata tem poucas certezas, talvez mesmo apenas uma: a de que as ditaduras são todas condenáveis, quer as de extrema-direita, quer as de extrema-esquerda. E penso que o antónio nisto não pode concordar comigo.
Lembro-lhe que numa democracia, como Portugal, e como os EUA, a sua opinião é tolerada, escutada e permitida. Em ditaduras como as de Cuba, um mero desvio de opinião leva-lo-ia ao cárcere ou ao desterro para o fuzilamento. E nisto, caro António, nunca estarei de acordo consigo.
A propósito, e voltando ao início: não compreendo porque não assume a sua identidade. Tem medo de ser perseguido? Olhe que ao contrário do que dizem as cassetes esquerdófilas a "longa noite fascista" já caiu. Se me permite um conselho: saía da clandestinidade, venha apreciar a democracia, porque como diria o Corto Maltese: Rien n´est éternel sauf le goût de la liberté..."

 

Anonymous Anónimo said ... (8:18 da tarde) : 

Caro Nuno.

Quando falo de Democracia, não falo de Democracia meramente formal que na prática corresponde a uma brutal ditadura do capital, Falo no direito a ter condições dignas de vida, falo no direito a ter acesso à saúde, ter acesso ao ensino, ter direito ao emprego, ter acesso aos meios de comunicação par poder expressar os meus pontos de vista, ter direito a segurança e policias ao serviço de todos. Um estado que quando surge um tornado ou qualquer outra catástrofe que me atinja, venha em meu auxilio e não esteja só ao serviço de quem tem muito, mas muito dinheiro. Quando falo de Democracia, falo no respeito pela soberania dos outros povos e não em estados arrogantes que se arvoram no direito de decidir quem deve ou não deve estar a governar outras nações. Quando falo em Democracia falo em governantes que não têm as mãos cheias de sangue, que roubem as riquezas dos outros povos. Autenticas sanguessugas da humanidade.
Mister Bush, mesmo não tendo sido o mais votado nas primeiras eleições (o que não está em causa), ainda teve que aldrabar os resultados (na Califórnia), o que fez com que acabasse por ser eleito por decisão do tribunal e não por uma decisão clara e inequívoca do povo, em qualquer país minimamente democrata dava direito à repetição parcial das eleições.

Quanto ao Anónimo deve ter sido uma gralha ou lapso (meu) ao enviar o comentário, nada de mais complicado que isso, até como facilmente deduziu, era eu que comentava.

 

Anonymous Antonio said ... (12:06 da tarde) : 

???????????

 

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