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domingo, janeiro 08, 2006

Maturidade política


1.Cavaco com A. João. As donzelas puras já reagiram: falta de ética, etc., etc., como se política fosse telenovela, como se em política houvesse o mau sem ética e o bom com a ética toda. Com estas tiradas, muitos vão revelando a falta de maturidade política da nossa democracia.

2.Em Política, não há amigos. Em Política, essa “ética”, que é uma ética pessoal e não política, é prejudicial. Já não se lê Maquiavel? Política é gerir o possível. A. João é inconfortável? Pois é. Mas tem a legitimidade democrática dos madeirenses.

3. Não se trata de saber se o indivíduo Cavaco gosto ou não de A. João, mas se o chefe de estado Cavaco tem ou não de suportar o líder legítimo da Madeira. A ética pessoal é uma coisa. A tal ética política é outra. E levar para a política essa ética pessoal significa uma coisa: falta de humildade; coloca-se a personalidade pessoal à frente dos interesses do país. Política não é fazer amizades éticas. Política não é chá das cinco. Política é o mal menor. Ética? Sim. Mas há várias éticas. E porque existem diversas concepções de Bem (ou será que agora, depois da única Utopia, só há uma única Ética?) em acção, é preciso um espaço público e político como suporte dessa diversidade em conflito. E nesse espaço político, há que engolir sapos. Um bom político engole esses sapos. Um mau político come perninhas de rã em conversa com amigos sobre uma ética pessoal que gostaria de transformar na única ética legítima do país.

[Henrique Raposo]

PS: isto aplica-se ao encontro Soares – Valentim. Política é lidar com os homens que temos, e não gritar, inventar e poetizar homens que não existem. Não gostam da realidade? Façam como H. Helder: não apareçam; sejam coerentes.