Agora sem gente desta...
Pensei, há algum tempo, ter descoberto a minha vocação blogosférica. Não como escritor de postes - como é manifesto -, mas a comentar postes dos camaradas de O Acidental. Comentários ardilosos, acelerados, brutais, subtis, irónicos, magros, raposianos, numerados ou em bruto. Comentários que, em segundos, me autorizam a descarregar a frustração pela alienação do meu trabalho. Comentários como “mil aditamentos a postes mal interpretados”. Comentários que fundam a escolas de glosadores pós-moderna, a nova pandectística da desconstrução blogosférica. Comentários que, logo ali, rechaçam na segunda linha os inimigos da razão e da razoabilidade... Uma incursão de cariz mais pessoal de um bloquista anónimo fez-me repensar se, de facto, vale a pena misturar-nos ali em baixo, na caixa de comentários. Chamando-me de “totó” - o que é justo, digamos -, mas imputando-me, injustamente, o culto da heráldica - quando o era da genealogia -, durante a minha segunda breve incursão nos Salesianos de Lisboa - quanto tudo se passou já no Colégio Moderno -, é demais. E é, sobretudo, estranho entrarem-nos na vida, baralhando tudo e voltando a dar, apenas porque expressámos determinadas opiniões políticas. Se eu tenho sangue azul? Acha que este assunto diz respeito a um cobiçoso anónimo? E não acha que se o meu sangue tem cor, não é certamente a do seu sangue cinzento, ressequido e manifestamente pouco oxigenado? Confirma-se que a exposição prolongada a padres salesianos resulta numa redução dramática da massa cerebral. Eu compreendo que um bloquista não seja capaz de distinguir a vida privada de um cidadão, do projecto público que o seu plano holista tem para cada um de nós. Eu compreendo que um bloquista não seja capaz de distinguir a opinião política de alguém institucionalmente estranho, dos defeitos ou virtudes passadas de um antigo colega. Eu compreendo, inclusivamente, que um bloquista seja incapaz de viver em sociedade de forma civilizada, manifestando aquela cortesia mínima adequada à convivência de pessoas razoáveis. Eu compreendo que em cada bloquista deste género exista um ordinário ressentido, cheio de ódio e assuntos mal resolvidos. O que eu não compreendo é o seu anonimato, mesmo que, eventualmente, se imponha entre nós um sopapo de outrora e bem aplicado. Como tal, e no que se refere aos meus postes, decidi seguir o bom exemplo do Henrique, e cortar definitivamente o pio ao referido anónimo e a toda a corja de seguidores rastejantes que por aqui pulula diariamente. De gente ordinária e carente de chapada, que abusa da voz com que é (mal) agraciado, está o país farto. As minhas desculpas a quem vinha com boas intenções e com bons contributos. [Jacinto Bettencourt] |

