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segunda-feira, outubro 31, 2005

Eu sou republicano mas já lá tenho três em casa

Nasceu mais uma princesa. Esta chama-se Leonor e é filha da Letizia e do Filipe. Vai ser a próxima rainha de Espanha.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Pensamento do dia

Nos blogues também se faz a ponte.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

O Acidental à escuta

Totalmente de acordo com este poste de LAS no Causa Liberal, a que cheguei através do cada vez mais imprescindível Arte da Fuga.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Killing Fields



Ontem, no AXN, passou um grande filme. Além disso, é um filme que levanta um pouco o véu sobre um regime que Chomsky, na época, procurou desresponsabilizar. A culpa do holocausto do Cambodja é, obviamente, americana. As ideologias esquerdistas de “ano zero” (e isso é muito bem apanhado pelo filme) não têm, obviamente, nada a ver com os milhões de mortos dos killing fields de Pol Pot.

[Henrique Raposo]

Índia – um holograma da conspiração capitalista.



Certa vez, J. Cutileiro fez a seguinte pergunta: por que razão os europeus não falam da Índia? A minha humilde resposta: Para a Velha Esquerda Europeia, essa mescla de social-democracia em desintegração (economia) e de multiculturalismo reaccionário(cultura), a Índia é mesmo um problema. A Índia é a prova do sucesso do Império Britânico (sem o Império, não existiriam as estruturas desta democracia liberal com mais de um bilião de pessoas) e da actual Globalização (cresce entre os 6% e 8%; líder mundial das engenharias manhosas dos computadores, etc.). Na maneira de ver o mundo desta esquerda, a Índia não existe. Não pode existir. O Império só deixou coisas negativas (herança do multiculturalismo, que cospe todos os dias no prato ocidental onde come) e a Globalização é, como toda a gente sabe, uma coisa perniciosa. Por isso, a Índia não existe. Nova Deli é um holograma capitalista emitido das caves de Wall Street. E este senhor, Singh, é, com certeza, um agente da CIA.

[Henrique Raposo]

A diferença está no modo

No Conselho Nacional do CDS nunca esteve em causa o apoio a Cavaco Silva. Ambas as moções defendiam o voto no único candidato que não é de esquerda. O que esteve em causa foi o modo como esse apoio pode servir ao próprio CDS.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

A prova que faltava

O Conselho Nacional do CDS deste fim de semana foi a primeira grande prova pública que o partido existe nas eleições presidenciais. E apoia Cavaco Silva, é claro.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Hoje sou indiano



[Henrique Raposo]

A mais velha discussão do mundo

1. Haverá sempre mulheres e homens dispostos, pelas circunstâncias da vida ou pela decisão racional de auferir montantes que lhes estão vedados por falta de qualificações, a oferecer serviços sexuais a quem os puder pagar.
2. Haverá sempre homens e mulheres desejosos de, por falta de parceiro ou outra qualquer razão, pagar por serviços sexuais.
3. A não ser que as mulheres e homens estejam a ser forçados a oferecer esses serviços sexuais, o Estado nada tem a ver com a decisão dessas pessoas de tirar partido das suas capacidades da forma que melhor desejarem e, sobretudo, desde que no respeito da sua própria integridade física e dos clientes.
4. Os homens e mulheres que oferecem serviços sexuais recebem em troca dinheiro que, por nunca entrar nas contas do Estado, não lhes garante protecção social numa altura da vida em que já não tiverem condições (ou vontade) de exercer a profissão a que se dedicam.
5. O Estado não deve limitar-se a incrementar a colecta fiscal com a entrada no sistema dos profissionais do sexo. Deve, igualmente, criar condições para que estes tenham melhores condições no exercício da sua actividade e protecção após dela se retirarem. Nesse caso, os modelos alemão e holandês têm provavelmente mais virtudes do que os engulhos que provocam aos fundamentalistas puritanos - desde, claro está, que não se chegue ao exemplo, mil vezes utilizado como bandeira, de retirar o subsídio de desemprego a quem recuse trabalhar na mais velha profissão do mundo.

[Leonardo Ralha]

Alguma coisa não bate certo

1.O dito movimento de anti-globalização diz que está apenas a proteger o dito terceiro mundo do maldito capitalismo. Mas reparem naquilo que diz o dito terceiro mundo:

«India, like other developing countries, stands to benefit enormously from this explosion of economic opportunities, and indeed, has done so in several respects»
Manmohan Singh sobre os benefícios da Globalização. Singh é o PM da Índia, país que, outrora, foi a glória do neo-marxismo não-alinhado. A partir de 1991, o liberalismo começou a corrigir os disparates da doutrina da substituição de importação.

2. No momento histórico em que a Índia se abre ao liberalismo - depois de provar os disparates do proteccionismo dogmático - a Europa faz o inverso: não aceita o liberalismo e começa a namorar com o proteccionismo (ainda são só uns beijinhos, mas quando esse namoro atingir as vias de facto, então, estaremos em maus lençóis).

[Henrique Raposo]

Maquiavel e Liberalismo

Rui no “Blasfémias”:

«Infelizmente, a direita que leu o «Príncipe» de Maquiavel, esqueceu-se de ler também os seus «Discorsi».

«Por isso, o Maquiavel dos «Discorsi» preferia mil vezes a multiplicidade divisora dos podres da República Romana, à concentração iluminada do poder no «Príncipe». Na verdade, no seu tempo e à sua medida, nunca duvidei que Nicolau Maquiavel fosse também um liberal».


Caro Rui,

1.Maquiavel, tal como Hobbes, é dos autores mais incompreendidos da nossa Era. É incompreendido porque, simplesmente, não é lido. É o mau da fita da história do pensamento político. Tornou-se, inclusive, num adjectivo usado constantemente na conversa de todos os dias. Até em novela se ouve “Você é maquiavélica!”. Quando me dizem que os meus textos são maquiavélicos, eu costumo responder “muito obrigado, mas não me mime tanto”. Porque Maquiavel, ou melhor, o espírito que Maquiavel corporizou como ninguém, inventou a nossa Era. Maquiavel destruiu a Cristandade, destruiu a Unidade da Respublica Christiana e, assim, criou o espaço político para o nosso Ocidente plural, constituído por uma pluralidade de Estados. Maquiavel tornou-se dogma em 1648 no Westphalia.

2. Agora, se me permite Rui, acho que não devemos afirmar que Maquiavel era liberal. Nem da forma leve, ao nível da sempre tentadora punch line, que V. usa. Não podemos cometer o erro dos marxistas. Estes percorreram toda a História, até ao primeiro hominídeo que se lembrou de puxar a esposa pelo cabelo à saída da gruta, à procura de proto-marxistas, pré-marxistas ou mesmo tipos que eram marxistas mas que não tinham disso consciência. Se dependesse dos marxistas, haveria pré-marxistas até do tempo da caverna. Aposto que um marxista quando vê o “2001”, julga que o monolíto é o marxismo na sua primeira aparição aos terrestres cabeludos.

3. Não podemos cair no anacronismo. Não podemos fazer da história uma coutada para as nossas crenças. Acho que se pode dizer, e muito bem, que Maquiavel e Hobbes prepararam o terreno para aquilo que viria a ser o Liberalismo. Mas não são liberais. Uma coisa é ser-se influência, outra é ser-se a coisa em si. Sim, os “discursos” nunca são lidos. E não parecem ser do mesmo autor que escreveu o “Príncipe”. Ressoam a liberalismo clássico, mas não é. Podem ter sido inspiração para Montesquieu, por exemplo. Mas a inspiração maquiavélica é como a andorinha: se a segunda não faz a primavera, a primeira não chega para o liberalismo. Foi preciso uma geração do XVIII para solidificar o liberalismo.

4. O liberalismo é mais uma questão de história (continuidade, mutações, adaptação) do que de teoria (fechada, sistémica, ahistórica). O liberalismo tem vencido os seus adversários porque, precisamente, não é uma doutrina fechada. Não é sistémica. Não fecha o seu futuro. Por tudo isto afirmo que devo muito mais a Maquiavel e a Hobbes do que a Locke. Quando leio Maquiavel e Hobbes, sinto-me em casa. Quando leio Locke, sinto-me algures entre o espaço sideral e a café do bairro.

5. Tema para futuras discussões. Se quiser. O liberalismo não é algo que está acima da velha questão direita – esquerda. Não é um fogo sagrado que nos retira das lutas aqui na terra. Até porque há liberalismo de direita (conservadores liberais; o mundo conservador anglo-saxónico) e há liberalismo de esquerda (social liberalism). Na América, toda a discussão ocorre entre correntes da tradição liberal. Há um liberalismo que parte de uma ética e de uma predisposição epistemológica conservadora e pluralista. Há outro que parte de uma epistemologia optimista e unificadora.

com um abraço,

[Henrique Raposo]

Ele é mesmo capaz de ter razão...

É verdade que o tom neutro e banal do manifesto do Prof. Cavaco irrita. Também é verdade que irrita um pouco o seu género "quietista", uma espécide de mono que nunca fala e, de vez em quando, abre a boca para dizer umas coisas simples com ar grave. Mas imaginemos um Prof. Cavaco palavroso a invectivar contra reformas de políticos, ao género do dr. Soares no último sábado. Imaginemos o Prof. Cavaco a dizer a mesma coisa que o dr. Soares. Minha Nossa Senhora, o basqueiro que para aí não iria. "Demagogia", "populismo", "vigilantismo", pendor "autoritário", seriam certamente mimos (ou do género) que para aí se ouviriam. Na verdade, o Prof. Cavaco ainda não disse praticamente nada e há já uma multidão disposta a acreditar que ele quer "subverter o regime constitucional", senão mesmo instaurar uma "ditadura". Afinal, ele é bem capaz de ter razão em ficar sossegadinho. Em Portugal, só determinadas pessoas podem dizer certas coisas impunemente. Como muito bem lembrou o Pedro Marques Lopes, há muito muito tempo que o fazem e sempre houve gente disposta a achar-lhes tanta graça.
[Luciano Amaral]

domingo, outubro 30, 2005

O candidato possível e a agenda necessária

Segundo o jornal Público, António Pires de Lima propôs, no conselho nacional do CDS, uma moção que defendia que o apoio a Cavaco deveria depender da assumpção por parte deste, entre outras coisas, da defesa de uma significativa revisão da Constituição, no sentido de diminuir o peso do Estado na sociedade.

António Pires de Lima tem toda a razão em querer uma significativa revisão da Constituição e um menor peso do Estado na sociedade. Eu também quero. Mas já não tem tanta quando quer fazer depender o apoio do CDS ao Professor destes nossos anseios.

Cavaco, mesmo que assim pense (o que duvido), nunca irá pública e expressamente declará-lo. Cavaco é um social-democrata. E os sociais-democratas, à medida que vão envelhecendo, ficam piores. Ainda mais sociais-democratas.

Se o CDS fizesse depender o seu apoio a Cavaco da defesa por parte deste de uma significativa revisão da Constituição e um menor peso do Estado na sociedade, o CDS iria, inevitavelmente, acabar por não o apoiar. E isso, tendo em conta o quadro das candidaturas presentes, seria um erro crasso. É bom não esquecer que do outro lado estão socialistas, comunistas e charlatães.

Tivesse António Pires de Lima avançado para a presidência com uma agenda como aquela que vem defendendo, e teria o meu voto garantido. Como não avançou, nem ele nem qualquer outro, só nos resta apoiar Cavaco. Por exclusão de partes, com realismo e sem grandes convicções.

A alteração da Constituição e a diminuição do peso do Estado são pontos de uma agenda que deve ser seguida, em primeiro lugar, pelo CDS. Independentemente das eleições presidenciais e dos presidentes - que, como se sabe, pouco ou nada por ela podem fazer. António Pires de Lima, justiça seja feita, tem-no feito. Seria bom que a actual direcção olhasse menos para dentro e começasse também a fazê-lo.

Quer se queira quer não, com a falta de dinheiro, o Estado (o Monstro) irá acabar por ter que diminuir. Uma vez no Governo, sociais-democratas e socialistas não terão alternativas senão cortar na despesa - regalias, benefícios, subsídios, entidades, funcionários, etc. E é aí que Cavaco pode fazer a diferença em relação a Alegre ou Soares. Enquanto estes tenderão sempre a ceder face à agitação social que, fatalmente, tais cortes provocarão, Cavaco poderá ajudar a explicá-los. Não por convicção, mas por necessidade. Com um país à beira da bancarrota, até a esquerda começa a olhar para os números. E no que a números respeita, Cavaco é muito melhor que os outros.

O CDS, se quer continuar a fazer sentido, tem de defender acerrimamente a diminuição do Estado e a eliminação dos entraves constitucionais que a impedem. Esta é uma agenda partidária. Nunca a de um candidato a presidente que quer ganhar umas eleições.

[Eduardo Nogueira Pinto]

Não quero que fiques mal habituado, Diogo

1.Os europeus passam horas a discutir o sexo dos anjos. Melhor: passam horas a discutir mitos políticos. O mais forte é o mito imbecil do Império Americano. Coisa que não existe.
Às vezes, tenho a impressão que este mito é uma espécie de pílula para a depressão que os europeus engolem assolapadamente. É uma forma de fugir à realidade. É uma forma de não encarar que, de facto, a Europa já não é o centro do mundo. É uma forma, por exemplo, de não encarar de frente um facto da política internacional do século XXI: a aliança entre Washington e Tóquio é mais importante do que a aliança entre Washington e a “Europa”.

2. Um Japão forte e rico é a peça vital na estratégia americana para a Ásia. E a Ásia é o que está a dar. Sem o Japão, não é possível continuar a integrar a China no actual staus quo. A aliança Japão-EUA é o pilar da Ásia e, muito provavelmente, de todo o sistema. Façam o seguinte exercício: imaginem um mundo no qual o Japão não é aliado da América. Estão a imaginar? O que vêem? Pois é, é um mundo estranho e perigoso. Um mundo onde não há aliança entre Tóquio e Washington é um estranho novo mundo. E incrivelmente perigoso. Com um grau de instabilidade que não se conhece desde os tempos da II Guerra.

3.A estabilidade do sistema tolera crises no Atlântico entre americanos e europeus, mas não tolerará uma crise trans-pacífica entre Washington e Tóquio. A aliança Japão-EUA é o elo estratégico mais importante do mundo. Por muito que isso custe aos europeus.

4. E um aviso para quem afirma que os EUA não querem uma Europa forte: Washington está a preparar-se para aceitar a reemergência do Japão enquanto grande potência política e militar. A subalternidade vivida na Guerra-Fria vai dar lugar a uma relação entre iguais.

[Henrique Raposo]

Bibliografia (com um abraço para o camarada Diogo; para quando esse copo no teu doce lar?): James J. Przystup, “U.S.-Japan Relations: Towards a Mature Partnership”, Institute for National Strategic Studies – Occasional Studies 2, Washington, National Defense University Press, 2005; Akio Watanabe, “A Continuum of Change”, The Washington Quarterly, Autumn 2004, Vol. 27, N.º 4. David Fouse, “Japan’s FY 2005 National Defense Program Outline: New Concepts, Old Compromises”, in Asia-Pacific Center for Security Studies, vol. 4, n.º3 (March 2005).

Justiça

Há 65 anos, em Outubro de 1940, a Guerra decidia-se. Nos céus ingleses, decidia-se o seguinte: ia o mundo livre – reduzido ao Império Inglês – aguentar a pressão de Hitler? E aguentou. Em Outubro de 1940, a fase mais difícil dos ataques terminou.

Temos sempre a tendência para olhar para o final da Guerra, para a altura em que a coisa já estava resolvida. Esquecemos sempre as partes mais difíceis, as partes em que estivemos quase a perder. Não perdemos porque, de todo o império – sobretudo do Canadá –, apareceram homens como este:



Salvaram-nos. Literalmente. «Without Canadian pilots, the battle of Britain might well have been lost» (Niall Ferguson, “Empire”).

[Henrique Raposo]

PS: um abraço para o meu canadiano preferido: o Gil, algures em Toronto

Foxy Guy

Raposão, Henrique Raposão

Ele já escreve posts sem notas de rodapé, com menos de sete parágrafos, com ironia e até mesmo com graça, coloca até fotografias e, hoje, faz a atrevida proposta de "convidar aqueles desarmantes olhos castanhos para escrever no “O Acidental”"?

Rodrigo, o que andas a fazer ao rapaz?

[DBH]

Sinais dos tempos

- A RTP 1 sentiu necessidade de fazer uma “reportagem” (confesso que gosto de eufemismos) sobre os blogs políticos que acompanham os candidatos. Objectivo: desvalorizar o Blog. Uma televisão gasta cinco minutos a desvalorizar a blogosfera num tom de sobranceria, usando, ainda por cima, um rosto gracioso. Não estou a defender Blog Y ou X. Estou apenas intrigado. TV já perde tempo a xingar o Blog. Porquê?

- Paulo, uma proposta: convidar aqueles desarmantes olhos castanhos para escrever no “O Acidental”.

[Henrique Raposo]

Clássico


Quando revejo este filme, penso em várias coisas:

- Michael Mann – o realizador - não tem metade da atenção que merece. É um dos grandes autores de cinema vivos.
- “Heat” também não tem metade da atenção merecida. É um dos melhores dos anos 90. E não apenas por causa da cena em que Pacino e De Niro contracenam pela primeira e única vez.
- Assalta-me uma dúvida que é, ao mesmo tempo, um desejo: "é um dos melhores dos 90, mas será que quando for velho irei considerá-lo como um dos melhores de sempre?"

Certa vez, Pedro Marta Santos (saudade para o pessoal do “Índigena”) escreveu qualquer coisa como isto: Michael Mann filma como ninguém o nosso tempo. Com o devido respeito, vou um pouco mais longe: Michael Mann filma como ninguém a alma humana, esta coisa que a gente tem aqui atrás da orelha e que está sempre a latejar, sempre a ruminar com conflitos, dúvidas e tensões.
"Heat" é isso mesmo: Tensão. Dois pólos que, supostamente, são antagónicos, mas que, na verdade, se respeitam. A última imagem – lendária – é isso mesmo. Não conto. Se ainda não tiveram o privilégio de ver este filme, se estão a cometer essa blasfémia, então, vejam. Com carácter de urgência médica.

[Henrique Raposo]

sábado, outubro 29, 2005

A cara que o Ocidente deveria fazer ao tipo barbudo do Irão


[Henrique Raposo]

A múmia de Lenine e a Manif de 10 gatos-pingados

Notícia: Putin quer enterrar a múmia de Lenine. Antes de mostrar as imagens, a TV falava em manifestações de protesto contra tamanha ofensa à memória da utopia ou coisa assim. Como se o mundo fosse acabar com esta humilhação: afinal Lenine é mesmo um homem e vai conhecer, como todos os outros mortais, o peso de sete palmos de terra por cima da barbicha. Mas, quando mostraram as imagens, percebeu-se que a dita manifestação era composta por uns 10 hooligans a berrar e a beber vodka.
Sim, acho que se pode enterrar a múmia de Lenine sem que as diversas dimensões do universo colidam numa espécie de holocausto interestelar.

[Henrique Raposo]

Porque há coisas muito bem feitas...

... aqui fica o link de um projecto muito interessante e que, se não me engano, vai revolucionar o mundo TI.

[JBR]

A democracia avançada

1.As reacções da esquerda radical à decisão do Tribunal Constitucional revelam uma perigosa tendência, completamente contrária à Democracia Representativa, na qual o primado da lei(que tem no Tribunal Constitucional o decisor máximo) tem mais poder do que a vontade da maioria. A lei é estrutural. A maioria é conjuntural.

2.A esquerda radical (hoje descrita com um eufemismo: esquerda moderna) tem o hábito de falar em Democracia Avançada para descrever estas formas de flanqueamento do primado da lei através da arma da maioria. Aliás, o primado da lei deve continuar a ser visto como um instrumento de poder da ideologia burguesa. Bom, existe outra forma de descrever essa democracia avançada: Tirania da Maioria. Querem à força aproveitar a maioria temporária que a esquerda tem na assembleia para decidir, de vez por todas, uma questão. Um deputado do BE foi claro: “para nunca mais a Direita tocar no assunto”. Isto, meus caros, é o pior populismo do autoritarismo democrático da velha esquerda. Isto não tem nada de esquerda moderna (seja lá o que isso for).

3.Não estou a falar do assunto substantivo em causa. Estou a falar da forma processual como se concebe ou não uma democracia representativa. Se dependesse da esquerda radical portuguesa, Portugal seria uma sucursal da democracia iliberal venezuelana.

[Henrique Raposo]

sexta-feira, outubro 28, 2005

Interrupção na interrupção para explicar o que é "jogo de cintura"

já que estamos numa de imaginações básicas, rodrigo, deixe-me dizer-lhe que eu a si o imagino betinho. muito betinho (e nem é plo nome, embora ajude)

E já que estamos numa sinceridade...essa coisa de me imaginar betinho...é bom ou é mau?

[Rodrigo Moita de Deus]

Breve interrupção no serviço público blogosférico

Agora vou ali de férias e já volto.

[Rodrigo Moita de Deus]

A menina cora?

A Fernanda diz-se impressionada, com a minha falta de decoro. Quase a imagino corada, soltando a dita chiça pelo desabaforo.

Sendo eu danado para a malandrice, respondo quase a medo. Se a Fernanda ruboriza com as parcas tropelias ostentadas, garanto que desfalece com melhores propriedades que guardo bem guardadas.

Desta feita a escrita será rude, quase severa. Sem gaiatices ou segundos sentidos. Pois não há nada que mais me abale os sustentáculos da consciência que a face de uma menina corada.

O problema, garanto, é estrutural. Estrutural e nem me serve de desculpa que a minha pena, hirta no trilho da pureza (linguística), nunca resvale, ou sequer vacile, na tentação de empregar apensos mais comuns.

É por isso de tom afectuoso que lhe peço segunda prova antes de ir a oral. Agora devidamente assistida, vamos lá desemaranhar as linhas tortas: Leia por aqui estas. De que versam? Que significam? E estas? Que dizem elas? E esta graçola, que coisa crítica? E mais esta. E esta também. O que querem elas explicar? E agora leia mais uma vez. E só mais outra vez.

Nestas graçolas acuse que, para seu gosto, têm défice de graça. Mas garanto-lhe que nem uma tem ponta sem nó ou argumento. Acuse que a impressionam e a fazem corar. Mas garanto-lhe: se lhes arriar, com vara mais delgada ou grossa, finda logo que são tudo menos ocas.

Se pequei foi por gula. Explico. É que tenho para mim que esta coisa do Estado legitimar conduta tão pouco condicente com a dignidade do Homem, só pode ser garotada da qual também quero participar.

[Rodrigo Moita de Deus]

De matosinhos a Alfama é uma hora e meia de autoestrada

Jolly good show dear chap!

You are more than welcome to the Alfama School of Economics. Recognizing that greed is not a right that greed is wrong, that individual freedom can not overstep the community interests, that you need rules to arbitrate the interaction of two humans, and therefore the presence of the State is desirable to enforce those rules. Recognizing all of this is the first step to my social-democracy in the faduncho way.

Closing down these differences helps us to find a universal understanding, let’s focus on those last miles to Alfama. I quote:

why and how to discover the right rules, why not just create them? Why don’t we nominate a few wise men of great knowledge to create fair rules? Hayeck (the third one) answered, because no man or group of men possesses information or knowledge enough. Because knowledge is a discovery procedure and we’ve been walking this earth for so long that I am certain that most rules are already known, although they are flexible, adapt and evolve continuously...

I understand what Mr. Hayeck (you’ve misspelled the name) is saying. Almost all little boys have that same problem with authority and legitimacy of power enforcement. But you shouldn’t bother with his concerns. If that’s the main issue keeping us a part I have great news: we solved that dilemma centuries ago when we stopped believing that God was the source of all earthly power.

Off course in theory you are absolutely right. No man or groups of man can set the perfect system for mankind. Nobody can dictate the perfect set of rules or laws. Nobody is that wise. Nobody is that insightful. Nobody can play God (except for me). But you are talking about the ideal system. And we are just humans. Simple but true. The last guys how thought they had an idyllic model build a huge wall across Europe. Remember that? It wasn’t that long ago. And you know why it failed? Because: even if you achieve the perfect system you can never adapt it to an imperfect mankind.

How did we solve the problem? We say that the common welfare of the community is what keeps us united as a society. That’s our raison d'être. In conscious we have decided that common good must drives our individual acts, state policies and most importantly, common good must drive our rules.

Knowing that we will never achieve perfection we can judge a system not only by the ability it has to seek that common good but also for its results in the process. The best system and the wisest laws are the ones that better serves the purpose. Quite simple isn’t it?

[Rodrigo God´s Bush]
The Alfama School of Economics

É esta a Rua idolatrada por parte da esquerda portuguesa?













Teerão. Hoje.

[Bernardo Pires de Lima]

Do we need the bomb?

2005-10-29-0

Precisamos da bomba? É a pergunta na capa do último número da edição britânica da revista Spectator. Perante a brutal ameaça do presidente iraniano de "apagar Israel do mapa" e a intervenção segura do primeiro-ministro Tony Blair na cimeira europeia de Hampton Court, a resposta pode muito bem ser positiva.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

O problema do país passa pela falta de calduços parentais?

No café, um rapazola exibia à plateia de amigos o extraordinário talento de ler jornais ao contrário. Findo o espectáculo levantou-se para pedir a conta. O petiz que lia jornais ao contrário não disse nem se faz favor nem obrigado. Ouviu-se um seco “dê-me a conta” em jeito de ordem para o subalterno. O empregado, certamente acostumado com este género de cortesias, nem ligou. Eu cá fiquei a pensar. É significativo que alguém tão novo abdique de virtudes para se especializar em habilidades.

[Rodrigo Moita de Deus]

Globalização e a liberalização da prostituição

Há que enfrentar a realidade: Portugal não está preparado para a concorrência estrangeira de um mercado liberalizado e global! Para quando discutir com seriedade o problema da qualificação profissional como forma de combater a estratégia de preços baixos dos países em vias de desenvolvimento? Onde andam os cursos técnico profissionais da UGT agora que precisamos deles?

[Rodrigo Moita de Deus]

Consultório sentimental – Tributar a prostituição

Questão a Deus:como é que se faz o controlo contabilistico de modo á DGCI ver se as Meretrizes não estavam a fugir aos impostos?e outro questão (já que estou embalado..):a certo momento da sua longa carreira, Alberto João comparou-se a uma meretriz.aquando do preenchimento da declaração de finanças,qual a profissão a declarar?espero resposta no consultório sentimental de RMD
Leitor identificado: igrejas

Ò meu amigo, essa é uma falsa questão. A fuga ao fisco será sempre um problema. Em qualquer área de actividade. E como em qualquer área de actividade existem soluções, umas melhores que outras, para minimizar a impotência da fiscalização. Não deixemos essa miudeza afrouxar os nossos firmes intentos.

Temos sempre o recurso a indícios indirectos para apuramento estimado de facturação, como por exemplo a contagem de consumíveis. Mas neste sector os consumíveis nem sempre são proporcionais aos bens transaccionados, pelo que admito desvio na computação.

A malta da escola de Viena falaria logo de uma Taxa Única. Mas a aplicação de uma Taxa Única de Malandrice seria uma medida injusta e discriminatória. As gordas desdentadas do Cais do Sodré seriam fortemente penalizadas em relação às suecas boazonas, minhas amigas, ali das amoreiras. Aumentaríamos o fosso entre ricos e pobres, acentuando as desigualdades sociais e deixando que os camionistas pagassem a crise.

O tabelamento dos preços por serviço é coisa que reduz o potencial da oferta anulando as vantagens de um mercado liberalizado. Não vejo porém qualquer inconveniente para que o Estado participe, directa ou indirectamente, neste sector para estabelecer padrões de qualidade e regular os preços praticados. Pode fazê-lo através de empresas públicas, municipais ou mesmo via um Instituto do Prazer. Quem sabe se esta não é a solução para resolver o problema dos excedentes da função pública?

Nesta matéria outras questões mais importantes se levantam. No caso da menina ter outra nacionalidade, devem os seus rendimentos ser tributados no local de origem, no local de origem do utente ou no local do acto? Não há resposta fácil. É que eu não estou a ver o governo brasileiro a abdicar de tantas remessas assim tão facilmente. Que papel para as autarquias? Podem elas lançar um imposto municipal? Afinal sempre se tratam de mais valias criadas para a população local. E os benefícios fiscais? Deve ou não o estado financiar ferramentas consideradas fundamentais para o exercício da profissão, como lubrificadores e implantes mamários? Eu penso que sim, mas admito melhor tese.

A segunda questão é pertinente. De facto a conotação da palavra puta é ainda muito negativa para que o termo seja utilizado como categoria profissional no formulário das finanças. Pode-se sempre dar a volta ao problema. Recomendo que se utilize um sinónimo mais inócuo mas igualmente perceptível para que se ultrapasse o estigma social. O que não faltam por aí é sinónimos desses: árbitro de futebol, fiscal camarário, gestor de empresa pública ou director do Diário de Notícias. Elas que puxem pela imaginação.

[Rodrigo Moita de Deus]

Protegendo os grupos económicos nacionais

Se a prostituição for legalizada isso quer dizer que Reinaldo Teles vai fazer parte do “Compromisso Portugal”?

[Rodrigo Moita de Deus]

Legalizar a prostituição pode contribuir para aumentar as receitas fiscais

- Boa tarde menina! Era um beijinho ao natural e uma factura discriminada sefazfavor.

[Rodrigo Moita de Deus]

A direita marialva não faz demagogia e usa meias até ao joelho!

Se for verdade que o governo se prepara para legalizar a prostituição, então eu sou voluntário para a certificação de qualidade ISO 9001.

[Rodrigo Moita de Deus]

Those were the days...

Houve um tempo em que gracinhas como esta do Presidente do Irão se resolviam do seguinte modo: 24 horas depois de feitas as declarações, uma esquadrilha de F-15 levantaria vôo de uma qualquer base aérea israelita ou americana, Teerão seria estrategicamente bombardeada, os F-15 regressavam à base e o senhor amochava. Lembras-te, Khadafi? Mas hoje? Oh, não! A insurreição que nao se levantaria por esse mundo fora, a indignação das boas gentes contra a "barbárie americano-sionista"... São os novos tempos: agora quem amocha somos nós.
[Luciano Amaral]

Onde está Ana Gomes quando é precisa?

Aos indignados profissionais de serviço ainda não vi uma palavrinhazinha só que seja sobre o desejo expresso por Mahmoud Ahmadinejad, Presidente do Irão, de erradicar Israel da face da terra. Consta que o homem repetiu entretanto a graça. Vá lá, ninguém se levanta? Eu sei que não é tão bom quanto Bush a dizer que riscaria do mapa o Irão ou o Iraque ou até Portugal, mas mesmo assim é bastante catita para fazer uma daquelas gritarias costumeiras. Vá lá, não nos desapontem...
[Luciano Amaral]

E porque há quem se ande a fazer de esquecido


Por muitos postes no super-mário ou comentários do António José Teixeira, é só para lembrar a comunicação social que, segundo todas as sondagens, este senhor é o principal adversário de Cavaco Silva. Mário Soares está, neste momento, ao mesmo nível de Francisco Louçã, e Jerónimo de Sousa. Ou seja, fora da corrida.

[Rodrigo Moita de Deus]

Qual Joana Amaral Dias, qual carapuça…

António José Teixeira, foi o convidado da TSF para a análise à intervenção de Cavaco Silva. No seu estilo muito próprio, o director do Diário de Notícias preferiu comparar dois candidatos em vez de comentar o discurso. Uma opção estratégica. Para quê fazer sempre aquilo que nos pedem quando podemos inovar?

Explicou então que as prédicas de Cavaco e Soares não foram “muito diferentes” e que têm ideias “muito semelhantes”. Segundo o próprio a única coisa que os distingue “é o estilo” sendo que Cavaco é mais “austero” e Soares “mais “humano”. Também congratulou o professor por ter “reconhecido o erro” de dar prioridade à política de betão ao invés de investir na “qualificação dos portugueses”. Pelo caminho ignorou os outros candidatos, mesmo sabendo que Alegre é hoje mais importante que Soares. Tanto dinheiro gasto com Luís Delgado com tanto talento escondido.

[Rodrigo Moita de Deus]

Para lá da nossa paz kantiana

1.Blair falou da forma que deveria ser hegemónica nos políticos europeus, sobretudo quando representam a UE: ou o Irão baixa a bola ou, então, a coisa pode ficar feia. “Feia” não no sentido de uma invasão. O Irão não é o Iraque. Tem mais homens e não está fragilizado. Nem os EUA querem outra invasão. Agora, pelo menos. Mas, atenção, há outras formas de a coisa ficar feia. E aposto que Israel anda a pensar nessas formas. Em 1981, Israel fez um dos ataques preventivos mais bem sucedidos de sempre: destruiu as instalações nucleares de Saddam. Sempre Saddam.

2.Agora, coloquem-se na pele de Israel e tentem perceber o efeito da seguinte fórmula: o Irão diz que gostava de ver o mapa sem aquela faixa de terra sionista + o Irão desenvolve tecnologia nuclear + dada a pequenez geográfica de Israel, basta uma ou duas “Bombas” para, literalmente, tirar Israel do mapa. Se eu fosse israelita, não estava a escrever posts, estava a preparar um plano para destruir, de alguma maneira, o projecto nuclear iraniano. Além da possibilidade de um ataque directo (muito difícil, é certo), existe a possibilidade óbvia: Irão entregar a Bomba ou uma simples Bomba suja ao seu Hezbollah. Obliterar Israel é o sonho de qualquer mártir fundamentalista.

3.Novamente na pele de Israel: quando se vive assim, completamente rodeado de inimigos, as decisões não podem esperar. E é isto que a comunidade internacional deve entender. A dita comunidade internacional tem de dar mais apoio a Israel. Tel-Aviv tem de se sentir mais apoiada. Tem de sentir mais pressão junto do Irão. Com isso, ficaríamos mais longe de uma acção israelita. Não esquecer uma coisa: o tipo barbudo com casaco à Zé do bigode não afirmou aquelas bestialidades na tasca ou à saída de um daqueles bordéis escondidos que os fundamentalistas religiosos têm sempre à mão (e aquelas não são as virgens que esperam no céu). Não. Afirmou aquilo com toda a pompa num colóquio intitulado “mundo sem sionismo”. Repito: há colóquios que abordam a destruição de Israel. A destruição de Israel é o politicamente correcto lá do sítio. É isto que a comunidade internacional tem de perceber. Blair, sempre Blair, deu o primeiro sinal. Espero que continue assim. Ou vou esperar sentado até que rebente uma Bomba?

4.Chocados? É demasiada realidade? Pois é. Mas é demasiada realidade apenas para nós, os europeus. Lá fora, para lá das fronteiras da fortaleza Europa, para lá da nossa paz kantiana protegida pelos americanos, o mundo é aquilo que sempre foi: perigoso e instável, onde a Paz é apenas a ausência de Guerra.

5. Estas fanáticas cúpulas iranianas não têm o apoio de metade da população iraniana, sobretudo os mais jovens (aliás, o povo persa é o menos anti-ocidente da região). Dada a inevitabilidade demográfica, o regime vai começar a cair pela base. Mas quanto tempo vai demorar?

[Henrique Raposo]

Meu caro Paulo Mascarenhas

Esse peso de que falas ali em baixo, ou se tem ou não se tem... Não se mendiga nem se lamenta num Blog. Por mais independente e arrojado que pretenda ser.

Um abraço amigo e Acidental do

[JBR]

Acho que não foi da minha televisão

Nas imagens da apresentação do manifesto de Cavaco vi inúmeras personalidades públicas, incluindo o presidente da Comissão de Honra, Ramalho Eanes, mais a respectiva senhora - que serão certamente visitas assíduas do casal presidencial em Belém -, para além de diversos dirigentes do PSD. Mas não consegui deparar com qualquer representante do CDS. Espero, sinceramente, que não se volte a repetir o que se passou nas eleições autárquicas, quando o presidente do PSD deixou o CDS fora da fotografia. Para isso, é necessário ter peso negocial desde a primeira hora.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

O candidato que já é Presidente da República (II)

Nas 19 páginas de discurso de apresentação do manifesto eleitoral "As Minhas Ambições para Portugal", Cavaco Silva repete 30 vezes as palavras "Presidente da República" e uma vez "Presidência da República". Só o "desenvolvimento" tem mais menções, com trinta e seis referências.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

quinta-feira, outubro 27, 2005

The Soares & Cavaco show



Não sei se já vos disse isto: Soares e Cavaco entusiasmam-me tanto como o Lidl entusiasma um gourmet. Proponho até que mudem de vida. Que assumam a condição de reformados da política para divertirem o país com sketches à base de gafes e tabus. Soares e Cavaco - já viram melhores nomes para juntar numa dupla cómica?
Soares e Cavaco. Como Bucha e Estica. Como Senhor Feliz e Senhor Contente. Como Batatinha e Companhia. Como Abbot & Costello. Como Beavis & Butt-Head. Como Santana & Carrilho. Como Dias da Cunha & Peseiro.
Estou a ver o filme. Os membros da comissão política das candidaturas transformados em membros da comissão humorística. A fazerem brainstorms matinais para arranjar piadolas para cada uma das personagens. O que, convenhamos, fará muito mais sentido. Soares e Cavaco são como a revista à portuguesa. Já tiveram o seu tempo. Já fizeram a sua época. Serena e discretamente, deviam ter fechado portas. Até porque, por mais remodelações que sofram, nunca conseguirão esconder a distância que os separa do tempo em que vivem.

[Nuno Costa Santos]

O candidato que já é Presidente da República

Ao contrário do que se escreveu por , Cavaco Silva não cometeu nenhuma gafe na Universidade Católica quando falou aos jornalistas como se já fosse o Presidente da República. Como se está a ver na apresentação do manifesto eleitoral no Porto, esse vai ser o seu discurso durante toda a campanha: irá falar aos portugueses como se, de facto, já o fosse antes de realmente o ser.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

A confusão não deixa de ser elogiosa

Mas, Francisco, o meu nome lê-se exactamente como se escreve. Nem mais, nem menos.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Festa para esquecer mágoas

Depois de alguns dias e noites sem dormir, reflectindo sobre a actual conjuntura política, as presidenciais, as buscas aos bancos, a greve dos juízes, a greve dos trabalhadores da construção civil, cheguei à conclusão que é tempo de O Acidental organizar uma festa que deixe os Quase Famosos roídos de inveja. Para tal proponho o Henrique Raposo para organizador. Eu, infelizmente, não posso, porque o golfe e os almoços levam-me muito do meu tempo.

[Pedro Marques Lopes]

Vira o disco

Tirei finalmente os Mäximo Park da grafonola acidental. Em substituição, deixei lá "Mr. Bean", dos The Essex Green (para os conservadores) e "Fuck Forever" (todo um programa, portanto), dos Babyshambles (para os liberais).

Os The Essex Green são, da minha parte, uma magnífica descoberta recente. Escutei-os pela primeira vez num blog chamado Spoilt Victorian Child (juro que não sou eu).

[Francisco Mendes da Silva]

Saladinha de polvo - PS SGPS

Diz a revista Sábado que Jorge Coelho e António Vitorino são os principais candidatos para substituírem Miguel Horta e Costa e Zeinal Bava na Portugal Telecom. Em nome da racionalização dos custos aguarda-se a qualquer momento o anúncio da concentração da Galp, CGD, Refer, CP e Portugal Telecom numa nova sede colectiva algures no Largo do Rato.

[Rodrigo Moita de Deus]

A ambiguidade em relação a Israel

1. Não vou falar do anti-semitismo ocidental. Não sei o suficiente sobre essa coisa, que, contra todas as expectativas históricas, mantém a sua presença. Também não vou falar do anti-semitismo vivido no Islão radical. Escrevo Islão radical porque existe uma larga porção da população muçulmana que não é reaccionária (Wahhabistas) ou revolucionária (Qutbista, isto é, os bin Ladens). Vou tentar falar da ambiguidade em relação a Israel vivida na Europa. Esta ambiguidade é a origem do silêncio indicado pela Ana.

2.Nas últimas décadas, a Europa – sobretudo a poderosa Alemanha - desenvolveu uma ideologia pós-Estado, pós-Westfália. A história europeia foi reescrita a partir de um mito: a culpa de tudo foi (é) do Estado. Coisa curiosa: culpa-se uma estrutura asséptica (Estado) mas não se analisa os passados ideológicos. Onde é que está a crítica ao romantismo político alemão que criou a ambiência para Hitler e para os fascismos em geral?
Conceitos como Estado e Soberania passaram a ser insultos: “ah, és soberanista!”. Ora, e o que é Israel? Precisamente o oposto desta ideologia habermasiana: um Estado orgulhoso da sua Soberania, que age politicamente para proteger os seus cidadãos. Para esta ideologia pós-Estado, Israel – e os EUA – é uma relíquia.

3.Mais: adicione-se o outro ingrediente produzido pela esquerda viúva de Marx: o multiculturalismo, Que coisa é esta? Simples: o regresso do romantismo político sob uma capa de progressismo. A “Grande Fraude”, como lhe chamou Fernando Savater (um verdadeiro homem de esquerda). Mais: o multiculturalismo baseia-se num sentimento de culpa ocidental em relação à sua história e cultura. Ora, o que é Israel senão um estado orgulhoso e defensor da sua tradição ocidental?

4.É por estas duas linhas (ideologia pós-Estado e multiculturalismo) que devemos tentar perceber a posição europeia típica em relação a Israel, que, atenção, merece críticas. Como qualquer estado soberano. Mas isso é outra conversa.

[Henrique Raposo]

O Acidental à escuta













Cavaco Silva, por Vasco Pulido Valente, na revista Kapa.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Calar é preciso; viver não é preciso

Ponho-me a pensar no que aconteceria se algum presidente de algum país anunciasse que defendia a erradicação do mapa de um outro país que não Israel. Provavelmente caía o Carmo e a Trindade. A ONU fervilharia de reuniões ao mais alto nível; organizar-se-iam manifs à esquerda e à direita; seriam, quiçá milhões, a protestar. Quando essa afirmação é feita em relação a Israel, a indignação fica na gaveta e reina o silêncio. Quase total. Ou quando "existe", é tímida, do género: «ai que grande tau tau, isso não se diz; hoje o menino fica sem lanche.»
Mesmo aqui, n’ O Acidental, o poste em que Bernardo Pires de Lima faz referência às declarações do terrorista que preside o Irão nem sequer suscitou interesse suficiente para gerar comentários. Estou cansada.
Estou cansada porque não consigo perceber que mentalidade é esta que torna o mundo, praticamente todo, insensível à sorte de um povo, de um país que existe; que é uma democracia; e, sim, que é obrigado, desde o primeiro dia, a defender-se, por todos os meios, para evitar, justamente, que o erradiquem.
Um país que tem, constantemente, os dedinhos apontados a ele, como se Israel fosse o único país do mundo sem qualquer direito a defender-se.
Mas, vendo bem, é mesmo isso. Se não choca o mundo que se defenda a sua extinção e consequente exterminação de quem o constitui, é óbvio que a defesa de Israel não tem cabimento. Silly me! What was I thinking? Por outro lado, imagino já os títulos explosivos que vão aparecer hoje graças às bárbaras políticas assassinas de Israel face aos pobres e martirizados inocentes do Hamas e da Jihad Islâmica.
Sim, porque a obrigação de Israel é sofrer atentados quieto e calado, de preferência. É tudo uma questão de prioridades....

[Ana Albergaria]

Candidato oficial do partido recorre a outsourcing


(Jamila Madeira e Sónia Fertuzinhos, a derrota de Soares será a sua vitória)

Com tantas meninas promissoras no Partido Socialista, Mário Soares logo tinha de escolher uma de fora. Só me ocorre uma explicação: os homens preferem as louras.

[Rodrigo Moita de Deus]

Dias da Cunha escolhe Medeiros Ferreira para definir a estratégia


(na fotografia o General Norton de Matos, que Medeiros Ferreira lembrou ser um contemporâneo de Mário Soares)


Medeiros Ferreira é um homem com inegável talento para a política. Repare-se como na sua tentativa de modernizar a candidatura de Mário Soares, lembrou-se de comparar a campanha de 2005 com as presidenciais de 1948. Ah! Seu spin doctor! Seu Mandelsen português!

[Rodrigo Moita de Deus]
PS: Mário Soares tem que se preocupar com imensa coisa. Tem de se preocupar com Cavaco, com Alegre, com Jerónimo mas sobretudo com os Soaristas.

A derrota "entusiasmante" da esquerda

Louve-se o esforço de Francisco Louçã para tentar transformar numa vitória aquilo que não passa de uma derrota colossal da esquerda - e do próprio candidato bloquista, que se fica por 5,3 por cento das intenções de voto no barómetro TSF/DN. A verdade é que se Cavaco Silva ganhar na primeira volta, como o próprio estudo de opinião parece indicar, cai por terra o argumento principal da candidatura do Bloco de Esquerda, que era precisamente o de evitar tal resultado.

Vale a pena, por isso, ouvir o comentário de Louçã à TSF, no mais puro politiquês, a linguagem codificada dos demagogos em que se consegue transformar uma derrota num "resultado bastante entusiasmante". Ora oiçam:



O homem tem algum talento, há que reconhecê-lo.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

P.S. Parece-me má-fé, embora se perceba o objectivo, que os responsáveis pelo barómetro TSF/DN insistam em colocar como candidato alguém que nunca proferiu uma palavra sobre este assunto - e que, aliás, há seis meses que faz questão de não dizer qualquer palavra sobre qualquer assunto, mantendo-se afastado da política activa depois de ter assumido a derrota nas últimas legislativas. Estou a falar de Paulo Portas, é claro. Ainda assim, numa mera soma aritmética, a percentagem que lhe é atribuída chegaria para dar a vitória imediata a Cavaco Silva logo à primeira volta.

BE=Partido Político

Depois de ler a Joana Amaral Dias, fico sem dúvidas quanto à natureza do Bloco. Afinal, é mesmo um «partido».
Espera-se, então, a eleição de um secretário-geral ou de um presidente, mas também de uma estratégia clara de poder. Caso contrário, para que serve o partido BE?

[Bernardo Pires de Lima]

Lufadas de ar fresco e coisas que fazem lembrar o General Norton de Matos


Na fotografia, Joana Amaral Dias durante a inauguração da sede jovem de Mário Soares. Medeiros Ferreira tem toda a razão! Ora digam lá se isto não faz lembrar os gloriosos dias da campanha de Norton de Matos?

[Rodrigo Moita de Deus]

Dá-lhe!

Eu gosto do Super Mário. Como já alguém notou, certamente por falta de assunto, gastam muito pouco tempo a louvar o seu candidato. Onde gastam imenso é a malhar no resto do mundo. Mas, quando se esperaria que malhassem sobretudo em Cavaco (em que até malham, embora assim sem grande graça), não. Malham mais é no resto daquela esquerda que, por acaso, não corresponda à esquerda daquele que assina o texto concreto. O que para ali vai de insulto, ódio e ressentimento, sem que muitas vezes se perceba a razão da coisa. Enfim, é o regresso àquela maravilhosa galáxia que foi própria da esquerda, por exemplo, durante o PREC, em que os partidos comunistas (por isso é que tinham o C lá no meio) se distinguiam por mais uma ou menos uma letra: um era o PCP, o outro o PCP (m-l), o outro o PCP (r), o outro o PCTP, o outro a LCI, o outro a OCMLP, etc., etc.
Dir-me-ão: olha a moralidade! Um tipo que está n'O Acidental, onde há violentas disputas entre a via liberal e a via da pilinha e das meias para o conservadorismo, com uma conversa destas... Calma. Violentas disputas, sim. Mau gosto, também. Mas o mesmo tipo de mesquinharia que se vê no Super Mário é que não.
[Luciano Amaral]

Beldade vence fundamentalista

Nas últimas eleições no Afeganistão, ocorreu um daqueles episódios memoráveis. Na cidade de Herat, uma professora de aeróbica venceu as eleições. Chama-se Fauzia Gailani. Mais: sem qualquer tipo de passado político, esta beldade derrotou o barbudo fundamentalista do sítio. Isto, sim, é a vitória do espírito humano.

E como aperitivo, um belo cântico daquelas partes: «Não haverá um louco nesta aldeia? / As minhas calças cor de fogo ardem-me nas coxas». «Estou cada vez mais louca / Quando passo perto de um túmulo de um santo, atiro-lhe pedras / por todos os meus desejos insatisfeitos» ou «Que o mullah grite a sua chamada à oração matinal / Enquanto o meu amante quiser, não me levantarei».

[Henrique Raposo]

Pacheco Pereira “o despeitado”

Depois de dez anos a intitular-se de cavaquista, intimo do ex-primeiro-ministro e sedento do seu regresso à política, Pacheco Pereira escreve hoje um cruel artigo contra o próprio Cavaco Silva. Todos sabem a enorme ternura que sinto pelo nosso astrónomo blogosférico mas, desta vez, dou-lhe toda a razão!

Depois de tudo o que comentador disse e escreveu. Depois de todas aquelas vezes que deu a cara por Cavaco Silva, sozinho, contra tudo e contra todos. Depois de todas aquelas prelecções para as massas sobre as maravilhas do cavaquismo, nem um convite para a apresentação da candidatura? Nem sequer um convite para mandatário? Nem sequer uma entrada no grupo de conselheiros? O amor foi não correspondido. Cavaco, com a sua rejeição, abandonou um Pacheco untado com mel à fúria dos seus censores.

Traição inadmissível! Vai Pacheco! Força! Os leitores do Abrupto ser-te-ão sempre fiéis. Soares não é assim tão mau e ainda há vagas no Super Mário.

[Rodrigo Moita de Deus]

Cavaco e a queda de dois mitos

Oiço na SIC/Notícias João Cravinho dizer que Cavaco Silva vai ter de se confrontar com as dispersas expectativas do extenso leque de apoiantes que conseguiu reunir. Se ganhasse as eleições, acrescentou Cravinho, Cavaco teria pela frente a grande dificuldade de gerir e contrariar essas expectativas, até porque muitas delas são opostas ou contraditórias. Como se não fosse essa tarefa de gestão de esperanças o pão nosso de cada candidato eleito em Portugal. Melhor seria aliás que João Cravinho não o lembrasse perante o exercício de poder do actual Governo do PS, que terá já defraudado as expectativas da maioria dos portugueses que o elegeram.

O comentador socialista não deixa porém de ter alguma razão. Se formos ler a lista de personalidades que fazem parte da Comissão de Honra e da Comissão Política de Cavaco Silva, ou se dermos uma volta rápida pelos blogues onde constam apoiantes de Cavaco, chegaremos facilmente à conclusão que alguns - ou muitos deles - verão desmentidas as suas expectativas. Ou muito me engano, ou parte substancial dos apoiantes que fazem parte da chamada área liberal, para não falar de dirigentes de partidos políticos, sentir-se-ão mais tarde ou mais cedo enganados se Cavaco for eleito, como tudo indica que será - e logo na primeira volta.

Este não é um problema meu. Não tenho qualquer expectativa para ser defraudada. Pode ficar descansado o Presidente Cavaco que não lhe irei jamais cobrar expectativas (para além de que não incomode o meu sossego com manifs à porta de minha casa e não ponha em causa o futuro das minhas filhas). Muito francamente, o candidato também não me desperta qualquer entusiasmo - efeito que inesperadamente parece deter, tal como o "irreverente" Soares, junto de alguns jovens que por aí escrevinham em blogues não oficiais. Isso, definitivamente, já foi chão que deu uvas.

Chegado aqui, é preciso dizer a razão fundamental porque, não sendo um apoiante de Cavaco, vou votar nele, como acredito que votará em massa a direita portuguesa. Não é só por realismo. Não é só porque a direita tem pela primeira vez a possibilidade de eleger um Presidente da República que não vai representar a velha esquerda socialista. Não é sequer porque Cavaco seja um líder carismático, porque não me parece reunir as condições mínimas para tal ambição.

Vou votar Cavaco porque a sua eleição significará a queda e o fim político de dois mitos da esquerda portuguesa. Em primeiro lugar, um enorme mito chamado Mário Soares, que ainda hoje condiciona o modo como nos é contada a história da democracia portuguesa. Em segundo lugar, um pequeno mito chamado Francisco Louçã, símbolo máximo da demagogia moralista e do populismo trauliteiro da extrema-esquerda portuguesa.

A vitória de Cavaco Silva, ao significar a derrota estrondosa destes dois mitos nas urnas, é uma oportunidade boa de mais para ser desperdiçada.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

quarta-feira, outubro 26, 2005

Grandeza. E sem Óscar




Com um abraço transatlântico para o Claudio Tellez.

[Henrique Raposo]

Grandeza. E sem Óscar



[Henrique Raposo]

Grandeza. E sem Nobel

“Eu”

Uma caveira, o coração secreto,
Os caminhos do sangue ainda meu,
Os túneis que há no sono, esse Proteu,
As vísceras, a nuca e o esqueleto.
Sou essas coisas. Mas incrivelmente
Sou também a memória de uma espada
E a de um solitário sol-poente
Que se dissipa em ouro, em sombra, em nada.
Sou o que vê as proas neste porto;
Sou os contados livros, as contadas
Gravuras pelo tempo já cansadas;
Sou o que inveja cada homem morto.
Mas estranho é ser este que entrelaça
Palavras no aposento de uma casa.

JORGE LUIS BORGES


[Henrique Raposo]

Política externa francesa, essa porreira...

Durante as inspecções ao Iraque (aquelas dos anos 90), os franceses foram uns porreiros: «The French, he claims, helped Iraq break Unscom’s secret codes»(Economist, sobre este livro)

[Henrique Raposo]


Caro Manuel,

Um realista diria, hoje e sempre, que mantermo-nos à superfície já é, per si, uma utopia.

[DBH]

Cidadãos auto-mobilizados

Um simples automobilista


Na extensa lista da comissão de honra do prof. Cavaco Silva, encontramos altas individualidades da nossa sociedade. Curiosa, no entanto, a descrição das ocupações:

Carlos Lopes, Maratonista Medalha de Ouro Olímpica
Carlos Sousa, Automobilista
Leonor Beleza, Presidente da Fund Champalimaud
Maria Teresa Almeida Garrett, Ex-deputada do Parlamento Europeu
Pedro Lamy, Automobilista
João Pedro Pais, Músico
Tiago Bettencourt, Cantor dos «Toranja»

Enquanto uns têm a profissão (ex. jurista), outros são apresentados pelo cargo que ocupam (ex. Presidente da Fund Champalimaud - que é uma belíssima ironia este Fund), uns são, apenas, músicos, outros são cantores.

E, claro, o Pedro Lamy e o Carlos Sousa são simplesmente "automobilistas"!

[DBH]

Os Liberais

Os manos













Mais por dúvida sincera que apenas por provocação, pergunto ao meu caro José Maria o que faz ele num blog com imagens de malhados no template?

A pergunta é extensível ao Bernardo, ao Henrique e ao Francisco, que há muito não vejo.

[DBH]
(facção conservadora anti-maçónica d'O Acidental)

Scut: é a esperança que renasce

No país do faz de conta, a lei do protestómetro continua a funcionar. Quanto maiores forem os protestos, mais o governo está a ser "corajoso" e a actuar em sentido "positivo". Ministros que ainda ontem eram uma nódoa, ficam limpos a brilhar. O que está a dar é tomar "medidas difíceis" e quanto mais impopulares melhor. Mesmo que sejam apenas meras reformas de cosmética, para encher o olho, que ajudam a preservar este belo Estado Providência em que todos gostamos tanto de viver.
Devemos por isso aplaudir quem está a deixar a justiça de rastos e permite que orgãos de soberania entrem em greve; quem tem promovido investigações públicas e notórias a bancos e banqueiros, sobretudo se forem só os portugueses porque os estrangeiros não aceitam obviamente "transacções suspeitas"; quem retira "privilégios inaceitáveis" a professores e médicos, que por junto são todos uns reles malandros; ou ainda, quem manda cortar as pensões dos ex-combatentes que não queriam mais nada e esperavam que este governo socialista cumprisse um processo iniciado por outro governo socialista.
Cereja em cima do bolo, proeza das proezas, acto de coragem inaudita, é quando não se cumprem as promessas eleitorais. Quebrá-las publicamente com todo o despudor - eis a regra número 1 da governação do séc. XXI. Como escreve hoje - e muito bem, assinale-se - o dr. Sarsfield Cabral - este Orçamento de Estado “é um passo positivo. No Governo, o PS percebeu finalmente que a chamada "obsessão pelo défice" não era um capricho de Manuela Ferreira Leite. E até já recuou nas Scut”. Vejam como é maravilhoso: "até já recuou nas Scut"!
Depois de ter demonstrado a magnífica coragem de aumentar os impostos quando tinha prometido repetidas vezes que não o iria fazer, o primeiro-ministro José Sócrates conseguiu ir ainda mais longe: arrumou na gaveta a promessa inabalável que fez durante a última campanha eleitoral de jamais permitir portagens nas Scut em nome de quem sofre na pele os custos da interioridade. Foi uma das suas bandeiras contra o malfadado governo anterior. Mas o que é que isso interessa agora? É assim que a esperança vai renascendo no coração de todos os portugueses.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

É desta.



Ao contrário do que se pensa, com Soares na Presidência será mais fácil reformar a Constituição.

(imagem emprestada pelo Bruno)

[Francisco Mendes da Silva]

Uma pergunta

Porque é que ainda ninguém fez piada com a gripe das aves e o Benfica?

[JBR]

Ele “não pretende falar sobre isso”

Notável a entrevista de Ricardo Salgado à revista do Público "Dia D". Durante a dita por quatro vezes diz “não tenho conhecimento disso” e por sete vezes “não pretendo falar sobre isso”. Só uma vez disse “nunca tentamos influenciar ninguém” Quanto ao caso Mensalão e Portucale podemos todos ficar descansados. O Banco investigou o comportamento do Banco e não descobriu qualquer comportamento irregular. Nem outra coisa se espera de um banqueiro cujo último livro que leu foi o “código Da Vinci”. Tudo normal. Nem o facto de ter dado mais entrevistas nestas últimas duas semanas que no resto da sua vida parece indicar que algo de errado se passa.

[Rodrigo Moita de Deus]

Coisas realmente suprapartidárias


(My kind of guy - a última vez que nos encontramos foi num boteco em Alfama para ouvir um faduncho)

Primeiro foi o Amaral que passa por "excelente" e agora é o Eduardo que passa por "pesado". Está mal! Mas não tem problema. É que se ouvir muito mais comentários dentro do género purga iminente, suspendo a minha militância monárquica para ir dar uma mãozinha a Manuel Alegre.

[Rodrigo Moita de Deus]

Vê lá se um dia não te arrependes

O presidente ultra-conservador do Irão, Mahmud Ahmadinejad, apelou esta quarta-feira abertamente para que o estado de Israel seja «riscado do mapa».
«A nação muçulmana não permitirá que o inimigo histórico viva no seu próprio coração», insistiu o presidente, cuja tomada de posse em Agosto último coincidiu com um nítido endurecimento do regime islâmico.

O presidente iraniano perdeu uma boa oportunidade para estar calado. Numa altura em que a comunidade internacional tenta conter as ambições do Irão por vias diplomáticas e quando se tentam desenhar novos rumos entre a Palestina e Israel, o Irão lembra aqueles miúdos da escola primária que estão sempre a picar alguém até levarem uma lambada na cara. Às tantas, salta mesmo a tampa a Israel. Torna-se uma questão de sobrevivência. Esperemos que esta situação nunca venha a acontecer, mas não deixo de me interrogar sobre de que lado estariam a Rússia, a França ou até a China.

[Bernardo Pires de Lima]

Uma candidatura a preto e branco

Aquela apresentação de candidatura. Aquele ambiente. Aquela agremiação do costume. Aqueles comprometidos por dezenas de anos de favores, sorrindo amarelos à passagem do candidato. Tudo isto tem qualquer coisa de Salazar nos seus últimos dias. Esses eram os tempos em que o conselho de ministros se reunia à sua beira e num misto de deferência e temor o tratavam ainda por “Senhor Presidente”.

[Rodrigo Moita de Deus]

Um soporífero para Portugal?















Fotografia na capa do "Público" de hoje


"Todos sabem que comigo em Belém podem dormir tranquilos".

[Leonardo Ralha]

Senhores aplausos, desapareçam!

Andam os responsáveis pela candidatura a arregimentar uma multidão para aplaudir as sílabas pronunciadas por um candidato presidencial e ainda o ouvem pedir-lhes para ficarem quietos. Faz algum sentido: nos museus também não há muitas figuras de cera a bater palmas.

[Leonardo Ralha]

Com amigos destes...

Mário Soares comunica aos incautos que é amigo de Manuel Alegre e de seguida lava as mãos da perseguição exercida por dirigentes do PS aos apoiantes do candidato-poeta.

[Leonardo Ralha]

Nacos de inteligência

Mas que grande descoberta a da senhora Brigitte Nacos. Eu diria mesmo que estamos perante um génio da actualidade!

[JBR]

Devo ter ouvido mal

A culpa talvez seja do ar condicionado da redacção mas pareceu-me ouvir Mário Soares a defender a luta contra o terrorismo. E eu a pensar que ele iria prometer a abertura de uma representação diplomática dos "insurgentes" do triângulo sunita em Lisboa...

[Leonardo Ralha]

Ó tempo, volta para trás

"Olhe que não, olhe que não"
Debate Mário Soares-Álvaro Cunhal, 6 de Novembro de 1975

"Importa-se de repetir a pergunta?"
Mário Soares, 25 de Outubro de 2005

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Um belo passatempo

Após alguns minutos de discurso do insuperável dr. Soares, fiquei cheio de pena por não ter confeccionado previamente cartões de bingo em que os números fossem substituídos por palavras como "globalização" e "neoliberalismo". Teria sido mais divertido do que ouvir o resto do que o ex-patrão de Rui Mateus tem a dizer ao país.

[Leonardo Ralha]

Harigato, fabricantes de televisões

Reza a lenda (acabada agora mesmo de inventar) que em tempos a Sony enfrentou um impasse: deveria avançar para os ecrãs de plasma ou para os receptores de televisão com cheiro. Vingou a primeira tese, pelo que os portugueses foram ontem poupados a ficar com cheiro a mofo na sala-de-estar.

[Leonardo Ralha]

Entusiasmo mínimo garantido

Nada melhor para disfarçar o lançamento da candidatura presidencial de um homem ultrapassado pelo tempo, saudoso dos tempos em que havia estadistas com a firmeza moral de um François Mitterrand ou de um Bettino Craxi, do que a presença da mais bonita mandatária para a juventude que a extrema-esquerda portuguesa tem para oferecer.

[Leonardo Ralha]

Greves judiciais



Hoje estou com este homem!

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Senhor Ministro, se entretanto for preciso ajuda para actualizar o site do ministério da justiça, diga.

terça-feira, outubro 25, 2005

A cajadada do dr. Coelho

Com todo este ruído, vão sendo esquecidas declarações como as do Dr. Baptista Coelho, que diz ao "DN" de hoje que “há uma tentação em alguns sectores do poder político de controlar o poder judicial". Será que estas afirmações vão ser, mais uma vez, deixadas em claro?
Será que este senhor não tem a noção que, ao afirmar uma coisa destas está a pôr em causa toda a organização política (Henrique, se fizeres o favor, manda aí as citações do Locke, Montesquieu, etc.)? Terá o Sr. Dr. a mais singela ideia da gravidade destas acusações?
Ou este cavalheiro diz quem são os sectores do poder político que têm a tentação de controlar o poder judicial ou seremos forçados a acreditar que este senhor utiliza a ameaça do quase colapso do Estado de Direito para defender mais uns tostões para a sua classe profissional.

[Pedro Marques Lopes]

Um aplauso a ENP

Ranking deste meu aplauso:

1. Aplaudo de pé o estilo de resposta ao Público (isto é prosa, não é poesia);
2. Aplaudo sentado o facto de ENP dizer que não é social-democrata (isto também é prosa, não é poesia);
3. Aplaudo secretamente o apoio de ENP a Cavaco (prosa concreta).

[José Bourbon Ribeiro]

Memórias do soarismo

Confesso que o tema presidenciais não me excita particularmente. Isto apesar – e faço minhas as palavras escritas pelo Luciano – da campanha sórdida dos apoiantes de Mário Soares me provocar alguma repulsa, para não dizer nojo. Aliás, daquelas bandas não seria de esperar outra coisa. O Prof. Amaral já não se deve lembrar – entre outras coisas também deve ter perdido a memória -, mas eu lembro-me do episódio "Primeiro de Janeiro" dois dias antes da 2ª volta das Presidenciais. Lembro-me também das declarações da Sra. Dona Maria Barroso e do respectivo consorte sobre o santo estado marital deles em contraposição ao de Francisco Sá Carneiro e Snu Abecassis - e, como já disse que este tema não me interessa muito, só relembro ainda o célebre caso dos 33.000 contos, do tempo, também, de Francisco Sá Carneiro.

[Pedro Marques Lopes]

O Acidental à escuta

O Estado do Sítio. António Ribeiro Ferreira, à solta na blogosfera.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Também é culpa do Bush

Constituição iraquiana foi aprovada em referendo. Setenta e oito por cento dos iraquianos votaram em referendo a favor da proposta contra 21 por cento que se mostraram contra. Com esta aprovação, ficou aberto o caminho para que o parlamento, a eleger a 15 de Dezembro, fique com poderes constitucionais totais durante os quatro anos para os quais será eleito.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

O Público errou

Ainda sobre a “notícia” do Público (ridícula, aliás, pela sua falta de interesse), quatro esclarecimentos:

- Não recusei qualquer convite do Pedro Lomba para participar no que quer que fosse
- Peso pouco
- Nunca alguém do Público me tentou contactar
- Não sou social democrata
- Apoio Cavaco

[Eduardo Nogueira Pinto]

Bloguistas com peso (e um magrinho)

Segundo o jornal Público, a candidatura de Cavaco e duas senhoras idosas do Ribatejo podem ficar seriamente abaladas com a indisponibilidade dos bloguistas abaixo assinados para colar cartazes com a cara austera de Aníbal Cavaco Silva. Este grupo, constituído por um advogado, um sociólogo, um poeta e um palhaço (no fundo, quatro sinónimos) está, no entanto, disposto a segurar no balde de cola e na trincha para ajudar qualquer dos outros candidatos a perder as eleições.

Eduardo Nogueira Pinto, Nuno Amaral Jerónimo, Pedro Mexia, Zé Diogo Quintela

Eles não percebem

Eles não percebem que não há nada melhor para levar muito não-cavaquista a ir a correr votar Cavaco em Janeiro do que a táctica manhosa, chocarreira, gozona, tanta vez canalha, que se começa a ver do lado soarista. Não haverá certamente nada que irrite mais do que a insinuação de que do outro lado não há senão saudosos de Salazar, saudosos da vivenda Mariani, tontos que não entendem o logro que Cavaco é, senão mesmo verdadeiros palermas que, pura e simplesmente, não entendem nada de nada. Eu (e muita gente em circunstâncias parecidas com a minha) ainda não me decidi completamente sobre o que votar em Janeiro. Mas se os soaristas continuarem assim vão-me facilitar muito o trabalho.

[Luciano Amaral]

Especialização em blogosfera (II)

O jornal "Público" também não é excepção nesta falta de conhecimento sobre assuntos blogosféricos. Com a profusão de blogues não oficiais de apoio a Cavaco, a que todos temos assistido nos últimos dias, há um jornalista que descobriu a existência de dificuldades na criação de um blogue de apoio a Cavaco. Não vou sequer entrar em grandes comentários sobre a notícia, mas parece-me que alguém quis tramar o Pedro Lomba, que não terá dificuldades em arregimentar independentes apoiantes de Cavaco neste meio.
Se for necessário, posso enviar ao "Público" uma longa lista de possíveis candidatos ao lugar.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Especialização em blogosfera

Espero que os cursos de comunicação social existentes em Portugal comecem a contar com uma disciplina ou uma especialização em blogosfera. A maioria dos jornalistas tradicionais continua a leste e depois escreve coisas como esta. Quem por cá anda desconfia obviamente de um blogue não oficial de apoio a Cavaco Silva que conta entre os seus colaboradores com alguém que começa por assinar Marcelo R. de Sousa - e depois passa a chamar-se Marcelo Ricardo de Sousa. Mas não é só por causa disto. Com honrosas excepções - quase todas jornalistas que também são bloguiadores - quem escreve sobre a blogosfera não conhece os seus segredos e os seus códigos e depois só pode sair asneira.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Lembrar Zenha - O PS tem um importante património histórico de tolerância e debate interno

José Sócrates lembra que só há um candidato oficial do partido. Jorge Coelho lembra a saída de Salgado Zenha e António Costa repete hoje as afirmações do primeiro-ministro. Manuel Alegre e os seus apoiantes estão avisados.

[Rodrigo Moita de Deus]

Aliás, já se nota o efeito de "união" no partido e no seu círculo de amigos

Só Mário Soares tem condições para «unir» os portugueses”, José Sócrates

[Rodrigo Moita de Deus]

Laurinda e Chomsky

Quem lê Chomsky da mesma forma que a minha vizinha Laurinda vai ao confessionário, devia, pelo menos, ler aqueles que Chomsky rouba: Wallerstein, Negri, Baran, etc. É mais difícil, eu sei. E não há sound byte a cada vírgula. Mas, pelo menos, ficariam mais bem preparados e não gritariam tanto.

[Henrique Raposo]

Viva o Pinto da Costa

Comprar um livro do Chomsky é como dar vivas ao Pinto da Costa na Luz: devia ser uma impossibilidade física e psicológica. Mas a honestidade é mais forte do que as leis da higiene mental. É a vida.

[Henrique Raposo]

segunda-feira, outubro 24, 2005

A partir daqui é sempre a descer

Esta coisa da blogosfera já me permitiu alguns momentos de celebridade menor que abrilhantam de certa forma esta existência pacata. Mas hoje, assim do nada, confronto-me com uma referência moderadamente elogiosa por parte do MEC da Trafaria, o Zidane da Margem Sul. Já está devidamente encaixilhada.

[Chico]

A propósito da gripe das aves

















[Paulo Pinto Mascarenhas]

Quero lá saber do orçamento

Benfica poderá inscrever novo guarda-redes
A UEFA destaca, esta segunda-feira, a lesão do benfiquista Quim e recorda que, segundo os seus regulamentos, um clube pode inscrever um novo guarda-redes em qualquer fase da Liga dos Campeões caso tenha dois lesionados de longa duração.


[Paulo Pinto Mascarenhas]

Grande reportagem no Quase Famosos

Depois da melhor festa com a melhor música, não se pode garantir que as imagens sejam as melhores. Mas, como costumam dizer os repórteres de serviço, esta foi a reportagem possível na grande noite dos Quase Famosos.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

O enigma dos Clã

Sou uma rapariga do povo e sou artista, só posso ser de esquerda
Manuela de Azevedo, dos Clã, na revista “Visão

Queria agradecer publicamente à Manuela por me ter ajudado a responder a um dos enigmas da minha vida: sou homem e não sou artista, logo sou de direita.

[Pedro Marques Lopes]

Do lado de cá

1. Ontem, enquanto passeava no Ibirapuera, aparvalhado com o que vira, prometi a mim mesmo que haveria de escrever sobre a participação oficial portuguesa na Bienal Internacional de Arquitectura de São Paulo. Não o farei. De que vale criticar (positiva ou negativamente) o meu país estando cá fora?

2. Depois do anúncio do resultado do referendo de ontem aqui no Brasil, ocorreu-me uma frase que ouvi no cinema na última semana: "No mundo já existe uma arma por cada 12 pessoas. Agora a questão é: como vamos armar as restantes 11?".

3. Daqui percebe-se que Cavaco se sente a última bolacha do pacote!

[JBR]

O Acidental à escuta

A reforma do “modelo social europeu” é o passo que falta para concluir o fim da Guerra Fria.
João Marques de Almeida, no "Diário Económico" de hoje.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

A evolução do benfiquismo durante noventa minutos de jogo

Benfiquista 1 - a jogarmos como estamos a jogar nem vamos dar hipótese
Benfiquista 2 - contra uma equipa como o estrela no mínimo quatro
Benfiquista 1 - coitadinhos. Estes resultados são a prova de que temos aqui alguns dos melhores jogadores na europa
Benfiquista 2 - nem me lembro do Benfica ter um plantel assim tão completo
Benfiquista 1- e eles falam, falam mas o Quaresma não chega aos pés do Simão
Benfiquista 2- e o Lucho não é nenhum Manuel Fernandes
Benfiquista 1- e digam o que disserem o Koeman é um génio. Está ao nível do Mourinho

(final da primeira parte. Resultado 0-0)

Benfiquista 1 - isto está complicado.
Benfiquista 2 - eu avisei. o estrela tem uma grande equipa e vai surpreender muita gente esta época. Eu não me admirava que os gajos acabassem por ganhar o jogo.
Benfiquista 1 - eu também não. até lá tem uns jogadores emprestados pelo Benfica
Benfiquista 2 - os miúdos faziam falta era aqui na luz. Nota-se que não temos soluções nenhumas no banco.
Benfiquista 1 - é preciso assumir! nem os bons resultados conseguem disfarçar um enorme défice de qualidade do plantel
Benfiquista 2 - o Simão não é Quaresma
Benfiquista 1 - e o Manuel Fernandes não chega aos pés do Lucho
Benfiquista 2 - e este holandês…se ao menos tivéssemos o mourinho…

(final do jogo. Resultado 2-0)

Benfiquista 1 - foi o que te disse. Trigo limpo farinha amparo
Benfiquista 2 - esta época, com esta equipa, vai ser difícil alguém nos fazer sombra

[Rodrigo Moita de Deus]

Acho que lhe chamam uma pescadinha de rabo na boca

Brasil diz não à proibição de venda de armas - Os cidadãos querem armas para se protegerem dos bandidos. Os bandidos querem armas para se protegerem de outros bandidos. E os outros bandidos querem armas para se protegerem dos polícias.

[Rodrigo Moita de Deus]

Não leio livros, nem falo estrangeiro

Pela resposta do meu querido amigo António, provo que existem sérias dificuldades de comunicação com a blogosfera liberal. Cada vez que falo de alhos, insistem em transcrever um gajo estrangeiro qualquer a falar em bugalhos. Ao menos podiam traduzi-lo. Mas não! É mesmo para humilhar aqui o je que não lê livros nem sabe falar estrangeiro! Nestas coisas sou muito cristão. Se não me estou a fazer entender, a culpa só pode ser minha. Em nome da mensagem, deixem-me pois mudar o estilo:

This is what would happen if there were no humans

While biologists learn that the instinct of survival tends to establish the common grounds for animal relations, liberal economists tend to believe that the market has some kind of supra human rationality. Like a hidden God or an all seeing eye.

Of course liberal writings and mathematic models can preview almost everything with a certain degree of confidence. In theory everything can be predicted. You can even establish a failure rate for your own cerebral calculations.

Lets start from the beginning. What makes us different from all other species? Naturalist will say your thump, religious will say your soul, and scientist will say your brain.

Let us try a new approach. What makes it necessary for states to find common grounds of understanding among their citizens (we can also call it laws)? The answer is obvious and because of that almost invisible. The human specie is a creator of rules. Responding to recent or sudden cravings, desires or needs we will create new rules of engagement with other humans.

Beyond the primary and secondary instincts, our behaviour is always a riddle because of this ability to create new individual rules, just in the middle of the game. That’s why there is no science able to predict the outcome of the interaction of two or more humans. That’s also why state intervention is always needed to regulate these interactions. First we trusted in divine arbitration. Now there is State intervention to guarantee the protection of our rights from our own ability to change the game during the game.

Let me give you an example of this kind of natural/irrational behaviour in the business world. Why, after his first million, does a businessman work himself to death knowing perfectly that he will not have enough time in his life to enjoy the money earned? Why? I like to call it the greed factor. The greed factor! For the same reason rich men will always try to get richer and leading companies will always try to conquer even more market.

Yes. In theory all calculations are right. The market will balance himself. The only problem is that the greed factor and its consequences are not quantifiable or even part of that equation.

That’s why I find economics such a lovely science. It seems to say: this is what would happen if there were no humans.

Rodrigo God´s Bush,
in The Alfama School of Economics 2005 edition

PS: Greed factor. What a lovely name. What a magnificent concept. I ought to write a book with this stuff. I would surely make tons of dollars in publishing rights and conferences all over the world.

Camarada e amigo, obviamente demita-se

Num outro paralelismo com a actual situação de Alegre ("meu camarada e amigo"), Coelho apontava o exemplo de Zenha, "um grande cidadão, um grande socialista e um grande democrata", que, em 1986, por "divergências políticas", avançou contra Soares. Nessa época, "Salgado Zenha, que não só proclamava a ética, como a cumpria", demitiu-se do PS e "todos os seus apoiantes suspenderam as suas funções" nos órgãos partidários.

O Partido Socialista é um partido plural, não era?

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Boletim de voto, que futuro?

A posição de Manuel Alegre quanto ao referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez - não concorda com a via referendária mas lembra que o PS não pode fugir às suas promessas - traz à lembrança que o candidato dissidente é um político de uma dimensão ética que chega a fazer pensar. E a bem da vitória à primeira volta de Cavaco Silva talvez seja melhor não pensar demasiado.

[Leonardo Ralha]

Abre-se uma janela de oportunidade

Com as lesões de Moreira e de Quim, o jovem Rui Nereu fica tão sozinho na baliza do Benfica que talvez seja altura de convencer Ronald Koeman a apostar na adaptação de Petit ao lugar de guarda-redes. Talvez assim o delicado internacional português possa escapar da sanha persecutória daqueles que insistem em chamar-lhe sarrafeiro...

[Leonardo Ralha]

O mandatário

Segundo um jornal de hoje, o Prof. Cavaco Silva também já tem o seu webmaster de serviço, que será responsável por um sítio electrónico e por um blogue, a abrir brevemente. Pomposo é o nome oficial que dão ao senhor: "mandatário para a informação digital" do candidato presidencial. Com tão sonante título, espera-se agora que consiga abrir rapidamente o sítio da "Candidatura do Professor Aníbal Cavaco Silva à Presidência da República".

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Na idade de Cristo

Receber como prenda de aniversário uma Playstation foi o sinal mais evidente de que cheguei aos 33 anos. Quase todos os trintões que eu conheço têm algures na sala-de-estar a criação suprema da Sony para poderem esquecer-se que a adolescência foi nos tempos em que o dr. Freitas do Amaral ainda era mais ou menos de direita.

[Leonardo Ralha]

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras, orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.

Tecidas são de luz
e são a noite.

E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade


[Pedro Marques Lopes]

domingo, outubro 23, 2005

Para quê perder tempo?

Começaram bem, os Super Mario Brothers, ávidos e militantes. Não se percebe bem é o objectivo do blogue. Segundo as minhas contas, já lá foram escritos 46 posts: 33 sobre Cavaco, 2 sobre Alegre, 4 sobre o blogue propriamente dito, 2 sobre Pacheco Pereira, 1 sobre não sei bem o quê e apenas 5 sobre Soares. Não convinha começar a apoiar o senhor?

[Francisco Mendes da Silva]

O porta-voz do sorriso da criança que o prof. Louçã tem dentro de si

Também pela "Sábado" fico a saber que o dirigente do Bloco de Esquerda, Daniel Oliveira, se prepara para criar o blogue não oficial de apoio a Francisco Louçã na corrida presidencial. Chama-se qualquer coisa Mariani e, como seria de esperar, é inteiramente dedicado a atacar Cavaco Silva.

[Paulo Pinto Mascarenhas ]

Boa notícia

Leio a "Sábado" - que é cada vez mais a melhor revista semanal no mercado - e vejo que Pacheco Pereira aderiu à ideia liberal, uma "moda" que até há bem pouco tempo tanto criticava numa "certa" direita portuguesa.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Cómico ou ridículo?

1.Atenção: aquilo que vou descrever é real; passou no Canal 1. Acompanhem-me nesta pequena viagem ao ridículo: “X” é jogador compulsivo; “X” solicita ao Estado o seguinte: o Estado deve obrigar o casino “Y” a não deixá-lo entrar (repito: “X” pode pedir ao Estado uma protecção legal contra os seus próprios vícios); cria-se uma lei que obriga os casinos a controlar este e outros tipos (repito: se “X” solicitar ao estado, o casino tem a obrigação de impedir a entrada nas suas instalações deste indivíduo). Já adivinham o final, não é? “X”, obviamente, entrou no casino (como é que um casino controla isto?). Quem paga? Claro, o casino. Só não percebi uma coisa: o dinheiro vai para o estado ou para o jogador compulsivo? Isto é demasiada realidade para a minha camioneta. Isto não pode ser real. Só pode ser ficção. Só pode ser uma rábula. O “Contra Informação” ou o “Gato Fedorento” não conseguem fazer melhor.

2. Isto é a desresponsabilização total do indivíduo. Melhor: isto é a infantilização do indivíduo com a conivência de um Estado que aceita toda e qualquer balela psicológica que torna os homens em crianças controladas por desejos psicologicamente incontroláveis.

3.Vou ali roubar um banco para comprar todos os livros que quero incontrolavelmente ler. Depois solicito ao Estado o seguinte: “é favor culpar as livrarias. E já agora quero uma indemnização”. Quem manda ter livrarias abertas? Quem manda atazanar os desejos incontroláveis de um leitor compulsivo?

[Henrique Raposo]

Avisos

«The shift away from Europe, and from the perpetuation of the Cold War Alliance systems as the chief aim of American foreign policy, is likely to be a Bush Administration change that becomes part of a bipartisan consensus. The Pacific and the Indian Oceans, not the Atlantic, will be the most import theaters of world politics to come. Europe is too weak, too divided and to inward-looking to be America’s most important ally in the 21st century».

Isto não é a expressão de desejos de um neoconservador impulsivo. É algo mais significativo: é a análise de um dos melhores analistas americanos – Walter Russell Mead , um homem que tem muito pouco de Kristolite. Convinha seriamente que a Europa – em conjunto ou... aos pedaços – acordasse para a realidade que está lá fora.

[Henrique Raposo]

Do que isto precisava era de um Millôr em cada esquina


«Os caras não mudam não, ô meu!
Muda só a semântica, agora muito mais maneira e matreira.


ONTEM:

A mulata é muito mais quente!

HOJE

A miscigenação entre negros e brancos deu à resultante-fêmea um temperamento extremamente libidinoso que, aliás, tem sido - de modo vergonhoso - comercializado em shows, semiprostituição em casas nocturnas, etc...

(...)

ONTEM:

Todo ator é bicha e toda atriz é lésbica

HOJE

Há uma tendência natural e generalizada para que as minorias sexuais, discriminadas e perseguidas, se concentrem - como autodefesa - e busquem identificação e prestígio nos meios artísticos, principalmente em actividades cênicas.

(...)

ONTEM

São uns devassos!

HOJE

Estão levando sua experiência sexual e sua permissibilidade geral a níveis incompatíveis com a manutenção do quadro social vigente.

(Excerto de «Manera, Irmão, Manera!», incluído no livro «Todo Homem é Minha Caça», de Millôr Fernandes - editado em 81 e reeditado este ano, pela Record)

[Nuno Costa Santos]