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quinta-feira, março 09, 2006

Consultório sentimental

Diria que podia nos dizer porque não gosta dele, ou será mais um dos que ainda não perceberam porque é que um Flopes foi demitido? Leitor não identificado

Estimado anonymous,

No país do lambe-botismo institucionalizado percebo que as minhas palavras lhe sejam estranhas. Era suposto o presidente sair em ombros da praça. Ele, pelo menos, bem tem tentado ver se alguém lhe pega.

Mas tento explicar. No Portugal depois de Abril não há relato de crise tão duradoura de depressão tão profunda de tão grande falta de esperança no futuro como nos últimos dez anos. Não há sistema de justiça, as finanças públicas são uma anedota e a economia vive por conta do inglês que joga golfe. Enquanto houver construção e especulação imobiliária vamos todos sobrevivendo. Depois disso, logo se verá.

O único ponto em comum destes anos chama-se Jorge Sampaio. Sentado em Belém, com vista para o rio, viu o país meter água. Sabe-se lá porquê preferiu nem tapar o buraco nem sequer falar muito da sua existência. Com vista privilegiada foram dez anos onde tudo o que de mau se passou, passou-se debaixo do seu nariz. Tudo.

E apesar disso exige "sem humildade", como o próprio ontem disse, o reconhecimento pelo trabalho feito. Aqui estou eu, sem humildade, a fazê-lo: O senhor Sampaio entrega o país em pior estado do que o encontrou. Era difícil, deu trabalho, mas o homem conseguiu.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Entendo o comentário sobre Santana Lopes. Teve foi azar no destinatário. É que, para mim, a dissolução da assembleia era inevitável. Por aí, nada a apontar.

Comments on "Consultório sentimental"

 

Anonymous Anónimo said ... (2:34 da tarde) : 

"O senhor Sampaio entrega o país em pior estado do que o encontrou."
Análise profunda esta. Foi ele o responsável pelo "pântano" 115-115, "queijo-limiano" e consequente fuga de Guterres. Foi ele o responsável pelo abandono de Durão Barroso a meio de um mandato que sabia que nunca chegaria ao fim com a herança (governativa) que deixava, num momento particularmente crítico para o País. Foi ele o responsável por uma proposta de executivo (de Santana Lopes, feita pelo PSD) que ignora o modelo da "competição elitista" de Schumpeter, assumindo o poder às custas de um clube de amigos, sem qualquer sustentação. Analisar assim, numa frase, um mandato onde os principais partidos políticos se demitiram das suas funções (apresentar equipas/elites credíveis para governar), os dirigentes políticos fugiram às suas responsabilidades, o poder judicial autónomo cistalizou-se na defesa de interesses coporativos, é no mínimo uma desonestidade intelectual. O que não significa, naturalmente, que a sua actuação não tenha tido pontos negativos. Mas não é possível ignorar as condições em que ocorreu e as responsabilidades dos outros agentes do sistema democrático.

 

Anonymous Anónimo said ... (2:45 da tarde) : 

(Independentemente da "valorização" do mandato de Sampaio, que são "outros 500)...Mas será que depois de se ter culpado Sampaio (porque fez o inevitavel), Barroso (porque aceitou um lugar de + prestígio e + bem pago, ainda por cima longe desta "piolheira", como mtº bem dizia o Sr. D. Carlos) ou, em última análise, os burgueses e a pequena aristocracia em 1383, os arqueiros ingleses em 1385 e os Braganças em 1640, já alguém se lembrou de responzabilizar o PSD, os seus militantes e congressistas, por terem eleito (ou deixarem que fosse "eleito")o Sr. Santana Lopes como vice-presidente do partido? É que talvez convenha lembrar, como, por exemplo a História dos USA comprova em várias ocasiões, que um vice-presidente (de qualquer coisa) pode sempre acabar presidente, pelos insondáveis desígnios do destino, da providência, de um sniper ou de um emprego bem pago... Pelo menos, "lesson to learn for the future"!!!

 

Anonymous Anónimo said ... (3:08 da tarde) : 

Claro, foram as circunstâncias, condições, as conjunturas e as situações. Todos são responsáveis, e ele, o responsável máximo não tem responsabilidade nenhuma. Então para quê elegê-lo? Para quê ter um presidente da república?

O pântano eram os 115-115 ou era o próprio Partido Socialista que andava em roda viva? Seis anos de negócios ruinosos para o estado que só agora começamos a pagar.

E o défice? Aquele que primeiro não existia, que depois passou para pormenor e agora é prioridade?

E o sistema judicial que perdeu o respeito pelo próprio presidente?

E as interferências de governos vários na comunicação social. E o primeiro-ministro a quem lhe é permitido ir embora nomeando sucessor.

e por aí fora e por aí fora...

as circunstâncias, condições, as conjunturas e as situações...Já chega dessa fado!

as circunstâncias, condições, as conjunturas e as situações...somos nós que as fazemos. E eles, políticos, são eleitos especialmente para isso.

RMD

 

Blogger Moacho said ... (3:17 da tarde) : 

Eu acho que não se pode culpar o Dr. Jorge Sampaio por coisas que fogem da sua competência. Os poderes do presidente não são grandes, não são extensivos, não são claros.

O problema é que temos um país está afundado num poço de problemas. O pior disto tudo é que não temos dentro dos partidos políticos alguém que consideremos como um líder, como alguém que possa tomar uma decisão acertada sem ter medo de atingir o primo, o amigo ou que não se ganhe nada com isso.

Acerca dos poderes do presidente da republica ver:

http://esquerdaedireita.blogspot.com/2006/01/o-hobbit.html

 

Anonymous Anónimo said ... (3:47 da tarde) : 

Caro Moacho,

"Os poderes do presidente não são grandes, não são extensivos, não são claros."

Os poderes do presidente são enormes, tão grandes que nem precisa de os exercer, pode apenas influenciar. O não serem claros só pode ser visto como uma vantagem...nas mãos de outra pessoa, claro.

RMD

 

Blogger Moacho said ... (4:12 da tarde) : 

RMD,

eu compreendo quando me diz que são enormes e que não precisa de exercer, podendo apenas influenciar. Mas só é influenciavel quem quer.

Na prática, o Presidente da república tem o poder negativo: o de vetar legislação (quando esta é inconstitucional), tem o poder de dissolver.

Compreendo e não discuto que, se o presidente tivesse mais poder, podia existir a tendência de existir um contrapoder em Belém.

O facto de os poderes não estarem claros na constituição pode ser positivo, como pode ser negativo. O presidente que decide terá que ter ponderação na decisão.

Eu acho que o Dr. Jorge Sampaio cumpriu o seu papel. As decisões de dissolução foram tomadas na altura certa (no caso do Dr. Santana Lopes ele teve o que procurou) e tendo visão política (esperando que o PS se organiza-se).

Por isso, não percebo porque fazem tantos elogios ou críticas ao Dr. Jorge Sampaio. Ele foi um presidente que fez as coisas "by the book", só e simplesmente só.

Ele bem falou de justiça, educação, da necessidade de debate, mas mudou alguma coisa?

 

Anonymous Anónimo said ... (4:13 da tarde) : 

"E as interferências de governos vários na comunicação social. E o primeiro-ministro a quem lhe é permitido ir embora nomeando sucessor." (e outros exemplos)
Concordamos portanto que grande parte da responsabilidade objectiva pelo "... país em pior estado ..." é pelo menos de outros agentes políticos. Na análise que faz parece atribuir a "culpa" de Jorge Sampaio à não denúncia/conivência com estas situações. Sampaio deveria portanto ter denunciado situações e eventualmente demitido governos (Guterres por exemplo) ou o Conselho Superior da Magistratura. E ficava com quê? Uma vez cumprido o seu papel (na sua óptica) que alternativas lhe eram propostas pelo sistema político como é sua função?
Neste contexto fico à espera da corajosa atitude de Cavaco Silva de demitir o Presidente da Região Autónoma da Madeira como sinal de que as coisas vão efectivamente mudar e comportamentos vergonhosos de titulares de cargos públicos não vão continuar a ser tolerados! Sim, porque Cavaco Silva (eu votei nele) não pactuará concerteza com tal desrespeito pela função política que mina a confiança dos cidadãos nos seus representantes.

 

Anonymous Anónimo said ... (4:31 da tarde) : 

Já agora mais uma achega. Na sua análise profunda não vi qualquer comentário à acção fiscalizadora concreta exercída por Jorge Sampaio, esse sim um poder objectivo que tinha e exerceu. Qual a sua apreciação nesse campo da sua actuação? Sendo os seus poderes tão diminutos esta é concerteza uma área da sua inteira responsabilidade onde pode ser confrontado sem desculpas pela sua acção. No entanto não é objecto de nenhuma analise: dá muito trabalho e não gera replies. É muitos mais fácil utilizar frases redondas como "está tudo pior", que fica ao nível de "os políticos são todos corruptos", "os funcionários públicos são uns mandriões", ou "o árbitro do jogo estava comprado". Enfim, análise de taberna.

 

Anonymous Anónimo said ... (6:15 da tarde) : 

Escusa de se eriçar. Eu gosto mesmo de tabernas. Servem bem, são económicas e despretensiosas. Sim, eu gosto de tabernas.

Falou-me na acção fiscalizadora. Qual acção fiscalizadora? Houve fiscalização? Onde? De quê?

Não houve porque Sampaio passou dez anos mais preocupado em preservar o que ele considera ser, "o papel do chefe de estado" que preservar o próprio do estado.

Realidade escarrapachada na preferência do ex-presidente em manter "silêncios" evitar opiniões ou fazer fosse o que fosse. Podia aqui falar da regionalização, do aborto, da questão europeia, da justiça e de milhares de casos concretos onde Sampaio não fez o que podia.

Um presidente não tem de governar, mas tem de presidir. E o nosso sistema foi construído nessa presunção. Sampaio pura e simplesmente não presidiu. E com isso prejudicou gravemente o país.

A culpa é de Sampaio? Claro que não. A responsabilidade sim. É dele, porque só ele foi eleito para o cargo de Supremo Magistrado da Nação. E os resultados dizem que não magistrou o suficiente.

Mais. Se fosse metade do modesto republicano que diz ser, então assumia essa responsabilidade. Mas não. O Senhor Presidente sai tipo herói com grandes elogios porque…era o presidente. Faz sentido. E acima de tudo é um bom exemplo. Mas, se não levar a mal, prefiro a taberna.

RMD

 

Anonymous Anónimo said ... (6:22 da tarde) : 

Caro Moacho,

O poder negativo é mais do que suficiente. Quanto ao poder de influência, é um conceito tão lato, que o presidente pode intervir em quase tudo o que entenda. Ou seja, discordo porque acre Sampaio não fez by the book porque não há book. Preferiu a via minimalista quando o país precisava de alguém. A responsabilidade é apenas dele.

 

Anonymous Nuno Ferreira Martins said ... (7:17 da tarde) : 

Penso que é urgentemente necessário avaliar o desempenho (ou a falta dele) de Jorge Sampaio à frente da mais alta magistratura do Estado. Mas desculpem lá, hoje é dia de festa! Eu, que não votei Cavaco, só me lembro de uma célebre frase do Jorge Coelho: "desta já nos safemos!"

 

Blogger Aestranha said ... (5:58 da manhã) : 

Concordo! Deu trabalho mas o homem esforçou-se e conseguiu! Acho ridículo continuarmos a eleger PR's para fazer passeio e figura lá fora e cá dentro e Sampaio foi o melhor PR que tivemos até hoje sob esse ponto de vista apesar de ser seguido de perto por outro...

Difícil não é fazer alguma coisa e puxar as orelhas ao governo em base diária, difícil é não o fazer e realizar todo um trabalho de de auto convencimento de que a malta tem que se dar em harmonia para as coisas serem bem feitas. Nem um puto de 5 anitos acredita nisso o que dizer do PR de Portugal.

Entre Sampaio e Santana Lopes só me ocorre a definição de estupidez avançada no ensaio sobre a estupidologia humana: " A estupidez não significa a falta de inteligência mas uma enorme e organizada resistência à mesma." Mas isto não fica bem só a estes dois, pode mesmo ser que se aplique à totalidade da classe política não será por acaso que já Sócrates afirmava que o pensamento verdadeiro, o filosófico, não se poderia confundir com o pensamento do homem da pólis a que hoje chamamos politico. Futurologia, não?

 

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