Um breve esclarecimento
| Eu não serei propriamente o melhor exemplo de liberal que por aí se pode encontrar. Por isso, são me indiferentes as acusações de desvio à causa. Gostaria sim que, dado o Estado do país, fossem tomadas algumas (muitas) medidas liberais. Sobretudo de carácter económico e financeiro. Como sei o que a casa gasta (e a casa não é Portugal, é toda a Europa ocidental), sei que ninguém é eleito com um programa razoavelmente liberal (veja-se o que aconteceu a Angela Merkel quando resolveu abrir o livro no fim da campanha), quanto mais com um programa fundamentalmente liberal. Por isso - parece-me óbvio – só se pode fazer qualquer coisa liberal com uma agenda escondida. Só se consegue chegar ao poder, omitindo boa parte das políticas (liberais) que se pretendam aplicar. Aí chegados, e aproveitando a distracção generalizada com “questões” de arbitragem, fenómenos climatéricos e novas epidemias de origem animal, poder-se-á, a pouco e pouco, ir destapando o véu da agenda real. Agenda essa que, em todo caso, não deve ser revolucionária. A mudança tem de ser firme, mas gradual para que não seja interrompida a meio. Já aqui elogiei algumas medidas do governo Sócrates. Reconheço que o que tem sido feito é curto. Mas é mais do que aquilo que, até agora, outros com maior obrigação fizeram. Com a vantagem de uma parte desse pouco que já foi feito ser dificilmente reversível (fim de alguns subsistemas de apoio social). Claro que os liberais com fé devem continuar a acreditar nos dogmas e, tal como a Igreja, a ser intransigentes com certos princípios para si essenciais. Sucede que eu não professo semelhante religião. Quero tão só ver algumas mudanças. Porque sei bem que a alternativa a algumas é – há que não ter ilusões - nenhumas. [ENP] |


































