Fundado por Paulo Pinto Mascarenhas


Ana Albergaria
Bernardo Pires de Lima
Diogo Belford Henriques
Eduardo Nogueira Pinto
Francisco Mendes da Silva
Henrique Raposo
Inês Teotónio Pereira
Jacinto Bettencourt
João Marques de Almeida João Vacas
José Bourbon Ribeiro
Leonardo Ralha
Luciano Amaral
Luís Goldschmidt
Manuel Castelo-Branco
Manuel Falcão
Nuno Costa Santos
Paulo Pinto Mascarenhas
Pedro Marques Lopes
Rodrigo Moita de Deus
Tiago Geraldo
Vasco Rato
Vitor Cunha


Logótipo Acidental concebido por Vitriolica. Grafismo gerado por Miss Still.


Acidental Long Play


Direita Liberal


O Acidental


Público

TSF

Lusa

Associated PressReuters


A Causa Foi Modificada
Bomba Inteligente
O Espectro
Educação Sentimental
A Vida em Deli
Futuro Presente
Aos 35
Vitriolica Webb's Ite
A Sexta Coluna
Tristes Tópicos
Some Like It Hot
Xanel 5/Miss Pearls
Crónicas Matinais
Rititi
Mood Swing
19 meses depois
Serendipity
A Propósito de Nada
The world as we know it
Minha Rica Casinha
Da Literatura
Tradução Simultânea
Contra a Corrente
O Estado do Sítio
Geraldo Sem Pavor
Acho Eu
A Arte da Fuga
O Sinédrio
Blue Lounge
Portugal Contemporâneo
A cor das avestruzes modernas
Kapa
Snob Blog

E Depois do Adeus
Margens de Erro
Nortadas
Office Lounging
No Quinto dos Impérios
Teorema de Pitágoras
What do you represent
Esplanar
Quase Famosos
Melancómico
Vício de Forma
João Pereira Coutinho I
João Pereira Coutinho II
Retalhos da Vovó Edith
Blogue dos Marretas
Lóbi do Chá
O Insurgente
A Mão Invisível
A Esquina do Rio
Voz do Deserto
Desesperada Esperança
Homem a Dias
Blasfémias
Origem das Espécies
Babugem
Ma-Schamba
Rua da Judiaria
Fuga para a vitória
Mar Salgado
A Ágora
Miniscente
A vida dos meus dias
Elasticidade
Causa Liberal
O Telescópio
Grande Loja do Queijo Limiano
O Intrometido
Carambas
Mau Tempo no Canil
Lobby de Aveiro
Bar do Moe
Adufe
Bloguítica
Tau-tau
Incontinentes Verbais
Causa Nossa
elba everywhere
O Observador
Super Flumina
Glória Fácil
Metablog
Dolo Eventual
Vista Alegre
Aforismos e Afins
A Cooperativa
Semiramis
Diário da República
Galo Verde
Ilhas
french kissin'
Bicho Carpinteiro
Portugal dos Pequeninos
Foguetabraze
A Invenção de Morel
Aspirina B
O Boato
O Vilacondense
O amigo do povo
O Insubmisso

Aviz
Barnabé
Blog de Esquerda
Fora do Mundo
Jaquinzinhos


Powered by Blogger


Google

quinta-feira, junho 30, 2005

In memoriam

Não escrevo nada sobre o fim do Barnabé, não vá alguém acusar-me de não respeitar a memória dos blogues no momento em que desaparecem.

[PPM]

New blog in town

DIREITA LIBERAL, o blogue das "Noites à Direita". Ver notícia
aqui e a opinião de António Pires de Lima.

[PPM]

Organizem-se!

Ainda à volta do tema do sexo, há esta notícia: diz-nos um artigo da Nature que a redução da poluição pode aumentar o aquecimento global (como se diz em Cuba ou Guantánamo: Ay, caliente!).
Bem, vamos lá a ver se nos organizamos… É que há muito coração amigo do planeta que pode ficar agora cheio de dúvidas. E o que vai passar a fazer a Quercus? Incitar ao uso do automóvel? À reabertura de siderurgias? Ao uso feroz do carvão? Muito petróleo? Bush vai passar a ser o Presidente americano mais amigo do ambiente? Texano Tóxico, e ainda bem?
E eu? O que faço agora, para continuar a aquecer o planeta? Tornar-me ambientalista? Que horror!!
[Luciano Amaral]

Guantanamera

E depois há sempre o tema inesgotável de Guantánamo. Tem também uma certa componente sexual… Não sei… aqueles homens todos acorrentados com uns fatos-macaco cor-de-laranja, lançando-se pela sanita a apanhar exemplares do Corão, enquanto soldados lhes batem furiosamente… Não sei, há aqui qualquer coisa…
Independentemente disso, parece que está provado haver maus-tratos em Guantánamo. E quem são as principais vítimas? Os próprios soldados que fazem a guarda. Só uns exemplos:

Many of the orange jumpsuit-clad detainees fight their captors at every opportunity. They attack guards whenever the soldiers enter their cells, trying to reach up under protective face masks to gouge eyes and tear mouths. They make weapons and try to stab the guards or grab and break limbs as the guards pass them food. These terrorist prisoners openly brag of their desire to kill Americans. One has promised that if he is released he would find MPs in their homes through the Internet, break into their houses at night and 'cut the throats of them and their families like sheep.' These recalcitrant detainees are known euphemistically as being "non-compliant.

Enfim… Assim segue a vida neste paraíso sadomasoquista tropical.
[Luciano Amaral]

2005, Année Érotique

Vai realizar-se, a partir de hoje e até domingo, o I Salão Erótico de Lisboa. Trata-se de uma (a)mostra seminal (!) versando os mais diversos aspectos da sexualidade, na sua espantosa variedade: do gay ao fetichista, passando pelo sadomasoquista e o voyeur, todos têm direito ao seu cantinho. E há ainda as mostras artísticas e os ciclos de cinema. É assim, digamos, como que uma Festa do Avante especializada – aliás, porque não chamar-lhe mesmo isso, a “Festa do Avante Camarada”; diálogo típico: “ó camarada, posso?”, resposta: “Claro, Avante Camarada!”.
O evento é meritório, sobretudo tendo em consideração a justificação dada pelo organizador, Julio Simón. Diz-nos Júlio que espera no Salão “uma pirâmide (!) de idades muito diversa, desde jovens a idosos que queiram ser introduzidos (!!) nos meandros (!!!) do mercado do sexo”. Afinal, que coisa mais adequada para a nossa actual condição, nós que somos introduzidos nos meandros e mal pagos?
[Luciano Amaral]

«Estudos sobre o santanismo

Sim, é bem mais forte do que ele. Mesmo depois da queda de Santana, Pacheco Pereira continua, por via indirecta, a sua saga anti-santanista. Pode-se mesmo começar a concluir que Santana Lopes fascina tanto Pacheco como o recém-falecido Álvaro Cunhal (e que o seu próximo trabalho de fundo intitular-se-á Estudos sobre o Santanismo). Num post recente do Abrupto, o intelectual social-democrata (?) defende que não se deve fazer qualquer tipo de comparação entre as gafes e as trapalhadas do Governo de Sócrates e as gafes e as trapalhadas do Governo de Pedro e Paulo. Porque, considera, aquelas são muito menos graves – e essenciais – do que estas foram. (Calem-se, pois, os miúdos que seguem essa via de facilidade).

Antes de mais, convém sublinhar uma evidência: se Pacheco Pereira não tivesse sido tão fundamentalista nas suas perseguições ao carácter (ah, que saudades dos tempos em que ouvia Pacheco Pereira dizer que é importante aceitar os homens tal como são - nas suas virtudes e defeitos) de Santana Lopes (e de Portas), seria o primeiro a fazer esse tipo de comparação.

Porquê? Simples. Muito simples, até. Porque é uma comparação inevitável. E justa. Ora vejamos: se se criticou tanto uma postura de falta de rigor, exige-se agora a quem fez as críticas o máximo rigor – em questões tão fundamentais como o Orçamento de Estado. Se se criticou tanto a descoordenação entre o primeiro-ministro e os ministérios exige-se que agora o primeiro-ministro e o ministro das Finanças não andem desencontrados em termos de intenções e declarações (como aconteceu sobretudo no início). Se se criticou tanto a demagogia e o populismo, é legítimo que se critique quem, durante o período eleitoral, defendeu uma coisa em termos de impostos, e, ao primeiro aperto, executou outra completamente diferente


Nuno Costa Santos, essencial, diariamente n' "A Capital".

[FMS]

quarta-feira, junho 29, 2005

Considere-se convidado


“Noites à Direita” tem o prazer de o convidar para participar no debate “A Direita e a Liberdade”, pelas 20h30 do próximo dia 5 de Julho, no Café Nicola, em Lisboa. Vicente Jorge Silva é o agente provocador de uma conversa sobre a direita, para discutir tudo. O director do “Diário de Notícias”, Miguel Coutinho, vai tentar moderar as vozes de António Pires de Lima e de todos os outros convidados, incluindo a sua. Contamos consigo.


São promotores António Pires de Lima, Filipa Correia Pinto, Leonardo Mathias, Luciano Amaral, Pedro Lomba, Rui Ramos e este vosso escriba.
Façam o favor de não faltar.

[PPM]

Exactamente, Pedro

O calendário do aborto
Porque está em causa um drama que afecta dezenas de milhares de mulheres, o referendo sobre o aborto deveria ser feito fora do ambiente histérico das campanhas eleitorais, longe da guerra dos partidos

Editorial de Pedro Rolo Duarte no "DN" de hoje

[PPM]

Política séria

"Há uma lei que tem de ser cumprida"
Maria José Nogueira Pinto

(provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa)

Diário de Notícias de hoje

[PPM]

O aborto como arma de diversão


PS recupera aborto para tentar calar a esquerda
Diário de Notícias de hoje

[PPM]

O Acidental à escuta

O uso de “liberal” ou “neo-liberal” para descrever pejorativamente as auto-correções do Estado Social tem sido muito útil aos interessados na manutenção do regime. A identificação do liberalismo como uma simples tendência sádica para cortar e restringir, permite-lhes evadir a verdadeira questão levantada a partir das tradições liberais: a possibilidade de elaborar um outro modelo social, assente na responsabilização dos cidadãos, e não no arbítrio do Estado. Infelizmente, os elementos não-socialistas da actual classe política não estão dispostos a assumir os debates necessários para desfazer o equívoco. Resta apenas um pequeno número de comentadores que, com um estoicismo quase incompreensível, não se importam de ser insultados ou ignorados. É pena. Porque seria interessante podermos finalmente dispôr, no horizonte da nossa política, de um liberalismo que não fosse o Estado Social contrariado, mas o contrário do Estado Social.

Rui Ramos, no Diário Económico de hoje


[PPM]

Ressentimentos, masoquismos e ingenuidades

Dois comentários - este do Luís do Elasticidade e este do Nuno das Avestruzes Modernas - chamam-me à atenção para o que poderá ser mais uma crítica indirecta do dr. Pacheco Pereira a alguns escribas d'O Acidental, entre outros, uma vez mais sem linque como também já se tornou um hábito da eminência parda da blogosfera central.

Em poucas palavras, o dr. Pacheco Pereira não admite nem tolera que "os apoiantes ferrenhos" do anterior governo façam agora uma caça às trapalhadas do actual gabinete, o que para ele nada mais é do que um exercício de ressentimento e de masoquismo, uma vez que apenas relembra as terríveis trapalhadas anteriores, que esses mesmos "apoiantes ferrenhos" terão silenciado.

Como primeiro comentário, só posso dizer que realmente o dr. Pacheco Pereira sabe bem do que fala quando fala de ressentimento, tanto em relação ao dr. Santana Lopes como no que diz respeito ao dr. Paulo Portas - o que o levou por vezes a perder a razão e a afirmar puras falsidades em plena campanha eleitoral (ver aqui, por exemplo). Falsidades que, diga-se, nunca rectificou nem reconheceu.

Sobre masoquismo, escreve também o dr. Pacheco com total conhecimento de causa, ou não tivesse sido aliado objectivo e muitas vezes liderante da oposição ao Governo em que era maioritário o partido a que pertence. Como não foi capaz de evitar internamente a ascensão do dr. Santana à presidência do PSD, utilizou sem qualquer prurido a vasta plataforma de opinião pública que por direito próprio conquistou para atacar de todas as formas o governo da anterior maioria. Um masoquismo partidário que aliás o próprio dr. Pacheco Pereira reconheceu ao queixar-se recentemente - e algo ingenuamente - que a comunicação social não amplifica as suas críticas a este governo do PS como o fazia no passado recente.

Quanto ao conceito de legitimidade para governar - inclusivamente para praticar trapalhadas -, o dr. José Pacheco Pereira terá o dele, que não coincide com o da letra da Constituição, mas, reconheça-se, é largamente partilhado por outras sumas autoridades do regime, como é o caso do Presidente da República, militante do PS, assim como por todos os dirigentes socialistas - e também do PCP e do BE. Cada um escolhe as suas companhias políticas.

Finalmente, compreenderá o dr. Pacheco que nem todos os "apoiantes acérrimos" dos anteriores governos PSD/CDS - "anteriores", escrevi propositadamente, e não somente "anterior" - puderam comentar longa e afincadamente as trapalhadas passadas, ainda que também fossem obviamente constatando algumas delas, até porque tinham obrigações de solidariedade política e não são comentadores profissionais, como é o caso absolutamente legítimo do dr. Pacheco Pereira.

[PPM]

Diga lá outra vez

Não sei porquê, mas de cada vez que o Ministro das Finanças fala em "evasão fiscal", eu percebo sempre "invasão fiscal".

[FMS]

Give me a fucking break!

Isto anda absolutamente insuportável. A televisão, a rádio, as esplanadas, o metro, as casas de banho públicas, os corredores cá de casa. Por todo o lado aparecem senhores de gravata cinzenta, pele descuidada e dedo em riste. Em todo o lado se fala de despesas cativas, agências de rating, escalões do IRS, cabimento orçamental, programas de estabilidade, subsistemas de protecção familiar, políticas activas de emprego e outras coisas praticamente indizíveis. Não se percebe como é que o Sr. Presidente desta coisa lamentável, depois de tantos meses a meter o bedelho e a dar instruções, ainda não fez a pergunta que se impõe e para a qual tem competência: "Então e gajas?". Perdoem-me o francês, mas este país anda seriamente a precisar que o levem às putas.

[FMS]

terça-feira, junho 28, 2005

O Lenine da nova esquerda

Eu não sou o Daniel Oliveira. Aliás, ele é que não sou eu. Ou melhor, ele diz que ele não é como eu. Já esse Bruno é que é o grande inimigo da classe operária e dos jovens trabalhadores, intelectuais e restante proletariado















[PPM]

O Acidental à escuta

Blogger que se preze, de Adolfo Mesquita Nunes, sobre a memória, ou a falta dela. No excelente A Arte da Fuga.

[PPM]

Para que não restem dúvidas

Em nenhum caso pretendi pôr em dúvida a honorabilidade e o profissionalismo dos jornalistas responsáveis pelas notícias publicadas na semana passada na revista "Visão" ou no semanário "Expresso" sobre o chamado "caso Freeport". A conspiração a que me refiro aqui nada tem a ver com quem investiga e escreve as histórias, mas com as respectivas fontes.

[PPM]

Diário das Trapalhadas (Rectificações ao Rectificativo)

Orçamento Rectificativo
Campos e Cunha admite «deficientes classificações»

[PPM]

A maldição de Yoko...

...parece pairar sobre O Acidental. Será que hoje ninguém escreve nada?

[PPM]

O tri-partido

Digam o que disserem, isto só acontece porque, ao contrário de uma certa ilha, vive-se em Democracia.


Emilio Perez Touriño festeja a "vitória" frente a Fraga Iribarne.

Fraga Iribarne - 37 mandatos (45% dos votos)
Perez Touriño - 25 mandatos
Anxo Quintana - 13 mandatos

[JBR]

segunda-feira, junho 27, 2005

Yoko já não cantava

Não pretendia intrometer-me nos assuntos privados da Plastic Ono Band, mas já que o especialista FMS abordou o tema, não queria deixar de dizer que também lastimo o abandono da estrela mais hard da esquerda blogosférica, ainda que fossem cada vez mais raras as suas actuações ao vivo neste registo.
Os novos vocalistas, nomeadamente o que chegou a dar em tempos fantásticas Cartas de Londres, ameaçavam o seu predomínio nas letras e não podiam deixar de ser severamente criticados ao fazerem aquilo que até ao momento ninguém se tinha atrevido por aquelas bandas: atacar directamente o nome consagrado de John Francis Lennon Louçã. Nem sempre é fácil aguentar o pluralismo musical a várias vozes, sem sair do tom e sem desafinar.

[PPM]

O Acidental à escuta


O mistério da coragem do primeiro-ministro José Sócrates. Ou a falta dela
Rui Ramos, no Portugal Diário

[PPM]

Não voltaram a acreditar

"Voltar a Acreditar" era o slogan que servia de lema à campanha do candidato José Sócrates nas últimas legislativas, lembram-se? Dizia então o actual primeiro-ministro que não iria aumentar os impostos e que iria cumprir essa promessa ao contrário do outro que tinha prometido o mesmo e não o tinha cumprido, lembram-se?
Pois bem, ficamos agora a saber por esta sondagem do "Diário de Notícias" - mas também por outras - que os portugueses não voltaram a acreditar. Ou pior, já não acreditam em coisa alguma.
Estão descontentes e desolados.

[PPM]

Música nova dos Quase Famosos

Como eu fiquei algures nos anos 70 do século passado, a partir de hoje a música d' O Acidental tem a garantia de qualidade de um - ou de dois? - dos Quase Famosos, mais precisamente do muito famoso Francisco Mendes da Silva, nosso ilustre convidado acidental. Falta saber se o Eduardo também tem tempo para ajudar no som.

[PPM]

O "Caso Freeport", o "Expresso" e a "Visão"

Não sei se leram a revista "Visão" da semana passada em que se dissertava muito oportunamente sobre a "história de uma conspiração" para envolver o Eng. José Socrates no chamado "Caso Freeport". Não sei se leram o "Expresso" da semana passada, fez sábado oito dias, em que se dissertava oportunamente sobre a "história de uma conspiração" para envolver o Eng. José Socrates no chamado "Caso Freeport". Em ambas as publicações da Edimpresa se dizia que o documento onde constavam as ordens de busca da Polícia Judiciária teria sido falsificado para incluir o nome do Eng. José Sócrates e da sua mãe. Envolviam-se nessa alta conspiração diversos nomes, entre os quais o do jornal "O Independente".

Pois bem, leiam comigo o que se escreve no mesmo jornal "Expresso" deste sábado (texto copiado ao Francisco da Grande Loja dos Trezentos):

"Foram então lançadas suspeitas de que o documento teria sido falsificado - o que não se confirma. "É verídico. Trata-se do plano de missão para as buscas", disse ao Expresso Carlos Anjos, presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal"

Agora descubram onde é que estava e quem organizou a "história de uma conspiração". Adivinhem também quem poderá ser agora processado por difamação.

[PPM]

Como é que os líderes africanos gastam o nosso dinheiro

A não perder, na última Spectator, bem a propósito das eleições presidenciais na Guiné-Bissau.

[PPM]

Diário das Trapalhadas (Finanças Públicas)

Contas do Orçamento não batem certo
Diário Económico de hoje [sem linque]

[PPM]

São mesmo 17

Ainda a propósito das dezassete secretárias pessoais do Eng. José Sócrates:

«Os factos revelam - e contra factos não há argumentos - que no Diário da República foram publicadas 17 nomeações para secretárias pessoais do gabinete do engenheiro José Sócrates. O primeiro-ministro diz uma coisa, mas na prática faz outra», conclui Luís Montenegro, acusando o chefe de Governo de incoerência e de «tentar iludir as pessoas».

(...)

O primeiro-ministro considerou «ridícula» a polémica levantada pelo PSD, insistiu que só tem três secretárias e que as restantes foram nomeadas para os seus chefes de gabinete e adjuntos.

Sócrates disse ainda que fez as nomeações por não querer ficar com as secretárias de Pedro Santana Lopes. «Com as secretárias de Pedro Santana Lopes é que não ia ficar», declarou José Sócrates aos jornalistas no final do debate mensal no Parlamento sobre o tema da educação.


Afinal de contas, são mesmo 17, caro comentador MC.

[PPM]

Pink map

Que estranheza poderá causar a possibilidade de a Inglaterra ter um líder conservador e, porventura, um Primeiro Ministro tão abertamente e orgulhosamente gay? Afinal de contas, foi a própria Inglaterra que, nos tempos mais pios e moralistas da era vitoriana, quis pintar o mundo inteiro de cor-de-rosa.

[FMS]

Yoko abandona a Plastic Ono Band

A tentação poderá ser a de dizer o contrário. Aliás, dizer o contrário seria muito mais engraçado e entusiasmante. Há até uma pontinha de revanchismo infantil pelos tempos azougados que levaram ao fim da Coluna. Mas esta é uma grande despedida. E devemos ser nós, aqui n'"O Acidental", os primeiros a assumir que o Daniel, o primus inter pares dos nossos adversários blogosféricos, se portou como um homenzinho.

[FMS]

Chat acidental

Alguns elementos da CT queixaram-se que não estiveram presentes quando a proposta de jantar foi votada pelo que, como não queremos uma greve ou reduzir O Acidental aos serviços mínimos (leia-se, aos posts do Deus), o jantar fica marcado para a próxima segunda-feira. Detalhes, passe o galicismo, e informações sobre o local com o PPM.

[DBH]
(Dois posts sem fotos... daqui a pouco ainda começo a escrever sobre o Hayek)

Chat acidental

No almoço da passada sexta-feira falou-se sobre três assuntos (sim, Habermas foi um deles) e tomou-se uma decisão: Jantar Acidental amanhã, terça-feira.

Mais informações com o dono desta nossa casa.

[DBH]

domingo, junho 26, 2005

Exclusivo Acidental: "Noites à Direita" abrem já no próximo dia 5 de Julho no Café Nicola

Segue o convite:

“Noites à Direita” tem o prazer de o convidar para participar no debate “A Direita e a Liberdade”, pelas 20h00 do próximo dia 5 de Julho, no Café Nicola, em Lisboa.
Vicente Jorge Silva é o agente provocador de uma conversa aberta a todos, sem sentido único, mas virada à direita.
O director do “Diário de Notícias”, Miguel Coutinho, vai tentar moderar as vozes de António Pires de Lima e de todos os outros convidados, incluindo a sua.

Contamos consigo.

[PPM]

Questão prévia

Marques Mendes atingiu a liderança do PSD com a intenção de fazer regressar o partido ao centro-esquerda mas desde que a actualidade chegou ao défice o discurso parece mais o de um deslubrado neo-liberal. Segundo as notícias dos últimos dias, o que o Presidente do PSD julga ser a sua missão terrena é levar o país político a investigar e estabelecer com rigor quais as funções que devem caber ao Estado. Como costuma dizer o nosso Primeiro Ministro, pois bem: Marques Mendes já definiu que nos quer governar, que quer ser a mais importante figura executiva do Estado, mas não tem ainda uma ideia definida sobre as funções que, na sua humilde opinião, esse mesmo Estado deverá exercer. Costuma acontecer em Portugal. A todos os políticos. Em todos os partidos. Não se trata de uma questão adjectiva ou circunstancial. Não é do traçado de uma autoestrada ou da localização de um aterro sanitário que estamos a falar. A definição do papel do Estado é um problema essencial e pressuposto de muitas soluções para problemas concretos. É, nesse sentido, um problema radical, em cuja resposta se desenham os perímetros de todas as doutrinas políticas modernas. Ninguém deveria sequer expressar o mero desejo de exercer a autoridade sobre os outros sem possuir uma ideia clara sobre qual é o fim último desse exercício. Se Marques Mendes quiser, posso emprestar-lhe a minha convicção, até porque é a que muito boa gente vem defendendo há séculos. O Estado, como essa boa gente sabe, serve, na sua essência, para promover a defesa das nações e a segurança dos indivíduos e dos seus direitos, para providenciar pela administração da justiça retributiva e distributiva (esta última apenas nos dias de maior filantropia), pela separação do lixo e para impedir que a música portuguesa passe nas rádios. Não há grande volta a dar-lhe.

[FMS]

As mulheres trazem outra sensibilidade à política e tal



Manuela Augusto, que disputou a Sónia Fertuzinhos a liderança do Departamento Nacional das Mulheres Socialistas (DNMS), contesta os resultados provisórios da eleição, que apontam para a vitória da actual presidente. Segundo dados divulgados ontem pela Comissão Técnica Eleitoral (CTE), Fertuzinhos foi reeleita, com 2181 votos, contra 2128 da lista B. Manuela Augusto admite impugnar a votação, afirmando que a sua candidatura detectou "erros gravíssimos" na contagem dos votos.

[FMS]

sábado, junho 25, 2005

Nos territórios ocupados

No piso inferior do Lux, enquanto a fauna habitual observava a actuação dos Captain Comatose:

Ele: "Olha..."
Ela: "Sim..."
Ele: "Vamos ser muito reaccionários?"
Ela: "Como?..."
Ele: "Beija-me, aqui e agora".

[FMS]

sexta-feira, junho 24, 2005

Mamã! Mamã!

Eu percebo que O Acidental albergue gente de sensibilidades distintas e que seja essencialmente um espaço de liberdade. Mas convinha que nas eleições autárquicas de Lisboa se verificasse alguma fidelidade institucional, algum bairrismo blogosférico. O Acidental deveria dar o seu apoio oficial à luta que oporá o Eduardo Nogueira Pinto, seu ilustre colaborador, a esse temível candidato com campanha já em marcha, o Sr. Diniz Maria Guimarães Carrilho. Dada a dureza do combate e os métodos já utilizados, não será de excluír, para já, um filme com a família do nosso candidato.

-"Em quem vamos votar, Eduardinho?"
-"Mamã! Mamã!"

Fica a ideia.

[FMS]

You’re so vain…

…you probably think this post is about you…
[Luciano Amaral]

Tantos que eles são!

Quem, ao tempo, não deu o seu calduço em Luís Delgado por ele defender os governos da coligação de direita de forma canina, em particular no tempo do seu amigo Pedro Santana Lopes? Ficou então justamente famosa a sua capacidade para defender o indefensável. Mas o Luís Delgado era um.
Hoje, os seus sucessores são uma multidão. Aliás, Luís Delgado volta hoje a destacar-se, mas pela razão contrária: é dos poucos que ataca o governo. Tanto que lhe bateram e agora reproduzem o comportamento. Mas em pior: Delgado defendeu governos de direita com uma política de direita (tímida, mas de direita); os novos Delgados defendem um governo de esquerda com uma política igual ou pior (do ponto de vista da esquerda) à dos anteriores governos de direita e que ostenta uma arrogância a que nem sequer o Prof. Cavaco se permitiu.
É bonito ver tanta gente amante da liberdade subitamente convertida às maravilhas da autoridade.
[Luciano Amaral]

Diário das Trapalhadas (Assuntos Correntes *)

No gabinete de Sócrates, ontem à tarde.

Secretária nº 1:
- Sim sr. primeiro-ministro, já lhe trago o chá, é só chamar ali a nº 2 ou a nº 3, que eu tenho de levar estes fatos à lavandaria.
Secretária nº 3:
- Calma que já mando tratar do cházinho. A nº 2 está a engraxar os sapatos do sr. engenheiro e a nº 4 foi à farmácia com a nº 5, anda cheia de enxaquecas desde que veio para aqui, não sei se é dos afrontamentos, coitada, e a 7 saiu para comprar a gravata bege para o Debate da Nação.
Secretária nº 8 (a ver o Canal Parlamento):
- O Santana sei quem é muito bem, até o acho giro, mas quem era esse tal do Frei Tomás?
Secretária nº 10:
- Não era aquele que aconselhava o camarada Guterres nos assuntos religiosos?
Secretária nº 9:
- Não, esse era o Melícias, menina, não vês que é uma boca do deputado do PSD por causa de sermos 17? É só inveja, pudera. Mas falando em 17, onde está ela, não me digas que foi outra vez para a varanda com a nº 11 e a nº 12…
Secretária nº 13:
- Eu, pelo menos, estou sempre cá, para o que der e vier. Nunca saio antes das 4 da tarde…
Secretária nº 15:
- Também, olha, somos bem úteis ao país, não percebo nada desta gente que se queixa de sermos dezassete, não querem ver que temos tanto serviço…
Secretária nº 14 (a coser um botão da camisa Armani do Engenheiro):
- Também ele tem de andar sempre aprumado, isto não é só escrever à máquina, ainda hei-de aprender a mexer nesse computador, nunca se sabe quanto tempo dura isto….
Secretária nº 1:
- E o chá, meninas, já alguém tratou do chá?
Secretária nº 16:
- Chá, qual chá, para quem é o chá?

* “Só no gabinete do primeiro-ministro foram feitas 17 nomeações para secretárias pessoais. Bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz”, criticou ontem o deputado do PSD, Luís Montenegro, recordando críticas de José Sócrates à composição do gabinete de Pedro Santana Lopes, quando este era primeiro-ministro.

[PPM]

quinta-feira, junho 23, 2005

D. Manuel Fraga

Por falar em eleições...



"Quedan los rabos por desollar, pero no os preocupéis".

Que assim seja!

[José Bourbon]

Coisas da vida

A minha filha mais velha não sabe tomar conta do tamagochi. Ainda há bocado tive de limpar um cócó do bicho, que se pôs a saltar de alegria. Estou a começar a gostar dele.

[PPM]

Ponto de ordem!

Posso pedir-vos que acabem com esta m****, mais esta e ainda esta? É que já chateia e não leva a lado nenhum. Há eleições para ganhar daqui a quatro meses, lembram-se?????!

Um abraço a todos e um beijinho grande à FCP

[José Bourbon]

A cupidez sindical

1. Há dias, uma grande amiga pergunta-me:
- Quais serão os fundamentos ideológicos de um sindicato de professores que faz uma greve em época de exame?
Não achei resposta. Porque não há resposta para esta pergunta. A coisa é mais simples: o fundamento desta greve é simples cobiça humana; amor pelo “tacho”; incapacidade de ser-se cidadão.

2. A base “ideológica” destes sindicatos é o “tacho”. Estes sindicatos, que dominam o ministério da educação, representam o pior que há em Portugal: corporações que dizem fazer o “bem”, quando na verdade são o cancro de Portugal. Está gente já nem sequer se preocupa em disfarçar. Em época de exames, fazem uma greve!!! Como dizia Sarsfield Cabral, isto é completo e absoluto descaramento. Descaramento que mereceria uma resposta mais séria do governo. Dou um exemplo: há dias, Freitas do Amaral disse qualquer coisa como isto (sobre uma hipotética greve de funcionários do seu ministério):
- Vão fazer greve? Pois que façam, mas isto não fica assim.
Isto é fazer política. Isto é agir com legitimidade democrática. Gostaria de ter ouvido semelhante raspanete de Sócrates perante a afronta desta gente sem vergonha. Sem vergonha, sim senhora: os sindicatos gozaram com os alunos e, sobretudo, com os pais dos alunos, ou seja, com os cidadãos que pagam os impostos que servem de base para o imerecido salário da maioria dos professores do secundário. Pois. É que o ensino do secundário não está feito para os alunos, mas para o conforto dos professores.

3. Estas corporações não lidam bem com a legitimidade democrática. Só vêem legitimidade nos seus interesses corporativos. Estas corporações podem guinchar à vontade. Estão no seu direito. Mas o governo democraticamente eleito tem o dever de abafar esse “guincho” com um “grito” de legitimidade democrática, que também seria o grito dos cidadãos que estão fartos de serem gozados por gente sem vergonha.

4. Uma pergunta aos jovens professores (aqueles que estão desempregados ou que saltam de escola em escola todos os anos): para quando a revolta contra estes sindicatos que defendem a mediocridade instalada?

[Henrique Raposo]

Acidentalmente, há noventa anos atrás...



...Começava um genocídio. Hoje, disso pouco se fala. De facto, ainda no ano passado, em Abril, o mesmo país que realizou esse genocídio passou uma Lei que aumenta em dez anos a moldura penal para quem confirmar que tal genocídio existiu.

Esse país é nosso aliado, na NATO, encontra-se em estado de guerra declarada com um estado na UE e negoceia a entrada na nossa União.

Historicamente o assunto não é, ainda, claro. Mas não o será enquanto arquivos estatais com noventa anos continuarem fechados. Nesta história não há só "maus" de um lado e "bons" do outro. Mas para lá de terrorismos nacionalistas dos dois lados, houve um Estado que tomou decisões brutais. Mas continua, continuamos, a olhar para o lado.

Há, no entanto, quem o reconheça:

"Argentina, Armenia, Belgium, Canada, Cyprus, France, Greece, Italy, The Netherlands, Lebanon, Poland, Russia, Slovakia, Sweden, Switzerland, Uruguay and Vatican City.

European Parliament
Council of Europe, Parliamentary Assembly
United Nations Sub-Commission on Prevention of Discrimination and Protection of Minorities
The Association of Genocide Scholars
Union of American Hebrew Congregations
World Council of Churches
The League for Human Rights"

E Portugal? Qual é a nossa posição? E mesmo que o Governo não o reconheça, não poderá o parlamento ter a atitude de o lembrar neste ano?

Hoje, passam noventa anos desde o dia 23 de Junho de 1915, data do primeiro massacre de Harput (Kharpert).

Mais aqui. Para pensarmos.

[DBH]

Acidental à escuta



Sobre o fórum da TSF, aka comentários, escrito por Sua Senhoria Lord Silva:

"Sobre clichês, digo isto: a invenção dos blogs teve o efeito inverso da invenção do gramofone. Quando surgiu o gramofone, como você sabe, diminuiram os concertos amadores nas casas das pessoas: sua tia Otolina cantando trechos de Nabuco e fazendo mirrar as samambaias; sua prima Carolina tocando Lizst todo erradinho no piano; isso quase acabou por completo e tia Otolina passou a ficar sentadinha no sofá, enquanto a família ouvia Beniamino Gigli - o que muito aumentou o bem-estar do ouvido humano e a qualidade geral dos sons que são produzidos na terra. Claro, as caixas de som vieram estragar tudo isso - mas por um tempinho lá os gramofones criaram um periodozinho pretty dandy na história.

Pois bem: primeiro os jornais, junto com a educação compulsória, e depois os blogs, tiveram para a prosa o efeito contrário que o gramofone teve na música: e é como se a sua tia Otolina tivesse levantado do sofá toda empolgada, junto com a sua prima Carolina, para criar blogs. Expulsas do salão pelos gramofones, são trazidas aos computadores para blogar: blogs são os saraus do século XXI, e por toda parte pessoas que nunca escreveram antes, e que nunca teriam o estímulo para escrever, cometem o equivalente verbal das desafinadas atrozes de Florence Foster Jenkins cantando a ária da Rainha da Noite. Recentemente, li que não-sei-quem "pilotou" as comemorações de não-sei-onde, e que fulano de tal não cometeu o ato simples e plebeu de entrar numa sala, não, não - ele "adentrou no recinto". Get a freaking hold on yourselves, people. "


[DBH]

Acidental, revisited



Antes de discutirmos referências políticas, temos de descobrir se somos optimistas ou pessimistas. Antropologicamente, I mean.

Por exemplo, aqui se relata um momento epifânico na vida de um blogger desta casa, após conhecer uma blogger:

- "Era a (...)? Afinal sou um optimista."

Só depois disto podemos discutir Hayeks et al.

>

[DBH]

O orgulho de ser pálido de espírito

Este fim-de-semana, ouvi um senhor na televisão falar no “orgulho de ser branco”. Um português dizer-se orgulhoso de ser branco. Coisa estranha esta que me deixou a pensar.

Depois falaram de pátria. A pátria? Santo Deus que ainda não perceberam. Portugal não é pátria. Portugal é mátria. É senhora roliça de feições rosadas. É senhora madame em casa suposta da fronteira. Por cá foram passando todo o género de camionistas. Fenícios, gregos, romanos, nórdicos e cartagineses. Para deleite da meretriz refastelada no canto da península. Para proveito e fama bem maior que algumas áreas de repouso do IP3.

E quando, depois de milhares de anos, cessaram as fecundas visitas, decidiu a rameira partir em diáspora, procurando nova homenzoada no outro lado do mar. E que bela aventura essa, repleta de alegrias. Homens havia para todos os gostos e quase todos os tamanhos: ele era brancos, amarelos e pretos. Loiros, índios e indianos. Esquimós e africanos para ementa completa. E se perguntassem à marafona qual o seu prato favorito, a sôfrega respondia babando: tutti fruti! tutti fruti!

E assim se fez o país e o seu povo. Um português é bisneto de Maomé, sobrinho neto de Abraão, filho de um Mustafá, primo da rainha Ginga, tio de um Xanana, arraçado Baniwa ou Guarani, irmão de um Cabinda e o primo mais branco que temos chama-se Madhav e vive em Goa. Até os Macondes do norte de Moçambique têm o “sangue mais puro” que o nosso.

“Orgulho em ser branco” parece-me um franco exagero. Portugal não tem brancos. Tem uns que são mais pálidos de espírito que os outros. E esses bem podem dar graças ao Senhor por não terem nascido com cauda.

[Rodrigo Moita de Deus]

A Comissão Europeia e os seus pareceres sobre a política orçamental portuguesa (resenha histórica)

Com Pina Moura – Queremos expressar a nossa admiração pela coragem do governo português em implementar estas medidas e na determinação que tem demonstrado para resolver o problema do défice.

Com Guilherme Oliveira Martins - Queremos expressar a nossa admiração pela coragem do governo português em implementar estas medidas e na determinação que tem demonstrado para resolver o problema do défice.

Com Manuela Ferreira Leite - Queremos expressar a nossa admiração pela coragem do governo português em implementar estas medidas e na determinação que tem demonstrado para resolver o problema do défice.

Com Bagão Félix - Queremos expressar a nossa admiração pela coragem do governo português em implementar estas medidas e na determinação que tem demonstrado para resolver o problema do défice.

Com Campos e Cunha - Queremos expressar a nossa admiração pela coragem do governo português em implementar estas medidas e na determinação que tem demonstrado para resolver o problema do défice.

[Rodrigo Moita de Deus]

E também é capaz de brincar com malabares enquanto assobia a marselhesa

Espantado vi ontem a quadratura do círculo. Jorge Coelho tem aquele talento dos grandes políticos de falar sobre os assuntos como se na realidade não tivesse nada a ver com eles.

[Rodrigo Moita de Deus]

Almoço Acidental na Sexta-feira

Finalmente a reconciliação entre a modernidade e a pós-modernidade. Um projecto totalizante mas fragmentário; isto é, um bife total conjugado com uma pluralidade de batatas. E diálogo. Muito diálogo. Diálogo como este:

RMD - Eu acho que devíamos redistribuir o bife. Como bons cristãos. Ou socialistas sei lá.
ENP - Só como o teu bife se a tua redistribuição for cristã! E se a redistribuição for assegurada por corporações que não sobrepõem o interesse próprio ao interesse ético apenas definível pela função própria social da corporação.
JBR - Olha ò Eduardo, homens de direita, de barba rija, não se importam de declamar poemas a um bife… porque à direita também há poesia… Mas o que verdadeiramente interessa, é comer o bife. Comer o bife, a bifa, o poema.
BPL - Mas ò Rodrigo, eu pedi um bife do lombo, e tu um bife da vazia… Se eu der parte do meu bife do lombo, já não serei tão produtivo à tarde… logo não conseguirei cozinhar à noite… Enfim, não conseguirei produzir.
PML - Deviam era chicotear o bife por não trabalhar nada! Ou então, privatizem-no...
DBH - Eu não me importo de pensar que são bifes do lombo, acima de 500 gramas…
LA - Um estudo publicado ontem nos EUA, e que será amanhã publicado no Economic Steak Cience Review, mostra aliás que a redistribuição cega de bifes do lombo, numa primeira fase conduz a uma diminuição gradual no consumo de bifes da vazia, e, numa segunda fase, a uma enorme escassez de lombo. Ora, desta escassez resultará, inevitavelmente, uma anulação de uma força produtiva essencial à economia dos nossos tempos.
VR - Deixem-me complementar a sapiente constatação do Luciano. Os visionários de Washington perceberam isso perfeitamente. O Iraque serve, por isso mesmo, um interesse estratégico. A acumulação das reservas de petróleo – só possível com a reorganização do comércio internacional de crude, nomeadamente através da reactivação do circuito mexicano e iraquino – permitirá, no futuro, a troca de barris por carne argentina. Ora…
RR - E até Sá Carneiro percebeu isso. Os seus adjuntos contam que, uma vez no Tavares, o primeiro-ministro foi claro ao afirmar: só eu como bife do lombo. Sá Carneiro era conhecido, aliás, por evitar todo e qualquer bife da vazia já deste os tempos da Ala Liberal. Foi, aliás, no talho de um supermercado que conheceu Francisco Pinto Balsemão, quanto este comprava carne picada para fazer um hamburguer.. O Expresso, na altura, ainda não tinha a expressão de hoje.
PPM - Pois, mas Sá Carneiro não definiu o que era um bife do lombo. Só isso faz toda a diferença. Enquanto Cunhal dizia: - olhem para aquela beterraba. Aquela beterraba é um bife do lombo para o proletariado enquanto classe universal -, já Sá Carneiro preferia pensar: - eu como bife do lombo, seja ele o que for; mas mais importante que o bife, é a liberdade individual de decidir o que se come. Espírito prático, pluralista, liberal enfim… Daqueles que precisamos para o nosso projecto.
JBR - Até porque tratar o bife por beterraba é uma deslealdade orgânica. Sobretudo orgânica.
ITP - Mas afinal, o que é um bife do lombo comparado com o sofrimento dos bifes da vazia, frequentemente consumidos pela hierarquia cristão, mas excluídos nas ruas, nas creches, nas maternidades? Eu penso que o grande problema actual é que a educação perpetua este modelo valorativo de exclusão!
HR – Ah, sua pós-moderna!!! Tinhas que invocar Habermas, não é? Não vês que é tudo uma questão de equilíbrio? Um bife do lombo tem mais massa que um bife da vazia. Mas tem mais proteínas. O que significa que o nosso organismo enriquece. Isto é uma metáfora; pensa procedimentalmente. A questão não é o bife do lombo, mas sim os checks and balances entre os poderes das proteínas, ou, como dizem avisados autores, «it’s the procedure of assuring a minimum steak for all citizens… minimum steak is the most important guarantee of liberty».
RMD - Isto cheira-me a Hayek….
PPM - Não Rodrigo, cheira a queimado.
ITP - É o bife do Jacinto????
JMB - Meus amigos, mas afinal… o que é um bife? Os gregos chamam o bife de carneletheia. Ou seja, a carne que não se revela. A aparência de que é um bife do lombo é, no meu entendimento, constitutiva do ser da existência quotidiana. Mesmo que o bife seja da vazia.
PML - Olha, olha. Também devia chicotear o Jacinto, por ter um bife queimado… Já te dou a existência!
DBH – Eu não acredito que este poste não tem uma única fotografia! Postes sem fotografias é de bloggers que não sabem escrever.
ITP - Mas os bifes queimados também têm lugar no reino de Deus, não é Rodrigo? Excepto, talvez, para o Bispo de Setúbal…
ENP - Aposto que esse Bispo é a favor da interrupção voluntária da fritagem de bifes!
RMD – A favor da fritagem voluntária dos bifes! Grande vaca! Deve ser das beiras.
FMS – O que queres dizer com isso ò Rodrigo? Eu sou beirão! Vê lá é se não precisas do bife cru para pores no olho.
PPM - Só sei é que com isto não ganhamos votos. Nós temos um projecto de direita, com bife ou sem bife! Nós somos liberais, pluralistas! Nós… Olhe, desculpe, eu pedi um bife, e o senhor trouxe-me bacalhau?!

E assim continuaremos. Sexta-feira. Almoço Acidental no sítio do costume. Entrada permitida a leitores de Hayek.

[Jacinto Bettencourt]

quarta-feira, junho 22, 2005

Resposta rápida mas quase imediata

Assim de repente, Rodrigo, estou a ver mil e uma diferentes funções a que o Estado se deveria dedicar com acrescida utilidade e lucro para todos, abstendo-se porém de interferir no que diz apenas respeito à esfera privada dos cidadãos.
Garantir o bem-estar da comunidade não quer dizer intervir permanentemente na vida da comunidade. Garantir o bem-estar da comunidade é permitir que cada um dos indivíduos dessa mesma comunidade tenha a liberdade de escolher o sistema de ensino ou de saúde que quer prosseguir; é não impor regimes únicos de segurança social; é permitir o fim do monopólio das empresas públicas no serviços que podem ser prestados pelos privados; é não atropelar constantemente a liberdade de iniciativa com legislação e burocracia entorpecedora.
Garantir o bem-estar da comunidade, Rodrigo, não é definitivamente redistribuir a riqueza que foi criada por outros e não pertence ao Estado. Porque, como tu bem sabes, na maior parte dos casos, o Estado não sabe redistribuir, apenas consegue desperdiçar.
E não venhas com esses argumentos dos mais pobres deixados ao abandono, porque nenhum liberal de direita defende tal barbaridade e sabe que aos mais pobres deve ser garantida a indispensável protecção social. Mas é precisamente a omnipresença do Estado na economia e na sociedade que impede que esse mesmo Estado se dedique a quem realmente precisa, que cumpra com alguma eficiência essa sua função essencial.

[PPM]

Portugal, 1933

Professores em greve, polícias em manifestações na rua, médicos protestam e os deputados estão contra o fim dos seus próprios benefícios. O país quase a bater no fundo e cada um preocupa-se com o seu. Foi preciso chegar a democracia para o corporativismo do Estado Novo ser socialmente aceite.

[Rodrigo Moita de Deus]

Uma resposta com dois dias de atraso, mas para discutirmos o liberalismo vamos sempre a tempo

Caro Paulo,

Se a função do Estado não é garantir o bem-estar da comunidade que fim vês tu no Estado?

Os Estados democráticos há muito que encontraram soluções justas para redistribuir a riqueza. Em muitos países este sistema não só funciona como também permite a multiplicação da riqueza e garante todas as liberdades individuais que convencionamos como essenciais.

Agora dizes-me tu: Mas o sistema em Portugal não funciona. É desequilibrado, cria injustiças, desperdício e revela-se incapaz de resolver os problemas. Sim e não.

Sim, o sistema não funciona. Sim é desequilibrado. Sim, cria injustiças. Mas se enquanto país não somos capazes de pôr um sistema com tantas salvaguardas a funcionar, achas mesmo que um outro sistema sem quaisquer salvaguardas funciona? Quero com isto dizer: se um político é incompetente num modelo social democrata, podes mudar o modelo à vontade que ele será sempre incompetente.

E não. Não é possível estimar o papel que a participação social do Estado tem. Mesmo quando o sistema não funciona. Não é possível calcular as milhares de pessoas cuja a única barreira que as separa da marginalidade é exactamente a participação social do Estado e os efeitos que isso teria socialmente e mesmo economicamente. A quem mais podemos confiar esse papel?

[Rodrigo Moita de Deus]

A Europa de Blair, a Europa plural, a verdadeira Europa

Continuando o chá das cinco,

1. Blair é um adversário de uma forte “corrente de ar” do nosso tempo. E esta corrente de ar é a seguinte: o ódio a "Westfalia". Em 1648, o tratado de Westfalia colocou ponto final na intromissão do Vaticano e do “Império” nos assuntos dos diversos estados. Hoje, os defensores do ideal pós-nacional ou pós-Westfalia, precisam, exactamente, de uma entidade supra-nacional que tutele os estados. A ideia do “Estados Unidos da Europa” surge, assim, como o novo Vaticano.

2. Mais: Blair é adversário do monismo racionalista continental. Depois do fracasso do socialismo, perante o fracasso evidente da social-democracia, os monistas continentais vêem no projecto federalista a última esperança para a sua forma de pensar centralista e burocrática. E como bons monistas que são, os federalistas ortodoxos são seres teleológicos, isto é, já sabem qual é o nosso futuro… Por isso, não lidam bem connosco, os verdadeiros europeus do presente. A birra dos federalistas advém disto: nós, os europeus, não estamos a cumprir o “estipulado” pela utopia. Estamos a ser meninos mal comportados. Como resumia, na perfeição, um cartoon escolhido pelo Diogo, os federalistas gostam da Europa, mas chateiam-se… com os europeus. São herdeiros da “Liberdade Positiva” (Berlin), isto é, têm uma concepção abstracta de liberdade. E essa Liberdade quimérica passa exclusivamente pela federação. E, se pessoas não concordam com essa Liberdade, então, é porque são ignorantes… Quem usa a liberdade positiva pensa que sabe mais sobre mim do que eu próprio.

3. Perante esta pulsão pela Unidade, Blair é o paladino de uma Europa Plural. Aliás, chegou a altura ideal para os europeus recuperam aquilo que fez da Europa uma grande civilização: a tradição do pluralismo. A Europa, por oposição aos impérios do Oriente, sempre foi a terra do pluralismo. É essa a sua grandeza (para não ferir susceptibilidades multiculturalistas, diria que o pluralismo é a especificidade europeia). Quem pretende federar, unificar, etc, não percebe nada da Europa. Percebe apenas do seu umbigo ideológico. E recorde-se: todos os projectos que tentaram pôr fim a este pluralismo terminaram mal…

4. A actual “crise” não é a crise da Europa. Não. É apenas a falência de uma ideia de Europa. É uma falência de uma ideologia, de um projecto. Há outros projectos para a Europa.

[Henrique Raposo]

António Costa, o Ministro dos "efeitos especiais"

Ontem as televisões falavam sobre um violento assalto na linha de Sintra. Hoje a notícia na capa do Público dizia que os assaltos nos comboios tinham diminuído. Agora estão a ver...abracadabra...agora já não estão.

[Rodrigo Moita de Deus]

A história de um agente que gostava de ter sido publicitário

A última grande operação do serviço de estrangeiros e fronteiras para fechar bares de alterne tinha o sugestivo nome de “feijão com arroz”.

[Rodrigo Moita de Deus]

Os trolhas do ministro*

Manuel Pinho, ministro da república, resolveu arregaçar as mangas e relançar sozinho a economia. Lá deu ordens para os seus trolhas deitarem abaixo a casa Almeida Garrett. Por enquanto estão só a tratar do interior mas aposto que em Agosto – para não atrapalhar o trânsito – tratam da fachada. Assim, em Setembro, quando todos voltarmos de férias já temos um prédio novo no sítio onde outrora estava a casa do Garrett.
Se ele for tão competente a tratar dos negócios do Estado como é a tratar dos seus, garanto que nas próximas eleições terá o meu voto.

[Rodrigo Moita de Deus]

*título retirado de um SMS

O papel de Spínola

Para os comentadores que se espantaram com o que escrevi sobre o papel fundamental de Spínola no processo que conduziu ao 25 de Abril, recomendo que releiam "Portugal e o Futuro". Eu não disse que o general foi uma personagem imaculada sem pecado depois de ter saído da Junta de Salvação Nacional. Também não o defendo "acerrimamente", como dispara um dos comentadores. O que digo é que não me parece coerente nem rigoroso que alguém que exalta o papel de Álvaro Cunhal no combate à ditadura salazarista, não reconheça a influência preponderante de Spínola no processo que conduziu ao golpe de estado do 25 de Abril, na deposição do regime caetanista e na credibilidade do movimento militar.
O próprio Mário Soares o reconheceu, quando foi Presidente da República, ao designá-lo chanceler das Antigas Ordens Militares portuguesas, tendo-o também condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada (a maior insígnia militar portuguesa), pelos «feitos de heroísmo militar e cívico e por ter sido símbolo da Revolução de Abril e o primeiro Presidente da República após a ditadura».

[PPM]

Como é que eu ainda me surpreendo?

Não sei como é que ainda me surpreendo que existam pessoas - ainda por cima supostamente bem informadas - que ignoram ostensivamente o papel de Francisco Sá Carneiro ou de Adelino Amaro da Costa na instauração de uma democracia pluralista em Portugal.
Não sei de facto como é que ainda me admiro: afinal de contas são exactamente as mesmas pessoas que reduzem a democracia portuguesa a Álvaro Cunhal e a Mário Soares, ignorando com supina arrogância a indispensável liderança militar do general Spínola no golpe de estado que acabou com a ditadura de Caetano.
E como é que estas mesmas pessoas não querem que os tomemos por parvos?

[PPM]

terça-feira, junho 21, 2005

Um poste entre trezentos

Ao contrário da minha estimada amiga Filipa Correia Pinto, do Depois do Adeus, sei bem quem tu és, Francisco: um bom malandro que às vezes - mas só às vezes - dá uns tiros para o ar.
Uma vez mais, como bom esquerdista que também és, pareces pensar que o CDS é o PCP ou o BE, onde não existem opiniões diferentes sobre os mais diversos assuntos. Só que uma coisa são as opiniões e outra bem diferente é a indisciplina - mas, neste aspecto, não podes falar do que manifestamente desconheces (já agora, não insistas em rotular O Acidental, porque isso foi chão que já deu uvas e muitos dos meus convidados acidentais não têm a culpa de eu ser do CDS).
Obediência e fervor são palavras um bocado totalitárias para o meu gosto, mas esclareço-te desde já que considero a dra. Maria José Nogueira Pinto o melhor e mais forte candidato de todos os partidos à presidência da Câmara Municipal de Lisboa. Tem uma excelente obra enquanto provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, mas não só, é uma mulher de armas e, se for eleita, pode realmente gerir a capital em nome de todos os(as) lisboetas, sem as conhecidas engenharias eleitoralistas dos outros candidatos.
Quanto a intrigas e tricas, limito-me a dar-te os parabéns, Francisco, porque nesse, como noutros aspectos, és realmente imbatível.

[PPM]

É Sim, mas também

Ao contrário do Sítio do Não, que foi suspenso - ad eternum? - por José Pacheco Pereira, o É Sim promete continuar em grande força. Tanta força que agora até abriu um blogue adjunto. O Prof. Marcelo faz assim mais uma jogada inteligente - porque sendo o seu sítio afirmativo desde o início, ao contrário do Sítio do Não, mesmo que não consiga ressuscitar o tratado constitucional moribundo, mantém um espaço aberto para defender publicamente a construção europeia.

[PPM]

Um Liberal Clássico e um Pós-Moderno nos copos

Caro Santos,
(não o conheço do Sinédrio?)

1. Não sou neo-liberal. Não ando com fórmulas universais debaixo do braço. A política é sempre local. As minhas referências são Oakeshott, Hume ou Madison. Sinto-me perto de Hayek, mas penso que há ali uma certa arrogância, digamos, científica. Hayek fala do púlpito de quem tem a certeza da “ciência económica”. Há ali um certo determinismo.
Não voto em determinismos. Sou, felizmente, um céptico. Se calhar, li David Hume demasiadas vezes (era castigo lá no bairro… quando se falhava um golo). Portanto, sou apenas um liberal clássico. E um liberal clássico (ou, se quiser, um conservador liberal, isto é, um gajo que une a predisposição conservadora com os princípios institucionais do liberalismo do XVIII) não é dogmático, nem sonha com céus cor-de-rosa (mas, também não me parece justo que compare os ditos neo-liberais com os marxistas. Não se renda ao sound byte).

2. V. acaba por fazer um comentário que revela algo do pós-modernismo: qualquer tipo de definição é tido como uma manifestação de maniqueísmo. Meu caro, se há coisa que não sou é isso. A cor do mundo é o cinzento (saudade para Leonardo Ralha). Mas isso não me impede de dizer o seguinte: sei o que sou, sei para onde quero ir e estou-me nas tintas para aquilo que os outros pensam de mim. O que eu faço não é maniqueísmo. É outra coisa: “isolo” correntes e teorias. Defino ideais-tipo. Porque os homens não são todos iguais. Temos percepções e soluções diferentes para o mundo. E estas percepções e soluções criam correntes e teorias.
E quem pensa que é completamente subjectivista, quem pensa que vê o mundo de forma única, quem pensa que não têm lentes de uma dada teoria à frente dos olhos, não é só arrogante. É, antes de tudo, burro como um grilo coxo (Não me parece que seja o seu caso). Mas, claro, na noite pós-moderna, todos gostam de ser gatos pardos. Dá muito menos trabalho. De manhã somos uma coisa, à tarde já somos outra e à noite, se assim for necessário para o engate, então, já seremos outra coisa.

3. Mas, agora temos de ir beber uns copos. Já escrevi aqui: o primeiro que se assumisse como pós-moderno poderia contar com a minha carteira para uma noite de copos no bairro alto. Estou à sua disposição.

Um abraço,

[Henrique Raposo]

O Grande Arquitecto!

Palavras do Grande Arquitecto, José António Saraiva, ao diário espanhol ABC (via Courrier Internacional , 10 a 16 Junho 2005):

1. «O segredo do êxito? Temos uma relação fácil e directa com os leitores, dirigimo-nos a eles e, além disso, influenciamos a elite portuguesa, porque não abandonamos a qualidade dos nossos artigos».
2. «Desde que estou na direcção deste semanário nunca me senti ameaçado pelo poder político. Fiz sempre o que quis e, por isso, os defeitos e as virtudes do "Expresso" são da minha responsabilidade».
3. Em 1980, inaugurou uma coluna de opinião no "Expresso", com a qual se sente muito satisfeito, porque consegue fazer o que mais gosta: «influenciar a opinião pública».
4. Considera-se uma pessoa muito inquieta e, graças a isso, «o "Expresso" muda todos os anos, não é monótono».
5. O facto de ser arquitecto ajuda-o a pensar sempre no futuro, porque «um arquitecto está sempre a pensar na obra que vai construir a seguir. Detesto olhar para trás».
6. Está a trabalhar numa outra publicação (para além de Jardim Colonial), intitulada As Minhas Aulas na Universidade.
7. Mostra-se especialmente satisfeito com o seu próximo romance, Cinco Mulheres numa Casa de Inverno, uma história que escreveu este Inverno, em apenas quatro dias, e na qual está a dar os últimos retoques. Espera alcançar com ela um grande êxito internacional, considerando-a o seu melhor livro.

Palavras para quê? É "O" Arquitecto português!

[Bernardo Pires de Lima]

A verdade interna

Pegando no texto do Bernardo,

1. Por que razão os comunistas não aceitam a realidade? Por razão continuam a esquecer ou a relativizar os mortos de Lenine e Estaline? Popper ajuda-nos. O comunismo é a típica corrente pseudo-cientifica que julga possuir as chaves da história. O historicismo marxista julga possuir a lei da História, a lei capaz de incluir e explicar todos os factos históricos passados e futuros. Mas, curiosamente, esta corrente despreza os… factos. Não permite a contestação. Não é falsificável (Popper). Fecha-se numa espécie de verdade interior. O bom comunista, tal como o bom fundamentalista, cospe no prato dos factos. Ou seja, cospe em todos nós. Os tipos que ainda rezam na casa de Lenine não aceitam críticas exteriores por causa disto: o ser exterior à verdade interna, o não-crente, não tem legitimidade para criticar a verdade revelada.

2. Resta a hipótese de crítica interna. Mas, claro, críticas internas também não são aceites. Porque quando um comunista critica o comunismo transforma-se, de imediato, num não-comunista. É um traidor. Saiu do território sagrado da verdade interna. Pisou terrenos que estão fora do círculo de fogo sagrado. É um ser contaminado. Daí esta frase que ouvi algures em 2004, em pleno Bairro Alto: “És um traidor soljenitsinista”. Não, não foi em Moscovo, algures no século passado.

[Henrique Raposo]

Facínoras, Capachos e Anseios

Segundo dados mais ou menos recentes – a fonte é de 1996, mas a tradução russa é de 2004* – entre 1921 e 1953, o regime soviético liderado por Estaline “alcançou” os seguintes números: 4.060.306 condenados por “crimes contra-revolucionários” (a mesma “revolução” que ocupava nove em cada dez palavras de Cunhal); 799.455 por “pena de morte”; 2.631.397 em “campos de detenção, colónia penal e prisão”; 413.512 em “exílio”; 215.942 por “outras penas”.
Total: 8.120.612 de pobres almas.
Estes são apenas alguns dos dados conhecidos e comprovados. Tudo aquilo que diz respeito aos gulags, purgas, desaparecimentos misteriosos ou férias longínquas continuam a ser dificilmente apresentados em números.
Isto para dizer que 32 anos de século soviético – apenas 32 anos – servem de glorificação e histeria por parte de um jornal oficial de um partido político com assento parlamentar na democracia portuguesa, no ano de 2005. Além disto, a histeria generalizada atingiu recentemente novos rostos cujo capacho voou repentinamente mostrando a careca sem vergonha que ostentam.
Das duas uma: ou não conhecem a História ou recusam-se a conhecê-la. A segunda é bem mais grave e atinge umas quantas centenas de milhares de portugueses. Grande parte da sociedade portuguesa não é democrática. Não gosta de democracia. Anseia por ditadores.

* B. P. Kurashvili, Istoricheskaia Logika Stalinizma, Moscovo, 1996 e Moshe Lewin, O Século Soviético, Lisboa, 2004.

[Bernardo Pires de Lima]

segunda-feira, junho 20, 2005

Blair, o chá e a birra

1. A minha mãe sempre me ensinou a “ter chá”. Mas eu nunca percebi muito bem o que isso significava… até este fim-de-semana. Até ver Blair passear com uma chávena de chá no meio da cimeira. Com uma mão, Blair segurava a britânica, distinta e branca chávena de chá, com a outra, distribuía apertos de mão. E o aperto de mão de um vencedor é uma coisa gloriosa de se ver. Blair andava com aquela leveza, com aquela classe dos grandes. Parecia que estava a levitar. Parecia que andava sob nenúfares. E, claro, mostrava-se completamente indiferente aos olhares macambúzios e fulminantes dos seus patrícios continentais. Chamei a minha mãe, e disse-lhe: “Mãe, agora já sei que o é isso de “ter chá”. É o mesmo lixar o juízo a federalistas, não é?”.

2. Bom, “chá” foi coisa que faltou aos federalistas no rescaldo da cimeira. Depois da birra motivada pelos referendos, fizeram nova birra. Agora, o alvo foi a Inglaterra. Mas não se pense que o capricho é motivado apenas pelo cheque da Thatcher. Se assim fosse, por que razão não fazem birra com a França, a dona e senhora da maldita PAC? A razão do chinfrim é mais profunda. Os federalistas, que andam com Habermas debaixo do braço, sabem que Blair tem uma oportunidade única de conduzir a U.E. para caminhos mais liberais, mais pluralistas, menos centralizadores. Os federalistas têm medo de perder o sonho da integração política, têm medo de perder a meta utópica. Enfim, têm medo de ficar sem emprego. É por isso que não escondem a sua bílis. É por isso que dizem que “têm vergonha”.

3. Uma Europa como “uma grande Grã-bretanha” pode ser apenas wishful thinking, mas, em todo o caso, vou beber muito chá neste verão.

[Henrique Raposo]

Tinhas razão! Não sendo liberal sou socialista de certeza

Caro AAA:

São quatro e dezoito da tarde. Li Hayek e percebi que tinha finalmente de me assumir! Chegou a hora de escolher entre o liberalismo e socialismo! Ou somos socialistas ou somos liberais! Não há outra via! Tanto tempo enganado! Tanta gente equivocada!
Mas enfim…como acho que não me aceitam no BdE, queria deixar-te este singelo mas sentido contributo. Chamei-lhe O desmistificador do liberalismo e tenciono com este parco texto destruir alguns dos mitos e fábulas dos profanos:

1. Os liberais não são dogmáticos. Todas as restantes doutrinas é que estão erradas;

2. Não existe nenhuma ilha com uma estátua gigantesca do Hayek esculpida na rocha, onde os liberais de todo o mundo se reunam para ritos bizarros;

3. O liberalismo não é uma doutrina ao serviço do grande capital. Nem todos os liberais trabalham em bancos;

4. Os liberais gostam de pobrezinhos. Gostam tanto que fazem tudo o que podem para que eles se multipliquem;

5. Os liberais não estão obcecados com a economia. Os marxistas é que são obcecados com a economia. Os liberais só são obcecados com os marxistas;

6. Os liberais não foram os primeiros que puseram em causa a necessidade de um Estado que regulasse a comunidade. Os anarquistas pensaram nisso primeiro;

7. Os liberais são capazes de raciocínios próprios que não estejam escritos num dos livros do Hayek;

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Não foi ao texto do Mises que tirei o essencial do meu poste anterior, mas ao teu. Sabes que acho mais interessante discutir contigo que com o Ludwig. Tu respondes e ele não. Quanto à auto-propalada “gula livresca” peço-te que não te maces com o meu comentário. Há mais gente que o faz (auto-propalar gulas livrescas). O Pacheco Pereira, por exemplo.

Pequeninos mas tesos*

Luxemburgo mantém referendo
O Luxemburgo decidiu manter o referendo ao Tratado Constitucional Europeu, apesar da decisão do Conselho Europeu em suspender o processo. O país que ainda preside à União Europeia vai manter a data prevista, com o comum acordo de todos os partidos.


[Rodrigo Moita de Deus]

*Título dado a múltiplas interpretações

O problema da redistribuição da riqueza

O problema, Rodrigo, tem sido sempre quem a redistribui. O Estado não me parece ser o actor indicado, como aliás provam séculos de prática. O conceito da redistribuição até pode parecer cristão, mas é substancialmente socialista.
O melhor mesmo, antes de mais nada, é oferecer condições para a criação de riqueza e deixar depois que ela siga o seu caminho - liberdade de iniciativa e liberdade de oportunidade são as palavras-chave neste caso.
A interferência do Estado no processo apenas tem o condão de reduzir a riqueza. O caso português é um paradigma desta evidência. A riqueza distribui-se essencialmente através de mais e melhores empresas, que por sua vez criam mais postos de trabalhos, assim diminuindo o desemprego e a pobreza. Tudo o resto são paliativos. Até podem parecer cristãos, mas apenas engordam o peso da despesa do Estado - com a necessidade de criar as respectivas agências e serviços públicos que, teoricamente, se encarregariam de a "redistribuir" - reduzindo a própria riqueza em jogo.

[PPM]

Evocando Valentim

Na bancada central, um imprescindível programa da TSF, um adepto do Boavista sugeria uma estátua a Valentim Loureiro. Uma estátua. Assim como do Eusébio. Valentim e Eusébio. Ambos deram jogos a ganhar aos seus clubes cada um à sua maneira.

[Rodrigo Moita de Deus]

Nem tudo o que está encadernado é ouro

Meu querido Miguel:

De repente, só me lembro de três ocasiões em que me recomendaram “uns livrinhos”.
A primeira passou-se quando ainda andava na escola. Certa vez, no meio de uma discussão sobre a propriedade privada, o meu interlocutor perdeu o argumento e mandou-me ler um livrinho pequenino e encarnado escrito por um chinês que gostava de ver os outros vestidos de cinzento.
A segunda, comigo já mais velho, foi quando um jovem de camisa branca de manga curta e gravata escura, me tocou à porta para deixar uns livros de um senhor chamado Ron Hubbard. Como podes imaginar, desde então que suspeito de todos quantos, incapazes de me explicar a sua lógica por palavras próprias, me recomendam uns livros.
E agora tu? Acima de tudo é a semelhança nos procedimentos que me deixa inquieto. Por favor tranquiliza-me!

[Rodrigo Moita de Deus]

As coisas que me lembro enquanto estou no trânsito

Se na realidade o arrastão não existiu, o governo devia cancelar o reforço de segurança nas praias.

[Rodrigo Moita de Deus]

Um poste sobre a Lula

O socialismo é a forma de governo pela qual os governantes asseguram que a redistribuição da riqueza começa por eles.

[Rodrigo Moita de Deus]

Cristo! Esse Marxista-Leninista!

Esse livro onde este meu amigo leu que os cristãos eram na realidade socialistas, deve ser uma edição muito rara, não?

Deixe-me explicar-lhe uma ideia muito simples: nem todos os Homens consideram que a acumulação de bens ou de capital serve de propósito último à sua existência. Há mesmo quem acredite que o Homem não tem pretexto ético, doutrinário ou moral para tolerar fenómenos como a pobreza e a marginalidade. Geralmente acredita-se que bens e capitais podem ser úteis para tornar mais cómoda a existência da comunidade. Mas isso não é socialismo, nem sequer cristianismo, é bom senso. Obrigado.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Não vejo drama nem horror em tão auto-propalada “gula livresca” mas preocupo-me com a apetência que o meu amigo demonstra em saciar a “gula” com “junk food”.

Orgulho negro

Enquanto nós por aqui nos perdemos nestes salamaleques, há sítios onde o racismo e o sexismo são praticados com bastante alegria e desvergonha. É o caso do Zimbawe e do nosso famoso amigo Robert Mugabe. Já aqui falei do seu mais recente programa contra a criminalidade (diz ele), cuja consequência para já foi a deportação de um número indeterminado de pessoas entre 250.000 e 1.000.000, internadas num campo de concentração. Não é que isto seja novidade num continente devolvido à violência e ao racismo: ao longo do último meio século, a pretexto de serem colonialistas, os brancos foram quase todos expulsos de África; e a violência entre etnias (violência racista, portanto) da mesma cor de pele transformou-se no pão-nosso de cada dia. Mas quando assistimos ao que faz Mugabe, o tal que já considerou Tony Blair um “paneleiro” e permanentemente verbera os “paneleiros” que existem no seu país, o grande herói da esquerda e do nacionalismo africano, até parece que estamos a ver (com 30 anos de atraso) uma repetição da nossa descolonização e da instalação dos novos estados africanos: racismo, assassinatos políticos, prisões arbitrárias, campos de concentração (de “reeducação”, chamaram-se), fome política… a receita é parecida.
Consta que estão neste momento a morrer no Zimbawe milhares de pessoas por dia à conta do tal programa. Deixo aqui um artigo onde precisamente se pergunta: será isto pior que Darfur? Não parece ser uma questão que preocupe muito a grande multidão humanitária que tanto se vai indignando por aí a propósito de tudo e mais alguma coisa.
[Luciano Amaral]

Normalidade democrática

Hás-de desculpar-me, Paulo, mas desta vez estou de acordo com o Ministro Costa. Aquela era, efectivamente, uma manifestação como as outras. Feita sem dúvida por um amontoado de idiotas, mas nem por isso inaceitável. De resto, é impossível contar o número de manifestações realizadas por amontoados de idiotas, com consequências tão ou mais perigosas do que aquela, que se vão fazendo por aí.
É preocupante que apareçam aqueles sentimentos? Sem dúvida nenhuma. Mas também convém perceber porque aparecem eles. Curiosamente, aparecem a propósito de dois temas que a sociedade e o Estado portugueses desistiram de discutir: a imigração e a criminalidade praticada por imigrantes ou, sobretudo até, os seus filhos. Assim, eles vão sendo empurrados para as margens do discurso político, até ao dia (como em França e na Holanda e noutros países) em que ameaçam tornar-se no centro da discussão. Eu conheço bastantes pessoas que utilizam meios de transporte suburbanos. Para além dos assaltos, algo que as preocupa imenso é o ambiente de permanente intimidação e a ameaça do uso da violência. Para as mulheres existe a componente adicional da violência sexual (o famoso apalpão é praticado com bastante frequência, sendo usado como chantagem para evitar acções mais violentas). Por outro lado, devo dizer que conheço o Bairro da Cova da Moura, inclusivamente a Associação Moinho da Juventude, que o Presidente Sampaio visitou no sábado. A Cova da Moura é um bairro com coisas horríveis, mas também algumas boas, geralmente habitado por pessoas dignas que, através do seu trabalho e da sua cultura, dão um contributo para a sociedade e a economia portuguesas que muitos portugueses brancos não dão (se calhar, muitos dos que estavam na manif. de sábado…). Mas resta que o problema existe. E a desistência de o pensar e encontrar soluções é o melhor convite para o aparecimento de palermas como os de sábado.
[Luciano Amaral]

Ministro como os outros?

A propósito da mini-manif de sábado, o ministro da Administração Interna, António Costa, afirmou (cito de memória) que esta era "mais uma manifestação como as outras", pretendendo talvez justificar assim a autorização expedita e sem hesitações da actual governadora civil socialista à sua realização. Eu não percebo como é que uma "manifestação como as outras" consegue fechar quase por inteiro o comércio do local onde se realiza, lança o medo entre os habitantes da zona, terminando com saudações nazis (ou romanas), gritos contra "os pretos" e violência física. Mas o ministro Costa lá saberá. Afinal, ele não é um ministro como os outros.

[PPM]

domingo, junho 19, 2005

Depois do orgulho gay...

...só nos faltava mesmo o orgulho branco (exibido numa mini-manifestação em Lisboa).

[PPM]

PS. Antes que venha aqui alguém acusar-me de piadas homofóbicas, esclareço que nada tenho contra as escolhas individuais de cada um no que diz respeito à sexualidade - desde que me deixem escolher a minha e não me queiram impor comportamentos. Acrescento que o orgulho gay ainda pode ser compreensível, dado que parece existir quem se sinta discriminado e quem queira assumir a diferença. Não compreendo e considero contraproducente, mas aceito. O que já não aceito é este ridículo orgulho branco assumido por meia-dúzia de gatos pingados numa manifestação de extrema-direita em que estavam mais jornalistas do que manifestantes. Estes extremistas dão mau nome à direita. O mais caricato é que estes orgulhosos brancos realmente não se olham ao espelho: bastariam algumas horas de viagem para serem considerados amarelos ou pretos em Manchester ou Bordéus.

sábado, junho 18, 2005

O fabuloso destino do marido da Bárbara Guimarães

Alguns tontos pensavam que o pai do Dinis teria sido o pior ministro da Cultura que já alguma vez tivemos em Portugal. Profundo engano: nas palavras do próprio, foi sim, o melhor ministro da Cultura de sempre. Mostra o senhor uma profunda e já conhecida modéstia. É convicção de muitos – nomeadamente da Sra Dona Bárbara - que teria sido o melhor Ministro português de sempre. Consta até que as primeiras palavras do pequeno Dinis teriam sido: “ para mim, este tipo é o melhor ministro de todos os tempos”.
É também admirável a sua modéstia na comparação com outras figuras públicas. Em vez de salientar que algumas pessoas que repetidamente partilham as páginas de várias revistas com ele - como Lili Caneças ou Rute Marques - mostram a sua vida privada em público, ele fala de uns desconhecidos Soares, Eanes e Barroso.

Neste país de maldizentes, há quem diga que o marido da Sra que apresentava o Chuva de Estrelas é um pateta mal-educado e sem ideias, não passando de uma sub-espécie da Mafalda do Quino mas sem piada nenhuma. Corem de vergonha, vilões: o marido da Sra Dona Bárbara pode ser atacarrado mas é um gigante de ideias. Ele não tem um, nem dois caracteres de ideias, este génio tem 38.760 caracteres de ideias. Para que melhor possam compreender a genialidade do homem deixo-vos esta demonstração: o filho do Sr Carrilho tem, só de ideias, cerca de 27 vezes o número de caracteres deste texto.
Com estes caracteres todos Lisboa vai ser diferente.

[Pedro Marques Lopes]

Soberania sem fundos

Tratado congelado, fundos bloqueados. Mais uma consequência do "Não": mas o que são uns patacos a mais ou a menos perante a felicidade de mantermos intacta a nossa virginal soberania?

[PPM]

Not very Nice

Nice regula durante "período de reflexão".
DN de hoje

Pois é, Eduardo, aqui está uma das primeiras consequências do teu "Não". É um "Sim" ao Tratado de Nice.

[PPM]

sexta-feira, junho 17, 2005

Conversas Acidentais II (parte II): nem inimigo...

(Continuação)

6. De qualquer forma, como em ponto algum invoquei um argumento de quem quer que seja, limitando-me a constatar as pistas que o pensamento pós-moderno nos deixa – e não me limito ao pensamento filosófico, mas ao que é hoje certeza para o seu companheiro de café –, é o seu argumento que cai pela base.

7. Tem toda a razão quando afirma que a modernidade não é um projecto único. Mas já não a terá quando ao projecto moderno historicamente realizado. Tanto as sociedades liberais, como as sociedades socialistas, foram beber à modernidade o Estado moderno, o Direito formal, o mito do progresso técnico. Ora foi esse projecto de racionalidade que se esgotou, tanto nas soluções liberais como nas soluções marxistas. Certamente que me dirá que houve outros caminhos percorridos (que muitos poderão considerar reacções ao falhanço da modernidade, como é o caso do Estado Social), mas deixe-me ser, neste ponto específico, um essencialista perigoso: a modernidade historicamente em debate consiste, precisamente, numa discussão cujas posições estão já definidas. Entre sujeito e objecto, idealismo e realismo, essência e existência, universalidade e individualidade, entre conteúdo e forma; matéria e essência, etc. Não lhe digo isto porque quero, ou porque o desejo (relembro-lhe que não tomei posição sobre a questão), mas porque o constato. O que em grande parte caracteriza muitos dos pensadores pós-modernos é precisamente a tentativa de superação das dicotomias modernas. Seja através de essencialismos românticos (sic) (que curiosamente é tudo mesmo o traço definidor de Heidegger, que precisamente se opõe aos “essencialismos” ontológicos de Platão a Marx e Nietzsche), seja através existencialismos vazios, ou mesmo de misticismos morais.

8. Acho engraçado que o Henrique acabe a sua exposição com um rol de pré-insultos, começando por me apelidar de reaccionário. Sobretudo quando eu nem cheguei a tomar uma posição sobre o assunto. Como é que sabe que eu sou anti-iluminista, anti-cosmopolita ou conservador (isolado e falido, como nota)? E porque razão terá que tomar uma posição valorativa neste momento? O problema é que não sabe. Neste momento eu sei um pouco mais sobre si, do que o Henrique sobre mim; a sua reacção é uma reacção de cartilha, idêntica à de um marxista, que não perde tempo a debruçar-se sobre a opinião de outros, optando, antes, por “personificar” o inimigo, dando valor a tudo o que ele diz ou silencia, em função de uma tese totalizante. Infelizmente, para si claro, eu não sou seu inimigo nem adversário. Pelo menos, enquanto não lhe disser o que verdadeiramente penso – o que farei, naturalmente, quando pensar que está preparado para discutir este assunto sem clichés.

9. Mantenho, no essencial, tudo aquilo que disse. O Henrique ainda terá que pensar muito sobre o que é o pensamento pós-moderno, antes de isolar os inimigos da modernidade. Quer queira quer não, o seu projecto liberal só será viável antecipando os perigos e consequências da pós-modernidade. E neste domínio, tem aqui um parceiro de conversas, que teme as consequências do atraso e da estagnação da "direita filosófica".

[Jacinto Bettencourt]

PS. Uma nota final. Diz o Henrique que «em política, não se lida com absolutos ou com “essências”». Eu pensei que estávamos a falar de filosofia, ou da “recuperação” da mesma. Pelo menos, foi isso que me motivou a responder-lhe. Se as suas motivações são meramente políticas, talvez as suas afirmações sirvam outros propósitos que não os meus, relacionados, quiçá, com a audiência. Seria importante clarificar isto.

Conversas acidentais II (parte I): o problema é que não sou adversário de ninguém...

Caro Henrique Raposo,

Peço-lhe imensa desculpa, mas tenho que declinar o duelo ideológico que propõe, pois não o convidei para tal. Compreendendo a turbulência das suas hormonas filosóficas no estádio actual de evolução do ocidente, não partilho do seu fervor de D. Quixote.

1. Não tem nada que pedir desculpa pela resposta, que aliás foi bastante rápida. Eu demorei 3 dias a preparar o presente texto, pelo que compreenderia se o Henrique tivesse demorado um pouco mais a preparar a resposta. Esperava-o aliás.

2. Se há coisa que eu não lhe dei no texto foram certezas. O escopo do texto, como certamente constará quando reler o meu texto com atenção, é precisamente combater as suas certezas sobre o que é a pós-modernidade, o pensamento pós-moderno, a filosofia pós-moderna, ou o quer que seja que lhe chamem. Referia, aliás, opiniões de quem nega conteúdo ao pensamento pós-moderno, ou de quem inverte os pontos axiais de referência, considerando-o um ardil neo-conservador. Se o Henrique tivesse tomado mais atenção a este último aspecto, teria notado que também eu aponto – embora velada e timidamente – críticas a Habermas.

3. Não vejo como me pode apontar falta de “pluralismo”, quando os exemplos que colhi, na sua generalidade, não são por mim ratificados. Por outro lado, a variedade de pensamentos pós-modernos apontada, e o respeito inerente que pelos mesmos demonstrei sem nunca me pronunciar sobre o que deles penso, dão ao texto o carácter não essencialista. Friso, aliás, que nunca, em lado nenhum, tomei qualquer posição sobre um Weber, um Marcuse, um Habermas, um Horkheimer, um Lyotard, ou muitos outros que implicitamente lá iam sendo invocados.

4. Já o Henrique, ao longo de diversos textos, parece ter apreendido a “essência da pós-modernidade”, como se essa fosse clara, como se o pensamento pós-moderno fosse um pensamento único, localizado à esquerda, anti-liberal ou o quer que seja que vai na sua cabeça.

5. Sinceramente acho que caiu na armadilha que lhe montei. Afirma o Henrique que a “forma” está errada, porque quando invoquei autores distintos tornei inviável a coerência do texto – refere-se certamente à coerência lógica –, e que, por conseguinte, inviabilizei a “legitimidade” do argumento. Ora bem. Em primeiro lugar, não apresentei nenhum argumento… Limitei-me, simplesmente, a resumir traços que podem servir para identificar pensamentos pós-modernos. Sobre estes, não argumentei a favor ou contra. Pense no meu texto com uma breve nota àqueles que pensam que só existe uma filosofia pós-moderna, e que essa filosofia pode ser definida em 3 ou 4 conceitos típicos de discussão de café. O meu objectivo era chamar a atenção dos adeptos de uma qualquer cartilha para a multiplicidade e dispersão de filosofias que integram a controversa pós-modernidade. Em segundo lugar, não compreendo porque me impõe um coerência lógica… sobretudo quando tudo aponta que o Henrique me considere um pós-moderno “perigosíssimo” . Se assim é, porque carga de água teria eu que pautar o meu discurso por uma coerência lógica? Afinal, não sou eu um Heideggariano desconfiado da lógica moderna, preso ao significado profundo para o homem grego da palavra letheia? Não estarei eu mais interessado em apreender a essência das filosofias pós-modernas não por aquilo que revelam, mas naquilo que escondem? Aquilo que nelas é digno de ser pensado? Talvez seja isso mesmo. Talvez exista qualquer coisa comum no pensamento de um Marcuse, de um Freud, de um Heidegger… precisamente relacionada com as exigências de racionalidade enquanto “coerência lógica”, adequação, certeza…

(continua)

[Jacinto Bettencourt]

E para o fim-de-semana um poste à João Miranda

Não vale a pena tentar complicar muito as coisas. O mundo tem problemas eu tenho as soluções. Vejamos alguns casos práticos:

1.
Problema: Racismo em grandes centros urbanos
Solução: Impostos locais proporcionais ao consumo de bens publicos, liberalização das rendas

2.
Problema: Schumacher ainda não ganhou um único grande prémio
Solução: Reduza-se o peso do Estado

3.
Problema: Desigualdade social
Solução: Os pobres deviam aprender com os ricos a acumular riqueza

4.
Problema: O Postiga é um gajo porreiro, mas não marca golos
Solução: Fim do proteccionismo

5.
Problema: Buraco na camada de ozono
Solução: As leis do salário mínimo causam exclusão social

6.
Problema: Corrupção e mau governo nos países do terceiro mundo
Solução: As leis do salário mínimo causam desemprego

7.
Problema: O fim da floresta amazónica
Solução: Os agentes económicos valorizam a honestidade dos seus colaboradores e parceiros de negócio

8.
Problema: A Isabel Figueiras não me dá o número de telemóvel
Solução: Fim dos monopólios

9.
Problema: Existe um abismo entre as velhas elites democráticas e o povo
Solução: É por isso que as barreiras à mobilidade social como o salário mínimo representam incentivos ao crime

10.
Problema: Aquele ar emproado e penteado ridículo do Carrilho
Solução: Nada disto seria particularmente grave se não existissem barreiras à mobilidade social

11.
Problema: Todos os grandes modelos e religiões foram incapaz de dar um sentido à minha existência
Solução: Leiam-me mais vezes e reduza-se o peso do Estado.


Se faltar algum, antes de dizerem asneiras, liguem-me que eu explico.
Juro que não entendo porque estão sempre a gozar com os liberais!

[Rodrigo Moita de Deus]

Prémio: O que este homem precisa mesmo é de colo

O nível de qualidade - ou por vezes, de polémica - dos nossos posts faz com que sejamos sistematicamente referenciados noutros blogs, o que alarga de uma forma exponencial, em rede, a teia da nossa presença. Noto também que este - como outros blogs - estão frequentemente num momento anterior à divulgação da notícia «tradicional», sendo habitual encontrar ideias apresentadas aqui (e na blogosfera) desenvolvidas nos jornais e nas opiniões televisivas dos dias seguintes (…)

Rodrigo Adão da Fonseca in Blasfémias

Pronto! Pronto! Da próxima vez que não tiveres companhia para almoçar liga.

[Rodrigo Moita de Deus]

O Acidental à escuta

Mais três pontos para as caixas de comentários de O Acidental. Olha o que eu encontrei Paulo! Já conhecias?

[Rodrigo Moita de Deus]

Os meus dois vascos preferidos

O Insurgente fez o serviço público de publicar na blogosfera o artigo de Vasco Pulido Valente no Público de hoje sobre o vergonhoso comportamento das autoridades públicas e as indigentes coberturas televisivas a propósito da morte - mas sobretudo da acção política - do líder do PCP.
O Acidental tinha também já publicado o que escreveu Vasco Rato no Independente - e as duas opiniões são quase coincidentes. Já comentei lá no Insurgente, mas acrescento aqui que foi preciso esperar até sexta-feira para ler na imprensa alguém que realmente não se limitasse a repetir o tom reverencial e hipócrita desta pátria tão ditosa.

[PPM]

O Acidental à escuta

Frase ouvida ontem ao jantar (leia-se ceia):

"Portugal encontra-se entre o Apertão e o Arrastão..."

[DBH]

Você é meu adversário ideológico. E ainda bem

Caro Jacinto,

1. Em primeiro lugar, peço desculpa pelo atraso da resposta. Mas um longo almoço, comemorativo de um futuro casamento (já viu, um liberal clássico também gosta da “essência” da tradição…) reteve-me. Mas, desde já, um grande obrigado.

2. Em relação à “substância” - Como bom conservador de raiz continental, V. é um homem cheio de certezas. Eu, ao invés, não tenho muitas. Mas, pegando no pouco que sei, digo uma coisa: V. é meu adversário ideológico. Repare: estamos sempre tentados a dizer que o nosso adversário está “errado”. Mas eu não faço isso. Lutarei sempre para que V. tenha opiniões contrárias às minhas. Como sou pluralista (V. é um essencialista), só posso dizer que V. é meu adversário e não posso ter a arrogância normativa de considerar que V. está errado. Isto não é matemática, física, arte, ética ou religião. Em política, não se lida com absolutos ou com “essências”. E quando a política tenta lidar com “essências”, acontece sempre um desastre… ético.

3. Em relação à “forma” - Se tenho o dever de respeitar a sua “substância” normativa, também tenho o dever de dizer que a sua “forma” está errada. Ou melhor, tenho o dever de dizer que a estrutura interna do seu argumento não é coerente. V. não pode usar autores tão distintos como Marcuse (primeira geração de Frankfurt), Habermas (segunda geração de Frankfurt), Heidegger (essencialista perigosíssimo), Ferry (céptico liberal – um dos recuperadores da tradição liberal em França) no mesmo raciocínio. Ou melhor, até pode usar. Mas o seu argumento fica ferido de morte, a sua estrutura interna fica enfraquecida e perde legitimidade. Na feitura de um argumento sólido, V. não pode usar uma frase ou ideia solta de um autor que recusaria completamente o argumento que V. está a desenvolver. Repare: uma frase solta de Marx ou Baudrillard até me pode dar jeito, mas eu não a posso usar, pois o meu argumento é precisamente o oposto de marxistas e de pós-modernos. Isto é honestidade intelectual.

4. Ao dizer que a modernidade se esgotou, V., de facto, aproxima-se do pós-modernismo. Por isso, reagiu ao meu post. E, precisamente, comete o erro típico dos pós-modernos: assume que a modernidade é um projecto único. Ora, não há apenas uma Modernidade. Não houve apenas um Iluminismo, mas vários (leia “The Roads to Modernity” da anglo-saxónica (não-fútil) Gertrude Himmelfarb). Mas, felizmente, também não há apenas um único movimento conservador. V. representa uma escola conservadora (falida, em meu entender) e não “o” Conservadorismo. E a sua escola conservadora está, por sinal, muito próxima do Romantismo (essencialismo, a busca pela Unidade na cultura), logo muito próximo de posições que eu considero reaccionárias e anti-iluministas e anti-cosmopolitas. Ou seja, V., apesar de estar situado à direita, é meu adversário ideológico. E ainda bem. A direita é a terra da pluralidade. Aqui não há tabus e gurus que tudo controlam.

(Tenho aqui apontadas mais coisas para escrever. Mas, se me permite, fica para a semana. Este poste já vai muito longo e o Paulo precisa de descanso).

[Henrique Raposo]

Está muito calor...

...para grandes comentários ou postes, sobretudo depois de ter passado duas horas a tentar fugir a uma manifestação de 10 mil funcionários contra Sócrates, justamente apupado de "mentiroso" (da próxima vez, façam a manif à frente da residência oficial do primeiro-ministro quando ele estiver cá, porque estando como está ausente na cimeira europeia, quem sofre com estas coisas é só o povo que trabalha).

Ainda assim, no meio deste calor de assar ananázes, depois de um dia afastado do computador, constato, ao ler o Acidental:

1. Que o Rodrigo 'Monnet' de Deus é o o último dos românticos que ainda acreditam na bondade do referendo europeu - questão que, sinceramente, não me provoca qualquer emoção e não me parece fazer qualquer sentido, uma vez que o tratado constitucional simplesmente já foi morto e cremado.
2. Que a ausência prolongada do Jacinto Bettencourt foi compensada pela qualidade do regresso, mesmo ou sobretudo quando discordo dele, só esperando agora que não despareça de novo durante muito tempo.
3. Que vale a pena ter as caixas de comentários porque, no meio das muitas inanidades e puros insultos que se escrevem, vamos descobrindo talentos e inteligências que não conhecíamos.
4. Que me esqueci de voltar lincar o Lóbi do Chá, depois da recente okupação, mas vou já emendar a mão.
5. Que o Bernardo ainda não escreveu hoje mas que o Henrique deve estar aí a chegar para responder ao Jacinto (ora, não dizia eu, chegou agora mesmo, acabei de receber um sms dele a acusar o envio. Vou já publicar, Henrique, espera aí. É só pôr ali em baixo a minha assinatura).

[PPM]

Já está.

O mundo já existia antes de Marx

A minha redistribuição da riqueza não é socialista. É cristã.

[Rodrigo Moita de Deus]

O Acidental à escuta

Eu sei Carlos, eu sei…e nem gosto muito de referendos.
A angústia provém directamente da passividade da carneirada perante o assunto. Sou conservador e acredito nos precedentes. E que raio de precedente criámos nós agora! Adiar escrutínios por causa do provável resultado? Alguém pensou nisso?
E a turba que não se soube impor quando lhe tiraram o boletim de voto da mão, como queres tu que conquiste o direito de participar no processo europeu? Acreditas que depois disto eurocrata algum volte a arriscar um referendo?
Resultado mais que provável: Alteram-se umas linhas, retira-se do título a palavra constituição e o tratado é ratificado em sede parlamentar.
Pior que os governos foliando da democracia, só o rebanho impávido que os aplaude.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Sabes que mais? Nem me chateio mais com isto. Vou mas é lá abaixo beber outro café que a menina saí às seis e já me disse que amanhã está de folga.

O retrato de Cunhal (segundo Vasco Rato) *

A morte de Álvaro Cunhal gerou um curioso unanimismo. Afirmou-se que o antigo líder comunista combateu o regime autoritário, que desempenhou um “papel relevante” na nossa História recente e que foi um “fundador” da democracia portuguesa. Que Cunhal tenha combatido o regime anterior, ou que teve um “papel relevante” no pós-25 de Abril, parece-me incontroverso. Mas acrescentar que foi um “fundador” da democracia – e que a nossa democracia muito lhe deve - não passa de um revisionismo político inaceitável que diminui todos os cidadãos que genuinamente combateram pelo pluralismo no nosso país.

Homem público que sempre cultivou o mistério em volta da sua vida privada, Cunhal, em tudo que dizia e fazia, reconhecia haver significado político. A sua morte, como seria de esperar, transformou-se num acontecimento político, simbolizado pela exposição do caixão na sede do PCP coberto pela bandeira do partido. Não houve, pois, nada de “privado” na morte de Álvaro Cunhal. E não faltaram os elogios à sua “coerência”, à sua defesa do marxismo-leninismo e à sua fé quanto ao triunfo final do socialismo. Tornou-se fashionable – à esquerda e à direita – enaltecer Cunhal. Todavia, a tragédia política de Cunhal reside precisamente na sua “coerência”. Como disse Emídio Guerreiro, em entrevista ao “Jornal de Notícias”, “essa coerência, para mim, é uma catástrofe. O facto de ser coerente com um bandido como era o Estaline não beneficia nada a personalidade do Cunhal. Isso pode ser sinal de fundamentalismo.”

Perante o desastre monumental que foi o comunismo, Cunhal continuava a acreditar na superioridade de um sistema que fez milhões de vítimas. Contra todas as evidências, nunca deixou de acreditar nos “amanhãs que cantam”. Recusando-se a expressar a mais pequena dúvida, permaneceu convencido de que tinha razão. Mesmo quando o mundo o desmentia. Porquê? A resposta pode ser encontrada num pequeno texto de autoria de Cunhal: “A superioridade moral dos comunistas” (Edições Avante). É um texto esclarecedor porque revela a mentalidade de um homem “esclarecido”, disposto a fazer tudo pela utopia. Um homem que se sente moralmente superior aos seus adversários políticos porque se julga detentor da “verdade”. Um homem que, sendo moralmente superior aos seus adversários, nunca os poderia tolerar. Trata-se, no fundo, de um texto que denuncia a mente de um fanático.

O comunismo defendido por Cunhal foi – a par do fascismo/nazismo - uma das duas experiências políticas mais trágicas do Século XX. A construção do “socialismo real” na União Soviética e outros “países fraternos” saldou-se pelo fracasso económico, e pela negação da liberdade individual. E por muitos cadáveres. O terror foi um dos instrumentos privilegiados para “construir o socialismo”, e a ditadura de classe nunca passou de uma ditadura do partido. Esses mesmos partidos - desde a Polónia à Camboja de Pol Pot - dizimaram povos, sociedades e pessoas. Tudo em nome de uma sociedade ideal sonhada por seitas messiânicas que estavam dispostas a usar o terror para fazer a engenharia das almas. Em suma, o comunismo não passou de um gigantesco crime contra a humanidade. As boas intenções - o ideário comunista – apenas mascarava a barbárie que era a realidade socialista.

É necessário recordar que o projecto do PCP – ao contrário daquilo que muitos disseram ao longo dos últimos dias – não visava garantir a democracia e a liberdade. Cunhal combateu o regime autoritário, mas não o fez em nome da democracia e da liberdade. Fê-lo para reproduzir em Portugal o modelo de construção socialista soviético, caracterizado por Cunhal como “o sol na terra”. Fê-lo para impor uma ditadura leninista assente no terror. Convém recordar a distinção feita por Mário Soares durante o processo revolucionário de 1974/75. Soares defendia o socialismo “em liberdade” contra o socialismo ditatorial do PCP. Sobre isto não pode haver esquecimento, nem a morte de Cunhal pode servir para mistificar estes factos. Respeitar os mortos não passa pelo branqueamento do “papel relevante” desempenhado por Cunhal na nossa História recente.

Mesmo depois do desmoronamento da União Soviética e do seu império europeu, Cunhal recusou perceber o mundo que o rodeava. O fracasso do comunismo europeu resultava apenas de erros subjectivos, das decisões de traidores que haviam renegado o marxismo-leninismo. Era uma explicação pouco “materialista”, mas não importava. Nada do que Cunhal havia previsto ao longo de uma vida se confirmara. As economias de mercado reforçaram-se, as revoluções extinguiram-se, os partidos comunistas ruíram, e o proletariado deixou de ser uma força sociológica relevante. E, apesar de tudo, Cunhal continuava a acreditar. Restava-lhe a fé. Restava-lhe a certeza de que – num futuro longínquo – a História iria absolvê-lo. Restava-lhe a fé messiânica do profeta. Mas, politicamente, não lhe restava nada.
Foi um vencido.

[Vasco Rato]

* Artigo de opinião publicado hoje n'O Independente.