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domingo, julho 31, 2005

Liberalismo não é Wall-Streetismo

1. Sábado. Manhã. Depois de acordar o galo do bairro, dirigi-me à faustosa banca de jornais. Na volta, encontrei um velho amigo, que rapidamente disparou uma farpa deliciosa:

- Então agora és economista!?

Não percebi. Terei feito a mesma cara que faz o galo quando o acordo ao pontapé. Perante o meu espanto, sublinhado, ainda por cima, com o ar de parvo de quem acorda galos, o meu interlocutor explicou a sua invectiva:

- Pois, então agora só falas do liberalismo…


2. Um dos traços mais desesperantes do “ar do tempo” em Portugal é a sua dependência de França. Por vezes, tenho a impressão que Lisboa é uma sucursal envergonhada de Paris. Aqui, tal como na terra de Chirac e Ramonet, boa parte das pessoas continua a ligar automaticamente liberalismo e economia. É como se houvesse um cordão umbilical entre o liberal e o guito. O liberal, nestas mentes reaccionárias – à esquerda e à direita - é o tipo que sonha com cifrões, é o ser infame que rouba a esmola do ceguinho da esquina, é aquele que cobra cem paus à velhinha quando esta pede ajuda para atravessar a rua. Aqui, no campo encantado da (suposta) pureza reaccionária, o liberal é o Tio Patinhas. Não utilizo o Tio Patinhas por acaso. É que o nível de debate raramente foge a este registo caricatural, quase infantil.

3. O liberalismo não é uma doutrina económica. Ou melhor, o Liberalismo não tem como base uma doutrina económica. Os liberais desenvolveram pensamento económico, como é óbvio. Mas esses traços económicos já são um “efeito” e não a “causa”. Os fundamentos históricos do liberalismos são os seguintes: (1) limitação de Autoridade una e central em defesa da (2)liberdade individual.
Tendo como referencial da liberdade natural da pessoa humana, o liberalismo enfrentou sempre dois inimigos: a (1) religião demasiado política e o (2) poder político excessivamente centralizado. Em relação à religião, os liberais desenvolveram a concepção de estado neutral. Ou seja, foi o liberalismo que remeteu a religião para a esfera privada. No Ocidente, por acção dos princípios liberais, a religião é uma simples… moral privada.
Em relação ao poder político centralizado (pós-1789), o liberalismo sempre desenvolveu uma concepção de “liberdade negativa” (as nossas liberdades nascem dos constrangimentos institucionais colocados à acção do poder central – primado do indivíduo) por oposição à “liberdade positiva” (lista de direitos universais e abstractos que legitimam qualquer acção do poder que afirme defender essa lista – primado do colectivo).

4. Meus caros, é sempre bom reparar nas catacumbas originais das palavras: Liberalismo vem de Liberdade e não de Wall Street. O Liberalismo não é o wall-streetismo, essa conveniente falácia inventada por... Oliver Stone e desenvolvida por monstros sagrados do pensamento reaccionário como Ramonet ou Chirac. A liberdade económica é apenas um dos inúmeros resultados da acção do liberalismo.

5. O liberalismo é a arma de todos os indivíduos. Resta saber se alguns ainda têm resistência ao próprio conceito de indivíduo... Mas isso era outra conversa.

[Henrique Raposo]

Teaser

É só para avisar que, enquanto o Abramovich está de férias, aqui o Mourinho se manteve atento à política de contratações. Esperem para breve o anúncio do reforço que fará as delícias dos sócios.

[FMS]

sexta-feira, julho 29, 2005

O Campo e a Cidade

Enquanto os conservadores-românticos partem em férias de índole romântica, os conservadores-liberais continuam o seu trabalho… tocquevilleano.

[Henrique Raposo]

YOU JUST HAVEN'T EARNED IT YET, BABY



Deus,

Também parto hoje de férias, por uma semana.

Fica, então, tudo entregue ao Eduardo.

No more posts liberais, long live cinnamon girls, fotografias de Verão e tudo o resto que ele irá postar.

[DBH]
PS. Eduardo, não te preocupes que nós não dizemos nada ao PPM

E ao sétimo dia...

Deus vai de férias uma semana! Deus vai andar em terras alentejanas. Entre mergulhos, patuscadas e corridas de touros vou ver se tenho tempo para ver os sobreiros a crescerem.
Vá! tenham calma! Vão ver que não custa nada. É só uma semana. Passa num instante.
Sim! Prometo que volto. Sim! E quando voltar não faço mais nada enquanto não deixar a escrita toda em dia.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Eduardo, Diogo! Olho nos liberais!

Vamos lá experimentar outra vez

Partindo do princípio que os utilizadores frequentes da arrieirada também têm férias, ficam as caixas de comentários abertas sem necessidade de registo.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Os colegas (sempre desejei usar esta expressão) Acidentais que não gostarem deste sistema em vez de se queixarem habilitando-se a um faduncho do Ferreira Rosa, podem sempre tirar essa opção quando escrevem os postes.

Fé na inexistência da Fé

Debater questões religiosas com ateus é sempre uma briga com regras de pancrácio. Um crente pode desculpar o dogmatismo, os exageros e até mesmo a agressividade das suas posições com o argumento da Fé. E os ateus? Qual é a desculpa deles?

[Rodrigo Moita de Deus]

Um mercado liberalizado a regular-se

Os lucros das seguradoras aumentaram este ano mas as seguradoras dizem que não há margem para reduzir os preços. E agora Hayeck?

[Rodrigo Moita de Deus]

Coisas simples que eu não consigo entender

A proposta de limitação de mandatos aprovada em Assembleia da República é uma vergonha. É brincar com o eleitorado e com o país. Teria sido mais honesto não terem feito nada. Se eu tivesse um camião ia agora manifestar-me.

[Rodrigo Moita de Deus]

E tenho a certeza disso

Desconfio sempre das pessoas que têm muitas certezas. Muitas certezas é sinal de quem ainda não aprendeu o suficiente.

[Rodrigo Moita de Deus]

Governo cede perante manifestação de camionistas

Funcionários públicos, polícias, juízes, enfermeiros e outros que tais: ide! Ide e comprai veículos pesados de rodados vários e organizai marchas lentas para fazer valer os vossos direitos.

[Rodrigo Moita de Deus]

O reino do soba

Valentim Loureiro afirma ter oito mil assinaturas para concorrer à Câmara Municipal de Gondomar como independente. O Acidental está em condições de garantir que nem uma destas assinaturas é de jogadores do Boavista, árbitros de futebol, funcionários da edilidade, empreiteiros ou revisores do metro do Porto.

[Rodrigo Moita de Deus]

O país que não existe*

Visto de Espanha, Portugal é o país onde se vai às compras. Literalmente.

[PPM]

*um poste directamente de férias

às vezes penso que este país é um erro


Parece impossível alguém ter escrito a palavra "automóveis" sem acento...
[Rodrigo Moita de Deus]

Um francês em Nova Iorque

Nasceu, há 200 anos, Alexis de Tocqueville, conservador, liberal e democrata (por esta ordem). Uma combinação de adjectivos que deveria levar aqueles mais dados à pureza ideológica a reflectirem um pouco.
Tocqueville sempre foi um dos meus autores favoritos. Mas desde que, outro dia, ouvi um auto-denominado conservador qualificar Edmund Burke como um bocado "fraquinho", já não sei muito bem que valor lhe hei-de atribuir.
[Luciano Amaral]

quinta-feira, julho 28, 2005

A minha Marianne



É inglesa e tudo.

[FMS]

Um post liberal

E vós, "liberais-no-que-interessa", qual é a vossa Marianne?


(Brigitte Bardot - ? - ? - Catherine Deneuve - Mireille Mathieu)

Ou a Laetitia?


[DBH]

Acidentalmente, hoje passam 211 anos...

perder a cabeça em Paris

... do dia em que Maximilien François Marie Isidore de Robespierre viu a sua iluminada cabeça ser para sempre separada do seu pescoço. Na altura não era 28 de Julho mas 10º dia do Thermidor do Ano II.


[DBH]
(Um post conservador, quicá contra-revolucionário)

Then and now

Tanto ou mais do que os vietcong, foram essenciais para a vitória do Vietname do Norte sobre os EUA nos anos 60 e 70 alguns contributos da própria sociedade ocidental. Entre esses vários contributos estiveram os movimentos de contestação às autoridades democráticas ocidentais, muito associados com a contestação das tradições (políticas e de costumes), então em voga. Nessas actividades, salientaram-se muitos jovens que se caracterizaram por dar (literalmente) os corpos ao manifesto. Os corpos eram jovens e sexy. Em suma, ser-se contra o “sistema”, o “capitalismo”, o “Vietname” era sexy. Em boa parte, os EUA perderam porque era sexy os EUA perderam.
À época, entre várias outras pessoas, Jane Fonda destacou-se nesse conjunto de actividades, tendo mesmo dado apoio explícito aos comunistas do Vietname do Norte. Desde então, Jane tem andado um pouco afastada das lides contestatáras. Mas agora decidiu regressar, como ela diz, às “actividades anti-guerra”. Diz que este regresso vai ser muito “excitante”. Excitante, Jane? Para quem, exactamente?
[Luciano Amaral]

O regresso dos velhos combatentes: assim em Portugal como na Guiné















Nino Vieira vence as eleições presidenciais na Guiné.
[Luciano Amaral]

quarta-feira, julho 27, 2005

Dúvida

A propósito desta coisa do TGV e da Ota, gostaria que me explicassem qual foi o efeito reprodutor na economia da organização e da construção dos estádios para o Euro 2004. Se é que existiu. Se é que já seria suposto senti-lo. Peço ajuda a estes, estes e estes senhores.

Much obliged.

[FMS]

Eis uma promoção no melhor estilo Vítor Constâncio



[Rodrigo Moita de Deus]

Contra o Jurássico

Aqui fica o Manifesto de A. Carrapatoso, Nogueira Leite, R. Mendes, J. Salgueiro, Silva Lopres, Miguel Beleza, Medina Carreira, Ferreira do Amaral, A. Mateus e Víctor Bento.

excerto final:

Porque o momento é grave; porque continuar com tergiversações à volta do essencial (onde se inclui a reforma do próprio Estado), apenas ajudará o País a afundar-se numa senda de definhamento; e porque é altura de a própria sociedade civil se deixar dos brandos costumes do conformismo e dizer o que tem que ser dito; os signatários entendem dar este seu contributo à reflexão da sociedade e dos poderes políticos.

[Henrique Raposo]

terça-feira, julho 26, 2005

postes de lua cheia

A diferença entre "amor e paixão" é a desculpa do homem casado.

[Rodrigo Moita de Deus]

Um statement ideológico

Na sequência de uma conferência telefónica o Paulo Mascarenhas pediu-me que transmitisse relativamente à candidatura de Mário Soares à Presidência da República: “Sou conservador mas não tanto”. Relativamente à ida do Luciano para o Insurgente “sou liberal mas não tanto”.

[Rodrigo Moita de Deus]

Vai ter que ser Aníbal...

Soares é a única razão que me faz votar numas presidenciais.

[Bernardo Pires de Lima]

A Esquerda que condena o terrorismo sem o “mas”

http://www.unite-against-terror.com/

[Henrique Raposo]

segunda-feira, julho 25, 2005

Ad hoc political compass

No meio da discussão ideológica em torno das várias matizes e disposições da direita, a distinção que sempre achei mais difícil é entre os tradicionalistas e os conservadores. Não que seja o mais cientificamente rigoroso dos testes. Aliás, tem uma credibilidade próxima de, por exemplo, vá lá, a bússola política do Público ou os testes psicotécnicos do liceu. Mas é um exercício relativamente eficaz. Assista-se a uma tourada (pode ser através da TV) e deixe-se actuar livremente as sensações. Os tradicionalistas serão os que apoiarem o toureiro. Os conservadores serão os que, no meio da charanga e dos olés, sentirem a reacção epidérmica de se colocarem do lado do touro.

Adenda: sempre que fiz o teste, deu conservador. Diferente seria se o nosso João Vacas não se tivesse ainda aposentado das arenas. Ou se o toureiro empunhasse este livro. Como disse, não se trata de uma questão de princípio.

[FMS]

Sócrates é fixe (pequeno apontamento maquiavélico-conspirativo)

Sócrates pode ter aquele ar de sonso e de autómato acéfalo sem vontade própria. Pode não ser um bom Primeiro-Ministro. Mas a habilidade política, no sentido mais puramente táctico do termo, é muita.

Sócrates tinha três candidatos a quem apoiar na corrida a Belém: Soares, Alegre e Freitas. Qualquer um lhe serviria. Qualquer um cumpre a estratégia realista e levemente maquiavélica que optou tomar. Sócrates está convicto de que Cavaco será o próximo Presidente da República. Não tendo conseguido convencer Guterres e Vitorino a avançar, acha que nenhum outro reune as características de percepção pública necessárias para derrotar Cavaco.

Para além disso, reconhece que, de todos os possíveis candidatos do PS, apenas Guterres e Vitorino, dois compagnons de route em termos ideológicos e de facção interna, poderiam ser um factor de estabilidade e de apoio às medidas difíceis, de cariz liberalizante e de confronto às estruturas sociais tradicionais da esquerda (sindicatos e quejandos) que planeia tomar. Alegre é demasiado à esquerda para ficar calado. Freitas é demasiado vaidoso para ficar quieto. Soares é as duas coisas.

Por isso, vendo-se privado dos préstimos de Guterres ou de Vitorino, mais vale coabitar com o homem de Boliqueime. Cavaco não só tem uma visão minimalista dos poderes presidenciais (que lhe vem da má experiência que teve com Soares), como já mostrou alguma condescendência e até compreensão com o rumo que o Governo e, principalmente, até agora, Campos e Cunha, vêm imprimindo à política económico-financeira do estado.

Por outro lado, esta eleição pode ser uma oportunidade para Sócrates se ver livre de um dos três empecilhos que, à falta de oposição relevante, lhe atormentam o espírito. Se Alegre se candidatar e perder, Sócrates liberta-se daquela facção atrasada que constantemente acena com os seus vinte e tais por cento do congresso para reivindicar lugares e opções programáticas esparsas e incoerentes com as do Governo. Se for Freitas o candidato e perder, Sócrates alivia-se do sapo narcisista que teve de engolir na negociata eu-escrevo-artigo-na-Visão-a-apelar-à-maioria-absoluta-no-PS-e-tu-dás-me-o-MNE, sapo que cresce a olhos vistos e que começa a ficar absolutamente insuportável. Se avançar Soares (como parece que vai acontecer) e perder, é o barão dos barões que se vai, é toda uma aristocracia partidária, toda uma corte palavrosa e auto-proclamada como proprietária da consciência do PS que se esfuma numa derrota humilhante. O sonho de qualquer líder do PS é conseguir remeter a famíia Soares aos manuais de História.

A estratégia é tão perfeita que tem, ela própria, a resposta aos críticos. Que dirão eles? Que Sócrates quis perder de propósito? Sim, dirão. Mas como provar? O escolhido foi o mais notável dos militantes do PS, o mais recohecido dos políticos portugueses, o pai da democracia pátria, um homem com experiência de dez anos no cargo a que se candidata. O Soares, porra. Sócrates quer perder, mas ninguém o poderá acusar de tal. Soares é, em abstracto, o melhor candidato possível.

Ou seja: Com Guterres e Vitorino a assobiarem para o lado, Sócrates convenceu-se de que só com o Presidente da direita conseguirá uma coabitação pacífica. E quer aproveitar a embalagem para enviar para a reforma política um dos grãos de areia que lhe arranham a engrenagem: o rei do baronato, o rei da oposição interna ou rei da basófia.

Está a ser uma magnífica lição de realismo político. Como agora se diz por aí, clap! clap! clap!

[FMS]

Extractos Liberais

Luís Cabral, economista português da Universidade de Nova Iorque. Público, hoje.

- Falta de «condições básicas de concorrência». Permanência da situação de «processos de favoritismo».

Existe uma expressão para isto no léxico internacional: “crony capitalism”. Tradução (muito) livre: capitalismo chico-esperto. O retrato de Portugal, pois então. É que boa parte dos nossos empresários não faz parte... do tecido empresarial. Um verdadeiro tecido empresarial não vive à sombra do estado. Ou melhor, até podem ser empresários, mas ou têm uma mente esquerdista ou uma mente de sacristia. Querem ganhar uns trocos, mas não são homens de negócios mas de gajos de negociatas. Não querem saber de livre concorrência mas de subsídios e barreiras de protecção. E nós, os portugueses, somos a sua coutada privada.


- Sobre o TGV: significa «entre mil e mil e quinhentos euros por cidadão».

A coisa até é gira. O Gato Fedorento vai adorar: cada um de nós vai dar 300 contos (repito: 300 contos) para aquela coisa que, dada a pequenez do nosso território, não vai conseguir atingir a velocidade máxima. Tudo em nome do quê? Resposta: socialismo patético de braço dado com um nacionalismo serôdio. Mete pena.
Dr. Sampaio: isto é mais grave do que os erros de imagem do Dr. Santana. A imagem passa, mas os 300 contos ficam.


- «Uma das grandes vantagens do modelo anglo-saxónico é essa obrigação da responsabilização».

Responsabilização, isto é, Accountability. É esta a base de qualquer regime de tradição liberal: o líder político tem de prestar contas, antes e depois da sua decisão. Quando toda a gente perceber o fracasso da OTA e do TGV, Mário Lino já estará, provavelmente, na reforma. Reforma, essa, paga por mais 300 contos retirados do meu bolso. Meus caros, precisamos de um regime político que potencie a responsabilização. Responsabilização antes e depois da tomada de decisão política.

[Henrique Raposo]


Caro AA,

Obrigado pelas boas referências dos anos oitenta.

O problema é a parte detestável vem atrás...



Certo?

[DBH]

PS. E já que nos lembramos das más referências desses anos, aqui se mostra dois amigos de Soares, dessa altura:

amico Craxiami Mitterrand

Vácuo de Poder

1. Numa coisa, a política é como a natureza: não gosta de vácuos. Quando surge um vácuo de poder, sabemos logo de uma coisa: não vai durar muito tempo. Aquele espaço por preencher não é tolerado. É preciso preenchê-lo. Eis a razão do avanço de Soares. Como bom maquiavélico (maquiavélico, atenção, não é insulto; é um termo político bastante recomendável), Soares não suportava ver esse vazio, não suportava ver o seu “lado” sem sinal de vida. E querem saber uma coisa? Ainda bem que avançou. Começava a ser confrangedor a ausência de um candidato do PS. O que é dramático não é o avanço de Soares, mas sim a ausência de iniciativa de um dos principais partidos da democracia portuguesa. O que me preocupa não é o indivíduo Y mas a inércia de uma instituição.

2. Nunca concordo com o Dr. Mário Soares. Mas não posso deixar de admirar a sua veia política, a sua vontade, a sua incapacidade de estar quieto. Podemos não concordar com as ideias, mas podemos admirar a pessoa do adversário. Esta também é uma lição liberal.

3. Por que razão o PS não conseguiu apresentar um candidato? Por que razão não preencheu o seu espaço? Poderá haver duas respostas: (1) os medíocres tinham medo de levar uma sova eleitoral de Cavaco; (2) os sensatos (aqueles que se aproximam de posições liberais), além de partilharem o medo de servir como saco de boxe, também sabem de outra coisa: o regime está falido.

4. A estrutura institucional e o mito narrativo (estado social) da democracia portuguesa precisam de reformas sérias. A dita ingovernabilidade assenta na desadequação da nossa constituição ao tempo histórico de 2005. O nosso texto basilar é um produto de um ambiente intelectual (1975) marcado pela ascensão da URSS. Pense-se nisto: quando a nossa constituição foi feita, o mundo pensava que o Ocidente liberal poderia perder a Guerra-Fria. É sobre isto que temos de pensar. Se queremos honrar a democracia, devemos alterar a nossa constituição.

[Henrique Raposo]

A culpa não foi minha, acho eu...

Diário de Bordo - 25 de Julho

Primeiro dia sem o Mascarenhas. Fiz um esforço adicional para me portar bem. Estava cheio de vontade para falar sobre aquele ferro curto do Luís Rouxinol na corrida da TV mas acabei por cumprir o serviço público dando forte e feio no paizinho das esquerdas unidas. Só fiz uma graçola sobre liberais mas decidi não "desagregar" muito.

Estava tudo a correr muitissmo bem até que o Luciano anuncia que vai escrever para o Insurgente. Logo hoje! Se não foi de propósito parece! E agora? O que é que eu digo ao Mascarenhas quando ele ligar? Por muito que eu lhe tente explicar ele não vai acreditar em mim.

Olhem...que se lixe...perdido por cem perdido por mil:

Perante a admiração geral
Descobriu-se o Embuçado
Era El-Rei de Portugal
Houve beija-mão real
E depois cantou-se o Fado


[Rodrigo Moita de Deus]

Como ler jornais. O acidental explica.

Em entrevista ao caderno de economia do Diário de Notícias, Fernando Pinto, administrador da TAP, revelou evidentes sinais de “cansaço”. Já este fim-de-semana, António Vitorino falou um pouco mais sobre os “motivos pessoais” que o deixaram de fora deste governo.

[Rodrigo Moita de Deus]

Acima das questiúnculas político partidárias

Na inauguração da sede jovem de Carmona Rodrigues, o vice-presidente da JSD, Bruno Ventura, deu um enorme exemplo de como é possível os políticos elevarem-se sobre as barreiras ideológicas e os pequenos preconceitos que muitas vezes nos separam, demonstrando que existem matérias verdadeiramente transversais na sociedade que exigem entendimentos de bases alargadas. Disse ele: “Bárbara. A JSD gosta muuuuito de si”. Eis o centrão em todo o seu esplendor.

[Rodrigo Moita de Deus]

MEC Royal Deluxe



Cinquenta aninhos hoje, segundo se informa aqui.

[FMS]

Juro que não entendo porque razão fazem tanta troça deles

Detector de liberais - Só um liberal se lembra de citar um outro liberal para explicar que os liberais têm razão.

[Rodrigo Moita de Deus]

Estão contentes, estão?

A rapaziada do Insurgente e d'Arte da Fuga passaram meses a competir pela duvidosa distinção "Eu gosto mais dos "eighties" do que tu".

Eles são Vasco Granja, Uma vez no Espaço, Cindy Lauper, A-HA, A-Team e tudo o resto.

Parecia giro, lembrar as músicas, os penteados, os desenhos animados.

E agora, ainda parece giro?



E se fossem criar modas retro para outro País?

[DBH]

RTP Memória II

Em vinte anos é a segunda vez que Mário Soares entala Freitas do Amaral numas presidenciais. Em poucos meses é a segunda vez que Mário Soares entala Manuel Alegre dentro do Partido Socialista.

[Rodrigo Moita de Deus]

Insurgente acidental

Talvez condoídos por me verem partilhar o mesmo espaço bloguístico que a chamada via fadista para o conservadorismo, os rapazes d’ O Insurgente lembraram-se de me convidar para me juntar a eles. Fiquei honrado com o convite. O Insurgente é um dos melhores blogs que por aí andam e um daqueles que visito com mais frequência. Mas disse-lhes que não queria abandonar O Acidental. Fiz-lhes ver que a via fadista para o conservadorismo também tem os seus méritos e que n’O Acidental há mais para além da dita via. Eles compreenderam e sugeriram que acumulasse. Dado o respeito pela hierarquia e a autoridade que é apanágio da direita portuguesa, consultei o Grande Líder e Dirigente da Classe Acidental, Captain Mascas, que, depois de uma inenarrável cena de ciúmes, lá acabou por aceitar o part-time. Por conseguinte, a partir de hoje, e para citar o defunto Pedro, vou andar por aqui, mas também por ali.
[Luciano Amaral]

Usados sem garantia II


Bem sei que Sócrates prometeu aumentar a idade de reforma mas caramba!
Não era preciso exagerar!

[Rodrigo Moita de Deus]

O RAF lembrou-se da mesma coisa mas publicou antes. Fica feito o reparo.

RTP Memória

Este fim-de-semana, Alberto João Jardim pediu liberdade para a Madeira, Mário Soares confirmou que estava disponível para o lugar de presidente da República e sobre o mesmo assunto Cavaco Silva manteve um tabu.

[Rodrigo Moita de Deus]

Usados sem garantia

[Rodrigo Moita de Deus]

Uma lufada de ar fresco


choque tecnológico/inovação/modernidade

[Rodrigo Moita de Deus]

sábado, julho 23, 2005

Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz talvez...



E agora, fellow conservadores, que podemos ter um marialva "disponível" para ser presidente?

[DBH]

sexta-feira, julho 22, 2005

Fins de tarde à Direita

Filipa e Paulo,

O que significa na vossa língua não ter posições dogmáticas:

Ser a favor do debate? Estar disposto a ouvir os argumentos outros? Estar disposto a ver “os dois lados da questão”?

Ou será que, para vocês, a fórmula para não se ser dogmático terá de passar por - depois de debater, depois de ouvir os argumentos dos outros, depois de ver os dois lados da questão - admitir o erro e aceitar que os argumentos dos outros são melhores, que o outro lado da questão é que está certo e que o debate está perdido?

Talvez esteja a ver mal, mas noto por aí alguns clichés: “é preciso discutir”, “é preciso não nos fecharmos numa redoma”, é preciso “não idealizar um mundo onde as mulheres abortam e onde não existem homossexuais”, “não fingir que o problema não existe”, “não nos fechamos em barricadas irredutíveis e dogmáticas”.

Não posso estar mais de acordo com todos esses clichés. Mas e depois disto, em que é que ficamos? Sim ou não à descriminalização do aborto? Sim ou não ao casamento dos homossexuais? Sim ou não à adopção por homossexuais? E porquê?

Esse é que é o ponto.

Como é evidente, eu não me oponho de maneira nenhuma a que cada um - seja de esquerda ou da direita que for - tenha as posições que tiver sobre estas matérias. O que me custa é ver algumas pessoas a ter certas posições apenas por acharem que, com isso, vão ter mais aceitação popular. Vão ficar mais bem vistos. Mais aceitáveis.

(um parêntesis para dizer que, a circunstância de estar a pôr várias questões diferentes no mesmo saco, não significa que as ache iguais ou parecidas. Faço-o pelo facto de a forma como são abordadas, e que eu critico, ser semelhante em todas elas)

Retomando.... Que isto tudo pode e deve ser discutido, estamos todos de acordo. Agora, que se “imponha” que da discussão tenham de chegar todos às mesmas conclusões, é que já não me parece bem.

Por exemplo, a afirmação que muitas vezes é feita no contexto destas discussões, de que se têm de se “resolver os problemas”, está viciada à partida. Normalmente, quem diz isto, apenas admite uma forma de resolução dos problemas, destes problemas: legalizar, instituir, regular. Segundo eles, o problema do aborto só se resolve quando este for legal até às x semanas; o problema dos casamentos entre homossexuais só se resolve quando este for instituído; o problema da adopção por homossexuais só se resolve se esta for regulada. Enquanto tal não suceder, os problemas continuarão por resolver. Logo que tal suceda, os problemas ficarão resolvidos.

Isso é algo que condiciona qualquer discussão. E que, por isso mesmo, como é óbvio, é usado e abusado por aqueles que querem legalizar, instituir, regular. (Um bom exemplo disto é a insistência em realizar referendos até que dê o resultado pretendido.)

Insisto: nada contra a discussão; nada contra as posições que no fim desta sejam assumidas por cada um; tudo contra que essas posições sejam assumidas apenas para que os que as assumem não sejam acusados de retrógrados, bafientos, autoritários, securitários ou confessionais.

Se se é “a favor”, que se seja por se achar que é “bom”; se se é “contra” que se seja por se achar que é “mau”. E que nunca se assuma uma posição, seja ela qual for, apenas como táctica para ser melhor visto aos olhos dos outros. Como táctica para que “as pessoas se convençam de uma vez por todas que a Direita (ou pelo menos parte dela) não tem posições dogmáticas sobre o comportamento das suas vidas privadas. Nem é retrógrada, autoritária ou confessional.

[ENP]

P.S.: “Eu própria de quando em quando fico à beira de pequenas crises de identidade: quando oiço partidos propor dias nacionais de crianças por nascer, ou quando oiço ilustres deputados da Nação repudiarem a homossexualidade ou quando algum programa eleitoral é actualizado pela última encíclica papal.” Isto não era para mim, pois não? Bem me parecia.

Graçolas num edifício de escritórios

Quando ontem fui ao alfaite escolher um tecido ele perguntou: prefere azul Mckinsey ou cizento escuro Deloitte?

[Rodrigo Moita de Deus]

Serviço público de blogosfera

O Paulo Mascarenhas (aka: abramovich) vai de férias mas O Acidental não pára! A ausência do patrão permite/obriga a algumas alterações editoriais. A saber: crónicas semanais sobre os mais importantes espectáculos tauromáquicos das nossas praças, várias anedotas sobre liberais e ciclos de poesia erótica. Acresce ainda a introdução de temas diários para reflexão e análise. Por exemplo amanhã será dia de "a redistribuição da riqueza" e no domigo "viver a política com Cristo no coração". Musicalmente a linha será também alterada. Começa segunda-feira o importante festival Acidental "O fado marialva". Todos os dias uma música nova de João Ferreira Rosa!
O Verão promete!
Boas férias Paulo. E não te preocupes com nada. Eu tomo conta da casa!

[Rodrigo Moita de Deus]

Agradecimentos das "Noites à Direita"

Antes de ir de férias - é já amanhã e só volto dia 15 de Agosto - queria agradecer sinceramente a todos aqueles que transformaram as "Noites à Direita.projecto liberal" no tema central da blogosfera de hoje. Já perdi a conta aos textos, aos postes, aos comentários, aos linques, às críticas construtivas e não só, às palavras de incentivo e de apoio que nos dirigiram.
Ainda hoje de manhã li mais um texto muito interessante no Semiramis, um blogue altamente recomendável. Fora da blogosfera, li também um excelente artigo de Ricardo Costa no "Diário Económico".
Justo será agradecer a todos aqueles, liberais ou não, que contribuiram decisivamente para que as "Noites" fossem hoje um dos assuntos mais comentados e discutidos da blogosfera portuguesa. Obrigado por isso aos Insurgentes, ao Rodrigo Adão da Fonseca e ao João Miranda do Blasfémias, ao No Quinto dos Impérios, à Arte da Fuga, ao E Depois do Adeus, ao Sinédrio e à Cor das Avestruzes Modernas, entre muitos, muitos outros.
Um agradecimento especial também ao Eduardo Nogueira Pinto e, last but not least, ao Rodrigo Moita de Deus, ao Francisco Mendes da Silva, ao Diogo Belford Henriques, ao Henrique Raposo e ao Bernardo Pires de Lima. Todos, de uma forma ou de outra, contribuiram decisivamente para a divulgação da causa.

[PPM]

Placebo para a crise social

Na mesa ao lado falavam alegremente sobre o tema do dia: o que farias se ganhasses o euro milhões? Uns compravam uma ilha, outros, uma empresa, outros ainda iam de férias e alguns ajudavam o Benfica. Todos doavam uma parte para beneficência. Tenho a certeza que já vinham de casa a pensar na resposta e que vão para o escritório aperfeiçoa-la como se estivéssemos num concurso para a melhor resposta. O euro milhões é o analgésico preferido para a nossa crise social. Sonhar ainda não custa impostos e enquanto a época de futebol não começa as pessoas andam entretidas.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Um país. Se ganhasse o euro milhões comprava um país. Pequenino e de preferência com sol. Depois tornava-me chefe de estado e ficava a brincar aos governos. Alguém sabe quando é que joga o Benfica?

Porque hoje é sexta O Acidental resume a crónica de Vasco Pulido de Valente

É o fim do sistema. Eu avisei. Estes imbecis todos no governo e na oposição. Eu avisei. Bestas. Nos últimos cem anos. Todos.

[Rodrigo Moita de Deus]

Bocas da reacção

O trabalho tem uma função social.

[Rodrigo Moita de Deus]

Curso rápido de ciência política para liberais

Muito embora as palavras causem alguma confusão, existe uma diferença entre um conservador de doutrina e um conservador de museus. Obrigado pela vossa atenção.

[Rodrigo Moita de Deus]

Listen very carefully, i shall say this only once

Gostei muito do artigo de Pacheco Pereira ontem no Público.

[Rodrigo Moita de Deus]

Não te dizem, não, Eduardo, não te dizem nunca que "deves ser"

As "Noites Liberais" talvez te digam é para não te fechares numa redoma onde se idealiza um mundo em que as mulheres não abortam. Ou onde não existem homossexuais. Não se impõe, ao contrário do que tu pensas, qualquer cartilha sobre estes assuntos, porque eles pertencem à vida privada, como aliás escreve o João Miranda. Estes nem são os temas das "Noites", como tu deves saber. O primeiro foi sobre "A Direita e a Liberdade" - o segundo será sobre "A Direita e a Cultura". Não se faz também é outra coisa: fingir que o "problema" não existe e que não vale a pena estar preparado para o discutir. As "Noites à Direita" perguntam-te porque não estar preparado para discutir estes e outros temas.
Não te dizem nunca "aborto porque sim". Nem pensar.
Estás enganado até na caracterização do que generalizas como o "liberalismo versão de 2005", porque pelo menos no que às "Noites" dizem respeito, existem as mais diversas opiniões e posições sobre o aborto. Mas são apenas opiniões e posições pessoais.
Na esmagadora maioria, que eu saiba, os promotores das "Noites" são contra o que chamas de "descriminalização do aborto". Nem sei exactamente o que pensam todos os organizadores sobre os casamentos homossexuais. Não nos fechamos é em barricadas irredutíveis e dogmáticas, que apenas servem para politizar estes "issues", tornando-os em bandeiras da esquerda e da extrema-esquerda, com cada julgamento de cada mulher por ter abortado a ser transformado num comício eleitoral para o BE ou para o PCP. Se falasses comigo, essa já poderia ser outra conversa, mas parece-me que desta vez não querias conversar só comigo.

[PPM]

PS. Sem linques porque aqui em minha casa dá-me muito trabalho e o texto recomendável do João Miranda está logo aqui em baixo, no poste de ENP.

quinta-feira, julho 21, 2005

À consideração dos organizadores de "Noites Liberais"

"(...) Um dos equívocos da chamada direita liberal é que acredita que será mais liberal se for liberal nos costumes, sem perceber que os costumes, do ponto de vista liberal, nem sequer são um problema político, são um problema da vida privada. A direita liberal acredita que será mais liberal em relação aos costumes se em relação aos costumes tiver as mesmas posições que a esquerda. Isto é, se for pelo aborto, se for homofila, se for pela estatização e descaracterização do casamento, se for cosmopolita e se for contra a igreja e as tradições. (...)" João Miranda, Blasfémias.

A ideia que alguma da gente que se afirma liberal tem de que para se ser um verdadeiro liberal tem de se apoiar (ou pelo menos adoptar) estas agendas, é uma das originalidades deste liberalismo versão 2005. Dizem-me que um liberal deve ser pela descriminalização do aborto, que um liberal deve ser pelo casamento de homossexuais, que um liberal, porque é da direita "moderna" e "arejada", deve querer resolver estes "problemas", sendo que estes "problemas" só se resolvem legalizando, regulando, institucionalizando, etc.

A mim também parece que, como o João Miranda refere, estes liberais estão muito mais preocupados em demarcar-se de uma alegada (pela esquerda) proximidade com ideias autoritárias, do que com sua própria mentalidade socialista.

No fundo, estes liberais, quando tentam "tomar a dianteira" adoptando ou condescendendo com a agenda alheia, continuam a evidenciar os seus complexos em ser de direita. Querem que os outros não os confundam com salazaristas e quejandos. Mas os salazaristas, como eles esquizofrenicamente também admitem, já acabaram há alguns anos. Porquê, então, esta preocupação?

[ENP]

Não passarão

Contra a barbárie terrorista, nada mais ajustado do que a resposta serena da calma britânica.

[PPM]

Pode não engolir sapos, mas engole elefantes

Será que manda mesmo, Henrique? A doutrina parece dividir-se: se lermos o ”Diário Económico”, foi o ministro quem bateu com a porta; se lermos o “Público” terá sido José Sócrates quem forçou a saída do ministro.
Eu acredito mais na primeira tese e se o primeiro-ministro forçou alguma coisa, fê-lo em resultado da teimosia estatista de um ministro realmente socialista chamado Mário Lino.
Não sei se Sócrates não engole sapos ideológicos, mas já não ponho as minhas mãos no fogo quanto à degustação de elefantes brancos. Ou rosas, como o aeroporto da Ota e outras obras públicas megalómanas.

[PPM]

Dúvidas pós-socráticas

Qual será o próximo ministro a sair? Freitas do Amaral ou Manuel Pinho?

[PPM]

Sócrates não engole sapos ideológicos

O ministro saiu. Quatro coisas:

1.Quem manda é Sócrates. Sócrates, afinal, não é Guterres. Para o bem e para o mal, Sócrates tem pulso. Ainda bem. É ele que tem o mandato democrático. Quem tem o mandato democrático não pode ter medo de decidir. É para isso que há eleições, concordemos ou não com a medida.

2. Os socialistas não estão preparados para governar no actual contexto nacional e europeu. O nosso tempo não se coaduna com o socialismo, seja ele envergonhado – o caso - ou explícito. Se os socialistas cumprirem um regime “de aperto de cinto” total deixam de ser socialistas. Socialista verdadeiramente socialista necessita de gastar dinheiro em elefantes brancos. É o dito “investimento público” (adoro os eufemismos da esquerda). Eles pensam assim. É a sua maneira de ver a política. Se não o fizerem, anulam-se.

3. O que deve a direita fazer? Primeiro: não deve dizer que faria “elefantezinhos branquinhos”; o PSD não pode ser um PS envergonhado. Segundo e mais importante: dizer aos portugueses que os socialistas, porque são socialistas, não são adequados para a governação do nosso tempo (a não ser que apareça um Blair). Terceiro: deve dizer que baixa os impostos não porque quer ganhar eleições mas porque o dinheiro é nosso. Devemos baixar os impostos não para fazer pirraça aos socialistas mas sim porque o regime que queremos implementar parte de um pressuposto inalienável: o dinheiro é das pessoas e não do Estado.

4. O ministro que saiu é um grande homem.

[Henrique Raposo]

Esta também é muito simples

O novo ministro das finanças é tão bom, tão bom, tão bom, que nem percebo como é que não foi ministro desde o princípio.

[Rodrigo Moita de Deus]

O Acidental à escuta

[Rodrigo Moita de Deus]

Por amor de Deus! Não te "canses" já!

Em relação aos investimentos para a construção do aeroporto da Ota e das linhas ferroviárias de alta velocidade (TGV) o novo ministro prometeu que vão avançar, mas com «critérios rigorosos de redução de custos». Teixeira dos Santos pretende que seja cumprida uma forte «disciplina de rigor orçamental» ao nível destes projectos para evitar gastos desnecessários.

[Rodrigo Moita de Deus]

É indiferente, também já ninguém respeitava os polícias antes

Só hoje reparei que o relatório da PSP sobre o arrastão, reconhecia não ter existido tal coisa (tese Andringa). Foi ainda mais longe o documento quando admitiu que os jovens em causa fugiam a uma carga policial (tese Drago). Esperemos agora que o comando da PSP seja coerente e castigue de forma exemplar o autor do comunicado inicial e os polícias no terreno que “carregaram” sobre jovens inocentes (tese Deus). Ou não?

[Rodrigo Moita de Deus]

Coisas simples de entender II



Por outro lado, este homem parece que nunca se "cansa".

[Rodrigo Moita de Deus]

Coisas simples de entender

Tal como há muitos anos atrás Guterres não teve força para segurar Sousa Franco, ontem à noite ficamos todos a saber que José Sócrates também não tem mão para controlar os apetites vorazes da máquina socialista. Tecnicamente chama-se a isto um pântano.

[Rodrigo Moita de Deus]

Cansaço

Sócrates não pode estranhar a decisão de Campos e Cunha. Devia saber que era esse o risco que corria quando convidou um "aposentado" para um lugar tão desgastante.

[Rodrigo Moita de Deus]

O Acidental explica

Campos e Cunha apresentou ontem a demissão.
Invocou "motivos pessoais" e "cansaço".


"motivos pessoais"



"cansaço"

[Rodrigo Moita de Deus]

A propósito da demissão do ministro das Finanças

Será que existe vida para além da Ota?

[PPM]

Long time no see

Vício de forma. Finalmente.

[FMS]

quarta-feira, julho 20, 2005

Óh Xico...

... Óh Xico, vamos arriar a jiga juntos nesses malandros que nem para comer uma salada em tacho nos querem por perto... Q'isto 'inda vai dar porrada, aaaaiii!! Não é que os mangas também não me convidaram???

Nem para a salada esses mangas me convidaram... Sabendo que gosto de fado (o que não é o mesmo que gostar do João Ferreira Rosa...), esses aprendizes de marialvas fadistas...

[JBR]

O segundo acto de uma candidatura presidencial

Eu quero mas digo que não, a ver no que dá. Ao menos se o Guterres tivesse logo dito que não queria...

O primeiro acto foi o célebre artigo de apoio a José Socrates na revista "Visão" antes das eleições legislativas. Seguiu-se agora a confirmação de uma obsessão presidencial, que vem de longe, de muito longe, dos tempos em que o Prof. Freitas se candidatou em nome da direita.

[PPM]

Postes de lua cheia – vícios privados em versão pós-moderna

Tal é a confiança de que todos os meus vícios são bons costumes,
que não me importo sobre eles postular.


Eu gosto da expressão “vícios privados”.
Dá-me anjinhos barrocos com hormonas aos pulos.
Dá-me lasciva procura da concupiscência.
Dá-me volúpia, libido e devassidão.
O elogio ao vício é ode, para ser lida ofegante.
É poema que oiço cantado em morna,
que vejo bambuleado…leve, leve…
nas ancas de uma mulata.

A sociedade, frígida, tenta matar o vício.
O meu está para além do jurista e da legislação.
Para além da ética e da moral.
Para além do amor e do sentimento.
É desejo em estado natural,
daqueles que assegura a continuação das espécies.
Tão espontâneo como o instinto,
é expressão pura da minha Humanidade.

Das mulheres gordas de salto alto
vendendo felicidade a metro e a moeda,
como as ninfas no Egeu.
De lindas raparigas que sussurram poemas ao ouvido,
de outras menos eruditas,
que confessam com sabida volúpia:
a palavra com mais sílabas que conheço é kamasutra.
Nessas noites em que as filhas dos pastores do meu reino
são verdadeiras princesas,
responde-se de voz embargada:
ensina-me, ensina-me, ensina-me…

Vícios privados é expressão que me agita os sentidos.
Todos.
Que me arrebita a pena e a faz correr.
A privação do vício não é tratamento,
é castigo.
O vício não deve ser privado a ninguém.
Encarcerá-lo é fazer duas ou mais almas sofrer.
Sede solidários. Partilhem-no. Publiquem-no.
Sem edição ou censura.
Assim escarrapachado.
Assim, nú.

[Rodrigo Moita de Deus]

Já não dou mais para esse peditório

Depois deste esclarecedor ponto de ordem da Filipa Correia Pinto - ilustre e digníssima promotora das "Noites à Direita" - não darei mais para o peditório da algo excêntrica discussão lançada por alguns puristas sobre quem é que realmente defende a via original e o verdadeiro caminho para o liberalismo.
Quero apenas descansar o Rodrigo Adão da Fonseca do Blasfémias - como aliás já lá fiz no sítio dos comentários dele - no que diz respeito à sua caridosa preocupação com uma putativa "desagregação" d' O Acidental.
Não existe, nem existirá tal perigo, caro Rodrigo. Não confunda pluralismo de opinião com desagregação - considero até curioso que esta confusão possa provir de um tão empenhado liberal. O meu blogue cultiva a diferença e incentiva-a - sempre a cultivou e incentivou desde que começou a ter o seu primeiro convidado, no caso o Vasco Rato. Aqui não temos nenhuma cartilha obrigatória nem seguimos nenhum dogma.
Pudessem todos os autores de blogues dizer o mesmo, sobretudo os que afirmam constantemente a sua ortodoxia liberal.

[PPM]

PS. O Pedro Mexia não foi convidado para as "Noites à Direita" por ser alegadamente liberal - ou não. Foi convidado apenas por ser "o" Pedro Mexia. Não foi ainda convidado para ser o "defensor de serviço" - que expressão tão pouco liberal, caro RAF. Esteja também descansado nesse aspecto: não faltarão vozes liberais nas "Noites" de Setembro.

O Acidental à escuta

O regresso - em grande - do meu amigo Diogo Feyo à blogosfera e ao Nortadas, com a crítica de Xenofonte.

[PPM]

E se fossem beber um “café” e fazer as pazes

Depois da cisão histórica e doutrinária entre liberais e neo-liberais entre neo-liberais e liberais-clássicos, entre liberais-conservadores e liberais-sociais, entre liberais-esquerda e liberais-direita, entre liberais-partidários e liberais-académicos, eis senão quando os liberais se dividem entre liberais-tejo e liberais-douro.

[Rodrigo Moita de Deus]

CAAganças

O Sr. que assina CAA nos nossos comentários podia ser só mal educado. Ou pouco perspicaz. Ou não ter a inteligência mínima para ter sentido de humor. Mas, parece que, no bingo da falta de qualidades este Sr. faz linha.

Duvido que seja o mesmo CAA (Profile Not Available) que escreve no Blasfémias. Aproveito para perguntar ao João Miranda e ao Rodrigo Adão da Fonseca se escreve no blogue deles quem nestes comentários escreve estas alarvidades:

"A expressão do Sr. Albino (foto do Quinto dos Impérios) é fortemente indiciadora da necessidade de administração de um forte laxante para lhe aliviar o patente sofrimento intestinal."

E esta falta de perspicácia:

"Hayek está mal escrito.
Imaginem que eu chamava "Câmara Figueira" ao vosso "Câmara Pereira"? Não era bonito, pois não?
"

Dois meses depois de brincarmos com "Hayeck", este nosso leitor só hoje deu pelo engano. Será que leu que eu escrevi "Depois de Hayek, de Chimsky, de Hayeck "? E, já agora, Chimsky também está mal escrito?

[DBH]

postes de lua cheia

Todas as mulheres mexem no cabelo quando se sentem observadas.

[Rodrigo Moita de Deus]

Eu que nem sou liberal...

...reparo que há muito boa gente nesta blogosfera fora a escrever Hayeck com erros.

[Rodrigo Moita de Deus]

O Acidental à escuta

Acompanhar as eleições autárquicas pelo divertido Vista Alegre.

[Rodrigo Moita de Deus]

Postes de lua cheia

É um facto que as mulheres ficam mais bonitas quando apaixonadas. Vê-se pela forma como falam, como vestem, pelo brilho nos olhos e pelo sorriso envergonhado. Diria que só por isso vale a pena.

[Rodrigo Moita de Deus]

Triste Fado

Eu cá não sou d'intrigas, mas...

Depois de Hayek, de Chimsky, de Hayeck e de dizerem mal do Fado, preparem-se, ó liberais acidentais, uma desilusão vos aguarda.

Como se o velho Smith voltasse à terra como um bom selvagem, como se Chicago nunca tivesse ido a Santiago, como se o Milton se zangasse com a Rose, como se o Nozick tivesse cartas ridículas do Rawls...

... o vosso pior pesadelo aconteceu.Aqui, o desmoronar de um sonho.

[DBH]

terça-feira, julho 19, 2005

São honorários, senhor, são honorários.

O Brasil, esse país em vias de desenvolvimento, anda chocado com um fenómeno que Portugal, esse país desenvolvido, já tem há muitos anos: deputados com malas carregadas de dinheiro. Recomendo aos jornalistas brasileiros que, em vez de se indignarem, olhem um pouco para o nosso exemplo e reparem como é perfeitamente possível compatibilizar uma prática suspeita com o exercício da actividade política, mesmo em sede de parlamento.

[Rodrigo Moita de Deus]

Desmentido ao desmentido (na melhor tradição socialista)




Luciano Amaral é agora o Bomba-Excelente.

[Rodrigo Moita de Deus]

Deixarei a barriguinha para outra ocasião (até porque não era uma questão de tamanho, mas de ângulo). Quanto ao resto direi apenas que os renas e veados pediram-me para transmitir o quanto te acharam excelente.

É a lealdade orgânica, estúpido!

«Sabemos que o Verão é uma estação propícia a todo o tipo de sonhos, delírios e ilusões, mas aqui convém ser bastante pragmático na análise: da maneira como o campeonato autárquico está a decorrer, a única hipótese de salvação para o filósofo Carrilho é haver muita gente que não gosta nem um bocadinho dele disposta, ainda assim, a votar PS.

E a verdade é que se tem ouvido muitos "seguidores" do PS (eleitores, mas também militantes) a comentar nas esquinas da capital que serão incapazes de votar Manuel Maria Carrilho - por uma questão de «deficiências de carácter», para citar Manuel Salgado -, mas que vão votar PS - por uma questão de fidelidade partidária. Sim, tem saltado muito por aí a frasezinha: «Estás mas é maluco? Eu nunca disse que vou votar no Carrilho. Eu sempre disse que vou votar PS»


(...)


Nuno Costa Santos.

[FMS]

O Acidental à escuta

Já estava para escrever isto aqui há uns tempos, mas vai agora mesmo: o já longo debate entre Manuel de Lucena e Luciano Amaral, que hoje continua nas páginas do "DN", tem sido das discussões mais interessantes de seguir na imprensa portuguesa.

[PPM]

Diário das Trapalhadas (Críticas a críticas de ministros ao Governo, acompanhadas de alguma perplexidade, a que se seguirão os habituais desmentidos)

Aviso das Finanças gera mal-estar
Artigo de Campos e Cunha visto como forma de ganhar margem de manobra

"Depois de ver um ministro anunciar sacrifícios em cima duma campanha, tudo é possível", diz dirigente do PS

O artigo de Luís Campos e Cunha sobre "Economia e Finanças", publicado no domingo, em que o ministro previa a necessidade de impor novas medidas de contenção da despesa e alertava para a exigência do Governo ser muito selectivo no investimento público, deixou perplexos colegas de Governo e dirigentes do PS.

[PPM]

Diário das Trapalhadas (Apoios a Críticas não desmentidas de ministros ao Governo)

Políticas de investimento público do governo
Economistas apoiam críticas de Campos e Cunha

[PPM]

Porrada

Saio quatro dias e quando volto anda toda a minha gente aqui n’O Acidental (com belas contribuições Insurgentes e Blasfemas) à porrada: ele é insultos de “liberal” para aqui, de “reaccionário” para ali, de “conservador” para acolá. Eu gosto. Acho mesmo bem. Usando a terminologia do Diogo, a porrada já permitiu mostrar que “não somos todos liberais”. O que sendo verdade ainda não permitiu mostrar o que são aqueles que não são liberais. Com a excepção clara e previsível, como é evidente, da famosa Escola do Fado, que tem como mestre mor esse grande fadista que foi João Ferreira Hayeck.
[Luciano Amaral]

Desmentido


Uns dias a banhos no Algarve e logo o meu bom nome e sobretudo a minha boa imagem são arrastados pela lama.
É preciso que se esclareça: não fui à festa do Quase Famosos porque, precisamente, estava no Algarve. E, portanto, a fotografia apresentada aqui não passa de uma mísera fotomontagem. Eu aceito tudo. Que me chamem palhaço, liberal, palhaço-liberal, liberal-palhaço, reaccionário de tendência liberal, conservador de tendência palhaço, o que for preciso, mas não podem é pôr-me em cima a barriga do Rodrigo Mediano Dispensável.
De resto, como prova da minha presença no Algarve e da minha barriga, segue aqui uma ilustração, onde faço um pouco de jogging à beira-mar, ostentando o ar feliz de quem acabou de ler mais um artigo imortal do imortal R.L. Chimsky.
[Luciano Amaral]

Diário das Trapalhadas (Desmentidos)

Freitas do Amaral desmente críticas ao Governo

Nova série: ministros que desmentem críticas que fizeram, alegando a "falta de contexto", provavelmente a desculpa mais antiga e descabida do mundo.

[PPM]

Assim, sim

Como gosto de dizer: conservador naquilo em que é bom ser-se conservador, liberal naquilo em que é bom ser-se liberal e reaccionário sempre que tiver de ser reaccionário.

[ENP]

Ser-se conservador liberal. Ser-se burkeano. Definir a agenda

Grande Francisco,

1. Um “38” com a amiga soviética está quase a sair…

2. O nosso ponto de referência não tem de ser, necessariamente, a Revolução Francesa. Se nos contentamos com “1789” enquanto referência (negativa), estaremos sempre na defensiva, estaremos sempre dependentes da esquerda; teremos sempre de esperar pelo posicionamento da esquerda sobre assunto “X” para podermos definir a nossa opinião sobre esse mesmo assunto. Ora, temos de nos antecipar. Nós temos de passar a escolher o terreno de batalha. Devemos definir a agenda. Sabes por que razão o movimento conservador americano (completamente heterogéneo – tal como o Acidental…) domina a política americana? Porque marca a agenda. Está na vanguarda de qualquer assunto. Põe os “liberais” na defensiva, na reacção. Literalmente. Porque o termo “reaccionário” não é insulto. Nem sequer tem “substância” (como conservador ou liberal). Nem é exclusivo das direitas. A esquerda também pode ser reaccionária. Aliás, como já aqui o escrevi, as velhas esquerdas são, neste momento, forças reaccionárias.

3. Tal como Burke, devemos “reagir” a 1789 mas, em simultâneo, devemos “aplaudir” 1776 (Burke, no seu tempo, era um homem de esquerda). Quando reagiu aos jacobinos, Burke estava a reagir em nome do quê? E aqui é preciso perceber o seguinte: Burke (conservador) não é J. de Maistre (reaccionário). Burke, antes de 1789, já havia fundido a chamada “predisposição conservadora” (brilhante termo do nosso Oakeshott) com os preceitos da escola escocesa. Burke tem muito de Adam Smith, de David Hume. Quando digo que sou “conservador liberal” não estou a brincar. Estou a ser burkeano. Burke (espaço britânico) e Madison (espaço americano) representam a fusão de uma predisposição epistemológica céptica e pluralista – isto é, conservadora – com as soluções epistémicas do Liberalismo Clássico. As soluções políticas do liberalismo clássico encaixam, na perfeição, na “ética” conservadora. Quando “inventou” o conservadorismo anglo-saxónico (o verdadeiro, por oposição ao “conservadorismo reaccionário” francês e ao “conservadorismo revolucionário” alemão), Burke estava a defender princípios liberais. Burke criticou 1789 e aplaudiu 1776 exactamente pelas mesmas razões.

3. Em suma, não temos que fazer o jogo da esquerda. Não temos que jogar à italiana, na retranca, aplicando apenas o contra-ataque. Não temos que ter a Revolução Francesa como ponto de referência. Por que não ter a Revolução Americana como ponto de partida? Quando reagimos à esquerda, devemos, de imediato, apresentar alternativas políticas e epistemológicas. Nós temos de ser a referência. Podemos jogar à holandesa e, mesmo assim, manter a nossa natureza céptica (podemos ser anjos e bestas no mesmo minuto), pluralista (há homens e não Homem) e, sempre, individualista.

[Henrique Raposo]

Missão cumprida

Da picardia aos comentários e ao debate.

[PPM]

SOME GIRLS ARE BIGGER THAN OTHERS



Já chega, FMS?

[DBH]

PS. 11 posts antes das três da tarde, resta saber se hoje será uma Super Tuesday ou uma Black Tuesday.

BARBARISM BEGINS AT HOME

a mesma sueca

A culpa desta discussão interna, apesar de tudo positiva por mostrar que não somos todos liberais, é do Henrique Raposo.

Só dele. Todinha.

Porque se o Henrique Raposo tivesse jantado co'a gente, na segunda-feira, se tivesse ido à festa, na sexta-feira, esta discussão teria tido lugar ou numa biblioteca, a beber copos, ou no meio de uma rua a ouvir os Libertines, e a beber copos.

Por isso a culpa é tua, Henrique. Só tua. E do Bernardo Pires de Lima também, que é para ele não fingir que não tem nada que ver com isto.

[DBH]

Estátuas em vida não rimam com poesia mas só se não for a minha

Caro professor: aqui entre nós, que ninguém nos ouve, jurando que não farei uso desta informação, que jamais voltarei a falar sobre o assunto, a minha boca é um túmulo e tal: isso é um bocadinho de inveja, ou não?

[Rodrigo Moita de Deus]

Vai trabalhar vagabundo

As requested

O Primeiro Ministro, o Ministro das Finanças e o dos Negócios Estrangeiros não se entendem. Podíamos escrever sobre isso, não é?

Nãããããããããããão... É muito melhor discutir o Liberalismo, pôr notas de rodapé sobre o Hayek, discutir se o Mexia é de Direita, se o cimbalino é melhor que a bica, ter espaço nos comentários para nós discutirmos teses de mestrado e para o CAA se engasgar sempre que tenta escrever sobre o ALX...

Pois, para isto, sim, é que serve um blogue. Isto e para o DBH pôr fotografias.

[DBH]

Pilinhas

"É nestes momentos limite que precisamos que o DBH entre por aqui de rompante e nos espete com a fotografia de uma gaja qualquer, nem que seja uma imberbe pálida qualquer de um filme francês ou sueco"

Pode ser uma sueca num filme italiano?



Sempre às ordens.

[DBH]

Coisas simples que não consigo entender

Passo os olhos pelas revistas sociais e reparo que o "social" desapareceu. Estão lá os senhores das tendas, os cabeleireiros e os relações públicas.

[Rodrigo Moita de Deus]

Me engana que gosto: ministro desmente-se confirmando-se

Freitas do Amaral desmente críticas ao Governo

Afinal o Governo todo sabe comunicar. Só ele é que não sabe.

[Rodrigo Moita de Deus]

Pilinhas

É nestes momentos limite que precisamos que o DBH entre por aqui de rompante e nos espete com a fotografia de uma gaja qualquer, nem que seja uma imberbe pálida qualquer de um filme francês ou sueco. Anda pesado, O Acidental, entretido com discussões sem o mínimo sentido (por mim, porreirinho, é também para isso que servem os blogs).

Deixem-me, no entanto, por também o dedinho em riste. Não há contradição alguma entre o conservadorismo e o liberalismo. A direita maioritária que conhecemos hoje é, em todas a suas matizes, o fruto da reacção à Revolução Francesa e ao surgimento do estado moderno, centralizador e planificador. Por isso, a direita que hoje conhecemos é, essencialmente, definida pela negativa. O seu surgimento dá-se por oposição directa dos seus valores empiristas, individualistas, municipalistas, associativistas, aos paradigmas racionais, internacionalistas e planificadores do Iluminismo continental. A direita é conservadora. Mas, uma vez que o que ela quer conservar em primeiro lugar é a própria liberdade do indivíduo em face dos abusos do príncipe moderno, é igualmente liberal. Pelo menos é assim que eu, que não tenho queda para o desenho, costumo explicar a coisa às criancinhas.

E é, por definição - não temamos as palavras -, reaccionária. Foi assim que ela nasceu e é assim que ela se sente bem: reagindo aos abusos sobre a liberdade individual, reagindo em nome dos valores que tradicionalmente são esquecidos na voragem da modernidade. Um conservador não rejeita o progresso. O seu papel, porém, não é o do protagonista, mas o de assegurar de que esse progresso se faça de forma inclusiva e não exclusiva, de alertar para as perdas irrecuperáveis para a coesão da comunidade e para o seu modo de vida que poderão surgir na inexorabilidade dos avanços. Um verdadeiro conservador é aquele que, no cisma conservadorismo-liberalismo, se coloca do lado do hífen. Porque é deste que nunca ninguém se lembra.

Eu cá sou conservador, liberal e reaccionário. Assim como todos os convidados acidentais, digam eles o que disserem.

Vá lá, rapazes, já não temos idade para andarmos a comparar as pilinhas. Que é feito da vergonha, essa velha virtude conservadora?

[FMS]

Me engana que eu gosto: uma sondagem acidental

Relativamente às críticas de Freitas do Amaral de que o Governo é incapaz de comunicar, José Sócrates deve:

a) Processar jornalistas por violação do segredo de justiça no caso freeport;
b) Pedir ao presidente da república que faça mais uns apelos patrióticos;
c) Parar de prometer empregos a torto e a direito;
d) Não vender a Lusomundo;
e) Criar uma central de comunicação;
f) Obrigar António Costa a falar sobre os incêndios florestais;
g) Apoiar Freitas do Amaral para Presidente da República por ter revelado enorme imparcialidade.

[Rodrigo Moita de Deus]

Me engana que eu gosto

Freitas critica Governo por incapacidade de comunicar

Este governo é tão "incapaz de comunicar" que as entrevistas para serem publicadas na quarta-feira, já estão cá fora na véspera.

[Rodrigo Moita de Deus]

Barrete para o cocuruto de quem o quiser enfiar

Ser-se considerado "reaccionário", hoje, em Portugal, já não é certamente o mesmo que ser-se considerado reaccionário há 15 ou 20 anos atrás. Em 2005, um reaccionário arrisca-se a não ser imediatamente apelidado de salazarista, ultramontano ou pior. Em 2005, graças a alguns bons "reaccionários" que a rapaziada começou a apreciar e inclusive a adoptar como referência (assim de repente, penso em Jorge Luis Borges e Nelson Rodrigues), a "reacção" voltou a ter o seu bom sentido. Pela minha parte, e sabendo perfeitamente qual é o outro, sempre que falo em reacção é, foi e será no bom sentido. Um sentido muito próximo do de conservadorismo - de um conservadorismo realista que reage (se necessário de forma enérgica) às agressões essenciais de que é alvo. Usar o termo no outro sentido não faz o meu género. O léxico revolucionário jacobino-leninista não é o meu.

Seja como for - e o que se segue é apenas para aqueles que passam a vida a varar rótulos no próximo e a maçar-nos com as suas certezas - há uma ideia que me parece, por ora, mais importante: pior que o liberalismo, pior que o conservadorismo ou mesmo pior que qualquer reaccionarismo, é a tentativa de construir um pensamento puro a partir de uma cartilha e dos seus inevitáveis estereótipos. Seja ela qual for.

O ser humano (mais, ou menos, maravilhoso) é bastante complexo. A sua formação intelectual é fruto de imensas realidades, nem todas conciliáveis. Há contradições, há confrontos, há perplexidades e há dúvidas. Algumas delas insuperáveis. Há, pois, qualquer que seja a linha de fundo escolhida, que ter alguma humildade. Admitir que, por vezes, até o mais ortodoxo "ista" tem desvios à sua doutrina. Tentar elaborar uma teoria absoluta sobre a vida é algo um tanto ou quanto perigoso. Mesmo que a sua base seja, à partida, inofensiva. Nem tudo o que vem no livro de estilo adoptado deve ser seguido à risca, sob pena de o produto daí resultante soar a qualquer coisa de artificial. E quando o resultado soa artificial, por mais acertadas que sejam as ideias que pelo meio se afirmam, a mensagem fica coxa. Coxa como o "grilo coxo" que o Henrique tanto gosta de trazer à conversa.

Um "trotskista" com ar grave a dar lições de moral não é bom.
Um "liberal clássico" de dedo em riste a dar raspanetes, também não.

[ENP]

segunda-feira, julho 18, 2005

Descubra o liberal

Li agora que o grande liberal João Miranda terá ficado espantado por Mega Ferreira e Pedro Mexia serem os oradores convidados das próximas "Noites à Direita" em Setembro. Descubra o liberal - escreve ele, com uma certa piada, reconheço. Eu sei que não sou um liberal by the book como o João Miranda, mas julgava que ele já tinha percebido a grande diferença entre as "Noites à Direita" e o Café Blasfémias: é que, ao contrário dos organizadores do Café Blasfémias, os promotores das "Noites" não convocam reuniões para se ouvir a si próprios.

[PPM]

Conta de somar

...esta notícia (Crimes participados à polícia subiram 34%)
+ esta notícia (Primeiro lugar entre número de assaltantes)
___________

= esta notícia (Portugueses são os mais pessimistas da Europa)

[PPM]

Coisas simples que não consigo entender

Não era suposto já terem vendido a Lusomundo em nome da transparência, rigor, isenção e tal?

[Rodrigo Moita de Deus]

e tudo o vento levou...

Um dia depois do ministro das finanças ter prometido cortes na segurança social e novas restrições orçamentais o governo fala alegremente dos projectos de energia eólica para 2010.

[Rodrigo Moita de Deus]

Caracteres e carácter

Manuel Maria Carrilho até pode ter 37.860 caracteres de "propostas e ideias". Mas, como ficámos agora a saber através do seu antigo apoiante, o arquitecto Manuel Salgado, não tem carácter.

[PPM]

Chat no East Wing Acidental

- Leste?
- Li. O que achas?
- Acho que devemos soltar o Jacinto.
- O Jacinto? Tens a certeza?
- Tenho. Dá-lhe com o Jacinto.
- Está bem.

[Rodrigo Moita de Deus]

O terror banalizado

Na praia de Alfarim, conversa entre raparigas ao meu lado.
- Ele foi para Londres.
- Ai foi - e está lá frio?
- Não sei....
- Deve estar: nas imagens, quando explodiram as bombas, estavam todos de casaco ou de camisola.

[PPM]

Barrete para cocuruto francês (e, já agora, alemão)

1. Gosto de ver Chirac a despenhar-se no gramado. O actual momento político do dinossauro faz lembrar aqueles filmes de guerra com aviões. Em dado momento da fita, um avião – dos bons - é abatido. O realizador, claro, brinda-nos com uma barroca slow motion da espiral descendente, composta de fumo e piruetas. Chirac é o piloto moribundo de um objecto voador em espiral descendente. Que objecto é esse? A Europa de raiz francesa.

2. Mas, verdade seja dita, Chirac “morre” no cockpit envergando a pele de brilhante reaccionário. É que Chirac não é um simples retrógrado. O ser-se retrógrado é ser-se burro. E ponto final. O retrógrado não percebe que o seu mundo acabou. Julga que está tudo na mesma. Quando penso no conceito de “retrógrado”, penso nos sulistas da confederação americana. Os tipos que assobiavam a "dixieland" pensavam, de forma genuína, que podiam manter aquele modo de vida arcaico. Contra tudo e todos. Dado esse convencimento, genuíno mas acéfalo, não perceberam que o seu mundo já tido ido com o vento, como qualquer outra cinza civilizacional. O reaccionário é diferente. O reaccionário sabe, de forma consciente, que o seu mundo está reduzido a cinzas. Mas não é capaz de admiti-lo e, por isso, continua a defender essa montanha moribunda de ilusões cinzentas. (E aqui deve-se distinguir o “reaccionário” do “conservador”. O conservador nunca defende cinzas. O conservador defende apenas aquilo que ainda reluz. O conservador não reage às mudanças. Reage, isso sim, àqueles que fazem da mudança um bem em si mesmo. É diferente).

3. Chirac não é um inconsciente retrógrado mas um perigoso, porque consciente, reaccionário. Não é capaz de admitir o fracasso do seu projecto. Não é capaz de engolir sapos ideológicos. O antigo brilhantismo deu lugar ao ressentimento. Um ressentimento que tolda a sua ética pública. Chirac faz aquilo que a sua velha ideológica dita, mesmo que isso vá contra os interesses dos franceses. Continua a dizer, como o velho general, “tenho uma certa ideia de França”.

4. E nessa ideia de França encontramos um certo projecto de Europa. Que projecto? O gaulismo sempre partilhou do sonho da social-democracia alemã: criação de uma U.E. social-democrata, arredada do mundo, afastada da dita globalização, esse cliché que nada explica mas que tudo justifica. O gaulismo sempre teve como objectivo a criação de uma Europa social-democrata, dirigida por administrações iluminadas que pastoreiam os cidadãos.

5. A crise do Iraque foi provocada pelos dois lados do Atlântico. Já discuti isso com o Bernardo aqui no Acidental. Do lado francês (é disso que se trata; não podemos repetir a pretensão gaulista, isto é, não podemos usar o termo “Europa” quando, na verdade, estamos a falar da França), a crise foi provocado pelo seguinte: Chirac (em conluio com o Schoeder) viu na crise iraquiana uma hipótese para a construção dessa Europa Social, adversária do mundo liberal liderado pelos EUA. Entre Novembro de 2002 e Março de 2003, Chirac e Schroeder tiveram a sua oportunidade histórica. Chirac e Schroeder perceberam que a inflexibilidade americana em relação ao Iraque lhes garantiria uma janela de oportunidade no sentido de arregimentar as forças europeias anti-americanas. A crise Atlântica seria, assim, o preâmbulo mágico para a aprovação da constituição e para o descolar de uma Europa anti-americana. A estratégia falhou. Falhou porque o sonho ideológico subjacente (um lago europeu social-democrata, situado numa cápsula de tempo à parte) já não encanta ninguém.

6. É tempo de haver Europa “europeia” e não Europa “francesa”.

[Henrique Raposo]

Quase famosos promessas, promessas II

Desta vez que eu não levei gravata, a menina não aparece?

[Rodrigo Moita de Deus]

Falar estrangeiro: essa coisa traiçoeira

Foi angustiante ver o Benfica-Chelsea no camarote do sponsor do jogo rodeado de gente com que se devia fazer alguma cerimónia. Antes do jogo começar perdi a vergonha e avisei o coreano no meu lado direito:

- Sorry but I´m a screamer

Ele piscou o olho e respondeu-me entusiasmado:

- Me too!

[Rodrigo Moita de Deus]

Quase famosos maus princípios de conversa

- Olá, eu sou o Rodrigo
- A sério? Tu é que és o mediano?

[Rodrigo Moita de Deus]

Quase famosos péssimos princípios de conversa

- Olá eu sou o Rodrigo.
- Ouve lá: o que te leva a crer que não eras tu o dispensável?

[Rodrigo Moita de Deus]

Quase famosos horríveis princípios de conversa

- olá eu sou o Rodrigo.
- Sabes…eu achava que tu eras um palerma

[Rodrigo Moita de Deus]

Quase famosos promessas, promessas

A t-shirt valeu de pouco. Mas ainda que não havendo tarrachinha o calor, pelo menos, era verdadeiramente africano.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Muito notadas foram as ausências do West Wing Acidental. Se os conservadores-rurais optaram por dançar, enfrascarem-se em vodka e fazer olhinhos às muitas meninas giras presentes, os nossos companheiros liberais cosmopolitas preferiram beber um copinho de leite quente antes de irem ler Hayeck para a cama. Foi o fim de um cliché.

domingo, julho 17, 2005

«O santo padroeiro das causas perdidas»



A promoção diz desta colecção de ensaios restrospectivos e confessionais ser o Roger Scruton mais pessoal. Não é fácil. Scruton, o paladino das causas irrecuperáveis, o gentil porta-bandeira da Reacção pacífica e utópica, nunca escreveu aquilo que muita gente queira escrever. E não deve haver filosofia mais idiossincrática, mais irredutivelmente própria, do que a de Roger Scruton.

O Guardian publica um pequeno excerto da nova obra.

No Independent, encontramos uma entrevista feita na sua fortaleza bucólica de Wiltshire, onde Scruton se esconde da modernidade que tanto odeia - da televisão, da arquitectura, da inovação tecnológica. Alguns momentos são absolutamente deliciosos:

«After a drink, we move through to begin lunch, components of which have been produced on the Scruton farm. "That's Singer," declares Roger, pointing at a plate of leftover sausages. Singer the pig, mischievously named after Peter Singer, the philosopher and animal-rights theorist, has been "ensausaged" personally by his former owner. Roger beams as another lunch guest, his publisher Robin Baird-Smith, asks if he can take the final morsel. Singer, it must be said, does taste pretty good.

(...)

In Gentle Regrets, he records the occasion Harold Macmillan addressed the Conservative Philosophy Group that Scruton set up in the 1980s with the late Sir Hugh Fraser and Jonathan Aitken, both at the time Tory MPs. Macmillan reached a climax in his speech, holding the attention of the room as he repeated: "It is important to remember... to remember... I have forgotten what I wanted to say." Scruton writes: "'I have forgotten what I wanted to say' is the true contribution of the Tory Party to the understanding of government in our time."

(...)

What effect does he think his work has had? "I hope I've caused some amusement," he says. "I'd like to have brought some comfort to people with old-fashioned conservative views, that they're not alone and that they're not perhaps so stupid to think what they think. That's probably the best I could have hoped for. I mean the causes that I've been involved with - defending classical architecture against the modernists, defending hunting against the sentimentalists - these are all lost causes. But I think it's nice to lose them in a way that causes emotional disturbance in the people who take the opposite view. I hope I've done a bit of that."

(...)

After we finish the interview ("Phew!", he sighs, "that must be it") we inspect a herb garden in front of the house. "People say 'let chickens run around,'" says Roger, eyeing some half-munched parsley, "but look at what they do. They deserve all the suffering they get."»


[FMS]

Circo Portugal

Portugal é um país em que um desafio de futebol com a finalidade exclusiva de apurar a forma periclitante das equipas intervenientes faz capa de jornais, é transmitido em directo, no prime time, pela televisão mais vista* e pela rádio mais escutada, comentado por um autarca e assistido presencialmente por uma multidão exultante de várias dezenas de milhar de pessoas. Quando por aí se chora o atraso estrutural da nação e a imbecilidade endémica das gentes, conviria talvez que lembrássemos esta premissa.

*E, ainda por cima, roubam-nos o Desperate Housewives.

[FMS]

Como diria Ana Drago, foi "um atentado terrorista muito bem coordenado"

A imprensa espanhola avança com novas informações sobre os atentados de Madrid, a 11 de Março do ano passado, alegando que o objectivo era acabar com o Governo de Aznar. Os jornais espanhóis estão a avançar a informação com base num documento encontrado no computador de um dos presumíveis autores do atentado.

(...)

O documento, encontrado no computador do terorista, refere que era muito importante acabar com o Governo de Aznar. "Aqueles que se espanataram com a rapidez da nossa reivindicação sabem que elea respondeu a certas circunstâncias. No caso de Madrid, o factor tempo era muito importante, para poder pôr fim ao governo do ignóbil Aznar", é uma das passagens do texto citada pelos jornais espanhóis.

(...)


[FMS]

A prova que faltava II




Onde se prova a comparência, na festa dos Quase Famosos, do dream team conservador (The Earl of Stockton MEP, Roger Scruton PhD e, como DJ, Boris Johnson MP) à volta do liberal Luciano "Excelente" Amaral (com a t-shirt liberal).


[DBH]

sábado, julho 16, 2005

A prova que faltava




Rodrigo Moita de Deus desfila na festa do Quase Famosos com a moda para este Verão entre os conservadores: t-shirts com os nomes de autores liberais mal escritos. Noutros modelos poderemos encontrar Nozick sem o "c" e Mises com "z".

Na foto, RMD é ladeado, à sua direita, por Diogo de Belford Henriques e, à sua esquerda, por Eduardo Nogueira Pinto e por este que assina, demasiado pálido para a camisa havaina que resolveu envergar, a qual lhe dava um certo aspecto paradoxal de surfista da Cornualha.

[FMS]

É um facto

Rodrigo Moita de Deus apareceu na festa do Quase Famosos ostentando uma t-shirt com os dizeres "Hayeck Rules" (frente) e "I'm a liberal and not a Marxist because I read another book" (costas). As provas fotográficas serão publicadas brevemente.

[FMS]

sexta-feira, julho 15, 2005

Ultimamente o Acidental tem-me sabido menos bem

Henrique Raposo volta a atacar. Desta vez os alvos são Chiraque, os gaulistas e - o que naquela cabeça parece ser sinónimo - os reaccionários.
Henrique, uma coisa é insultares pessoas estrangeiras, que não escrevem neste blog e tão pouco te lêem. Outra, bem diferente, é desrespeitares alguns bons convidados acidentais a pretexto de dar uma castanhada no Chiraque. Francamente, Henrique! Com excitações destas, nem pareces um liberal clássico.



[ENP]

E para o fim-de-semana um poste à AAA em género de teatro vitoriano daqueles que às vezes rima

Primeiro acto
(a denúncia)

Insurgentes e blasfemos no palco. Entra o RMD.

AAA (sussurrando) - Lá vem o Moita com a mania que é Deus. Criatura que por não ler livros tem a audácia de gozar com os meus.
RAF - Lá vem ele gingando a pena. Aquele sacana emproado posta barbaridades e deixa o nosso mundo indignado.
AAA (grita de dedo esticado) - Charlatão, cabotino, falso profeta, Burlão vigarista, socializado! Fraco ideológico e péssimo humorista. O moita tem de ser denunciado!
Deus (bastante envergonhado) - Calma, calma, calma, sou amigo e do vosso lado. Só não gosto é da doutrina do livro importado.
AAA (descontrola-se e fica exaltado): Blasfémia! Queimem os infiéis!
CAA (incomodado) - Calma digo agora eu! Que a criatura de blasfemo não merece ser reputado.
AAA (para o RAF olhando amolado) – herege? Idolatra? Pagão?
CAA – Isso não é grave. O problema é a nação!
RAF – só nos calabouços encontrará a redenção.

Fim de cena. Entra a polícia e leva Deus para a prisão.

Segundo Acto
(a acusação)


Assistência preenchida. Miranda preside ao colectivo. Deus sentado no banco dos réus. AAA, procurador:

AAA (lendo) – Esta besta que aqui está é pior que um conservador…
Todos – Haaaaaaaaa!
AAA – é reaccionário, socialista, socializado, provocador. Enfim, um agente destabilizador. Democrata cristão, social democrata e eventualmente social cristão ou qualquer coisa assim. A besta não tem pensamento com princípio e fim. Entre vários outros ultrajes, elogiou o estado o salário mínimo e o direito ao ordenado. Terá mesmo falado na função social do trabalho.
CAA (interrompendo) – Esse gajo é do reviralho! E mais não digo que nas letras levei um enxovalho.
Miranda – é o fim do libelo acusatório?
AAA – Não. Há pior! O homem fez o nosso contraditório.
Gabriel – é um agitador! De graçola a tira colo armado…
CAA (interrompe) – e consta que gosta de ouvir o fado!
AAA (com a interrupção maçado) – …ainda que bem intencionado, tem um pensamento muito mal estruturado.

Terceiro acto
(a sentença)

Miranda (solene) – Chamem a testemunha
RAF – Ò mestre contra ele nada tinha, até o ter visto recusar uma francesinha
Todos – Òhhhhhhhhh! Estamos indignados!
Miguel (gritando) – anti Cristo, mata frades
CAA – Calma! Os seus talentos não precisam de ser elogiados!
RAF (prosseguindo) – De Hayck nem na ortografia!
AAA – Custa-me acreditar que há com isso quem se ria.
RAF – Nunca vi tamanha heresia! Não é da canhota nem de direita. Está confuso e não sabe o que pensar. É um indefinido mas impossível de doutrinar.
Todos – malandro! malandro! malandro!
RAF – Pouco mais sei que o que já se sabe na praça. Julga que tem talento mas estes letrados não lhe acham graça.
Miranda - E que declaram vocês sobre o réu:
Todos - Culpado Culpado Culpado!
RAF – Benfiquista! E com isto fica tudo explicado!
Miranda – Concordo. Para saber o que fazer vamos abrir o livro sagrado.
(entra o Miguel empunhando um Hayeck dourado)
Miranda – Diz aqui no venerável que homem não liberal terá de ser devidamente castigado. Moita de Deus estás condenado! Ficas proibido para sempre de cantar o embuçado.

Deus – Mas meus caros amigos: exijo ser inocentado! O meu pensamento anda por aqui todo escarrapachado. Nunca vos levei ao engano (Ainda que por vezes as minhas palavras tenham a rasteira do cigano). Nem sinto que tenha muito mais para escrever. A culpa não é minha que vocês não o saibam ler. Bonaparte, Guevarra, Lenine, Hitler…todos tentaram mudar o mundo e fizeram-no assim. Eu morrerei feliz, se o mundo não me mudar a mim.

[Rodrigo Moita de Deus]

António Mega Ferreira e Pedro Mexia nas "Noites à Direita" de Setembro














NOITES À DIREITA
projecto liberal

António Mega Ferreira já aceitou o convite para participar nas "Noites à Direita" de Lisboa e, em Setembro, será o grande agente provocador de uma conversa sobre "A Direita e a Cultura", uma relação que nem sempre tem sido fácil. Pedro Mexia dirá depois de sua justiça, seguindo-se um debate alargado à assistência e aos promotores (António Pires de Lima, Filipa Correia Pinto, Leonardo Mathias, Luciano Amaral, Manuel Falcão, Paulo Pinto Mascarenhas, Pedro Lomba e Rui Ramos). Ainda em Setembro, está também prevista uma primeira sessão das "Noites à Direita" no Porto.

Contamos com todos.

[PPM]

É hoje!

É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje! É hoje!

[FMS]

Mind the Gap, Chirac

1. Por vezes, perdemos a cabeça com a França. E, em consequência, deixamos cair obuses cabeludos: “França é isto e aquilo”. Quando fazemos isso, estamos a ser injustos. A França, apesar da “vontade geral”, não é um bloco uno e indivisível. O problema não é a França em si mesmo, mas sim alguns franceses. Destes franceses problemáticos, destaco, obviamente, os gaulistas. Em 2005, Chirac só pode ser definido com um termo: reaccionário. É tão reaccionário como Carvalho da Silva.

2. Como bons reaccionários, os gaulistas, quando perdem, não escondem a raiva visceral que sentem por aqueles que não aceitam os desideratos de Paris. Dois exemplos. Exemplo político: quando a Europa de leste optou pelo “Atlântico”, Chirac nem se preocupou em disfarçar o histerismo reaccionário: “era melhor se estivessem calados”. Nada de espantoso: reaccionário que se preze tem de ser histérico. O reaccionário não pensa. Grita. Exemplo social: no dia 6 de Julho, Londres “venceu” Paris (Jogos Olímpicos). Caiu o Carmo e a Trindade lá do sítio. Quando perde, o gaulista – o herdeiro de direita de 1789 – espalha as culpas por toda a gente. Aliás, o gaulista, quando perde, faz uma espécie de milagre da multiplicação, não de pães mas de culpas. E, no dia 6, um pedacinho de culpa foi enviado a tudo o que se mexia. Calculo que os marcianos do filme também receberam a sua cota parte de bílis francês. As culpas até aterraram no colo da velhinha do talho. Em suma, o gaulista critica tudo, menos o seu umbigo. Um umbigo cheio de cotão, por sinal. Os gaulistas nunca são capazes de fazer a seguinte pergunta: “que fizemos nós de errado?”. A auto-crítica é uma impossibilidade da psique gaulista. Quando perde, o gaulista vai vomitar ódio pelo mundo num bar pseudo-conspirativo. Alguém deveria dizer aos tipos que os bares servem para beber uns copos e não para refazer o mundo em cinco minutos.

3. Um amigo argentino conta-me sempre esta piada: “os argentinos são os franceses da América do Sul. Sabes como é que um argentino comete suicídio? Escala o seu enorme ego. Sobe até ao alto. E depois atira-se. Sabes como é que morre? De fome, durante a queda”. Não sei se isso serve para todos os franceses, mas é, sem dúvida, o retrato perfeito dos gaulistas.

[Henrique Raposo]