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quarta-feira, fevereiro 15, 2006

São terroristas, mas não são parvos

1.Esta gente, estes islamitas, aqueles que gostam de explodir embaixadas por causa de uns desenhos, até podem não ter uma unidade operacional, mas têm uma unidade ideológica (utopia do Califado mundial) e, temos de ter atenção a isto, estratégica: estas brigadas avançadas da causa islamita querem conquistar estados árabes. Tal como os seus antepassados europeus. Já conquistaram, em 1979, o Irão. Sendo o Irão um estado xiita e persa, o impacto dessa conquista foi “limitado”. Mas, a coisa não será limitada se esta gente conquistar o Egipto, a Arábia ou o Paquistão. E já tiveram mais longe desse objectivo. Bin Laden e afins pretendem construir a sua utopia a partir do Egípcio (centro intelectual), da Arábia (centro religioso) e do Paquistão (arma nuclear). Os atentados (7/7, 11/9, etc.) e agora esta intimidação inédita têm dois objectivos: criar um clima de medo nos ocidentais e, não esquecer, tentar mostrar às populações muçulmanas a pureza e a coragem do ideal islamita, perante uma sociedade – a nossa – que, segundo os tipos, não tem valores.

2.O medo sentido por ocidentais não é apenas um bem em si mesmo para esta gente. É, também, uma consequência de uma estratégia de Poder. São terroristas mas não são parvos. Estão em guerra com o Ocidente mas também com os estados muçulmanos que consideram impuros. Conquistar o poder em Islamabad, no Cairo ou em Riade passa por Nova Iorque, Londres, Madrid e, agora, também passa por lançar uma guerra por causa de cartoons. Conquistar o poder lá, passa por mostrar aos de lá que se consegue meter medo aos de cá. As pessoas só seguem ideias que revelem força.

[Henrique Raposo]