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sábado, fevereiro 04, 2006

Em 1989, era uma afronta. Hoje, é legítimo.



1. Bom, perante tanto pedido de desculpa a percorrer o "mundo livre" (Kofin Annan incluído), começo a pensar que ainda vão obrigar Salman Rushdie a pedir desculpa pela sua liberdade expressa em “Versículos Satânicos”. Em 1989, quando um senhor de turbante lançou a Fatwa sobre Rushdie, o Ocidente inteiro uniu-se contra essa afronta. Hoje, passados 17 anos, tudo mudou. Hoje, haveria ambiguidade em relação a Rushdie. Como houve ambiguidade em relação ao assassínio de Van Gogh no ano passado. Como há ambiguidade e “boa educação” politicamente correcta neste caso dos cartoons.

2. Em 17 anos muita coisa mudou. Sobretudo à esquerda. O multiculturalismo e o relativismo moral substituíram, em definitivo, a utopia económica destruída em 1989. Hoje, ser-se de esquerda já não é equivalente a ser-se pró qualquer coisa; já não significa ser-se universalista ou ser-se progressista. Hoje, ser-se de esquerda equivale a uma vaga sensação de paternalismo e desculpabilização em relação ao “Outro”. Mais: a esquerda é hoje a guardiã da velha culpabilidade ocidental. A culpa é sempre nossa. O "Outro" é apenas um imbecil ou uma criança sem consciência que apenas reage às nossas (más) acções. Culpabilizar biblicamente o Ocidente tornou-se mais importante do que defender a liberdade. Ser anti-Ocidente é, hoje, o santo graal da esquerda.
Por isso, Van Gogh tem tanta culpa na sua própria morte como o tipo que, de facto, meteu a faca no seu peito umas quantas vezes. Por isso, os cartoonistas são os culpados. E a intolerência sai, mais uma vez, com o cadastro limpo.

3.A tolerância não é uma máquina de pedido de desculpas. Não é um confessionário da intolerância. Tolerância não é ausência de crítica ou sátira. Tolerância é aceitar a crítica e a sátira como normais. Tolerância não é relativismo ou silêncio cobarde.

4. As civilizações terminam quando desistem de defender os seus pílares. Aqui não se trata de um pormenor. É de liberdade de expressão de que falamos. Os cartonistas estão a ser censurados por esta onda de politicamente correcto insuportável que impossibilita qualquer crítica ao Outro. 9/11? A culpa é da própria vítima: a América. Motins em França? A culpa é do estado francês. O Ocidental é sempre o culpado, mesmo quando é a vítima. Estamos a pedir desculpa pela nossa liberdade perante sociedades autoritárias que apenas dão voz a uma minoria de fanáticos.

5. Mas parece que há relativismos e relativismos. Há alvos legítimos e alvos ilegítimos para a crítica ou sátira. Faz-se um cartoon sobre o Papa. E não acontece nada. E ainda bem. Não tem de acontecer: devemos ter a liberdade para satirizar. Aqueles que são satirizados têm o direito à indignação. Mas ninguém tem de pedir desculpas. Ninguém deve censurar seja o que for. Ora, por que razão os muçulmanos têm direito a um pedido de desculpa e os católicos não? Os católicos valem menos que os muçulmanos? Todos os dias o mundo católico é gozado pelo secularismo cool. Nenhum governo foi obrigado a pediu desculpas ao Vaticano. Nenhum jornalista foi despedido por criticar ou gozar com o Vaticano. É assim há séculos. E agora temos de nos vergar perante outra autoridade religiosa?!

6. Todos os dias, a imprensa muçulmana satiriza e mente sobre o Ocidente, sobre os judeus. E que fazemos? Nada. E ainda bem.

7. «Que fere mais o Islão, estas caricaturas ou as imagens de um raptor de reféns que degola as vítimas perante as câmaras, ou ainda um “kamikaze” que se fez explodir durante um casamento em Amã»
jornal “Al-Shinan”, Jordânia.

[Henrique Raposo]