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quarta-feira, agosto 31, 2005

Austrália no lugar da Europa e o Ocidente oriental

Continuando,

Visite-se isto (recomendação: clicar em View Executive Summary)

1. Para quê? Para perceber o seguinte: em relação à estratégia americana pós-9/11, os australianos perceberam melhor a coisa do que os europeus; também para perceber que a Austrália pode substituir a Europa enquanto aliado “ocidental” primordial de Washington.

2. O seguinte anda nas bocas do mundo: o Ocidente está em perigo… A unidade entre os EUA e a Europa está numa pausa, digamos, estratégica, logo, existe um grau de risco. Quem afirmar o contrário é ingénuo. Há perigo. Mas este é um dos Ocidentes. É o Ocidente Atlântico. Há mais Ocidentes. E uma coisa é certa: Com a Austrália, com a Nova Zelândia e com a Índia - Ocidente não tem nada a ver com a côr da pele mas com princípios políticos - os EUA estão a formar um Ocidente a Oriente. O Centro de gravidade da política mundial está a mudar para a Ásia. Não nos deixemos enganar pelo eurocentrismo. A Europa, se não reagir – em conjunto ou com a participação activa de todos os países – ficará arredada do mundo. Queremos continuar a pregar moralismo para o nosso próprio umbigo ou queremos entrar no mundo real?

Temos de saber acompanhar esta mudança. Repito: quando se tem a Índia e a Austrália (e não esquecer o Japão), a Europa passa a ser um peso... Estamos ou não no business da defesa dos valores democráticos, pluralistas e cosmopolitas? (normalmente, as pessoas costumam resumir a associação daqueles três termos com uma coisa chamada globalização, um termo que anda de boca em boca mas que explica muito pouco.

E já repararam nos países deste Ocidente oriental: EUA, Índia, Austrália e Nova Zelândia. Não faz lembrar nada? Exacto: o Império Britânico. Para se perceber o génio político anglo-saxónico, leia-se “Empire”, de Niall Ferguson, um dos maiores livros dos últimos tempos. Apetece usar uma expressão cinematográfica: um clássico instantâneo.

[Henrique Raposo]

União Nacional

Padre Melícias, Humberto Bernardo e Fernando Rosas, juntos e ao vivo na apresentação da candidatura presidencial de Mário Soares.

[PPM]

Última hora: Mário Soares ficou sem voz na apresentação da candidatura presidencial

Maldade minha: é só o microfone que está a falhar.

[PPM]

A propósito do livro de Rui Mateus sobre o candidato Mário Soares

Alvo de enorme celeuma quando saiu à estampa (tendo mesmo visto a sua edição “misteriosamente” desaparecida), Contos Proibidos alia um tom de vendetta em relação a Mário Soares a preciosos documentos comprovativos do envolvimento internacional, na década posterior ao 25 de Abril.

Nesta dupla dimensão entre EUA, de um lado, e Europa, do outro, uma conclusão pode ser retirada desde logo: o interesse e participação norte-americana em Portugal motivaram um acelerar do envolvimento europeu, particularmente em países como a Suécia, Itália, Grã-Bretanha, França, Alemanha Federal, Noruega, Áustria ou Espanha. E aqui o PS tem enorme importância porque soube capitalizar as motivações de ambos os lados, fazendo pesar a balança deste “duelo” para o lado norte-americano, reforçando a sua posição política no espaço partidário nacional. Pouco tempo depois, este processo teria implicações, também, nos processos democráticos da América Latina, para os quais muito contribuíram os interlocutores ibéricos, nas figuras de Felipe González e Mário Soares.

Outro dos aspectos interessantes deste livro é o traço contraditório da personalidade de Mário Soares. De duas faces marcadas, uma afável, solidária e generosa e outra arrogante, egocêntrica e autoritária, o líder socialista é o alvo preferencial dos ataques de Mateus, bem como de outros intervenientes da história do PS. Soares é descrito como alguém que “tinha uma poderosa rede de influências sobre o aparelho de Estado através da colocação de amigos fiéis em postos-chave, escolhidos não tanto pela competência mas porque podem permitir a Soares controlar aquilo que ele, efectivamente, nunca descentralizará – o poder”. Quanto a isto, os factos não mentem: sabendo de antemão que, numa altura em que as finanças de um PS a dar os primeiros passos estavam depauperadas, Soares percebeu que, controlando os fluxos de dinheiro, automaticamente faria um partido à sua imagem. Para tal, colocou à frente das finanças um cunhado e montou uma “teia” familiar e de incondicionais “soaristas”, não se coibindo, porém, de os ir deixando cair, se assim se justificasse.

Revelações politicamente incorrectas sobre os chamados “pais da democracia” em Portugal têm os seus inconvenientes. As triviais lutas pelo poder quer no interior dos partidos, quer na condução dos negócios do Estado são reflexo de constrangimentos que muitas vezes resvalam para o despique entre egos e personalidades inconciliáveis. Rui Mateus e outros que o digam. No entanto, referir o nome de Mário Soares em processos pouco transparentes parece, ainda hoje, um sacrilégio lesa-pátria. Mais: falar sobre o ex-presidente da República requer cuidados acrescidos em relação a outros intervenientes da construção do regime democrático. Uma espécie de surdina composta por revelações que passam de boca em boca e que, de forma alguma, podem instigar a descobertas de outro calibre.

Coincidência do destino, muitos dos líderes políticos europeus, que estiveram na ribalta nas décadas de 1970 e 1980, foram alvo de processos judiciais (Bettino Craxi), acusações de espionagem (Willy Brandt) ou mesmo assassinados (Olof Palme). Todos pertenceram à poderosa Internacional Socialista (IS), uma espécie de irmandade (embora as amizades na política sejam relativas) que se revelaria frutífera para o PS português, numa altura de crise e aperto financeiro. Como alguém já disse, pela IS alcançavam-se objectivos mais facilmente do que, por vezes, pela diplomacia do Estado português. Uma expressão conclusiva e reveladora da acção política, quando convergem interesses internos e internacionais em cenários de transição política, mais ou menos conflituosos.


SEGREDOS DE UM PROCESSO DEMOCRÁTICO
Bernardo Pires de Lima, na revista "Atlântico"

Sim, reconheço, sob pena de excomunhão de um senhor bloguítico - o qual, fiquei agora finalmente a saber, só admite que se escreva sobre inimigos e desconhecidos - este Bernardo Pires de Lima é o mesmo que escreve n' O Acidental.

[PPM]

O Acidental à escuta

O Candidato do Medo

Ao PS não basta um Presidente imparcial e constitucionalmente rigoroso. Necessita de um amigo em Belém.

A candidatura presidencial do dr. Soares explica-se com uma palavra: medo. Foi por medo que o PS optou pelo dr. Soares. O Governo do PS não está em condições de tolerar um Presidente da República de fora da família. Com o agravamento do IVA, traíu os seus eleitores; com o despedimento de Campos e Cunha, comprometeu-se aos olhos de quem gosta de ler as páginas de economia dos jornais; com a esfomeada invasão da CGD, renunciou a qualquer superioridade moral; e, finalmente, ao saltar para o abismo da Ota, revelou que já não tem mais ideias. Neste contexto, se o novo Presidente se lembrar de atropelar a maioria parlamentar, os líderes do PS sabem que, fora da administração da CGD, ninguém chorará por eles. Ao PS não basta um Presidente imparcial e constitucionalmente rigoroso. Necessita de um amigo, de um camarada em Belém. Por isso, não pôde arriscar-se a deixar correr um simples emblema do partido, fosse em versão lírica (Manuel Alegre), ou em versão burocrática (dr. Vitorino). Precisava de um candidato ganhador. Correu assim para o dr. Soares como quem se refugia num bunker.

Rui Ramos, no "Diário Económico"

[PPM]

Quem é que são as vítimas Paulo?

As mais poderosas forças reaccionárias deste país, os sindicatos, também estão com Soares.
O "criador" do sistema pós-74 pode muito bem ser o seu próprio coveiro. O país acaba por ter o que merece.

[Bernardo Pires de Lima]

Outras vítimas de Mário Soares (III)












Os mil e quinhentos convidados da festa do 80º aniversário de Mário Soares, em que o próprio exclamou: "De política sinceramente vos digo: basta! Tenho o direito de pensar e de fazer outras coisas."

___________

"O antigo Chefe do Estado, que ontem reuniu centenas de «amigos» para o jantar do 80.º aniversário, insiste na ideia de que está retirado da vida política partidária e considera «um disparate» pensar que ele ainda poderia ser candidato presidencial.

O quem é quem da política nacional desfilou ontem na antiga FIL, em Lisboa. Se o PS em peso era de esperar - e esteve lá -, a dimensão política do homenageado explica a abrangência que ontem conseguiu reunir à sua volta, do CDS ao Bloco de Esquerda, passando por notáveis do PSD. Com a única excepção, notada, de comunistas.

Só o ex-presidente, sob um enorme cartaz vermelho a assinalar «Jantar dos oitenta anos de Mário Soares», juntaria 1500 almas tão díspares: de Otelo a António Vitorino, passando por Guterres, Sócrates, Ferro Rodrigues, os sociais-democratas Álvaro Barreto, Leonor Beleza, João Salgueiro, Francisco Balsemão, Eduardo Catroga, Miguel Cadilhe, Ernâni Lopes, Ângelo Correia, Mira Amaral ou Paulo Teixeira Pinto. Faltam alguns? De certeza. A lista é interminável. Mais à direita, Adriano Moreira, acompanhado de Narana Coissoró e Anacoreta Correia. Do lado oposto do espectro, Francisco Louçã. Uns em nome de amizade, outros de respeito político por uma figura já histórica."

"Diário de Notícias"

[PPM]

Outras vítimas de Mário Soares (II)

Rui Mateus, fundador do Partido Socialista, foi durante anos responsável pelas Relações Internacionais do partido. Hoje tem paradeiro desconhecido.

Antigo fiel de Mário Soares, foi autor do livro "Contos proibidos - histórias de um PS desconhecido", onde acusa o actual candidato presidencial do PS de diversas malfeitorias, entre as quais de que "o período governamental de 1983 a 1985 seria prejudicado pela falta de competência e pela exagerada obsessão do primeiro-ministro [Mário Soares] em encontrar fundos para a sua campanha eleitoral".
_____________

SAINT OR SINNER? TWO VIEWS OF A PRESIDENT

Soares: Dictatorship and Revolution by Maria Joao Avillez; Circulo de Leitores/Livraria Bertrand; 543 pages.
Forbidden Tales by Rui Mateus; Publicacoes Dom Quixote; 457 pages

LESS THAN A MONTH BEFORE President Mario Soares steps down from office, he is being scrutinized in two books that are as unlike as vinegar and honey. Rui Mateus, who had been a powerful figure in Soares' Socialist Party and is now appealing a 1994 conviction for corruption and fraud that could send him to prison for 4 1/2 years, rips into his onetime friend. Soares, Mateus claims, is an example of "absolute monarchism,'' who accepted large sums of money from the U.S. Central Intelligence Agency and was aware of the corruption and influence peddling in the Portuguese overseas territory of Macau in 1990 that led to the resignation of the Soares-appointed Macau Governor.

As Prime Minister in 1978, Soares did not give Mateus the position he coveted as Foreign Minister, and many critics see this book as an act of revenge. The Portuguese, who fondly call Soares their President-King, are far more inclined to believe journalist Maria Joao Avillez's glowing account of Soares' career from 1926 to 1975. Among other things, she details his efforts to organize opposition that prevented a communist takeover in 1975. Volume II of the biography is due in October, and in it the former President will make known his opinion of Mateus' book.

Revista "Time"



[PPM]

Diálogo com um amante da ditadura sultanística mais conhecida por CUBA

Um anónimo:

«Cuba continua à frente dos tais países "bem sucedidos". Aliás, ainda está no grupo do "elevado desenvolvimento humano", ao contrário do Brasil»

Caro anónimo cubano,

O mais fácil seria entrar pela via da emoção. A especialidade da esquerda. Seria fácil dizer que V. é isto e aquilo. Pois, eu tento não fazer isso. Portanto, vamos lá falar como gente civilizada.

Como?

Ah… “gente civilizada” é termo burguês? Ok… Vamos lá argumentar, então.

Como?

Ah, os factos… Factos, meu caro anónimo? Comte já morreu há muito. Se para si chega ver Cuba à frente do Brasil numa tabela, então, V. ou é uma máquina ou um glorioso membro do exército dos pai dos povos. Escolha (eu preferia ser máquina). E ficamos a saber que para si não interessa a liberdade. Diga-me uma coisa: V. é daqueles que deu pulos de felicidade no 11 de Setembro e que, hoje, anda por aí a dizer “bem feito” (Katrina)? Vá lá, não tenha vergonha.

Como?

Os números? Então, V. diz-me que um regime estalinista...

Como?

… pronto, ‘tá bem, Castro não é bem estalinista. Afinal, não matou milhões – também não havia milhões para matar naquela ilha martirizada -, só matou uns milhares. Portanto… vá lá ser bonzinhos: Cuba não é um regime estalinista mas sim sultanístico (regime sultanístico é um termo da ciência política. Não é brincadeira minha).

Mais: ficamos a saber que para muita gente de esquerda não interesse ter liberdade política. Sabe como me sinto? Resposta numa palavra: uma-certa- indisposição-mental -associada-a-uma-vontade-de-beber- uns-copos-consigo-para-ver-se-V.-deixava-de-dizer-tanta-tolice. Meter o Brasil, uma democracia, como algo inferior a uma ditadura estalinista, não lembra a ninguém com amor pela liberdade. Se Cuba é assim tão bom, porque razão não vai para lá? É que Cuba não aquilo que V. vê quando vai lá de férias. Cuba é aquela miséria escondida e aquela falta de liberdade que fica para trás quando V. se eleva no avião que o transporta de volta para a liberdade.

Como?

Ah, V. acha que Cuba é livre… Que porreiro. Eu tenho aqui outro conjunto de factos: uma tabela muito bonita com uns números muito feios. É da da “freedom house”. 7 – 7 é a pior classificação possível. Sabe não sabe?

Como?

Ah, V. acha que isto é coisa burguesa. É uma tabela feita com medições capitalistas? Pois estes factos já não são bons, não é? Os Factos são como as cerejas, não é?

Pois... Sabe que mais: tem todo o direito em achar isso. A sua liberdade é a Positiva não é? Pois, eu gosto mais da negativa. É que isso da liberdade positiva é só um nome pomposo para um termo bem conhecido na História: um-gajo-que-chega-e-sobe-no-caixote-e-diz-que-quer- fazer-o-Bem-e-depois-começa-a-matar-os-milhões-que-por-acaso-discordam dele.

Mas o que eu acho estranho é o facto de V. ainda andar por aqui.

Como?

Está a escrever de Cuba!!? Não me diga? Então o acesso à Internet em ditaduras comunistas já é livre?

Como?

Ah… V. trabalha para o Sultão…

Como?

Ah… vá lá não tenha vergonha disso. Afinal, está a defender o Bem, não é.

Mas volte sempre.

[Henrique Raposo]

PS: Qualquer coincidência com a realidade… não é coincidência.

Outras vítimas de Mário Soares






Francisco Salgado Zenha
(n.1923 m.1993)


"Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Enquanto estudante universitário tornou-se o primeiro aluno eleito para a presidência da Associação Académica de Coimbra (AAC) durante o Estado Novo. Ocupou o cargo em fins de 1944 sendo demitido do cargo meses mais tarde por não ter aceite participar numa manifestação de apoio ao regime. Foi um dos fundadores do MUD-Juvenil (Movimento de Unidade Democrática-Juvenil) criado em 45. A sua intensa actividade oposicionista valera-lhe várias "estadas" na prisão sob a acusação de prática de "actividades subversivas". Apoiou a candidatura do General Norton de Matos à Presidência da República travando amizade com Mário Soares durante essa campanha eleitoral.

(...)

Em 1980 entrou em ruptura política com o seu velho amigo Mário Soares devido à polémica levantada pelo apoio ou não ao candidato Ramalho Eanes. Nesse mesmo ano fez parte do Secretariado Nacional e em 1981, a sua moção é derrotada pela moção de Mário Soares."

Centro de Documentação 25 de Abril, Universidade de Coimbra

"Já não se falavam há algum tempo?
Nunca deixámos de nos falar, mas houve uma separação. Eu tinha tido a coisa com o Eanes, o Eanes ainda era Presidente, o Eanes era grande amigo do Zenha porque o Zenha tinha seguido o Eanes. A cisão entre o Zenha e eu próprio foi a propósito do Eanes, da crise do ex-Secretariado, como se chamava. Fiz ali umas malfeitorias, ganhei o congresso e depois tive que varrê-los, tive que exercer o poder. Um belo dia, quando se fez a lista de deputados, (eles representavam no congresso quarenta por cento), queriam ter a mesma percentagem [na lista de deputados] do congresso. Eu disse: «Não faço isso», «Então, nenhum de nós fica», «Então, não fica nenhum». Perdi os 40 melhores deputados que tinha num dia."

Mário Soares, em entrevista ao "Diário de Notícias"

[PPM]


Alegre ambíguo

Com a ambiguidade demonstrada no seu discurso em Viseu, Manuel Alegre comprovou que seria um sucessor à altura de Jorge Sampaio.

[PPM]

Mudança?!!

Luís Delgado, hoje, no DN, sob o título Mudança que Chegará:

«O Governo revela maior instabilidade interna do que fazia crer - o exemplo das finanças é típico - e Sócrates, por muito que queira controlar os danos e desviar as atenções, não terá o suceso que esperava. Será depressivo, tenso, irritante e inquietante».

Até aqui....

«É neste quadro que as alternativas têm de aparecer, e não são as que existem, salvo honrosas excepções. Querem um nome de futuro, credível, carismático e com capacidade de liderança? Nuno Morais Sarmento. E há mais, muitos mais, que já deram provas e reaparecerão, mais dia menos dia...».

Espero que não seja quem eu estou a pensar...

[Bernardo Pires de Lima]

O Belmiro de Angela

"A candidata conservadora às legislativas alemãs, Angela Merkel, apresentou um trunfo eleitoral inesperado, ao anunciar que um dos empresários mais influentes do país - o presidente da Siemens durante 12 anos, Heinrich von Pierer, agora na supervisão da multinacional germânica - vai presidir a um conselho económico que a líder da CDU tenciona organizar, caso vença as eleições de 18 de Setembro. As sondagens dão a Merkel grande vantagem face aos social-democratas de Gerhard Schroeder."

[PPM]

PS. Segundo o "Expresso" de sábado passado, o empresário Belmiro de Azevedo apoia Cavaco Silva nas próximas presidenciais.

Word Verification

A partir de agora, para evitar a maldita publicidade automática (vulgo spam), as caixas de comentários passam a exigir uma "verificação de existência individual" - é rápido e evita o aborrecimento de estar a ler dezenas de mensagens enviadas por computador.

[PPM]

Sim, o Chile pode ensinar Portugal. O nosso provincianismo

Em relação a isto:

1. O Chile é o país mais estável (política) e próspero (economia) da América do Sul. Se ainda é considerado do terceiro mundo? Não sei. Sem ver os números digo isto: se ainda é do terceiro ou do segundo mundo, vai deixar de o ser. Tem todas as condições para crescer e ultrapassar os países europeus estagnados. É bom não esquecer que a Inglaterra –antes da Thatcher – era um dos países mais pobres da Europa… (Via Luciano “O Excelente” Amaral”, numa das recentes bombas no DN. Os artigos do Luciano não são bem… artigos. São bombas. Saudade para Luciano). Ou seja, nada é garantido. A eternidade é coisa para deus – para quem acredita… Em política, tudo é sempre relativo e temporário. Há que trabalhar.

2. Olhando para os números, digo o seguinte: o Chile está no primeiro grupo do Human Development REport de 2004. É o número 43. Portugal é o 26. A diferença não é muita. E está a diminuir. Uma grande diferença? O estado chileno funciona.

3. A América Latina detinha um padrão recorrente: o cenário político mudava por vagas. Quando um adoptava a democracia, adoptavam todos. Se um voltava à ditadura, voltavam todos. Mas, agora já não é bem assim. Há dois países bem sucedidos – México e Brasil - e um muito bem sucedido – O Chile. Para estes já não há volta a dar: serão democracias fortes e economias robustas no mercado global.

4. Sim, deveríamos olhar para aquilo que o Chile, o Brasil e o México andam a fazer. Quem somos nós para não aprender com os exemplos dos outros? Por acaso recuámos ao XVI? Somos o centro do mundo? É este o nosso grande problema: o provincianismo. Somos incapazes de olhar para o mundo. Não sabemos o que se passa lá fora (política pura e dura) e não sabemos apreender o que se pensa lá fora (teoria). Aquele ditado (pensar com os meus botões) é literal em Portugal: só pensamos mesmo com os nossos gastos botões. Somos um quintal auto-excluído do mundo. Um quintal que arde no Verão e que se inunda no Inverno. Mas continuamos a não fazer a pergunta: porquê? Fazemos do sono (priori) e da pena (posteriori) as nossas bases ideológicas. Temos o que merecemos. Mais: temos o que merecemos porque somos - ao contrário do que diz a vulgata - um povo arrogante.

[Henrique Raposo]

terça-feira, agosto 30, 2005

Só uma pergunta:

O que é a "contratação colectiva"?

[Henrique Raposo]

Uma informação aborrecida para todos os alegres amigos do barco da senhora holandesa que andou a oferecer pílulas abortivas aos portugueses...

...incluindo toda a direcção do Bloco de Esquerda, camaradas comunistas e socialistas mais restante pessoal jovem sempre disposto a manifestar-se nem que seja para estar contra o Paulo Portas, esse grande inimigo da classe operária, que enquanto ministro da Defesa proibiu o barco "Borndiep" de cá entrar e - pelos vistos - fez muitíssimo bem.

Então, camaradas amigos, a notícia é esta e vem hoje publicada na Lusa:

"Barco do aborto": Pílula oferecida às portuguesas causa infecções mortais - estudo

Lisboa, 30 Ago (Lusa) - A pílula abortiva que as activistas da associação Women on Waves disponibilizavam a bordo do "barco do aborto" quando, há um ano, se aproximaram da costa portuguesa, pode causar infecções mortais, segundo um estudo norte-americano.

A investigação será publicada na edição de Setembro da revista médica "The Annals of Pharmacotherapy" e as conclusões estão parcialmente disponíveis na edição on-line daquela publicação.

Da autoria de Ralph P. Miech, professor na Universidade de Brown, a investigação visou explicar o papel que a mifepristona - a substância activa do medicamento RU-486, conhecido como "pílula abortiva" - desempenha nos abortos médicos que resultam num fulminante e letal choque séptico (infecção mortal).

A infecção em causa é provocada por uma bactéria vaginal (a "Clostridium sordellii") e, segundo demonstra o professor Ralph P. Miech, a sua associação ao RU-486 - uma hormona sintética que bloqueia a progesterona (indispensável ao prosseguimento da gravidez) e impede a implantação do embrião no útero, provocando a sua expulsão - ocorre porque as alterações provocadas pelo medicamento permitem a entrada da bactéria no canal cervical.

A presença desta bactéria pode provocar um choque séptico e, em alguns casos, a morte.

Esta investigação veio reforçar as suspeitas em relação ao RU- 486, depois de terem sido notificadas cinco mortes associadas a este medicamento, desde a sua comercialização nos Estados Unidos, há cinco anos.

Neste período, mais de 460 mil mulheres utilizaram o RU-486 nos Estados Unidos.

Perante os casos de morte por septicemia após a toma do RU- 486, a autoridade norte-americana para o medicamento (Food and Drug Administration - FDA) emitiu um alerta em que recomenda aos profissionais de saúde e aos doentes uma especial atenção para os sinais de uma eventual infecção e a administração de antibióticos nesses casos.

A comercialização do RU-486 não está autorizada em Portugal mas, há precisamente um ano, este fármaco foi disponibilizado pela organização Women on Waves às mulheres portuguesas que pretendessem abortar.

O medicamento estava a bordo do barco "Borndiep" - conhecido como "barco do aborto" - da associação holandesa Woman on Waves, que se propôs fornecer o fármaco às mulheres que pretendessem abortar.

Na altura, o governo proibiu o "Borndiep" de entrar em águas territoriais portuguesas.

SMM.
Lusa/Fim


Tenho pena - muita pena mesmo - que já não exista o grande e saudoso Barnabé. Gostava de ler agora o que diriam esses formidáveis defensores do barquinho das pílulas assassinas.

[PPM]

A culpa deve ser do Bush

Depois da Guerra do Iraque, chegou o raio da Katrina, hoje uma depressão tropical.

[PPM]

Dão-se alvíssaras

Alguém me arranja um motor de busca do género do Technorati mas que funcione?

[PPM]

Pois devias ser mais "liberal" e oferecer bilhetes aos amigos

Ainda assim, não és bem conservador, caro José Bourbon, porque os Beach Boys que vais ver só mantêm dois elementos da formação original. É para que saibas.

[PPM]

O relatório chileno e os descobrimentos portugueses

Segundo um relatório de especialistas chilenos, entregue ao ministro António Costa, temos bombeiros suficientes e estão bem equipados. Ainda segundo os ditos especialistas, os nossos bombeiros gastam demasiada água no combate aos fogos e trabalham pouco ou mal – ou pelo menos, não trabalham o suficiente - com as ferramentas manuais. Ou seja, não faltam equipamentos e não faltam pessoas, parece que falta formação e... trabalho.
Claro está que dizer estas coisas nesta época não vai levar a nada, pois vão surgir dezenas de testemunhos de actos heróicos dos bombeiros e o condecorador-mor – vulgo Jorge Sampaio - vai provavelmente dizer que estes especialistas chilenos devem ser primos do Pinochet e assim vamos ter mais um relatório que vai cair no esquecimento até ao próximo Verão.
Não faço a mais pequena ideia se o relatório está certo ou não. É, no entanto, para mim claro que as razões da tragédia anual dos incêndios não se resume – nem por sombras – a esta questão. O que me faz acreditar nesta descrição chilena da situação é a semelhança com outros diversos fenómenos da sociedade portuguesa.
Dando apenas o exemplo da Saúde, parece que o nosso Orçamento Geral do Estado reserva para a saúde, em termos percentuais, mais verbas que a maioria dos nossos parceiros europeus, porém o nosso sistema de saúde está como está. Todos nós conhecemos histórias – obviamente falsas - de máquinas que custam milhões de euros em estado de abandono nos hospitais públicos, de alas desertas de hospitais públicos – normalmente inauguradas em período de campanha eleitoral –, de equipamentos abandonados por pequenas avarias, ou de equipamentos propositadamente avariados para que se comprem novos, etc. etc.

Já não sei quem disse que a verdadeira razão dos descobrimentos foi a falta de vontade dos portugueses para trabalhar a terra que tinham. Seria mais fácil arriscar a vida na lotaria da pimenta do que trabalhar duramente na terra. Parece que nada mudou.

[Pedro Marques Lopes]

Quando toda a gente já manda

Parece que o director do SEF resolveu dar uma entrevista para dizer mal da política de imigração para a qual foi nomeado executar. Parece que também é normal directores gerais darem entrevistas para mandar uma larachadas sobre políticas ministeriais. Das duas uma,ou ministro Costa sabia previamente da entrevista do seu director-geral e não tem noção do ridículo, ou não sabia e um deles está lá a mais.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Directamente de Castelo de Vide.

Sou Conservador

Vou aos Beach Boys.

[JBR]

Sobre o jornalismo

A propósito deste meu poste em que recomendo uma crónica de João Pereira Coutinho (Para acabar de vez com o jornalismo), o Francisco da Grande Loja dos Trezentos recomenda este artigo simplesmente fantástico da Esquire. Concordo, Francisco, seria muito bom que os jornais e as revistas portuguesas fossem assim todos os dias - ou que, pelo menos, também fossem assim de vez em quando.

[PPM]

A candidatura de Manuel Alegre, nas suas próprias palavras


"Ficcionando a realidade, vai-se mais ao fundo da verdade."





[PPM]

E agora para algo completamente diferente

Aqui têm um número 10


Vou marcar golos ao Sporting e ao Porto, Karago









Karagounis, carago!

[PPM]

Luta de galos na extrema-esquerda

"Seria interessante que Francisco Louçã tivesse agora a coragem de avançar" - escrevi isto na semana passada, mais precisamente na quarta-feira, na sequência do anúncio da candidatura presidencial de Jerónimo de Sousa. Acrescentei que, quando se fala dos pseudo-candidatos do BE e do PCP, "assistimos apenas a um combate particular na área da extrema-esquerda". Na minha opinião, que mantenho, nenhum deles irá a votos se existir o menor perigo de uma vitória de Cavaco Silva logo na primeira volta.

No sábado, o "Expresso" - certamente com a ajuda da fonte fidedigna do Bloco de Esquerda que lá escreve todas as semanas - afirmava que Francisco Louçã estaria mesmo a ponderar candidatar-se. Neste cenário hipotético, num facto político claramente criado pelo próprio BE, Louçã estaria assim disposto a disputar directamente com Jerónimo o espaço da extrema-esquerda.

Hoje, o "Diário de Notícias" volta à carga, com mais alguns pormenores. Continuamos porém sem saber se Louçã tem realmente a coragem de avançar em pessoa para a luta de galos na extrema-esquerda, porque um sempre oportuno João Teixeira Lopes faz questão de afirmar que o "coordenador nacional" não esgota o leque de possibilidades, sendo que "outro nome citado por alguns bloquistas é o de Luís Fazenda, líder do grupo parlamentar do BE". O que seria um claro downgrade das intenções bloquistas.

Para afirmar a diferença em relação à candidatura de Jerónimo e do PCP, repete o Bloco - tal como tinha feito na notícia do "Expresso" - que se afasta por completo a hipótese de [este putativo candidato] vir a desistir, na primeira volta, em favor de Mário Soares.

Curiosamente, Teixeira Lopes alinha numa tese já defendida por Vital Moreira no Causa Nossa - ou seja, que "a existência de várias candidaturas [à esquerda] até pode ajudar" Mário Soares, uma vez que permite ao ex-presidente "conquistar sectores do centro/direita e da direita, como ele tanto gosta".

Apesar de tudo, mantenho a minha opinião: nenhum dos candidatos da extrema-esquerda irá a votos se houver a mínima possibilidade de uma vitória de Cavaco Silva na primeira volta. Mais: neste momento é o PCP que está a liderar o jogo das presidenciais na extrema-esquerda, com o Bloco a adoptar uma postura meramente reactiva - reaccionária, como é seu hábito - perante a candidatura de Jerónimo de Sousa. Para tentar colocar-se no mesmo plano, resta ao BE avançar com Louçã - candidatar Fazenda será reduzir as expectativas.

Seja como for, repito, estaremos sempre perante um combate particular na extrema-esquerda - curiosamente, na notícia do "DN", o Bloco de Esquerda rejeita ipsis verbis "a ideia de um confronto 'particular' com o PCP de Jerónimo de Sousa" - com ambos as candidaturas a servirem o mesmo propósito, digam o que disserem.

O que se trata aqui é de procurar eleger Mário Soares - desde a Guerra do Iraque, um compagnon de route do BE - e derrotar "a direita", aproveitando a oportunidade para ocupar tempo de antena e não deixar o espaço livre ao PCP.

[PPM]

Declaração de voto: nem um nem outro!

A eleição para Presidente da República é, por natureza, uma eleição extra-partidária, de cidadãos maiores de 35 anos que se candidatam a exercer as funções de Chefe de Estado, Comandante Supremo das Forças Armadas... enfim, dignatário máximo da Nação. Vezes sem conta ouvimos os pais da Democracia nacional apregoar estes princípios, juntando-lhe vezes sem conta sonsas lições sobre a Liberdade, Democracia, Participação, etc, etc...

Acontece que o se passa hoje na vida política portuguesa desmente em toda a linha os nossos colectivos pais políticos. Soares, Cavaco, Alegre e companhia, não souberam nos trinta e tal anos de vida pública deixar "descendentes", gente formada politicamente por eles e estão por isso obrigados a ir a jogo. Falharam, portanto, em toda a linha.

Mais. Se, como nos andaram a apregoar, a eleição para PR fosse verdadeiramente extra-partidária, "candidatura de cidadãos livres, maiores de 35 anos", o que espera Alegre para se candidatar? Pois é... faltou-lhe o PS e coerência nos princípios que enunciou.

A próxima eleição para PR, tal como está desenhada, está condenada e condena-nos a todos.

[José Bourbon Ribeiro]

Islamismo, uma religião-política, não é o Islão, a Religião

Para se perceber qual é o “inimigo” quando falamos de terrorismo islamita:

The truth can only be reached by putting aside both extreme views and by recognizing the difference between Islam, the religion, and Islamism, the religious-political ideology. Although jihadism may not be Islamic, it is based on the ideology of Islamism, which has emerged from the politicization of Islam in the current war of ideas.

Bassam Tibi

[Henrique Raposo]

segunda-feira, agosto 29, 2005

Fumar? A Liberdade > pulmão

1. Jantar. Grupo de amigos. Restaurante na Avenida. Ambiente enxuto. Frio. Doentiamente asséptico. Um restaurante com ar de loja de mobiliário pós-moderno, isto é, um sítio de design marciano e com cores que desafiam as leis da óptica. Mas o mais irritante era mesmo o ar limpinho. O ar de quem faz parte da ditadura da saúde que por aí anda, directamente importada da América (aí que malvados, estes americanos). Naturalmente, resmunguei entre dentes.

- Não comeces! – Gritou em coro o santo grupo que me deu a conhecer tão excelso lugar.

Respondi:

- Pois, quando eles começarem a refilar com o vosso fumo, vão ver…

Passados alguns minutos, o primeiro herói faz a incursão inicial. Acto um: tira o maço. Abrimos a boca de espanto: ninguém dizia nada. Acto dois: Acende o isqueiro. Suspense à Hitch. Acto três: ele consegue acender o cigarro. Levantei-me, como se tivesse sido golo do Karadas: Uma impossibilidade quimérica tornada realidade. Naquele sítio tão asséptico, com um ar mais limpo que bloco operatório, ninguém disse nada ao meu amigo. Era possível fumar. Resmunguei ao contrário, isto é, dei um pequeno berro de alegria e apertei a mão ao empregado.

2. Inevitavelmente, o contra-ataque surgiu pelo flanco da esquerda chique:

- Mas tu não fumas!...

Raios.

- E depois? Não é esse o ponto. Ele tem o direito de fumar onde quiser, como quiser e com quem quiser. Sim, porque se eu estivesse realmente incomodado, dirigia-me a ele e pedia-lhe para apagar o cigarro. E este processo seria feito entre duas pessoas adultas e conscientes. Não preciso de ordens de uma burocracia superior. Ele aceitaria o meu pedido porque é meu amigo. E mesmo que não aceitasse? Deixaria de estar com o meu amigo só pelo simples facto de ele fumar? Gosto de ter amigos – aqueles seres humanos que são tão imperfeitos como nós - e não de ter espelhos onde espelho os meus hábitos. Pois não, não fumo. E desde quando é que eu estou acima dos outros? Desde quando é legítimo impor comportamentos? Não fumo, pois não. Mas acima dos meus pulmões está a liberdade de escolha de quem em rodeia. Gosto muito dos meus brônquios, mas gosto mais dos meus amigos.

3. À saída, e às escondidas, pendurei um cartaz: “deixa-se fumar”. Passo lá todos os dias. É um dos poucos templos liberais deste país.

[Henrique Raposo]

Por favor, não reduzas o meu

foto found by DBH

Carrilho quer reduzir carros para metade

[PPM]

Diz-me quem te apoia [Dos jornais: Carlos Antunes apoia candidatura presidencial de Mário Soares]

- Qual era a articulação entre as Brigadas e o PRP?
- Formam-se as Brigadas justamente para corresponder a esta necessidade da via armada. Tínhamos a noção, o Carlos Antunes e eu, que em Portugal se falava muito e se fazia pouco, distribuíam-se muitos papéis entre os amigos, textos muito ideológicos, palavrosos, mas... fazia-se pouco. Decidimos que não faríamos nenhum papel. E não fizemos até à nossa primeira acção....

- ... que foi?
- .. a Fonte da Telha: a explosão de uma base da Nato. As Brigadas eram de facto dominantes, mas como existia um conjunto muito amplo de gente que não estava envolvida embora actuasse em diversas outras áreas, criou-se então o PRP. Entretanto, as Brigadas iam levando a cabo muitas acções armadas, foi de longe a organização que mais acções concretizou.

Isabel do Carmo, em entrevista a Maria João Avillez

Dos jornais:
Carlos Antunes, ex-líder do PRP, é um dos antigos três dirigentes partidários que anunciaram ontem apoiar a candidatura de Mário Soares à Presidência da República, cargo para o qual é necessário "alguém extremamente bem informado e determinado".
"Diário de Notícias" de ontem.

[PPM]

O Acidental à escuta (Valha-nos São Paulo)

João Pereira Coutinho no seu melhor:

Para acabar de vez com o jornalismo

e

Teremos sempre São Paulo

[PPM]

A propósito das "Noites à Direita" (dois textos de Pedro Mexia que só agora li porque foram publicados na Mão Invisível quando estava de férias)

Este:
Duas notas: eu não pretendo que sejamos «amigáveis» ou «não amigáveis» para com a homossexualidade. Mas eu supunha que um «liberal» não teria nunca opiniões morais semelhantes a um tele-evangelista. Sob pena de a palavra «liberal» ser oca. Se o João Miranda afiança que um liberal pode ser um tele-evangelista à americana, eu não contesto. Ouço e aprendo.

E este:
O mundo é caótico e depravado por natureza (é por isso que sou um conservador). Mas o mundo moderno (no Ocidente) permite uma liberdade e responsabilidade individual sem as quais a moralidade não vale um chavo (e é por isso que sou um liberal).

Pedro Mexia, A Mão Invisível

[PPM]

Para quê?

Procuro os jornais na internet. Na página do Sapo, há um linque que fala de mortos na estrada. Diz que os "acidentes rodoviários fizeram 20 mortos na última semana" e vai dar ao Diário Digital. Fico então a saber que, segundo o site da Brigada de Trânsito da GNR, "a última semana em Portugal foi palco de 1.799 acidentes rodoviários, dos quais resultaram 20 mortos, 66 feridos graves e 662 feridos ligeiros".
Estes são os números a que habitualmente viramos a cara e esquecemos no minuto seguinte. Só que, desta vez, uma vez mais, há uma cara e uma alma que conheço no meio dos números: chama(va)-se Zé Diogo e tinha apenas 21 anos. Era uma pessoa que irradiava luz, felicidade, alegria de viver.
Morreu sexta-feira numa estrada portuguesa.
Quem acredita em Deus - e mesmo quem não acredita - costuma perguntar: porquê?
A Mãe dele, na missa que se rezou pelo Zé Diogo, disse que não é essa a pergunta que interessa - e o que devemos perguntar é "para quê?"
Sim, para quê?
Nesta e noutras tragédias que diariamente nos assolam, Portugal parece ainda viver na idade dos porquês. Talvez seja chegada a hora de perguntarmos todos "para quê?"
Pode ser que, um dia, as tragédias nos sirvam de lição.

[PPM]

Angela, a dama de ferro possível

1. Finalmente. Finalmente chegou ao correio o meu cartão de eleitor alemão. Amanhã já estarei em Bona, a visitar família e a escolher a minha urna preferida. Vou ter o prazer de votar na Angela Merkel, a Thatcher possível para o ambiente intelectual germânico. Não será uma dama de ferro – a Alemanha vive demasiado imbuída nas escolas monistas e no centralismo do estado; um Liberal liberal no poder ainda é ficção – mas será, com certeza, uma dama de uma liga metálica qualquer. E não terá a flacidez ideológica de Schroeder.

2.
Também já estou a tratar da papelada do cartão de eleitor francês. É que em 2007 vou voltar em Sarkozy. Também não será uma lança liberal em solo “centralista”, mas não será, pelo menos, um peso tão reaccionário como Chirac. Mais: não coloca em causa a unidade estrutural (leia-se Aliança Atlântica) do Ocidente.

[Henrique Raposo]

Uma desgraça nunca vem só

Sei por O Acidental - aqui sabe-se um pouco de tudo -, que o Rodrigo Moita de Deus vai estar fora deste estabelecimento durante uma semana. O que não sei é a razão, mas calculo que possa ser também para não ter de comentar o momento particularmente difícil porque passam o glorioso Benfica e todos os mais de seis milhões de benfiquistas, uma nação inteira, onde me incluo.
Em solidariedade clubística, comento eu: já existe o Governo de José Sócrates e uma desgraça nunca vem só. Depois admirem-se que os portugueses andem deprimidos e não sorriam nas fotografias.

[PPM]

domingo, agosto 28, 2005

Parabéns ao excelente Diogo

O excelente Diogo Belford Henriques (excelente em tudo, incluindo na minha classificação secreta para os convidados acidentais) entrou nos trinta este sábado mas só agora lhe posso dar os parabéns publicamente. Entra no mesmo ano em que saio para os quarenta (e que inveja que tenho dele). Muitos parabéns, amigo DBH, muitos anos de vida e muitos postes n' O Acidental.

[PPM]

ÚLTIMA HORA: Mais revelações sobre a "portuguese connection" no mensalão

A revista Única, do Expresso, fala esta semana sobre o envolvimento dos deputados do escândalo "mensalão" em grandes orgias com prostitutas. Tráfico de influências, corrupção, favorecimento e orgias com putas. Afinal, com este padrão, ainda alguém tem dúvidas sobre a "portuguese connection"?

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Vou estar uns dias fora de Lisboa a maior parte das vezes off-line. Volto para a semana. Até já.

sexta-feira, agosto 26, 2005

A estratégia americana para o século XXI. E a Europa?

1. Os europeus andam demasiado concentrados nos ideólogos do excepcionalismo americano (os ditos neoconservadores). Vivem na seguinte ilusão: "Quando Bush sair, isto voltará ao normal, isto é, os americanos voltarão a ouvir-nos com atenção". Ilusão. E perigosa. Sobretudo para os nossos filhos e netos…

2. América está a desenvolver uma nova estratégia, uma nova grand strategy, a substituta do containment de Kennan. E esta estratégia já não tem a Europa como centro de acção. A Ásia é o novo palco. É bom que tenhamos isto em atenção: o Atlântico já não é prioritário estrategicamente.

3.A Índia é a nova jóia da coroa da nova política de alianças americanas. Uma política que procura criar uma rede global de alianças com as grandes potências democráticas do mundo: Brasil, África do Sul, Índia, Indonésia, Tigres Asiáticos, Japão, Austrália. A ideia é criar uma rede de potências demo-liberais, uma sociedade internacional. Kant gostaria de ver isto...

Mas, quem é que falta naquela listagem? Claro, a “Europa”. Nós ainda não percebemos que a Guerra-Fria acabou há 15 anos. Além da nova aliança revolucionária (Índia + EUA), repare-se nos seguintes sinais: os japoneses estão lentamente a mudar o seu posicionamento (de neutralidade aliada para um claro apoio aliado – estão no Iraque com algumas centenas de tropas. Para os padrões japoneses do pós-guerra, isto é uma revolução). Mais: a Austrália e a Nova Zelândia estão a preparar-se para serem a Europa na estratégia americana do século XXI. Como é que se escreve acordar em dialecto habermasiano?

4. E esta estratégia não é neoconservadora. Não é composta por associações tácticas (coligações da vontade) mas por efectivas alianças estratégicas. É influenciada por “realistas liberais”´ou “realistas hamiltonianos”, como Zelikow, Haass, Mead ou Zoellick (é uma escola tipicamente anglo-saxónica. No fundo, é o liberalismo aplicado à grand strategy. E nada tem a ver com a Realpolitk… germânica).

5. Se queremos perceber esta estratégia, temos de ler o clássico do “realismo liberal”, a “Sociedade Anárquica”, de Hedley Bull - o melhor livro de sempre em política internacional, na minha (parcial) opinião. E, já agora, convinha também ler um dos homens que projectou a insultada mas nunca lida National Security Strategy, Richard Haass, um discípulo americano do pensamento do britânico Hedley Bull.

6. Caros patrícios europeus, está na hora de acordar e apoiar os americanos na criação da “sociedade internacional”. Mas, afinal, o que é isso da Sociedade Internacional? Existe Sociedade Internacional (Bull) quando um grupo de estados, conscientes de certos valores e interesses comuns, formam uma sociedade, no sentido de se considerarem ligados no seu relacionamento por um conjunto de regras comuns. Ligações de estado demo-liberal para estado demo-liberal. É por isso que a actual prioridade de Rice é a aliança com a Índia, a maior democracia do mundo.

7. Caros patrícios europeus, está na hora de acordar. A América, ao contrário do que reza o mito eurocêntrico, nunca foi isolacionista. No primeiro século de existência, esta República Federal e Liberal conquistou – literalmente - o Pacífico e passou a tutelar todo o continente americano. Isto não é ser-se isolacionista. É política externa a sério. O Atlântico é interesse recente (pós-1945). Ora, ou o Atlântico europeu se mexe ou, então, fica a ver navios. Literal e metaforicamente falando.

[Henrique Raposo]

Transição para o socialismo?



















Comunicado do Conselho de Administração da Lusomundo Serviços

O contrato de alienação da Lusomundo Serviços, pela PT Multimedia, a favor da Controlinveste, foi hoje concretizado. Realizou-se, em seguida, a primeira reunião do novo Conselho de Administração da Lusomundo Serviços, que tem a seguinte composição: Joaquim Oliveira (presidente), Rolando Oliveira, Gabino Oliveira, Jorge Carreira, João Viegas Soares, Manuel Soares, José Marquitos, Hugo Correia Pires, Afonso Camões.

Nesta primeira reunião, foi decidido nomear o até agora subdirector João Morgado Fernandes para assumir com efeitos imediatos o cargo de director interino do Diário de Notícias, até à entrada em funções da futura Direcção do jornal. O Conselho de Administração agradece aos jornalistas que integravam a Direcção cessante - Miguel Coutinho, Raul Vaz, António Peres Metelo, João Morgado Fernandes e Pedro Rolo Duarte - o profissionalismo demonstrado no exercício dos respectivos cargos, nomeadamente na fase de transição agora concluída. Mantêm-se nos respectivos cargos os responsáveis editoriais dos restantes órgãos de Comunicação Social do Grupo.
A Controlinveste manifesta, neste momento, a sua confiança nos jornalistas e colaboradores do Grupo Lusomundo Serviços com quem conta para a prossecução e desenvolvimento dos objectivos futuros do Grupo.

Lisboa, 25 de Agosto de 2005

"Diário de Notícias" de hoje

[PPM]

O Acidental à escuta

Luciano Amaral no Direita Liberal.

[PPM]

Vouyerismo

Meu querido amigo. Não me interpretes mal. Acho muitíssimo bem que exibas as tuas notas de rodapé sem pejo nem pudor. São umas belíssimas notas, de feições elegantes e conteúdos graciosos. E tenho mesmo a certeza que fazem sucesso em alguns “círculos mais restritos”. Sei por exemplo, e de fonte segura, que o Vital Moreira e Pacheco Pereira têm imensa inveja das tuas notas de rodapé.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Citar a revista da ordem dos advogados é coisa que entra directamente para o meu livrinho cor-de-rosa. Mesmo ao lado do "monismo" aqui do Raposo.

Questões realmente importantes

Queridas leitoras acidentais,

A pedido de uma leitora, aqui se faz a pergunta: as mulheres gostam mesmo do género futebolista/metrosexual da margem sul?

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Não vou mentir. As respostas podem vir a influenciar o estilo com que me tenho apresentado nos últimos dias.

As óbvias indecisões do primeiro-ministro no planeamento a médio prazo

Não é segredo para ninguém que José Sócrates regressou do Quénia consumido, afligido e preocupado. Parece que perdeu o sorriso. O primeiro-ministro está num impasse:



Aspen?


ou


Verbier?


[Rodrigo Moita de Deus]

Visão: Rumo ao Socialismo!

A Visão de ontem traz à estampa um artigo escrito por Mário Rui Cardoso, sobre Angela Merkel, líder da CDU alemã. Presumo que Cardoso seja jornalista.

Título: «O Anjo Exterminador»

Subtítulo: «Muitas facadas depois... o patinho feio resiste»

Primeiro parágrafo: «Uma mulher sem nada de especial deverá ocupar a chancelaria da Alemanha, depois das eleições de 18 de Setembro. Uma mulher sem carisma, sem gosto a vestir, insegura na televisão, que repete gafes atrás de gafes, prepara-se para bater o elegante, telegénico e fluente Gerard Schröder. Em condições normais, Angela Dorothea Kasner (Merkel do primeiro marido), nascida em Hamburgo há 51 anos e formada na antiga Alemanha de Leste, seria uma presa fácil para Schröder. Mas o chanceler sofre o desgaste de sete anos em que o desemprego aumentou, a economia quase não cresceu e o modelo social alemão deu sinais de esgotamento».

O artigo é ilustrado com três fotografias de Merkel, em sequência, a beber uma caneca de cerveja. Por certo eram as únicas que Cardoso teve acesso. Já Schröder aparece no seu estilo casanova, podendo ver-se Merkel, em segundo plano, mordendo os lábios.

Chamam a isto jornalismo? Eu chamo-lhe encomenda.

[Bernardo Pires de Lima]

Não há "Direita" mas "direitas"; Liberalismo não é a anulação do Estado

Caro Luís,

Muito obrigado pelas farpas. É assim que se fala. Mas, como pode calcular, tenho umas respostas para si.

1.Não há Direita. Não há um bloco uno. Não há contradições entre mim e o Eduardo. Não há contradições porque representamos diferentes atitudes perante a Política. Aqui há discussões entre pólos opostos. Aqui não há gurus. Aqui não há o mestre que sobe no caixote para encarneirar os seguidores. Aqui há homens que pensam com estímulos e propósitos diferentes. Aqui há homens e não rodas dentadas de uma máquina que trabalha para o Homem, esse conceito grandioso que ainda serve para matar milhares de homens. Aquilo que para mim é pluralismo para si é uma contradição. Típico. Mas ainda bem. V. é monista. Ou não.

2.V. navega num cliché em relação ao Liberalismo. Livre iniciativa não significa a anulação do Estado. Não há Liberalismo sem Estado. O conceito de Estado não é património da Esquerda. Existem vários estados. O estado liberal, como garante único da lei, é fundamental para a dita livre iniciativa. Não há mercado sem lei. É por isso que o sound byte que inventa hábitos selváticos (o dito “capitalismo selvagem”) não passa disso mesmo: é um sound byte que serve para divertir uma assistência numa conversa de café.

3.Claro que há indivíduos. Quando falo de homens é exactamente isso que indico. Quando escrevo Indivíduo, estou a inscrever-me na tradição liberal que parte do Direito Natural, isto é, na tradição que afirma que todos os homens nascem iguais e com os mesmos direitos. Ao longo da vida, porque têm liberdade de acção, não serão iguais, mas nascem iguais. O Liberalismo também foi um ataque ao "antigo regime" aristocrático. Não se esqueça disto.

A crítica que V. apresenta adequa-se ao liberalismo que parte de Bentham, que passa por Mill e que vai acabar em Rawls. É o liberalismo que faz do indivíduo uma peça quase flutuante, quase ahistórica. E, por isso, tornar-se igualitário também à chegada (direitos sociais) e não apenas à partida (direitos políticos e legais). Portanto, tenho de devolver essa crítica para alguém que tenha por base Bentham. Eu ando num passeio feito com o granito de Maquiavel, Hobbes, Hume, Burke, Madison e mesmo de Kant.

Cumprimentos e volte sempre,
Henrique Raposo

[Henrique Raposo]

Verdades absolutas da política

Na altura de nomear assessores de imprensa ficamos sempre a saber quem era fonte de quem.

[Rodrigo Moita de Deus]

O Acidental à escuta - exibicionismo

Que raio de blogger posta com notas de rodapé?

[Rodrigo Moita de Deus]

Ponto G

Fiquei a saber que vai existir um programa de televisão para ensinar a uma nova geração de portugueses os segredos do look “Cristiano Ronaldo”. I just cant wait.

[Rodrigo Moita de Deus]

quinta-feira, agosto 25, 2005

Pessimista Antropológico? Sim, obrigado

Pessimista antropológico não é só aquele que desconfia da humanidade como massa orgânica e uniforme. Pessimista antropológico é também alguém que considera que os homens, os indivíduos, não nascem naturalmente bons. Que têm uma inata propensão para praticar o mal. E que, tendo a propensão e a liberdade para praticá-lo, há grandes probabilidades de conscientes disso acabarem por fazê-lo.

Mas atenção! Tal não significa que o pessimista antropológico considere que todos os homens são irremediavelmente uns crápulas. O pessimista antropológico não é um determinista. Acredita que os homens, individualmente considerados, são capazes de superar a sua natureza. De se civilizarem. De domesticarem a besta que há em si e comportarem-se como pessoas. Entre outras coisas, com a ajuda de uma sociedade organizada e das suas instituições.

É por isso que eu não me sinto insultado se me qualificarem de “pessimista antropológico”. Ou melhor ainda, como na formula feliz de Gramsci: um “pessimista na análise e optimista na vontade”. [ENP]

Pessimista Antropológico? Não, obrigado

1. Quando se discute com alguém de esquerda, ouve-se sempre este insulto dissimulado:

“És um pessimista antropológico!!”

Aí, ficamos a saber que o nosso interlocutor, como é óbvio, tem o património exclusivo do “optimismo”, da “moral, do “bem”, do “amor pelo próximo”. São os tais sonhadores. São os tais padres sem batina. São aqueles que cospem arrogância moral (nem sequer é intelectual…) sobre os outros; aqui, o outro é apenas um espelho onde é projectada a suposta grandeza moral.

2. Ora, como é natural, isto é um pouco mais complexo. Uma pessoa de “direita” nega a validade dos grandes projectos utópicos, isto é, recusa a validade do conceito de Homem. Isto é pessimismo? Não necessariamente. É, antes de mais, a defesa do pluralismo: há homens e não Homem; há culturas, há dezenas de correntes de pensamento, etc. Não, não sou pessimista. Sou pluralista. Essa coisa do “és pessimista” é mais uma das armadilhas morais de um debate cultural sempre enviesado à esquerda (e não é só em Portugal). Os ditos optimistas nunca respondem a uma pergunta: “Então, e se alguns homens não concordarem com essa utopia? E se alguns homens discordarem desse Bem? O que se faz com esses homens?”. A História do XX deu algumas respostas. Os optimistas mataram com o sorriso nos lábios. Aliás, continuam a matar. Optimismo, em politíca, é uma porta para o autoritarismo.

3. Um “gajo de direita” (em Portugal, é assim que os “pluralistas” de esquerda falam dos seus adversários) sabe que qualquer indivíduo pode ser um anjo e uma besta no mesmo minuto. Isto é pessimismo? Não. É sensatez. E, já agora, também é humildade: sabe que ninguém é perfeito. O monista, ao invés, como tem deus no peito, julga-se acima do erro.

Eu não sou pessimista. Tenho fé nos homens (não no Homem). Acredito no indivíduo. Acredito naquilo que cada um é capaz de fazer. Quem idolatra o Homem detesta estes homens, detesta o indivíduo. Quem tem o Bem optimista no bolso cospe sempre nos seus patrícios. O “optimismo sonhador” da retórica é sinal de disparates ou massacres.


[Henrique Raposo]

A Direita vota Cavaco II

Eu não entro em carneiradas que confundem a Direita com a "Não-Esquerda".

[JBR]

Ainda a propósito de Soares...

Estes fait-divers das presidenciais, quase me faziam esquecer o essencial...
Ó Ritaaaaaaaaaa!

[JBR]

Reality check

Ò meus amigos, já alguém se lembrou que o Prof. Cavaco não precisa do PSD, da dita “direita” e muito menos do CDS?

[Rodrigo Moita de Deus]

As presidenciais vistas pelos jornais de referência

Fontes próximas de fontes próximas dos candidatos, afirmam que a estratégia secreta de campanha será evidenciar diferenças para tentar cativar o eleitorado ao centro. Outras fontes próximas parecem confirmar a notícia avançada pelas fontes próximas das fontes próximas enquanto se sabe, por fontes autorizadas, que os dois candidatos estão prontos a avançar já nos próximos dias. Todas as fontes parecem confirmar que a alteração de calendários não teve que ver com notícias de fontes próximas sobre os outros candidatos. Fontes próximas confirmam a notícia avançada por fontes próximas das fontes autorizadas.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Desde que o jornalismo escrito se transformou em futurologia feita por fontes próximas de astrólogos, passei a respeitar muito mais a informação do Correio da Manhã

O Acidental à escuta

Eu sei qual dos filhos sou…

D. Miguel desceu da barca
sua mãe lhe deu a mão:
“Anda cá meu querido filho
e renega a constituição!”


[Rodrigo Moita de Deus]

Tivesse eu o meu cartão de eleitor em dia

Tivesse eu o meu cartão de eleitor em dia
E com tantos candidatos à mão de semear,
Dos diferentes Apolos prontos a avançar
O bom por certo - ou sorte – escolheria

E, pela graça da luz baça que me alumia,
Choro a rir com esta historia de desencantar:
Com Alegre, Louçã, Jerónimo e Soares a avançar
Mais Cavaco que me provoca menos alergia

Avançado, o tempo injustamente não permitiu
O sobrancelhas furibundas de concorrer também
Pois no ramalhete bem ficaria Cunhal do piorio

E por grande respeito ao que o céu me atribuiu
Não teria outro remédio observando este harém
Se não escolher para presidente o sério Algarvio

[Ana Albergaria]

_____________

NOTA ACIDENTAL: Ana Albergaria escreve habitualmente no blogue "Crónicas Matinais" e é a partir de hoje nossa ilustre convidada acidental.

Bolo Rei I



















Local onde Aníbal e Maria lançarão (se lançarem) a candidatura.

[JBR]

Sucesso de Import e Export




















[JBR]

A propósito de Soares...

RMD está cada vez mais original!

[JBR]

O Acidental à escuta

"Metro do Porto - Explicações Necessárias" e "Novo Aeroporto".
Diogo Feio, a solo, no Nortadas.

[PPM]

Depois não digam que não avisei

Vice da Câmara do Porto:
"Negócios imobiliários financiam
dirigentes, campanhas e partidos"

Jornal "Público"

[PPM]

A Direita vota Maria José Nogueira Pinto






Em Lisboa não há outro voto possível nas próximas eleições autárquicas, a não ser que se queira o bloco central a mandar na Câmara Municipal de Lisboa. Como avisou Carmona Rodrigues numa recente entrevista à revista "Sábado", se o PSD ficar à frente sem maioria irá tentar entender-se em primeiro lugar com o Partido Socialista - ou seja, com o agora tão criticado Manuel Maria Carrilho. Imaginem o pesadelo que seria Carmona presidente e Carrilho vice - ou vice-versa. Teríamos um executivo dividido entre as casas de banho douradas e os túneis que ninguém sabe muito bem para onde vão ou para que servem. Nestas eleições não há certamente lugar para o voto útil - a não ser que se queira ser útil aos empreiteiros e aos especuladores imobiliários.

[PPM]

Coisas que enervam ou 'Tá a acordar, pá!!

1. O facto de este país fazer do sono a sua referência ideológica. ‘Tá a acordar, pá!!

2. Já não ter tempo para ler o TLS e a NYRB.

3. O facto de o Benfica não ter um ponta-de-lança.

4. O facto de Karadas ter envergado a minha camisola.

5. Os pombos de Lisboa (força Pedro Lomba).

6. Os cães de Lisboa. Ou melhor: as madames que deixam que as suas lulus calcinem os passeios.

7. O facto de as pessoas pensarem que um conservador é aquele gajo que trabalha nos museus.

8. O facto de ninguém ter a coragem de expor as verdadeiras causas estruturais (não criminais e imediatas) dos fogos.

9. O facto de os europeus não percebem que a América está a criar um novo sistema de alianças. Os europeus não percebem que... podem mesmo deixar de contar. Eis um dos raciocínios vigentes em Washington: “se temos a Índia, a Indonésia, o Japão, etc. por que razão precisamos dos europeus!?”. E têm razão. 'Tá a acordar, pá!!.

[Henrique Raposo]

Lufadas de ar fresco VI


Legenda: A adesão popular ao anúncio da candidatura foi imediata e espontânea

[Rodrigo Moita de Deus]

Lufadas de ar fresco V


Legenda: O conselho de campanha reuniu-se ontem à noite para acertar o calendário da apresentação da candidatura.

[Rodrigo Moita de Deus]

Lufadas de ar fresco IV


Legenda: Contemporâneos de Mário Soares, elogiam as ideias “novas e modernas” do candidato.

[Rodrigo Moita de Deus]

Lufadas de ar fresco III


Legenda: As "personalidades de vários quadrantes" que insistiram na recandidatura de Mário Soares posam para a fotografia.
[Rodrigo Moita de Deus]

Lufadas de ar fresco II


Legenda: Soaristas sempre recusaram “marcha” de Cavaco Silva para Belém

[Rodrigo Moita de Deus]

Lufadas de ar fresco I


Legenda: Sala onde Mário Soares consultou "personalidades de vários quadrantes" antes de tomar a decisão.

[Rodrigo Moita de Deus]

Lufadas de ar fresco – temos homem!

Arrebatados com o prenúncio do anúncio de candidatura de Mário Soares, O Acidental vai hoje dedicar um especial de foto reportagem exclusiva aos últimos dias do “avozinho da democracia”.

[Rodrigo Moita de Deus]

quarta-feira, agosto 24, 2005

Ainda os neocon, II

Caro Raf,

1.Sim, conheço o “It Didn’t Happen Here". Mas esse livro já é um anexo de uma obra anterior do Lipset: “American Exceptionalism: a Double Edged Sword”. Este, sim, é um grande livro. Ou melhor: é uma grande porta de entrada para o tema.

2. Em meu entender, exageras um pouco no argumento da ligação entre o movimento neoconservador e Israel. Muitos são judeus? E depois? Mais: não se percebe o neoconservadorismo sem o Excepcionalismo (aliás, a melhor forma de identificar os neocon seria da seguinte forma: “ideólogos do excepcionalismo”). O Excepcionalismo tem séculos; Israel só tem (quase) 60 anos.

Grande abraço,

Conto contigo para o próximo “noites”.

[Henrique Raposo]

Só para lembrar que...






Pelo menos é o que acham o "Barbas" e o Jorge Máximo...

[JBR]

Ninguém é fixe

Estou de acordo com o Luciano: passamos a vida a escolher entre males menores, como se os males maiores fizessem assim tanta diferença. Ao elegermos de forma quase acrítica os tais males menores, estamos a prejudicar a hipótese – remota, bem sei – de um dia aparecer um “bem maior”. Na ausência de um voto expresso “contra” (que substituiria, caso o eleitor o desejasse, o voto expresso “a favor”), e não apresentando o leque de opções uma só em que dê algum gosto apostar, há sempre duas alternativas: votar em branco ou, pura e simplesmente, não votar.

Esta é uma questão que, em parte, entronca numa outra: a questão do voto útil. Em nome do voto útil, passamos a vida a votar em coisas de duvidosa utilidade. Temos medo de, ao votar em quem julgamos ser melhor, contribuir para ganhar aquele que é pior. E assim inviabilizamos sistematicamente qualquer terceira via. É também por isso que o centrão prepondera. É também por isso que o “monstro” continua a encher. É também por isso que estamos cada vez mais parecidos com um VPV de alguidar na mão, a gritar aos quatro ventos que isto é tudo uma miséria.

Nestas eleições, porém, apesar daquilo que Cavaco vem dizendo, e sem prejuízo daquilo que venha a fazer ou dizer durante a campanha, pelo menos na segunda volta, dificilmente deixarei de votar nele. A menos que algo de muito grave se passe com o Professor, contra Soares, voto Aníbal. A questão é saber se, na altura de o deitar para dentro da urna, terei ou não vontade de virar a cara e olhar para o lado.

Seja como for, conforme alerta o Luciano, é bom que Cavaco tenha presente esta ideia: o voto à direita do PS não está, à partida para o passeio-que-já-não-o-é, totalmente garantido. E, numa eleição renhida – como esta ameaça tornar-se –, nenhum voto é de somenos. Nem mesmo aquele que possa vir dos caprichosos da direita liberal e conservadora. [ENP]

Isto não é um post sobre lealdade orgânica

Zé, estarás, porventura, a sugerir ou a afirmar que a frase “Mas que grande Primeiro-Ministro!” é da minha autoria? Bem me parecia. Então é melhor tirarmos de lá o itálico, para não confundir os senhores que por aqui passam. Entretanto, aproveito para esclarecer a audiência do seguinte:

Como – desgraçadamente para mim – não tenho por hábito ver a política pelos olhos do “barbas” ou do Jorge Máximo, é muito pouco provável que algum dia venha a qualificar um primeiro-ministro – este ou qualquer outro – de forma tão veemente e concisa.

Como – desgraçadamente para mim – a vidinha que levo pouco depende de quem, a cada momento, ocupa as infindáveis cadeiras do poder, não tenho qualquer problema em louvar ministros do PS, socialistas ou não, sempre que fizerem por merecê-lo.

Como – desgraçadamente para mim – não sou assim tão sensível ao que outros acham que eu devo pensar ou dizer, calha, de vez em quando, criticar aqueles que num sentido Carl Schmittiano do termo são os meus “amigos”.

O rapaz que o Zé ironicamente afirma ser um “grande Primeiro-Ministro”, em boa medida, só o é (primeiro, que não “grande”), graças a uns tantos erros cometidos ao longo dos últimos três anos por gente que supostamente não elogia socialistas. Alguns dos quais (erros), dada a minha falta de jeito para supporter político, escassa dependência da classe e pouco apurada sensibilidade ao juízo alheio, fui, na devida altura, pacatamente assinalando.

Agora, “grande” ou pequeno, só resta cerrar os dentes e aguentá-lo.

P.S.: Se a ideia disto era (como me parece ter sido) desencadear mais uma série de posts sobre safaris em África, não contes comigo. Para esse peditório, já há muita gente a dar. [ENP]

Alto lá

Henrique, os neoconservadores (ou parte deles) vieram da esquerda e mantêm alguns tiques da dita (um dos quais - curiosamente, muito apreciado por alguma direita - é a ideia utópica de querer ocidentalizar o mundo inteiro). Mas daí a dizer que são de esquerda vai um grande passo. Tentemos não ficar iguais àqueles que dizem que Estaline, afinal, era de direita. [ENP]

Existe Direita vs. Esquerda? Claro

Caro Teófilo,

1. Esquerda vs. Direita? Existe. Pois claro que existe. O pluralismo – que todos têm na boca mas que, na verdade, poucos têm na cabeça – baseia-se num conflito ordenado por uma base constitucional comum. A dicotomia em questão é uma forma de arrumar esse conflito, sobretudo ao nível partidário. Ou seja, a coisa é, acima de tudo, posicional. Sujeito X não “é” de direita; “está à” direita. É diferente. V. pode “estar à” direita aqui, mas estar à “esquerda” noutro sítio.

2. Em termos substantivos, poderei dizer o seguinte: a Esquerda - no sentido lato e clássico do termo, isto é, desde 1789 - representa o apego à velha tradição ocidental monista, isto é, o apego à ilusão de que existe um princípio único e universal que harmoniza o mundo. Os homens só têm que o aceitar… Semelhanças com a religião? Claro. Leia-se Aron: pode-se traçar «linhas paralelas entre socialismo e a religião»; pode-se comparar a «difusão da Cristandade no mundo antigo» com a disseminação do «Marxismo no nosso tempo» (no Ópio). Antes do monismo esquerdista, havia o monismo da Cristandade.

[Henrique Raposo]

Ainda os neocon

Caro António Pedro Ribeiro,

1.O dito neoconservadorismo nasceu assim: no início dos anos 70, uma ala dos “liberais” voltou-se para o partido republicano. Estavam fartos do radicalismo dos movimentos de contra-cultura dos anos 60. Estes homens, ao invés dos relativistas que começavam a povoar a esquerda americana, continuavam a ser de esquerda, isto é, universalistas utópicos. Repito: dado o relativismo reaccionário da cultura de 60, tiveram de entrar no partido republicano; era a única maneira de continuarem a ser universalistas. E assim nasceu o dito neoconservadorismo, um wilsonianismo musculado (Reagan já foi um neoconservador…). Por outras palavras, este neoconservadorismo não tem nada de conservador. O termo é daqueles “sound bytes” que nada explicam.

2.Boa parte dos “fundadores” (Kristol e Podhoretz à cabeça) foram trotskistas. Não é por acaso que são tão impulsivos. A política externa projectada pelos neoconservadores, por vezes, aparenta ser uma revolução permanente. Who’s next?. (atenção: a politica externa de Bush – ao nível da grand strategy - tem influências neocon, mas não é neocon a 100%. É, isso sim, assumidamente neocon ao nível do nation-building… daí o fracasso no Iraque…). Os neoconservadores olham para a democracia liberal pela lente monista do seu velho esquerdismo. A forma como vêem o mundo é, digamos, pouco liberal: não são cépticos.

3. O mais importante: esta impulsividade ideológica neoconservadora também é oriunda do chamado Excepcionalismo Americano. Sabe por que razão nunca houve Esquerda de raiz socialista na América? Uma das razões é o facto deste excepcionalismo ser, na verdade, um credo progressista, optimista em relação ao Homem. A vaga já estava ocupada. Vários autores chegam a falar de um “ismo” específico da América. Este Americanismo acredita que existe um fim de história (Fukuyama mecanizou com Hegel aquilo que sempre existiu na América, desde o tempo da “city upon a hill” colonial). Tal como a esquerda continental (a nossa… salvo seja), o excepcionalismo é teleológico (utópico para os amigos).

4. Os partidos americanos - é sempre bom lembrar – têm muito pouco a ver com os nossos. O PD e o PR são grandes federações de sensibilidades. E essas sensibilidades mudam de geração em geração. Quando eu tiver uns 50 anos (tenho 25), calculo que os ditos neoconservadores voltem à origem.

[Henrique Raposo]

Esquerdas

Por que razão a esquerda europeia detesta tanto os ditos neoconservadores? Porque os neocon também são de esquerda. De outra esquerda, é certo, mas de Esquerda.

[Henrique Raposo]

E por falar em mitos


Fiquem vocemesses sabendo que este homem era monárquico dos sete costados. Tão monárquico que terá mesmo jurado na Áustria a D. Miguel II. Morreu em 1907 evitando assim o desgosto de ver, uns anos mais tarde, o país tomado por uma corja de malfeitores e o seu nome transformado em símbolo da respulha.

[Rodrigo Moita de Deus]

Tão cedo e já a fraquejar, Mascarenhas?

Tss, tss, tss... fraquejas assim logo à primeira, Mascarenhas? Pois, por mim, eu não dou já o meu voto ao Professor. Segundo me parece, este não é o tempo de lhe oferecer a cruz assim de caras. É o tempo de o obrigar a definir-se. Quando a coisa estava para ser "um passeio até Belém", o Professor não queria saber do seu partido, não queria saber da direita, ele era "o modelo social europeu" para aqui, o "unilateralismo americano" para acolá, a "social-democracia" isto, o "horror neoliberal" aquilo. Agora que o gigante Soares o obrigou a sair do "Espaço União Nacional" para se acantonar no seu espaço de origem, o Professor deve estar um pouco mais modesto. Pois era a altura ideal para o agarrar pelo pescoço e obrigá-lo a fazer (como diz a Dona Miquelina do 2º andar) "umas certas e terminadas coisas". Se não for assim, não vale a pena votar nele. Mas nesse caso pode ganhar o Marocas! A sério? Olha, paciência...
[Luciano Amaral]

Os candidatos Piano Man

Vamos ter nas próximas presidenciais dois candidatos Piano Man: Jerónimo de Sousa é um deles e o Bloco de Esquerda também terá o seu - depois da candidatura para marcar presença de Fernando Rosas em 2001 (para que o Bloco de Esquerda não deixasse o espaço vazio da extrema-esquerda ao candidato comunista António Abreu), seria interessante que Francisco Louçã tivesse agora a coragem de avançar.
Porém, ambos acabarão sempre por ser lebres da candidatura de Mário Soares. Ao contrário do que escreve Paulo Gorjão no Bloguítica, aqui e aqui, não me parece que qualquer deles represente uma ameaça para Soares.
Bem pelo contrário, servirão ambos os candidatos (do PCP e do BE) intuitos meramente partidários e cada um deles só aparece para ocupar tempo de antena e não deixar o campo livre ao outro - assistimos apenas a um combate particular na área da extrema-esquerda. Se houver a mais remota possibilidade de uma vitória de Cavaco Silva logo à primeira volta nenhum dos dois irá sequer a votos. Como aliás aconteceu com a candidatura desistente de Jerónimo em 1996.

[PPM]

Carta Aberta a uma Amiga

1.Sabes qual é a grande vantagem dos liberais sobre os não-liberais, sobretudo os não-liberais de esquerda? Resposta: eles - os monistas, os utópicos, os sonhadores, isto é, os autoritários de sorriso nos lábios - não conseguem perceber como é que nós pensamos. Criam mitos para injuriar o liberalismo. Nunca fazem um esforço para o “compreender” ou, se quiseres, para “torná-lo perceptível”. Esses mitos são estilisticamente barrocos - no seu catolicismo dissimulado - e totalitários na sua substância utópica. Lá está: se eu pensasse que tinha a verdade e o bem do meu lado também não me preocuparia em perceber os meus adversários. Aquele que tem a verdade (que julga ter…) trata com condescendência ("são crianças") ou com intolerância ("são uns infiéis") aqueles que ousam discordar.

2. Nós, ao invés, conseguimos percebê-los. Sabemos desmontar o seu pensamento. Porquê? Partimos de um pressuposto humilde e céptico. Temos algumas certezas a montante (os ditos princípios) mas nunca fechamos o futuro a jusante. Nunca pensamos que temos a certeza – por isso, convém perceber aquilo que os outros dizem. Aprende-se sempre qualquer coisa quando se estuda o adversário.

[Henrique Raposo]

O Acidental à escuta

Por mais presidencialista que seja o próximo Presidente, é difícil imaginá-lo a fazer mais do que fizeram os seus antecessores nos últimos vinte anos. Vetar e bloquear leis importantes, censurar o governo em público, manter o primeiro-ministro, durante meses, sob a ameaça da dissolução, e finalmente dissolver uma assembleia onde havia uma maioria absoluta – já assistimos a tudo. Ninguém sabe o que virá a fazer o prof. Cavaco, caso seja eleito. Seja o que for, não há-de ser nada que não tenham feito, antes dele, os drs. Soares e Sampaio. E é precisamente disto, e não da mudança da “arquitectura do sistema”, que os líderes das esquerdas têm medo. Só eles, que há vinte anos contam com mãos amigas em Belém, sabem quanto vale a Presidência da República.

Rui Ramos, no "Diário Económico" de hoje

[PPM]

Post à Eduardo Nogueira Pinto

Quatro palavras sobre José Sócrates:

Mas que grande Primeiro-Ministro!

[JBR]

A Direita vota Cavaco

Esta flor não está murcha, Pedro









Pela primeira vez desde o 25 de Abril de 1974 poderemos ter um Presidente da República que não seja originário do espaço da Esquerda, que não seja cúmplice do "Portugal Socialista", que não pactue com manobras de bastidores e que não seja factor de instabilidade.
O que está em jogo nas eleições presidenciais é por isso sério de mais para que alguém à direita se entretenha em jogos florentinos ou crie divisões artificiais.
Por tudo isto, neste caso não me engano nem tenho dúvidas: se Aníbal Cavaco Silva for mesmo candidato, contará com o meu voto. Sem grandes pretensões, proponho aqui publicamente que toda a Direita se una num manifesto de apoio ao Prof. Cavaco Silva.

[PPM]

E agora para algo nunca antes visto:

Governo anuncia um orçamento de rigor

[Rodrigo Moita de Deus]

Deve ter sido da inflação galopante

Sobre a ocupação das herdades durante o verão quente aprende-se com Diário de Notícias: Muitos proprietários quando reouveram as terras depois das ocupações tiveram a surpresa de constatar que o valor das suas herdades se havia multiplicado.

Não se conhece um único mas devem ter sido imensos. Nenhum deles estava disponível para prestar declarações ou confirmar a o trabalho de pesquisa histórica, mas sabe-se que eles são imensos. Na Soeiro Pereira Gomes garantem mesmo que são milhares. Centenas de milhar.

[Rodrigo Moita de Deus]

Flores murchas













Com a candidatura de Jerónimo de Sousa está quase completo o ramalhete de flores murchas para as eleições presidenciais: temos ainda o tecnocrata de pacotilha - inventor do magnífico sistema de progressão de carreira da função pública, reprivatizador delirante e esbanjador da maior quantidade de dinheiro entrado nos cofres do Estado desde D. Manuel I - e o homem que, na sua juventude, acreditava na democracia ocidental e tinha uns amigos que falavam inglês.
E ainda há quem queira falar sobre as presidenciais...

[Pedro Marques Lopes]

Stalin Party!!!!



Malta pá!!! É já no próximo fim de semana pá!!!
2, 3 e 4 de Setembro, Atalaia, Amora, Seixal!!
Traz sabão azul e branco que lava melhor!!!

[Bernardo Pires de Lima]

Lufadas de ar fresco, renovação da classe política, aproximação aos cidadãos...

Cavaco Silva
Mário Soares
Jerónimo de Sousa

Estas presidenciais são só para repetentes?

[Rodrigo Moita de Deus]

PEDIDO

Queria fazer um pedido ao presidente Jorge "Apelos" Sampaio, para abrir os telejornais das 20h, dirigindo-se à nação com a simples e directa frase:

"Ricardo, se me estás a ouvir, por favor vai para o Benfica!".

[Bernardo Pires de Lima]

Consultório Sentimental

O check-up do Dr. Soares é de certo melhor do que o de muitos meninos copinhos de leite, com que se dá e que também não sabe se amanhã os encontrará encostados ao balcão da Kapital. E já agora, consegue-me afirmar que amanhã aqui estará, a escrever os seus devaneios. Olhe eu não!

Leitor não identificado

Caro Anonymous, o seu comentário é injurioso e inadmissível. Não me dou com “meninos copinhos de leite” encostados ao balcão da Kapital! O privilégio da minha companhia reservo-o a quem divida uma garrafa de tinto para abrir praça ao vodka. E dou preferência a quem saiba agitar o diabo que tem no corpo em lânguidas tarrachachinas da cor do café.
Posto isto, informo igualmente que há uma década que a Kapital saiu de moda.
Não tenho amigo algum que se candidate ao cargo de supremo magistrado e que por isso se tenha de preocupar com a saúde – é uma questão de honestidade para quem nos elege. O meu caso é mais ou menos semelhante. Não tenho a mínima intenção de morrer e amanhã estarei aqui outra vez. Se Deus quiser.

[Rodrigo Moita de Deus]

O Acidental à escuta

Querida INF,

Bem-haja pelas candidaturas. Não faço a mínima ideia de quem sejam mas, assim como assim, estaria muito mais interessado na senhora ruiva que na outra com ar de velha jarreta. Aliás a ruiva parece-me um verdadeiro reactor nuclear à espera da tão desejada libertação sexual.

Mas honestamente estaria muito mais interessado na sua candidatura. Que o seu jacobinismo e ateísmo não sirvam de pretexto. É que para além do fado, das touradas e das poesias tenho também o dom da conversão ao Senhor. Ou vai-me dizer que não acredita em Deus?

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Ainda não convenceram o Gonçalo a ficar?

Consultório Sentimental

(sobre a presença de militares nos combates aos incêndios)
Eu tenho-os visto nos telejornais, a colaborar com os bombeiros e forças de segurança, estranho que ainda os não tenha visto, tão atento que geralmente é!

Leitor Identificado: Teófilo M

Amigo Teófilo, eu também sei que eles existem e andem por aí. Mas o problema não é esse. O plano vulcano, por exemplo, tem uma área de actuação bastante restrita, Lousã penso, onde, curiosamente, não existiram incêndios de grandes dimensões. De resto 2500 militares e umas “dezenas de viaturas” nem é minimamente representativo do universo militar. Há infantaria de recruta, há engenharia, há força aérea e outras tantas valências que nós nem sequer conhecemos. A instituição pode e deve fazer mais, especialmente na prevenção. E no entanto isso não acontece. Sei que os militares são das poucas corporações em Portugal que, para o bem ou para o mal, só fazem o que os mandam fazer. Portanto se não fazem...A responsabilidade nem é um exclusivo deste governo, há muito que acontece não acontecer nada. Imagino que se levantem imensas questões com a intervenção da tropa. Quem manda? O ministro da administração interna ou o ministro da defesa? Quem paga? O Estado-maior ou a protecção civil? Quem comanda? Os generais ou os bombeiros?
Enfim... aquelas dúvidas importantes que normalmente deixam as coisas por fazer.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: O Rodrigo Moita de Deus a que se referiu no seu comentário sou eu mesmo. Mas continuo sem perceber porquê o epíteto de jornalista candidato a político?

terça-feira, agosto 23, 2005

Jerónimoooooooo














A esquerda já tem o seu candidato presidencial. O único, o verdadeiro representante da classe operária. Jerónimo de Sousa repete a proeza.

[PPM]

O problema das generalizações

Tulius, não me comprometa. O tal anúncio pede "apenas textos ou ideias para publicação imediata". Não há nada de libidinoso em causa, a não ser para quem se excita com textos ou postes - o que, à primeira vista, nem parece ser o seu caso. Que o Rodrigo ou outros possíveis gambozinos cá da casa andem alterados pelos calores de Agosto, isso é problema deles. As generalizações podem ser perigosas.

[PPM]

O Acidental à escuta

Gambozinos encapuçados

A rapaziada do Acidental anda desesperada com a saída da única mulher que fazia parte da equipa. Reparemos neste anúncio. É um texto que em vez de despertar a tal solidariedade masculina ou a cobiça, causa compaixão. É preocupante ver aqueles libidinosos rapazes vergados ao politicamente correcto e sem coragem para pedir uma simples fotografia. Ficam-se pelo tecnocrático "contacto". É ainda mais perturbador constatar que gente nova e com alguns estudos continua a ver a internet como uma espécie de génio da lâmpada, capaz de satisfazer o desejo mais impossível. Se arranjar uma mulher para rapazes de direita já é tarefa complicada, querer que a rapariga seja de direita também aproxima-se do inconcebível. Aguardemos. Como vejo a coisa, nem a política nem o género são aqui importantes. Um transsexual do bloco de esquerda não é à partida um candidato fraco na corrida para integrar o Acidental. Tudo depende do prestígio do apelido que carrega, nem sempre redutível à ressonância heráldica (faço notar). É essa a grande marca do Acidental.

Tulius in A Memória Inventada

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Amanhã falamos sobre isso