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sábado, dezembro 31, 2005

Acontecimento do ano, II: retirada de Gaza


1. O olhar europeu tem uma narrativa certa e imutável para a questão da palestina: os israelitas são os ocidentais opressores de um povo não-acidental. Por isso, existe uma certa dificuldade em narrar a situação quando as coisas saem do padrão moral aceite à priori. Como hoje salienta Helena Matos, um terrorista palestiniano é transformado em “kamikaze”. Um termo com carga moral (terrorista) é transformado num termo exótico e remoto dentro da história.

2. Num único ano (2005), Sharon – o mau da fita da narrativa oficiosa – fez mais pela paz do que Arafat na vida inteira. No final do ano, Sharon construiu um novo partido centrista - quase de unidade nacional - destinado a superar dois extremos: os nacionalistas do seu ex-partido e os utópicos do partido trabalhista. Antes, durante o verão, Sharon retirou Israel de Gaza.

3. A retirada de Gaza é importante pelo que tem de simbólico. Que simbolismo é esse? Num conflito marcado pelos extremismos que pretendem anular o outro, o segredo para a paz está na capacidade que cada lado revelar na contenção dos seus extremistas. Por outras palavras, Israel tem de dominar a direita religiosa; a AP tem de dominar o Hamas e rufias afins. A retirada de Gaza teve este simbolismo: Israel consegue conter os seus extremistas; os israelitas conseguem magoar os seus. Do outro lado, ao invés, não se vê qualquer sinal desta capacidade política. Em Israel, há política. Na Palestina, só há moral e sentimento de pertença comunitário.

4. Isto leva-nos para outra questão. A fundamental. Uma questão que nunca é debatida, porque implica uma visão pessimista. E é a seguinte: só haverá paz quando a legítima Autoridade Palestiniana destruir o ilegítimo Hamas. Não temos a coragem para falar disto. Mas a verdade é esta: para haver paz, é preciso haver uma guerra civil entre palestinianos. Qualquer Estado assenta numa premissa: monopólio exclusivo da violência. A AP precisa de destruir ou domesticar os rufias do seu lado da barricada. Sem isso, nada feito.

5. Arafat nunca teve a coragem dos homens de estado. Nunca quis enfrentar os seus. Para Arafat, o extremismo do Hamas era, mesmo assim, seu, enquanto que os moderados israelitas eram deles. Para haver paz, os palestinianos têm de aprender a linguagem da sociedade estatal por oposição à linguagem da comunidade de laços de pertença. Rabin, certa vez, afundou um barco cheio de israelitas. Israelitas extremistas. Os palestinianos têm de afundar o seu barco. Negociar um acordo com Israel implica o controlo absoluto da Palestina por parte da AP. Um acordo de paz pressupõe dois soberanos. Israel nunca aceitará um acordo perene sem a presença de um político que detenha o monopólio exclusivo das armas palestinianas.

6. O Estado, na sua génese, faz-se com Guerra. Os nossos estados - os europeus - foram assim contruidos ao longo de séculos de guerra. Guerras de pacificação interna. O Estado da Palestina não é excepção. Será feito com guerra. Não gostamos nada de ouvir estas verdades históricas. Somos - os europeus - uma civilização que despreza a história e a dureza de ensinamentos que ela determina. A Paz, esta coisa temporária que temos na Europa, tem por base a guerra. A paz na Palestina não será diferente.

7. Se a legítima AP não fizer essa guerra de pacificação interna, então, será o Hamas a fazê-la quando alcançar o poder para isso. Se isto suceder, se o Hamas controlar a Palestina, então, conheceremos um problema novo. Israel responderá como nunca respondeu até agora: destruirá um estado inimigo.

[Henrique Raposo]

PS: depois da guerra, só me resta desejar um bom 2006 a todos. E bebam. Moderadamente, claro. Bebam. Enquanto podem. O fascismo hipocondríaco, não tarda muito, chegará a esse vício tenebroso que é beber uns copos com os amigos.

Guerra e fins de história


"Uma Europa sem a UE seria um lugar perigoso"
Garton Ash (Diário de Notícias).

Uma guerra na Europa não é impensável. Não há fins de história. Para ninguém. Nem para a D. Europa. Os europeus criticaram – e bem – a ideia de Fukuyama, mas, em simultâneo, criaram o seu próprio fim de história. Não se baseia no Estado e no Liberalismo, mas no Supra-nacionalismo e num centralismo não-liberal, digamos assim. Muda-se o tom, mas a ambição é a mesma: fim de história, um ponto redentor e sem retorno.

Este ano, os ortodoxos de Bruxelas tiveram uma estranha sensação (estranha para os ortodoxos, mas natural para quem ainda dá atenção às lições da história): a União Europeia pode acabar. Como qualquer construção política, a EU não é eterna. E, como diz Ash, uma Europa sem UE é um local perigoso. E tornar-se-á ainda mais perigoso quando os americanos se fartarem de uma Europa de governantes transformados em governantas, isto é, sem homens de estado, sem políticos com a coragem para enfrentar modas e medos, sem a vontade de defender perante os vivos o interesse dos que estão por nascer.

É preciso recusar a utopia de uma "Europa" una e absoluta, sem estados. O Não francês indicou o seguinte: é necessário voltar ao Estado; é preciso recuperar o respeito pelas constituições nacionais; é urgente esquecer esse vago constitucionalismo europeu. A Europa deve ser um ideal civilizacional (meta-político) e não um projecto político concreto. Os projectos políticos concretos (os estados) formam a ideia de Europa e não o inverso. O inverso - a utopia supranacional que esmaga os estados - é o fim da Europa tal como a conhecemos.

[Henrique Raposo]

Tabaco e Fascismo Hipocondríaco (Esta, sim, é uma das minhas guerras…)


1.Na relação europeus – anti-americanismo, há uma contradição um tanto irritante. Por um lado, o anti-americanismo político nunca esteve tão agressivo. É um anti-americanismo que se confunde com anti-globalização, com o anti-liberalismo básico e, por vezes, com o anti-semitismo. Ser-se anti-americano é a única coerência da esquerda europeia actual. Ser-se anti-americano é ser-se de esquerda e vice-versa.
Mas – e esta é a contradição – os europeus importam a arrogância moral americana. Ou seja, há um anti-americanismo político, mas existe uma cópia da moral puritana americana. Provas? Os europeus importaram a bandeira do antitabagismo (antitabagismo é um bom eufemismo para aquilo que não passa de uma imposição burocrática de comportamentos). Esta cruzada anti-tabaco é a última invenção da arrogância moral americana.
Nesta estranha Europa terminal, nega-se aquilo que mantém a América na liderança política (visão liberal do mundo) mas, simultaneamente, importa-se um dos cancros morais da mesma América.

2. Na América, já ocorrem coisas sinistras: patrões podem despedir empregados fumadores mesmo quando estes apenas fumam em casa. Nem no privado se pode fumar. Se fosse vivo, Orwell diria: “Olha, acertei mesmo!” Demência puritana. E é esta demência – este fascismo hipocondríaco – que começa a invadir a Europa. Há em cada burocrata hipocondríaco europeu um puritano de improviso armado com directivas e certezas científicas.

3.Mas o problema não se resume à importação em si mesmo. O pior é o seguinte: é uma importação contra-natura. A Europa não é a América. Para os americanos, esta cruzada é moral, isto é, é partilhada pela comunidade, é desenvolvida entre as pessoas. Só depois passa a lei. Há dias, jantava com dois camaradas num restaurante do Bairro. Ao lado, sentaram-se dois casais de reformados americanos. Os meus dois camaradas fumavam. Os americanos olhavam para os ditos camaradas num misto de nojo e surpresa. O nojo de quem se julga num promontório moral; a surpresa de quem estava pronto para levar os meus amigos para um laboratório científico.
Na América, o antitabagismo é uma cruzada moral. Na Europa, esta coisa não-europeia transforma-se numa burocracia iluminada. Uma burocracia que se serve de dinheiros comunitários e, provavelmente, estatais para impor uma visão asséptica das coisas. Na América, a coisa é orgânica. Na Europa, a coisa é mecânica. Nos americanos, aquele ódio ao tabaco é visceral, interior, primário. Na Europa, a coisa é burocrática, exterior ao indivíduo e terciária (vem de Bruxelas, acho).

4.Algumas pessoas – não-fumadoras – olham para esta demência com uma certa distância. “Não é comigo”, pensam. Ora, além de desprezarem a ideia de liberdade, estas pessoas estão a ser ingénuas. Não percebem que uma burocracia iluminada pela ciência nunca pára. Quando anularem o tabaco, estes tipos, que transformam o ser-se hipocondríaco num acto ideológico, vão atacar outros supostos vícios. O café, talvez. Dirão: “o café acelera a válvula XPTO”. Aviso à navegação: quem tocar no meu café leva chumbo. Depois, embirrarão com a comida não-saudável. Estes tipos tentarão transformar a sociedade numa manada de herbívoros. Com chocalhos e tudo. O vegetarianismo vai ser ideologia. Uma espécie de ambientalismo virado para o interior. Pois bem, sou orgulhosamente omnívoro. Como tudo, sobretudo carne, sobretudo carne de fascistas simpáticos que tentam transformar aquilo que me rodeia com a arrogância dos estudos, números e certezas.

5. Para o ano, vou pedir ao Pai Natal um cartão com a seguinte inscrição: “não fumo, mas como tenho um certo pó a fascistas, pode fumar ao pé de mim”.

[Henrique Raposo]

PS: post de não-fumador.

Best On 2005 – A Gala Alfa-Actualizado em género de que era melhor não ganhar prémio nenhum




Prémio “Ficámos todos a saber o que fizeste ontem à noite/és o momento gina da nossa manhã”

Pedro Mexia in Estado Civil
Eduardo Nogueira Pinto in What do You Represent
Rititi in Rititi

E o prémio vai para…Pedro Mexia. Era difícil fazer melhor que a Rititi, mas o Estado Civil faz as delícias dos adeptos do género “reality show”.

Prémio “Adivinhem como está a correr a minha tese!”

Henrique Raposo in O Acidental
Tiago Sousa d´Alte in O Impecável
Tiago Mendes in Aforismos e Afins

E o prémio vai para…Tiago Mendes. Henrique Raposo foi durante muito tempo a escolha óbvia, mas quando descobrimos que o Tiago assinava “doutorando” na sua coluna no "Diário Económico" houve algum receio que ficasse ofendido.

Prémio “Eu é que sou o João Miranda”

Henrique Raposo in O Acidental
João Miranda in Blasfémia
Rodrigo Adão da Fonseca in Blue Lounge

E o vencedor é… Rodrigo Adão da Fonseca. Não tem aquele talento único para trazer luz onde antes só havia escuridão, mas por outro lado é dos maiores manteigueiros da blogosfera lusa. Já merecia um prémio.

Prémio “Vou ser terrível, cruel e assassina. Vou chamar-te betinho”

Fernanda Câncio in Glória Fácil
Sara in Vidro duplo
Zazie in Cocanha

E a vencedora é… Fernanda Câncio. Juro que ainda hoje tenho momentos em que dou por mim a lembrar as palavras que ela um dia me dirigiu.

Prémio “Eu sou aquele que lê os postes do Henrique Raposo até ao fim"

João Galamba
Miss Pearls
Maradona

E o vencedor é… maradona. Nem a dissolução da Assembleia o supera. A surpresa blogosférica do ano foi sabermos que o maradona lia os postes do Henrique até ao fim.

Prémio “The Socialist Party won the elections and all I’ve got was this lousy blogue”

Medeiros Ferreira in Bichos Carpinteiros
Paulo Pedroso in O canhoto
Ana Gomes in Causa Nossa

E o vencedor é…Ana Gomes. Na natureza nada se perde, tudo se transforma. A pátria desperdiçou uma grande ministra mas os Marretas aproveitam a grande blogger.

Prémio “Most hayeck/se nos comentarmos uns aos outros até parece que somos muitos”

André Azevedo Alves in O Insurgente
André Azevedo Alves in Causa Liberal
André Azevedo Alves in A Blasfémia

E o vencedor é…André Azevedo Alves. O A3 do liberalismo está para os blogues como Carvalho da Silva está para o PCP.

Prémio “A Yoko Ono é uma menina”

Bruno Cardoso Reis, por Barnabé
Luís Rainha por BdE
Rui Albuquerque por Blasfémias

E o vencedor é… Bruno Cardoso Reis. A direita portuguesa estará em dívida para com ele durante muitos e longos anos. O cheque já seguiu.

Prémio “em criança sofri sevícias num colégio católico”

Carlos Abreu Amorim in Blasfémia
Luís Grave Rodrigues in Random Precision
Palmira Silva in Diário Ateísta

E o vencedor é…Carlos Abreu Amorim. Grande inquisidor do clericalismo. Os cinco portugueses não cristãos têm-lhe uma enorme dívida.

Prémio “há três dias que não fazemos um link para o glória fácil”

Mau tempo no canil (nomeado único e vencedor)

Prémio “I love Vital Moreira”

Aspirina B
A Praia
Vital Moreira

E o vencedor é…Vital Moreira. Apesar da forte concorrência de Ivan Nunes, Vital Moreira foi ainda mais incansável no carinho expresso a Vital Moreira.

Prémio “Na realidade fui eu que inventei as notas de rodapé em postes e não, não as acho ridículas”

Adolfo Mesquita Nunes in A Arte da Fuga
João Galamba in Metablog
Manuel Pinheiro in A Mão Invisível

E o vencedor é… Adolfo Mesquita Nunes. Não haja dúvidas, foi mesmo ele que as inventou e sim, são mesmo ridículas.

Prémio “Copy paste/tem dias em que publico oito postes mas não escrevo nem uma linha”

José Pacheco Pereira in Abrupto
Miguel in O Insurgente
António M. Costa in Super Mário

E o vencedor é… António M. Costa. Um prémio quase colectivo. Sabemos reconhecer quando um blogue se esforça por dar aos seus leitores o melhor do que se escreve em Portugal. O António simpaticamente dispensa-nos da compra do "Público" para podermos ler o Pulido Valente.

Prémio “Coisas simples: pacheco sabe quem eu sou/para mim ele é o ronaldinho gaúcho da blogosfera portuguesa”

Masson in Almocreve das Petas
Paulo Gorjão in Bloguítica
Rogério Santos in Indústrias Culturais

E o vencedor é… Masson. Poucas vezes se viu tanta quantidade de manteiga fora de uma torrada.

Prémio “o mundo acaba já amanhã e eu escrevi isso ontem”

António Ribeiro Ferreira in Estado do Sítio
Manuel in Grande Loja do Queijo Limiano
Jorge Ferreira in Tomar Partido

E o vencedor é… António Ribeiro Ferreira. Uma distinção pelo inconfundível estilo misto de “O mundo até pode acabar amanhã, mas eu antes disso chego-lhes a roupa ao pelo, ai chego chego/quantos são?/quantos são?”.

[Rodrigo Moita de Deus]

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Duas notas antes da passagem de ano

Henrique, Felizes Juntos (aquele abraço, Wong Kar-Wai), é uma grandessíssima merda (e eu não vou escrever uma linha a jutificar porquê).
Rodrigo, acho muito bem que o PM vá de férias para a Suiça e acho muito bem que os funcionários públicos só sejam aumentados 1,5%.

Um bom 2006 ao auditório.

[ENP]

Graçolas alpinas III

Parece que o nosso Primeiro-Ministro impressionou os restantes turistas na Suiça com a sua queda para o sku.

[Rodrigo Moita de Deus]

Graçolas alpinas II

Preocupado com o bem-estar dos seus concidadãos, sua excelência o senhor primeiro-ministro, ausente na Suiça numas pequenas férias de Inverno, pediu que transmitíssemos a sua solidariedade para com os restantes funcionários públicos que hoje foram aumentados com apenas 1,5%.

[Rodrigo Moita de Deus]

Graçolas alpinas

Garantem-me que antes de ser primeiro-ministro, José Sócrates já ia para Serra Nevada. Agora vai para a Suiça. Presumo que antes de ser primeiro-ministro, Sócrates também já fazia safaris no badoca park.

[Rodrigo Moita de Deus]

Ainda durante este fim-de-semana

Razões para a colectivização d' O Acidental, Os 10 Mandamentos Acidentais e uma nova imagem. Convenhamos que é o que se pode chamar uma grande despedida de 2005. E agora vou tomar conta das minhas filhas. Se não voltar antes de 2006, que seja um grande ano para todos.

[PPM]

PS. Mais uma razão de orgulho neste final de ano. Eu sabia que a Constança Cunha e Sá lia O Acidental porque ela própria já me tinha dito. Mas é muito bom estar na lista das coisas que a Constança gostou em 2005. A verdade é que se trata de um gosto recíproco, a que se soma agora o luxo de também a podermos ler na blogosfera. Politicamente incorrecta, como sempre.

Manuel Pinho consegue grande vitória para Portugal

Murteira Nabo pode ficar na administração da Galp.

[Rodrigo Moita de Deus]



A retoma é como D. Sebastião

Os preços aumentam em Janeiro mas esta semana há jackpot no Euromilhões!

[Rodrigo Moita de Deus]

E ainda antes do final da emissão de hoje...

...a gala de entrega dos prémios Acidentais para os Best On 2005.

[O Acidental]

Primeiro Ministro sofre acidente de ski na Suiça

Exibicionismos - Depois do Safari no Quénia, José Sócrates tinha de arranjar maneira dos portugueses saberem que ele faz ski na suiça.

[Rodrigo Moita de Deus]

Máximas do avozinho

Um tiro de bazuka abate um tanque mas não mata a mosca.

[Rodrigo Moita de Deus]

Consultório sentimental

Sobre a casa almeida Garrett responde-me na caixa de comentários de O Acidental um leitor não identificado:

ò rodrigo!!! Vê lá se não cais na rua e partes os dentes todos da frente!!! Às vezes acontece!!!! Tenrinho!

Retenho uma palavra: Tenrinho. Tenrinho? Não sei se agradeça ou faça queixa de assédio sexual.

[Rodrigo Moita de Deus]

Não há recusas grátis

Terminado mais um fecho de edição, a uma adiantada hora em que os restaurantes abertos nesta parte da Avenida Almirante Reis se resumem à barulhenta e sobreavaliada Portugália - e demasiado cansado para pegar nos "remains of the thursday" e rumar de imediato a casa -, a solução mais fácil para matar a fome foi telefonar para uma conhecida cadeia de "fast food" e fazer a (demasiado recorrente) encomenda para entrega de mantimentos no domicílio profissional. Um processo mil vezes repetido, mas que desta vez revelou-se complicado.

— Tem a oferta de uma lata de bebida — informou o prestável profissional de atendimento de pedidos depois de lhe dizer o tipo e o tamanho de "pizza" que pretendia.
— Que bebidas tem? — perguntei eu, sabendo já que a resposta não seria nada satisfatória e estando tomado pela vontade de, por uma vez, contrariar o "sistema".
— Coca-Cola, Sprite e Fanta.
— Então deixe estar. Não quero nenhuma.

Seguiram-se uns segundos de silêncio e o pousar do telefone no outro lado da linha, permitindo-me ouvir a demanda de orientações junto de colegas que talvez tivessem "seniority".

— Tenho aqui um senhor que não quer a lata de bebida.
— Diz que é grátis — sugeriu outro dos funcionários da renomada cadeia de "fast food".

De volta ao telefone, o atendedor de pedidos voltou à carga.

— Não tem de pagar pela bebida...
— Tenho consciência disso — interrompi-o, procurando corrigir logo de seguida o tom ríspido de quem estava cansado e com pouca paciência após um longo dia de trabalho. — Simplesmente não gosto de nenhuma das bebidas que vocês oferecem.

Posto isto, trocámos os “boas noites" da cortesia e desliguei. Será que ficarei na memória de quem estava no turno como o tipo que recusou uma bebida grátis?

[Leonardo Ralha]

P.S. - Um grande 2006 para todos os Acidentais e para quem por aqui passa os olhos.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Cultos, Freiras, Crónicas e... afins

Tiago,

1.A sessão da meia-noite de sexta-feira é um culto. Muitas vezes, depois do jantar conversado e regado, entra-se na sessão das nove já com o bilhete de outra sessão para a meia-noite. Não é só para aproveitar a noite da semana mais espaçosa. É também um culto. O que é um culto? Um sacana de um hábito que toma conta do nosso tempo. Sexta-feira sem cinema é como freira sensual: não existe.

2. Quando escrevi sobre “Política e Talento”, não estava a pensar na Crónica. Estava a pensar – porque o meu interlocutor falou em “textos de ciência política” – em papers, artigos ou mesmo discursos. As coisas com 30, 20, 10 páginas e não a crónica de uma página. Isto não quer dizer que não há estilo num artigo ou paper. Há. Mas é um estilo diferente do estilo usado na crónica.

3. Então, ainda bem que concordas com o seguinte: na crónica, pode, melhor, deve haver estilo, exaltação, etc. Numa crónica, o rigor analítico – aquilo que se pede nos artigos - é como o quarto árbitro: se estiver está, mas se não estiver não faz mal nenhum. É por isso que, por vezes, escrevo o seguinte: nem sempre quero ser rigoroso. Lembraste da crónica sobre “As bolinhas de algodão”, onde disse que não há gays mas apenas actos gays? Era naturalmente uma crónica exaltada, retórica, com um formalismo propositado. A minha intenção era, apenas e só, formal. Fiz uma crónica. Só. Não estava preocupado com a busca da verdade, não estava preocupado com o rigor analítico. Mais tarde, escrevi sobre o mesmo assunto de forma menos... estética, com os olhos na verdade. Ou na sua busca. Disse sempre a mesma coisa, mas de formas diferentes.
Se o mundo fosse perfeito, só se escreveriam crónicas. Como não é, também é preciso trabalhar outras coisas.

4. Camarada: sobre o “2045”, o grande Pedro Marta Santos (Independente), começou assim uma das melhores críticas que já li: “este filme é uma merda”. Ponto final. Parágrafo. E depois passa duas páginas a explicar o porquê da afirmação inicial. Guardei essa crónica (Saudade para o “Indígena”). Terei todo o gosto em… emprestá-la. Sim, Wong Kar-Wai é dos grandes vivos. Sim, o "Felizes Juntos", o "Anjos Caídos" e o "Disponível para Amar" são filmes para o espaço. A forma a dançar com a substância. Na perfeição do compasso. Juntas. Sem traição. Coladas uma a outra. Mas, o "2046" é só a forma a dançar sozinha. Brilhante fotografia? Certo. Mas cinema não é só fotografia. "2046" é um filme oco de um génio embevecido com o seu próprio talento formal.

Grande abraço,
Antes de regressares a Terras de Sua Majestade, temos de voltar a beber uns copos com o “comunitarista” que ainda não viu o "Mystic River"…

[Henrique Raposo]

Momento intimista do dia

- Tu é que és o Diogo do Acidental
- (encolhendo a barriga e endireitando as costas) Sim, sou eu mesmo.
- Eu achava que devias ter aí uns 30 anos!
- ...

[DBH]

Essencial

Francisco José Viegas, "O Medo é que é Perigoso".

"[...] A penosa campanha eleitoral em curso, longa de mais, mostrará até ao fim esse tom de dramatização e de perseguição populista, de insinuação. Por detrás disso está o medo. Não o medo de Cavaco, mas o medo da própria democracia e do jogo claro que ela devia impor e tornar necessário. De dedinho espetado, indignado, esse medo é que é perigoso e reaccionário. E, além do mais, pretende fazer dos portugueses gente sem discernimento ou inteligência."

[Henrique Raposo]

A nova imagem d' O Acidental

Ela está para chegar

















Os estudos da Vitriolica já terminaram, mas este desenho do novo cabeçalho foi o primeiro teste. A designer que está a preparar o novo grafismo não quer ser identificada, ainda que o mereça e muito. Às duas, muito obrigado e um grande 2006. A nova imagem d' O Acidental entra em cena dia 1 de Janeiro, altura em que outras alterações terão lugar.
Até lá, boas entradas.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Política e Arte. Arquitectura e Sexo



Caro Morgado Louro,

1. V. toca num ponto essencial: a ligação entre Política e Talento para escrever. Que é perigosa.

2. Escrever sobre Política é uma coisa. Escrever sobre o pré-político (sociedade, cultura, arte) é outra coisa bem diferente. Se acha que tenho talento, então, tenho de lhe dizer que o talento é o mesmo. Tem é várias faces. Não posso usar o mesmo tom ou "talento" para escrever sobre cinema e política. São dois campos diferentes. O "talento" tem de ser diferente. Recusar esta diferença significa não perceber nada dos dois campos.

3. Quando se escreve sobre Política, é preciso aprender a fazer uma coisa: moderar o tal “talento” de que V. fala, isto é, é preciso moderar a retórica, a graça, a ironia, enfim, o estilo, a forma. É preciso um auto-sacrifício. Todo o escritor vê-se naquilo que não escreveu. Isso é ainda mais evidente quando se escreve sobre Política. Quando apresento 10 páginas sobre algo político, é sinal de que escrevi 30. As 10 páginas são o fruto de sucessivos cortes. E esses cortes são feitos sobre as frases pelas quais sinto mais atracção formal, digamos assim. As metáforas e os excessos demiúrgicos. Quando se aplica o tal “talento” de que V. fala à Política, o resultado é uma coisa exaltante e, por isso, perigosa. E sem coerência.
Escrever sobre livros, sobre filmes, sobre música (no pré-político) dá-nos a liberdade que não podemos ter em política. Política exige moderação, sensatez. Exige um talento invisível que se esconde a cada linha. É preciso humildade perante a realidade. Ao invés, quando se escreve sobre arte, podemos soltar as amarras. Podemos transformar as coisas. Por vezes, o único critério é o estético. Na Política, não é assim. Em política, o critério estético é o último de uma extensa lista.

4. A exaltação estética aplicada à política deve ficar guardada para momentos de crise. Para alturas de guerra, revolução, etc. Momentos em que temos de fazer tudo para defender a nossa posição. Felizmente, não vivemos tempos de ruptura ou de pólvora. Se chegarmos a viver um momento desses, então, V. ver-me-á a escrever de política com a mesma paixão assolapada que agora uso para escrever sobre filmes. Mas só aí. Em tempos de paz, não se deve transformar a política numa questão de estilo ou de paixão.

5. Cá em casa, Nietzsche é sagrado. E, por ser sagrado, é privado. Logo, posso usá-lo numa avaliação de um filme, de um romance, de um quadro. Nunca usarei Nietzsche numa questão pública. Isso é loucura. Isso é transformar os outros em meros ouvidos da minha posição. Nietzsche serve para a Arte. Posso ser Nietzscheano quando escrevo sobre o Clint Eastwood. Não o posso ser quando escrevo sobre Bush.

6. Escrever sobre política é como fazer arquitectura. É preciso pensar o texto de uma ponta a outra. É preciso estar atento à coerência interna. Porque se não existir essa coerência, o edifício cairá. A lei da gravidade é mesmo assim: selecciona os mais coerentes. A política é uma máquina. Com princípio, meio e fim.
A Arte é um organismo. Escrever sobre arte é como fazer amor. Não interessa a coerência mecânica. Não se pensa. Faz-se. Organicamente. É a sedução embriagante. É um caos de humidades. É a febre. Sem o princípio. Sem o fim. Só com o meio. Se o mundo fosse perfeito, só faria amor. Mas como não é, tenho de ser arquitecto durante o dia para que haja algum tempo para o amor durante a noite.



Muito obrigado pela conversa e um abraço,

[Henrique Raposo]

E se um pato bravo chegasse a ministro?

Há um pato bravo que quer demolir a casa de um escritor centenário para os lados de Campo de Ourique e construir um mamarracho de luxo. Com mais ou menos tabuleiros de xadrez, em Portugal estes bimbos conseguem aprovar quase todo o género de atentados urbanísticos. Até o Presidente da República se queixou publicamente do assunto.

Os patos bravos são gente simples elevados ao estatuto de milionários à conta da insensibilidade que possuem. Gente de modos e pensares rudes não entendem que, mesmo de um ponto de vista de gestão, o património cultural da pode ser uma mais-valia comercial. No caso bastava que o homem preservasse a fachada à custa de menos um andar, que lhe chamasse “condomínio Almeida Garrett”, que mandasse fazer um busto em bronze dizendo “aqui viveu o escritor” ou que salvasse, ao menos, a placa. Não se perdia tudo e a lontra saia de pança ainda mais cheia.

A pequenez de espírito torna grande a ganância. Há que ganhar tudo, agora, já, aqui. Há que deitar a casa abaixo. Pedra por pedra. Sem que nada sobreviva dos outros que por lá passaram. O pato bravo quer lá saber do Almeida Garrett. O pato bravo nem sabe quem é o Almeida Garrett. Está-se nas tintas para isso.

Ele quer o mamarracho de luxo. Numa zona da cidade a desertificar-se ele quer é o condomínio de luxo para mostrar aos amigos. Numa zona da cidade a descarecterizar-se urbanisticamente ele quer é fazer as twin towers em género de unicórnio. O pato bravo quer lá saber do urbanismo ou do desenvolvimento social. Quer lá saber dos vizinhos que ficam com o sol tapado. O pato bravo nem vai para lá viver.

O pato bravo tem a culpa? Não. É da natureza dos patos bravos serem assim.

[Rodrigo Moita de Deus]

Grandes vistos em 2005, III


1. Quando saí da sala, confesso, estava um pouco desiludido. Porquê? Estava à espera de outro Mystic River, estava à espera de uma nova demonstração de perfeição. Queria nova Obra-Prima. Mas as obras-primas não se vendem ao peso. Saí desiludido porque o ponto de referência era a perfeição, porque a expectativa era a máxima. "Mas, então, não é um grande filme?" É. "Então, este discurso da treta não é injusto para com Eastwood?" Não. O preço da grandeza é este: não pode desiludir; não pode descer o nível; deve ter a capacidade para se reinventar, mantendo, em simultâneo, a grandeza. Esta conversa seria injusta para outro qualquer. Para Eastwood é um elogio. Indirecto, como são os melhores elogios(saudade para Tiago Mendes e João Galamba).

2. Este ano não foi de obras-primas. Foi apenas de alguns grandes filmes. Este é um deles. Millon Dolar Baby não é o Mystic River, mas tem lá qualquer coisa parecida: o fim em suspenso. É um filme que não tem o Fim clássico – e redentor –, mas sim um terminar circular, que não é bem o "the end". É um terminar que inquieta, que angustia, que causa dúvidas. Dúvidas, essas, que levamos na sacola. Deitamo-nos com as benditas. Sonhamos com elas. E, elas, essas dúvidas, ou melhor, aquela circularidade que impede a redenção clássica do “the end”, animam logo as primeiras conversas do dia.

3. A grande diferença entre um grande filme e um filme médio é a seguinte: quando acaba um filme médio, começamos logo a falar do mesmo. Passados 15 minutos, caso encerrado. Seguem-se os copos, a conversa, etc. Quando acaba um grande filme, gera-se um certo silêncio. Só se começa a falar do filme durante os copos ou na manhã seguinte. E o caso demora a ficar encerrado.

4. Qual é a diferença entre uma obra-prima e um grande filme? Se falamos de Millon Dolar Baby, não falamos de Mystic River. As obras-primas silenciam-nos perante os outros. Metemo-nos no táxi e vamos para casa. Silenciosos. Em solidão ártica. Pode chover uma multidão, mas nada pode salvar-nos daquela frieza. Ainda hoje não falei do Mystic River. Ainda hoje não abri a boca para falar da 25th hour (só para dar dois exemplos recentes). Quando vi o 2001 na tela grande, fiquei em estado comatoso; os neurónios entratam em convulsão religiosa; um a um, fugiram-me e ainda hoje não sei onde estão.
Falar sobre certas obras – seja de que arte for – não faz sentido. Até porque o caso nunca fica encerrado. Exemplo: o acto final de Eastwood em Millon Dolar Baby está correcto? Eu acho que sim. É uma prova de amor. É um acto moral que só o Homem pode fazer. Outros dizem o contrário: é um pecado ou coisa assim; só Deus pode fazer aquilo. Outros dizem que essa questão é insignificante porque a moral não existe e, por isso, apenas dissertam sobre o formalismo técnico. E assim ad eternum. O caso nunca fica encerrado.

5. Não se fala de obras-primas. Escreve-se. É para isso que se inventou a escrita. E só para terminar esta escrita: gosto de ver toda a gente rendida ao Blondy.



[Henrique Raposo]

quarta-feira, dezembro 28, 2005

O Acidental à escuta

Numa semana em que a actualidade descansa entre festas, voltemos cem anos atrás. Poderá servir para medir o caminho andado, ou para avaliar a bagagem de que não nos conseguimos livrar. Em 1905, os portugueses, na sua maior parte, viviam na província, eram agricultores e pastores, e morriam novos por falta de higiene e má nutrição. Havia muitos “brasileiros”, só que, em vez de cidadãos da república sul-americana, o termo designava os emigrantes portugueses regressados do Brasil. Portugal era, em suma, um mundo diferente. Mas quem se dê ao trabalho de ler os jornais e os discursos políticos da época, não se sentirá totalmente fora de pé.

A classe política portuguesa, ainda sem economistas, mas sempre com muitos diplomados em direito, já então agonizava sobre o défice das contas públicas, ou a diferença entre o nível de riqueza do país e o dos outros estados da Europa ocidental. O ritmo de crescimento económico em Portugal havia diminuído em relação ao que tinha sido nas décadas de 1860 a 1880, e ninguém parecia saber muito bem o que fazer. Alguns apostavam no investimento estrangeiro e no comércio internacional; outros preferiam o regime de isolamento e proteccionismo estatal.

Havia decisões para ser tomadas. Só que a classe política não parecia capaz de tomar essas decisões. Tinha muitas ideias, mas pouca força para fazer coisas. Foi assim que a chefia do Estado acabou por ser encarada como o grande factor de dinamização da vida política portuguesa.


Rui Ramos, no "Diário Económico" de hoje

O artigo é sobre o que se passava há cem anos, ou é sobre o que se passa hoje?

[PPM]

O erro dos números

Ainda não percebi: porque é que quando alguém faz uma conta de somar sem erros lhe chamam logo merceeiro?

[Pedro Marques Lopes]

Para mais tarde recordar [2005]

Jornalista: Ficou chocado com aquilo que disse o líder do PP?
Mário Soares: Não, não foi o líder do PP que disse isso. E aquela coisa que me referi, do terrorismo, foi o líder do CDS que disse isso, dr. Ribeiro e Castro, que é uma coisa inaceitável e impossível. Ele diz aquilo... ele é, ainda por cima, deputado do Partido Socialista... um dos grandes grupos do Partido Socialista é o Partido Socialista... o Partido Socialista Europeu... Imagine lá como é que ele vai entender-se com os colegas do parlamento a dizer dessas coisas aqui no plano interno... E é feio, não é bonito e... é uma pena que seja um dos mais entusiásticos, senão o mais entusiástico, apoiante do dr. Cavaco nesta eleição.

São palavras que merecem ser recordadas, sobretudo para quem, como eu, não consegue ter acesso ao respectivo vídeo. Imaginem o que poderia acontecer se este senhor voltasse pela terceira vez à Presidência da República. Não é a idade que é argumento, mas as suas consequências naturais.

[PPM]

PS. Entretanto, o Carlos do Tau-Tau, indicou-me o endereço onde o referido vídeo de Soares pode ser visto: é aqui e, ainda segundo o Carlos, foi disponibilizado pelo JLP do criticaportuguesa.blogspot. Depois de ter visitado o Crítica Portuguesa, fico a saber que o linque original do filme é do Pulo do Lobo.

Aguentem-se com esta

Bob Geldof to help the Conservatives.

[Francisco Mendes da Silva]

Grandes vistos em 2005, II


1.Primeiro: é um acontecimento porque marca o regresso de um clássico vivo. Ser-se um clássico em vida é privilégio do génio invisível e simples de poucos. Bergman é um deles. Segundo: é um acontecimento porque este clássico que ainda respira regressa com novas tecnologias. Sem birras saudosistas. Terceiro: apesar de tudo, não é uma obra-prima.

2.É um grande filme, mas não é a obra-prima para o espaço. Não tem a dimensão da ternura (Morangos Silvestres), do medo (Sétimo Selo) e do lirismo emocional (Lágrimas e Suspiros) do passado glorioso (e clássico) de Bergman. Considerar que Saraband é tão bom como Morangos Silvestres representa a entrada no provincianismo do presente; é desrespeitar a História do cinema e a noção de escala e perspectiva que essa História impõe à avaliação de uma obra do nosso tempo. Mais: neste caso, considerar Saraband ao nível dos clássicos de Bergman significa avaliar por baixo toda a obra do sueco.

3. Bergman sempre teve o condão de arrancar a alma aos actores. Nos seus filmes, os actores revelam os excessos da condição humana. De Saraband, marquei uma cena que simboliza o excesso típico da raça: o ódio. Apenas o Homem pode odiar. A besta limita-se a reagir. Deus limita-se a amar. A máquina limita-se a estar. Só a besta humana pode odiar.
E a cena é aquela da biblioteca. Entre pai e filho. O ódio, a tensão pré-suicida, o asco, enfim, todo o lixo que se concentra no ressentimento foi ali figurado. Aquele ódio é de tal forma esmagador, que, a certa altura, temos vontade de sair da sala. É demasiada realidade. É confrangedoramente real.



[Henrique Raposo]

PS acusa Cavaco de promover um golpe constitucional

Imagine-se o malandro! Um golpe constitucional. Tão bem urdido que até se propõe a ir a votos.

[Rodrigo Moita de Deus]

Às vezes, gosto mesmo da diagonal


[Henrique Raposo]

Grandes vistos em 2005, I


1. O cinéfilo, este ano, passou fome. Biafra cinematográfico, eis 2005. Ver um grande filme foi coisa rara, quase tão rara como dizer “bica” no Porto (e há aqui um contraste com anos recentes). Sem o DVD, 2005 teria determinado o suicídio cinéfilo de muita gente. Puxa-se pela memória. E a primeira coisa que surge é a reposição do “Aurora”, de F. W. Murnau. Sintomático da pobreza: uma reposição marcou 2005.

2. Quando se vê um clássico como “Aurora” pela primeira vez no grande ecrã, há uma alegria pura a pairar nos olhos. Olhos humidos, até. Molhados pelo seguinte: podemos ver um clássico mil vezes em vídeo ou DVD, mas esse filme estará sempre virgem - aos nossos olhos - até ser visto em cinema. Só quando desfloramos um clássico no cinema é que podemos dizer que vimos, realmemte, esse mesmo clássico.

3. Vivemos uma época que tende a desprezar a Simplicidade. Vê-se a simplicidade como algo básico e inicial. Como um dado de partida. É precisamente o contrário. A simplicidade é "o" ponto de chegada. É algo trabalhado e terminal. Chega-se à simplicidade. Atinge-se. Não é oferecida à partida. Simplicidade não é sinónimo de Superficialidade.
A Simplicidade é o dialecto do génio. A simplicidade é o génio feito invisível. Está lá. Sentado. Calmamente. Sem a necessidade de excessos. Sem gritar. A simplicidade é o génio sussurrado. É inteligência murmurada. “Aurora” é isso. Murnau murmura-nos. Murnau é genialmente simples.

[Henrique Raposo]

Protejam as minorias das agressões cristãs XIV

Será laicamente correcto o laico Estado reger-se pelo calendário gregoriano e assinalar a passagem do ano religioso?

[Rodrigo Moita de Deus]

Por outro lado…

Os jornalistas da SIC estavam ontem indignados com o facto da EDIA – Empresa de infra-estruturas do Alqueva – ter disponibilizado 14 (!) jeeps para transportarem Soares e comitiva na sua deslocação à barragem alentejana. A mim indigna-me que a EDIA tenha uma tamanha frota automóvel capaz de dispensar 14 jeeps para passeios eleitorais.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Estou a ser injusto. A EDIA é uma empresa com uns milhões de défice e uns pares de anos de anos de atraso nas obras contratadas. Bem precisam dos jeeps para ver se recuperam.

A saudável lógica da batata

José Sócrates resolveu a questão da colecção Berardo. Colocou-se acima da guerra de capelinhas e resolveu a questão Berardo. É para isso que lhe pagamos o ordenado.

O senhor do Centro Cultural de Belém, funcionalmente, deve ser ser um pólo dinamizador e promotor de cultura. Humanamente deve ser um pouco maior que o seu umbigo e aproveitar a oportunidade que lhe ofereceram. Em última instância deve fazer o que lhe mandam. É para isso que existem hierarquias. É para isso que lhe pagamos.

A senhora ministra devia resolver problemas deste género. É para isso que lhe pagamos. Parece que a ministra se revela, repetidamente, incapaz de o fazer. Não é nada que uma remodelaçãozita não resolva.

Mais do que produzir ou financiar a produção de cultura, o Estado deve promover o acesso dos cidadãos a essa cultura. É para isso que lhe pagamos. O custo de protecção e manutenção da Colecção Berardo no Centro Cultural de Belém será sempre inferior ao custo de sustento dos oito ou nove institutos que temos para as artes e cultura. Dos seus carros, dos seus directores e sabe-se lá mais do quê. Será inferior à soma total de subsídios para projectos de produção cultural anualmente desperdiçados e certamente insignificantes quando comparados com o valor de alguns daqueles quadros. Qualquer comentário adicional sobre a matéria é pequenez contabilística.

Terminando com o princípio. Existe uma pergunta que devia logo ter sido colocada sobre esta matéria: a Colecção Berardo merece ser disponibilizada ao grande público? Até agora ainda não ouvi ninguém dizer que não. Tudo o resto, daqui a dez anos, estará convenientemente esquecido.

[Rodrigo Moita de Deus]

terça-feira, dezembro 27, 2005

Boas Novas para 2006 (III) - (Coisas à Henrique Raposo)

Eu continuo a ser o JOSÉ BOURBON RIBEIRO.

[JBR]

Boas Novas para 2006 (II) - (Coisas à Henrique Raposo)

O Expresso está mais arejado (e vai estar bem melhor).

[JBR]

Boas Novas para 2006 (I) - (Coisas à Henrique Raposo)

O Presidente da República já não pode demitir o MEU Governo (eles não existem).

[JBR]

O Henrique da TV

Na Aspirina B, dizem que o nosso Henrique Raposo tem ambições a ser uma espécie de professor Marcelo da Blogosfera. Cá para mim, o prof. Marcelo é que tem ambições a ser uma espécie de Henrique Raposo da TV.

[PPM]

A excepção confirma a regra

Também faz parte da sabedoria popular. Porque acontece que nem sempre os últimos são os primeiros, acabando por ser os segundos ou até os terceiros.

[PPM]

O Acidental à escuta. Secção: esse poste é tão bom que podia ser meu

O terrorismo não é de direita nem de esquerda. É como as putas. É de quem lhes pagar.

Adolfo Mesquita Nunes in A arte da fuga

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: E como o terrorismo é filho de puta, não sabemos muito bem quem é o pai...quanto mais o resto da ascendência. Dizer-se que é de direita ou de esquerda é o mesmo que tentar fazer a genealogia de bastardos.

Já passou o Natal e a árvore saiu lá de cima

Foi um bom Natal?

Agora só falto eu. O fundador.

[PPM]

Gente de vistas curtas: CDS não é o PP e um democrata-cristão é quase um socialista

Acho cómico quase trágico que ninguém tenha percebido o brilhante exercício de ironia de Mário Soares sobre Ribeiro e Castro.

[Rodrigo Moita de Deus]

Mais uma maldade enviada por e-mail

Basta, basta... espera aí, afinal ainda não basta





















Diga-se que esta maldade é datada: só pode ser do tempo em que o dr. Soares ainda conseguia tomar posse.

[PPM]

Woody What?

Parece que meia Lisboa anda frenética por causa da aparição de Woody Allen atrás de um clarinete, logo à noite, no CCB. Não chegava já andar a fazer filmes de interesse duvidoso e qualidade medíocre, como ainda por cima se arma em músico. O homem toca médio mal, mas isso não impede que as gentes fiquem espantadas, de queixo deslocado de tanta abertura. O que lá fora é assunto de barzinho de fim de beco, aqui ganha foros de acontecimento. Desditosa pátria minha amada...

[Manuel Falcão]

Bem-vinda, Constança

Através do Portugal dos Pequeninos, descubro que a Constança Cunha e Sá escreve agora também na blogosfera. Mais precisamente no blogue Minha Rica Casinha (ver aqui). Vai já para as ligações acidentais.

[PPM]

Grande acontecimento do ano, I


Aliança entre Índia e EUA, “oficializada” em Junho (acordo de defesa, que contempa a aceitação, por parte de Washington, do programa nuclear indiano). Merece, sem dúvida, o brinde de Bush e de M. Singh (PM indiano).

Esta aliança vai marcar o século XXI. E representa três coisas:

- “Regresso” do Império Inglês. As duas maiores democracias do mundo (Índia e EUA) foram, não por acaso, as duas pérolas do império britânico. Já se fala de uma Anglosfera (união entre Canadá, EUA, Índia, Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, etc.) como o próximo pílar estratégico do mundo. Talvez seja exagerado. Mas há aqui qualquer coisa…

- A aliança Nova Deli – Washington simboliza, sem exagero, o modelo central do século XXI: aliança entre as grandes democracias liberais do mundo. É a Sociedade internacional de Hedley Bull. Kant chamar-lhe-ia federação de repúblicas. Todos os estados demo-liberais, do Chile ao Japão, da África do Sul à Índia, já perceberam que a nova matriz internacional é a unidade de valores e interesses entre as Repúblicas.

- O Ocidente já não é apenas atlântico ou branco. O Ocidente representa, hoje, um conjunto de regras constitucionais e institucionais. Regras, essas, que estão em funcionamento em todos os continentes e em todas as culturas. Na Índia, está um novo Ocidente.

Fazer política não é ter visões. Fazer política é VER o que se passa. A Europa tem de acompanhar esta mudança. Tem de perceber que já não é o centro do mundo. A Europa tem de descobrir a humildade. Tem de perceber que 500 anos de predomínio político, económico e cultural chegaram ao fim. A Europa é, agora, apenas mais uma. A Europa é tão importante como a Índia ou como o Japão (bom... o Japão e a Índia já são, neste momento, mais importantes do que a Europa). É tempo de acordar. É tempo de partir a muralha ideológica que tenta proteger os europeus do resto do mundo.

Se a Europa não perceber isto, Portugal não pode ficar parado. Quando se tem o Atlântico a entrar pela casa adentro, não se pode acompanhar o naufrágio da Europa. Seria sacrilégio. O mundo não se resume à Europa. Bruxelas é uma senhora de carnes tenras, sem dúvida. Mas as carnes tenras de D. Bruxelas não se comparam à carnalidade infernal de D. Brasilia. E há mais silhuetas carnais a conquistar. Há mais Brasilias a seduzir. É só querer.

Inauguramos a bendita globalização quando resolvemos que a península ibérica era demasiado pequena para o nosso ego (sim, o povo português é arrogante; o português humildade é um mito). Iniciamos a maré global no sentido ocidente - oriente. Seria trágico afundarmo-nos no momento em que a maré global é invertida (oriente - ocidente). É tempo de voltarmos às caravelas, porque é tempo de bolinar.

[Henrique Raposo]

Presentes do Diabo* no sapatinho do Pulo do Lobo

Cavaco Man

Temos o prazer de oferecer este magnífico Cavaco Man. O boneco que faz as delícias dos cristãos-novos da social-democracia vem equipado com discurso de série. Basta carregar no umbigo para dizer três magníficas frases para esta campanha: “os portugueses conhecem-me”, “não quero falar sobre os outros candidatos” e “bolo-rei? não obrigado. Estou cheio”. O kit liberal é vendido separadamente.

[Rodrigo Moita de Deus]

* Homenagem ao Venha o Diabo e ao Pulo do Lobo.

A colecção Berardo

O último episódio do folhetim «Colecção Berardo» foi muito educativo sobre a forma como o primeiro-ministro vê o papel do Estado. De uma assentada passou por cima da Câmara Municipal de Lisboa e da Administração do Centro Cultural de Belém e resolveu mostrar como, no seu entender, se fazem as coisas, no bom estilo «quero, posso e mando» e com um guião
simples: «se os outros andam a enrolar eu vou mostrar-lhes como se faz». Aproveitando o facto de o seu assessor cultural, Alexandre Melo, ter estado ligado à constituição da Colecção, o primeiro-ministro avançou sozinho para a definição das regras do negócio.
Vamos por partes: se a colecção Berardo cá ficar, isso é bom - mas não a qualquer preço; os termos do acordo devem ser públicos e conviria que uma pessoa que foi paga pelo Comendador Berardo no âmbito da aquisição de peças para a colecção não fizesse parte das negociações que agora hão-de ocorrer. Já agora, era bom que fosse bem transparente o modelo de negócio final (porque a questão é que o Comendador Berardo transformou este assunto num negócio e não num gesto cívico altruísta como alguns inocentes querem fazer crer).
Para terminar sugiro que os juristas comparem o modelo a ser adoptado com o que foi celebrado entre o Estado espanhol e a família Thyssen e que levou à criação do Museu de Arte Thyssen-Bornemisza, em Madrid.

[Manuel Falcão]

O mercado está sempre um passo à frente na satisfação das necessidades dos clientes

(esta fotografia não está minimamente relacionada com o teor deste poste. nem tão pouco sei o que está aqui a fazer)


Dizem-me que a telepizza tem um novo produto: a Telepita. Para além da originalidade do serviço, acrescento que por apenas seis euros e oitenta podemos comer duas pitas, inteiras e à nossa escolha.

[Rodrigo Moita de Deus]

E quando julgávamos que Sampaio já não nos conseguia surpreender

Os cavaleiros da Ordem de Cristo serviam Deus e o Rei. Entre mil façanhas distinguiam-se especialmente no combate aos inimigos da Fé. Assim foi em todas as praças do norte de África. A mourisca era arrisca mas a cavalaria dava-lhes bordoada que até fervia. Com os séculos a ordem virou sinónimo de bravura enfeitado em forma de medalha. Veio depois o Dr. Sampaio atribui-la ao príncipe Aga Kahn. O neto do profeta leva para casa a insígnia de dar traulitada na progenitura. Parece-me adequado e de grande tacto diplomático.

[Rodrigo Moita de Deus]

Spam festivo

Entrou de hábito a moda das mensagens escritas com o pretexto das festividades. O telemóvel vibra por tudo e por nada em jeito de up-grade tecnológico do encanto do postal e em competição pelo prémio de mais singular boas festas. Pois que no verso do hábito há sempre etiqueta. Pois para mim, que casmurro com essas coisas, vejo com terror que o hábito transformou-se em etiqueta. Aqui fica explicado que o facto de não fazer spam dos meus desejos para a humanidade em nada diminui a minha querença num próspero ano novo para todos vós.

[Rodrigo Moita de Deus]

Já dizia o outro: a única forma de evitar uma armadilha é ter conhecimento prévio da sua existência

Um pai experiente vai tirando as pilhas aos brinquedos assim que o filho os desembrulha.

[Rodrigo Moita de Deus]

Entretanto na frente ocidental

Mapling – Às três da tarde de sábado embasbaco na SIC. Num programa de quase uma hora apresentadores entrevistam outros apresentadores sobre as suas apresentações. Deu mesmo para que um dos apresentadores de apresentadores fosse também ele entrevistado. A coisa dá pelo nome de 5 estrelas. Uma originalidade.

[Rodrigo Moita de Deus]

O pijama do Natal

Confesso que nunca apreciei como este ano o clássico pijama que me calha, invariavelmente, desde a idade adulta, no sapatinho... é que assim leio com maior conforto o Bilhete de Identidade da Maria Filomena Mónica.

[JBR]

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Os conceitos são uma arma

Se a comunicação social de então seguisse o actual relativismo radical será que os "werwolf" na Alemanha dos primeiros anos da ocupação aliada seriam conhecidos por "insurgentes"?

[Leonardo Ralha]

Grandes escutados em 2005, II




Se não me engano, este é apenas o segundo álbum de Anthony and the Johnsons. Pois bem, é um vício. Tenho com a música uma relação de vício religioso. Oiço até à demência aquilo que me preenche. Por isso, não gosto muito de variar. Não sou melómano. Sou apenas doente por aquilo que encaixa na minha frequência (saudade para António Amaral do "A Arte da Fuga"!!!). Todos os dias, oiço, no mínimo, a faixa “Bird Gerhl”. Há aqui o toque dos grandes. Que toque de Midas musical é esse? Simples: transformar o tímpano num local de peregrinação religiosa. Rezo aqui todo o santo dia. Até ao advento de um novo deus. É isso mesmo: pratico politeísmo musical.

[Henrique Raposo]

Grandes escutados em 2005, I

Bernardo Sassetti compôs algo que sobrevive ao filme. Ouve-se a música sem a necessidade de repensar o filme. Se Portugal tivesse uma indústria cinematográfica, teríamos descoberto do nosso Morricone.

[Henrique Raposo]

Grandes livros lidos em 2005, VI

Numa reflexão de um pensador improvável, encontrei um dos pilares do ser-se conservador: recusar o Bem enquanto projecto colectivo. O Bem, na esfera pública e política, é uma perigosa tentação. Na esfera pública, deve-se manter, isso sim, a memória do Mal. Deve-se pensar a montante (evitar o mal) e não a jusante (fazer o Bem). Uma teoria da Justiça/Bem é impalpável em termos políticos. O Bem é indefinível porque é infinito, expansivo, sem fronteiras. Uma teoria da injustiça/mal, ao invés, é finita e palpável em termos políticos. Como diz este senhor (de forma muito maquiavélica e hobbesiana), os nossos direitos advêm do contacto com o mal e não de grandiloquentes definições de Bem.

Todorov é difícil de definir. Quando o lemos, ficamos com uma impressão de estranheza. A meu ver, esta estranheza advém do seguinte: Todorov é pré-Iluminista. As suas referências estão contidas no período do renascimento. Maquiavel e Erasmus. Um pessimismo em relação ao Homem, mas uma crença inquebrantável no Indivíduo.

[Henrique Raposo]

O Acidental recomenda

Lixo de Portugal
Lixo! - o outro blogue da Vitriolica. A ver se os portugueses passam a ter alguma vergonha na cara. E não só.

[PPM]

Já é segunda

Onde está o Rodrigo Moita de Deus?

[PPM]

O blogue a quem o trabalha

O Acidental vai mudar de imagem na primeira semana de 2006 - só faltam mesmo uns pequenos pormenores, incluindo um desenho pedido à nossa amiga Vitriolica. Mas as novidades não ficam apenas pelo grafismo. Este vai ser o primeiro blogue de direita a ser alvo de uma colectivização selvagem promovida e aplaudida pela própria administração.
Não perca por esperar.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Terá sido combinado?

A partir dos últimos acontecimentos da campanha eleitoral, sobretudo depois da resposta extremamente confusa de Soares a uma pergunta sobre as declarações do presidente do CDS - em que confundiu Ribeiro e Castro e o CDS com o Partido Socialista Europeu; palavras essas que curiosamente não encontro citadas em nenhum jornal - invento uma teoria da conspiração: a candidatura oficial do PS foi criada por José Sócrates à medida da eleição de Cavaco Silva.
Mário Soares serve como ninguém a candidatura de Cavaco, porque só a derrota à primeira volta do patriarca socialista poderá representar tão claramente uma mudança de gerações e de práticas na política portuguesa. Trata-se de uma passagem de testemunho e, deste modo, a eleição de Cavaco Silva será também uma vitória do futuro sobre o passado.

[PPM]

O Acidental à escuta

Quando um líder começa a governar para a história e não simplesmente para manter o seu poder, começa a ser fundamental percebermos a natureza das suas convicções. Muitos observadores, desde logo, têm uma dificuldade evidente em aceitar que Blair é um político de profundas convicções e, por isso, nunca o compreenderão. Se analisarmos com cuidado a política europeia do primeiro-ministro britânico desde que chegou ao famoso Nº. 10 de Downing Street, descobrimos três ideias permanentes. Em primeiro lugar, a importância crucial da relação transatlântica para a segurança da Europa. Desde o entendimento com Clinton, na crise do Iraque de 1998 e na guerra na antiga Jugoslávia em 1999, até à aliança com Bush na guerra do Iraque de 2003, Blair privilegiou sempre a cooperação com Washington no domínio da segurança. No entanto, e apesar dos conflitos diplomáticos de 2003, a relação com os Estados Unidos não é vista como alternativa à Europa.

João Marques de Almeida, no "Diário Económico" de hoje

[PPM]

Pobre país

Percebo que vivo em Portugal quando num dia útil da semana tenho de ter autorização superior escrita para poder entrar no meu local de trabalho.

[PPM]

Sim, sr. primeiro-ministro

"País não avança com ilusões e adiamentos"

[PPM]

Procura-se

Quem foi o responsável por aquela inacreditável maquilhagem brilhante do primeiro-ministro na declaração de boas festas ao país?

[PPM]

Importa-se de repetir?

O senhor das grandes estiradas em jornada pelo país azul

[PPM]

Grandes livros lidos em 2005, VI


Não é preciso escrever nada. O nome – Steiner – basta. Aqui fica apenas a primeira frase; uma frase que define um tempo, o nosso: “já não temos começos”.

[Henrique Raposo]

Grandes livros lidos em 2005, V

Um clássico instantâneo. A história do Império Britânico, mas também, e acima de tudo, uma recusa do pensamento pós-colonial. Desde Frantz Fanon, a experiência europeia no exterior tem sido reduzida a uma “virose branca” que atacou e destruiu o resto do mundo. Ferguson é a némesis dos Lévi-Strauss’s e dos Fanon's de serviço, isto é, o historiador escocês afirma que ser-se ocidental não é vergonha nenhuma. Aliás, até deve ser motivo de um certo orgulho.

[Henrique Raposo]

sábado, dezembro 24, 2005

Será montagem?

Acabei de chegar. Alguém me explica o que é isto?

[JBR]

Sócrates e Luís Amado no Afeganistão

O primeiro-ministro e o ministro da defesa estão a visitar as tropas portuguesas no Afeganistão. É bom lembrar que estamos no dia 24 de Dezembro. Seria mais fácil ficar com a família. É bom lembrar que esta operação não é muito simpática para as bandas da esquerda. Seria mais fácil agradar à tribo. Mas não. O PM e o MD escolheram aquilo que deveriam ter escolhido, como homens de estado que devem ser.

"Mama Sume" é o grito dos comandos portugueses. Significa aqui estamos, prontos para o sacrifício, ou qualquer coisa assim. É bom ver que ainda há políticos prontos para o sacrifício inerente ao ser-se homem de estado. Também é bom sentir uma voz - a do PM- embargada por uma certa emoção patriota. Saudavelmente patriota. Convém recuperar esse patriotismo. Vai ser preciso para os tempos que se advinham.

[Henrique Raposo]

Natal terrorista e a ferrugem esquerdista

A forma como a Esquerda portuguesa reagiu à questão do terrorismo é, só por si, reveladora de três coisas:

(1) A esquerda é, hoje, uma espécie de aristocracia falida; falida mas sempre arrogante.

(2) É verdade. Sim, o terrorismo – como arma política – foi inventado pelos jacobinos, continuado por anarquistas (sobretudo russos), foi a táctica de Lenine, foi a arma do terrorismo à la nova esquerda dos anos 70.

(3) Os esquerdistas portugueses continuam a usar uma dicotomia superficial: esquerda vs. direita, ou seja, os bons, cowboys iluminados, vs. os maus, apaches violadores de colonas. Quando se afirma que há ligações do pensamento radical de esquerda com o terrorismo, está-se a ligar o terrorismo com uma certa radicalidade da esquerda e não com todas as esquerdas. É assim tão difícil de entender? É radicalismo de esquerda = tácticas terroristas e não Esquerda = Terrorismo.

Tudo isto são factos. Se os factos – reconhecidos em qualquer parte do mundo – são mentiras ou enormidades em Portugal, então, Portugal é mesmo um país à parte. Um país preso por arames. Arames esquerdistas. Que, felizmente, estão a cair. A ferrugem não perdoa.

E sobre o assunto pode-se ler muita coisa. Há dias, indiquei dois livrinhos. Aqui fica outro:


Já agora leia-se também este artigo; "Terror, Islam and Democracy", no Journal of Democracy. É da autoria de duas historiadoras iranianas: Ladan e Roya Bouromand. Leia-se para se perceber a ligação entre o radicalismo esquerdista europeu e o radicalismo islamita. Ler faz bem. Sobretudo a aristocratas de esquerda enferrujados.

[Henrique Raposo]

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Galardões: Acidentais Best On 2005

Foi com prazer que aceitei a honra de presidir à Comissão Acidental para distinguir os melhores de 2005. Serei cruel, desumano, agreste e frontal. Serei como um touro claustrofóbico encarcerado entre tábuas. Serei como o Michel Douglas esquecido no harém do sultão. Serei como a Maria José Morgado à solta na sede de um banco. A gala é já para a semana.
Agora vou para a engorda natalícia.

[Rodrigo Moita de Deus]

A propósito da genealogia das ideias, umas graçolas liberais III

Argumento que os verdadeiros marxistas também gostam de utilizar: Não é que o liberalismo não funcione. Simplesmente nunca foi bem aplicado.

[Rodrigo Moita de Deus]

A propósito da genealogia das ideias, umas graçolas liberais II

O afecto que os liberais têm pela terminologia inglesa é quase o mesmo que os marxistas tinham pelo russo.

[Rodrigo Moita de Deus]

A propósito da genealogia das ideias, umas graçolas liberais I

Há duas doutrinas que emergem da revolução francesa: aquela que ama a liberdade (liberalismo) e todas as outras.

[Rodrigo Moita de Deus]

Fruta da época

Que saudades quando no natal era filho...

[Pedro Marques Lopes]

Actualização do diccionário

Jetrosexual – Jovem globetrotter. Por necessidade e obrigação profissional aprendeu a enfiar uma camisa engomada e um computador portátil numa mala compatível com a bagagem de mão de um avião.

[Rodrigo Moita de Deus]

Graçolas internacionais

A acusação de tortura a Saddam Hussein fragiliza os estados unidos em relação aos seus inimigos tradicionais. Para norte-coreanos, iranianos e outros, não é normal que a única superpotência do mundo torture chefes de estado e mesmo assim não lhes consiga “sacar” nada.

[Rodrigo Moita de Deus]

Nunca mais é segunda

Antes que mais alguém pergunte: Sim vou passar o natal aqui. Tenho seis jantares, oito almoços e doze famílias para visitar em apenas dois dias. Eu também desejo boas festas a toda a gente, paz no mundo e tal, mas, por favor, parem de me enviar SMSs! Obrigado.

[Rodrigo Moita de Deus]

Graçolas de época

Sonhos, rabanadas, azevias, fatias douradas, broas de milho, bolo rei, bolo inglês, bacalhau, lombo, peru…o natal é o décimo terceiro mês dos cardiologistas.

[Rodrigo Moita de Deus]

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Grandes livros lidos em 2005, IV



1. Sebald. Outra vez. Agora em ensaio histórico. Sobre a memória. Sobre a memória colectiva alemã. Um olhar crítico – e altamente polémico - sobre a forma como a Alemanha lidou com a sua memória traumática. Espero que a Teorema também traduza este livro.

2. Mais uma vez, as semelhanças com Borges são, a meu ver, óbvias. Também a memória marcou a escrita de Borges (Funes - a personagem que se lembrava de tudo - é lenda). Também Borges escreveu em vários tons (conto, poesia e ensaio) sobre a memória.

3. A circularidade labiríntica, que marca a obra de ambos, é referente à memória. O labirinto é metáfora perfeita da relação do Homem com o seu tempo.

4. Borges e Sebald. Dois lados da mesma moeda. Cá em casa, estão lado a lado.



[Henrique Raposo]

Grandes livros lidos em 2005, III



1. O melhor livro sobre a América dos últimos anos. Ponto. Final. Parágrafo. Existe esta tentação: afirmar que é o “Democracia na América” do nosso tempo.

2. Um livro essencial para todos. Mas, em particular, deveria ser lido por aqueles que falam da América a partir de perspectivas mitológicas. Antes de falarmos de X, deve haver uma preocupação: compreender esse mesmo X. E este X, por acaso, é o Estado que garante a segurança estratégica da Europa. Convinha, portanto, compreender X. Compreender não é sinónimo de Bajular.

3. Vivemos um tempo estranho: insiste-se em desculpabilizar o terrorismo, quando, em simultâneo, nem sequer existe um esforço para compreender a América.

4. Right Nation tem ainda outra grandeza: não esconde uma realidade - a América é um Ocidente; a Europa é outro Ocidente. O Ocidente americano é liberal e religioso. O Ocidente europeu é aliberal (para ser simpático) e areligioso, no mínimo, ou anti-religioso, no máximo. É a separação inevitável? Saberemos a resposta aquando do próximo Iraque.



[Henrique Raposo]

Grandes livros lidos em 2005, II



Borges era fascinado com a ideia de Labirinto: Melhor: o argentino de temperamento britânico vivia encantado com a circularidade que o Labirinto implica. Borges encarava essa circularidade a partir de um ângulo superior. Como um deus. Omnipresente. Totalmente racional.
Sebald também era seduzido pelo Labirinto. Mas se Borges analisava a circularidade partir de cima, como quem olha a floresta a partir da colina, Sebald vivia a circularidade, vivia no meio das árvores. Borges não comia, não bebia. Não era humano. Estava apenas na sua colina. Sebald comia. Comia as raízes das árvores que compunham a floresta mirada por Borges.
Sebald leva-nos para o vórtice da circularidade. Com Sebald, o leitor não vê o labirinto. Com Sebald, vamos para o meio do labirinto. Ficamos como a serpente ao som da flauta. Encantados. Presos. Enleados na teia circular. E continuamos enleados mesmo depois do fim do livro.
Com Borges, analisamos. Com Sebald,… perdemo-nos. Com Borges, há fascínio. Com Sebald, há angústia. Borges é um deus que ficou sempre no Olimpo. Sebald não é um deus. É um de nós. Mas foi a esse mesmo Olimpo e regressou de lá com qualquer coisa.



[Henrique Raposo]

O terrorismo é um grandessíssimo filho da esquerda (e da direita)

Eu assisti ao discurso em que Ribeiro e Castro refere as relações entre a esquerda e o terrorismo islâmico. Ao contrário do que resulta do tratamento jornalístico que foi feito, não se disse literalmente que "o terrorismo é filho da esquerda", mas sim - conforme o Henrique Raposo explica num seu artigo de uma recente "Atlântico"; e conforme tese central do livrinho dos senhores Buruma e Margalit, aconselhado pelo mesmo algures ali em baixo - que a genealogia ideológica do islamismo radical é a mesma do marxismo-leninismo: o ódio à cidade, aos seus vícios, à sua decadência, à mentalidade comezinha dos seus comerciantes (lembrar Soares sobre Cavaco), a apologia de uma purificação heróica do Homem.

O que Ribeiro e Castro fez foi dizer o que que deve ser dito. Porque é verdade e porque o papel do CDS, enquanto único partido da governabilidade que se assume - sem receios - de direita, é o de estar na primeira linha do combate cultural contra o politicamente correcto e o socialismo mental que é hoje o denominador comum em Portugal.

Porém - e aqui o Henrique devia ter sido mais rigoroso, porque o foi no seu artigo -, é igualmente verdade que não é só de marxismo que este islamismo se faz. É também do vitalismo romântico que desembocou no nazismo e nos fascismos do Século XX. Por isso, em rigor, o terrorismo será também "filho da direita".

Agora, uma coisa é certa: a direita que se mantém fiel a esse ideário é hoje completamente residual, enquanto que em muitos sectores da esquerda - dos sindicatos ao movimento alter-globalizante - a coincidência dos pressupostos e dos fins se mantém.

[Francisco Mendes da Silva]

Grande Bomba

"Em mais uma patética tentativa de conseguirem falar com raparigas, Zé Diogo Quintela e Nuno Miguel Guedes transformam-se em 2DJs DO *******!! (música para dançar). On da mix, dia 22 de Dezembro, no Naperon (Rua da Barroca, ao Bairro Alto, antigo Três Pastorinhos). Façam o favor de aparecer."
No blogue Bomba Inteligente

Não sei se vou poder ir porque só agora é que soube e a família (as mulheres) é que manda na minha vida. Mas, da próxima, a ver se avisam com algum tempo de antecedência, para o pessoal preparar-se para a festarola.

[PPM]

Grandes livros lidos em 2005, I



Os ingleses, mais uma vez, estão na vanguarda da análise. Bobbitt é claro como água: o mundo será dominado por Estados Liberais, os «market-state». Aliás, o mundo já é dominado por uma união tácita entre estados liberais. Ainda bem (Kant).

[Henrique Raposo]

Não aceitamos a derrota

Mas reconhecemos que ficámos atrás do Semiramis e do Blasfémias na votação do Insurgente para o melhor blogue de direita em 2005. Não escrevi nada sobre o assunto, porque não me parecia de bom tom pedir uma auditoria para verificar se as votações foram livres e justas, mas também não quero que pensem que tenho mau perder, ainda que tenha mesmo. Perante a pouca afluência de leitores d' O Acidental nesta votação, estamos a preparar possíveis retaliações, possivelmente uma greve de postes até ao Natal.

[PPM]

A disposição quezilenta



Há uns dias, o Ivan apelou ao voto dos sete conservadores lusos naquele que diz ser, no essencial da sua conduta, um conservador: Soares. O Correio da Manhã de ontem parece ter querido ajudar a tese ao informar o leitor que "Soares gosta de beber chá com torradas". Só não nos informou se há ou não scones pelo meio -o que poderia ser um argumento decisivo.
Dois pontos sobre o post do Ivan. É um facto que Cavaco, mais do que qualquer tipo de disposição conservadora, tem uma disposição técnica, autoritária e autista (neste último aspecto acompanho-o, notoriamente). O que é mais discutível é que - pelo menos hoje em dia - Soares tenha uma disposição conservadora. No debate de anteontem, por exemplo, revelou mais uma disposição para a pirraça.
Uma evidência, pois: Soares passou o debate todo a mandar verylights para cima de Cavaco. Parecia um membro dos Super Dragões a tentar arrasar uma estação de serviço (o que, confesso, me fez ganhar alguma empatia pela estação de serviço). Pois, pode alegar-se que o senhor Churchill também tinha prazer em enviar uns petardos aos adversários. Sim, mas quando o fazia, tinha espírito e graça - não ressentimento e arrogância estéreis.
Mais uma achita para a fogueira: qualquer conservador que se preze tem, como se sabe, um núcleo reduzido de amigos – que tem algum pudor em nomear. Soares, não. Soares tem amigos em todo o lado. Em África, no Polo Norte e nas ilhas Fiji. Mas sobretudo "na Europa". O amiguismo parece ser o que resta do soarismo. Cavaco é que criou o monstro mas Soares é que precisa de amigos - e de mostrar ao mundo que tem muitos amigos (ou amigalhaços políticos, numa versão menos hipócrita).
Continuo, pois, a não ir à bola (nem ao cricket ou ao Minipreço) com nenhum dos candidatos. Regresso, por isso, às minhas sessões de terapia de grupo. Até já.

[Nuno Costa Santos]

Em vez de pedirem o divórcio, casados em regime heterossexual vão começar a exigir a fiscalização da constitucionalidade

Entrevista
Jorge Lacão Sec. de Estado da Presidência do Conselho de Ministros
Casamento só para heterossexuais é inconstitucional

No "DN" de hoje.

[PPM]

Ainda antes do fim da semana um poste à CAA

Isto está tudo ligado!

Duas vitórias arrancadas a ferros pela arbitragem é o saldo da equipa encarnada nas 2 últimas jornadas.


Desde 1928 que é Benfica, fado e Fátima! Ah pois! Isto está tudo ligado! Eles são todos os mesmos. A malta da igreja, do Benfica, do fado, das touradas, vivem todos na mesma casa do poder, ali no centrão terreiro do paço. O terceiro mundismo tem muitas caras!

E quem ousa falar sobre isso? Hã? Quem? Quem ousa falar sobre essa conspiração lisboeta-benfiquista-católica-faduncha-tauromáquica para manter o país no subdesenvolvimento? Quem?

Quem fala sobre os telefonemas do cardeal patriarca para a comissão de arbitragem da liga ou as influência do Camané para que o parlamento votasse uma nova concordata? Quem fala sobre as almoçaradas no Martinho da Arcada com a Mafalda Arnout, os comentadores desportivos da TVI e o reitor do Santuário para decidir o destino do país? Ninguém! Cambada de acéfalos! Milhões de acéfalos! Massa inerte e imbecil.

Nada a fazer, Portugal está igual a si próprio.

[Rodrigo Moita de Deus]

Activo e seguro

Cavaco Silva prometeu ontem, caso seja eleito nas eleições presidenciais de 22 de Janeiro, "exercer uma magistratura activa" e "não ficar confinado à concertação institucional com o Governo". É isto mesmo que o país precisa. Porque, como diz o Bernardo Pires de Lima, Sérgio Figueiredo tem razão quando escreve no editorial de ontem do "Jornal de Negócios" que "o próximo Presidente da República tem o dever de promover a mudança radical desta Constituição".

[PPM]

O Acidental à escuta

Quem recusa militantemente a existência de Deus, fá-lo por fé. Não porque, de acordo com os critérios de veracidade de que se reivindica, tenha demonstrado que Deus não existe ou que é falsa a sua materialização em Jesus. Tal como o cristão acredita em Cristo, o ateu não acredita em nada transcendente. Mas a fé não o abandonou, e nesse processo ele vai substituindo a inverosimilhança divina por coisas ainda mais inverosímeis.
O ateu ocidental, sem o saber, herdou do cristão a noção de salvação e de fim da História (o "Reino de Deus"). Mas incapaz da fé em Deus transfere-a para ídolos, como a ciência, a economia ou a política. Acredita na salvação, mas na terra, e que a ciência, a economia e a política são os instrumentos para a concretizar. A percepção crescente da incapacidade destes ídolos para construírem o tal "Reino de Deus" tem feito aumentar o número daqueles para quem já nem sequer eles salvam. Daqui nasce a crendice. É no Ocidente super-racionalista que assistimos a uma verdadeira explosão das mais folclóricas superstições, desde a astrologia à psicanálise. Não surpreenderá, por exemplo, vermos um físico nuclear acreditar na reencarnação ou no poder das actividades mediúnicas.

Luciano Amaral, no "Diário de Notícias" de hoje

[PPM]

Manuel Alegre foi ontem apresentar cumprimentos ao Cardeal Patriarca

Não entendo a insistência de alguns em dizer que Cavaco é o candidato do centro-direita.

[Rodrigo Moita de Deus]

Qutb = Lenine

Caro Manuel,

1. Seja muito bem-vindo ao “Acidental”.

2.Sobre esse tema, o mais importante hoje em dia, é a ligação entre o terrorismo de esquerda clássico e contemporâneo (o Terror – como arma política – começou em 1789) e o actual terrorismo islamita (não confundir com islâmico). O grande guru de bin Laden e afins – S. Qutb – adorava Lenine e afins. Sobre isto, deve-se ler estes dois livrinhos:




(para quem estiver interessado, também há uma montanha de bibliografia académica) Estes dois livros estão traduzidos em português. Como sei que V. gosta muito de comprar livros, estes serão, sem dúvida, grandes prendas de Natal.

3. Hoje em dia, grupos terroristas islamistas treinam na Colômbia (FARC). Nos anos 70, os terroristas europeus treinavam com o terrorismo palestiniano, líbio e libanês. A ligação entre o extremismo de esquerda e o extremismo islamita (quer ideológica, quer operacional) é uma das realidades mais bem escondidas da actual agenda política e intelectual.

Um abraço e bom Natal,

[Henrique Raposo]

Chat Acidental

Já que, apesar das promessas natalícias, o Francisco Mendes da Silva continua a não pôr cá as mãos - ocupadíssimo que anda no Pulo do Lobo a defender e muito bem o candidato dele - pedia-se-lhe ao menos o favor de tratar de repôr a música ali no gira-discos d' O Acidental, que também precisa de ser reparado. Agradecido.

[PPM]

Um mau Natal para ti e para todos os pulhas

Espero que, na noite de Natal, o sr. Scolari se engasgue com uma bela espinha de bacalhau e que depois de umas valentíssimas palmadas, possa expelir não só a atrevida espinha mas também o indisfarçável mau carácter.
Mas quem é que este arremedo de "coroné" de pacotilha julga que é, para se dar ao desplante de descarregar insinuações difamatórias sobre dois cidadãos como Vítor Baía ou João Pinto, sem que estes se possam defender?
Imaginem o que aconteceria se qualquer um dos anteriores seleccionadores nacionais dizesse a mesma coisa sobre quaisquer outros jogadores... o que não seria. Com este homenzito nada se passa, assobia-se para o lado, faz-se um risinho cúmplice e diz-se entre dentes: este é que os lixa...
Já que ninguém o diz, digo eu:
Scolari, vai à merda - tu e os jornalistas que deixam passar estas afirmações em claro, os colegas de profissão que cobardemente deixam que sejam difamados dois dos seus, e o Sr. Madaíl que deixa que dois dos melhores jogadores portugueses de todos os tempos sejam assim insultados.

[Pedro Marques Lopes]

A raiz do terrorismo

Ribeiro e Castro insiste que a raiz do terrorismo está na esquerda.

Alemanha – Bader-Meinhoff e RAF
Colômbia - FARC
El Salvador – Frente Popular de Libertação
Espanha - ETA
França – Action Directe
Itália – Brigadas Vermelhas
Inglaterra – IRA
Líbano – Abu Nidal e Hezbollah e Jihad
Líbia - Carlos - o Chacal
Peru – Sendero Luminoso
Portugal – FP/25 de Abril
Nicarágua – FSLN (Sandinistas)
Palestina - OLP e Abu Nidal
Rússia – Vontade do povo (ainda na 1º metade do século)
Servia – Mão Negra , Gravilo Princip (ainda na 1º metade do século)

São milhares e milhares de mortos de uma lista rápida que não termina. Talvez o Henrique Raposo ou o Bernardo Pires de Lima me possam ajudar a completá-la.

[Manuel Castelo-Branco]

Coisas simples que eu não consigo entender

A extinção da secção de combate à corrupção da Judiciária significa que esta polícia é o primeiro organismo públíco na história do país a ser gerido por critérios de eficácia?

[Rodrigo Moita de Deus]

Coisas realmente importantes

Mesmo sem vestido de noiva para comentar...o Diário de Notícias dedica hoje a capa e quatro páginas ao casamento de Elton John.

[Rodrigo Moita de Deus]

O Acidental subscreve

«Não basta que o próximo Presidente assuma o compromisso de cumprir e fazer cumprir esta Constituição. Menos ainda questionar os poderes que esta Constituição confere a um Presidente da República.
O próximo Presidente da República tem o dever de promover a mudança radical desta Constituição. O nosso texto constitucional não deixa o país responder à tal crise criada por um mundo aberto e uma economia global.
Não é possível salvar o modelo social, enquanto a Constituição obrigar a que seja «gratuito» aquilo que o sistema de impostos não vai conseguir pagar. Não é possível criar novos empregos, enquanto os «direitos adquiridos» constitucionais apenas se aplicam aos empregos que se vão perdendo.
Cavaco Silva e Mário Soares não podem chegar às eleições sem esclarecer isto: estão dispostos a ser nos próximos cinco anos o mesmo Presidente que Jorge Sampaio foi nos últimos dez? Um refém constitucional?»


Sérgio Figueiredo, «O Refém Constitucional», Jornal de Negócios, 21 Dezembro.

[Bernardo Pires de Lima]

Protejam as minorias das agressões cristãs XII

A equipa de O Acidental deseja a todos os leitores um feliz solstício de Inverno.

[Rodrigo Moita de Deus]

Protejam as minorias das agressões cristãs XI

Nestes dias o meu espírito laico sente-se especialmente agredido com os desejos de um feliz natal.

[Rodrigo Moita de Deus]

Acidental... Gold

1.Sempre que há medidas para aumentar o volume ou o número de horas de trabalho, a reacção típica é o queixume e o protesto. Não digo que se deva aceitar tudo incondicionalmente, mas na maioria dos casos é apenas um pretexto para a preguiça. As pessoas acomodam-se com demasiada facilidade ao que lhes é dado como garantido, à rotina empedernida, às progressões automáticas de carreira sem qualquer critério ou controlo de eficácia, aos subsídios de férias, de natal, de doença, de comichão, ao "sempre foi assim, para quê mudar?". Esquecem-se de fazer por merecer estas regalias, que é uma coisa muito mais digna do que sentar o rabo gordo no sofá e esperar pela reforma, de preferência antecipada e por inteiro.

Gold, em “The World as We Know it”.

2.”Portugal precisa de muitas mudanças” – esta lengalenga surge todos os dias. Na TV, rádios, no Metro, no Táxi, até na casa da minha vizinha Laurinda. Toda a gente sabe, de cor e salteado, que Portugal precisa de mudanças. Mas tudo isto é apenas conversa. Porque quando uma mudança mexe com os interesses corporativos, passa, de imediato e sem contemplações, a ser uma ameaça.

3. Se queremos mudar Portugal, temos de destruir – repito: destruir – a mentalidade corporativa que domina esta terra. Como? Para começar, basta dizer aos colegas de profissão: “levanta daí esse rabiosque e vai lá trabalhar!!”.

4. Por que razão o corporativismo é tão forte em Portugal? Porque esta terra é habitada por uma multidão de 10 milhões de seres privados.

[Henrique Raposo]

Cronogramas absolutamente acidentais

Leio que o governo vai acabar com a secção de combate à corrupção da polícia judiciária, essa criatura da Dra. Morgado. Se não estou em erro, a última vez que li qualquer coisa sobre estes senhores, andavam a fazer buscas em casa de Jorge Coelho.

[Rodrigo Moita de Deus]

A caminho de sesimbra um exemplo prático do afastamento entre eleitos e eleitores


Informa-se Sua Excelência o Secretário de Estado Adjunto da Administração Local, Dr. Eduardo Cabrita, que a utilização das luzes de emergência dos carros do Estado, por muito divertida que seja, deve ser feita com parcimónia e apenas em deslocações oficiais. Ficam assim excluídas outras situações como o cafezinho matinal na estação de serviço da Galp do Seixal ao domingo.

O contribuinte agradecido,

[Rodrigo Moita de Deus]