Fundado por Paulo Pinto Mascarenhas


Ana Albergaria
Bernardo Pires de Lima
Diogo Belford Henriques
Eduardo Nogueira Pinto
Francisco Mendes da Silva
Henrique Raposo
Inês Teotónio Pereira
Jacinto Bettencourt
João Marques de Almeida João Vacas
José Bourbon Ribeiro
Leonardo Ralha
Luciano Amaral
Luís Goldschmidt
Manuel Castelo-Branco
Manuel Falcão
Nuno Costa Santos
Paulo Pinto Mascarenhas
Pedro Marques Lopes
Rodrigo Moita de Deus
Tiago Geraldo
Vasco Rato
Vitor Cunha


Logótipo Acidental concebido por Vitriolica. Grafismo gerado por Miss Still.


Acidental Long Play


Direita Liberal


O Acidental


Público

TSF

Lusa

Associated PressReuters


A Causa Foi Modificada
Bomba Inteligente
O Espectro
Educação Sentimental
A Vida em Deli
Futuro Presente
Aos 35
Vitriolica Webb's Ite
A Sexta Coluna
Tristes Tópicos
Some Like It Hot
Xanel 5/Miss Pearls
Crónicas Matinais
Rititi
Mood Swing
19 meses depois
Serendipity
A Propósito de Nada
The world as we know it
Minha Rica Casinha
Da Literatura
Tradução Simultânea
Contra a Corrente
O Estado do Sítio
Geraldo Sem Pavor
Acho Eu
A Arte da Fuga
O Sinédrio
Blue Lounge
Portugal Contemporâneo
A cor das avestruzes modernas
Kapa
Snob Blog

E Depois do Adeus
Margens de Erro
Nortadas
Office Lounging
No Quinto dos Impérios
Teorema de Pitágoras
What do you represent
Esplanar
Quase Famosos
Melancómico
Vício de Forma
João Pereira Coutinho I
João Pereira Coutinho II
Retalhos da Vovó Edith
Blogue dos Marretas
Lóbi do Chá
O Insurgente
A Mão Invisível
A Esquina do Rio
Voz do Deserto
Desesperada Esperança
Homem a Dias
Blasfémias
Origem das Espécies
Babugem
Ma-Schamba
Rua da Judiaria
Fuga para a vitória
Mar Salgado
A Ágora
Miniscente
A vida dos meus dias
Elasticidade
Causa Liberal
O Telescópio
Grande Loja do Queijo Limiano
O Intrometido
Carambas
Mau Tempo no Canil
Lobby de Aveiro
Bar do Moe
Adufe
Bloguítica
Tau-tau
Incontinentes Verbais
Causa Nossa
elba everywhere
O Observador
Super Flumina
Glória Fácil
Metablog
Dolo Eventual
Vista Alegre
Aforismos e Afins
A Cooperativa
Semiramis
Diário da República
Galo Verde
Ilhas
french kissin'
Bicho Carpinteiro
Portugal dos Pequeninos
Foguetabraze
A Invenção de Morel
Aspirina B
O Boato
O Vilacondense
O amigo do povo
O Insubmisso

Aviz
Barnabé
Blog de Esquerda
Fora do Mundo
Jaquinzinhos


Powered by Blogger


Google

sexta-feira, setembro 30, 2005

Se os políticos fossem como os sabonetes, Rio era um fá de aromas exóticos

Rui Rio é um case study. Consegue ser inconveniente para os adversários, desagradável para a imprensa e até mesmo quezilento com os eleitores. Mas o ar de “não me chateiam que eu quero é trabalhar” ganha eleições. Esta imagem conquistada nas últimas autárquicas foi sendo mantida e cultivada durante o seu mandato. Por isso, nesta campanha, Rui Rio precisava desesperadamente de inimigos para afirmar o seu estilo. O conflito, o confronto na melhor lógica do “quem chateia tanta gente só pode ser boa pessoa” só alimenta a candidatura. Pinto da Costa não percebeu à primeira e há quatro anos ofereceu involuntariamente a presidência da câmara. Aprendeu agora e recusa-se a falar sobre o assunto. Francisco Assis, obviamente, ainda não aprendeu e tem feito o servicinho todo.

[Rodrigo Moita de Deus]

Bad hair day

Esse comentário é um bocado parvo, não?

[Rodrigo Moita de Deus]

"Porreirismo"

1.Tirando, porventura, a Jamaica, Portugal é o único país do mundo que inventou uma palavra de tonalidade benigna (Porreiro) com o objectivo de encobrir uma característica que, em bom rigor, só pode ser descrita como Desleixo. Um chefe porreiro é, na verdade, um chefe desleixado.

2. Não se confunda Porreiro com Simpático. Um chefe pode (e deve) ser simpático. O Porreirismo é outra coisa. Ser-se porreiro é subverter as regras. Ser-se porreiro é deixar entrar sem pagar. Ser-se porreiro é deixar sair duas horas antes. Ser-se porreiro é deixar o aluno não fazer nada na aula.

3. O Porreirismo é a grande contribuição portuguesa para a História das Ideias...

4. Agora a sério: o porreirismo é um dos grandes problemas de Portugal. Ser-se profissional e exigir profissionalismo é, aos olhos do país porreiro, uma pulhice. Aqui, Pulha é aquele que não protege a incompetência. Weber gostaria de ligar estes hábitos porreiros aos nossos problemas económicos e políticos.

5. Conclusão: quero um país de “pulhas”.

[Henrique Raposo]

Juro que não falo do Artmed e do Halmstads, nem do Peseiro e do Baía

Ao contrário de alguns comentadores anónimos que se divertiram com a derrota tangencial do Benfica no estádio de uma das melhores equipas do mundo (falo do 2-1 contra o Manchester) , juro solenemente que não farei nenhum comentário sobre o Artmed, o Halmstads, o Peseiro ou o futebol-espectáculo do sr. Co.

[PPM]

A política da senha

O PSD vai à frente nas sondagens. Ao contrário do que muitos acreditam Marques Mendes pode mesmo ser primeiro-ministro. Porquê? Porque tem a próxima senha. E nem precisa de fazer muito. Antes pelo contrário, como ele já percebeu. A política está cada vez mais como as filas nos supermercados. E o povo está como a senhora gorda do talho que grita "próximo" antes de perguntar "então o que vai ser ò freguês?"

[Rodrigo Moita de Deus]

Boas razões para fugir ao fisco

A casa da música ainda está fechada ou ainda nem abriu?

[Rodrigo Moita de Deus]

Puxa-saco


Lido no site da sua candidatura (acção de campanha 9/8/2005):

"Neste local, e numa acção que se pode caracterizar como elucidativa da sua personalidade, Carmona Rodrigues acabaria ainda por ajudar uma munícipe idosa a carregar alguns sacos de compras para a sua residência."

Lido na Revista Sábado de hoje, link não disponível (acção de campanha 14/9/2005):


"À entrada cruza-se com uma moradora carregada de compras. Solícito, oferece préstimos para ajudar a levar os sacos. "Para que andar é?, pergunta. "Para o último". De imediato, percebendo que os fotógrafos já desmobilizaram, o candidato pousa os sacos e dá instruções a um dos seus colaboradores para que faça o serviço".

[DBH]

Deus ensina a ler jornais

Sabem que subscrevo todas as maladrices feitas ao avozinho da democracia, mas caramba, também não é preciso exagerar. Ontem, deu brado uma sondagem com grande destaque ao facto de Manuel Alegre ter mais votos que Mário Soares numa segunda volta. Mas o que todos parecem ter-se esquecido de dizer, segundo a mesma sondagem, é que Manuel Alegre não tem votos suficientes para ir a essa segunda volta. Quem passa é Mário Soares.

[Rodrigo Moita de Deus]

Os apoios de Joana














Joana apoia Sá Fernandes, dizem os cartazes em Lisboa.
Joana apoia Soares, dizem os jornais.
Joana apoia o seu BE, apesar de apoiar Soares, dizem outros bloquistas.

Mas quem apoia a generosa Joana, figura basilar de tanto apoio?

Alguém me diz?

[DBH]

Diferenças irreconciliáveis

A noite até tinha corrido bem. Eu estava interessado. Mas depois ela despediu-se dizendo tchau.

[Rodrigo Moita de Deus]

O Acidental à escuta

Poucas vezes senti tanta inveja e cobiça pelo texto de outrém. O poste que eu gostava de ter escrito sobre Manuel Maria Carrilho.

[Rodrigo Moita de Deus]

Histerismos de esquerda

É absurdo e quase insultuoso chamar "campo de concentração" ao Tarrafal. É ainda mais absurdo chamar a alguns dos senhores lá detidos “lutadores da liberdade”.

[Rodrigo Moita de Deus]

A imagem internacional de Portugal


















Triste, não é?

[PPM]

Chamem-me jovem que eu gosto ou E também lá vão estar Eunice Muñoz e Ruy de Carvalho

"A socialite (Lili Caneças) é apenas uma das cerca de 300 pessoas que amanhã devem encher o Espaço Jovem da candidatura de Carmona Rodrigues, na Avenida 24 de Julho a partir das 20h30".

(Excerto de notícia do 24 Horas de hoje)

[Nuno Costa Santos]

Vergonha socialista (a propósito do comentário da Ana Albergaria que tão bem compreendo que prefira o silêncio)



Imagens recolhidas pela campanha do candidato Rui Rio durante a visita a um bairro do Porto.
A política não pode ser isto. Não devia ser isto.

[PPM]

Eu sou contra as greves

Não estou de greve, Paulo! Cuido de uma avó enferma e sufoco o meu mau feitio.
Eu tento escrever, mas muito inspirada no regabofe da campanha para as autárquicas e na realidade em geral, sempre que pego na pena só me sai vocábulos tipo: pilantreco; sujeitinho ordinarote; grandessíssima besta; figura reboluda; matrona; peralvilha; fulano intelectualmente acabado; populismo decrépito; bando de javardos; alforreca; sonhos de um anestesiado; torcionários; pardieiro, patacoa das caóticas; fidalgote de pacotilha; lambisgóia; garotelho; bandalho; mânfio; lengalenga obnóxia; fuckyourself, e, son of a bitch.
De maneira que se calhar a pausa até me faz bem. Nem sempre dardejar prosa ferina é boa política. Mais a mais o meu FCP levou aquela enrabadela no Dragão, que me prostrou numa neurótica e neurastesiante simbiose entre o fanatismo sanguinário e a monotonia...
Last but not least, preparo o Rosh Hashanah, o ano novo judeu. Posto isto remeto-me, recatada, de novo à toca, prometendo voltar com o habitual repertório erudito, mas muito eclético, o mais tardar na segunda.
Gentleman agreement.

[Ana Albergaria]

quinta-feira, setembro 29, 2005

O Acidental à escuta

A opinião de António Mega Ferreira na "Visão". O linque não vai dar ao artigo nem à revista de hoje - ou sou eu que não os consigo descobrir. Mas, já que os convidados acidentais também parecem estar de greve, com a honrosa excepção do excelente Rodrigo Moita de Deus, aproveito para puxar uma vez mais a brasa à minha sardinha: é que o texto de Mega faz parte da sua apresentação na última sessão das "Noites à Direita".
É, claro, uma visão de esquerda sobre a direita e a cultura.

[PPM]

Há sempre alguém que diz sim

Li agora - e só agora porque os actuais motores de pesquisa de polémicas são tão funcionais como o site de Manuel Maria Carrilho - que o JPH do Glória Fácil desafiou aqui os acidentais a assinar a petição on-line a favor da candidatura de Manuel Alegre. Só para que ele não esmoreça - ele, o candidato-poeta, neste caso - já o fiz. Em nome da democracia e da liberdade, é claro.
Arrependi-me logo depois de ter lido o extracto final da petição, em que se lê: "Mesmo na noite mais triste em tempo de sevidão há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não." "Sevidão"? Um erro ortográfico e um apelo a que digamos não?
Tarde demais, já lhe disse que sim.

[PPM]

PS. O pior são os nomes e as calúnias que lá aparecem de anonymous anónimos. Não têm cura, coitados. Também só os vi depois.

O Acidental à escuta

Comunicado, no Insurgente.

[PPM]

Putting the money where our mouth is


Um pouco da vossa atenção SFF. Finalmente uma coisa realmente importante.

Foi ontem apresentada em Portugal a
CCS, uma das milhares ONG´s que trabalham em países em vias de desenvolvimento. A CCS leva a cabo um programa especialmente interessante para gente desconfiada como nós: o apadrinhamento à distância. Ou seja, por uma determinada quantia mensal, podemos pagar estudos a uma determinada criança. Mais. Para garantir que o nosso dinheiro não se perde pelo caminho vamos tendo notícias dos projectos da CCS, da própria criança e podemos até conhecê-la.

Pagar um ano de escola a uma criança custa 13 euros mensais. 13 euros pagos por transferência bancária. 13 euros não é nada!

Visitem a organização aqui. Tirem as vossas dúvidas e depois preencham o formulário on-line para adoptar já uma ou duas crianças.

[Rodrigo Moita de Deus]


Adenda: Agora ide e espalhai a boa nova. Publicai-a nos vossos blogues e mandai-a por email aos vossos amigos. Vá! Não custa nada.

Agarrado às saias

Antigamente, nos meus velhos tempos, dizia-se de alguém pouco corajoso, dependente, não-autónomo, que estava sempre agarrado às saias da mãe.

[Eusebiozinho criou-se agarrado às saias da mãe, das irmãs, das tias, das vizinhas]

Agora, graças ao candidato Manuel Maria Carrilho, a expressão passou a ser outra: agarrado às saias da Bárbara.

[Manuel Maria Carrilho quer subir nas sondagens agarrado às saias da Bárbara]

Mas o mais grave e o mais extraordinário é que exista quem se agite e demonstre preocupação pelo facto de o concorrente eleitoral andar agarrado às saias de quem quer que seja.

[Bárbara na rua agita hostes do PSD]

O melhor, neste caso, parece ser mesmo escolher quem tem saias e ideias próprias e não precisa de se agarrar às alheias.

[PPM]

Um pedido de desculpas aos leitores

Só hoje e com a ajuda dos jornais de referência é que finalmente percebi que o caso Artur Portela não tinha importância nenhuma. Nem público, nem diário de notícias dão destaque de primeira página ao assunto. Ambos arrumam o tema lá para o fim, na secção de media. Antes disso estão interessantes peças sobre acne em mulheres de meia-idade ou a participação da bárbara na campanha de Lisboa. Pelos vistos exagerei. Estava convencido que quando o governo interfere com um organismo independente para se favorecer a coisa era mesmo grave. Fica registado o pedido de desculpas aos leitores.

[Rodrigo Moita de Deus]

Chat liberal

Essa de convidar um "liberal assumido" como agente provocador das "Noites à Direita" é uma boa ideia, António. Obrigado. Nós não queremos é "debater" em circuito fechado e poderia acontecer que, de repente, estivesse a sala cheia de "liberais assumidos" a falar sozinhos, apenas entre si, uns com os outros - e os liberais não precisam de ser convencidos.
A nossa intenção, a intenção dos promotores das "Noites à Direita" é transmitir a mensagem para fora desse pequeno círculo liberal - porque a verdade é que somos muito poucos e poucas vezes estamos todos de acordo. Se contribuirmos para que mais pessoas compreendam que liberalizar a sociedade e a política e a economia em Portugal não é um crime lesa-povo nem apenas um projecto de elites bem-pensantes, mas a única solução viável para ultrapassarmos a actual falência do chamado "modelo social", conseguindo conquistar mais liberdade individual e produzir mais riqueza para todos, já teremos atingido parte do nosso objectivo.
Obviamente que as "Noites" não são um projecto fechado - têm, como julgo que sabes, acolhido ideias de outros, nomeadamente vossas, do Sinédrio e do Blasfémias. A nossa intenção, a intenção dos promotores das "Noites à Direita", é que continuem a ser um projecto liberal em construção, aberto e pluralista.
Somos de direita - é verdade - e assim continuaremos a ser, porque não aceitamos o estranhíssimo complexo português que produziu a ideia bizarra - e salazarenta - de que a direita é autoritária, dogmática, moralista e provinciana. Como escreve hoje - e muito bem - o Luciano Amaral, pode ser que um dia "talvez essa direita perceba que, no corrente contexto, o seu é que é o lado da 'liberdade', e que a 'autoridade' está do outro" - está na velha esquerda socialista que continua a dominar as mentalidades em Portugal.

[PPM]

Ver demasiada televisão faz mal

O caixa do supermercado agora saúda os clientes com gestos bruscos e tom de voz efeminado. De há uns tempos para cá que anda particularmente espampanante. Demasiado espampanante. Coitado. Se calhar acredita que é a fazer figura de bicha tonta que chega a estrela da televisão. Bem….se calhar chega mesmo…

[Rodrigo Moita de Deus]

Pressões altas

Depois de ter chamado Marcelo Rebelo de Sousa a Belém por alegadas pressões do anterior Governo, espera-se agora que o Presidente da República anuncie brevemente a data da audiência com Artur Portela, da Alta Autoridade.

[PPM]

Hoje deu-me para pensar nestas coisas

Pensar que todos os meus actos têm consequências, é sinal de cobardia ou de maturidade?

[Rodrigo Moita de Deus]

Saladinhas de polvo


Na fotografia o ministro Nuno Morais Sarmento explica que o governo não exerceu qualquer tipo de pressão sobre a TVI para que esta dispensasse o comentador Marcelo Rebelo de Sousa.
[Rodrigo Moita de Deus]

Como vai, senhor feliz? Como vai, senhor Alegre?

Como vai senhor Feliz?

Vou bem, obrigado

Cavaco muito perto de vencer à primeira volta


Como vai senhor Alegre?

Eu é que sou o candidato da esquerda.

Alegre diz-se o melhor candidato e tem mais votos
do que Soares na segunda volta


[PPM]

O melhor texto sobre as "Noites à Direita"

Luciano Amaral no "Diário de Notícias" de hoje.
Excelente, como sempre.

[PPM]

Antes que me volte a esquecer

O Pedro Mexia tem um novo blogue. Chama-se Estado Civil e é talvez demasiado confessional para o meu gosto - mas, como é certo e sabido, o meu gosto não vem ao caso. Continuo com saudades dos bons tempos em que o Pedro escrevia sobre política na Coluna Infame.

[PPM]

Bové é um industrial. Acabe-se com a piedade

1.O proteccionismo económico do Ocidente, sobretudo ao nível agrícola, é um dos grandes problemas do mundo global. Mas, incrivelmente, este problema não marca a agenda política e intelectual. E isso sucede por duas razões: (1) o ambiente intelectual anti-globalização não aceita falar do levantamento do proteccionismo, pois isso seria admitir que a Globalização, afinal, resulta. Sinistro, mas é assim. (2) Não há imagens de TV. Como é que se filma uma tarifa alfandegária escandalosa? Como é que se filma os subsídios dados aos agricultores ocidentais? E isto sucede na centralista Europa, mas também na civilização liberal por excelência, a América:

This divergence is economic as well as political. In 2002, in a blatant attempt to win votes in the Rust Belt, President Bush imposed tariffs on steel imports. This calamitous decision undermined the Doha trade round, provoked threats of retaliation from Europe, and made a mockery of his professed support for free trade. If an American president couldn’t stand up for his principles with his approval ratings close to record levels, when could he stand up for them? Soon afterwards Bush signed a $170 billion agriculture bill that comes close to matching Europe’s Common Agriculture Policy in the harm that it inflicts on trade in general and the developing world in particular. Despite a quarter-century of globalization, the Western world now spends $1 billion a day on agricultural protection of one sort or another, depriving the poor world of the market that it most craves. The fact that the president then had the nerve to go to Monterey to boast about an increase in American aid to the developing world (which, in fact, still leaves the world’s richest country well behind other donors) only added insult to injury.

From Sarajevo to September 11”, John Micklethwait and Adrian Wooldridge (os tipos do Economist que cobrem a América). Policy Review.

2.Sempre que se fala de agricultores, as pessoas da cidade ligam imediatamente Agricultura com Pobreza. É um automatismo, digamos, moral. É um reflexo de uma sociedade urbana que vive com complexos românticos; é uma descarga emocional de uma civilização que trabalha como Adam Smith mas que dorme como Rousseau; é um sinal de um sentimento de culpa em relação àqueles que supostamente ficaram para trás. Supostamente? Sim, nunca conheci um agricultor pobre. Só conheci agricultores ricos. Seria bom acabar com o mito do agricultor pobre. Há pessoas pobres que, infelizmente, têm de cultivar para compensar as suas reformas ou parcos rendimentos. Mas estas pessoas não são “agricultores”. Não é a sua profissão. Estou a falar dos “industriais” da agricultura, como o José Bové. Estes industriais ultra-protegidos não só sorvem subsídios faraónicos (problema interno) como são os piores inimigos da pobreza do terceiro mundo (problema externo).

3. O Ocidente esconde esta farsa com a costumeira piedade (esta descarga de consciência cristã, atenção, é usada, em igual medida, por Bono e por Bush). E esta piedade, composta por doces palavras e por pequenas esmolas, é um insulto à inteligência e pobreza do terceiro mundo. Primeiro, edifica-se barreiras alfandegárias. Depois, cobre-se os ricos industriais agrícolas com pornográficos subsídios. Por fim, dá-se uma esmola a quem quer trabalhar e vender os seus produtos. Isto não é só um erro político. Dar esmola a partir de uma fortaleza proteccionista é um insulto. Os ocidentais julgam que a moral desculpabiliza as acções políticas.

[Henrique Raposo]

Graçolas para advogados

Nas notícias anunciavam que grande parte dos tribunais estavam “paralisados ou a funcionar com serviços mínimos” na sequência de uma greve. Não se entende tanto clamor. Toda a gente sabe que os tribunais portugueses há mais de vinte anos que estão “paralisados ou a funcionar com serviços mínimos” e para isso nunca foram necessárias greves.

[Rodrigo Moita de Deus]

Rui Rio insultado durante acção de campanha

Mas já chegamos à lota de matosinhos ou quê?

[Rodrigo Moita de Deus]

quarta-feira, setembro 28, 2005

O único político

1.Ontem, perguntei aqui se ainda havia políticos na Europa. Bom, parece que, afinal, há um. E, por sinal, é um homem de esquerda: Tony Blair: «Ouço pessoas a dizerem que temos de parar e debater a globalização. Também podemos debater se o Outono vem a seguir ao Verão […] não há mistério, por isso não há necessidade de debater o óbvio. O que funciona nesta era de rápida globalização é uma economia liberal aberta» (Público, p. 26)

2. Blair pouco falou da EU. Blair falou da “malaise” francesa e ao medo alemão. E falou com orgulho patriota: “somos um grande país e nós temos orgulho nele”. Só um reparo: Blair pode falar assim porque há 20 anos uma senhora fez no Reino Unido aquilo que hoje é necessário fazer na Europa Continental.

3. Os britânicos, como sempre, adaptam-se. Não esperam que o mundo obedeça às suas teorias feitas à priori. Ao invés, os europeus continentais continuam a discutir se “penico de barro ganha ferrugem” e, mais grave, continuam a fazer birra quando descobrem que Outono vem mesmo a seguir ao Verão. Os europeus continentais têm uma especificidade única no mundo: conseguem transformar o “óbvio ululante” numa nota de rodapé.

[Henrique Raposo]

Greve de zelo

Por este andar, depois das ameaças de juízes e magistrados, o próximo orgão de soberania a entrar em greve é o Governo.

[PPM]

Amanhã na Atlântico, entre outras coisas

Quando a jornalista Anne Applebaum visitou a cidade de Praga, após a queda do regime comunista, observou uma situação que de alguma forma veio a constituir-se como a inquietação básica do seu livro Gulag, Uma História: «Havia vendedores de tudo ao longo da ponte […] Pinturas de lindas ruelas estavam em exposição, juntamente com jóias de ocasião e porta-chaves de Praga. Entre o bricabraque, podia-se comprar toda a parafrenália militar soviética: barretes, insígnias e pequenos emblemas na lapela, as imagens de lata de Lenine e Brejnev que as crianças das escolas soviéticas um dia prenderam aos seus uniformes».
Os compradores destes souvenirs eram na sua maioria americanos ou cidadãos da Europa ocidental. Ao olhá-los Applebaum percebe que qualquer um deles “ficaria doente só de pensar usar uma suástica ao peito. Nenhuma recusava , no entanto, usar uma foice e um martelo numa t-shirt ou num boné”. Sem nome nem rosto os mortos do comunismo são apenas uma estatística. Ou como disse Estaline, «A morte de um homem é uma tragédia, a morte de um milhão é uma estatística»
E até hoje não deixou de ser assim.

Helena Matos, Atlântico.

[Bernardo Pires de Lima]

Para que serve um presidente da república?



A semana passada o presidente do governo regional da madeira anunciou publicamente que não iria apoiar as autarquias que a oposição vencesse. A coisa foi publicada em quase todos os jornais. Jorge Sampaio, presidente da república e o superior hierárquico do bicho, não disse nada sobre assunto. Em dez anos nunca o fez. Depois queixem-se…

[Rodrigo Moita de Deus]

Charutos com saladinhas de polvo

O membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS), Artur Portela, renunciou esta quarta-feira ao cargo em protesto contra a alegada pressão do Governo para alteração da renovação das licenças de televisão. in TSF

Pronto. Lá está a oposição com as insinuações do costume…

[Rodrigo Moita de Deus]

O país do asterisco

Portugal é o país do asterisco. É questão de folhear os jornais - as páginas de opinião da jornalada. Digamos que o asterisco não está lá expressamente. Está implícito, tácito, subentendido. A gente imagina-o sempre bem juntinho ao nome dos colunistas – a remeter para a informação sobre a profissão dos mesmos, que vem no fim. Porque, segundo parece, é importante para o leitor saber em que categoria profissional se insere o tipo que está a mandar umas bojardas sobre Fátima Felgueiras.
Peguemos no Público de hoje. Eduardo Prado Coelho é, segundo a derradeira informação da sua poética croniqueta sobre os gambozinos, «professor universitário». Paulo Tunhas, que alinha algumas ideias sobre o simplismo adolescente das opiniões de Soares, é mais alguma coisa. É «professor universitário, co-autor, com Fernando Gil, de Impasses». Joaquim Fidalgo, que faz a pergunta «e eu e tu?, que é que havemos de fazer?», é «jornalista».
Mas atentemos no exemplo de Manuel Queiró, autor do texto «O que vem a seguir às eleições». Fiquei a saber hoje, através de uma nota final, que o político Manuel Queiró é «engenheiro civil». Aliás, li o artigo de Queiró – sobre o Orçamento e as presidenciais – à luz dessa relevantíssima informação. Olhei, aliás, a reflexão queiróiana como se olhasse um edifício - como se vislumbrasse as vigas de cada pensamento e parágrafo. Agradeço, daqui d´O Acidental, aos editores do Público a informação (é importante estabelecer boas relações entre órgãos de referência).
Não é o caso, mas há situações que roçam o hilário. Colunas sobre os U2 e o Clemente escritos por economistas. Textinhos sobre o fim da História escritos por basquetebolistas. Artigalhadas sobre psicanálise marteladas por camionistas da Brandoa. Pois, pois: em Portugal, não há cronistas. Há «pessoas com uma determinada profissão que exprimem o seu ponto de vista sobre o país e o mundo». Daqui a nada, nós, leitores, também teremos de vir com asterisco. Antes de lermos uma peça, seremos obrigados a dizer em voz alta o que é que fazemos na vida. Para detalhada informação da clientela do café.

[Nuno Costa Santos]*

*indivíduo extremamente diletante

Uma campanha criativa

Ideias básicas - Lisboa com projectos de princípio, meio e fim (zig)
Ideias pop - Distritos como Barcelona. Mesmo que a lei não o preveja (zag)
Ideias complexas – Manifesto de campanha. 32760 caracteres de ideias consistentes para Lisboa (zig)
Ideias simples – Afinal Lisboa precisa de ideias simples que resolvam problemas concretos (zag)
Ideias fáceis – Afinal em Lisboa o PS gosta da Bárbara (zig)
Ideias quiméricas - Portagens à entrada da cidade para resolver o trânsito (zag)
Ideias acessíveis - Carmona Rodrigues é quase corrupto (zig)
Ideias intricadas – Um jardim em cada bairro (zag)
Ideias fundamentais – Bárbara em campanha ao lado do marido (zig)
Ideia etéreas – Em vez de ideias, Lisboa precisa de objectivos. Metade dos carros em apenas quatro anos (zag)
Ideias fundamentais – Bárbara em campanha ao lado do marido (zig)
Ideias em fascículos – ouvir 500 especialistas para fazer um programa (zag)
Ideias fundamentais - Bárbara em campanha ao lado do marido (zig)
Ideias criativas – 500 novas empresas, 6000 empregos e 100 milhões de euros. Afinal Carrilho consegue resolver sozinho o problema da modernização da economia, do desemprego e do défice (zag)

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Carrilho preparou-se durante três anos. Três anos! Três anos a falar de Lisboa e de quanto gostaria de ser candidato à autarquia. Três anos para pensar no que precisava de dizer para ganhar. Três anos para pensar no que faria se ganhasse. Três anos a fazer birrinha. Três anos onde tudo fez a pensar nesse objectivo. Três anos é muito tempo. Três anos e depois sai isto. Uma campanha ao sabor da notícia do dia seguinte. Se ainda alguém tinha dúvidas sobre as qualidades humanas, técnicas ou políticas do senhor Carrilho, depois desta campanha está certamente esclarecido.

Deitar gasolina para a fogueira

De facto, um governo que irrite tantas corporações e outros pequenos poderes não pode estar só a fazer coisas más.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Tenho acompanhado atentamente a discussão que para ai anda sobre este assunto. Apetece-me dizer uma coisa. O centro-direita não apupa medidas importantes só para ganhar pontos em sondagens e não é pelo facto de estar na oposição que critica o que há pouco tempo atrás também defendia. Esta diferença de comportamento é daquelas pequenas grandes coisas que ainda nos distinguem dos senhores que agora nos governam. Por favor não acabem com isso.

Quase ninguém



Hoje vi um cartaz do candidato Fernando Seara com o slogan “Ninguém pára Sintra”.
Reparei no cartaz quando estava parado no IC19

[Rodrigo Moita de Deus]

Pensamento do dia [Recebido por e-mail]

Feliz foi Ali Babá, que não nasceu em Portugal e só conheceu 40 ladrões.

[PPM]

Being ZPA*

Ao entrar no carro para vir trabalhar, decidi pôr um CD a tocar em vez de ouvir a TSF.
Estou convencido que assim, se todos fizéssemos o mesmo, o mundo seria melhor.

[DBH]
*Um momento Zen, com a devida vénia.

terça-feira, setembro 27, 2005

Assustador

1."França quer seis a dirigir a União Europeia" (Público, p. 20). França, Polónia, Alemanha, Reino Unido, Itália e Espanha controlariam a EU. E os outros nem sequer teriam hipótese de veto. Argumento? Os 6 gloriosos têm 75% da população, logo, podem controlar sem dar cavaco aos restantes que detêm apenas uns dispensáveis 25%. Dois séculos depois da morte de Rousseau, os franceses não largam a sua invenção preferida: a Tirania da Maioria, desta vez a uma escala continental. Perigo. É um sintoma de perigo porque revela o absoluto desnorte da Europa central.

2.A questão é mesmo esta: alguém viu por aí o tino dos políticos europeus? Custa assim tanto enfrentar a realidade? Para quê fugir à realidade com estas ideias loucas?Custa assim tanto admitir que o “modelo social” precisa de mudanças? Custa assim tanto falar em liberalismo? Será que lhes dói o céu-da-boca quando pronunciam a palavra liberal?

3. Será que ainda há políticos na Europa? É que Política não é gerir clientelas e namorar sondagens.

[Henrique Raposo]

10 metros de reacção

1.Rua principal. Uns senhores mudam a paragem do BUS. 10 metros (quinzes passos. Contei) mais para baixo. Resultado: barulho (obviamente: o português gosta de gritar, nem que seja para o campeonato de carica lá do bairro). Gente a barafustar com a mudança da paragem. Argumentos? Nenhum. Barafustar sem argumento válido é arte bem portuguesa.

2.Uma gigantesca milha de 10 metros, eis uma especificidade portuguesa. Aquela semi-manif revelou uma das forças mais reaccionárias da Europa: o universo tuga. Nem na paragem do BUS se pode mexer. Mas, verdade seja dita, há aqui coerência. Se não é para mexer, então, não se mexe mesmo em nada. Nem em quinze passos.

[Henrique Raposo]

Old Trafford com falta de ambição

Como diria Artur Jorge, fomos capazes de fazer coisas bonitas mas deitámos tudo a perder no fim. Foi bonito ouvir gritar "Benfica" e "SLB" no estádio dos Red Devils. Foi bonito ver o golaço de Simão. Só não foi bonita a falta de ambição de Koeman e a falta de jeito de Beto. Faltou Karagounis, mas o meu clube mostrou hoje que tem equipa e jogadores para ir longe na Liga dos Campeões.

[PPM]

Nobel, factos e o grilo coxo

Facto um: Paz na Irlanda. Facto dois: Paquistão e Índia aproximam-se. Facto três: Turquia devolve os direitos os curdos. Facto quatro: a UE alarga-se a quase todo o continente europeu; a Europa está literalmente unida em paz. Facto cinco: Ucrânia, Geórgia, Quirguistão e o Líbano “sofrem” convulsões democráticas.

Mas quem é que vai receber o Nobel da Paz? Claro: a defensora do escaravelho da Suazilândia, o promotor do dialecto n.º7 do Suriname, o defensor da liga da protecção do grilo coxo das pampas ou a minha vizinha Laurinda que insiste em barafustar comigo numa língua que desconheço. A dona Laurinda é como os senhores do Nobel: não dá para perceber.

[Henrique Raposo]

O Acidental à escuta

Devíamos já saber que é graças ao "voto útil" que ainda temos uma Constituição meio marxista e como principais partidos dois aglomerados "sociais-democratas" que constituem a destilação de todos os arranjos que o medo de não parecer socialista promoveu nos primeiros anos desta III República. Se não temos em quem votar, não votemos. Se não gostamos das regras em vigor, tentemos mudá-las.

Miguel Freitas da Costa, no "Diário de Notícias de hoje

[PPM]

Um candidato criativo!

Carrilho quer 500 empresas
Assim, propõe revitalizar a cidade com a instalação, em edifícios municipais devolutos, de 500 empresas criativas, que irão dar origem a 2500 novos empregos directos e 6000 empregos indirectos. Com esta estratégia espera gerar um volume de negócios de 100 milhões de euros.


É preciso fazer justiça ao homem! Quando todos davam a campanha como morta, ele excedeu-se na criatividade.

[Rodrigo Moita de Deus]

Só uma pergunta:

O Burkina-Faso e o Burundi têm leis de trabalho mais flexíveis do que Portugal?

[Henrique Raposo]

As causas da Pobreza são políticas

We know that sustained economic growth is essential for development and reducing poverty. And, we also know that many of the drivers are not measurable in numerical terms. Because they are harder to measure, harder to predict and often harder to influence, there is a tendency to discount these factors as "soft".That would be a mistake, because sustainable development depends as much on leadership and accountability, on civil society and women, on the private sector and on the rule of law, as it does on labour or capital. Perhaps the most important determinant for reducing poverty is leadership. And institutions of accountability such as civil society and a free press can help leaders listen, help to hold them accountable for results, and expose corruption. (via "O Insurgente").

De Paul Wolfowitz. Parece que o homem deixará um legado positivo no Banco Mundial. Ao contrário do que se passou no Pentágono…

[Henrique Raposo]

conversas de surdos

Ainda sobre o caso Fátima Felgueiras - Posso estar errado, mas convenci-me que "ler a lei" era diferente de "aplicar a justiça". Até me convenci que era por causa disso que tinhamos juízes. É que "ler a lei" todos sabemos mas nem todos somos juízes.

[Rodrigo Moita de Deus]

A esquerda acusa os partidos de centro direita de "aproveitamento político" na questão do aborto


Legenda - Porta de um tribunal no fim de um julgamento por aborto. A populaça, que se juntou espontaneamente, trouxe cartazes feitos em casa que, por coincidência, tinham todos o logotipo do PCP. E antes que os malandros de centro direita comecem a dizer que esta operação foi orquestrada na sede de um partido, informo que Odete Santos lá estava na qualidade de advogada das arguidas. Estamos conversados.
[Rodrigo Moita de Deus]

A esquerda acusa os partidos de centro direita de "aproveitamento político" na questão do aborto


Legenda - Porta de tribunal enquanto decorre um julgamento por aborto.
O numeroso grupo que se juntou espontaneamente colocou espontaneamente um logotipo do bloco de esquerda no seu cartaz.
[Rodrigo Moita de Deus]

A propósito de charutos

Um grande site de internet, hino de campanha, carros e até um camião TIR a tempo inteiro.
Que sorte Isaltino! Esse teu sobrinho é um mãos largas!
[Rodrigo Moita de Deus]

Coisas simples que não consigo entender

É no mínimo bizarra a forte simultaneidade estatística entre malandros e fumadores de charutos.

[Rodrigo Moita de Deus]

Liberdade rima com unanimidade.

Dizia Jorge Coelho que o PS é um partido de liberdade. Ainda ontem José Sócrates dizia que todos os dirigentes estavam com Mário Soares. Do outro lado do atlântico Mário Soares lembrava que todas federações, todos os dirigentes e todos os deputados estavam com ele. Na ganância até se esqueceu que Manuel Alegre é, também ele, deputado. Nem a um, nem a outro lhes passou pela cabeça que a existência de mais um candidato dentro do espaço socialista podia alterar a lógica dos “apoios”. Essa hipótese nunca foi colocada, nem pelos entrevistados nem sequer pelos jornalistas que fizeram as perguntas. Depois dos avisos, os suspeitos vieram a terreiro ao beija-mão. João Cravinho, Maria de Belém e Vera Jardim juraram fidelidade a Mário Soares só para que ninguém tivesse dúvidas. Os que ontem criticavam em off a candidatura de Soares são agora os primeiros a atirar pedras. O PS é um partido de liberdade.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Entre a cobardia de uns e a intimidação de outros o partido socialista provou ontem que é, de todos, o partido mais dependente do poder.

ideias simples, lisboa criativa e tal...

Alguém sabe como se chama a mulher de carmona rodrigues?

[Rodrigo Moita de Deus]

O Acidental não é o PP

Um simpático leitor:

infelizmente, para questões de interrupção voluntária da gravidez, as portuguesas (com dinheiro) fazem o mesmo... e no que depender do acidental, tudo pode bem continuar como está, já que não està ninguém preso. brilhante."assim se vê a força do pp"

Meu caro Strogoff,

1. O “O Acidental” tem revelado algo que é impossível nas velhas esquerdas: pluralismo e discordância sem que isso leve à ruptura. Quando os blogs de esquerda tentam ser pluralistas, conhecem sempre o mesmo fim: acabam. Bem sei que para boa parte da nossa esquerda a Política continua a ser resumida a dois campos: o lado certo e o lado errado. É como se a Política fosse um jogo de ténis entre duas raquetes mecânicas controlados pelas forças progressistas e reaccionárias da História. Meu caro, nem gosto de raquetes nem de mecânica. Mais: aqui, no “O Acidental”, até jogamos ténis uns contra os outros. Literal e metaforicamente falando. Portanto, não nos atribua a sua visão da política. Fique com ela para si.

2. Mais: Eu não sou do PP. O “O Acidental” não é a voz do PP. Se assim fosse, eu não escreveria aqui. Em relação ao aborto, não tenho a posição do PP. Mas, também não sei muito bem qual é a minha posição sobre esse assunto. Tenho muito poucas certezas éticas. Somos feitos de tensão ética. E no caso do aborto essa tensão é potenciada ao máximo, pois existe uma terceira parte que nunca poderemos ouvir.
Mas o que acho curioso é o seguinte: aqueles que apregoam um relativismo atroz são os mesmos que têm sempre as maiores certezas. Curioso.

[Henrique Raposo]

Colombianização de Portugal

No seguimento do post do Luciano sobre a latino-americanização de Portugal, mais uma para ajudar à festa (Público, hoje, sem link):

«O tribunal de Mértola absolveu ontem os dois arguidos acusados de serem os responsáveis pelo grande incêndio da serra do Caldeirão, ocorrido no verão de 2004, durante o qual arderam cerca de 30 mil hectares de floresta.
O fogo causou mais de 40 milhões de euros de prejuízo a 1720 proprietários.
Os presumíveis incendiários, representados pelo advogado João Nabais, depois de terem confessado à PJ e ao juiz de instrução a autoria dos crimes, usaram do direito de não responder a quaisquer perguntas durante o julgamento e acabaram por sair em liberdade, por não se ter provado a acusação».

Num país onde a maioria dos crimes tem este desenlace, onde o poder político não actua em conformidade com a gravidade dos casos e o judicial muito menos, não nos admiremos que a população se radicalize, organizadas em milícias, ou que sejam carneiros dos movimentos políticos mais radicais, e tudo isto se transforme num apodrecimento do sistema democrático que deveria assentar, acima de tudo, no primado da lei.
As últimas semanas confirmam que a "colombianização" está em marcha.

[Bernardo Pires de Lima]

O candidato que não é de direita, mas pode ser da direita

Discordo de FNV quando escreve no Mar Salgado que Aníbal Cavaco Silva não é o candidato "da direita" - ainda que correndo o risco de estar a dizer "um tremendo disparate". Ele não é de facto um candidato de direita, mas perante o actual quadro de opções em jogo é o único em que a direita pode votar. Para já, é mesmo a única escolha possível da direita, ainda que ninguém saiba o que irá acontecer até "meados de Outubro".

[PPM]

Pacifistas de todo o mundo, uni-vos!!

Não se arranja aí uma manif rápida, via sms, a favor do facínora do Blair depois do IRA ter aceite o desmantelamento total do seu arsenal??

[Bernardo Pires de Lima]

Vir às boas

Confesso que durante muito tempo Teresa de Sousa representou para mim o pior, na opinião jornalística, da visão portuguesa sobre a Europa: o seguidismo face a todos os passos do processo de integração europeia, o fascínio pelo newspeak da União, o deleite com o pontilhismo absurdo das medidas tomadas, tudo contribuía para me irritar. Ultimamente, porém, devo admitir que lhe tenho descoberto um saudável espírito crítico, sem, evidentemente, uma total perda de simpatia pelo projecto europeu (a qual também eu mantenho, dentro dos moldes que defendo). Teresa de Sousa parece, portanto, começar lentamente a vir às boas.
Exemplo disto é o artigo de hoje no Público, que tem passagens que não desdenharia assinar. Como não tem link, limito-me a transcrever a parte que me parece mais relevante:

Às vezes [...] o debate europeu é quase patético. [...]
[Perante o cenário de estagnação da economia europeia, face ao saudável crescimento americano e asiático,] o que é que fazia a Europa? Entretinha-se alegremente a discutir se as eleições alemãs tinham sido ou não o toque de finados do "neoliberalismo" e a "salvação" do modelo social europeu. Como se a realidade não existisse para além da oposição cada vez mais artificial entre um "modelo neoliberal" ou anglo-saxão (descrito como uma espécie de capitalismo selvagem) e o "modelo social europeu", apresentado como justo e igualitário (mesmo que exclua cada vez mais gente). Tanto mais que a própria realidade de há muito ultrapassou este debate. O social-democrata Schroeder operou mudanças muito mais profundas, por exemplo no subsídio de desemprego, do que o liberal Berlusconi. O socialista Zapatero não tocou em nenhuma das reformas "neoliberais" de José-Maria Aznar. O governo de Sócrates já pôs em causa mais "direitos adquiridos" do que, se calhar, todos os governos do PSD. O governo do "neoliberal" líder do New Labour é responsável pelo maior crescimento do investimento público em benefícios sociais da Europa e partilha com a França um dos mais elevados salários mínimos por hora de trabalho.
Esta realidade [...] podia servir de ponto de partida para um novo consenso europeu sobre os desafios da globalização [...], salvando o que há de melhor (e de sustentável) no seu "modelo social". [...] Infelizmente o que prevalece são as ideias feitas, as desconfianças mútuas, rivalidades antigas ou recentes e uma ausência quase total de sentimento comunitário.


[Luciano Amaral]

O que é isto, exactamente?

Candidato do PSD à Junta de Freguesia de Vila Franca das Naves assassinado a tiro.
Depois da Evita de Felgueiras e muitos outros sinais, mais um passo na latino-americanização nacional?
[Luciano Amaral]

segunda-feira, setembro 26, 2005

Descubra as diferenças

José Sócrates promete recuperar 150 mil empregos em Portugal
"Diário de Notícias", 7 de Janeiro de 2005

Manuel Maria Carrilho promete criar 8 mil e quinhentos empregos em Lisboa
"Portugal Diário" de hoje

[PPM]

Alentejanos preferem clínicas PRIVADAS espanholas

1.Telejornal. RTP1. Reportagem: cidadãos portugueses, residentes no Alentejo, escolhem clínicas privadas espanholas. O Serviço Nacional de Saúde de Portugal é ultrapassado por serviços privados de outro país. 2+2 ainda são 4, ou não?

[Henrique Raposo]

Ainda a propósito das "Noites à Direita" (III)

Este artigo do meu amigo João Marques de Almeida no último número da revista "Atlântico" explica em grande medida porque sou de direita e porque sou liberal - e ainda porque é tão necessário liberalizar a direita.

[PPM]

O Acidental recomenda

Lá vem mais um número para irritar a esquerda

As presidenciais na revista "Atlântico". Dia 29 de Setembro, nas bancas.

[PPM]

O Acidental à escuta

Há ainda uma outra comparação entre os casos alemão e japonês que deve preocupar os europeus. Os japoneses foram desafiados a arriscar e a premiar o risco e fizeram-no sem hesitações. Os alemães não sabem o que fazer, e estão indecisos em relação às políticas que devem escolher. Vacilam entre a consciência de que é necessário fazer reformas e o medo das suas consequências. Onde está a “boa velha Europa” que arriscava, que não temia as reformas, que ocupava a vanguarda do progresso mundial? Aparentemente, perdeu-se durante o demasiado longo século XX. A maioria das populações do centro da Europa está a tornar-se conservadora no pior sentido do termo: resistem a qualquer tipo de reformas em nome de um passado que já não existe.

João Marques de Almeida, no "Diário Económico" de hoje

[PPM]

Ainda a propósito das "Noites à Direita" (II)

Isto começa a parecer um caso de ser preso por ter cão e por o não ter. Se é verdade que alguns criticam o projecto das "Noites à Direita" por ser "excessivamente liberal", outros criticam-no por, pelo contrário, não ser "realmente" liberal.
Agora, o Rodrigo Adão da Fonseca concorda com o LAS da Causa Liberal "que não faz muito sentido arrastar o Liberalismo para a guerra eterna entre Esquerda e Direita."
Sem qualquer ofensa implícita, eu sei que o RAF - e, aliás, segundo sempre me pareceu, o blogue Blasfémias, assim como muitos liberais - não gosta da identificação de Direita.
É uma posição perfeitamente aceitável e até comum - no PSD, por exemplo, há muito boa gente que também prefere a não-identificação ideológica, porque isso perturba outros cálculos - mas o mesmo RAF e os outros liberais que assim pensam haverão de compreender também que os promotores das "Noites" são "realmente" de Direita e não têm problemas nem complexos de se identificar, em primeiro lugar, como tal.
Parece-me aliás que o nome da coisa é suficientemente clara - "Noites à Direita.Projecto Liberal". Outros poderão organizar as noites liberais, as noites conservadoras, as noites iliberais, as noites marialvas - ou outras noites quaisquer.
Nós continuaremos com as nossas.

[PPM]

Ainda a propósito das "Noites à Direita"

Depois de um jantar em que coincidiram alguns convidados aqui d' O Acidental apercebi-me de algum mal-estar - para não dizer fúria incontida - com a identificação deste blogue com o carácter liberal das "Noites à Direita". O Rodrigo Moita de Deus já o tinha aliás referido num poste a propósito de um especial algo generalista d' O Independente em que os promotores das Noites eram confundidos com este e outros blogues - como A Mão Invisível ou A Arte da Fuga - sendo designados genericamente de neo-liberais (interessante como o que é normalmente utilizado pela esquerda como um insulto a quem é liberal e de direita possa ser adoptado pela imprensa como designação genérica).
O mesmo artigo do Indy tece ainda alguns comentários sobre alegadas bandeiras dos promotores dessas mesmas Noites - o que merece um comentário mais alargado, mas no blogue Direita Liberal, porque se há coisa que os promotores das "Noites à Direita" não têm é bandeiras, para além de quererem continuar a provar que existe uma Direita que não tem problemas nem preconceitos em debater todas as questões e todos os temas - mesmo os que a esquerda pensa ser proprietária - de modo civilizado e aberto.
Por tudo isso renovo aqui o meu habitual disclaimer com alguns acrescentos: tal como recuso qualquer rótulo partidário para as "Noites à Direita" - de que sou promotor - e d' O Acidental - de que sou responsável - também quero aqui reafirmar que este blogue reúne um grupo pluralista de convidados à direita, entre os quais se contam conservadores, democrata-cristãos, tradicionalistas, reformistas - e até alguns liberais clássicos, ou liberais conservadores, grupo em que me incluo. Todos eles têm o seu espaço e nenhum deles é preponderante.
Eu bem tento manter a barca estável e sem náufragos acidentais.

[PPM]

Contra uma lógica de tudo ou nada

Francisco, com o aumento da idade da reforma, de concreto, não se ganha grande coisa. Poupa-se em reformas o que se paga em ordenados, com a ligeira vantagem de alguns dos que continuam a receber os ditos ordenados continuarem a trabalhar. O ideal, em termos puramente contabilísticos, seria que os funcionários de idade avançada morressem depressa. Mas isso é coisa que não desejamos. Nem mesmo para fazer a vontade aos liberais de serviço. Afinal, o liberalismo económico, o capitalismo, o mercado, são os grandes responsáveis pelo aumento da esperança média de vida – a mais importante conquista civilizacional desde a invenção do sabão.

O aumento da idade da reforma é uma medida acertada e incontornável. Não só não há razão para que, num sistema já de si injusto, se acentuem as injustiças ao permitir que uns se reformem aos 60 e outros aos 65; como, mesmo que assim não se pensasse, também já não há dinheiro para pagar as reformas daqueles que se querem reformar aos 60 anos. Infelizmente, foi preciso começar a ver o fundo da caixa para se perceber isto.

Meu caro Francisco, o processo de transição dos vários subsistemas para o sistema geral traz algumas injustiças. Não o nego. Só que a busca da medida perfeita, perpetua injustiças ainda maiores.

Problema diferente deste é o do excesso de funcionários públicos. Há uma enorme tendência para misturar as coisas, como se uma baixa idade de reforma ajudasse a resolver os custos incomportáveis com o número de funcionários públicos. No entanto, não é bem assim. Ainda que uma leva de reformas precoces dê a sensação de que os gastos correntes com salários diminui (caso não sejam contratados outros ao mesmo ritmo), o facto é que o dinheiro – seja para salários, seja para pensões - continua a vir do mesmo bolso, ou seja, do orçamento público. E, como tal, o problema da despesa certa com pessoal mantém-se. Ou agrava-se, pois é sempre necessário contratar alguns (nem que seja 1 por cada 5) para substituírem os que saem.

Tal como com as reformas, o problema do sobre emprego público só será resolvido quando acabar o dinheiro para pagar salários. Haja esperança. Cada dia que passa, é um dia a menos até lá chegarmos.

Por outro lado – e agora é para o AA do Arte da fuga – eu não disse que estas medidas iriam resolver todos os problemas do país, da educação ou dos militares. Repito, eu não disse que estas medidas iriam resolver todos os problemas. Mas – e é quanto a este ponto que eu gostaria de saber o que pensam os liberais clássicos e modernos – são melhores do que nada. O facto de estarem a ser tomadas pelo PS não pode inibir os seus adversários políticos, que sempre por elas clamaram, de reconhecer que são melhores do que nada.

Quando este mesmo governo reduziu o período de férias judiciais (mais uma medida de bom senso), todos lhe caíram em cima vociferando, entre outras coisas, que não iria resolver nada. É óbvio que, só por si, a redução das férias judicias não vai resolver os problemas da justiça. Mas será que o facto de uma boa medida não resolver ao mesmo tempo todos os problemas do mundo é razão para que não seja tomada? Será que só se podem tomar as boas medidas que resolvem tudo ao mesmo tempo? Será que na oposição a lógica é sempre a mesma: a do tudo ou nada? Será que os partidos não socialistas (ou menos socialistas, caso do PSD) não poderiam ter uma outra atitude? Um pouco mais séria.

A ideia de um “modelo liberal” em que a cada um é dado o direito de decidir sobre a sua reforma – o que desconta, quando desconta, como desconta, para quem desconta –, também me agrada muito. O que já não me agrada tanto é ter de sustentar aqueles que, tendo o direito de fazer essas escolhas, escolheram não descontar, descontar pouco, descontar mal, para, no fim do dia, caírem de novo no colo do Estado.

A ideia de que cada um deve poder decidir sobre a sua reforma, pressupõe uma de duas outras ideias (ou ambas em simultâneo): (i) a de que cada um é suficientemente responsável para tomar as decisões acertadas sobre o seu futuro, quando o futuro é apenas uma miragem; e/ou (ii) a de que o Estado, uma vez concedido esse direito, se pode alhear por completo daqueles que o não souberam usar de forma conveniente, e acabam a pedir no passeio.

Certamente por defeito meu, desconfio da primeira e não partilho da segunda.

Assim, quando o que se espera é nada ou pior do que isso, a reposição de alguma moralidade (e a poupança de alguns milhões, já agora) – como é o caso da equiparação dos subsistemas públicos (péssimos) ao sistema geral (muito mau) – é já um passo positivo. E é triste (para os que estão à sua direita) que tenha de ser um governo do PS a fazê-lo.

[Eduardo Nogueira Pinto]

PS: O AA (António Amaral) chamam-me a atenção para o seguinte: o seu texto, ao invés de contrariar o meu anterior post, vai de certa forma ao encontro dele. Como tal, vai também ao encontro deste. Tem toda a razão. Pelo que fica a lição para mim - ler com mais cuidado o que os outros escrevem - e o que está acima escrito - que não sendo já dirigido ao António, mantém-se válido quem o quiser apanhar.

Aquilo que ainda não ouvi li nem ouvi sobre o assunto

Manuel Alegre tem-nos no sítio!

[Rodrigo Moita de Deus]

Eu que não sou de intrigas...*

Joana Amaral Dias é a mandatária da juventude de Mário Soares. Uma dupla supresa. Surpresa porque se acreditava que Joana Amaral Dias apoiaria Francisco Louçã respeitando as instruções do directório do partido, surpresa ainda maior porque esperavamos que o mandatário da juventude de Mário Soares tivesse no mínimo 65 anos e não uns "meros" 32.

Mas já agora, Joana Amaral Dias não teve "lealdade orgânica" ou isto é tipo estratagema combinado para entalar o PCP na segunda volta?

[Rodrigo Moita de Deus]

*Poste feito à mesa com outros acidentais.

O Acidental à escuta

Promessas de um governo falhado, de António Duarte, na Grande Loja.

[PPM]

E Soares gostava deles. Imaginem se não gostasse.

Alfredo Barroso disse hoje que Manuel Alegre era “uma versão caricatural” de Francisco Salgado Zenha. O nome de Salgado Zenha vem mesmo a propósito. Para quem não sabe Salgado Zenha também era amigo de Mário Soares, também se queixou de traição e também se candidatou contra Mário Soares. Salgado Zenha nunca mais perdoou o ex-presidente da república. Foi mais um dos ex-amigos pessoais no vasto curriculum político do avozinho da democracia.

[Rodrigo Moita de Deus]

Um mercado liberalizado cada vez mais competitivo

Diálogo não ficcionado com um arrumador:

- Desculpe lá mas não tenho moedas.
- Não há problema que eu até dez euros tenho troco.

[Rodrigo Moita de Deus]

E ultimamente têm sido imensas

É possível acompanhar a evolução das sondagens em Lisboa pelo número de aparições de Bárbara Guimarães na campanha.

[Rodrigo Moita de Deus]

domingo, setembro 25, 2005

A maldição de Sócrates

Divirto-me cada vez mais com o que se está a passar à esquerda na corrida para as presidenciais. Pelas minhas contas, depois da entrada do poeta Alegre, vamos já em seis candidatos mais ou menos vermelhos, se incluirmos Garcia Pereira do PCTP, Jerónimo de Sousa do PCP, Francisco Louçã do Bloco de Esquerda - e ainda aquela senhora do POUS de que não me lembro agora o nome.
O mais engraçado é que tudo isto começou com José Sócrates e a máquina do PS a adiantarem-se no terreno, acreditando que poderiam fazer esquecer com o lançamento do tema presidencial e do candidato Mário Soares alguns acidentes de percurso e as promessas não cumpridas - desde logo, o aumento dos impostos.
O erro de casting foi crasso: se há coisa que a candidatura de Manuel Alegre prova é que Mário Soares nem o PS consegue unir, quanto mais a esquerda.
Soares não só lançou a confusão interna no seu partido de origem, como a estendeu ao PCP - com Saramago e Carvalho da Silva a apoiarem dois candidatos, posição que de tão bizarra nem merece comentário - e, feito maior, ao próprio Bloco de Esquerda, hoje finalmente um melting pot à vista de todos.
Como alguém escrevia esta semana, julgo que no "Expresso", nem no próprio Bloco levam a sério a candidatura de Francisco Louçã: depois de o inefável funcionário da Fundação Soares - vulgo Fernando Rosas - aparecer sentado na primeira fila da candidatura oficial do PS, Medeiros Ferreira parece ter convencido a sua companheira de lides bloguísticas no Bicho Carpinteiro e Joana Amaral Dias ascendeu subitamente a ninfa juvenil do patriarca socialista - desculpem o tom algo poético, porque a ex-deputada do BE é, na verdade, a mandatária para a juventude de Mário Soares.
Tudo isto - não se riam ainda, por favor - perante o evidente nervosismo de bloquistas já consagrados como o ex-barnabita Daniel Oliveira e o também jovem deputado João Teixeira Lopes, que se multiplicaram em comentários pouco abonatórios para a ilustre camarada.
A situação à esquerda é trágica, mas não deixa de ser cómica.

[PPM]

Se já houvesse círculos uninominais...



... Esta Senhora teria imunidade parlamentar.

[DBH]

Pão Pão, Queijo Queijo.


Este senhor que aqui, ao lado, vemos é um visionário. Desenganem-se os que pensam que assim o é por o distinto autarca ter referido que Monteiro é um Humanista e um grande Democrata-Cristão. Ou por ter, enquanto parlamentar, vivido a pão e água. Ou por declarado recentemente que "Comigo, os meus eleitores estão sempre em primeiro, sendo o partido apenas um instrumento de exercício da democracia".

Não. O candidato, de novo ao lado do CDS, é um visionário e um sinal da vanguarda democrata-cristã pois foi o primeiro deputado uninominal do nosso país, anos e orçamentos antes das actuais propostas de Gama e Marques Mendes.

Se os círculos uninominais avançarem, todos os orçamentos serão do Queijo.

[DBH]

"Alone Together"


Neste momento, todos os Partidos Políticos têm
PELO MENOS UM candidato presidencial.

Menos o CDS. E o do dr. Monteiro.








[DBH]

As pessoas ou a estrutura legal? A cereja ou o bolo?

Miguel Esteves Cardoso, DN:

Em vez de atacar candidatos e os eleitores que vão votar neles, porque não se vai directamente ao assunto e se ataca as leis que suportam o poder local? É outro ataque difícil, pois é. Mas, caso se pense que as câmaras têm poderes excessivos, é inteiramente legítimo.

Finalmente em vez de atacar candidatos e os eleitores que vão votar neles, porque não se vai directamente ao assunto e se ataca o próprio sistema de justiça que legitima aquilo que se passa?São dificuldades a mais e daí ser mais fácil zurzir nos bandalhos e na bandalheira do que nas leis democráticas que os permitem.

Eis um mistério que nunca consigo perceber: por que razão nunca se discute aquilo que está a montante das pessoas (dos políticos), isto é, o sistema judicial e institucional português? Por que razão discutimos sempre os efeitos esbracejantes, mediáticos e circenses? Por que razão nunca colocamos em cima da mesa as causas perenes e estruturais? Por que razão discutimos a cereja e esquecemos o maldito bolo?

[Henrique Raposo]

Europa: Adaptar ou Morrer

Como sempre, excelente análise de Jorge Almeida Fernandes, Público:

1.«A solidariedade é um elemento chave do contrato social europeu. Mas os Sistemas mudam consoante os constrangimentos. E não há um "modelo europeu". Os modelos mais eficazes, como o nórdico ou o britânico, embora distintos, combinam uma alta mobilidade de emprego com elevada protecção social. Os modelos em implosão são o renano (Alemanha e França) e o mediterrânico, os mais rígidos em matéria de emprego».

2. Portugal é o 154º do mundo em matéria de mobilidade de emprego.

3.Na Alemanha, apenas trabalham 26 milhões de pessoas. A população alemã é de 82 milhões.

3.Adaptar ou Morrer (aos bocadinhos). Escolham do verbo do nosso futuro.

[Henrique Raposo]

Libertação ma non troppo OU vícios privados, virtudes públicas

Num comício anti-guerra, ontem, em Washington.

"[Name of Missing Person]... Please meet your Mom at the Socialist Liberation tent. I repeat: [Name of Missing Person] Please meet your Mom at the Socialist Liberation tent. Thank you."


Via Andy

[Francisco Mendes da Silva]

My ego trip



Manuel Alegre é candidato às presidenciais de 2006

[Francisco Mendes da Silva]

sábado, setembro 24, 2005

Meio caminho: subsídio para uma resposta

Paulo,

1. Não quis dizer que a tua posição é de esquerda. Tal é absolutamente irrelevante. Mas admito que a construção do texto te tenha levado a achar o contrário.

2. É certo que estas coisas se passam "bem longe deste blogue". Mas nem sempre se passam longe das pessoas que escrevem neste blogue. No meu caso, passam-se o mais perto que possas imaginar, diariamente, com quem não tem a mínima simpatia por sindicatos, manifestações e por toda a cultura do direito adquirido. É por isso que o meu habitual cinismo é, aqui, devidamente temperado.

[Francisco Mendes da Silva]

Meio caminho

O problema, Francisco e Eduardo (não consigo agora lincar os vossos textos mais abaixo), não é o aumento da idade de reforma de professores e militares - com essa medida eu também concordo genericamente, ainda que devendo ter em conta os diferentes funcionalismos públicos. Não é a idade da reforma que está realmente na substância da revolta e da angústia de muitos professores, ainda que conte também na balança da desmotivação e do desprestígio que sentem nos dias de hoje - eu bem os oiço e não é em manifestações ou outros números organizados pelos sindicatos.
Um professor ou um militar não são funcionários públicos comuns, não são escriturários ou amanuenses, com todo o respeito por estas nobres actividades. Um professor de Educação Física deve ter alguma dificuldade em dar aulas eficazmente até aos 65 anos, sobretudo para garantir a sobrevivência física das crianças quando saltam do trampolim - só para vos dar um exemplo talvez demasiado concreto.
Enganas-te, Francisco, a minha posição não é de esquerda; porque não é sindicalista mas realista, liberal mas com algum conservadorismo porque desconfiando das mudanças abruptas e às cegas. A posição do Governo é que é de esquerda - digamos, social-democrata, porque massificadora. O que está aqui em causa são alterações cegas como o aumento não estudado e muitas vezes estapafúrdio dos horários de leccionamento, o suposto fim dos "buracos" entre aulas dos professores e outros que tal - só para falar rapidamente do sector da Educação. E estas é que são as principais causas da contestação dos professores da vida real (sobre os militares tentarei escrever um dia destes).
Mais: uma reforma inclue também o processo de tomada de decisão - e o modo como a decisão foi tomada pelo Governo - e pelos ministros da Educação e da Defesa - foi claramente de esquerda, ao contrário do que possa parecer.
Igualizar situações necessariamente diferentes é uma prática tipicamente socialista. A minha direita prefere a liberdade, desde que acompanhada pela responsabilidade individual - e, por isso mesmo, defende que se devem tratar de modo diferente situações que não são iguais. O verdadeiro problema da Função Pública não são os professores ou os militares. Há muito que cortar, mas cortar a sério e sem demagogias - e não é indo buscar umas vítimas mediáticas para fazer fogo de vista que se resolve o fim dos - esses sim, reais - "privilégios absurdos" dos funcionários do Estado. E é por isso que eu não posso aplaudir os ministros aplaudidos pelo Eduardo.
Escrevi isto à pressa - antes de ir a um jantar de um grande amigo meu que está de partida - porque não poderia deixar de responder e porque gosto sempre de poder ler o Eduardo Nogueira Pinto e o Francisco Mendes da Silva aqui n' O Acidental. Espero por mais - e sem nenhuma picardia: afinal de contas estamos a discutir situações concretas que se passam todos os dias, bem longe deste blogue.

[PPM]

Ingenuidade sonsa

Não, caro Professor. Não é preciso que a senhora seja ainda militante do PS. Basta que tenha ameaçado dar com a língua nos dentes para convencer as cúpulas a ajudarem na "orquestração" do seu regresso.

[Francisco Mendes da Silva]

Estes adeptos do Salgueiros

Autocarro do Benfica vandalizado no Porto

[Francisco Mendes da Silva]

Volta, Santana. Estás perdoado.

Assim como a Ana, também eu dei por mim a querer abraçar Marques Mendes. Assim um abraço bem forte, acompanhado de uns carolos bem desferidos.

Não sei se ainda alguém se lembra. Marques Mendes chegou à liderança do PSD em nome de uma cruzada contra aquilo que identificava como "O Populismo". Ganhou e partiu para uma das mais demagógicas presidências do partido de que há memória, uma patranha com os condimentos do costume: nacionalismo saloio, proteccionismo reaccionário, marxismo tablóide e uma linguagem genericamente devedora do romance de cordel e do politicamente correcto.

Viu-se na tonteria da reacção ao negócio Prisa/Media Capital/TVI. E viu-se hoje na patética declaração sobre o caso Fátima Felgueiras (aliás glosada mais tarde por Cavaco). Mendes falou como o mais puro demagogo. Não conhecia o caso, não conhecia a Lei, não duvida da correcção jurídica da decisão, mas sente-se "chocado". E mais: só aos ricos aconteceria uma coisa destas. Só os ricos podem pagar aos malandros dos advogados dos ricos - esses gangsters, como dizia o outro. Eis está ele. Mendes, o justiceiro dos oprimidos, o defensor da classe operária, o Luis Filipe Vieira do povo.

Marques Mendes vive num Estado de Direito. Não pode dizer que desconhece a Lei e, ao mesmo tempo, debitar sentenças absolutas e definitivas sobre a decisão de um Tribunal. Até porque a probablidade de o despacho da Juíza que revogou a prisão preventiva de Fátima Felgueiras ser juridicamente irrepreensível é, de facto, alta. Neste caso, não há essa coisa dos advogados dos ricos e semelhantes enormidades. Qualquer estudante de Direito ou advogado-estagiário sabe que estavam cumpridos todos os requisitos para a revogação da medida de coacção. Artur Marques não é nenhum Houdini do Código Penal.

E, se desconhece a Lei, com que fundamentos racionais, que não os puramente eleitoralistas, defende a sua alteração? Nenhuma lei é perfeita, todas permitem situações embaraçosas. Mas esta é satisfatoriamente justa. Estabelece condições rigorosas para que a prisão preventiva seja precisamente aquilo que se pretende que ela seja: a ultima ratio das medidas de coacção. E se antes de a Fáfá de Belém fugir essas condições estavam cumpridas, agora a verdade é que não estavam.

Para além de que, em concreto, não foi de nenhuma imperfeição ou lacuna da Lei que resultou o imbróglio, mas sim de uma promiscuidade nunca explicada entre o poder político de Felgueiras, os órgãos de polícia criminal e o Tribunal que permitiu à senhora, em 2003, saber o que a esperava e actuar em conformidade, pondo-se a caminho do Brasil. O que um político responsável deveria questionar era a razão pela qual não se ordenou até hoje qualquer inquérito para averiguar de onde partiu e como se operou a fuga de informação.

Marques Mendes, como todo o bom populista, em vez de fazer as perguntas difíceis, prefere o habitual: culpar a Lei, os ricos, os advogados e trazer para a discussão política o discurso inane da multidão em fúria.

[Francisco Mendes da Silva]

sexta-feira, setembro 23, 2005

Pinto contra Pinto: subsídios para uma terceira via

Devo dizer, a propósito da conversa entre o Eduardo e o Paulo, que o meu espírito se encontra mais próximo do primeiro. Mas concedo-me também um pequeno desvio esquerdista, algo que, se alegado pelo Paulo, lhe traria mais razão.

É um facto indesmentível que a direita (conservadora, liberal, democrata-cristã), talvez por reconhecer mais facilmente a importância do risco e da responsabilidade individual, assim como a natureza perversa do Ser Humano e a inevitabilidade do lado trágico da existência, percebe com maior naturalidade a necessidade daquilo a que o jornalismo começou a chamar "medidas difíceis". Percebe a necessidade mas, por vezes, faz dessa necessidade uma apologia tal que a mesma acaba por resultar numa espécie de fétiche iconográfico e no populismo do "vai trabalhar, malandro!". Existe uma demagogia da facilidade, mas também uma demagogia da dificuldade. Da minha parte, confesso a fraqueza. Também eu tendo a considerar, à partida, qualquer medida política impopular como intrinsecamente boa. Enfim, em abono da verdade, diga-se que eu tendo a considerar qualquer coisa impopular como intrinsecamente boa.

É verdade que a investida do governo contra os "direitos adquiridos" do funcionalismo público e a resistência que tem oferecido aos representantes dos sindicatos onde estão inscritos alguns membros das corporações envolvidas (reparem: não se trata, como costuma dizer a imprensa, de "os professores", "os militares", os juízes", mas sim dos representantes dos sindicatos onde estão inscritos alguns - muitas vezes pouquíssimos - membros das corporações envolvidas), cala fundo numa alma amante da ordem e da autoridade. Mas nem todas as medidas são verdadeiramente justas. O aumento da idade de reforma, por exemplo, não só não o é, como é uma manifestação do mais rasteiro populismo.

O que é que se ganha, na realidade, com o facto de os funcionários públicos passarem a trabalhar até aos 65? Qual o contributo concreto para a salvação do estado social? Assim à primeira vista, nada e nenhum.

Mas o pior é que a medida não é meramente inócua. É socialmente contraproducente, uma vez que esquece a necessidade de rejuvenescimento da Administração Pública, povoada que está por pessoas em cuja idade ninguém se inscreve em cursos de aperfeiçoamento, ao mesmo tempo que milhares de recém-licenciados tecnicamente mais aptos se amontoam nos Centros de Emprego. Poupa-se nas aposentações, gasta-se nos subsídios de desemprego e de apoio a estágios profissionais. O estado social continua obeso, a administração ineficiciente.

E é, moralmente, uma traição, porque não distingue o que deveria distinguir. Uma coisa é uma pessoa nos trintas a quem dizem que apenas se poderá reformar aos sessenta e cinco. Outra, bem diferente, é uma pessoa nos cinquentas, com planos consolidados para a sua aposentação, com expectativas criadas para o seu descanso; uma pessoa que, porventura, se privou de muitos confortos para, antes da reforma prevista para daí a cinco, seis, sete anos, preparar a sua subsistência e um maior desafogo dos seus filhos; uma pessoa a quem, de repente, dizem que, para que todo esse esforço tenha consequência, terá de esperar cerca de quinze anos.

Paulo e Eduardo, que vos parece?

[Francisco Mendes da Silva]

O exemplo

Para o meu avô, que faz hoje 86 anos

Se o mundo fosse todo conservador, eu seria progressista. Se o mundo fosse todo conservador, provavelmente estaria nas manifestações a falar mal do Bush e da globalização e dos estereótipos tipo Esquadrão G. Mas o mundo – aquele de que me rodeio, pelo menos - é demasiado progressista e revolucionário para me dar a esse trabalho. Aqui fica o meu agradecimento ao mundo por ser como é. (Calma aí, eu não disse que se o mundo fosse todo heterossexual eu seria gay; não foi isso que eu disse).
Mas não é sobre conservadorismo, não é sobre desconfiança e pessimismo em relação à natureza humana e às utopias que a endeusam, que venho aqui registar uns quantos parágrafos. Venho com a ideia de falar de outra dimensão da minha personalidade – a vocação liberal. O liberalismo – neste caso, num sentido mais específico do termo. Utilizando linguagem de rua (a única que vou dominando, pois), a ideia de que é preciso fazer pela vida sem esperar o colo de ninguém.
Mas, para falar de liberalismo, preciso de um divã. Que, por sinal, já está aqui à minha frente. Desembrulhadinho e tudo. Pronto para receber os meus 90 quilos de melancolia. Os homens que o trouxeram ainda refilaram palavreado feio por não caber no elevador e terem sido coagidos a subir três andares. Perderam a gorjeta - e eu que estava a pensar passar-lhes 15 cêntimos para as mãos.
Estou deitado. E feliz – o divã ainda não se desmanchou. Deixem cá fechar então os olhos. Que imagens me aparecem? O Miccoli a marcar um golo. Não, não deve ser isto. Agora estou a vislumbrar uma troca de SMS’s carinhosos entre Carmona e Carrilho. Também não deve ser isto. Deixa cá sintonizar melhor. Ah, agora sim. Estou a ver a figura do meu avô. O meu avô Raul a chegar aos Açores. É isto. Só pode ser isto.
Lá está ele. É um tropa a chegar à ilha de São Miguel no início dos anos 40. A cidade de Ponta Delgada recebe-o de costas – como a fechada sociedade micaelense. À excepção da minha avó, menina da terra, com quem vive relação apaixonada. Tempos depois, compra uma empresa. Uma empresa falida. O futuro sogro ainda tenta ajudá-lo financeiramente, numa altura em que se anunciava o casamento com a minha avó. Mas ele recusa. Prefere esperar pela sua altura. Só ao fim de cerca dez anos é que começa a criar nome e a ser respeitado.
É melhor fazer um pause antes que isto se torne demasiado longo. Afinal, o motivo é do mais simples que há: aprendi com o meu avô a importância do risco. E a desimportância da mediocridade instalada (sim, tal como referi ontem em converseta com a malta aqui do blogue no Café dos Teatros, cheguei ao liberalismo por via emocional). O seu exemplo tem pulsado dentro de mim com a força daqueles remoinhos que puxavam o meu corpo nas praias da minha adolescência. E não posso – nem quero - fazer nada contra isso.

[Nuno Costa Santos]

Mais um post onde se misturam alhos com bugalhos

Paulo, não há pior maneira para começar uma discussão do que aquela que tu ensaias aqui. O que eu escrevi nada tem a ver com "centrais de comunicação". Vê se metes na cabeça que uma pessoa pode estar de acordo com certa prática de um governo de cor diferente da sua, sem que isso signifique que está a ser enganada, manipulada, ludibriada ou iludida.

Por outro lado, também seria bom que evitasses outra das técnicas de discussão a que recorres com frequência, como seja a de desviares as atenções daquilo que está em causa. Dois exemplos:

a) O argumento anti-generalização. É fácil, é barato e pega quase sempre. Não desta vez. Sei bem que há excelentes professores e militares. Porém, não vejo por que razão é que terei de exibir um disclaimer politicamente correcto, antes de me abalançar para uma critica a uns ou a outros. Eu não estou a criticar todos os militares e professores em concreto. Estou a criticar as corporações, representadas por gente por elas escolhida e que em seu nome actua.

b) O argumento ad taxista. É normalmente usado para distrair os leitores menos atentos. Quando tentas atribuir-me juízos do tipo “são todos uns malandros cheios de mordomias que não fazem nenhum”, estás a perverter aquilo que escrevi. A partir daí, eu terei de perder tempo a dizer que não disse bem aquilo que tu dizes que eu disse, e a discussão fica-se por aí. Como hoje tenho algum tempo, sempre te vou dizendo: lê o que lá está escrito, não deduzas aquilo que eu penso, e verás que nunca disse isso.

Adiante.

A autoridade dos professores e militares tem sido posta em causa, é verdade. Mas tem-no sido, não só pela acção de diversos governos – socialistas e não só (Roberto Carneiro) – como, sobretudo, pelos seus próprios representantes de “classe” e pela sistemática falta de razoabilidade das respectivas reclamações.

Insisto no que disse para contrariar aquilo que escreves: as razões para a agitação de militares e professores, pelo menos as que mais vezes são invocadas pelos seus representantes, não têm nada que ver com perda de autoridade. Tem sim que ver com perda de regalias, privilégios, benefícios, “direitos adquiridos”. Absurdos, porque insustentáveis a médio (curto?) prazo pelo erário público. Absurdos, porque concedidos num tempo que em que se deu tudo a todos sem pedir muito em troca. Absurdos, ainda, por inexistirem razões para que cada um destes grupos (e outros que também ameaçam vir para a rua berrar - como os enfermeiros) tenha um conjunto de benefícios sociais essencialmente diferente da generalidade dos funcionários públicos.

Claro que seria mais simpático continuar a dar-lhes sistemas de saúde praticamente gratuitos, aposentações em idade pouco avançada, promoções automáticas, garantias disto, regalias daquilo, etc. e tal. Sucede que, simpatias destas saem caro. E estes ministros, seja lá por que motivos forem, parece que perceberam isso e que estão a agir em conformidade.

Um liberal como tu és, deveria, pelo menos em tese, aplaudir. Eu – que nestas matérias também sou – aplaudo. Sem me deslumbrar. Mas reconhecendo ao menos quando se tenta inverter o caminho mais fácil – tantas vezes o pior.

Como aqui disse, admito estar totalmente enganado. Se for esse o caso, não hesitarei em reconhecê-lo. Se hoje à noite, após ligar a televisão, assistir aos militares e professores a exigirem mais autoridade para o desempenho das suas funções, aceitando a redução dos privilégios (“direito adquiridos” nas suas palavras) que ouço sempre reclamarem, reconhecerei que estou errado. Se hoje à noite, após ligar a televisão, tiver a notícia de que militares e professores substituíram os seus representantes associativos e/ou sindicais, por estes estarem a “desprestigiar” a “classe” em acções de protesto pela manutenção de um status quo injustificado, eu reconhecerei que estou errado. Mas enquanto tal não sucede, deixa-me pensar que estou a ver bem o filme.

[Eduardo Nogueira Pinto]

Eu, basicamente, quero é saber se nas brilhantes "Noites à direita" houve murraça!

Entretanto, vou debruçar-me sobre outros assuntos: Eu, que sou aristocrática de pai e mãe [hihi] dei por mim, esta manhã, a querer abraçar o Marques Mendes (MM).
Não se riam que o caso é sério... e por duas razões: primeiro, porque sou bastante mais alta do que ele, o que daria uma fotografia algo... como dizer? Insólita? Ficava-me ali o rapaz nos braços, com as pernitas a abanar, quiçá magoando-me a barriguita malhada. Depois, mesmo sendo laranja, custa-me um bocadito aceitar o senhor como "meu" presidente.
Tenho, vamos lá, tendência para não concordar muito com ele. Só por birra, enfim.
Mas esta manhã, banhinho tomado e tal, ligo a TSF e oiço MM dizer que está chocado com a decisão da juíza do Tribunal de Felgueiras, que anulou a prisão preventiva da ex-autarca, explicando, grosso modo, que a fuga de Fátima Felgueiras foi apenas «aparente», e que o mandado de prisão preventiva não foi executado porque a autarca , e passo a citar: «encontrava-se ausente, alegadamente para o Brasil.»
Ora, este «aparente» e este «alegadamente» tiram-me também completamente do sério! Marques Mendes estou consigo e não abro!
Como se já não fosse isto aviltante e demencial, ainda constato o seguinte: ontem, a nossa Assembleia da República chumbou o agravamento das penas por fogo posto. PS, PCP, Verdes e BE acham que a medida carece de uma«reflexão mais profunda».
A proposta foi apresentada pelo CDS-PP; e o meu PSD, armado em parvo, preferiu abster-se. Quer-se dizer: o país anda, há alguns anos, a arder. De Junho a Setembro, Portugal é o coitadinho, o pobrezinho que não sabe o que fazer para combater os milhares de incêndios; que recebe ajuda de toda a gente, porque já se sabe, sozinho, não vai lá.
Choram-se lágrimas de sangue nos quatro cantos do mundo onde há portugueses, que, na televisão, vêm a sua terra, o seu País, destruído. Sabe-se que, grosso modo, os incêndios têm mão criminosa. Sabe-se que os pirómanos, se são apanhados, saem logo e pouco ou nada têm a pagar à sociedade. E o que fazem os nossos deputados? Querem reflectir! Com semblante de consternada inocência, estes meninos querem reflectir sobre o assunto! Execrável. Desculpem, mas é o termo.
Se o projecto de lei fosse mau e desumano tipo: os cabrões incendiários que forem apanhados serão queimados vivos em belas fogueiras nos paços do concelho, ainda entenderia a paneleirice da reflexão. Mas não. O projecto estipulava o aumento do limite mínimo da pena para crimes de fogo posto com perigo para a vida, se praticado com dolo, de três para quatro anos! Os nossos deputados, muito amigos do pensar e pouco do agir, foram os primeiros a dizer que os incêndios são uma grande tragédia - ai que desgraça! - valha-nosa santinha da Ladeira e o raio que os parta e depois, quando é preciso provar que não se é homem só pelo sexo declarado no BI, ficam quietinhos e querem«reflectir».
Fosse eu o meu amigo Fernando/maradona (com minúscula ) e em vez de estar aqui rinhonhó, rinhonhó, com pruridos de linguagem, chamava os bois pelos nomes: flores de estufa do cara***! Risível. Tudo isto é risível. E depois ainda há quem me pergunte porque é que eu emigrei...

[Ana Albergaria]

Um poste anti pedagógico

Quando estou ébrio sou especialmente cauteloso a guiar. Por causa das alucinações estou sempre à espera que um rinoceronte ou qualquer outro animal selvagem africano se atravesse na estrada.

[Rodrigo Moita de Deus]

Já me chamaram de tudo, mas isto é a primeira vez

Fiquei a saber, pelo O Independente, que sou um neo-liberal.
As coisas que uma pessoa aprende a ler jornais.

[Rodrigo Moita de Deus]

Novas direitas. Novas oportunidades. Novos desafios.

Parabéns Paulo pelo sucesso da iniciativa.
Fico genuinamente feliz que as noites da direita tenham vindo para ficar. Sabes que me sinto afectivamente ligado ao projecto. Quer seja pelo elevado número de amigos por metro quadrado, quer por ter na génese uma outra iniciativa à qual estive tão intimamente relacionado.

Estas noites da direita são tão úteis para a sociedade como para os partidos políticos. Servem de fonte de inspiração, mas também de cunha para o seu posicionamento ideológico.

Há muito que defendo, em nome da pluralidade, uma reafirmação do liberalismo em Portugal. Esta reafirmação é útil para todos. Não faz sentido que as vozes do liberalismo estejam dispersas quando juntas se podem ouvir melhor. Essa é a oportunidade.

“As noites” constituem essa reafirmação. Quem sabe, quando as grilhetas dos actuais partidos parecem castrar-vos a acção e o pensamento, este projecto pode mesmo marcar a desejável procura de um espaço próprio, assumidamente e exclusivamente liberal, no panorama político-partidário português. Esse é o desafio.

[Rodrigo Moita de Deus]

Casa cheia nas "Noites à Direita"

Ontem, tivemos casa cheia no teatro S. Luiz. A belíssima sala do Jardim de Inverno encheu-se de muita - mas mesmo muita - gente interessada em ouvir discutir "A Direita e a Cultura". António Mega Ferreira, Pedro Mexia e Rui Ramos estiveram em grande estilo, tal como o moderador Manuel Falcão - brevemente serão publicados resumos das comunicações de cada um dos oradores no blogue "Direita Liberal".

Há acertos a fazer, nomeadamente no tempo das intervenções e, sobretudo, das perguntas, mas foi consensualmente considerado como um grande sucesso. Falo em causa própria, como é evidente, mas julgo que hoje em dia, no meio de uma campanha eleitoral, pouca gente conseguiria encher uma sala daquele tamanho - com muitas pessoas a terem de assistir de pé - para um debate sobre a cultura.

Ao contrário do que li hoje no meu antigo jornal - O Independente - não vi neo-liberais, mas sim muitos liberais de direita e de esquerda, conservadores, democrata-cristãos, independentes, socialistas, reformistas e sociais-democratas. Vi lá, por exemplo, o ex-ministro da Cultura, Pedro Roseta, mas também Teresa Stock, Jorge Salavisa, Teresa Caeiro, Pedro Rolo Duarte, António Lobo Xavier, Ricardo Costa, Patrícia Brito e Cunha, Sofia Galvão, Gonçalo Reis - entre muitas personalidades da Cultura, dos blogues e não só.

É verdade que Deus - o Rodrigo Moita - não esteve presente, apesar de convidado. Pode ser que venha no próximo, porque a sessão seguinte, no dia 18 de Outubro, será dedicada à Economia. Teremos um economista de esquerda, um economista de direita e... António Borges. Há quem esteja disposto a discutir o País e a Direita sem rótulos partidários ou agendas paralelas. Os promotores das "Noites à Direita" - António Pires de Lima, Filipa Correia Pinto, Leonardo Mathias, Luciano Amaral, Manuel Falcão, Pedro Lomba, Rui Ramos e eu próprio - estão.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Uma estória sobre o combate cultural e ideológico

1. Economist (da outra sexta-feira). Em 1995, «Bill [William Kristol] persuaded Rupert Murdoch to put up the cash to set up Weekly Standard».

A revista comemora agora 10 anos. «Why has it succeeded? One reason is Mr. Murdoch, who continues to support a loss-making publication for ideological reasons (“our budget is a rounding error in the News Corporation empire”, claims Mr. Kristol)». Um exemplo a seguir aqui em Portugal por todos aqueles que querem inverter a maré.

2. Raramente concordo com o neocon Kristol. Mas, aqui, o ponto não é de substância mas de forma. Temos muito a aprender com o movimento neoconservador americano, no sentido das mecânicas de acesso ao poder cultural.
Na Europa, a Esquerda, mesmo depois de 1989, continua a ter o moral high ground. É uma aberração? É. Mas temos de ter meios para desmascarar essa farsa, publicamente e em massa (a Weekly Standard é semanal). Temos de convencer os nossos Murdochs. Sobre isto, ler partes deste grande livro: The Right nation, o melhor livro sobre a América dos últimos (muitos) anos.

[Henrique Raposo]

Theo be or not Theo be



Faz parte das convenções educadas europeias que "os americanos são estúpidos e incultos", normalmente a pretexto de não saberem coisas como onde fica Lisboa ou Oslo, ou se a Espanha tem um Rei ou um Presidente. Sabe-se lá porquê, a geografia e a política europeias são o critério da inteligência e da cultura, mesmo se os europeus ignoram o mesmo género de coisas sobre os outros continentes, África, Ásia ou, claro, América (na verdade, ignoram muitas coisas sobre a Europa também: a quantidade de europeus que não sabe onde é nem sequer o que é Lisboa impressiona-me sempre que vou a outros países europeus).
Que o New York Times, por exemplo, publicasse uma peça sobre a monarquia inglesa colocando uma imagem de Isabel I dizendo que era Isabel II seria considerado certamente uma demonstração da famosíssima incultura americana.
Pois o Público de hoje (mal acomparando, uma espécie de New York Times cá da terrinha) lá traz um artigo, no suplemento Y, relativa ao próximo filme de Martin Scorsese, sobre o Presidente americano Theodore Roosevelt (que será representado por Leonardo DiCaprio). O artigo vem ilustrado, porém, por uma fotografia do Presidente Franklin Delano Roosevelt.
Isto demonstra não só ignorância histórica como uma grande ignorância política: o mesmo nome separa duas filosofias políticas completamente diferentes.
E já agora: Theo is the Man.
[Luciano Amaral]

Os professores são uns malandros, não são?

A melhor prova que a central de comunicação do PS está muito bem montada, é este texto escrito pelo Eduardo. Desculpa-me, também, mas misturar professores e militares no saco indistinto dos "privilégios absurdos" da função pública é confundir alhos com bugalhos. Estranho até que um conservador como tu escreva tais comentários sobre duas instituições - o Ensino e as Forças Armadas - que são consideradas absolutamente estruturantes para a existência daquilo a que se convencionou chamar "nação". Para além de não se terem retirado assim tantos privilégios, como tu pareces pensar, o que se conseguiu foi arrasar a autoridade e o bom nome de duas profissões que asseguram o presente e o futuro de Portugal.

Tu sabes, por exemplo, que existem muitos professores que hoje em dia, graças à actual ministra, têm cargas horárias de 7 horas, dando aulas no total a cerca de 200 alunos, a que somam mais 4 horas para os chamados "furos" - achas que um professor nestas condições tem tempo sequer para preparar a matéria? Saberás também que um professor destes ganha pouco mais de 500 euros por mês?

Tu sabes, por exemplo, que os militares portugueses são considerados como dos melhores activos da NATO nas missões internacionais de grande risco - e que hoje em dia ainda estão na Bósnia, onde são considerados exemplares, ou no Afeganistão? Que continuam em S. Tomé e noutras zonas de interesse estratégico para Portugal?

O que a ministra da Educação conseguiu - por ordem do actual primeiro-ministro, é claro - foi que até pessoas como tu consideram os professores e os militares como uns malandros cheios de mordomias que não fazem nenhum. E se pessoas como tu o escrevem, o que dirão outros bem menos (des)informados?

Eu, que até sou o perigoso liberal de serviço, entendo que, mesmo que se retirassem alguns dos tais "privilégios absurdos" - que me dirás certamente quais são - o método e a forma como tal processo foi conduzido não poderiam ter sido mais errados. De uma penada, arrasou-se com a autoridade que restava a professores e militares. Posso ser talvez antiquado, mas continuo a acreditar que o respeito ainda é uma coisa muito bonita.

[PPM]