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terça-feira, fevereiro 21, 2006

Hoje, depois de almoço, acordei assim

Aflige-me a filosofia política que se define numa perseguição ao "memorando" anglo-saxónico, descrevendo, relações, contextos e influências, fabricando movimentos, intuições potestativas, ocasos da moral formal. O memorando a que escapa a razão de personagens tão distintas e em tão distantes períodos serem capazes de encarrilar por difíceis e cruéis vitalismos, romantismos, nacionalismos, terminologicamente unidos, como primos entroncáveis na subjectividade bastarda, parida pelo Idealismo continental e filha natural do tosco Hume, seu pai. Aflige-me a torpe remissão que a servil ignorância ordenou para uma outra nebulosa Idade Média, ora revista à luz do incauto e redutor progressismo, que alegremente nos vai imunizando contra qualquer desconstrução revitalizadora. E continuamos com a tenebrosa e diabólica perversão, objectivando-se em conspiração, e enfardelando num Bin Laden o turbante de Dilthey, o orgasmo de Bergson e a arte de Nietzsche, escondendo as preocupantes razões do pragmatismo intelectualmente imberbe: o ódio ao pensar, distinto do classificar, conceptualizar, sistematizar, instrumentalizar, orientar; o ódio a um pensamento que toma o real como algo carente de proximidade, como o que desperta; o ódio ao que pensa apenas habitando poeticamente. E assim se pariu o mundo a quem se chama de liberal, do qual nasceu o merceeiro e a mercearia - a razão pragmática -, logo importados por uma Europa continental privada de razão calculativa. Abandonaram-nos, a mim, a ti, ao terceiro, segredando meigos postulados morais, numa imensa rede de prestação e contra-prestação, negócios causais abstractos, promessas em retroversão e comunicação horizontal. Newton foi a prostituta que infectou o vírus: Darwin. E eis que chegamos, por fim, finalmente, ao Ocidente, desprovido de sentido, sem "polis", onde o que "há" irrompe programadamente, onde somos terminais comunicantes passando uma mensagem individualmente descontextualizada, imersos nas nossas neuroses recorrentes, em que o Outro é o Teddy Bear e o dono do franchising. Este, sim, é o Ocidente outrora reluzente que se desconstruiu na Europa, que fez da Europa o próprio movimento circular de desconstrução, e que a razão pragmática não pensa, ainda que partilhando a mesa e dominando em brindes a um Sócrates martirizado em leituras apressadas ou substituído por "calquitos". Este, sim, é o Ocidente que está, e estará, sempre na origem aquando do retorno, e do qual a razão programática é nota de rodapé. Antes a vida, agora a morte. A desconstrução é o sal da Europa; o sonho sedutor que por lá definha não volta a nascer. E quem cuida se é de esquerda ou se é de direita? O grande engano começou aqui: não há história política, apenas uma história das interpretações políticas.

[Jacinto Bettencourt]