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terça-feira, maio 31, 2005

Constitucionalizem-se os jacarandás

Se o tratado “constitucional” garantir que neste período do ano os jacarandás de Lisboa vão estar sempre em flor, eu voto no "Sim". Se for o "Não" a garanti-lo, eu serei contra o dito.

[Pedro Marques Lopes]

Meu caro Eduardo (II),

Vais achar estranho, mas concordo com quase tudo o que aqui escreves sobre a Constituição Europeia e os danos que poderá trazer para um país como Portugal.

Sem detalhar muito, porque tenho que sair dentro de um pouco (volto, se não te importas, a este assunto amanhã com mais calma), para mim o problema é que as considerações que fazes, e as respectivas consequências, estão fora de época. Não podemos transformar este referendo numa apreciação ou num exame ao trabalho que Ernâni Lopes desenvolveu em nome do Estado português. Essas questões que levantas de forma pertinente, eram questões que deveriam ter sido colocadas na altura.

Do ponto de vista objectivo, neste momento, tanto me faz referendar um texto com 500 páginas ou com metade; neste momento é-me indiferente que em vez da Constituição Europeia, estivessemos a aprovar o Borda d' Água como texto fundamental da construção europeia. Peço que penses nas CONSEQUÊNCIAS...

Faço, por fim, uma confissão: se eu fosse francês, alemão ou inglês talvez votasse como tu.

Um abraço Acidental do

[José Bourbon]

Sim, sim, e também porque sim

Já que a discussão do Eduardo começou comigo e o alinhou mais tarde, permitam-me que meta a minha foice sem martelo na discussão sobre o tratado constitucional e contraponha alguns rápidos argumentos.

Começando com o interesse nacional, não vejo porque é que ele pode ser utilizado como "um dos mais fortes motivos" para rejeitar o que o Eduardo agora entreaspa como "Constituição" - pelo menos, já é uma evolução assinalável, uma vez que tenho lido os partidários do "Não" a chamarem-lhe repetidamente o mesmo nome sem aspas, mas o que está em causa no referendo europeu sempre foi um tratado constitucional. Para além do mais, trata-se de um tratado que não entrará em vigor caso um - e basta que um - dos estados-membros vote contra o seu articulado. O que já aconteceu com a França e, tudo indica, se repetirá na Holanda e, pelo menos, na Grã-Bretanha.

Lamento muito, caro Eduardo, mas queiram ou não queiram os partidários do "Não", pouca gente em Portugal - para além do dr. Soares, da drª. Ana Gomes e de outros tantos federalistas -, morre reamente de amores por este tratado. Mais: queiram ou não queiram os partidários do "Não" ou os ultra-federalistas do "Sim", este tratado não dará jamais lugar a qualquer waterloo nem será jamais uma álcacer quibir para Portugal ou para a Europa. Aqui, meus amigos, não há lugar para grandes romances nem para tragédias gregas. Hélas...

A haver referendo, votarei sempre no "Sim", como já escrevi, por uma pura razão prática - e não me envergonho dela, mesmo que compreenda algum do entusiasmo juvenil das partes mais entusiasmadas. De facto, para mim, e tal como diz o Zé, o "Sim" é um voto no interesse nacional português. Parece-me muito claro, como também já o escrevi, que um país atrasado e periférico como Portugal - é verdade, é isso que somos -, continua profundamente dependente de fundos europeus e de apoios comunitários da mais diversa e urgente espécie, não se podendo dar ao luxo de devaneios irrealistas - francesices, neste caso, é uma boa expressão - à volta de uma "constituição" que nunca existiu - e, pelos vistos, nunca existirá.

Mas o que me parece mais surrealista em toda esta discussão é que tudo indica que a grande maioria dos partidários portugueses do "Não" ficou ligeiramente desiludida com a decisão francesa - na verdade, ela põe em causa a própria relevância do referendo português - e havia muito boa gente que já montava o cavalo do referendo como forma de ajustar algumas contas políticas internas. E essa é que é essa.

(Voltarei ao assunto com mais tempo para, entre outras coisas, contestar a ideia, para mim peregrina, de que um putativo representante externo comum na Europa possa pôr em causa uma "política externa autónoma" portuguesa. Para já, deixo só uma pergunta ao Eduardo: será que realmente existe uma qualquer política externa nacional completamente autónoma numa Europa e num Mundo cada vez mais interdependentes? Ou ainda mais uma: será que as nossas relações com a África que fala português e com o Brasil têm obtido grandes progressos nas últimas décadas com o que chamas de "política externa autónoma"?)

[PPM]

Now we're talking sense

Começa, finalmente, a falar-se a sério sobre a dita cuja constituição europeia. Devemos isso aqui ao meu colega Eduardo e aqui ao José Pacheco Pereira.
[Luciano Amaral]

Não, mas não porque não

, concordo que o interesse nacional é um importante argumento, mas discordo da conclusão que dele retiras. O interesse nacional é, precisamente, um dos mais fortes motivos para rejeitar a "Constituição". O interesse nacional, o interesse europeu e outras razões que estão para lá dos interesses.

Começo por estas: as razões que em qualquer caso me levam a rejeitar a "Constituição" - inclusive numa para mim meramente académica hipótese de, como instrumento, a dita ser "boa" para Portugal.

1. O nome.
Não é de forma inocente que se qualifica o papel como uma "Constituição". O poder constituinte - aprendi na escola – serve para instituir um Estado. E a Constituição daí resultante não é menos do que o acervo das disposições e dos princípios fundamentais desse Estado; disposições e princípios que regem os indivíduos perante si e perante o poder político, definindo a sua titularidade, os seus modos de formação, de manifestação e de exercício. É, em suma, um documento que situa os cidadãos e conforma o Estado. Um documento que, portanto, implica um Estado.
Ora, admitindo que possa haver quem seja contra um Estado Europeu, contra um super-Estado, contra os Estados Unidos da Europa, quem, apesar do romantismo da ideia, ache que a Europa deve continuar a ser um conjunto de Estados independentes e soberanos, se bem que com algumas regras tendencialmente uniformes, esta é uma óptima razão para votar não.
Os nomes são importantes. As palavras são importantes. O rigor é importante. Se isto não era para ser uma "Constituição", então nunca tal nome deveria ter sido usado.

2. A dimensão do articulado.
Sou daqueles que acham que uma Constituição ou um tratado com objectivos similares (já que a palavra “Constituição” é para mim questão prejudicial) não pode ultrapassar o mínimo do mínimo denominador comum. Que deve limitar-se a conter o normativo essencial sobre o qual todos os que nele se vinculam e a ele se submetem estão de acordo. Ora, se no mundo não existem, sequer, 50 coisas essenciais, na Europa muito menos. Para quê as 500 páginas, os quatrocentos e muitos artigos, as infindáveis remissões e toda a tralha atrelada? Para quê, se não para complicar, para desarranjar, para tornar intratável aquilo que deveria ser um simples tratado.
Para quem vive com uma Constituição (a nossa querida CRP) maior que o código da estrada e lida habitualmente com os problemas que isso acarreta, a exorbitante dimensão do documento, seja qual for o seu conteúdo, é uma mais que suficiente razão para votar não. Nenhum texto normativo que se quer essencial deve ter mais de - vá lá - 50 artigos (incluindo nesses o fundamental sobre a orgânica e o seu funcionamento).

3. O conteúdo.
Esta não é altura - nem tão pouco a paciência o permite - para, de uma penada, dissecar todo o articulado da “Constituição”. Até porque, faltando ainda uns meses para o referendo português, haverá tempo para paulatinamente ir fazendo a exegese critica da coisa. Assim, e por ora, abordarei apenas um dos mais nefastos e irrealistas pontos desta “Constituição”: o Ministro Europeu dos Negócios Estrangeiros.

É ponto nefasto, pois impedirá Portugal de ter uma política externa autónoma, quando Portugal precisa de ter uma politica externa autónoma. Sem prejuízo do empenho na integração europeia que, com conta, peso e medida, deve prosseguir, Portugal tem de virar-se para outros lados. Mais precisamente, para o Brasil e para a África que (ainda) fala português. Não, como é óbvio, com intuitos neocolonialistas. Tal seria inútil, estúpido e contraproducente. Mas como forma de aproveitar e potenciar algumas das poucas mais-valias que nos restam. Este é um pobre e pequeno país e essa poderá ser uma boa saída para os portugueses sem deixar de ser - tudo indica que sim - uma boa oportunidade para os outros povos. Com a figura do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Europa tal nunca sucederá. No colo de uma suposta política europeia comum, as energias serão gastas em desavenças internas e guerras estéreis com a América nas quais a Europa não só nada ganhará, como acabará - as usual – humilhada e dividida.

É também um ponto irrealista, já que, na Europa, existem ainda demasiadas diferenças para que seja possível, de modo eficaz, agir a uma só voz. As reminiscências de séculos de guerras e alianças ainda palpitam e a ideia de, neste contexto, impor uma política externa comum global não passa de um perigoso wishful thinking, que, a ser tentada, levará a Europa a recorrentemente cair no ridículo, enfraquecer-se perante terceiros e cavar mais fundo as suas, para já, sustentáveis e sadias diferenças.

[ENP]

Postes com três dias de atraso - música deste fim de semana

ta ta ta ta ta...Ninguém cala o cadilhe, ninguém cala o cadilhe, ninguém cala o cadilhe `o é ò...

[Rodrigo Moita de Deus]

Fast Nabo

Por outro lado a nomeação de Murteira Nabo para Presidente não executivo da Galp está acima de qualquer contestação. Afinal o homem tem créditos firmados no ofício de não executar.

[Rodrigo Moita de Deus]

Fast Gomes II

Em qualquer país do mundo, qualquer ministro teria capacidade para gerir qualquer empresa. Mas sempre estamos a falar de Portugal e de Fernando Gomes.

[Rodrigo Moita de Deus]

Criminoso, moi?

Tráfico de influências - Tem dias em que movo tantas influências, sobre tantos assuntos, que em vez de tráfico se gera um verdadeiro tráfego.

[Rodrigo Moita de Deus]

Fast Gomes

A propósito da sua recente nomeação para a GALP, gostaria de dizer que considero Fernando Gomes um político postiço.

[Rodrigo Moita de Deus]

Entre a pimpineira e os patrulheiros de consciências

Sinal dos tempos generalizou-se no país o regime geral da suspeição. Os portugueses atónitos descobriram de há uns meses para cá que vivemos numa economia livre. Onde o Estado tem de contratar e comprar a privados. Onde o Estado tem de fazer “negócios” com outras entidades. E, espanto, os privados fazem mais valias com esses “negócios”. Eis palavra proibida dita em sussurro: “os negócios”. Todos os negócios deviam ser investigados. Todos aqueles que fazem “negócios” deviam ser presos. Trinta anos depois de Abril o país finalmente interiorizou o pior do socialismo.

O fenómeno não é estranho. Em anos de vacas magras o povão fica mais sensível a estas coisas. A inveja mais aguçada e o espírito mais vulnerável para as doutrinas moscovitas. Se a mais valia é um crime, todos os que guiam automóveis de gama superior aos Fiats da Judiciária deviam ser investigados. Pobre povão. Mal sabe ele que os bons “negócios” com a coisa pública já foram quase todos feitos. Agora pouco mais sobra que os matadouros e os contratos para a aquisição de clips.

Pouco importa. De uma subcave na Damaia os patrulheiros fazem juízos sobre a consciência dos outros. Os culpados, são queimados em fogueiras públicas alimentadas por páginas de jornais.
Os inocentes… bem… ninguém é rico sendo inocente.

A turba chateada com o aumento do IVA, com a falta de plafond no cartão de crédito e com a derrota do Benfica na Taça, alegra-se em saber que alguém está do seu lado e lá vai alimentando o monstro. Há bons e maus. Os maus são aqueles que têm mais do que nós. É um fenómeno entre a pimpinheira e o ressentimento.

O país descobriu finalmente que existia corrupção. Feito extraordinário. Pena é que lhe falte maturidade. Maturidade para tentar corrigir o sistema sem o por em causa. Maturidade para saber viver com o sucesso do vizinho do lado. A inveja é a mãe de quase todas as doutrinas políticas. A inveja faz as pessoas feias. O país está cheio de pessoas feias.

[Rodrigo Moita de Deus]

Nadia Komaneci, eat your heart out



Falar num dia de "egoísmos nacionais" e fazer um "apelo patriótico" no seguinte. Isto é, em termos de retórica política, o equivalente a uma série de "pirueta com flic-flac invertido". Especialmente tendo em consideração a maçadora série apresentada, pelo atleta, no campeonato passado, conhecida por "há vida para lá do défice".

[DBH]

O 38 e as meninas do Piaget: “Mamadu não é um tretas”.

Hoje, o 38 estava caótico. Vejam se me entendem: o 38 é sempre caótico, mas hoje estava particularmente caótico. Parecia um pedacinho de Colômbia a cirandar de um lado para o outro em Lisboa. E por isso mesmo é tão divertido, tão representativo. Neste caos movido a gasóleo, encontramos Portugal. O 38 é a nossa síntese: da senhora da frutaria até à futura psicóloga formada no Piaget, estão lá todos. E, aliás, as meninas do Piaget são mesmo… representativas.

Ao lado de uma senhora que erguia bem alto a sua couve, e por cima de um tipo que preparava, sem qualquer pudor, um daqueles “filtros” para actividades ilícitas, uma menina do Piaget lia. Em pé. Estava rodeada de um mar de gente. Mas lia. Qual é o problema? Aquele teatro literário dependia de uma coisa: os seus cotovelos tinham de estar levantados. E adivinhem onde é que estavam os cotovelos? Nas minhas costas, é claro. Não protestei contra tamanho acto de afectação. Em nome da cultura, é claro.

Mas, de repente, o drama avoluma-se. A menina do cotovelo pedante começa a falar com outra menina do Piaget. Eram colegas. De carteira. Começam a falar. Às tantas, a nova rapariga lamenta-se:

- Isso da astrologia, das cartas, da sina é uma treta. É religião indolor que não exige sacrifício.

Fiquei maravilhado. Aquela lucidez, emitida num pedaço de Colômbia, parecia-me Kant com voz de Shakira.

- Também acho. Aquelas tipas que fazem isso na TV são umas tretas – Esta foi a óbvia resposta da menina do cotovelo (para meu espanto, continuava de cotovelo em riste. Já não lia, mas o cotovelo continuava nas minhas costas. Será uma espécie de esclerose de pedantes?)

A selva do 38 permanecia impávida. Não ligava à conversa matinal das meninas do Piaget. O miúdo do filtro, já queimava qualquer coisa. A senhora da couve já fazia o caldo verde. Tudo na paz do Senhor. Até que, do nada, surge um “passarinho amarelo” (isto é uma ode ao maior escritor de língua portuguesa depois de Pessoa: Nelson Rodrigues. Viva a prosa brasileira). Após os três “pius” da praxe, o dito-cujo amarelo poisou no ombro da senhora do caldo verde e perguntou às meninas:

- Então, e o Professor Mamadu? Também é um tretas?

Resposta unânime, inequívoca, como se fosse o “óbvio ululante”:

- Claro que não. É membro de outra cultura que deve ser respeitada.

O passarinho amarelo ouviu e calou. Antes de voar pela janela, pousou no meu ombro e disse:

- Pá, um tretas que se chame Jorge António é mesmo um tretas. Um tretas que tenha a sorte de se chamar Mamadu não é bem um tretas. É uma especificidade cultural.

E voou. Tenho saudades dos “passarinhos amarelos”.

[Henrique Raposo]

De novo o gulag tropical

Para se discutir Guantánamo é necessário esclarecer duas coisas: uma, quem são os detidos no campo, a outra, o que é o estatuto de prisioneiro de guerra.
1. Quem são os detidos? São combatentes Taliban e/ou da al-Qaeda, capturados em 2002 no Afeganistão durante a guerra do Afeganistão. Constitutem uma selecção do conjunto de presos feitos na ocasião, desviados para Guantánamo para “continuação de interrogatório”. Não são soldados, no sentido em que a 3ª Convenção de Genebra define um soldado. São terroristas, passíveis de possuir informação relevante que, uma vez obtida, pode permitir evitar outros ataques terroristas.
2. O que é o estatuto de prisioneiro de guerra? Esse estatuto, de acordo com a Convenção, só pode ser atribuído a soldados que, em princípio e por definição, dirijam a sua actividade violenta apenas contra outros soldados e não contra civis. É por isso que os soldados devem usar uniforme (para serem facilmente reconhecíveis), transportar armas de forma visível (para evitar o seu uso de forma inesperada) e não se misturarem com a população civil (para evitar ao máximo os danos civis da actividade militar). Tudo isto tem ainda uma outra consequência, que é a de que, mesmo os soldados, não devem usar a violência para além daquilo que são as situações propriamente de combate. Quando um soldado se rende, o outro deve aceitar a sua rendição detendo-o e não liquidando-o.
3. Os prisioneiros de Guantánamo não cabem em nenhuma dimensão desta classificação. Aliás, são eles que pela sua própria actividade se colocam fora das regras de Genebra: os seus objectivos são maioritariamente civis (bastará ilustrar com os atentados de Nova Iorque, Madrid ou Bali para percebermos isto), não usam uniforme (não sendo, por isso, facilmente identificáveis), usam armas escondidas, misturam-se com a população civil e não aceitam rendições. As regras de Genebra pressupõem reciprocidade. Ora, a reciprocidade não está aqui presente.
4. A concessão do estatuto de prisioneiro de guerra a estes combatentes corresponderia, desde logo, a uma violação da convenção. Corresponderia ainda a tornar impossível qualquer interrogatório com o fim de obter informações sobre eventuais futuros ataques terroristas (entre outros privilégios, o estatuto de prisioneiro de guerra garante imunidade perante tribunais civis e militares).
5. A realidade do terrorismo é, portanto, diferente da realidade de uma guerra convencional. Para ser levada a bom termo tem de exigir adaptações da legislação existente, que não foi concebida tendo em vista uma situação como a da presente guerra. Mas também é para isso que existe a jurisprudência: perante realidades novas, têm de se conceber regras novas.
6. O que é que o gulag tem que ver com isto? PC, não venha outra vez com a história do papagaio. Já todos percebemos a piada. Nos gulags estiveram presos e foram assassinados, de acordo com as categorias soviéticas (por exemplo), “burgueses”, “capitalistas”, “imperialistas”, “artistas decadentes”, “traidores ao partido”, “prostitutas”, “proxenetas”, “pequenos ladrões”, um sem-número de maravilhosas categorias criminais, de resto dotadas de grande elasticidade: quem sabe se eu ou o PC, se tivéssemos lá vivido ao tempo, não seríamos presos sob a acusação de “proxenetas” ou até mesmo de “prostitutas”. Foi daqui que resultaram os tais milhões de mortos. Guantánamo=Gulag? Meu caro PC, eu acho que você consegue fazer melhor.
[Luciano Amaral]

segunda-feira, maio 30, 2005

Meu caro Eduardo,

E que tal o argumento do interesse nacional e das (inevitáveis) consequências para um Estado pequeno como Portugal?

Vai apertar o controlo sobre o défice excessivo; a discussão sobre a coesão está (inevitavelmente) adiada; o directório vai reforçar-se...

Confesso que este resultado em França cria um caos que até acaba por ser divertido para um observador (agora) desinteressado... Mas e o interesse nacional?

Chega?

Um abraço Acidental,

[José Bourbon]

Prometo solenemente

Que darei razões mais substanciais e menos mesquinhas do que a figura repelente do Le Pen para votar "Sim" no referendo europeu. A seu tempo, Eduardo.
Para já, em homenagem a todos os partidários do "Não" - menos o BE, o PCP e o Manuel Monteiro - deixei a tocar a música da Marselhesa na vitrola do Acidental: allons enfants de la Patrie, le jour de gloire est arrivé.
Sans rancune.

[PPM]

Diz-me no que votas e não com quem não votas

Não, Paulo, não chega.
Esse é um “argumento” que eu nem sequer levo em consideração. É um não-argumento. Se todos pensassem assim, estava encontrada a forma de ganhar eleições e referendos: bastaria fabricar um idiota útil suficientemente assustador, pô-lo a apoiar a posição que queríamos ver derrotada, e logo os eleitores sensíveis, os “bons” eleitores, ordeiramente passariam para o lado oposto, mesmo que, no essencial, em nada nele se revissem. Não faz sentido determinarmos as nossas escolhas por oposição às escolhas daqueles que, em tão vastos universos, nos repugnam. Votar pontualmente no mesmo sentido que Le Pen, não é o mesmo - nem levemente parecido - que votar em Le Pen. Se assim fosse, tornar-se-ia difícil votar – onde, em quem e no que quer que fosse.
Haverá, com certeza, boas razões para votar sim, mas nunca “essa”.
Paulo, tens (tens, não, porque aqui cada um faz o que quer) que arranjar outras “coisas más do ‘não’”, pois essa não cola.
[ENP]


P.S. Calculo que o "argumento" transposto para o referendo português seja o de não votar ao lado do Louçã.

Bonjour, non?

Nós não somos franceses, petit garçon, nous sommes belgians

O Eduardo Nogueira Pinto pede num comentário para que me deixe de tangas e diga quais são as coisas más do "Não" francês, uma vez que o projecto europeu que foi rejeitado pelos franceses seria o mesmo que defendo.

Escrevi - lá nos comentários - que só lhe responderia se ele publicasse um texto sobre o assunto na página principal d' O Acidental - ainda que sempre o vá lendo aqui ou ali. Antes de mais, quero só garantir-lhe que não sou anti-francês e até sou dado a francesices, como o Tintin e a Milou (ah, é verdade, o Hergé nasceu em Bruxelas), o Michel Vaillant (este é mesmo francês), a FNAC, o Albert Camus (ok, eu sei, nasceu na Argélia), e, sobretudo, a Leticia Casta. Mas, desta forma, continuo só a falar do lado bom de França e o Eduardo exigiu-me que falasse sobre as coisas más do "Não" francês.

Poderia dar-lhe, talvez, uma razão de fundo, que pode até ser vista como uma coisa má para os bolsos europeus, incluindo os meus e os dele: a queda do euro, que se prevê ainda maior com o "Não" holandês. Mas seria um argumento demasiado vil para uma questão tão grandiosa.

O pior é que nem considero que a questão do tratado constitucional seja assim tão grandiosa - se este não for aprovado, fica a vigorar o normativo Tratado de Nice -, como entendo que muita gente anda a discutir não o tratado em si, mas questões puramente laterais e muitas vezes egoístas.

Em França, como em Portugal, a discussão esqueceu há muito o dito projecto europeu - quando não se esqueceu mesmo de o ler, nem que fosse em diagonal - e o referendo transformou-se numa questão de pura política interna, de afirmação de tendências partidárias ou de tentativas de protagonismo político (nem preciso de falar de Manuel Monteiro para o exemplificar).

Para mim, como já escrevi aqui ou aqui, este tratado seria um mal menor, tendo em conta o projecto ultra-federalista que esteve na sua génese. O resultado final não me provoca qualquer entusiasmo, não me aquece nem me arrefece: defendo-o porque considero que Portugal beneficia em termos europeus se votar "Sim" - e hoje, depois do "Não" francês, beneficia mais do que nunca.

Há muito boa gente que classifica a minha posição como consensualista, ainda que pareça que voltei à tese cavaquista do "bom aluno". Mas, no meio de tudo isto, não dei um exemplo minimamente aceitável de "coisas más" no "Não" francês, tal como me foi pedido pelo Eduardo.

Pois bem, aqui deixo uma coisa muito má - mas realmente péssima -, porque este senhor foi um dos grandes vencedores de ontem:

Ah, trés bon, esses portugueses também querem votar Não?

Chega?

[PPM]

Eureka!

Barnabé vira à direita! Há pluralismo no Barnabé!

[Bernardo Pires de Lima]

Afinal, Cavaco é só o padrastro do monstro

Cadilhe contesta título do EXPRESSO

Miguel Cadilhe contesta o título da última edição do EXPRESSO, onde se lia «Miguel Cadilhe acusa: Cavaco é o pai do monstro», sendo o «monstro» o Novo Regime Retributivo da função pública, criado em 1989, e responsável pelo crescimento explosivo da massa salarial do Estado desde aquela data.

«Não me revejo no título de primeira página do Expresso de sábado», afirma Cadilhe. «O título não cumpre o espírito do meu texto e do meu texto não se retira aquele título. Há aqui uma diferença de grau que me parece desrazoável e que não subscrevo. O que existe de facto é o meu texto, agora vertido em livro, existe um outro texto do meu livro de 1990 'Factos e Enredos' e um texto do prof. Cavaco Silva da sua Autobiografia Política 2. Claro que o Expresso é livre para concluir o que entender, de retirar as ilações que entender, mas admito que haja limites e este título, a meu ver, não corresponde ao espírito do meu texto e eu não me revejo nele. Poderá o Expresso dizer que eu não me tenho de rever nos seus títulos. Mas o que é facto é que qualquer leitor comum do Expresso pode retirar linearmente que eu acusei expressamente Cavaco como o pai do monstro. Ora eu não disse isso, não escrevi isso, e julgo que há uma diferença de grau fundamental entre o que escrevi e o que aparece neste título».


[PPM]

Coisas boas do "Não" francês (III)

A França votou contra si própria e contra o seu próprio projecto europeu.

[PPM]

La démission

UNE CERTAINE IDÉE DE LA EUROPE

A última vez que um presidente francês convocou um referendo, apostou o seu "prestígio" no mesmo, e perdeu foi em 1969.

A vitória desse "NON" resultou em duas frases apenas:

"Je cesse d'exercer mes fonctions de président de la République. Cette décision prend effet aujourd'hui à midi."

Veremos se o mesmo "NON", hoje, servirá para ajustar contas com o governo ou a capitulação de Chirac perante Sarkozy.

[DBH]

O macaco está morto

Ao PC não o mando pentear macacos, até porque ele já percebeu (ou sempre percebeu) que de nada adiantam as comparações Bush=Hitler, Guantánamo=Gulag. Lá vai insistindo na coisa, mas já com muitas qualificações, o que melhora um pouco a conversa. Estamos, como é evidente, nesta questão de Guantánamo, num terreno difícil, como são todos os terrenos de fronteira. Como o PC bem sabe, gritar Guantánamo=Gulag é simplesmente uma maneira de não querer tratar do problema, regressando ao estafado argumentário dos nossos tempos, o qual se pode resumir na frase: a culpa é dos americanos. Quem grita Guantánamo=Gulag não quer discutir a questão, quer juntar mais uma acusação ao libelo anti-americano. O que ele vai ter é que me dar tempo para lhe responder, porque só agora vi o seu post e a minha vida não é só isto.
[Luciano Amaral]

As coisas que se aprendem no Barnabé

Parece que foi Sérgio Godinho o autor da frase “a democracia é o pior de todos os regimes, excepto todos os outros”.
[Luciano Amaral]

Green stripes

VFC
Eu sempre que soube que no futebol tudo é uma questão de verticalidade.
[Luciano Amaral]

Non, rien de rien

Non

E a França lá disse que não à Constituição Europeia. Por razões completamente disparatadas. Mais grave, porém, é que, caso vencesse o Sim, as razões seriam igualmente disparatadas: seriam as mesmas, mais os diversos disparates que o lado do Sim foi adiantando para fazer prevalecer a sua causa. Acompanhar o debate francês, bem como aquele que se começa a preparar aqui, é uma dor de alma: é tudo tão triste…
Enfim, confrontavam-se em França dois péssimos. Venceu o péssimo menor. Não é razão para ninguém se alegrar, mas sê-lo-ia ainda menos se o resultado fosse o contrário.
[Luciano Amaral]

O Acidental recomenda

"Sua Cachorra", de Gonçalo Curado, no Sinédrio.

[PPM]

Verde e branco

Assistimos ontem à primeira e última grande vitória da época de um clube verde e branco. Mas não era o Sporting.

[PPM]

PS. Este poste é dedicado a todos os anti-benfiquistas nacionais, incluindo o Bernardo Pires de Lima e o José Bourbon. Aliás, Bernardo, lembra-te que o Vitória de Setúbal ganhou 2-0 ao teu amado Sporting.

Outros "Nãos"

Vítor Constâncio coloca-se fora das próximas eleições presidenciais. “Não sou candidato e não tenho mais nada a dizer sobre esse assunto”, afirma o governador do Banco de Portugal, numa curta declaração ao DE.

[PPM]

O Acidental à escuta

Pedro Lomba na revista "Atlântico".

[PPM]

Coisas boas do "Não" francês (II)

Primeiro-ministro francês, Jean-Pierre Raffarin, deve sair. E o antigo ministro e presidente do partido governamental francês UMP, Nicolas Sarkozy, é uma das possibilidades para a sucessão.

[PPM]

Marcelo tomado de assalto

Afinal, o Sítio do Sim que, segundo o "Expresso", seria lançado esta semana por Marcelo Rebelo de Sousa, foi tomado de assalto por partidários do "Não". Não deixa de ter alguma graça e não ofende.

[PPM]

Coisas boas do "Não" francês

Há mais uma razão para votar "Sim" ao tratado constitucional em Portugal.

[PPM]

Portugal não é bem um país

1. Na quarta-feira, no "Diário de Notícias", Miguel Coutinho colocou o dedo na ferida: «o mosaico de interesses corporativos e partidários que constitui o país inviabiliza quaisquer reformas ou rupturas que atinjam o núcleo dos seus privilégios».

2. Isto não é bem um país. É um risco no mapa onde, por acaso, vivem 10 milhões de pessoas. Estes 10 milhões são membros de guildas, de corporações. A “lei”, essa coisa comum que nos deveria unir, não existe. Existe, somente, o interesse da guilda. Como não se conhece a “lei”, não se concebe o conceito de cidadania. Por que razão não existe cidadania? Ora, porque não se concebe o conceito de estado. O estado é uma abstracção inatingível para o português. O estado, aqui, é sinónimo de apenas duas coisas: (1) subsídios e devolução do IRC; (2) o estado serve para ser enganado; o “tuga” gosta de dizer aos amigos que enganou o estado. O italiano gosta de dizer quantas tipas seduziu, o espanhol gosta de dizer quantos monólogos fez num dia e o português gosta de dizer quantos euros roubou ao estado.

3. É costume ouvir-se: “eles que se lixem” (ler “eles” como sinónimo de estado; para o “tuga”, o estado é uma espécie de teoria da conspiração. Daí o “eles”).

4. Também não existe respeito pelo mérito individual. Em Portugal, não há indivíduos, mas sim membros de guildas. As guildas que governam Portugal pensam assim: «Se X for dos nossos, então, é bom. Melhor: é muito bom. E, claro, Z até pode ser um génio, mas se não for da nossa guilda é um traste». Portugal é uma espécie de far west, repleto de tribos e de alguns cowboys. Portugal é uma colecção de tribos. Tribos que vivem sempre na defensiva, escavando trincheiras. É isso mesmo: Portugal não pode ser uma colecção de tribos. Não, isso seria demasiado bucólico. Portugal é, isso sim, “a” guerra 14-18. É trincheiras por todo o lado. E, como se sabe, na guerra de trincheiras não há indivíduos. Somos todos carne para canhão.

5. Um país que não reconhece o mérito individual está condenado à mediocridade. Mais: um pais que não consegue pôr termo à hegemonia dos interesses corporativos está condenado a ficar bloqueado. É essa a mensagem de Miguel Coutinho. Como em qualquer país sul-americano, “bloqueio” é a palavra-chave da política portuguesa. Os especialistas da América latina, afirmam, a brincar, que o Chile é um pedaço de Europa encravado na América Latina. Plagiando, diríamos que Portugal é um pedaço de América Latina que deu à costa europeia.

6. Solução? Não se deve falar em “soluções” para “problemas”. Porquê? Fácil: sempre que um primeiro-ministro fala numa “solução” para um “problema”, os guildas que vivem desse “problema” começaram a fazer a chinfrineira do costume, e, aí, o primeiro-ministro fica com a opinião pública adversa e contrária a reformas. Mas a opinião pública não deveria apoiar reformas que seriam boas para o país? Na teoria, sim. Mas, na prática, como todos são membros de guildas, isso não sucede. O raciocínio é fácil de seguir: «Ah, se ele vai mexer nos interesses daquela guilda, então, é sinal que poderá atacar a nossa, portanto, é melhor ele não mexer em nada».

7. O Poder, em Portugal, não deve falar em soluções, mas numa vida nova, num modelo novo. Num recomeço.

[Henrique Raposo]

domingo, maio 29, 2005

Europa

Addio, adieu, aufwiedersehen, Goodbye...

[José Bourbon]

E foi…

NÃO! No! Non!

Tudo vai mudar.

O directório vai reforçar-se;

Durão Barroso, ou melhor, José Manuel Barroso passou à história como o Presidente da Comissão Europeia do NÃO;

Os Estados pequenos serão os mais penalizados.

[José Bourbon]

Obrigado Vitória....

... a noite em Lisboa vai ser tranquila.

"E ninguém pára o Benfica, olé, oh"!

"Palavra de honra que fomos sérios"!

[José Bourbon]

Retrato da Semana

greek tragedy

[VW]

Ainda o Arquipélago Guantánamo

Na sequência da minha nota sobre a equivalência feita pela Amnistia Internacional entre o gulag e Guantánamo gerou-se uma discussão no Mar Salgado. Tenho, a respeito do assunto e da discussão, a acrescentar o seguinte:
Países em guerra têm direito a encarcerar os seus inimigos. Os EUA estão em guerra com a al-Qaeda. Guantánamo é um campo de prisioneiros da al-Qaeda, não uma prisão para criminosos de delito comum ou de delito político. É ridículo exigir aos EUA que derivem uma acusação formal aos prisioneiros de Guantánamo. Durante a II Guerra Mundial, os aliados ocidentais (EUA e Grã-Bretanha) encarceraram cerca de meio milhão de pessoas até 1944, muitas delas em campos de detenção nos EUA e no Canadá, e a partir do desembarque da Normandia encarceraram cerca de sete milhões na Europa. Nunca lhes fizeram qualquer acusação formal, a não ser nos casos em que a acção de determinados indivíduos configurasse crimes de guerra ou crimes contra a humanidade. Libertaram-nos quando terminou o conflito ou quando certas pessoas deixaram de colocar perigo para o esforço de guerra. No Vietname existiram prisioneiros de guerra, na guerra da Coreia também, e o mesmo aconteceu na I Guerra Mundial e em todas as guerras em que se instituiu o princípio de que os inimigos devem ser presos preferencialmente a ser mortos. Quem não gosta de Guantánamo tem de estar disposto a aceitar que a alternativa seria matar as pessoas que lá estão detidas. Dir-se-á que a al-Qaeda não é um estado e que o estatuto de prisioneiro de guerra se aplica a soldados de estados em guerra. É verdade que a al-Qaeda não é um estado. E é por isso que os prisioneiros de Guantánamo não têm propriamente o estatuto de prisioneiros de guerra mas antes de “combatentes inimigos”. É uma adaptação do estatuto para uma realidade diferente duma guerra convencional entre estados.
As pessoas detidas em Guantánamo não são soldados, mas fazem parte de uma organização que matou 3.000 civis em Nova Iorque, mais não-sei-quantos milhares no Quénia, no Iraque e em Bali e por esse mundo fora. Não se lhes pode conceder o estatuto de soldado, mas também não se pode lidar com eles como se se tratassem de prisioneiros de delito comum. Estão a ser interrogadas com métodos agressivos? Não sei, mas aposto que sim. Estão-no porque podem dar informações sobre outros membros da organização, planos existentes e informação diversa que contribua para a guerra dos EUA com a al-Qaeda. Estão a ser torturadas? Também não sei, mas duvido. Mas então e as acusações que vêm sendo feitas de que por lá existe tortura? Convém saber como foram obtidas. Foram obtidas através das declarações de detidos em inquéritos realizados pelo FBI e pelo Pentágono. Há razões para duvidar que indivíduos pertencentes à al-Qaeda sejam estritamente sinceros a esse respeito e para crer que criem um quadro de lamentação que faça sentir os seus interrogadores mais constrangidos. E se se tomam à letra as acusações destes detidos, porque não tomar outras feitas por outros. Exemplos de frases retiradas dos mesmos relatórios: “os americanos são muito boas pessoas”; “se alguém disser que há mau tratamento em Guantánamo está a mentir; eles tratam-nos como muçulmanos e não como prisioneiros”; “estou em muito boa saúde e tenho boas instalações para comer, beber, viver e recrear-me”; “a comida é boa, os quartos estão limpos e os cuidados de saúde são muito bons”. Não estou a inventar. E agora? Tortura ou grande bondade? Eu também não acredito nesta última hipótese.
Eu não sou um espírito sensível, e por isso acho Guantánamo legítimo. Mas admito que existam pessoas que partilham as mesmas ideias que eu e a quem choque Guantánamo. Com essas, estou disposto a discutir, tentando fazer prevalecer a minha posição. Com as pessoas que comparam Guantánamo com o maior horror político e humanitário da humanidade (a par com o nazismo) mando-as pentear macacos. Na melhor das hipóteses, não sabem do que estão a falar. Na pior, sabem, o que as torna ainda mais insusceptíveis de merecerem uma conversa séria.
As permanentes comparações dos EUA com o nazismo e (agora) com o comunismo derivam do decadentismo intelectual que corresponde ao ódio de muitos ocidentais pela sua própria civilização. No nazismo ou no comunismo, as pessoas que fazem essas graçolas há muito tempo que teriam sido exterminadas. São, portanto, pessoas que não se enxergam. Não se enxergam e mostram uma extraordinária falta de respeito pela memória das vítimas dos sistemas políticos mais horríveis que a humanidade alguma vez conheceu.
[Luciano Amaral]

sábado, maio 28, 2005

E se no Porto se lesse A Capital...

... Fernando Gomes já estaria com ideias de aplicar a directiva da BP à Galp. Penso eu de que.

[José Bourbon]

sexta-feira, maio 27, 2005

Bloco de Esquerda defende imposto sobre grandes fortunas

O deputado Anacleto, agora pomposamente aclamado como "coordenador da comissão permanente do Bloco" (a lembrar a Comissão Coordenadora do Programa no tempo do PREC) que se cuide...

[Bernardo Pires de Lima]

Super Size Flush

Decidi, como bom cidadão europeu, ler a famosa (e impropriamente chamada) Constituição Europeia. É coisinha para cerca de 500 páginas. A páginas tantas perdi a paciência e assaltou-me aquele instinto contra os direitos humanos que pessoas como eu sempre têm lá no fundo. Vai daí, como de costume inspirado pelas melhores práticas do outro lado do Atlântico, decido (tal e qual como em Guantánamo) deitar o texto pela sanita. Foi má ideia: entupiu-me o precioso objecto e gastei uma pequena fortuna com o canalizador (ainda por cima mais caro, por causa da não adopção da directiva Bolkenstein).
De tudo isto, retirei três lições, que ofereço de borla:
1 – Não experimentem ler a Constituição Europeia.
2 – Caso o tentem e tenham o mesmo impulso que eu, não tentem deitá-la pela sanita.
3 – Caso, mesmo assim, cometam os dois primeiros erros, encomendem sanitas de Guantánamo, parece que o Corão (cerca de 900 página) passa por lá impecavelmente.
[Luciano Amaral]

Arquipélago Guantánamo

A Amnistia Internacional (AI), no seu relatório anual, decidiu considerar Guantánamo o “gulag dos nossos tempos”. Eu não sei se alguém na AI sabe o que quer dizer aquela palavra. Também não creio que alguém por lá vá ler este blog, mas já agora gostava de ilustrar o que se deve entender por gulag.
Num sentido estrito, i.e. aplicado apenas à ex-URSS, o gulag foi um sistema prisional de que terão resultado cerca de 30.000.000 (trinta milhões) de mortos – 20.000.000 só durante o estalinismo, os restantes antes e depois; foi, para além disso, um sistema prisional que permitiu, até aos anos 80 do século XX (!), que cerca de 3% da mão-de-obra soviética fosse prisional, ou seja, mão-de-obra (literalmente e sem qualquer exagero) escrava. Nem na Alemanha Nazi se atingiram semelhantes números.
Num sentido mais alargado, para incluir o resto do mundo, gulag pode ser entendido como as réplicas do original que existiram em todos os continentes, seja na China, no Cambodja, no Vietname, na Nicarágua, em Cuba, em Angola, Moçambique, etc., onde o número de mortos ultrpassou muitas vezes o original (ex. China).
É isto que a AI acha que é Guantánamo?
São palermices como esta, tal qual como as palermices da CBS sobre o registo militar de Bush ou da Newsweek sobre o Corão deitado pela sanita, que descredibilizam organizações e instituições que nos tínhamos habituado a respeitar.
[Luciano Amaral]

Porque será?

PPM, já reparaste que depois do debate de ontem ficou de chuva?

[José Bourbon]

quarta-feira, maio 25, 2005

Breaking News

PCP acusa Governo de seguir políticas de Direita.
Confesso que não estava à espera.

[JV]

E para o fim-de-semana um poste à José Sócrates

Este discurso não tem nada a ver com o discurso que Durão Barroso aqui fez há três anos atrás. Eu, por exemplo, não falei sobre tangas, não lancei o pânico, não vou aumentar os impostos nem sequer anunciar que as promessas de campanha não vão ser cumpridas.

O pacote de investimentos? Qual pacote de investimentos? Ah! Aquele pacote! A parceria boas intenções públicas/carcanhol privado? Sabem...nunca gostei de pacotes. Sempre preferi medidas. Daquelas pequenas e maneirinhas. Bela ideia, não acham? Pelo menos os jornalistas andaram entretidos com isso durante imenso tempo.

O problema foi esta coisa do défice. Quer dizer, eu sabia que o défice era grande. Só não sabia que era assim tão grande. Aquelas promessas não eram bem promessas. Eram mais intenções de campanha. Desejos. Eu “desejo” não aumentar impostos. Eu “desejo” relançar a economia. Eu “desejo” ser nomeado para um cargo internacional ao fim de dois anos de governo. Não prometo nada, mas desejo imenso.

Como isto está tudo muito frágil, já mandei os meus ministros não fazerem nada nem dizerem nada. Mandei-os estarem quietos. Eles, tão queridos, já estavam quietos há imenso tempo.

[Rodrigo Moita de Deus]

Definição científica para “estado de graça” II

Hoje, às cinco da tarde, o “Senhor Primeiro-ministro” já era o “o gajo” outra vez.

[Rodrigo Moita de Deus]

Agradecimentos de um benfiquista [recebido por email]

Gostaria de AGRADECER:

- A todos que enviaram imagens de sofás e cadeirões, dizendo: "Queres ser campeão? Então espera sentado". Foi um bom conselho. Isso de esperar 18 ou 19 anos dá experiência nestes assuntos;

- A todos os que enviaram avisos sobre possíveis doenças transmissíveis pelo "mofo" acumulado desde 1993. Não se preocupem, pois Portugal já passou epidemias bem piores, nomeadamente os 18 e 19 anos acima referidos. Mas como o agradecimento é sincero, fica uma sugestão: RENNIE ou KOMPENSAN para a azia;

- A todos os que enviaram o aviso que tinham problemas na versão Word 1.0 de 93/94 e não conseguiam escrever "Benfica Campeão". A grande maioria dos portugueses reportaram o facto à Microsoft, a qual desenvolveu a aplicação "1 a 0" versão 04/05, pelo que já podem escrever as tão desejadas palavras, porque não irá ocorrer de novo qualquer problema;

- A todos que enviaram o vídeo do Gato Fedorento, "O adepto do Benfica". É um grande momento de humor. Embora continuemos a querer ganhar por "quinje a jero", conclui-se mais uma vez, que não é necessário ganhar com algumas goleadas para ser campeão (a outra foi na longínqua época do treinador John Mortimore);

- A todos os que enviaram menus de restaurantes com "Salada Russa", após a eliminação do Benfica pelo CSKA (tivemos azar...apanhamos os russos no início da UEFA, houve quem tivesse mais sorte e só apanhou no fim). Esqueceram-se que a referida salada se serve fria.

Gostaria, ainda, de AGRADECER:

- Ao Ricardo, por ser benfiquista e nos fazer rir muito, com as suas actuações. É sem dúvida, dos melhores em Portugal;

- Ao facto do Mourinho ter saído do FCP. Foram menos 20 pontos, em relação à época passada. De facto, um grande treinador, que transforma o mediano em óptimo;

- Ao Pitbull, ao Leandro, ao Areias, ao Leo Lima, ao Fabiano Fabuloso, ao Pepe, ao Claudio, ao Del Neri e ao Luis Fernandez;

- Ao Trapattoni, que nos fez ganhar o campeonato, mesmo piorando 9 pontos, em relação ao ano passado. Isto apesar de termos sido eliminados da UEFA pelo vencedor desta prova, para quem não sabe, o CSKA ("a melhor equipa que defrontámos esta época");

- Ao Peseiro, pela frase acima referida;

- Aos russos que, a 18 de Maio, gritaram "Viva o Benfica";

- Ao Luisão que, em Janeiro, após derrota com o Beira-Mar afirmou: "Em Maio vamos ver quem festeja!". Ele tinha razão. Foi o marcador de um dos golos mais decisivos dos últimos tempos;

- Ao fantasma da Luz, que após ter feito um penalty sobre o Jardel, na época 2001/2002, redimiu-se e fez a falta sobre o guarda-redes do Sporting, no dia 14 de Maio, na Luz;

- Ao Manolo Vidal (que considerou legal o golo do Benfica) e ao Soares Franco, que afirmou: "Não temos nada a reclamar em relação ao golo." [declaração logo após o jogo da Luz]. Finalmente, alguém que conseguiu tirar o filtro verde do televisor;

- Ao Pampilhosa, por não estar na Taça de Portugal, na altura em que se disputava a 33ª Jornada, o que impediu novamente a "limpeza" de cartões amarelos (alguém poupou 15000 euros);

- À Bandeira de Portugal, que nos vai emprestar as Quinas para os equipamentos;

Só para não haver confusões: quando falo no Ricardo, estou a referir-me ao Ricardo Araújo Pereira, do Gato Fedorento.

[PPM]

O monstro do défice (versão socialista)

Eu não sou o Eng. José Sócrates

[PPM]

Os últimos dias de Sócrates (V)

"O Governo decidiu assim aumentar alguns impostos"
Eng. José Sócrates, hoje, no Parlamento

[PPM]

Os últimos dias de Sócrates (IV)

Governantes em "blackout" forçado
Até que o programa do governo esteja pronto, todos os elementos do Governo PS estão proibidos de fazer qualquer declaração sobre qualquer tema. Sócrates não gostou das declarações do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, sobre uma possível subida dos impostos.(07:43/15 de Março 05)


[PPM]

Os últimos dias de Sócrates (III)

Santana Lopes e José Sócrates mostraram ontem consenso em duas matérias essenciais; a necessidade de aumentar a idade de reforma e a promessa de não aumentar impostos durante a próxima legislatura. Além disso, os líderes dos dois maiores partidos comprometeram-se, desde já, com aumentos para os funcionários públicos no próximo ano. (04/02/2005)

[PPM]

Os últimos dias de Sócrates (II)

Sócrates diz que não aumenta impostos (15/04/2005)

O primeiro-ministro assumiu ontem, numa entrevista à RTP, o compromisso de não aumentar os impostos durante esta legislatura. "Nós não vamos aumentar os impostos porque essa é a receita errada", disse José Sócrates, que nunca antes tinha sido tão claro sobre esta matéria. Considerando um erro o aumento da carga fiscal decidido pelo governo de Durão Barroso, Sócrates assegurou "Não vamos cometer os erros do passado". E repetiu que a receita deste Governo é reduzir a despesa e conseguir "mais efeitos" com o combate à fraude e evasão fiscal.


[PPM]

Os últimos dias de Sócrates*

Impostos não vão aumentar (18/03/2005)

José Sócrates afirmou, sexta-feira, que o programa do Governo "nada prevê quanto ao aumento de impostos" e que "não podia ser mais claro".

"Parece que há muita gente preocupada em dar conselhos ao Governo. Eu recomendo que leiam o meu programa: não está no programa nenhum aumento de impostos", sublinhou José Sócrates.


[PPM]

* Peça de teatro, com textos de Platão, Xenofonte e Diógenes Laércio, que retrata os últimos dias da vida de Sócrates, uma das maiores personagens da história da humanidade e da filosofia.

Esta excepção é a regra socialista

"Vamos cumprir o nosso programa eleitoral com uma excepção: o aumento dos impostos", terá dito o Eng. José Sócrates na Comissão Política do Partido Socialista, segundo o jornal "Público". Ora aqui está uma excepção que não se pode considerar propriamente excepcional e que demonstra a falta de respeito do líder socialista pela palavra dada aos eleitores.
Assim não vamos lá.

[PPM]

Cursos de direito na universidade de Moscovo

Quem acha que a solução para a impunidade judicial no país passa por dar rédea livre à Maria José Morgado y sus muchachos é bom que não esqueça que a senhora, doutrinariamente, acredita na criminalidade da exploração da mais valia do trabalhador e da acumulação de capital. Aos olhos da senhora morgado qualquer pequeno empresário ou burguês de segunda classe é um prevaricador de facto.

[Rodrigo Moita de Deus]

Definição científica para “estado de graça”

Hoje de manhã no táxi ouvia o Fórum da TSF sobre o aumento de impostos. Para me entreter resolvi dar um pouco de trela. Afinal, nada melhor que ouvir um taxista para o dia sorrir:

- Então? O gajo sempre vai aumentar os impostos? – fomentei eu
- Não sei – respondeu-me sereno – o Senhor Primeiro Ministro ainda não falou.

[Rodrigo Moita de Deus]

terça-feira, maio 24, 2005

O melhor comentário de sempre

Miguel said...

Eu sei o que não quero ser quando for grande. Não quero ser um sapo.


http://www.big-boys.com/articles/makesyouthink.html


[PPM]

Bad girls go everywhere IV

Confesso que vou ter algumas saudades do tony “falinhas mansas”.

[Rodrigo Moita de Deus]

“S” versus “XXL” e como as gerações mais novas serão escravas

Não percebo nada de finanças. Em Portugal, isto costuma ser um problema quando a conversa é o défice. As televisões, por exemplo, só convocam as sumidades contabilísticas do reino quando pretendem analisar a questão. Ora, isto é deveras enervante. Este assunto é tratado como se fosse apenas um problema contabilístico. Como se tivéssemos a discutir as contas da mercearia (Portugal está em mau estado, mas ainda não é um tasco).

Não é bem assim. O défice português não é um problema meramente burocrático. Pelo contrário: é um reflexo da questão normativa essencial em política: que papel deve ter o estado na sociedade? Isto não tem nada de contabilístico. É pura normatividade teórica ou ideológica. Portanto, vamos lá pôr as calculadoras de lado. Temos de discutir a coisa no fórum próprio: que estado pretendemos? Que tipo de cidadão pretendemos? Queremos um estado providência ou um estado liberal? Queremos um estado balofo, com a cintura de uma matrona tamanho XXL, ou um queremos um estado mínimo, ao estilo de uma esbelta silhueta tamanho S?

Prefiro a elegância. Mas respeito quem prefira a adiposidade. Ora, mas já não respeito aquilo que se passa em Portugal: as pessoas que preferem as carnes gordas fazem passar a ideia que esta questão não é normativa. É como se não houvesse discussão teórica possível; é como se os amantes da magreza do estado S fossem loucos de ideias mirabolantes; é como se os portugueses tivessem de aturar eternamente este desgraçado debate político que se resume a raízes quadradas, a senos, a cosenos e a malditas tangentes à nossa paciência. Se Portugal quer sair desta triste sorte, deve começar pelo básico: deixar de fazer política com a calculadora e dar início ao debate de ideias, valores, diferentes preceitos institucionais, etc.

E quando isso suceder, os portugueses poderão gritar: “Não, meus caros, isto não é só contas”. O défice não é uma inevitabilidade portuguesa. É, isso sim, uma inevitabilidade do mito narrativo em que assenta a nossa faraónica constituição: rumar a terras socialistas. O défice é o resultado natural das ideologias do estado XXL. E quando o debate se centra apenas nas contas, está a desviar-se as atenções do essencial: é a própria estrutura ideológica do estado providência que está em causa.

Em suma, o problema do défice só deixará de ser um problema quando o “welfare-state” for rejeitado pelos políticos (que mais uma vez, chegam atrasados: a realidade já o rejeitou o welfare). Como dizia o Pedro Lomba, um país que tem um défice de 7% ou 8% é um país sem qualquer consideração pelas gerações futuras. É isso mesmo: se não mudamos o papel do estado em Portugal, as gerações mais novas serão, literalmente, escravas das mais velhas.

Solução? Gostaria imenso de um estado liberal tout court, um estado que desse espaço de manobra à sociedade e aos indivíduos (curioso: as mesmas pessoas que apoiam o estado providência são as mesmas que lideram a crítica à inoperante sociedade civil. A estas pessoas, deixo uma pergunta: já pensaram que a sociedade civil é inoperante porque o estado ocupa todos os espaços da sociedade?). Mas isso seria demasiado. Portugal, como qualquer país continental, de raiz católica e corporativa, não seria capaz de assimilar isso. Que solução? Blair. Blair. Blair. Blair destronou em definitivo o Welfare e criou o Workfare state. O Workfare state não cria uma sociedade subsidio-dependente, porque não investe em massas anónimas, nem trata todos os indivíduos de forma igual. O Workfare aposta no mérito do indivíduo. No fundo, em Portugal, é preciso começar a usar a palavras proibidas: mérito individual e liberalismo (mesmo que seja na versão “social liberalism” do Blair).

[Henrique Raposo]

Bad girls go everywhere III

Por outro lado o país começa a ficar melhor frequentado.

[Rodrigo Moita de Deus]

Bad girls go everywhere II

Nas entrevistas para o lugar de alto-comissário da ONU obviamente que se esqueceram de pedir referências a António Guterres.

[Rodrigo Moita de Deus]

Bad girls go everywhere I

Por um poste do Paulo fiquei a saber que António Guterres já foi nomeado Alto-comissário para as Nações Unidas. Entretanto Durão Barroso é presidente da Comissão Europeia. Se isto é a aplicação da famosa accountability sou candidato nas próximas legislativas.

[Rodrigo Moita de Deus]

Boa pergunta

Quem pára o défice?

[PPM]

O défice é dos socialistas

A OCDE confirma que em 2004 o Governo PSD/CDS-PP manteve o défice abaixo dos três por cento do PIB, mas com recurso a receitas extraordinárias na ordem dos 2,3 por cento do PIB.

[PPM]

Dar a mão à palmatória (II)

Não deixa de ser irónico que o mais alto responsável pelo crescimento exponencial do défice público, razão pela qual se refugiou do cargo de primeiro-ministro, seja agora nomeado alto comissário para os refugiados nas Nações Unidas.

[PPM]

Quem tocar no meu ferrari leva

Hoje de manhã podia ler-se na caixa de comentários de O Acidental:

Se há corja que não pode lavar as mãos é a direita, fuzilamento já! 3 anos a ouvir os altifalantes a debitar aperto do cinto e deu nesta merda. Vendam os ferraris para pagar o que deixaram em falta. Fuzilamento já! Ou enforquem-nos em sobreiros!

É assim mesmo, camarada pá! Chega de pruridos sociais-democratas! Chega de tolerâncias colaboracionistas! Chega desta reacção que fez fracassar a revolução! Chega desta democracia que é a ditadura da burguesia.
Fuzilamento para as direitas, já!
Ao attac!!!

[Rodrigo Moita de Deus]

Dar a mão à palmatória

António Guterres foi nomeado como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Como aqui há uns tempos tinha desconsiderado as possibilidades do antigo primeiro-ministro, aceitem os meus pedidos de desculpa.

[PPM]

P’têt ben qu’oui, p’têt ben qu’non

Brice

Entretanto, é já no domingo o voto francês sobre a famigerada constituição europeia, esse fantástico disparate esparramado em quase 500 páginas de prosa fulgurante.
Não sei se alguém seguiu a campanha, mas a miséria do debate merece ser notada. Os argumentos estão assim ao nível do PREC, com a diferença de que o PREC foi nos anos 70 e agora estamos no século XXI. Os defensores do Sim (Chirac e a direita institucional incluídos, mais os socialistas) asseguram que a dita constituição é a melhor defesa contra o liberalismo anglo-saxónico, os EUA, o capitalismo selvagem e a globalização. Os defensores do Não (a extrema-esquerda e a extrema-direita, mais um bocado do PS) asseguram que a recusa da dita constituição é a melhor defesa contra o liberalismo anglo-saxónico, os EUA, o capitalismo selvagem e a globalização. É notável o pluralismo de opinião no espectro político francês. E é ainda mais notável a plena apreensão do que está em causa a propósito da constituição (ou tratado constitucional, ou lá o que é que é aquilo). Compreende-se: é um povo sofisticado, que digo eu?, é a sofisticação tornada povo, e um povo tão sofisticado tem de partilhar a opinião sofisticada que por aí circula por todo o lado: isto é tudo culpa dos EUA e do liberalismo anglo-saxónico.
O que espanta é como aquelas criaturas vão decidir sobre o assunto sem perceberem um boi do que está em causa. Deve ser a mesma sofisticação cultural que faz de Brice de Nice o maior êxito cinematográfico em França este ano, uma comédia tão tonta que transforma até Academia de Polícia II numa imortal obra-prima.
[Luciano Amaral]

Sem corantes nem aditivos

Oito! Oito! Oito postes seguidinhos!

[Rodrigo Moita de Deus]

Um poste com bolinha

Ò Paulo, este blogue é um blogue de família...não é para vires para aqui desencaminhar as pessoas para "noites liberais" e coisas do género.

[Rodrigo Moita de Deus]

E tu? O que queres ser quando fores grande?

Chique, chique é ser dissidente. Não interessa bem de quê basta ser dissidente.

[Rodrigo Moita de Deus]

Prémio - A salvação do país está na Amazon

O João Miranda chega à conclusão que o problema de Portugal é um défice de leitura de Hayek.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Que o país é deficitário é uma realidade que até D. João I conhecia.

Prémio – Se estivesses no Dubai já te tinham prendido

Para terminar, uma sugestão para o nome do eventual novo Aeroporto: para acompanhar o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, o Aeroporto Mário Soares. No caso de ser tecnicamente possível a localização no Montijo, o nome poderia ser Aeroporto do Tejo - Mário Soares.

José Pedro Lopes Nunes in Blasfémias

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: A ideia é genial. Pergunto apenas pela logistica da coisa. Como é que isto vai funcionar? Fazemos o aeroporto ainda em vida do homem? Esperamo que ele morra ou matamo-lo com uma bomba no avião para "acompanhar" Sá Carneiro?

Finalmente o poste politicamente incorrecto que ninguém queria ler sobre a questão europeia

Voto sim no referendo porque acredito que o velho conceito de estado nação ficou condenado no dia em que o Homem inventou os motores a jacto. Voto sim porque tenho que o futuro passa por um projecto europeu como aquele que vamos desenhando. Voto sim porque, nas palavras de Mao Tse Tung, o vento não se trava com as mãos.

[Rodrigo Moita de Deus]

Que grande número II

O governador do banco de portugal diz-se surpreso, coelho diz-se chocado, Sampaio diz-se muito preocupado e sócrates - fazendo-se de virgem - vai ficando calado. Até parece que chegaram todos ontem à política e que nenhum deles sabia em que estado estava o estado...até parece...

Calma meus amigos, há vida para além do défice...

[Rodrigo Moita de Deus]

Que grande número

Depois de terem prometido 7% o governo apresentou um défice de 6,83%. Calculo que os 0,17% sejam já o efeito da retoma económica com a vitória de domingo.

[Rodrigo Moita de Deus]

Reflexos condicionados

Hoje de manhã.
No trânsito, a caminho para o trabalho, alguém buzina. Abro o vidro e grito: ninguém pára o benfica, ninguém pára o benfica...

[Rodrigo Moita de Deus]

segunda-feira, maio 23, 2005

Esta é a percentagem de confiança que eu tenho em que os socialistas consigam chegar, por este andar, ao fim do mandato no Governo:

0,00000000000000000000000000000000000000%

[PPM]

Esta é a percentagem de confiança que eu tenho em que os socialistas consigam resolver o problema do défice:

0,0000000000000000000000000000000000000%

[PPM]

Esta é a percentagem de confiança que eu tenho no número do défice apresentado pelos socialistas:

0,000000000000000000000000000000%

[PPM]

Abrem brevemente (II)

..............................Churchill

NOITES À DIREITA*
.............................. *projecto liberal


1. Está a chegar o tempo de começar a fazer alguma coisa de novo à Direita, para além dos partidos, mas nunca contra qualquer partido.

2. Está a chegar o tempo de afirmar a existência de novas direitas, que só sabem viver em Democracia e que não a trocam por nada deste mundo.

3. Está a chegar o tempo de uma Direita que não acredita em utopias, porque conhece a realidade e sabe que esta não se transforma só com boas intenções.

4. Está a chegar o tempo de uma Direita que sabe ouvir e quer discutir com quem tem espírito independente, seja de Esquerda ou de Direita, para poder avançar com novas propostas.

5. Está a chegar o tempo de uma Direita que já não se revê em velhos costumes e bandeiras ultrapassadas, mas que também não se resigna à agenda política da Esquerda.

6. Está a chegar o tempo de uma Direita que assuma uma atitude mais liberal. Mais liberal nos costumes, na economia, na política e na sociedade, nomeadamente no modo como olha e se relaciona com os media.

7. Está a chegar o tempo de uma Direita que acredita na liberdade de cada pessoa e na responsabilidade individual como valores primeiros da Democracia.

8. Está a chegar o tempo de uma Direita que defende o princípio de que a interferência do Estado na esfera privada do cidadão deve ficar circunscrita ao mínimo indispensável.

9. Está a chegar o tempo de uma Direita que acredita no liberalismo económico como factor vital para o aumento de produtividade da economia portuguesa, essencial ao bem-estar dos cidadãos.

10. Está a chegar o tempo de uma Direita que não acredita no fim das ideologias e defende que a Democracia precisa de Esquerda e de Direita porque vive da alternância e o centro não é alternativa.

[PPM]

Abrem brevemente

..............................Churchill

NOITES À DIREITA*
..............................*projecto liberal

[PPM]

Os badochas

Gordo
A crença feliz na justeza dos seus propósitos é uma característica própria do politicamente correcto. Gente que se oponha às ideias politicamente correctas está sempre ou de má-fé, ou corrompida, ou intelectualmente corrompida, ou então é irremediavelmente estúpida. Pelo seu lado, defender as ideias politicamente correctas permite tudo, inclusivamente o uso do politicamente incorrecto mais alarve. Na verdade, o politicamente correcto só se aplica às causas que o próprio politicamente correcto defende. Quanto às outras, o insulto, a insinuação e a baixeza podem ser livremente utilizados, porque a causa o justifica. É por isso que não se pode chamar maricas a um homossexual, fufa a uma lésbica, drogado a um toxicodependente, preto a um africano de pele negra. Mas já se pode chamar gordo a uma criança obesa, como se vê acima, num cartaz da campanha oficial que anda aí pelas paredes da Fundação Portuguesa de Cardiologia. O cartaz tem notáveis requintes crueldade social: das três pessoas, todas têm uma identidade individual - uma sou “eu”, outra é o “João”, mas a terceira é, simplesmente, o “gordo”. Como por acaso, tanto “eu” como o “João” têm um ar notavelmente ariano (coisa que já não se percebe no caso do "gordo", por causa da máscara), isto num país onde o tipo étnico abunda. O cartaz é desrespeitador, ainda, daqueles que são gordos por doença, o que é ainda mais reprovável vindo de uma associação médica.
Devem ser métodos propagandísticos ensinados pela Dra. Isabel do Carmo, essa bomba calórica, nas felizes palavras do meu colega Rodrigo.
[Luciano Amaral]

Eles não mentem, eles perdem

mais do que uma pessoa foi notando o êxito da famosa campanha propagandística do BE sobre mentir e perder, comprovado pela derrota de ontem do SPD na Renânia-Vestefália. A coisa foi tão acertada que, neste momento, a melhor garantia para ganhar eleições parece ser mentir e fazer uma guerra. Eng. Sócrates, tome nota… Esta coisa do défice parece estar complicada, e talvez fosse altura de “descobrir” que (digamos) S. Tomé tem em desenvolvimento um complexo programa de fabrico de armas químicas. Depois era só invadir a ilha em nome da guerra contra o terrorismo. Teria era que despedir previamente o Prof. Freitas “Heil” do Amaral.
[Luciano Amaral]

Que o homem não divida o que o futebol uniu

Vivemos dias de feitos extraordinários. Benfica campeão e dois textos talentosos de Luís Nazaré.

[Rodrigo Moita de Deus]

Fiesta IV

O Gonçalo fica à espera dos seus sobrinhos novos para daqui a nove meses. Digo-lhe que, curiosamente, todos eles se vão chamar Mantorras Moita de Deus.

[Rodrigo Moita de Deus]

Mentirosos e Corruptos

.

Este cartaz do BE tem muito que se lhe diga.
Para além de mentiroso, tem vindo a cair por terra: Barroso foi para melhor, Bush e Blair venceram com alguma facilidade e Aznar não concorreu às legislativas espanholas, em bom rigor.
Os verdadeiros perdedores estão à vista: o "Não" em França será uma chapada em Chirac e Schroeder teve ontem uma derrota histórica nas eleições regionais na Renânia do Norte-Vestefália, até hoje um bastião do SPD, pedindo eleições legislativas antecipadas para o próximo Outono.
Dois futuros perdedores. Assim sejam também os mentirosos bloquistas.


PS: Portugal, como bom país corrupto, teve um campeão à altura.

[Bernardo Pires de Lima]

Tirar a barriguinha de misérias I

De corpo e cabeça dorida venho por este meio comunicar que o serviço público de blogosfera está temporariamente suspenso. Hoje o governo é bom, a esquerda é fantástica e até os comunistas – porque equipam de encarnado – são uns amigões. Hoje, até o cabelo do Carrilho me parece lindamente.

[Rodrigo Moita de Deus]

Tirar a barriguinha de misérias II

Não quero deixar de agradecer penhorado aos milhares de portugueses que, numa extraordinária demonstração de altruísmo, se sacrificaram garantindo os serviços mínimos do país durante a manhã. Foi graças a eles e à sua abnegação que milhões de outros portugueses puderam andar aos pulinhos durante a noite inteira.

[Rodrigo Moita de Deus]

A estas horas da madrugada, acabado de chegar do Porto, com jantar pelo meio na Feira [corrigido], sempre por ruas e estradas cheias de festejos...

...pela vitória do Benfica, só quero dizer isto:

ESTE CAMPEONATO FOI BOM À BESSA.

[PPM]

Fiesta

É a tarrachinha da minha vida. Hoje deixo pequenos "moitas de deus" em cada esquina...

[Rodrigo Moita de Deus]

sábado, maio 21, 2005

Fundadas convicções

A PJ e o MP divulgaram ao Expresso as "convicções" que têm e que se fundam na investigação do chamado Caso Portucale. O Expresso faz manchete com essas "convicções"... Pergunto: e os factos? Já não contam para o texto jornalístico? Ao menos um "on" ou um "off"... E já agora, a divulgação de "fundadas convicções" também não está coberta pelo Segredo de Justiça? Eu sei, são detalhes!
[José Bourbon]

sexta-feira, maio 20, 2005

O ministro do Avante

Mário Lino, ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, já é conhecido por ser o responsável governativo que mais vezes conseguiu desmentir o primeiro-ministro, José Sócrates - o último episódio deu-se com as portagens nas SCUTS.
Mas o que ninguém ainda reparou é que Mário Lino, que também já fez parte de um interessante blogue, foi Presidente do Conselho de Administração da Editorial Caminho e, agarrem-se, Presidente do Conselho de Administração da Editorial Avante, SA - sim, a mesma que publica o jornal do Partido Comunista Português. Se não acredita, leia o seu perfil no Portal do Governo.
Temos submarino vermelho?

[PPM]

Eu que não sou de intrigas

As medidas urgentes de combate ao défice serão urgentemente anunciadas depois das eleições autárquicas. O valor do défice que precisa de urgentes medidas há-de ser anunciado com urgência ainda antes das eleições autárquicas.

[Rodrigo Moita de Deus]

Momento: Deus sempre foi benfiquista II

Ganhe o Benfica o campeonato e não é apenas a economia que vai florescer. Meus amigos, contem com um baby boom!

[Rodrigo Moita de Deus]

Momento: Deus sempre foi benfiquista

Faltam 48 horas para a tarrachinha da minha vida. Estou que nem posso. Se alguém me marca o ritmo começo logo a tarrachar*.

[Rodrigo Moita de Deus]

*Sozinho, claro. Como mandam os livros de educação sexual.

Confrontação de fontes

A propósito de Educação Sexual - um assunto que, pelos vistos, desperta muito mais paixões do que a putativa constituição europeia, estou mesmo tentado a fazer a propósito uma espécie de sítio do sim e outro do não - há um comentador que pede confronto de fontes e propõe esta notícia do "Diário de Notícias", assinada por Fernanda Câncio.
Está feito o confronto.

[PPM]

PS. Para outros comentadores anónimos mais excitados, esclareço que sou a favor do planeamento familiar e de uma Educação Sexual responsável, que tenha em conta a posição dos pais. Como é um disparate chamar alguém de abortófila, também não me parece muito sensato acusar de estar a lançar uma "nova ofensiva contra a educação sexual" quem se limita a duvidar do carácter pedagógico de uma formação no mínimo discutível.

Sexo” é assunto privado. A masturbação intelectual dos pós-modernos e a burocratização do sexo. E por que carga-de-água estes pedagogos...

...nunca metem os filhos no ensino público?

Prosseguindo…

1 - Nesta Era de “imbecilização” às mãos da pedagogia pós-moderna, a escola tem de ser um reflexo da sociedade. Se os miúdos começam a ter sexo aos 15, então, temos de ensinar-lhes a masturbação aos 10. Brilhante. Problema? Quando isso sucede, a escola deixa de ser escola e passa a ser outra coisa qualquer.

Este caso é tão ridículo que parece coisa de Monty Pythons. O pessoal do “Gato Fedorento” vai adorar fazer uma rábula com esta “masturbação intelectual” (Woody Allen). Porque é isso que está em cima da mesa: uma masturbação intelectual de alguns iluminados. Meus caros, podem masturbar-se à vontade.
Só peço um favor: façam-no em casa.

2- Por que carga-de-água estes iluminados julgam que podem entrar assim na privacidade das crianças? Já não há direito à privacidade? A sociedade do Orwell, do Huxley e do Zamiatiane já esteve mais longe de ganhar vida.

3 – Algumas pessoas não compreendem as críticas. Dizem: “mas a masturbação é uma coisa tão natural. Não sejam moralistas”. É pá, obrigado! Sabem, é que as direitas ainda fazem sexo de luz apagada. Obrigado. Não sabia que a masturbação era natural…

A questão não é saber se é natural ou não. Não é isso que está em causa. Uma coisa é tratar as coisas com naturalidade, outra é impor, via estado, uma espécie de burocratização dos comportamentos sexuais. O diálogo sobre o sexo é um direito exclusivo dos pais. São eles que devem decidir o momento e o conteúdo das conversas. O estado não tem nada que meter o bedelho nestas coisas.

Em suma, o estado nem deve dar “religião e moral” nem oferecer “masturbação assistida”. Os comportamentos privados não pertencem à esfera pública. Querem que os professores ensinem as raízes quadradas da masturbação? Óptimo. Construam escolas privadas onde isso seja legítimo, mas não tenham a arrogância de impor uma visão moral aos restantes, servindo-se, ainda por cima, dos instrumentos do estado.

4. Há aqui muito feminismo radical. O feminismo radical (atenção, minhas caras, estou a criticar o feminismo e não as mulheres) sempre quis atacar a família. Porque a família, aqui, é uma espécie de tirania. E esta medida é precisamente um ataque à maternidade/paternidade, ao direito que os pais têm sobre a educação dos seus filhos. O feminismo radical, é bom lembrar, põe em causa um dos preceitos básicos do nosso regime constitucional: o privado não é um espaço político.

5– Os iluminados apelidarão as pessoas que discordam desta medida com o velho cliché: “reaccionários”. Pois bem, então, também têm de chamar reaccionário ao maior intelectual vivo: George Steiner (ler as “Lições dos Mestres”).

6- Curioso: os indivíduos que planeiam estas experiências nas escolas públicas colocam sempre os seus filhos nos melhores colégios privados. Muito Curioso. Nós (aqueles que tiveram e têm de passar pelo suplício do ensino público) somos cobaias de pós-modernos iluminados, que, curiosamente, não querem expor os seus próprios filhos às suas próprias experiências…

8 – Aos políticos, uma palavra: limpem o ministério. Estes pedagogos não querem saber das crianças. Querem saber apenas da sua “masturbação intelectual”.

[Henrique Raposo]

Bentham e a pedagogia pós-moderna

1. Esta semana foi pródiga em notícias ridículas. Começou com a velha esquerda a tentar reabilitar Estaline; termina com a esquerda pós-moderna a mostrar às crianças os segredos aparentemente inexpugnáveis da masturbação (em 2005, há pessoas que consideram a masturbação como algo de complicado. É uma tarefa tão complicada que merece intervenção da escola).

2. Como é que é possível? Bom, isto tem uma causa profunda. Podemos encontrar essa causa no século XIX. A dita causa, paradoxalmente, é uma certa “ética”. E esta “ética” é fundamental para a compreensão da nossa triste e masturbatória época. O autor desta afamada e muito usada “ética” dá pelo nome de Jeremy Bentham. Bentham foi um liberal de segunda geração. Isto é, já não foi um liberal clássico; inventou essa “ética” problemática que dá pelo nome de “Utilitarismo”. Basicamente, a ética utilitarista fundiu “moral” com “prazer”. A ética utilitarista afirma que o bem é “prazer”e o mal a “dor”. Tudo deve ser feito para evitar a dor e para dar prazer. Prazer material, entenda-se. Tudo se define em redor do “objecto” que dá prazer. Esta “ética” não gira em torno do indivíduo mas dos “objectos” prazenteiros que o rodeiam. É puro materialismo (não é por acaso que Keynes considerava o utilitarista Bentham como uma das bases do materialista Marx – não refilem comigo, meus caros. Refilem com Keynes).

3. Se Bentham, segundo Keynes, “entrou” em Marx, também “entrou” nas novas esquerdas. A ética utilitarista está enraizada nas “esquerdas caviares” que nasceram dos escombros do marxismo. O exemplo óbvio é a pedagogia pós-moderna. Hoje, não se pode ensinar nada de substantivo às crianças, porque isso é visto como uma imposição à liberdade do “ego” da criança. Para os pós-modernos, o uso da memória é uma coisa arcaica. Aliás, a memória deve ser vista como uma “meta-narrativa”, isto é, uma ignomínia mentira que subjuga o “Eu”. Aqui, o que interessa é a criatividade, pois cada criança é vista como um mundo em si mesmo. Corrija-se: esta “criança” educada por pós-modernos até pode ser um “mundo”, mas é, com certeza, um mundo fechado, sem janelas para o mundo.

4. Aprender implica sofrimento. Aprender implica que o indivíduo tome consciência das suas limitações. Mas, claro, o “Eu” pós-moderno não tem limites. Portanto, não se pode ensinar nada difícil, porque isso, dizem as sumidades, causa angústia aos meninos. Mais: Aprender implica fazer escolhas: se queremos ser bons em política, temos de esquecer a arte, por exemplo (esquecer no sentido de uma actividade de estudo intenso). Mas, hoje, também é proibido fazer escolhas. Escolher causa angústia. E as criancinhas não podem ter angústias. Tradução: as crianças não podem crescer.

5. Ensinar exige respeito pelo Professor. Hoje, isso é impossível. O aluno é o centro do mundo. Por isso, não podemos ensinar nada que ele… não saiba. Ou seja, não podemos ensinar nada. Só podemos refazer aquilo que ele… já conhece. Ou seja, temos de dissertar sobre o “Big Brother”, deixar que escreva “k” do lugar do “que”, tolerar que “sequesso” passe por “sexo”, e, claro, ensinar-lhes aquilo que eles já sabem… fazer: o acto privado da masturbação.

[Henrique Raposo]

Lambe-botismo: mais que um desporto uma obsessão nacional

Figo "aceitou" voltar à selecção. Figo já não é titular no Real Madrid. Figo quer ser vendido e mesmo assim manter o ordenado milionário. Figo precisa de provar que ainda corre. Figo "aceitou" voltar à selecção. É um favor que faz à nação, ao povo e aos jogadores que ocuparam o lugar que ele deixou vago. O país agradece-lhe.

[Rodrigo Moita de Deus]

Os Pássaros não são do Hitchcock

Já sou fã deste novo blogue. Chama-se Os Pássaros e tem ilustrações como esta:

O passarito não é o Luís

Leiam os textos.

[PPM]

Um livro de capa dura

A rapariga é mesmo gira, tens razão

Graças a uma paixão do Rodrigo, descobri a Rititi, que tem um dos blogues mais giros da praça e publicou este livro. Vou comprar para ver.

[PPM]

A Educação Sexual sem cor política

Como o Ma-Schamba acha que isto é tudo um problema de Esquerda entusiasmada e Direita arreliada, leio-lhe a notícia do "Expresso" que citei:

Para Manuela Calheiros, psicóloga e professora universitária, «o exercício proposto é ridículo». Mas esse não é o maior problema deste projecto educativo. Com efeito, por não ser «testado, por não ser feita formação de professores e avaliados os resultados», há aqui «uma falha gravíssima», tanto mais que ninguém sabe «quem é responsável» pelas eventuais falhas cometidas. Manuela Calheiros vai mais longe: «não há contexto emocional» em todos os conteúdos programáticos sobre sexualidade, tal como ausentes estão «as famílias, o próprio envolvimento cultural e, mais grave, a possibilidade de qualquer pessoa dizer ‘não’». Para a psicóloga, mais importante do que enumerar e enunciar os actos sexuais - sejam eles quais forem - «é formar os alunos para sentimentos positivos e negativos» e, nesse processo, «aprender a conhecer-se e reconhecer que pode recusar situações ou atitudes que não aceite».

Ou:

Outra proposta de trabalho apresentada nos manuais de apoio aos professores, tendo como destinatários crianças de 10 e 11 anos, consiste em pôr os alunos a colorir uma figura (masculina ou feminina), para depois assinalarem «as partes do corpo que elas gostam, ou não, que sejam tocadas. Estes desenhos podem ser recolhidos de forma a constituírem informação para o professor». Outra sugestão passa por pedir aos alunos que façam «uma lista com todas as manifestações sexuais que venham à ideia, colocando à frente de cada um o tipo de sensações presentes». Como exemplos sugeridos aos professores são elencados: «manipulação dos órgãos genitais, beijos entre namorados, relação sexual».

Ou ainda:

O conteúdo desta «disciplina» está longe de ser consensual. Uma professora do 3.º ciclo recusou-se mesmo a seguir os manuais propostos, mas foi advertida pela direcção da escola «de que não podia fazer objecção de consciência» e corre o risco de ser punida disciplinarmente se não acatar a ordem.

Claudia Muller, mãe de várias crianças, decidiu ir assistir a uma sessão de esclarecimento para alunos, promovida pela Associação de Planeamento da Família na escola dos seus filhos. Destinada a crianças entre os 9 e os 12 anos, a apresentação esclarecia questões tão diversas como «para onde vai o esperma» ou «o que é o sexo oral», finalizando com a médica de um centro de saúde da região de Mafra a dar os seus contactos telefónicos às crianças que quisessem esclarecer outras dúvidas. «É um desprezo total pelos pais, que a toda a hora são chamados à escola. Menos sobre a educação sexual dada aos seus filhos», conclui esta mãe, que se confessa «chocada pela total exclusão dos encarregados de educação».

Ou finalmente:

Programa educacional

JOÃO Araújo, professor universitário e pai de quatro crianças, dedicou muitas horas a estudar o programa oficial de Educação Sexual. Os aspectos que mais o chocaram foram organizados num CD que passou a mostrar pelo país, em sessões de esclarecimento para as quais é convidado.
O EXPRESSO foi assistir. Pais, e por vezes professores, enchem as salas para verem uma selecção de textos, desenhos e jogos sugeridos para as salas de aulas. A partir destes dados - confirmados pelo EXPRESSO nos textos originais que servem de documentação oficial - foram pedidas opiniões a diversos especialistas.
A grande responsável pela actual filosofia orientadora da educação sexual nas escolas é a Associação para o Planeamento da Família (APF) - filial de uma das maiores ONG mundiais - que participou na produção das «Linhas Orientadoras», fez vários manuais, formou e continua a formar professores no âmbito de protocolos com o Ministério da Educação.
Um dos livros aconselhados - «Educação Sexual na Escola», de Júlio Machado Vaz e Duarte Vilar, da APF - propõe como conteúdos para o pré-escolar e o 1.º ciclo: aprender a realizar a masturbação, se existir, na privacidade; conhecer diferentes tipos de família; adquirir um papel de género flexível e reconhecer comportamentos sexuais como carícias, beijos e relações coitais.


E fica ainda mais um desenho para o Ma-Schamba:

Para os meus filhos, não
Este desenho - destinado ao 1.º ciclo - visa pôr os alunos a falar das diferenças entre rapaz/rapariga, homem/mulher, rapaz/homem e rapariga/mulher. «Recorta as figuras e coloca-as na casa de banho», sugere este manual espanhol, recomendado pelo Ministério da Educação .

Isto não tem nada a ver com Esquerda ou Direita, caro José Pimentel Teixeira. Tem a ver com pais preocupados com o modo como os seus filhos estão a ser educados na escola. Tem a ver com Liberdade de Ensino e direito de escolha dos Pais - o que não parece existir nesta matéria.
Sou a favor da disciplina de Educação Sexual nas escolas, mas com o envolvimento directo de pais ou Encarregados de Educação. Julgo até que, em muitos casos, são os pais quem mais precisa de receber aulas de Educação Sexual, nem que seja para saber como devem falar sobre o assunto com os seus próprios filhos.
Entendidos?

[PPM]

PS. Júlio Machado Vaz, cujo nome citei ali em baixo, explica aqui o seu envolvimento.

Sítios do Não

Le Pen também é pelo Não ao tratado constitucional

[PPM]

E para quando um playmobil sodomita?

O amigo JPT acha que não tem mal nenhum as professoras ensinarem criancinhas de 10 anos a masturbarem-se. Eu, quando tinha dez anos, também não via mal nenhum nisso...dependendo do grau de envolvimento e empenho das professoras na matéria dada.

Subdesenvolvimento é achar que o Estado tem que dar uma "mãozinha".

[Rodrigo Moita de Deus]

Na frente leste tudo na mesma I

Num zapping desenterro o festival da eurovisão. Lá estava o Eládio Clímaco a fazer-se de íntimo dos apresentadores e a desejar sorte aos nossos compatriotas. Tudo estaria na mesma não fosse Portugal - ao invés da Inglaterra, França ou Espanha - concorrer com a Moldávia, Macedónia e a Bielorússia. Há metáforas extraordinárias.

[Rodrigo Moita de Deus]

Na frente leste tudo na mesma II

Continuo o zapping. Dou com o Guilherme Aguiar e o Fernando Seara a discutirem futebol. Árbitros, o sistema e a exigirem a renovação do futebol em Portugal. A discussão parece-me igual à da semana passada. Só eles me parecem diferentes. Gravatas pavorosas, bigodes farfalhudos e fatos aos quadrados multicolores. Vejo com atenção. O canal era a RTP/Memória e a transmissão de 1995. Dez anos depois temos os mesmos comentadores a discutirem os mesmos assuntos. Há metáforas extraordinárias.

[Rodrigo Moita de Deus]

quinta-feira, maio 19, 2005

Para os meus filhos, não

Assim não, obrigado
Esta ficha, integrada num livro espanhol sugerido pelo Ministério da Educação, pretende introduzir nas salas de aula do 1.º ciclo a questão da masturbação. O professor deve perguntar: o que está o rapaz a tocar (o mesmo para a rapariga)? Já fizeste isso? Onde o fazes? Com quem o fazes?


Já todos ouviram falar certamente da notícia que saíu no "Expresso" sobre o modo como se pretende ensinar crianças dos 10 aos 12 anos na disciplina de Educação Sexual. O exercício acima visível é apenas uma das muitas ilustrações disponíveis e um dos muitos exercícios que são propostos nesta matéria, onde se inclui também um manual desse ilustre pedagogo chamado Júlio Machado Vaz.
Tudo isto, como se pode ler aqui, é da responsabilidade de uma auto-denominada Associação para o Planeamento da Família (APF), sendo que muitos pais estão preocupados com a possibilidade de os seus filhos serem submetidos a este tipo de "testes".
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, prometeu que a disciplina não fará parte dos planos curriculares - ou seja, não será obrigatória -, mas o Ministério terá já decidido renovar esta semana o protocolo com a mesma APF.
Um grupo de pais está a recolher assinaturas para uma "Petição sobre o programa de Educação Sexual nas escolas".
Eu já assinei, porque não é assim que se ensina Educação Sexual a ninguém - e são precisamente estes programas e manuais que levam a que cresça o número de pais que recusam a existência da mesma disciplina nas escolas.

[PPM]

Sim, eu sei (II)

Certamente que existem razões para votar "Não" ao tratado constitucional e considero louvável a atitude do dr. Pacheco Pereira de liderar o debate sobre a matéria, criando o que chamou de Sítio do Não.
Existem obviamente razões para o "Não" substancialmente diferentes daquelas que são utilizadas pelo PCP ou pelo BE - ou ainda pelo "soberanismo extremado dos nacionalistas" - como diz o próprio ex-eurodeputado que, aliás, também indica um recém-criado Sítio do Sim.
aqui escrevi algumas das razões porque votarei "Sim" ao tratado, a propósito de um texto do Henrique Raposo a favor do "Não" à "constituição europeia". Compreendo, aliás, que exista um entusiasmo maior de quem promove o voto contra o tratado, do que de quem julga, como eu, que este projecto é um mal menor e afasta algumas tentações federalistas - e, por isso, vai votar "Sim".
Mas, tenho de o escrever, uma das razões que mais me satisfaz nesta minha escolha pelo "Sim" nem é o facto de não votar ao lado do BE e do PCP - é o de não ter a mesma decisão no referendo europeu que um senhor chamado Le Pen.

[PPM]

Onde está O Acidental?

Alguém me explica porque é que há mais de 1 hora que não consigo aceder ao Acidental? Serão já as consequências da campanha do "Não" à Constituição Europeia liderada pelo dr. Pacheco Pereira? Espero que não, porque vários dos convidados acidentais também são contra o tratado constitucional. Alguém me explica?

[PPM]

My mini me

Ontem tive a minha primeira discussão com o meu filho. Liguei a televisão para ver o jogo e ele sentou-se ao meu lado para não perder uma pitada do programa. Assim que as equipas entraram em campo disse:

- Benfiiiiica!
- Sporting – respondi-lhe eu
- Benfiiiiica – insistiu ele
- Sporting!
- Benfiiiica – gritou irritado
- Sporting – disse-lhe irritado

Olhou para mim como se eu fosse tonto e foi para a televisão apontar para um jogador do CSKA.

- Benfiiiica!

Pois…como diabo explicar a uma criança de dois anos que existe mais mundo para além dos encarnados do pai? Como explicar que, de vez em quando, os encarnados são os maus e que até os verdes podem ser bons? Acho que ainda não estou preparado para isso.

- Benfiiiica – respondi-lhe conformado.

Um hora depois o meu filho era o único não russo em Portugal a festejar os golos do CSKA.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Hoje, o homem mais bonito, mais inteligente e mais divertido que tive a honra de conhecer faz dois anos.

Onde estão os 150 mil empregos de Sócrates?

A taxa de desemprego atingiu 7,5 por cento no primeiro trimestre de 2005, o valor mais elevado desde 1998, altura em que foi iniciada a actual série do Instituto Nacional de Estatística (INE). Ao todo, há mais 65 mil pessoas sem trabalho que nos primeiros três meses de 2004. As mulheres foram as mais afectadas - a taxa de desemprego é de 8,6 por cento.

[PPM]

Um poste sobre sabonetes

Creio ter sido Philip Kotler o primeiro a olhar os produtos para além da utilidade e finalidade. Entre as suas teorias contam-se inúmeras ideias que hoje damos como lugares comuns. A diferenciação é uma delas. Se somos um sabonete temos de ser o sabonete que melhor limpa ou que melhor cheira ou que melhor está embalado. Não sendo nem o sabonete que melhor limpa, nem aquele que melhor cheira nem sequer aquele com a embalagem mais bonita, ao menos que se seja o sabonete mais barato.

Podemos também considerar a diferenciação do produto pelo mercado que pretendemos atingir. Não conseguindo interessar a maior parte da população pelo nosso sabonete - que nem é nada de especial - devemos concentrar todos os esforços em grupos marginais – os denominados nichos de mercado. Nichos, existem sempre. O nicho das pessoas que só gostam de sabonetes verdes, das outras que preferem com cheiro a alfazema ou aqueles que só o usam de quatro em quatro dias.

É uma opção: dominar o nicho desistindo do domínio do mercado. O que parece à primeira vista um péssimo negócio tem várias vantagens. Se conhecemos bem os defeitos do nosso sabonete sabemos que dominando os nichos temos garantida uma projecção e uma importância que dificilmente teríamos no “grande mercado”. Ou, como diria César, antes o primeiro aqui que o segundo em Roma.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Pacheco Pereira iniciou um movimento pelo não à constituição europeia. Pediu mais tempo de antena. Tem conseguido.