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Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005

A liberdade que Portugal ainda não tem

Este texto do Bernardo Pires de Lima no Sinédrio leva-me a acrescentar mais algumas longas considerações (desculpem, mas pelo menos aviso desde já) sobre o combate cultural que a direita liberal e conservadora tem de travar nos próximos anos.

Um combate que, como já disse, deve ser travado, em primeiro lugar, na comunicação social, nas universidades, nos mestrados e doutoramentos, nos institutos, nas escolas e na sociedade civil em geral. Mas que também pode e deve ter lugar no Parlamento, assim haja essa vontade – e no actual quadro parlamentar só vejo um partido que pode ter ganas de o travar, para além de ser o único que se assume de Direita (sim, é certo, acrescentando-lhe o centro, mas isso tem explicações históricas e actuais que sabemos quais são e que aqui não vou enunciar).

Refiro-me, como já devem ter percebido, ao CDS. E o CDS tem uma oportunidade única para crescer nos próximos quatro anos, sobretudo se o PSD insistir, como parece que vai insistir, no erro de guinar à esquerda, retomando o caminho original da social-democracia que hoje em nada se distingue do "socialismo" (entre aspas) proposto pelo Eng. José Sócrates.

Nos próximos quatro anos, o PS tem de facto e de direito as condições ideais para avançar com as reformas que quase toda a gente menos a extrema-esquerda já percebeu serem absolutamente necessárias para tirar o país da morte lenta em que se vem arrastando nos últimos vinte anos, perante um quadro de crescente competitividade no interior da União Europeia.

Contra essas reformas, que produzem efeitos directos e imediatos na população portuguesa, provocando a inevitável impopularidade de algumas políticas de qualquer governo, o PS vai contar na Assembleia com o ataque demagógico e populista da extrema-esquerda, que tudo fará para as impedir, procurando única e simplesmente retirar dividendos eleitorais do atraso estrutural português.

Provavelmente, como todos nós já sabemos de outras histórias passadas, o PS não terá a coragem necessária para levar até ao fim todas as reformas indispensáveis – incluindo uma profunda reforma da Administração Pública e a revisão do código laboral, entre outras. Para além do mais, para que essas reformas sejam possíveis, é necessária a revisão constitucional, nomeadamente no que diz respeito à parte económica e social, que permita que o texto fundamental deixe de ser, em si mesmo, um programa político de sinal obrigatório.

Como disse, depois de ter sido o partido formiguinha, que conseguiu voltar ao governo em aliança eleitoral, o CDS pode e deve tornar-se no partido melga. Eu sei que a imagem não é famosa, mas é a que melhor me parece corresponder ao papel que o CDS deve ter, como um dos três partidos do arco da governabilidade.

O CDS tem todas as condições para ser o único partido com assento parlamentar que defende intransigentemente a iniciativa privada, as empresas e os empresários, insistindo sempre que só com empresas e empresários fortes é possível desenvolver a economia e criar novos postos de trabalho. Chamando a atenção da opinião pública sempre que as empresas e os empresários sejam postos em causa, sempre que a iniciativa privada seja impedida de criar mais empregos, sempre que postos de trabalho e investimento externo sejam evitados pelas políticas socialistas.

O CDS pode e deve ser a voz dos que desejam um Estado forte mas reduzido às suas funções de soberania e ao seu papel fiscalizador, que deixe a economia crescer e liberte finalmente a sociedade civil. Chamando a atenção para o excesso de funcionalismo público e para a burocracia estatal promovidos pelas políticas socialistas, que há muito atravancam os tribunais e aumentam as filas de espera nos hospitais.

Em suma, o CDS pode e deve ser o partido melga do socialismo político e constitucional que impede que Portugal possa ser um país realmente civilizado e desenvolvido. Liberal, no melhor sentido da palavra.

[PPM]

As recomendações do professor Luciano

Como sempre, acato as avisadas recomendações do professor Luciano: O Insurgente vai já para as nossas ligações perigosas. A Causa Liberal e a Mão Invisível seguem dentro de momentos.

[PPM]

PS. Já agora, depois desta bajulação pública, vê lá se me falas, Luciano, que a revolução cultural precisa de ti. Essa tua mania de não usares telemóvel, prejudica claramente a subversão necessária.

O Insurgente

Juntou-se uma colecção de liberalóides e formaram um blog, O Insurgente. É um título um bocadinho iraquiano (dos iraquianos do Eixo do Mal). Mas fora isso, promete.

PS – Para se formar O Insurgente, entre outras coisas terminou O Intermitente do Miguel Noronha. Não quero parecer dramático, mas é o fim de uma era.
[Luciano Amaral]

O Precidente

É isso mesmo Mascarenhas, está aberto o precedente. Se ao próximo Presidente lhe apetecer dissolver o próximo parlamento por “razões que todos conhecemos” (para utilizar as imortais palavras do Presidente Sampaio), o que o poderá impedir? A opinião pública? É como dizes: gostaram agora, então depois não se queixem.
Mas há muita gente que ainda não entendeu bem o segredo do liberalismo e da democracia. O liberalismo e a democracia são estruturas institucionais que procuram dar o maior espaço possível à expressão dos desejos das pessoas. Mas, precisamente para que esses desejos não destruam as ditas estruturas institucionais, é necessário o respeito por regras, sejam elas formais ou implícitas. A liberdade quando entendida fora dessas limitações pode destruir-se a si própria. As regras servem para que a liberdade de um não se transforme na ameaça para outro. Quem não percebe isto são aqueles que só percebem as regras quando elas lhes são convenientes. E quem descredibiliza as regras porque elas não lhe convêm a determinada altura arrisca-se a levar com coisas muito piores em retorno. O Partido Republicano Português de 1910 só aceitava as eleições que ganhasse, logo promovendo golpes para destituir os rivais eleitos. Tantas fez, que um dia enterrou-nos em 50 anos de fascismo. Deus nos livre e guarde de semelhante sorte, mas seria bom que toda a gente percebesse o descrédito do parlamento e do governo trazido pela decisão de Sampaio. E que percebesse ter-se aberto uma nova era institucional, que não sabemos onde irá parar.
Até dá para fazer um pequeno exercício intelectual: imaginemos um Presidente Cavaco (pode acontecer). E imaginemos uma crise orçamental em 2006, a seguir a uma crise orçamental em 2005, com o défice a chegar (digamos) a 7% do PIB (pode acontecer). O que impediria o Presidente Cavaco de interpretar a situação como um falhanço da maioria? E não seria essa uma justificação muito mais pertinente para dissolver o parlamento do que as famosas “razões que todos conhecemos”? E razão suficiente para o Presidente Cavaco concluir que nem sequer as maiorias absolutas são suficientes para resolver certos problemas e tentar encontrar outras soluções? Até seria. Mas, claro, nada disso importa. O que importa é que nos livrámos do Santana.
[Luciano Amaral]

O Acidental na encruzilhada

Esta semana tem sido uma semana recheada de surpresas. Depois de ter lançado aqui o desafio para que a direita democrática saia do armário e se prepare para um sério combate cultural nos próximos quatro anos - combate esse que não pode deixar de fora os partidos mas deve ser sobretudo feito na sociedade civil -recebi vários emails com palavras encorajadoras e até um inesperado convite.
É verdade, já sei que alguns vão inventar teorias da imitação, mimetismos e outros disparates que tal, mas O Acidental foi ontem convidado por uma prestigiada editora para editar um livro com os melhores textos do ano. Claro que aceitámos e vamos já pôr mãos à obra - depois iremos contando todos os pormenores de mais esta aventura puramente acidental, assim como os novos projectos que já estão na forja (não gosto muito desta palavra, forja, parece-me excessivamente revolucionária, mas fica mesmo assim).

[PPM]

Acho que sim

Com uma ajudinha de Nuno da Câmara Pereira, Fernando Seara pode muito bem conseguir ser eleito presidente do PSD. Se foi assim que ele ganhou a Câmara de Sintra contra Edite Estrela. Marques Mendes que se acautele. Ah, pois...

[Inês Teotónio Pereira]

Boas marretadas e muitos anos de vida

Vão atrasados, mas são sinceros: muitos parabéns aos Marretas por dois anos de vida.

[PPM]

Eu não fico

Eu quero confessar a toda a blogosfera que vive a torcer-se de inveja com o meu cargo de adjunta do ministro da Defesa, que vou deixar de o ser. É verdade. Até porque não quero ser adjunta da Maria de Belém (credo!). Sendo assim, e apesar de ter várias propostas de trabalho, algumas descabidas e desinteressantes – como ser administradora da PT ou relações públicas na TAP – e outras de nível internacional – como assessora no Parlamento Europeu, assessora de três embaixadas, entre outras grandes tarefas – optei por recusar todas. Tenho para mim que o lugar de uma mãe é ao pé dos seus filhos. Por isso, vou para casa. Sei que Sócrates vai investir bastante no rendimento mínimo, nas pensões e no subsídio de desemprego. E como quero voltar a acreditar, espero poder acumular, pelo menos, o subsídio de desemprego e o rendimento mínimo. Somando uma coisa com a outra, chego facilmente a um rendimento mensal de 1500 euros. Sem horários, chefes, trabalho, descontos, nadinha.
Isto sim, é uma boa moeda.

[Inês Teotónio Pereira]

Boatos a sério

Diz-se por aí que Maria de Belém vai para ministra da Defesa. Diz-se também que Freitas do Amaral vai para ministro dos Negócios Estrangeiros. Diz que Vitorino vai para vice-primeiro-ministro e ministro da Economia. Diz-se ainda que Costa vai para ministro da Justiça e Edite Estrela para ministra do Ambiente. Eu não sei, mas acho que esta coisa da boateira tem de acabar de uma vez por todas para podermos começar a discutir políticas a sério. Para podermos falar de projectos para o País, de desenvolvimento sustentado e do choque tecnológico.

[Inês Teotónio Pereira]

Enquanto isto, na era socrática

Enquanto José Sócrates mantém a dúvida sobre quem é que convida para o Governo, a televisão vai entretendo as massas com futebol. Os noticiários abrem com as vitórias de Mourinho, com os grandes derbys e com os enjoativos resumos da jornada. Vitorino bem disse para a gente se ir habituando, porque este governo não ia ser feito na comunicação social. A comunicação social, achandrou. E as boas notícias foram substituídas pelas más notícias. Desemprego? PIB? Investimento estrangeiro? GNR no Iraque? O quê? Quando é que é o Porto/Benfica?

[Inês Teotónio Pereira]

Pergunta do fim-de-semana

Por onde é que andará a boa moeda?

[Inês Teotónio Pereira]

O moralista-mor do reino

Ainda na revista “Sábado”, Pacheco Pereira não desiste de afirmar a sua já velha animosidade política - e pessoal - contra Paulo Portas. Desta vez, compara-o a Francisco Louçã, para dizer que ambos adoptam uma postura moralista no modo como actuam politicamente. Segundo o comentador, Portas e Louçã são duas faces da mesma moeda.
Claro que Pacheco sabe muito bem, com a inteligência dirigida que se lhe reconhece, que nenhum dos dois líderes ficará particularmente satisfeito com a comparação. Bem pelo contrário. É essa aliás a sua intenção, demasiado óbvia, por sinal.
O que me parece extraordinário – senão, impossível - é que Pacheco Pereira não se aperceba que, quando escreve do modo como escreve sobre Paulo Portas e Francisco Louçã, está ele próprio a emitir juízos moralistas – e a esmagadora maioria das suas opiniões são afinal de quem se julga moralmente acima do comum dos políticos. A verdade é que, nas suas análises e nos seus comentários, Pacheco Pereira é o moralista-mor do reino. Uma moral utilitária, pragmática, mas que não deixa de ser uma moral. Altamente duvidosa, porque muito pouco objectiva.

[PPM]

PS. O moralismo da “má moeda” e da “boa moeda” do ídolo político de Pacheco Pereira seria também um caso a merecer um comentário de… Pacheco Pereira.

Só para os eternos distraídos

A minha declaração de interesses está bem explícita desde a primeira hora em que comecei este blogue. Aqui, como já repeti vezes sem conta, escrevo aquilo que bem entendo e não peço autorização a ninguém, não transmito recados de outrém nem sou intermediário de causas alheias.
Pudessem todos dizer o mesmo.

[PPM]

Estar na oposição...

…é não continuar a ser designado como adjunto de Paulo Portas sempre que citam os meus escritos no Acidental. Como aconteceu na última revista “Visão”. Aceito e compreendo que, sendo o artigo da “Visão” sobre política nacional, mais concretamente sobre o CDS, não me pudessem citar como “Paulo Pinto Mascarenhas, o marido da Antónia”, “Paulo Pinto Mascarenhas, o pai de três filhas”, ou “Paulo Pinto Mascarenhas, o benfiquista ferrenho”. Mas, como era de política partidária que se tratava, sempre poderiam citar-me como “Paulo Pinto Mascarenhas, membro da Comissão Política Distrital de Lisboa do CDS”, ou até como “Paulo Pinto Mascarenhas, candidato a deputado pelo CDS em Lisboa” – não elegível à partida, é um facto, mas ainda assim candidato – ou, mais simplesmente, como “Paulo Pinto Mascarenhas, militante do CDS”. Confio até que, estando na oposição, me possam começar a tratar agora como “Paulo Pinto Mascarenhas, o paulinho da blogosfera”.
Ou será que é pedir de mais?

[PPM]

PS. Dito isto, que não restem dúvidas, é sempre bom ver que nos lêem e é sempre compensador ser citado numa revista como a “Visão”. Quem escreve é para ser lido, convém é não ser treslido.

Domingo, Fevereiro 27, 2005

O partido unipessoal vezes quatro

Sobre o CDS e a saída de Paulo Portas, li vários comentários na imprensa de fim de semana, alguns deles conseguindo defender teses totalmente contraditórias em dois parágrafos seguidos.
Num desses comentários, julgo que na revista “Sábado”, mas não posso garantir, afirmava-se a dado passo que quatro potenciais líderes do CDS tinham já recusado a incumbência, concluindo-se logo a seguir que Paulo Portas construiu um partido unipessoal. Mas como é que um partido unipessoal tem quatro potenciais candidatos a líderes?

[PPM]

O Presidente audímetro

De acordo com o que leio na generalidade dos comentários, tudo indica que a vitória esmagadora do PS é mais uma prova que o Presidente da República agiu correctamente ao dissolver a Assembleia da República. Todos os que se atreverem a dizer – ou já escreveram – o contrário, fazem-no certamente conduzidos pelo azedume da derrota ou, mais prosaicamente, têm mau-perder.
O próprio Pedro Santana Lopes reconheceu publicamente, em pleno Palácio de Belém, a interessante tese de que o Dr. Jorge Sampaio, bem vistos os resultados das legislativas de Fevereiro, interpretou (“leu”) bem os sinais que lhe eram acenados pelos portugueses quando resolveu interromper a meio uma legislatura parlamentar onde existia uma clara maioria absoluta.
Permito-me discordar, até porque, que se saiba, entre os poderes constitucionais que são atribuídos à Presidência da República nunca constou a mística faculdade da leitura de “sinais”, que lhe serão enviados por essa extraordinária mas nebulosa entidade chamada “povo português”.
Só se o Presidente se transformou, de repente, numa espécie de audímetro da popularidade dos governos, um adivinho das borras do café da esquina, ou um intérprete mediúnico dos sentimentos nacionais – e, nesse caso, tudo será possível nos próximos anos, incluindo a instabilidade crónica do regime.
O precedente, reconheçam comigo, foi criado. Os que hoje o apoiam, depois não se poderão queixar.

[PPM]

Sexta-feira, Fevereiro 25, 2005

Falando em Direita sem complexos

Rui Ramos em dose dupla no Portugal Diário (http://www.portugaldiario.iol.pt/), sobre o enterro dos cavaquismos (depois faço os links, que aqui não consigo). É de intelectuais e de académicos como o historiador Rui Ramos que eu falo, quando falo aqui em baixo da necessidade de a Direita liberal e conservadora lançar um combate cultural sem complexos.
Vamos a isso?

[PPM]

Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005

Falando de complexos de esquerda

Os dois até agora únicos candidatos à liderança do PSD situam-se no "centro-esquerda", seja lá isso o que for, e dizem que querem reposicionar o partido no caminho da social-democracia.
Sendo o actual PS claramente social-democrata, parece-me óbvio que está aberto o caminho ao crescimento de um partido, como o CDS, naturalmente aberto a um espaço político mais alargado, com a participação de intelectuais e académicos independentes, que se assuma de Direita, liberal e conservadora, sem mais rebuços ou complexos.
É preciso lançar um combate político e cultural que ponha fim à estranha confusão intelectual que ainda permite que, trinta anos depois do 25 de Abril, se confunda Direita com fascismo ou qualquer tipo de saudosismo. Isto quando existe em Portugal um PCP que lamenta a queda do regime soviético e um Bloco de Esquerda composto por forças de extrema-esquerda que ainda têm saudades de Trotsky. Chegou o tempo da direita democrática sair do armário.

[PPM]

O Acidental à escuta

Eu sei que sou suspeito, mas a minha alma rejubila e os meus olhos brilham sempre que consigo ler num jornal alguém de direita assumida, sem um complexo de esquerda que seja para a amostra.
Porque é raro, cada vez mais raro.
Por isso mesmo nunca perco como não perdi o artigo de quinta-feira do Luciano Amaral no "Diário de Notícias" - queria fazer um link directo mas não só não o conseguiria neste meu novo MAC (não sei porquê mas não me aparecem os normais quadros para o fazer), como o "DN", na sua versão online, resolveu pôr todos os artigos de opinião escritos pela bicharada do costume, incluindo o sempre surpreendente Manuel Monteiro, essa figura a todos os títulos ímpar da política portuguesa, mas esqueceu-se de publicar o texto do Luciano Amaral (não sei se por escrever sobre o PSD).
Pode ser que ainda consiga ler o "DN". Vá a uma loja extra, ou lá como se chama. Faça qualquer coisa, mas não perca. Eu vou pedir ao Luciano para me enviar o artigo, sempre o poderemos publicar online no Acidental Long Play.

[PPM]

Eu espero pouco e o mais que espero são as mesmas caras e as mesmas políticas

Resultados de um inquérito do Portugal Diário:
O que espera do governo liderado por José Sócrates?

Uma equipa com caras novas e vontade de fazer.
9.56%

Que governe para todos os portugueses, concretize as promessas e melhore a economia do país.
39.86%

Principalmente que faça melhor do que o Executivo anterior.
8.62%

Um regresso ao passado. As mesmas caras, as mesmas políticas.
23.08%

Nada. De um governo socialista pouco se pode esperar.
18.88%

[PPM]

Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005

Estão abertas as hostilidades

Marques Mendes quer PSD afastado da «direita populista».

[Inês Teotónio Pereira]

Quanto valem duas páginas de opinião na revista "Visão" a manifestar o apoio eleitoral ao Partido Socialista?

Telejornal da TVI garante que Freitas do Amaral vai ser ministro dos Negócios Estrangeiros no governo de José Sócrates.

[PPM]

Cenas da vida conjugal

Durante o próximo ano - no mínimo - todas as telenovelas, a Operação Triunfo, a Quinta das Celebridades e outros programas de grande audiência vão ser substituídos, na preferência dos portugueses, pela vida agitada do PSD.
Imagino os diálogos familiares:

- Oh querida, manda os miúdos estarem calados que eu quero ver o Conselho Nacional (CN) do PSD.
- Não é o CN, é o Congresso.
- Não me digas que perdi o CN! O que é que aconteceu?
- Não me peças agora para contar, senão perco o Marcelo.
- O Marcelo?! Mas ele não tinha dito que não ia avançar?
- Mas isso foi ontem na Comissão Política.
- Ah pois foi, distraí-me a ler os resumos da reunião do Grupo Parlamentar e não ouvi nada ontem. Então e o Cavaco?
- Shiiiiu, vem lá o Santana. Bem que a Maria me tinha dito que hoje é que o Santana aparecia…
- Isso não me interessa, esse tipo enerva-me. Quero é ver amanhã o baixinho.
- Realmente não consegues decorar o nome de ninguém! Vai mas é para o café ver o futebol se não eu perco o fio à meada.

[Inês Teotónio Pereira]

Nichos de mercado

Menezes quer um PSD do centro/esquerda.

[Inês Teotónio Pereira]

Pensamento do dia

Dizia Medina Carreira na sexta-feira passada: “Quanto tempo vai durar o próximo Governo? Se tiver maioria absoluta dura mais de um ano, caso contrário dura menos de um ano”. Medina Carreira dizia não acreditar que José Sócrates ou Pedro Santana Lopes tenham condições para chefiar um governo porque “não falam verdade e por isso vão desaparecer rapidamente. Portugal terá sempre reformas mais baixas, pensões mais baixas, ordenados mais baixos, não há nada a fazer será sempre assim. Enquanto os políticos não explicarem às pessoas a real situação das coisas, vão morrendo na praia”.

[Inês Teotónio Pereira]

É impressão minha...

...ou o dr. Marques Mendes está especialmente cor de laranja na televisão?

[PPM]

Terça-feira, Fevereiro 22, 2005

A pergunta com duas respostas

A pergunta do programa Opinião Pública de hoje na SIC/Notícias era se "Paulo Portas fez bem em demitir-se". Resultado:
SIM: 27%
NÃO: 73%

Eu não telefonei, mas a resposta também não seria fácil. Paulo Portas fez bem em demitir-se por que deu desse modo um exemplo de dignidade e de honra perante os portugueses, habituados que estão aos malabarismos dialécticos dos políticos que ganham sempre, mesmo quando perdem. Paulo Portas fez mal em demitir-se porque a direita democrática fica deste modo sem o seu líder natural.

[PPM]

Maquiavel em Belém?

Ler este artigo de opinião de Rui Ramos depois do resultado de domingo, torna-se ainda mais interessante. Verificamos que a tese do historiador bate certo com todas as consequências do acto puramente político do PR ao dissolver a Assembleia da República naquele preciso momento e naquela determinada conjuntura.
O papel essencial do dr. Jorge Sampaio na construção desta maioria absoluta do PS, com este líder e não com o seu antecessor, será certamente estudado no futuro como mais um dos exemplos da instabilidade recorrente do sistema semi-presidencial vigente no início do séc. XXI em Portugal.
As próximas presidenciais podem ser de facto a segunda volta das últimas eleições legislativas. Eu vou continuar a ler com muita atenção o que escreve o Professor Rui Ramos no Portugal Diário e em qualquer lugar.

[PPM]

Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005

Quo vadis, CDS?

O CDS-PP baixou 1,5 % nas eleições de 20 de Fevereiro, tendo perdido cerca de 60 mil votos face aos resultados de 2002. A franja de eleitorado do PSD que votou no CDS não compensou transferências votos para o PS e mesmo para o BE. O resultado não é desastroso, mas fica aquém dos propósitos traçados para o CDS: apoio popular com dois dígitos, ser a terceira força política e evitar a maioria absoluta do PS.

O país não o quis. O país quis a maioria absoluta do PS; o país quis que a CDU fosse a terceira força política; o país quis que o Bloco de Esquerda quase triplicasse o número de mandatos.

E como deve o CDS posicionar-se?

A demissão de Paulo Portas é compreensível. Paulo Portas está cansado, e está cansado sobretudo de evoluir. O CDS deixou de ser um partido de causas espartilhadas, de fragmentos políticos, para ser um partido de governo, de responsabilidades, de exposição pública. Quem governa introduz realidade no seu discurso, capta homens práticos para os seus quadros, e estabelece objectivos ambiciosos. O CDS não podia, por isso, de forma alguma, pedir menos de 10%, a décima parte de apoio popular nas urnas que reflecte, efectivamente, aquilo que o CDS representa, ou deveria representar, num Portugal civilizado, num Portugal que se quer desenvolvido.

Mas Paulo Portas não falhou. Pelo contrário, mostrou o arrojo e a ambição que constituem os homens empreendedores – ao querer mais para o CDS, e ao esforçar-se por contagiar os eleitorados com uma vontade de querer mais para si e para Portugal. Paulo Portas evidenciou solidariedade para com o destino do CDS e do seu eleitorado fiel, reconhecendo a desilusão, da qual, note-se, não foi causa. Paulo Portas foi honesto na leitura dos resultados eleitorais e actuou com o desprendimento, natural, que muitos apregoavam não possuir. E Paulo Portas teve, acima de tudo, uma coisa que a esquerda há muito perdeu e há muito desistiu de compreender: honra. A honra que muitos neste país perseguem, e a que outros causa arrepios e enjoos; a honra que muitos pais se esforçam por transmitir aos filhos, embora sem repercussão directa na taxa de juro do empréstimo contraído para aquisição da mobília de sala; a honra dos que não se corrompem a um mundo material de conforto palpável, mas que impõe a construção de um outro onde os homens encontram e realizam missões para o bem comum; a honra que recuperou e que nos deixa como único caminho a tomar sempre que a ameaça dos idos se avizinha no horizonte.

Paulo Portas foi um presidente de partido honrado, um ministro honrado, um político honrado, atributos que junta há sua já conhecida sagacidade ao serviço de princípios; ao seu talento como o último dos tribunos; ao seu espírito aventureiro, bem plasmado na obra O Independente, que do nada tomou a dianteira na oposição aos abusos cavaquistas; e a uma inabalável vocação de decência e polidez que muito escasseia por cá. Paulo Portas tinha muitos dons e talentos, que mantém certamente. Mas nesta derrota, nesta nossa derrota, juntou-lhe a honra que muitos ex-presidentes da república, ex-primeiros ministros, e ex-presidentes de partido, com bem mais anos de intervenção pública, jamais terão.

Todos os que tiveram o privilégio de trabalhar com Paulo Portas, e nós tivémo-lo, sabem o diferente que é e a marca rara que deixa.

É por isto, sobretudo, que Paulo Portas não pode sair e não deve sair.

[Inês Teotónio Pereira e Jacinto Bettencourt]

Vivo e aos pontapés

Com tanta emoção nos últimos dias, até me esqueci de comemorar os dois anos d'O Intermitente. O Intermitente não é um blog qualquer. Muito antes de moi-même me aventurar a botar qualquer faladura, já lia o Miguel diária e inintermitentemente. O Miguel é um pioneiro e um sobrevivente. Já cá estava antes de muitos de nós e por cá ainda anda em grande forma, bem vivo e aos pontapés.
[Luciano Amaral]

Breve análise dos resultados

Acordei com a sensação que estava em 1975.

[Rodrigo Moita de Deus]

Tempos interessantes

Começo por fazer um disclosure: sem grande entusiasmo, lá votei PSD. Porquê? Também me pergunto. Mas talvez principalmente por achar que a governação do PS vai ser má. E também por inércia. No fundo, votei PSD porque sim. Ou, como diria Margarida Rebelo Pinto, “sei lá” bem porquê. Votei para dizer que votei em qualquer coisa, perante cenários todos eles muito maus.
Sobre os resultados das eleições já tive de verter uns comentários, que me foram encomendados pelo Diário de Notícias. Podem ser lidos aqui. Só gostava de lhes acrescentar umas notas.
1. Considero errada a interpretação de que foi a esquerda no seu todo quem ganhou as eleições. O PS foi, evidentemente, tirar votos ao PSD. Neste sentido, ganhou o centro, o centro que espera do PS a manutenção do estado de coisas existente. O PS vendeu ao eleitorado a conversa de que não há nada de essencial a alterar na estrutura do Estado e nada a alterar na forma como funciona a economia (para além de uns choques positivos, que, aliás, dependem – para serem verdadeiros – de um aumento dos gastos públicos). As pessoas quiseram acreditar nisso. Afinal, a conversa era de esperança e todos nós preferimos, normalmente, mensagens positivas. Resta saber se o PS vai conseguir manter o mesmo tom quando estiver efectivamente no governo.
2. A razão porque não creio que a esquerda no seu todo tenha ganho é porque o PS deve esperar, daqui para a frente, a mais intransigente oposição do resto da esquerda (BE e CDU). Esta esquerda vai exercer uma vigilância enorme sobre a governação do PS e não se ensaiará nada em miná-la quando as coisas começarem a correr mal, como eu imagino que vão correr. A direita saiu destas eleições incapaz de fazer oposição. Aquilo a que vamos assistir nos próximos anos será, muito provavelmente, um período de “esquerda vs. esquerda”. A ameaça da rua, das greves e da agit-prop vai impender sobre o PS de forma implacável.
3. Também considero errada a interpretação de que as decisões do Presidente da República saíram vingadas. É verdade que se não se tivessem criado condições de governação estável, o PR teria muitas dificuldades em justificar a dissolução de uma maioria absoluta, que seria substituída pela ingovernabilidade. Mas o PR errou três vezes nos últimos oito meses. Errou quando não dissolveu em Junho, perante a evidente quebra de compromisso eleitoral de Durão Barroso. Como repeti vezes sem conta aqui neste blog, um convite para Presidente da Comissão Europeia não é motivo para abandonar o governo em circunstâncias de extrema dificuldade. Errou depois, em Novembro, quando dissolveu o parlamento que apoiava o governo a que ele próprio tinha dado origem, quando esse governo ainda não tinha tido ainda oportunidade de efectivamente governar. E errou uma terceira vez, quando adiantou as razões que o levaram à dissolução. Como também aqui disse, a decisão de Sampaio ainda se justificaria se ele invocasse ingovernabilidade por razões de oposição interna dentro da própria maioria que suportava o governo. Nunca um governo português foi tão minado pelo seu próprio partido como o de Santana. Em vez disso, o PR não deu qualquer justificação substancial para dissolver, a não ser (palavras aproximadas do próprio) “uma sucessão de eventos que todos conhecemos”. Esta não é a justa interpretação dos poderes presidenciais nem a mais judiciosa utilização do poder discricionário de dissolução parlamentar. Sampaio deverá ficar na história como um dos piores presidentes da democracia. Vazio a maior parte do tempo. Perigoso quando chamado a exercer os seus poderes.
4. E pronto. Dito isto, a única coisa que sei é que os próximos tempos vão ser muito interessantes. À direita, onde se deve esperar grande convulsão, que pode até conduzir ao desaparecimento do PSD e do CDS tal como hoje existem. Á esquerda, onde o PS não vai ter vida fácil. Por causa da realidade, mas também por causa dos seus magníficos “amigos” da esquerda.
[Luciano Amaral]

Domingo, Fevereiro 20, 2005

A diferença entre o discurso de Sócrates e a declaração de derrota de Paulo Portas

É a diferença entre um homenzinho que nem sequer sabe vencer e um senhor que soube assumir a derrota e retirar dela todas as consequências.

[PPM]

PS. Hoje não falo dos outros. Amanhã também é dia.

Vamos para a oposição

É muito mais fácil de fazer em Portugal, como demonstraram estes últimos três anos e os resultados eleitorais do Bloco de Esquerda, do PCP e do PS. Parabéns por isso à esquerda e à extrema-esquerda - sobretudo a esta última, que terá as condições ideais para continuar a fazer oposição bota-abaixo, porque jamais será capaz de governar coisa que seja. José Sócrates que se cuide - ele agora será o novo alvo do populismo e da demagogia de Louçã e companhia, que tantos frutos parecem colher entre o povo e entre algumas elites do burgo.
Boa-sorte no Governo de Portugal, que o país bem precisa.

[PPM]

Dados oficiais até às quatro da tarde

Afluência até às 16:00h
50,94%
Rectificação: 50,88%

[PPM]

Dados oficiais até ao meio-dia

Afluência até às 12:00h
21,93%

[PPM]

Já fui votar

Eu já exerci um dos mais civilizados direitos da democracia: fui votar. Posso informar-vos que hoje está um dia fantástico para o fazer e é nestes dias que Portugal me parece um país quase ideal para viver. Se ainda não o fez, despache-se e vá lá preencher como quiser o seu boletim de voto. Não deixe jamais que sejam os outros a escolher por si.

[PPM]

Sexta-feira, Fevereiro 18, 2005

Eu também tenho uma declaração de voto

Eu não queria ser acusado, como vou ser, de estar a utilizar o Acidental como espaço de propaganda eleitoral, mas dado que o Luciano e o Rodrigo já declararam as suas intenções de voto – o primeiro, o meu amigo professor, declarando que ainda tem abertas quatro opções, o que me parece sintoma de um democrata independente da direita liberal; o segundo, o meu amigo escritor, justificando o seu voto no PSD, apesar dos pesares, o que me parece sintoma de um democrata apesar de tudo conservador – também vou molhar a sopa e revelar em rigoroso exclusivo nacional que no próximo domingo vou votar no CDS.

Antes de mais, respondo já aos que vão insinuar que é por interesse próprio ou para conseguir sinecuras: quem anda à procura de sinecuras e cargos públicos não vai para o CDS. Prefere de longe alistar-se na fila mais directa do Bloco Central, com acesso rápido e eficaz a todos os poderes, incluindo o mediático.

Não, meus caros, também não é por lealdade orgânica ao líder ou a pessoas, ainda que toda a gente hoje reconheça que Paulo Portas, o tal que era acusado de refundar o CDS num partido unipessoal, conseguiu trazer para a política alguns do melhores quadros que nela dão a cara, entre advogados, gestores, empresários e outros profissionais de sucesso que não precisam da política para nada e que estão na política porque acreditam ser possível tornar Portugal um país mais civilizado e desenvolvido.

As ideias são discutíveis – mas isso é a democracia, e eu não a trocava por nada deste mundo. Aliás, ao contrário do que também se diz por aí, as ideias e as opções políticas são muito discutidas entre democratas-cristãos, liberais e conservadores no CDS. As pessoas hoje sabem que o CDS é um partido com várias personalidades, unidas ideologicamente no essencial, mas com opiniões e sensibilidades próprias sobre os diversos assuntos que dominam a agenda da sociedade portuguesa.

Agora, que já fez um ano que vim para a política, tenho a dizer-vos que só reforcei a convicção do meu voto no CDS.

Trabalhei com aquele que muitos observadores independentes dizem ter sido um dos melhores e mais competentes ministros da Defesa dos últimos trinta anos – se não o melhor desde o 25 de Abril. Apesar de poder ser atacado pelas suas opções estratégicas, como foi aliás por alguma blogosfera de esquerda – a verdade é que ninguém de bom senso conseguiu escrever até agora que Paulo Portas não deixa obra feita, resultados muito concretos e muito práticos do seu trabalho como ministro.

Tanto ou tão pouco que até Pacheco Pereira o reconheceu, enviesadamente, na última “Quadratura do Círculo”, ao afirmar com ignorância na matéria que o líder do CDS tinha utilizado no debate final da RTP documentos “secretos” a que só poderia ter acesso como ministro da Defesa para demonstrar que conseguiu fazer renascer as indústrias de defesa, com a manutenção e criação de postos de trabalho - ao contrário do antecessor socialista, que deu ordens para fechar oficinas de manutenção militar, deixando milhares de empregos em risco.

Os documentos “secretos” ou “confidenciais” de Pacheco Pereira eram afinal meros diários da República, a que qualquer português pode ter acesso, incluindo Pacheco Pereira. Mais públicos não há – mas o acto desesperado de Pacheco para tentar encontrar um ponto fraco que fosse na validade da argumentação de Paulo Portas, só provou uma vez mais que se fez muita coisa bem feita no Ministério da Defesa.

Trabalhei com pessoas que dão o litro e muito mais, gente que teria vergonha de governar e não mostrar resultados positivos no fim, que não sabe fazer outra coisa senão trabalhar. Por isso, considero que o meu voto no CDS é um voto para fazer crescer a Direita liberal e conservadora de que o país e a democracia precisam.

E, pronto, já disse quase tudo o que tinha para dizer.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

O Daniel voltou!

Obrigado Ivan.

[Inês Teotónio Pereira]

Alguma coerência

Começando na interrupção voluntária da gravidez – que se danem os nasciturnos! –, e acabando na distribuição, gratuita, de heroína, a quem aparente estar condenado, o Bloco de Esquerda inverteu a sua política errática, e assumiu, afinal, como orientação estratégica nuclear o combate à explosão demográfica!

[Jacinto Bettencourt]

Retrato da Semana

bandeiras

[Miss Vitriolica Webb]

Recado para as fileiras do centro direita

Cada vez que se sensibilizarem com o ar terno e genuíno de Jerónimo de Sousa talvez seja melhor lembrar o que ele nos faria se alguma vez chegasse ao poder.

[Rodrigo Moita de Deus]

Rui Ramos, agora em versão pundit internético

O Professor Rui Ramos tem uma coluna. Ou melhor, duas: a vertebral e uma jornalística. Esta última, parece que vai passar a ser vertida com regularidade para aqui.
[Luciano Amaral]

Será mesmo assim?

O Pedro Magalhães vem fazendo o exercício muito útil de comparar as sondagens de eleições legislativas em anos anteriores com os resultados efectivamente observados. A verdade é que há de tudo em matéria de dissonância entre as duas coisas. Sobressaindo dois episódios: o das eleições de 1991, em que nenhuma sondagem foi capaz de antecipar com clareza a segunda maioria absoluta de Cavaco (salvo erro, a sua maior); e o das eleições de 1999, em que quase todas a davam ao PS, e sabe-se o que aconteceu.
Não sou especialista, mas ao olhar para as sondagens de hoje apercebi-me de um fenómeno recorrente: a esquerda junta obtém votações que vão entre os 60% e os 70%, e consequentemente a direita entre 40% e 30%. Não quero parecer o velho combatente que continua perdido na floresta de Okinawa 60 anos depois da guerra à procura de japoneses para matar, mas parece-me demais. Demais a proporção de votos no conjunto da esquerda e de menos na direita. Quando Cavaco ganhou as suas maiorias absolutas fê-lo esvaziando o CDS. O que é curioso nestas sondagens é que toda a esquerda sobe, de resto para níveis nunca (excepto o PC dos glory days) alcançados.
É como digo, não sou especialista. Mas pergunto-me se não haverá aqui um problema de representatividade do eleitorado de direita. O eleitorado de esquerda está obviamente mobilizado e já se terá decidido. Mas o de direita é, nestas eleições, o mais indeciso (até por mim falo, que não sei o que vou fazer e tenho quatro opções que admito usar). Não sendo especialista, sei que uma das coisas mais difíceis em sondagens é a repartição de indecisos. Não estará a acontecer qualquer coisa deste tipo nestas sondagens? Isto é, não haverá aqui um problema de representatividade do eleitorado de direita, em consequência das circunstâncias especiais da eleição e não poderá estar isso a afectar os resultados? Talvez até o Pedro possa ajudar. Seja como for, domingo logo se vê.
[Luciano Amaral]

Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005

O repetente

Goste-se ou não do modelo, concorde-se ou não com ele, o turismo internacional de Lisboa tem uma forte dependência do denominado “turismo de congressos”. Empresários, médicos, e outros profissionais que vêm à capital em prazo raramente superior a três dias para encontros sectoriais. No estrangeiro, a vantagem competitiva de Lisboa em relação a outros destinos que concorrem no mesmo mercado, é o sol e a localização do aeroporto – que reduz substancialmente tempo e incómodos na deslocação. Qualquer funcionário de uma qualquer agência de viagens explica ainda melhor esta simples equação.

Por isso, construir um novo aeroporto fora da cidade terá várias vantagens, mas terá também graves consequências no actual modelo de exploração turística de Lisboa. E é também por isso que todos os presidentes de câmara da capital, sejam de que partidos forem, tradicionalmente se opõem ao projecto. Há anos que a matéria se discute nestes termos.

Qual destas partes é que não percebeu desta vez, Senhor Prof. Doutor Vital Moreira?

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Se eu tinha dúvidas sobre a capacidade da elite socialista em governar o país, a leitura diária dos textos de Vital Moreira tem-me ajudado a fidelizar o voto a Santana Lopes.

Um eleitor que se decide

Caro Eduardo,

Sou habilidoso ao ponto de pensar que uma derrota do PSD pode trazer-lhe a renovação que todos queremos, mas infelizmente não sou suficientemente maquiavélico para contribuir com o meu sufrágio para a estratégia.

Por isso, levou tempo, mas o meu voto finalmente decide-se. Sem lealdade orgânica, sem clubismos, a verdade é que, apesar de tudo, o PSD, de todos os que concorrem, é o melhor partido para governar o país. E no fundo é isso que temos de decidir no Domingo, não é?

[Rodrigo Moita de Deus]

À espera de um novo milagre em Fátima?

Ontem, nas sobras da cobertura à morte da Irmã Lúcia, um jornalista da SIC entrevistava uma peregrina americana. A devota senhora contava-lhe com tristeza que tinha conseguido uma audiência com a freira para Março. Em inglês, que traduzo de cabeça, o jornalista lembrou-se de lhe perguntar: acha que chegou tarde demais? Nem consegui ouvir a resposta, mas teria insistido: Acha mesmo? A sério? Porquê?

[Rodrigo Moita de Deus]

Cuidado com os apalpões...

Anda por aí a Mão Invisível:
mao
[Luciano Amaral]

Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005

As falácias são como os chapéus

Uma pessoa como Vital Moreira não pode escrever um texto assim. Vital Moreira conhece melhor do que eu o nosso sistema eleitoral. Até deve ter ajudado a construí-lo. Vital Moreira ouviu as mesmas declarações que eu. Vital Moreira percebeu melhor do que eu o que Paulo Portas disse. E com tantos anos na política a expressão “roubar o deputado eleito por…” nem sequer lhe devia ser estranha. E no entanto Vital Moreira, enquanto escreve sobre falácias, baralha propositadamente número de deputados e número de votos.

Percebo que a intenção de Vital Moreira seja promover a zaragata entre Santana e Portas. Quanto mais o líder do PSD se preocupar com o espaço à sua direita, mais desguarnecido deixa o centro para as investidas de José Sócrates. Quanto pior for o relacionamento entre CDS e PSD mais facilmente se prova que não merecem novo mandato no governo.

Percebo todas as intenções. Até percebo o excesso de voluntarismo de quem não é nativo do território. Só não entendo a necessidade de o fazer com uma desonestidade. Queria assinar um comentário inteligente? Podia perfeitamente ter escrito qualquer coisa como: para roubar deputados ao PS, o CDS tem antes que roubar eleitores ao PSD. Chamava ao poste o Ali Babá do Caldas e escusava de se prestar a esta figura.

O estilo é me familiar. O género, mestre escola, sou muito importante, muito sábio e muito credível mas não me importo nada de vir para aqui partilhar convosco a minha imensa grandeza, foi aliás inventado por Pacheco Pereira no seu Abrupto. Garantida a atenção do cardume é só uma questão de seleccionar, num misto de desabafo espontâneo com análise de bancada o que não dá jeito dizer e o que dá jeito dizer, mesmo que para isso seja necessário dobrar a realidade à verdade das nossas palavras. Afinal ninguém nota nas pequenas incorrecções. Entre uma condescente palmadinha nas costas e meia dúzia de lugares comuns, presta-se o serviço da reeducação da maralha sedenta de luz.

A blogosfera, como a conhecemos, arrisca-se a ser vítima da sua própria popularidade.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Lógica da batata. Se a teoria apresentada no Causa Nossa de que a subida do CDS é benéfica ao PS fosse verdadeira, nem fazia muito sentido que o escriba apontasse aquele texto.

O Acidental à escuta

Sobre o caso do debate o Jaquinzinhos também foi lá outra vez.

[Rodrigo Moita de Deus]

O debate de ontem visto do meu sofá

Pessoalmente, revi-me nas palavras de Jerónimo de Sousa.

[Rodrigo Moita de Deus]

As propostas de Sócrates

Pensionistas

Sócrates quer dar complementos a 300.000 pensionistas dos regimes não contributivos, assegurando que estes recebem 300 euros mensais.

Ò camarada Sócrates, se só dá complementos a 300 mil dos referidos pensionistas, o que é que acontece aos restantes? É que eles são 455 mil!

Ò camarada Sócrates, e o que é que vai dizer àqueles que descontaram ao longo da vida e recebem a pensão mínima do regime geral, que continua a ser inferior a 300 euros?

Ò camarada Sócrates, onde vai arranjar os 95 milhões de contos necessários para o efeito, sabendo que as receitas da Segurança Social diminuíram com os recentes aumentos das pensões?

Scuts

Sócrates quer manter as SCUTS, invocando a solidariedade para com a interioridade e o desenvolvimento a uma só velocidade.

Ò camarada Sócrates, como é que vai pagar a factura de 500 milhões de euros que cai este ano, sabendo que o Instituto de Estradas de Portugal tem uma verba de 500 milhões?

Ò camarada Sócrates, como é que vai pagar a factura de 700 milhões de euros que vai cair anualmente até 2023, sabendo que a conclusão do Plano Rodoviário Nacional custa 1.000 milhões de euros?

Ò camarada Sócrates, sabia que os concelhos abrangidos pelas Scuts da Costa da Prata, do Algarve e da Beira Interior, têm maior poder de compra que os concelhos abrangidos pela Auto-Estrada do Interior, pela A2 (Alentejo) e pela A7 (Aenor)?

75 mil novos funcionários públicos

Sócrates quer contratar 75 mil novos funcionários públicos, aproveitando ou promovendo a reforma de 150 mil funcionários.

Ò camarada Sócrates, sabe que o ano passado apenas se reformaram 25 mil funcionários públicos, e que a este ritmo, em 4 anos, apenas teremos 100 mil novas reformas?

Ò camarada Sócrates, sabe que reformar mais 50 mil funcionários públicos custará, aos cofres do Estado, 196 milhões de contos, e ao longo dos 14 anos que dura, em média, o pagamento das pensões, 2.774 milhões de contos?

Ò camarada Sócrates, e onde vai arranjar esta massa, sabendo que, à partida, 275 milhões de contos anuais vão ser gastos com os novos 75 mil funcionários públicos.

Em conclusão

Ò camarada Sócrates, tem consciência que para fazer aquilo que promete (e que, pelo exposto, nunca cumprirá), precisa, nada menos, nada mais, do que 2 mil milhões de contos?

É que se não sabe, nem o camarada Sócrates devia votar nele próprio.

[Jacinto Bettencourt]

O caso do debate

Francisco Louçã denunciou ontem a isenção fiscal concedida no âmbito da fusão Totta / Santander. Segundo o zeloso denunciante, o Estado perdeu, logo ali, 400 mil contos… Acusações graves, segundo a jornalista. O pesar invadiu a sala… Como foi isto possível?

O Bloco de Esquerda venceu o debate, afirma categoricamente o Barnabé. E venceu, precisamente, porque Louçã, o Messias, nas suas aturadas investigações, descobriu aquilo que um dia será chamado: “o caso da isenção fiscal”. Sim, “o caso da isenção fiscal”, a marca da corrupção do regime, o ponto de viragem! Infelizmente, e como frequentemente me acontece, suspeito que Louçã nem juízo terá ganho.

Em primeiro lugar, por um argumento visível: com aquele corte de cabelo, duvido mesmo que Louçã consiga, sequer, ganhar uma mensagem mistério nos bombons Baci! Podem alguns considerar que este argumento padece de uma superficialidade atroz… Assim é, aparentemente. A verdade, porém, diz-nos que a credibilidade dos actores políticos, junto do auditório, ainda é condicionada por um banho diário. É o chamado banho trascendental, ao qual junto o corte de cabelo com critério.

Em segundo lugar, porque – imaginem! – não existe qualquer “caso da isenção fiscal”. Aliás, se dúvidas houvesse, bastaria constatar a evidência imanente deste postulado: se Louçã pensa, logo aquilo não existe . Em alternativa, o que se verifica são casos de isenção fiscal. Não no que respeita a mais-valias em IRC, pois as fusões são neutras fiscalmente, por força do princípio da neutralidade fiscal. Repito (para o Bloco, evidentemente, que é mais demorado nestas coisas): as fusões não geram mais valias tributáveis, porque lhes é aplicável o princípio da neutralidade fiscal, consagrado na Lei. E isto não é uma realidade nossa; é uma realidade europeia, imposta por Directiva. Mas mais: as isenções fiscais a operações como a Totta / Santander são comuns, e baseiam-se na lei. O Decreto-Lei n.º 404/90, de 21 de Dezembro, que permite a atribuição de isenção de Sisa, de emolumentos notariais e de imposto de Selo, é incontornável. Se isto não basta, junto-lhe a experiência dos advogados; em dezenas de operações de concentração de empresas (a grande maioria, ocorridas durante o consulado do fugitivo Guterres), apenas por uma vez (uma vez!) vi um requerimento de isenção ser rejeitado.

Claro está que o Bloco de Esquerda, afinal, ganhou o prémio “mais uma mentira”. Se, pelo menos mudassem de barbeiro…

[Jacinto Bettencourt]

Serviço público de blogosfera

«Lembro que, tendo de ir a Lisboa com o Bispo do Porto, fomos interceptados pela “canalha” mais de dez vezes, a qual nos obrigou sempre a sair do carro, procurando armas (!) por tudo quanto era sítio: “a reacção não passará” a humilhação era moeda corrente…»

Esta preciosidade foi assinada por D. Manuel Martins. O Bispo que hoje não faz política, que é amigo de Francisco Louçã, uma “voz respeitada” para Vital Moreira, e um exemplo de coragem para a canhota blogosférica, o tal bispo vermelho, antigamente falava assim dos outros vermelhos: a “canalha”. Algures no tempo D. Manuel Martins viu a luz. Ao sabor das vaidades e das conveniências, foi fazendo o seu trajecto para a esquerda. Uma espécie de Freitas do Amaral de batina.

[Rodrigo Moita de Deus]

Desta vez pedimos com jeitinho

Ontem vimos o Daniel Oliveira na televisão. Não há direito. De certeza que ele gostava mais de estar sentadinho na secretária a trocar postes com esta boa gente do que andar por esse país fora, de feira em feira, em companhia duvidosa. Pedimos mais uma vez que, se faz favor, libertem o Daniel Oliveira. A blogosfera está irreconhecível. Vá lá…

[Inês Teotónio Pereira]

Ò pra mim a fazer o trabalho de Sócrates

Cada voto no bloco é um voto que impede a maioria absoluta da esquerda.

[Rodrigo Moita de Deus]

Faltam quatro dias para:

Pacheco Pereira explicar o seu plano de acção político;
Cavaco Silva dizer qualquer coisa;
Marcelo Rebelo de Sousa votar;
Freitas do Amaral votar no PS;
Daniel Oliveira voltar à blogosfera;
Manuel Monteiro ser entrevistado por jornalistas;
O Ivan reestruturar o seu blogue;
E o PS deixar o Vitorino em paz e sossego

[Inês Teotónio Pereira]

PS: Espero que nessa altura Jerónimo de Sousa já esteja pronto para voltar ao combate político contra as forças do capital

Polaridade invertida

Será que ao Moita Flores perguntam se é primo do Moita de Deus?

[Rodrigo Moita de Deus]

O debate…Qual debate? Ah, o debate.

O debate de ontem não teve graça nenhuma. Se excluirmos os momentos altos, como o silêncio de Jerónimo e a imperceptível acusação de Louçã sobre a fusão dos balcões do Totta, o debate passou-se sem “casos”. Pergunto: há direito a isto? Onde é que está o serviço público? Está uma pessoa pregada à televisão durante quase duas horas para ouvir falar de educação, saúde e economia e nem um casozinho? Nem um insulto ao PR, nem uma palavra sobre o luto oficial, nem sequer uma pequena referência aos boatos? Só se mostraram números, gráficos e programas de governo. Que raio de elevação é esta? Se eu soubesse tinha ficado a ver os Malucos do Riso.

[Inês Teotónio Pereira]

Sentença do dia

Accountability – Expressão querida de liberais e empresários americanizados. Na prática significa “responsabilização”. O Presidente da República num discurso ontem, temendo que o povo não percebesse outra vez o que queria dizer, resolveu falar em inglês. Jorge Sampaio pronunciava-se sobre a falta de qualidade da classe política.

[Rodrigo Moita de Deus]

Há por aí alguém que vá votar no PSD?

Vejo, sem espanto e com agrado, que a quase totalidade da blogosfera não-de-esquerda que leio - mas não só - considera Sócrates um desastre. Uma nulidade que se tem revelado cada vez mais óbvia. Sucede que, se excluir aqueles (relativamente poucos) que assumem ir votar PP, continuo sem perceber em quem vão votar os outros. Várias são as hipóteses que se colocam:

- Vão votar Saramago em branco;
- Vão votar Salazar nulo;
- Não vão votar;
- Apesar de muito opinarem sobre as alternativas em jogo, não vão comparecer para votar;
- Vão votar no CDS, mas ainda não têm coragem de dizê-lo; acham que isso poderá afectar a sua credibilidade;
- Sabendo que o PS vai ganhar, querem que ganhe com maioria absoluta para que assim lhe possam ser assacadas responsabilidades pelo desastre que se seguirá (compraram a tese Jaime Gama, desastre à parte);
- Sabendo que o PS vai ganhar, querem que ganhe com maioria absoluta pois, por um lado, consideram que o país só é governável com essa maioria e, por outro, desconfiam que um governo PS com maioria absoluta será muito diferente (para melhor/menos mau) de um governo PS sem maioria (compraram a tese Cavaco Jaime Gama);
- Vão, portanto, votar Sócrates;
- Vão votar no PS, pois não só não são de direita, como o PS também já não é de esquerda (síndrome de Freitas);
- Vão votar no Manel;
- O voto é secreto!
- Vão votar PSD, o que é diferente de votar em Santana;
- Vão votar MPT PPM PSD, o que é diferente de votar em Santana;
- Vão votar Marques Mendes (votam em Aveiro), o que, para si, é um alívio de consciência;
- Apesar de tudo preferem vão votar Santana:
......a) porque é menos mau,
......b) porque é melhor (shiuuu...),
......c) porque, apesar de mau, o Governo por si formado pode ser melhor do que qualquer dos outros possíveis,
......d) porque tem um acordo com o PP (o CDS, útil até para o PSD) ,
......e) porque, sendo mau/pior, é quem mais irrita a esquerda (voto contra e/ou voto por-uma-grande-noite-eleitoral-à-americana).
- Vão, pois, votar PSD, mas têm vergonha em assumi-lo. Estão certos de que isso afectaria irremediavelmente a sua credibilidade;
- Vão votar no Jerónimo porque é um castiço, um "gajo porreiro" e, afinal de contas, os "comunas" já não fazem mal a ninguém;
- Vão tirar à sorte;
- Estão à espera do dia de reflexão para, reflectindo, decidir. São, pois, reflexivos.
- Ainda não leram os programas; recusam votar sem estarem devidamente "informados". São, pois, indecisos ponderados;
- Vão votar no PSD, já o deixaram bem claro, mas eu - mea culpa - não cheguei a ler tal escrito (a minha vida não é só isto).
[Eduardo Nogueira Pinto]

Terça-feira, Fevereiro 15, 2005

Uma conversa atrasada

Sobre o cristianismo enquanto causa do atraso de Portugal, convém relembrar que essa ideia não é original. Foi amplamente tratada pela Geração de 70, e minuciosamente executada por Afonso Costa e sua legião de acontiados e assassinos. O brilhante resultado ficou à vista; de atraso em atraso, chegámos ao Estado Novo, e acabámos a discutir com os verdadeiros atrasados de Portugal.

Que eu saiba, não existe em nenhuma canhota inteligente, tanto desrespeito por uma opção fundamental e por uma visão do mundo particularmente sensível. Habermas envergonhar-se-ia da sua razão comunicativa no dia em que conhecesse a esquerda portuguesa! Meus senhores: a relação do homem com Deus e com o seu mundo, não é matéria disponível, muito menos serve de fundamento a esta anti-ética agnóstica. Criam-se valores contra os valores religiosos; criam-se padrões de desenvolvimento à custa da aniquilação dos homens com fé! Assiste-se, perigosamente, à aproximação de certa esquerda com Nietzsche…

E meus senhores, nem falo da falta de educação, política e social, que o tom desta conversa revela. E a falta de educação é contagiante. Imaginem-me a disparar adjectivos sobre esta gente, começando por ressentidos, passando por hipócritas, e acabando em incoerência ressabiada e rasteirinha. A verdade é que esta reacção à Igreja, aos católicos, aos milagres e tudo aquilo que os cristãos designam, apreciam e valorizam a seu bel-prazer, sugere complexos não superados, cujos portadores deviam enfrentar sozinhos e no mais introspectivo silêncio. Meu caro Marx, o que foste fazer!?

Onde estaremos daqui a uns anos? A super-estrutura hoje é agnóstica, e produz verdades circulares que promovem o ateísmo militante. Como será isto tudo instalado na máquina do Estado? Irei eu acabar num Gulag? Assistiremos a fuzilamentos de advogados, à boa maneira chinesa? Os nossos agricultores, esses burgueses encapotados, conhecerão o destino que Lenine e Estaline lhes atribuíram, entre a vala comum e o exílio?

Honestamente, chega. A religião de cada homem é com cada homem, e a institucionalização da sua relação como sagrado é com cada comunidade. Se uns preferem contar os tostões que faltam para a emancipação do proletariado, e na conta final vender Deus para pagar o saldo negativo, que o façam!

[Jacinto Bettencourt]

Segregar uma maioria

Se eu dissesse que Maomé era um louco varrido, um mulherengo e um selvagem, não havia alma que não me caísse em cima. Se eu afirmasse que os ateus e os agnósticos são uma data de materialistas perigosos, incultos e maçons, nem o Paulo nem o Rodrigo me conseguiriam salvar dos impiedosos ataques de que seria alvo. Se me passasse pela cabeça escrever qualquer coisa sobre os cristãos que são católicos mas não acreditam na ressurreição de Cristo, em milagres, nos sacramentos, ou no Espírito Santo, chamavam-me no mínimo beata, tonta e uma perigosa defensora do Torquemada. No entanto, é suposto eu achar normal, natural e acima de tudo democrático que digam que Fátima é uma mentira e uma fantochada, que a Irmã Lúcia é uma alucinante criatura manipulada pela Igreja e que o catolicismo é a causa do atraso de Portugal.

[Inês Teotónio Pereira]

PS: O que provoca o atraso é o desconhecimento das crenças religiosas e a preguiça de as conhecer e aprofundar. Atrasados, são os países como os do ex-bloco de Leste que viveram durante décadas sem sombra de religião. Ou serão atrasados países como França, que, coitada, também tem Nossa Senhora de Lurdes, ou os EUA, país onde o fenómeno de Fátima é amplamente conhecido e admirado e a maioria do Mundo Ocidental que cada vez mais troca o protestantismo e o anglicanismo pelo Catolicismo? Mas isso já são outros quinhentos.

Ver ou não ver

Galileo Galilei
Galileu

Nasceu há 441 anos e só via o que via apesar de o obrigarem a não ver o que via.

[Pedro Marques Lopes]

Conversas perigosas

O quando eu pensava que já tinha visto e lido de tudo aqui, leio isto: “A Fé, é suposto, vive-se e pratica-se, não se proclama, não é um qualquer emblema na lapela, porque quando o é, ou se confunde com um, não é fé, é farisaísmo. Vem no Novo Testamento, um livro com dois mil anos de sabedoria...” Não vou certamente falar de fé e de fariseus com quem discute a matéria com tanta autoridade. Mas temo que o Manuel não tenha percebido os postes anteriores que deram origem ao seu desabafo. Sendo assim, explico melhor. A saber:

a) Em que pressupostos se basearam os dois bispos para falarem em oportunismo e em falta de sinceridade na suspensão da campanha que não é mais do que um acto de respeito?
b) Será que eles não desconfiaram que as suas declarações iriam ser aproveitadas para atacar os partidos que suspenderam as campanhas e colocar em causa a honestidade desta acção?
c) Qual é a posição da conferência episcopal que, como o Manuel bem sabe, é a única que vincula a Igreja portuguesa e, por isso, a posição oficial?
d) O que é que a suspensão das campanhas tem que ver com a fé dos líderes partidários, dos bispos, do Manuel ou da minha?
e) Porque raio é que se interromperam as campanhas eleitorais em 1980 quando morreu Sá Carneiro, em 1999 quando morreu Amália Rodrigues e em Junho de 2004 quando morreu Sousa Franco?
f) Por último, porque é que o Presidente da República declarou luto oficial para hoje?

[Inês Teotónio Pereira]

PS: E já que aqui estou, pergunto: será que os líderes partidários podem ir à missa no próximo Domingo, ou isso é um acto de campanha eleitoral? E quem é que pode ir? Só os católicos? E como é que se sabe quem são os católicos? E quem é quem é que pode comungar? Conversa perigosa, não é?

The new born christians

Vital Moreira escreve sobre o que considera ser “vozes respeitadas na Igreja”. Mais à esquerda Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã dissertam sobre a interpretação da Fé. Aleluia! Louvado seja o Senhor!

[Rodrigo Moita de Deus]

Hegel em edição de bolso

Como diria um amigo meu, esta é a última “abébia” que concedo ao senhor Francis , até pelo benefício desproporcional que esta conversa lhe traz em sabedoria!

Com que então Hegel “curiosamente foi um dos inspiradores de Hitler”? A título prévio, não percebo onde está a curiosidade, mas enfim… duvido que Hitler também tenha lido, muito menos percebido, Hegel!

Sim, é verdade que Hegel integra (quiçá como expoente máximo) o designado Idealismo Alemão, enquanto Marx é um materialista. E depois? O que eu sei, isso sim, é que a Fenomenologia de Hegel deu a Marx o método para as suas investigações, e que a dialética enquanto unidade do real é o cerne do sistema marxiano. Seria suficiente ler os Manuscritos de 1844 (não não se trata de um filme alternativo), mas… enfim, não lhe exijo tanto; suum cuique tribuere, a Francis, uma história da filosofia de bolso!

Chega de lições. A verdade é esta: o senhor Francis, neste momento, não faz a mínima ideia a quantas anda, quão contaminado se encontra pela ignorância (e arrogância) que o próprio exala; o senhor Francis é mais uma vítima de preconceitos estéreis que o impedem de originar um pensamento autêntico (até sobre uma beterraba!); o senhor Francis nunca saberá o que é debruçar-se, criticamente, sobre um ou outro sistema, e ponderar, no devido plano, as virtudes de um e de outro (e olhe que existem!).

Francis, estimo bem é que leia qualquer coisa proximamente (mesmo que não seja até ao fim, pois já vi que se aborrece…), e que, mais tarde – dentro de uma ou duas décadas – volte aqui para discutir seriamente. Até lá, na mais estrita obediência a um imperativo, generoso e propedêutico propósito, não posso deixar de o ignorar. Sem prejuízo, do seu direito inalienável a falar sozinho.

[Jacinto Bettencourt]

O Mundo de Anacleto

O deputado Anacleto, numa fantástica incursão pela política internacional, concedeu-nos algumas das suas máximas, no "Diário de Notícias" de hoje, para compreendermos melhor o mundo em que vivemos. Tomo a liberdade - ai como é bom usar esta palavra quando se comenta palavras do ilustre Anacleto - de comentar algumas das suas pérolas:

«Organização guerreira como a NATO»
A Aliança Atlântica é só a mais antiga e sólida organização internacional. Para além de unir os dois lados do Atlântico, juntou eternos inimigos europeus. Deu um contributo inestimável para o fim do comunismo sanguinário do Centro-Leste Europeu.
Sei que lamenta mas, meu caro Louçã, isto é uma verdade indiscutível.

«Dissolvido o Pacto de Varsóvia, a paz mundial não pode depender dos chefes militares e muito menos de uma organização que gira em torno do império de George W. Bush»
- Quanto ao Pacto de Varsóvia, compreendo a amargura do dr. Louçã. No que diz respeito à manutenção da paz, gostaríamos todos de saber como se alcança tal estádio sem o recurso a operações de peacekeeping e nation-building. Que eu saiba, nenhuma organização humanitária - incluindo a ONU - toma a iniciativa de ir para um palco de conflito se este não estiver minimamente estabilizado. Ou então, o ilustre deputado pretende sentar à mesa terroristas sanguinários com Estados democráticos? Se for esta a sua proposta, a minha conclusão é só uma: ao colocar ambos no mesmo pé de igualdade negocial, o deputado ainda não realizou o que é verdadeiramente um regime democrático. Ou se calhar não se enquadra nele. Estou mais inclinado para esta última hipótese.
- Quanto ao "Império", a discussão seria bastante longa. Mas como académico, o deputado Anacleto deveria saber (ou procurar saber) que esta questão está longe de ser uma verdade. O rigor, mais uma vez, ficou na gaveta.

«[...]Como Tony Blair, Vice-Presidente de António Guterres na Internacional Socialista»
- De facto, ao que nós chegámos...

«O anúncio da Coreia do Norte é muito preocupante. Em primeiro lugar, porque é um regime político tenebroso e que não pode servir de modelo para ningém, a não ser na inconsciência política absoluta»
- Diga isto ao seu camarada Bernardino Soares. Esse inconsciente absolutista! De qualquer forma, todos sabemos que o seu modelo é outro... mais do tipo... Albânia...

«Nesse mundo mais perigoso a única garantia de paz é haver uma organização internacional do Direito, que permita prevenir e evitar conflitos e combater o terrorismo. Pensar que a NATO combate o terrorismo é pôr uma raposa dentro do galinheiro [...]»
- Quanto às galinhas, já estamos habituados a este elaborado léxico político. A "organização internacional do Direito" presumo que possua mecanismos de coerção para o fazer aplicar e, lamento informá-lo, a ONU não conseguiu pô-los em prática durante 12 anos no Iraque. De qualquer forma, saúdo-o pela abordagem arrojada como coloca o combate ao flagelo do século XXI, o terrorismo. "Prevenir e evitar conflitos e combater o terrorismo" são o tónico da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, de 2002. Afinal, sempre se vai aprendendo alguma coisa com esses "imperialistas"...

«Deve haver uma nova forma de organização do Direito Internacional que tenha a confiança dos povos, faça a prevenção dos conflitos e tenha a capacidade de intervir para os evitar e a força para punir todos aqueles que promovem guerras»
- Não insista, deputado Anacleto. Tenha calma. Confiança dos povos? Dá-me ideia que a mais recente sondagem sobre as Relações Transatlânticas, levada a cabo pela Gallup, deu uma ampla maioria "dos povos europeus" agradados com a manutenção desse vínculo. Vínculo esse que pressupõe inevitavelmente a NATO.
- Quanto a fazer a "prevenção dos conflitos com capacidade de intervir" lamento informá-lo mas a NATO actual - distinta da da Guerra Fria - consagra no seu documento estratégico estas mesmas características. Só não tem mais operacionalidade e eficácia porque alguns países europeus teimam em bloquear os processos de decisão, para além de não terem meios militares nem ambiente político (para além de coragem) para se envolverem como deveriam.

Citando o deputado Anacleto, «quem não percebe isto não sabe em que planeta está».

[Bernardo Pires de Lima]

O leão domesticado

Não gosto de falar sobre gente que andou uma significativa parte da sua vida a lutar por sistemas políticos iníquos, mas como já abri uma excepção quando escrevi sobre Salazar, vou só dizer o que me parece a campanha do BE: “Entradas de leão e saídas de sendeiro”.

[Pedro Marques Lopes]

A risota

Caro Paulo,

Como bem sabes sou de direita e tenho muito orgulho nos meus valores e nas minhas convicções, portanto não me confundas quando confesso a minha estupefacção acerca deste folclore em volta de alguém que supostamente viu uma figura do Cristianismo a pairar sobre uma oliveira. Por estas e por outras é que somos a risota do mundo civilizado.

[Pedro Marques Lopes]

A fé tem razões que a razão desconhece

A cabeça de lista do PS por Coimbra, Matilde Sousa Franco, foi prestar homenagem à Irmã Lúcia. Eu acho bem. A sério. Porque não? A senhora é católica praticante, como Paulo Portas. Presumo que tenha o culto de Nossa Senhora de Fátima, como Paulo Portas. Foi certamente convidada pela família da Irmã Lúcia, como Paulo Portas. O que eu não percebo é o motivo porque os comentadores e a SIC, os dois bispos da TSF e a esquerda em geral, não falam de aproveitamente político neste caso. Será porque é candidata pelo PS?

[PPM]

PS. Já agora, ainda a propósito de supostos aproveitamentos. Será que ninguém fala do insuperável aproveitamento da morte da Irmã Lúcia pelos meios de comunicação social, a começar pelas televisões?

Plagiar a explicação do plágio

Calma! Calma! Não foi bem um plágio.
Fiz foi um copy paste do título. Depois quis alterar o texto e esqueci-me de pôr aspas.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Aaaahhhh…bela Romy (suspiro). Pensar que se entregou nos braços de outro homem que não eu (suspiro ainda mais). Ò infortúnio! O dela, claro. Mal sabe o naco de perdição que lhe passou ao lado.

A direita no confessionário III

E as guerras? As guerras são muito giras! Nada melhor que ver subdesenvolvidos a matarem-se uns aos outros. Quando isso não é possível podemos sempre mandar um avião bombardear em altitude os desventurados que não têm sítio onde se esconder. Fazem-se contas aos mortos da guerra? Claro que sim! Os Americanos são uns meninos com as manias do humanitarismo e da democracia. Não tivessem eles gasto milhões em bombas inteligentes e a eficácia purificadora destas guerras seria, certamente, muito maior.

Toda a gente sabe que só com o segundo Bush é que os Americanos se começaram a tornar verdadeiros porcos fascistas à antiga europeia. Agora andam a tentar reduzir a diferença para os nossos grandes feitos na opressão do terceiro mundo, mas convenhamos que invadir um lugareco qualquer no médio oriente para lhe roubar petróleo está um muito longe de dividir um continente inteiro a régua e esquadro como os meus gloriosos antepassados fizeram um dia em Berlim.

Fascista! Eu? Depois do que disse, entenderá o meu amigo as razões pelas quais não admito a calúnia. Prontos já disse! Sinto-me muito melhor. E eu nem sou do pior. Neste enfermo tasco onde agora põem os olhos há gente bastante mais radical que eu. O Paulo é candidato a ministro da propaganda do regime, pensando mesmo em mutilar uma perna para ganhar o coxear próprio do cargo. O Jacinto é um verdadeiro Pol Pot - repete-me sempre que muito giro era pegar nos tanques do Portas e esvaziar Lisboa mandando toda a gente para campos de trabalho forçados no Alentejo. O Diogo adora brincar ao Primo de Rivera e reclama que quando fosse grande, gostava de dirigir campos de reeducação. O Francisco ficaria como alto-comissário para os assuntos da música fuzilando à descrição na entrada do estúdio dos Ídolos.

E o Luciano? Nem pensar em entrar em polémica com ele! É ver-lhe os escritos económicos. O país autosuficiente e o camandro. Mas ò Luciano, o país não produz comida para os seus habitantes! comentei eu. Respondeu-me ele e depois? Morrem uns milhares e o problema do trânsito na baixa do Porto fica logo resolvido. A Inês? Bem a Inês é um caso diferente. Quer dizer, ela é igual a nós e tem passado nos testes – roubar caixas de esmola em templos não católicos – mas é mulher. Portanto sabe que tem os direitos que o marido deixar. Acredite meu bom pirata. Ao lado desta gente, passo por democrata e o desaparecido Vasco Rato por barnabita.

[Rodrigo Moita de Deus]

A direita no confessionário II

Por isso, de todos os impropérios, o único que não consigo perdoar é fascista. Desde pequeno que tenho o hábito de bater em pobres sempre que os encontro na rua. Eles são débeis e mal alimentados portanto mal respondem. É uma espécie de ocupação pedagógica que tenho.

A este propósito, certo dia um teórico da canhota perguntou-me: “Ò seu porco opressor, explica-me lá este paradoxo. Se vocês na direita não gostam de pobres, porque será que quando chegam ao poder lhes multiplicam o número”. O sacana ia-me entalando, mas depois, num assombro ideológico lá lhe respondi: “Ò seu admirador de Sérgio Godinho. Sem pobres, sem fracos, sem débeis, quem haveríamos nós de explorar?”. O Marx de segunda ficou espantado com as minhas palavras. Mais tarde apanhei-o a atravessar a rua numa passadeira e dei-lhe com o meu BMW topo de gama. Um dia que recordo com grande emoção pois nessa mesma tarde agredi uma romena com um bebé ao colo que pedia dinheiro num semáforo para os lados do Marquês de Pombal.

E famílias carenciadas? Caramba, que gozo! Desde logo combinam duas importantes virtudes: são carenciadas e numerosas (a incapacidade financeira de recorrer a profiláticos tem este bónus). Quanto mais carenciadas, mais filhos, mais filhos menos comem, menos comem mais débeis, mais débeis, mais levam. Como é boa a lógica da batata!

O que veio lixar este milenar sistema de opressão, foi mesmo a história da classe média. Ainda que dependentes do grande capital, com os seus miseráveis créditos à habitação, estes tipos são bem alimentados e mais rijos de morder. Um beto já não pode fazer graças sobre essa turba que reside na outra margem, que logo sai alguém do carrinho comprado a prestações para nos enfiar uns soquetes. Intimidada fisicamente, esta elite de camisa Ralph Lauren lá é obrigada a dar escolas, hospitais e umas auto-estradas para o cardume passear nos Ford´s kitados.

Repito. A classe média foi o princípio do fim do respeito pelos estratos sociais. Noutros países, menos desenvolvidos no campo das ideias que nós, o conceito de maralha nasceu logo com a revolução industrial. Graças a Deus que em Portugal houve quem soubesse impedir o fenómeno. O bom trabalho de João Franco foi continuado por Afonso Costa e seus pares, mais tarde pelo saudoso Sidónio e teve o seu corolário nesse mítico defensor dos direitos adquiridos que foi Gomes da Costa. Foi preciso que chegasse esse pastor da beira, esse esquerdista camuflado, esse católico vermelho do Salazar para que se fizesse uma classe média. Depois foi o que se viu. Fomos obrigados a fugir para o Brasil e a devolver áfrica aos autóctenes. Tivessemos nós ficado com o Rolão Preto e nada disto teria acontecida. Hoje, estaria sentado numa esplanada de Lourenço Marques a emborcar gin tónicos enquanto o maconho trabalhava em regime de semi-escravatura nos campos de caju no interior.

(continua...)

[Rodrigo Moita de Deus]

A direita no confessionário I

Meu caro pirata fantasma,

Como aprecio o afoito de quem não se inibe com tamanhos! No fundo, no fundo sabia que podia contar com os meus amigos para uma sessão de destrato ideológico e insídia pessoal. Caramba como estava difícil encontrar essa canhota reaccionária que os meus ilustres piratas tão bem recitam. E logo com todos os ingredientes que fazem o consommé da polémica: caldo de ironia preconceito quanto baste com uma pitada de calúnia. Digo sem reservas que é no seu texto que encontro o colo que procurava.

A mim não me incomodam afectuosos arremessos de lama. Mais! Sou um profundo crente nas virtudes terapêuticas da argila. A saber: redução de papadas; máscara tensora pós eléctro-estimulação, efeito oclosivo em tratamentos liporedutores e a importante drenagem linfática manual.

É neste tom intimista, de quem tem o sitemeter avariado, que confesso a minha admiração pela clarividência da sinistra. Adivinham um conservador pela marca da roupa e um tirano pela crença religiosa. Vai daí ensaia-se sobre os restantes gostos, do autor preferido até à marca do cão. Caramba! Como o fazem? Se a direita gozasse desses talentos, tudo seria diferente. Os meus antepassados de doutrina teriam legalizado o IVG há séculos atrás, Robespierre não chegava a nascer e, hoje, a malta viveria contente distribuindo brioches à canalha!

Como o fazem? Como sabem? Seremos assim tão transparentes? A direita é déspota, impiedosa e quase sempre gosta de fatos da labrador. A direita é chupista, totalitária e quando não casa com uma loira, manda a gaja pintar o cabelo. A direita é brutamontes, arruaceira e o corporativismo para nós é um perigoso desvio socializante de uma doutrina de esquerda. Os extremistas são meninos e os revolucionários nacionalistas candidatos ao Bugio por perturbarem a paz de um regime ainda mais antigo.

(continua...)

[Rodrigo Moita de Deus]

Ensaio sobre a ingenuidade

Concorde-se ou não com a decisão de suspender a campanha, pergunto-me quem terá sido mais ingénuo? Os Bispos por não saberem que as suas “declarações” acabavam como argumento para a campanha eleitoral? A Inês, por pensar que a voz oficial da Igreja é a Conferência Episcopal e que tudo o resto é, no mínimo, excesso de voluntarismo? Ou o Manuel que faz um voto de solidariedade a duas raposas velhas, formadas com mérito num curso com dois mil anos de história? Até dia vinte vai ser sempre assim? Fingimos que só vemos e só percebemos o que nos interessa?

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Por todas as razões, espero que a campanha acabe rapidamente.

O Acidental à escuta

Santana Lopes e Paulo Portas ganham mais votos com as críticas de Pacheco Pereira e de Vital Moreira do que com a suspensão da campanha propriamente dita.

Assistimos a muitos aproveitamentos políticos desde Domingo. De entre líderes partidários, políticos de esquerda e de direita, activistas ateus, religosos, bispos vermelhos, bloggers, sociólogos e opinion makers, Paulo Portas e Santana Lopes foram os mais discretos.

Estas notas de João Miranda dizem tudo sobre o assunto.

[Rodrigo Moita de Deus]

Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005

Fundamentalismos

Se há um dado evidente que resulta da morte da Irmã Lúcia é o fundamentalismo anti-católico de alguma esquerda envergonhada e da extrema-esquerda em especial. Misturam factos com a mais pura ficção numa lógica de Ficheiros Secretos e condenam os que apenas cometem o crime de acreditar. A I República faz parte da História, mas o anti-clericalismo sectário e intolerante continua bem vivo entre os netos de Abril.

[PPM]

Desactualizado? O Bloco?

No capítulo do programa eleitoral da produtora de eventos - vulgo Bloco de Esquerda - intitulado O Bloco de Esquerda, uma esquerda de confiança na oposição à direita e na alternativa para o país, surge como 7ª medida para os primeiros 100 dias no Parlamento o seguinte acto de fé: «RETIRADA DA GNR DO IRAQUE - Todas as forças militarizadas portuguesas devem ser retiradas e deve cessar qualquer colaboração política ou militar com a ocupação do Iraque».
Esta organização de eventos de rua, que presumo ambicione chegar algum dia ao governo (não sei se para já), deve estar ocupadíssima com coisas tão importantes que não reparou que a GNR - infelizmente, diga-se - até já voltou para casa.
Não me digam que o programa eleitoral já está desactualizado?
Desactualizado? Quem? O Bloco? Não pode ser. É impressão minha.

[Bernardo Pires de Lima]

Quando os bispos se põem a fazer política (II)

Instrumentalização, instrumentalização! As bandeiras do PS estão todas a meia haste! Eles querem manipular o voto dos católicos! Socorro!

[Inês Teotónio Pereira]

Cartazes e um bocadinho de tudo

Na Internet encontramos um bocadinho de tudo. Um bocadinho de estupidez, um bocadinho de mentira, um bocadinho de demagogia. Tudo disperso. Em raras ocasiões, no entanto, damos de caras com o pacote completo (uma espécie de acefalia política chave-na-mão). É o caso deste texto do Senhor Francis, que entre passas abortivas em cânones de haxixe, viu nas Minhas Incursões Transmontanas (II) um incitamento à violência, radicado, nada mais, nada menos, do que numa doentia e autocrática personalidade (a minha, naturalmente).

Prezado Francis, caso não tenha reparado, limitei-me a constatar o que vi com um propósito definido; mostrar que o Bloco é um Bluff (“todo o Bloco é um Bluff e todo o Bluff é um Bloco”, Hegel quase dixit) mediático, que se tenta associar aos acontecimentos mais polémicos para aparecer. Constatei, apenas, que, algures nos confins de Portugal, onde a polémica renasce todos os anos, e onde uma pequena população enfrentou, por diversas vezes, instruções expressas do Bispo de Vila Real quanto a um evento com algum significado económico para a região, o Bloco de Esquerda não só não mereceu a atenção que, porventura, entendia merecer, como foi, ainda, objecto do maior desprezo. Claro que utilizei um pouco de ironia… mas sabe, certamente, que, a ironia, não é necessariamente um estilo burguês...

Ora, o desprezo que o Bloco de Esquerda recebeu é um facto – o que faz do meu comentário objectivo -, com relevância política – e portanto, objecto da minha interpretação livre.

Claro que eu não posso dizer isto. Eu sou de direita. Correcto seria um jornal “constar” que Paulo Portas teve uma ida difícil ao Sindicato dos Metalúrgicos Comunistas e Armados do Sol Posto, ou que Santana Lopes tem menos apoio que Sócrates nas Desertas! Aí sim, estaríamos perante uma constatação democrática, objectiva, pluralista.

Uma nota final: está na altura dos senhores começarem a pensar um bocadinho, começarem a ler qualquer coisa de novo, e começarem a pensar em novos argumentos. Em primeiro lugar, porque jamais nos passaria pela cabeça apelar a actos como aquele a que assisti, da mesma forma que jamais seríamos capazes de apelar ao cerco de comícios e órgãos de soberania, ao homicídio de pequenos proprietários, ou à constituição de tribunais populares! E em segundo lugar, porque o hábito recorrente de chamar o fascismo à colação sempre que se expõe o ridículo de algumas “forças” de esquerda caducas, não só falha o alvo, como nos sugere um indício clínico de encefalopatite espongiforme humana (e olhe que nós, democratas, escrevemos na expectativa de encontrarmos um interlocutor válido). Acresce, a título final, que ainda não sabemos a que fascismo se refere? Será, porventura, do italiano, que nasceu no seio de dissidentes de esquerda?.

[Jacinto Bettencourt]

P.S. O cartaz foi descoberto por uma equipa de descontaminação enviada, especialmente, de França, onde se combate, há séculos, este tipo de poluição. Julgo que tentaram co-icinerá-lo, mas sem grande sucesso ambiental (à semelhança do que acontece à maioria dos resíduos perigosos).

Quando os bispos se põem a fazer política

D. Manuel Martins e D. Januário reclamam da “sinceridade” de quem suspendeu as campanhas eleitorais e suspeitam da “instrumentalização” da morte da Irmã Lúcia “numa semana que é muito positiva do ponto de vista de votação nacional”. De que será que suspeitam eles de Jorge Sampaio por ter decretado luto nacional para amanhã?

[Inês Teotónio Pereira]

PS: A entrada destes dois bispos na campanha eleitoral era desnecessária. O mais natural era que fosse outra figura da esquerda a falar de instrumentalização da morte da Irmã Lúcia. Como por exemplo, Mário Soares. Aguardemos agora, serenamente, que a Conferência Episcopal desvalorize estas declarações despropositadas.

Liberdade para o Dalai Lama, já!

Temos agora os escribas do Barnabé consternados e visivelmente incomodados com o percurso de vida da Irmã Lúcia. De certeza que ela agradece.
Mas tenho pena que estes amigos da Irmã Lúcia só falem dela. E os outros? E a coitada da Madre Teresa de Calcutá que viveu anos a fio sem comida, a dormir lado a lado com leprosos em perfeita miséria? Não teria também ela direito a um qualquer rendimento mínimo? Não teria ela direito a casar-se e a gerar vida? Não teria ela direito, enfim, a dizer basta ao catolicismo, ao terço diário e às missas partilhadas com famintos pobres da Índia? E o que é que a Igreja Católica fez? Fechou os olhos! Não a resgatou da miséria. Não lhe disse que podia trabalhar, viver numa casa condigna e constituir família como todas as mulheres.
Isto para não falar do Dalai Lama. Uma criança com apenas dois anos – notem bem: dois anos – que é escolhida por monges celibatários que não sabem nada da vida para ser líder espiritual. Alguém lhe perguntou se ele queria essa enorme responsabilidade? Alguém informou e indemnizou devidamente os pais pela nacionalização do filho a favor de uma religião? E poder jogar à bola, ir para os copos com os amigos, dar uma voltas com uma nepalesas, não teria também este jovem, o pequenino Tenzin Gyatso, direito a tudo isso, como todos os outros rapazes do Tibete? Será que ele queria, será que ele sabia que podia escolher?
Convenhamos que este caso é mesmo desumano. Ao menos a irmã Lúcia tinha doze anos quando se deslumbrou com umas sombras falantes. Já o outro, o Tenzin, tinha apenas dois aninhos quando foi violentamente encarnado por uma alma perdida! Força, Barnabé.
O mundo precisa de saber, porque eles não sabem o que fazem.

[Inês Teotónio Pereira]

Sinais da crise

"As fusões e aquisições em Portugal ascenderam a um valor de 12,1 mil milhões de euros no ano passado, mais do triplo do que os 3,7 mil milhões registados em 2003"

"…em Janeiro deste ano, os negócios anunciados cifram-se em 180 M€, uma subida de 28% face aos 141 milhões observados no primeiro mês de 2004".

Que crise horrível… precisamos mesmo do PS!

[Jacinto Bettencourt]

Dicionário de bolso (Palermo)*

Avenidas: Em tamanho são iguais às de Paris. Em lojas, iguais às de Milão.

Café: Spinatto, na Via Belmonte. O mais antigo de Palermo. Na esplanada e na companhia de alguns Gin Tónicos, tentei ler uma edição do Príncipe em italiano. Ao fim de duas horas de copos não havia palavra que não conseguisse traduzir.

Devoluta: Ao domingo fico com as ruas todas para mim.

Ecumenismo: A Capela Palatina. No Palácio dos Normandos. Em estilo Bizantino. Não é a mais bonita, nem a mais imponente do mundo, mas será das poucas construída para três cultos: o católico, o ortodoxo e o muçulmano.

Futebol: Há muito que deixou de ser um desporto ou uma paixão. É simplesmente uma doença.

Genoma: a elegância de um italiano, a presunção de um francês, a arrogância de um castelhano e o espírito negocial de um árabe.

História: Fenícios, Cartagineses, Romanos, Bizantinos, Árabes, Normandos, Habsburgos, Bourbons, Sabóias. Só os melhores, e mais fortes merecem a ilha da Sicília.

Honra: (ver soberba)

Idiomas: Falam todos os idiomas do mundo desde que seja italiano.

Leopardo: Em conversa com os duques e as duquesas reparo que o Reino nem precisou de mudar muito para que tudo ficasse na mesma.

Máfia: Dizem-me a sorrir: “a verdadeira máfia está em Roma”. Mesmo assim reparo que todos os dias morre alguém de causas pouco naturais.

Mourinho: Nem Eusébio, nem Amália, nem Figo. O português mais conhecido no mundo é o treinador do Chelsea.

Nobreza: Não há lugarejo naquela ilha que não tenha um Príncipe. Por cada príncipe dois marqueses, por cada marquês cinco duques, por cada duque oito condes, por cada conde onze viscondes. Aos restantes plebeus eram distribuídos baronatos.

Olhar: A cidade é feita para isso. Olhar. Para os palácios, para as Igrejas, para o que escondem as esquinas. Para elas. Horas a fio.

Polícia: Muita. Metralhadoras. Carros com sirenes a apitar lembram os saudosos dias em que O Polvo passava no canal 2.

Sensualidade: Toda. Nos gestos, nas palavras, no olhar e no toque. Como as sereias, também elas cantam quando falam, entorpecendo os sentidos do incauto navegante que por ali passa. Sensualidade. Sexualidade. A decadência não passa de moda.

Sinistra: o termo serve para definir a esquerda. Em rigor aplica-se a toda a política italiana.

Soberba: a essência de um siciliano.

Tolerância: Durante séculos todos os documentos oficiais da Sicília eram escritos em pelo menos três línguas: latim, grego e árabe.

Vendetta: Tive o cuidado de não fazer perguntas e de evitar os olhares.

*Desculpa lá Eduardo, mas o título e o formato eram irresistíveis. Segue o cheque por correio nestes próximos dias.

[Rodrigo Moita de Deus]

Uma nova divisão administrativa em 24 horas

O jornal 24 horas trazia hoje uma rábula à conta de Fernandes Thomaz. Parece que o candidato terá afirmado que Fátima pertence ao distrito de Santarém. Que parvo! Que ignorante! Que fraca desculpa de intelecto! Graças a Deus os jornalistas do 24 horas são homens atentos, informados e sempre disponíveis para o serviço público. Trataram de corrigir o ainda secretário de Estado esclarecendo que Fátima pertence ao distrito de Leiria. Já agora, se não fosse abusar da boa vontade dos senhores jornalistas, peço-lhes o favor de enviar este esclarecimento ao Ministério da Administração Interna. É que eles, no ministério, também acham que Fátima, freguesia do concelho de Ourém, pertence ao distrito de Santarém. São tão parvos, tão ignorantes como Fernandes Thomaz. Obviamente.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: É assustadora a presunção necessária para escrever um comentário daqueles sem pelo menos certificar a informação. Bem sei que os nossos políticos não são propriamente uma elite intelectual. Mas isso dificilmente pode servir de pretexto para que os jornalistas se achem melhores que eles.

Retrato da Semana - dia 14 Fevreiro

bloody valentine

Hoje, não se esqueçam de quem não é amado...

[Vitriolica Webb]

Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005

O Amor é Tão Lindo* (versão concupiscente)

psicina3

La Piscine de Michel Legrand. Banda sonora para noites de sonho. Música que oiço dez, vinte, cem vezes, sem esmorecer.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: *É vosso o título? Azarucho! Processem-me!

O Acidental à escuta

Recebi uma carta de Bruno Sena Martins que li com toda a atenção. Daqui lhe digo que, por jogarem mal, também apupo a minha equipa, mas que faço questão de ir ao estádio. Para que conste, ainda não comecei a torcer pelo adversário. Repito. Ainda.

[Rodrigo Moita de Deus]

A lama que lava mais branco

Só mais umas perguntas inocentes: será que há lamas melhores do que outras?
Dito por outras palavras, menos criptadas: será que a lama que alguns atiraram sem qualquer despudor ou sentido de justiça era melhor do que aquela que dizem estar agora a ser utilizada contra terceiros, desta vez mais próximos do coração e do voto? E quem é que falou de vitimização, quem foi?

[PPM]

Presumíveis inocentes (III)

Na nota divulgada hoje, a PJ explica que os elementos recolhidos no âmbito do "caso Freeport" não revelam, "por ora", indícios que apontem como arguido qualquer líder partidário.
Por ora.

[PPM]

Hábitos que não se perdem

Há vícios que não se perdem. O irascível feitio, os maus modos, os complexos de classe, o rancor e o ódio que a extrema-esquerda destilou durante o PREC – e mesmo hoje em dia – contra a Direita é um hábito que quem passa por lá dificilmente perde. Pacheco Pereira é o exemplo mais vivo dessa triste forma de estar na política. Os termos que utiliza revelam qualquer coisa de irracional.

[Inês Teotónio Pereira]

Está tudo dito

O homem estava às dez para as oito da manhã em frente ao computador a escrever isto.
Get a life.

[Inês Teotónio Pereira]

Presumíveis inocentes (II)

Para os mais distraídos que se atiram a "O Independente" por causa do "Caso Freeport", recomendo que se acalmem e leiam também "O Público" - e que se lembrem ainda que a notícia sobre a investigação da Polícia Judiciária já tinha sido anunciada um dia antes na SIC Notícias. Só espero que aqueles que tão justicialistas foram noutros casos mais ou menos recentes, não confundam poder judicial e poder político. Ou será que agora - e só neste caso específico -, acreditam mesmo que a Judiciária pode ser instrumentalizada?

[PPM]

História?

Seria bom e útil que os candidatos a primeiro-ministro dissessem alguma coisa acerca da participação futura de Portugal na estabilização do Iraque. E do Afeganistão. E já agora onde a NATO e a UE estejam envolvidas (não nos esqueçamos que fazer parte destas organizações deve representar bem mais que remessas de material militar ou fundos comunitáros). Ou estaremos perante candidatos irresponsáveis cujo "lado certo da História" não passa disso mesmo, história?

[Bernardo Pires de Lima]

Presumíveis inocentes

Sobre o "Caso Freeport" apenas me apetece dizer que toda e cada uma das pessoas alegadamente envolvidas devem ser consideradas presumíveis inocentes enquanto não forem condenadas e a decisão não tiver transitado em julgado.

[PPM]

Mar chão

É impressão minha ou a blogosfera anda especialmente mansa? Há mais de uma semana que o Technorati não aponta uma boa polémica aqui com a casa. Nem boa polémica, nem sequer um insultozinho. Nem “fascistas”, “betos”, “reaccionários”, “exploradores do proletariado”. Nada. Nadinha. Até escrevi que gostava dos cartazes da JSD e responderam-me com...silêncio! E antes de postar o tema, tive o cuidado de inquirir sobre o assunto. Um amigo diz-me que o desânimo blogosférico é geral. Outro responde-me que O Acidental se institucionalizou. Ambos os cenários são negros.

E este nem é um problema de audiências, mas o nosso contador revela um extraordinário momento de forma. Com cada vez mais leitores como explicar este silêncio perturbador entre os colegas da posta? Terão ficado comovidos e solidários depois do insulto do Dr. Pacheco Pereira? Amuados com os nossos comentários ao Ricardo Araújo Pereira? Descobriram nessa blogosfera outro “Acidental” de maior talento e propensão para o vitupério? Ou andam convencidos que demos uma de elitistas e só respondemos a quem aparece na televisão?

Meus caros amigos (e os outros que não são), posso-vos garantir, em nome da gerência, que todos os agravos, venham eles das estrelas mediáticas ou da arraia-miúda, são lidos com a mesma consideração e carinho. Nesta coisa de atirar lama não contam os minutos de fama nem sequer as page views. E mesmo estando longe do socialismo, o Acidental acredita profundamente na paridade entre o comentário acintoso do trauliteiro de Alpiarça, a calúnia do comentador político e o erro doutrinário do catedrático das Avenidas Novas.

Portanto, ânimo rapaziada! Toca a afiar as penas ou a martelar o teclado. Que o talento nunca seja óbice para uma promissora carreira na infâmia.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Se o mar não muda, não tenho outra alternativa que me pegar com o Pedro Marques Lopes por causa da privatização da Caixa Geral de Depósitos.

Auto elogio

António Carrapatoso afirmou que os líderes partidários deviam rodear-se de pessoas mais credíveis. Mais credíveis, assim como ele. Calculo.

[Rodrigo Moita de Deus]

Auto flagelação

Mário Soares escreveu que Sócrates tem de “saber resistir às pressões do aparelho e à tentação do poder pelo poder que pode insinuar-se através de certos notáveis que gostam de se colocar em posições estratégicas”. Notáveis, assim como ele. Calculo.

[Rodrigo Moita de Deus]

Um comentário infeliz mas irresistível

No púlpito feito "à medida" de José Sócrates, de cada vez que Vitorino vai botar faladura fica com a “Hora de mudar” escrito na testa.

[Rodrigo Moita de Deus]

Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005

Política externa explicada a crianças: O perigo amarelo

Como quem não quer a coisa, a Coreia do Norte anunciou que tinha armas nucleares. Anunciou também que as armas servem para legítima defesa. O conceito de legítima defesa dos coreanos tem a amplitude do conceito de “guerra preventiva” dos americanos. Os japoneses, há dois anos atrás, juraram que se a Coreia se tornasse numa potência nuclear, o Japão seria obrigado a tornar-se numa potência nuclear. Alguém duvida que uns ou outros usem as suas armas “preventivamente”?
Em desespero, a única monarquia hereditária do socialismo já provou que é capaz de tudo. Mesmo sem a certeza da protecção da China, mesmo com a certeza da destruição total. E agora? Atacamos a Coreia antes que a Coreia ataque os nossos aliados? Ou continuamos a pagar para um monstro se manter no poder? O perigo amarelo é a zona cinzenta da moral ocidental.

[Rodrigo Moita de Deus]

À procura de confusão

Eu gosto dos cartazes da JSD.

[Rodrigo Moita de Deus]

Pragmatismo conceptual

Neste momento da política portuguesa é preciso ser-se muito talentoso para liderar o Partido Socialista e mesmo assim falhar uma maioria absoluta.

[Rodrigo Moita de Deus]

A Cunning Plan

José Sócrates tem-se visto comparado com muita gente respeitável. Na substância com Tony Blair, na aparência com George Cloony (do qual será, como bem lembrou o João Vacas algures aqui, uma versão Clowny). Eu confesso que, de cada vez que o ouço falar, e tendo em conta que, sempre que o faz, o discurso anda invariavelmente à volta do célebre "plano tecnológico", à memória só me vem Baldrick, o fiel servo do Lord Black Adder na série com o nome deste protagonizada por Rowan "Mr. Bean" Atkinson. Não há episódio em que Baldrick, confrontado com as desventuras de seu amo, não declare, com a pose mais triunfal que a sua condição permite, " I have a cunning plan, Milord!", para, logo a seguir, acedendo aos pedidos de explicação, desenvolver a mais estúpida e inconsequente das estratégias.

Como foi possível constatar na entrevista que deu hoje à TSF, Sócrates é um bocado assim. Apesar da ausência de imagem, deu para perceber que arregala os olhos de "computer geek" quando profere as palavras "plano tecnológico", "inovação", "ciência", entre outras, mas assobia para o lado quando lhe pedem para desenvolver a ideia, refugiando-se em generalidades banais com que toda a gente concorda, alardeando-as como se as mesmas tivessem sido por si descobertas.

Sócrates é certamente mais apresentável do que Baldrick, mas, se nos lembrarmos que vai governar a paróquia, tem muito menos piada.

[FMS]

O Acidental à escuta

Um dos melhores blogues escritos em língua portuguesa vai fechar. O José Flávio Pimentel, num acto de inexplicável egoísmo, convenceu-se que era dono da sua escrita e resolveu pendurá-la em local mais discreto.

Ele que vá preparando o café que qualquer dia maschambamos por aí para ver essas palavras. Enquanto isso não acontecer, fica via aberta no Acidental sempre que quiser matar saudades das teclas.

[Rodrigo Moita de Deus]

Hayek ou a via liberal para o comunismo?

jeronimo
Eis a imagem que ilustra um comunicado do Institut Hayek, um site feito a partir de Bruxelas e dedicado à difusão das ideias liberais.
É caso para dizer: como de costume, Portugal só é mencionado lá fora pelas piores razões (grato ao Miguel pela indicação).
[Luciano Amaral]

Quarta-feira, Fevereiro 09, 2005

O caso Cavaco Silva antes do comunicado

Fonte anónima mas próxima desmente fonte anónima mas próxima.

[Rodrigo Moita de Deus]

O caso Cavaco Silva depois do comunicado

Cavaco Silva confirma fonte anónima mas próxima no desmentido à fonte anónima mas próxima.

[Rodrigo Moita de Deus]

O caso Cavaco Silva depois dos desmentidos

O comunicado não esclarece em que partido Cavaco Silva vai votar.

[Rodrigo Moita de Deus]

O que disseram que disse mas não disse e também o que não disse porque não quer dizer

Como o blogue do eterno assessor de Aníbal Cavaco Silva garante que Aníbal Cavaco Silva não disse o que disseram que disse e nem sequer pensou o que pensam que pensou, convenhamos que há que acreditar no que se escreve no blogue do eterno assessor de Cavaco Silva. Se existe fonte segura e, neste caso, claramente não-anónima, ali mora ela.
O que não se percebe muito bem é a razão porque Aníbal Cavaco Silva - não pensando o que pensam que ele pensa e jamais tendo dito o que dizem que disse - não vem ele próprio a público - e já agora ao "Público" - dizer o que realmente pensa e no que realmente acredita, em vez de repetir que não tenciona fazer qualquer declaração política até ao dia das eleições. É pouco, convenhamos.
Eu não vou dizer que o curto comunicado do Professor em que desmente a notícia do "Público" acaba por promover a propalada insídia lançada por gente certamente mal-intencionada. Não evita porém as dúvidas sobre qual será o partido em que Cavaco Silva "aposta" neste momento.
Não vou também perder tempo com o cinismo da "fonte próxima do ex-primeiro-ministro" que, logo na terça-feira, tinha desmentido a mesma notícia à Agência Lusa. Pergunto-me, porém, se esta apressada "fonte próxima" não mereceria, precisamente por ser anónima, a tradicional crítica do blogue do eterno assessor de Aníbal Cavaco Silva.

[PPM]

Porque diabo?

Todos os partidos acham que a Caixa Geral de Depósitos deve continuar a ser pública. Porque diabo o Estado deve ter um banco comercial?

[Pedro Marques Lopes]

Os desejos de Cavaco

Não sei se Cavaco Silva disse ou não disse, por interposta pessoa, que desejava uma maioria absoluta para o PS nas próximas legislativas. Se o disse parece ter aprendido um dos maiores defeitos dos portugueses: a falta de memória. Porque só a falta de memória pode permitir que alguém que o tenha apoiado no passado vote nele nas próximas presidenciais. O que me parece objectivamente verdade é que esse cenário seria o ideal para a sua candidatura à Presidência.
Mais. Como é evidente, o PS só obterá a maioria absoluta com uma migração massiva de votos do PSD para o PS – e só com uma derrota estrondosa do PSD, Santana Lopes sairá da liderança, com as evidentes consequências que esta saída terá no regresso dos cavaquistas.
Registando-se apenas uma maioria relativa do PS – e assumindo este partido o Governo – a única estratégia socialista será a de se vitimizar constantemente, apontando os partidos de direita e a Direita em geral como os obstáculos a uma boa governação. Ora, numa situação destas, Cavaco seria mais facilmente identificado como uma figura de Direita e só muito dificilmente conseguiria conquistar Belém – que é bom recordar nunca esteve nas mãos de um homem de Direita. Também, não me parece, que a situação de possível instabilidade ajudasse Cavaco Silva nas presidenciais. Tipicamente, numa situação dessas, existe uma tendência para a radicalização e essa será sempre desfavorável ao Professor.
Por outro lado, conseguindo o PS a maioria absoluta, as condições para Cavaco ganhar as Presidenciais seriam as ideais: as eleições são já depois do tradicional estado de graça do novo Governo, o eleitorado seria “lembrado” do afastamento de Cavaco em relação ao PSD. Sócrates afirmar-se-ia então como o grande líder da Esquerda, tendo um fácil bode expiatório, sem um homem da sua família política a ofuscá-lo – e “last but not the least”, tradicionalmente o eleitorado não gosta da mesma “cor” no Governo e na Presidência (o exemplo Guterres/Sampaio é a excepção, mas não serve de exemplo, devido à proximidade do infeliz segundo mandato de Cavaco).
Assim, repito, não sei se ele disse aquilo ou não disse.
Mas também não tenho dúvidas que o deseja.

[Pedro Marques Lopes]

De São Bento até à Lapa

Se Santana Lopes é assim tão mau primeiro-ministro, porque se preocupa o PS com o facto de este fazer campanha como tal?

[FMS]

Cavaco e a maioria absoluta do PS, ou a expressização do Público

Foi Cavaco, não foi Cavaco, foi “alguém muito próximo” de Cavaco, não foi, foi invenção, não foi, muito francamente não sei (embora gostasse de saber e até tenha cá as minhas suspeitas).
Mas o que mais apreciei mesmo foi a entrada de rompante do Público no jornalismo de recados. O Expresso já há muito tempo que o pratica e, de resto, não pratica mesmo outra coisa. É um jornalismo de convicções: sabe-se lá através de que poderes mediúnicos, o jornalista sabe qual é a “convicção profunda” de determinado fulano acerca de determinado assunto. Fulano não disse nada sobre o assunto, mas (admitamos, por via telepática) o jornalista perscruta o mais fundo da sua alma e depois verte-o em notícia.
Agora foi o Público a aderir a esta forma de jornalismo transcendental. Enfim, devemos estar perante a versão aplicada à comunicação social da parábola da boa e da má moeda.
[Luciano Amaral]

A mim parece-me óbvio

Ler a esquerda laica, ateia e quase sempre anticlerical queixar-se dos sermões que um padre faz na missa aos seus fiéis, é mais ou menos a mesma coisa que ouvir os Sportinguistas queixarem-se dos discursos que o Trapattoni faz nos balneários do Benfica.

[Rodrigo Moita de Deus]

Polaridade invertida

E se um Padre se manifestasse a favor do uso do preservativo, da interrupção voluntária da gravidez e da liberalização das drogas leves? E se o mesmo Padre, em coerência com o seu pensamento, apelasse ao voto nos partidos que defendem estes valores? Como seria? O que diriam? Alguém se queixaria da interferência da Igreja na campanha eleitoral?

[Rodrigo Moita de Deus]

Máxima para a semana

É das vacas sagradas que se fazem os melhores bifes.

[Rodrigo Moita de Deus]

Centralismo, centralização e centralizadores

Aqui há umas semanas atrás um amigo meu, ao telefone, falava-me do “eixo do poder Lisboa-Cascais”. Em bom rigor, quem anda pelo país sabe que esta ideia paira um pouco por todo o lado. Consta que os lisboetas têm o poder. Que o centralizam e o escondem dos pobres cidadãos que nasceram longe da metrópole.

Um eixo do poder? Nada de mais errado! Nada de mais mitológico! Até podia lembrar Eça de Queiroz, que já se queixava dos políticos que chegavam de comboio à capital. Mas mesmo admitindo que o país tenha mudado alguma coisa desde os tempos do Conde de Abranhos, convém lembrar casos bem mais recentes. Como o Senhor de Comba Dão, por exemplo. E ainda mais actuais. Cavaco de Boliqueime, Sócrates de Maçada, Jorge Coelho da Beira, Guterres da Beira, Barroso de Trás-os-Montes. Até Marcelo Rebelo de Sousa, que brincou descalço na baía de Cascais, inventou uma “terra” onde ir passar o Natal. Assim, de repente, de Lisboa, lembro-me de Sampaio, Soares e Santana. Sampaio é o que se vê, Soares passou mais tempo em Paris que nas Avenidas Novas e Santana é dos Olivais (que não deveria ser considerada Lisboa).

O fenómeno nem é exclusivo da política. No outro dia, num programa de futebol, ouvi um árbitro “tripeiro” falar de “ir ao Terreiro do Paço ao beija-mão”. Certamente esqueceu-se que o Gilberto Madaíl é tão alfacinha como o Eusébio e que muito estranhamente os clubes da capital não ganham campeonatos há já alguns anos.

Lisboa manda onde? Lisboa nem em Lisboa manda. Ora bolas! Vocês não percebem? Em Lisboa manda toda a gente, menos os lisboetas. O problema está nos políticos que vêm mandar para Lisboa. São aqueles que depois não trocam a Lapa pela aldeia onde nasceram, que não se desabituam do café na Versailhes e que acham o máximo ter um jardim zoológico ao pé de casa.

São eles que não descentralizam. Se perguntarem aos verdadeiros alfacinhas se querem que o poder fique na capital, aposto como noventa por cento responde que não. Uma Lisboa sem carros do Estado, sem ministérios, ficava melhor de trânsito, mais barata por metro quadrado e com melhor ambiente. Descentralizem. Tudo! Depois disso, os lisboetas podiam finalmente queixar-se de exclusão. Podiam reclamar a construção de autoestradas e outras infraestruturas. Podiam manifestar-se pelo fim da tese do utilizador-pagador, que a capital é a única que cumpre. Choramingar a evidente desproporcionalidade entre as receitas dos impostos e os investimentos no Concelho. Os lisboetas poderiam finalmente mandar neles próprios.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Este poste não serve para negar a existência de um problema de centralismo, serve apenas para explicar que a culpa não é nossa.

Terça-feira, Fevereiro 08, 2005

O pântano contra-ataca

guterrismo

[PPM]

Segunda-feira, Fevereiro 07, 2005

Perguntar não ofende?

Umas perguntitas que convinha ver respondidas:
Quem deve o Estado subsidiar? Os Hospitais ou os doentes?
Quem deve o Estado apoiar? As Universidades ou os alunos?
Que sectores da Economia deve o Estado gerir (se é que algum)?
Que leis anti-monopólio (do Estado ou não) deve o novo Governo fazer aprovar?

[Pedro Marques Lopes]

O Acidental à escuta

Rui Ramos, em entrevista ao "Público". Sobre o excesso de revoluções e o défice de reformas. Ou como a História explica o atraso estrutural de Portugal.

[PPM]

Será?

Segundo Medina Carreira, 56% da população adulta portuguesa depende do Orçamento Geral do Estado. Alguém já ouviu algum dos líderes dos dois maiores partidos portugueses falar sobre este assunto? Ou será que esta percentagem vai ser acrescida em novos 150.000 dependentes do Orçamento Geral do Estado?

[Pedro Marques Lopes]

Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005

As minhas incursões transmontanas (II)

A hoje célebre aldeia de Vilar de Perdizes pode ser encontrada, documentalmente, desde os séculos XII ou XIII. A criação da paróquia foi, inclusivamente, atribuída a um abade, filho de Maria Mantela, a qual, segundo o mito, foi mãe de outros seis abades, todos eles com responsabilidade na construção de igrejas paroquiais. É possível que a referida aldeia tenha sido, outrora, cabeça de concelho ou uma donataria, o que aliás se justifica pela sua relativa importância quando a comparamos com outras aldeias do Barroso.

Serve isto de introdução ao famigerado Congresso de Medicina Popular, por alguns designado Congresso das Bruxas, e sobre o qual, curiosamente, também não quero falar. Quero, isso sim, contar uma pequena estória sobre a presença do Bloco de Esquerda naquela aldeia, naquele congresso, há dois anos e meio.

Por obra e graça de uma mente política demasiado entusiasta – não somos todos animais incompletos? –, deparei-me, um dia, enquanto decorriam interessantes e produtivas conferências sobre a eficácia da picada do lacrau no domínio das terapias contra o cancro, com um cartaz algo invulgar colocado junto à rotunda de S. Miguel, em Vilar de Perdizes. O referido cartaz, que hoje todos reconhecemos no seu habitual fundo mórbido de cor preta ou roxa e pela estrela infantil que acompanha letras em padrão estético totalitário-assassino – hoje integrado na arte neo-fascista –, dizia: “Bloco de Esquerda, presente”. Data, local, etc.

E foi assim que o Bloco de Esquerda, porventura, se convenceu de que um dia chegaria ao coração de um povo esquecido pela universalidade cristã, oprimido pela escolástica anti-congressos, discriminado pela sua escatológica vocação para a terapêutica popular (cuja realização, afinal, o libertaria do jugo das super-estruturas resultantes do domínio da disposição da terra através do domínio das condições de produção, blá, blá, blá!).

Mas continuando. Querem saber o que é que a população fez? Querem mesmo saber? Tirou o cartaz. Ou melhor: atirou-o para um canto, junto a uns caixotes de lixo onde nem os cães andavam (evitando-se, assim, ferir o pudor canino).

E o que quer isto dizer? Pura e simplesmente isto: que Vilar de Perdizes, como outras aldeias portuguesas, se está borrifando para o Bloco de Esquerda e para o seu programa, independentemente das causa locais, das boas ou más relações com as super-estruturas, e da vocação do pároco. Sem prejuízo, claro, de servir de tema humorístico, como pessoalmente atestei nas piadas autóctones.

Como diria um bom comunista: o povo é quem mais ordena.

[Jacinto Bettencourt]

Boas razões para deitar tarde

Ontem, depois dos debates, depois das notícias, quase depois do fim da emissão, o filme América Proibida. A propor exibição obrigatória nas escolas.

[Rodrigo Moita de Deus]

Os "conibricenses" de Sócrates

Alguém devia dizer a José Sócrates e aos seus apaniguados que, antes de fazerem propaganda eleitoral sobre Coimbra, deveriam aprender a escrever correctamente o nome dos seus habitantes. Não são conibricenses, senhor engenheiro, são conimbricenses. CONIMBRICENSES. E, já agora, os conimbricenses não gostam nada de ouvir falar de co-incineração.

[PPM]

Faz de conta que sim

Vi na televisão. Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã não assistiram ao debate entre Santana Lopes e José Sócrates. É uma opção como outra qualquer. Preferiram jantares com os seus militantes e com a imprensa. O que me pasma é que meia hora depois Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa, interpelados pelos jornalistas, respondiam a perguntas sobre o debate que eles não viram. Pior, as perguntas eram feitas pelos mesmos jornalistas que estavam com eles nos respectivos jantares e que podiam testemunhar que os líderes do PCP e do BE não viram o debate. E mesmo assim perguntaram. E mesmo assim eles responderam. Como se fosse tudo perfeitamente normal. Os jornalistas fazem de conta que não sabem, os políticos fazem de conta que sabem e os portugueses votam.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Não está em causa a figura de Francisco Louçã ou de Jerónimo de Sousa. O que está em causa é esta mania de não perder mais cinco segundos de tempo de antena, mesmo que para isso se faça figura de tonto na esperança que ninguém repare.

Petição "Libertem o Daniel"

Nós, os abaixo-assinados, reclamamos o regresso urgente de Daniel Oliveira ao Barnabé.
Porque o Barnabé já não é o que era.
Passou a ser mais um blogue ao serviço do capitalismo e da social-democracia, contra as mudanças necessárias e a globalização.
Porque o Barnabé perdeu a graça.
Transformou-se numa folha sem nervo e sem chama.
Porque o Barnabé esqueceu a revolução.
Abandonou o projecto de mudança necessária do Bloco de Esquerda e transformou-se numa página cor de rosa, ao serviço do nebuloso centrão político.
Porque o Barnabé parece agora um blogue de José Sócrates com dúvidas.
Conseguiu descobrir uma vitória do engenheiro no debate de ontem, quando todos sabemos que o empate é que serviria as forças da esquerda que bate com mais força.
Porque o Barnabé tem de voltar a servir a causa da revolução possível e já nem se lembra de atacar as forças ocupantes dos Estados Unidos no Iraque.
E, assim, companheiros, é impossível.
Por tudo isto e muito mais, nós, os abaixo-assinados, exigimos o regresso imediato do camarada Daniel Oliveira. Libertem o Daniel!

[PPM]

Retrato da Semana

enlamear
na lama
o desporto dos eleições

[Miss Vitriolica Webb]

Correio do leitor

Dr. Amaral,

Dando seguimento ao seu repto, digo-lhe o seguinte: ganhando a vida a ler e a escrever, nunca poderia dispensar muito do meu tempo, também por uma questão de higiene, a ler os desabafos do tal académico (?) americano (?). Palavra, li em diagonal e já chega. Estou como o outro, quase não li, mas tenho a certeza de que não concordo com nada. É bom ter em conta que este Sr. Churchill aloja a sua croniqueta no site “Kersplebedeb.com” especializado em difundir e comercializar material radical e alternativo do tipo t-shirts, emblemas, pins e outras bugigangas com os dizeres sugestivos de “Nation of sheep, owned by pigs, ruled by wolves” (referindo-se à América, claro, a mãe de todos os males) ou de “The Popes’s mother had no choice”, para além das inúmeras versões do clássico “Stop de war”. Estamos conversados.
Só não percebo é como o homem tem coragem de respirar o mesmo ar de todos os seus compatriotas feios, porcos e maus. O horror dele remonta ao tempo dos índios nas pradarias, congratula-se com tudo o que de mau acontece aos seus concidadãos, acha que as pragas regressam sempre à casa de onde saíram, portanto qualquer horror que possa acontecer à nação americana imperialista, ainda é pouco. Só que, é por a América não ser nada do que ele diz, que pessoas como ele podem continuar a ser como são. Perversões da democracia. Resta-me a esperança de que o Mário Soares não leia os “abalizados” escritos deste Churchill. Caso contrário, lá temos a próxima Visão ainda mais inquinada…

Cumprimentos,
RMR

Freitas é fixe!

Estava eu tranquilamente a ver as notícias do final de noite quando, de repente, lá estava o prof. Freitas do Amaral a apresentar um livro do Garcia Pereira. Noutras circunstâncias o facto não passaria de uma engraçada nota de rodapé. Mas agora? Depois de tudo o que foi escrito sobre ele e da sua viragem à esquerda? Ah valente! O Prof. Freitas do Amaral a apresentar um livro do Garcia Pereira e a queixar-se das calúnias e dos insultos feitos a seu respeito. Freitas é a namorada contrariada. Por um lado diz que não gosta e que não quer e depois pisca-nos os olhos desta maneira sensual. Quererá ele um Acidental XL em exclusivo? Um anacleto só para si? Malandro!

[Rodrigo Moita de Deus]

O debate

Pois. Agora percebemos a relutância do Engenheiro Sócrates em aceitar debates. É obra, nestas circunstâncias, perder aquele debate. O secretário-geral do Partido Socialista parece falso, artificial, um político de plástico.
Mas não custa fazer justiça. Santana estava muito bem preparado. Muito bem.
Um amigo meu dizia-me que não foi suficiente para Santana ganhar votos, mas que servia para manter o eleitorado Social Democrata ainda hesitante e, acima de tudo, para o eleitorado flutuante afastar-se de Sócrates. Talvez.

[Rodrigo Moita de Deus]

Resoluções de ano novo

Vou deixar de fumar, deixar de beber, emagrecer cinco quilos e passar a ganhar dois mil contos por mês. Bem…em rigor isto não são promessas. São objectivos.

[Rodrigo Moita de Deus]

Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005

Respostas triviais a perguntas para queijinho amarelo

1

Quem precedeu Freitas do Amaral como quadragésimo nono Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas foi o Senhor Amara Essy. Casado, seis filhos e notável funcionário público da Costa do Marfim, de onde é natural. Distinguiu-se na carreira diplomática e foi ministro dos Negócios Estrangeiros. Actualmente é embaixador Extraordinário em Cuba, mas com residência em Nova Iorque.

2

Quem sucedeu a Freitas do Amaral, como quinquagésimo primeiro Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas foi o Senhor Rasali Ismail, natural da Malásia. Também foi embaixador em Cuba, cargo que acumulou com a representação da Malásia nas Nações Unidas e com o alto comissariado do seu país nos Barbados e em Trindade e Tobago. Foi encarregado de negócios no Laos e no Vietname. É casado. Tem três filhos e, ao que sei, nunca foi ministro.

Para mais informações, por favor consulte a página oficial das Nações Unidas.

[Rodrigo Moita de Deus]

Et pour cause…

Trivial Pursuit - Pergunta para queijinho amarelo:

Quem precedeu ao marido de Maria Roma como Presidente da Assembleia Geral das Nações? E quem lhe sucedeu?

[Rodrigo Moita de Deus]

Referentes das referências

Como já tive a oportunidade de escrever outras vezes, noutro sítio, chega a ser confrangedor o fascínio que a ditadura comunista cubana exerce sobre muitos membros da nossa classe(?) jornalística, facto que se reflecte quer na forma acrítica como transcrevem takes de agências noticiosas, quer como apresentam a realidade cubana em peças próprias.
A esse respeito veja-se, por exemplo, o que diz o de hoje acerca do (deplorável) levantamento de sanções por parte da União Europeia: "A dissidência cubana criticou também vivamente a suspensão, pela voz de Marta Beatriz Roque, um dos presos de 2003 entretanto libertados. Só a oposição moderada recebeu a medida como capaz de chamar a atenção do regime para a necessidade de libertar todos os presos políticos ainda na cadeia.".
Portanto, para este jornal (dito) de referência, existe em Cuba uma oposição moderada e a dissidência, cuja imoderação é lícito presumir por antinomia. Seria útil (n.b. que o emprego da palavra útil se justifica e não constitui nenhuma mensagem subliminar própria de malévolo assessor) que o autor do texto explicasse em que se funda para fazer semelhante distinção e, sobretudo, para esclarecer quais as medidas tomadas pela "dissidência" que a desqualificam para ser considerada parte da oposição moderada. Recorrendo ao que vou conhecendo do seu programa e prática, tal divisão parece-me estéril, capciosa e acintosa, e serve apenas para beneficiar os suspeitos do costume.
[João Vacas]

A quadratura da verdade

Não sei que fonte anónima levou o dr. Pacheco Pereira ao engano, ou se do dr. Pacheco Pereira já se deve esperar tudo. Mesmo aquilo de que mais acusa os meios de comunicação social: o de, por vezes, faltarem à verdade em razão de preconceitos pessoais, ideológicos ou políticos.

O dr. Pacheco Pereira ganhou a justa fama de que dispõe a criticar os meios de comunicação social, ao mesmo tempo que os vai utilizando com reconhecida habilidade. Uma prática que trouxe também para a blogosfera: se houve alguém que multiplicou o efeito das alegadas menções do PSD à vida privada do Eng. José Sócrates, nós sabemos bem quem foi. E já não é a primeira vez que o faz. No Abrupto e nos outros meios que o dr. Pacheco Pereira vai utilizando com maquiavélica e lucrativa mestria, sempre disfarçada com aquele tom académico de historiador recente.

Espero sinceramente que, por uma vez, o dr. Pacheco Pereira reconheça que se enganou ou que faltou à verdade. Chamar ao Acidental um "blogue escrito por assessores de Paulo Portas", como fez aproveitando a imensa repercussão de um programa de televisão, pode ofender vários dos meus convidados acidentais - desde logo o Rodrigo Moita de Deus, o Luciano Amaral, o Vasco Rato, o Eduardo Nogueira Pinto e o Pedro Marques Lopes, entre outros.

Já agora, para que o dr. Pacheco Pereira seja da próxima vez mais rigoroso, eu não sou assessor do dr. Paulo Portas, sou adjunto - o que, como deve perceber, tem algumas diferenças. Para além disso, no meu blogue só escrevo em meu nome e não tenho delegação nem mandato de ninguém para o fazer.

Eu bem sei que o dr. Pacheco Pereira pensa que a "lealdade orgânica" não é a ideias mas a pessoas - no caso dele, é claro que a única pessoa a quem concede lealdade, para além de si próprio, se chama Cavaco Silva. O que, vistas bem as coisas, até abona em seu favor.

Mas só lhe peço que, da próxima vez que falar em público sobre O Acidental, seja, pelo menos, leal à verdade dos factos.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Lamentáveis equívocos e estratégias

No programa “Quadratura do Círculo” José Pacheco Pereira criticou o CDS e o seu líder pelas reacções ao apoio de Freitas do Amaral ao Partido Socialista. E, para exemplificar, falou dos textos publicados “no blogue Acidental, escrito por assessores de Paulo Portas”.

Escrevi quase dois terços dos postes sobre o Professor de Direito. E, sem falsas modéstias, reclamo para os meus dois terços quatro quintos das “sátiras”. Por isso, com alguma arrogância, presumo que o comentário fosse dirigido a mim. Também por isso, gostaria de informar Pacheco Pereira que não sou assessor de Paulo Portas. Mas o equívoco é ainda maior quando sou militante do Partido Social Democrata com quotas pagas. Adivinhando o comentário seguinte, direi mais: sou militante do Partido Social Democrata desde os tempos em que o próprio José Pacheco Pereira era presidente da Distrital de Lisboa.

Compreendo a conveniência política do juízo moral às estratégias de Paulo Portas. Percebo a utilidade táctica de salvaguardar a figura de Freitas do Amaral. Pacheco Pereira é livre de o fazer como entender, onde o entender e como lhe der mais jeito. Mas, não querendo fazer o papel de virgem ofendida, desta feita meteu uma argolada monumental.

Não tenho a presunção que Pacheco Pereira saiba quem eu sou, o que faço ou o que penso. Se de facto não o sabia, é um erro lamentável porque me envolve em propósitos e estratégias que desconheço e que, em tese, reprovo.

Se, pelo contrário, sabia que O Acidental tinha gente sem filiação partidária, militantes do PSD e outros que não são “assessores de Paulo Portas”, então é grave. Tão mais grave quanto a audiência do programa.

É grave porque induziu em erro os telespectadores, moldando os factos à vontade da sua opinião, colando publicamente ao Acidental e aos seus convidados o rótulo de colaboradores da campanha do CDS. O disparate é semelhante a dizer-se que o Abrupto está ao serviço de José Sócrates ou de Santana Lopes.

Obviamente, por todas as razões, não tenho esperança que Pacheco Pereira se retrate. Mas escrever esta nota serve também para lembrar tudo o que próprio Pacheco Pereira disse e escreveu sobre boatos, rumores, generalizações, insinuações e o direito à opinião.

[Rodrigo Moita de Deus]

É caso para dizer

Que o mundo acabou com os aztecas antes que os aztecas acabassem com o mundo.

[João Vacas]

Inverter o ónus da prova

Acredito tanto em Chefes de Governo que morrem com a inalação "involuntária" de gás, como em Chefes de Governo que sofrem “acidentes” de avião.

[Rodrigo Moita de Deus]

O anti poste

Este blogger não está com gripe.

[Rodrigo Moita de Deus]

É só para avisar

Segundos os Aztecas, o mundo só acaba a 22 de dezembro de 2012.

[Rodrigo Moita de Deus]

Cartesianismo

“Cuba não precisa dos EUA, nem da Europa.”
Fidel Castro

Então, nem os EUA precisam de acabar com o embargo, nem a UE de acabar com as sanções. Tudo pelo bem de Cuba.
[Luciano Amaral]

Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005

Em cartaz

Hoje é lançado o livro de Pedro Mexia "Vida Oculta" na Fnac do Centro Colombo. O Pedro está de parabéns.

[Rodrigo Moita de Deus]

“Choque tecnológico”

Actualizaram-me o software do Office. Ainda me atrapalho com os botões.

[Rodrigo Moita de Deus]

Nota de rodapé

Para quê, Rodrigo, desperdiçar farta e rica prosa com tão escassa e pobre figura, que mede os outros pelos pequeninos ressentimentos próprios?
Para quem é, nota de rodapé.

[PPM]

Pergunta ao Manel

Parece que Manuel Monteiro esteve ontem ao meio-dia nos estúdios da RTP-N, sentou-se em frente ao entrevistador e de repente, em sinal de protesto, abandonou as intalações.

Indignado, esbaforido, revoltado, disse em seguida que "a televisão pública não pode ter um canal para partidos de primeira e um canal para os partidos de segunda", aludindo ao facto de uns terem direito ao horário nobre e outros serem colocados no espaço do meio-dia.

Pergunto eu ao Manel: De segunda? Não seria melhor dividir os partidos em três divisões, isto é, os três do arco democrático (PSD-PS-CDS); os dois do arco comunista/totalitário, e os restantes que pedem para que os jornalistas lhes façam perguntas, para ver se aparecem?

Onde é que encaixaria o seu?

[Bernardo Pires de Lima]

O Outro Churchill

churchill
Por falar em elevação do discurso político (questão, ao que parece, candente no nosso país), deixem-me apresentar-vos um mestre da dita. É o pêssego que está aqui em cima. Chama-se Ward Churchill e é um académico(?) americano, ex-responsável pelo departamento de estudos étnicos da Universidade do Colorado em Boulder (parece que acabou de se demitir). Churchill é autor de um ensaio (?), "Some People Push Back: On the Justice of Roosting Chickens", que, apesar de ter sido escrito há três anos, tem dado agora muita polémica (está aqui a história). O ensaio (?), como se diz em certos meios, é uma crítica "demolidora" da política externa americana. As pérolas são os momentos em que Churchill considera o 11 de Setembro um acto de justiça, ao mesmo tempo que compara as vítimas do 11 de Setembro (atenção: as vítimas) a nazis, uma vez que seriam uma espécie de "Bush's willing executioners", tal como os "bons e inocentes alemães" do tempo de Hitler. Um maluquinho? Certamente. Mas gostava de convidar à leitura da sua magnífica peça. E depois seria interessante saber quem é que discorda dela e exactamente em que pontos.
[Luciano Amaral]

Vamos lá a acabar com a brincadeira

Sucedem-se os anúncios inconsequentes de encerramento de blogs. Vamos lá a acabar com a brincadeira. Eis mais um. É para ser como os outros também, não é, Bruno? Amanhã já cá estás outra vez.
A propósito: Londres é que é. Londres e Roma. Isso sim, são cidades. Paris sucks - apesar do que alguns destes dizem. Não passa de um exemplar do mais bem (quer dizer, mal) conseguido urbanismo racionalista do século XIX.
[Luciano Amaral]

Saber com o que se conta

Freitas ofereceu-se a Sócrates. Louçã ofereceu-se a Sócrates. Mas nem por isso o homem gastou uns minutos da sua agenda internacional para falar sobre matérias realmente importantes. Recorrerá ao Bloco de Esquerda para formar governo? Freitas é candidato dos socialistas às presidenciais?
São respostas úteis para quem tem de decidir o voto no dia 20 de Fevereiro tal como é responsabilidade de um líder provar que não navega à vista. Espero que a campanha não passe ao lado destas questões.

[Rodrigo Moita de Deus]

O Acidental à escuta

Este princípio do ano tem sido fértil em portas que se fecham. Desta feita é o Bruno Cardoso Reis que promete deixar de enviar correspondência de Londres. Tenho pena e vou sentir falta das nossas polémicas. Um abraço deste “anti francófono primário”.

[Rodrigo Moita de Deus]

Talentos que o país teima em não aproveitar

De quando em vez Miguel Cadilhe irrompe pelo nevoeiro lembrando o génio que o país não soube aproveitar convenientemente. Hoje foi um desses dias de aparição. Uma das moedas boas de Cavaco ainda em circulação, falou do desperdício das contas públicas, dos submarinos, dos estádios de futebol e propôs uma reforma administrativa. Conceptualmente a moção apresentada ao público não é muito original, mas depois do trabalho excepcional de Cadilhe à frente da Agência Portuguesa de Investimentos penso que encontrámos o homem certo para executar uma “reforma administrativa”. Mudar qualquer coisa para que tudo fique na mesma.

[Rodrigo Moita de Deus]

Carta fechada

Nota do Autor: Interrompo o serviço público de blogosfera para transmitir ao destinatário a missiva que se segue. Informo os espectadores, que mesmo assim insistam em assistir à emissão, que a personagem em causa se cruzou comigo durante algumas horas. Teve a oportunidade de me conhecer. Em liberdade optou por não o fazer. Meses mais tarde encontro esta prosa. O texto do Filipe Romão é igual a muitos outros que se encontram por aí. É vulgar no conteúdo e repetitivo nos argumentos. Nem genial, nem talentoso. Simplesmente acintoso. E no entanto respondo-lhe. Ao deserto de ideias contraponho-lhe um oceano de linhas. Talvez para me poupar o trabalho de responder a todos os outros.

A ti e aos teus iguais

Falam os doutores de gente que descarrega as tensões próprias de um conflito interno, não no aprazamento da libido, na entrega ao jogo ou ao álcool, mas em prosas suadas de juízos e insinuações. Exercício de quem ignora as leis da natureza. O ódio é monóxido de carbono para o talento que deseja florescer. O rancor castra a prosa, como a tesoura castra o cão, tornando a fera mansa, facilmente subjugável à vontade do dono. Sem a cautela de recorrer a letras recicladas, que alternativa para um estouvado que, em bicos dos pés se arroja perante o adversário, elevar a voz às alturas que o espírito não alcança?

Na borrasca de sentimentos em que se tornam as farpas ideológicas, trata o obreiro de demonstrar desastrada queda para a política comparando o inimigo com o mentor. Note-se: comparar o Rodrigo com Guterres! Caramba homem! Se nas minhas veias corresse o teu sangue, em três linhas amarrotava-te a confiança numa carreira partidária. E para isso nem necessitava de recorrer a pontos ou vírgulas.

Poupar-te-ei o embaraço de ilustrar melhor o inconveniente do ardil. Dir-te-ei apenas que nunca me candidatei à res publica e que não a desejo. Este que agora lês não ambiciona mudar o mundo, o país ou a freguesia de Santa Isabel. Terá satisfação suficiente se a conseguir retratar, com os seus defeitos e virtudes, em palavras e até frases, com ou sem erros. Este que lês, tem um contentamento, que certamente nunca compreenderás. Aprazido por saber que nunca será mais do que aqueles que o precederam. Não padece da angústia própria de quem anda obcecado com as conquistas de um amanhã. E quando confrontado com a incapacidade atingir a celebridade, a fortuna ou a glória, simplesmente sorri.

É por isso que me arrogo no direito de pedir à pátria, e a ti também, alguma condescendência nas esperanças para com este desgraçado cidadão, que até é escriba ao fim-de-semana. Que a pátria não espere nada de mim, pois nada tenho para lhe oferecer.

Na linha da heroína que despe o peito desafiando os verdugos, deixa o feiticeiro de Oz cair o manto do anonimato, em gesto de maior inconsciência que temeridade. Eis o título: Filipe Vasconcelos Romão. Eis outro acrescento inútil. Não é pelo nome que te reconheço, esse nunca serei capaz de gravar na memória, mas é o tom que te denuncia. A ti e aos teus. A frieza no olhar de quem nunca será capaz de aquecer coração algum. Conheço-te bem. És o ressentimento! Cândido servo dos teus amos, a inveja, o medo e a mesquinhez. Conheço-te a alma! Consumida pelos deuses do hades. Movida pelo chicote da frustração. Conheço-te a alma e se a tivesse que a olhar outra vez, ficaria tão horrorizado como se da Medusa se tratasse. Não é desprezo, mas necessidade. É por mim que esqueço o teu nome, o teu olhar, a tua cara. É só por mim que te renego. A ti e ao teu exército de demónios. Amanhã não te reconhecerei novamente.

E do homem possuído? Do ser, outrora, humano? Que sorte para ele? Pobre diabo! Incapaz de me suscitar o ódio ou desdém. Dou-lhe a comiseração. E é tão pouco o que tenho para abonar. Haverá ainda vida naquele tronco vazio de felicidade? Ou para sempre resignado? Como o velho que prega aos pombos do jardim a verdade que nenhum outro aceita já ouvir. Pobre diabo! Apontador dos meus erros. Ficará para sempre nesse lugar? Incapaz de compreender que o muito trabalho que o aguarda será sempre óbice para o reconhecimento que suspira?

Talvez um dia entenda tudo o que lhe deixei. Talvez um dia, queira Deus, encontre a sua paz e nesse dia voltaremos a falar como iguais. Agora que parta! Que prossiga a sua demanda. Um segundo momento de fama nas palavras de outro qualquer.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Agora sim. Agora já tens motivos para não gostares de mim.

O Político Calimero

A campanha de vitimização protagonizada pelos líderes dos dois maiores partidos portugueses indicia que ambos optaram por uma nova forma de fazer política.



[João Vacas]

Terça-feira, Fevereiro 01, 2005

Movimento de Apoio Freitas à Corrida Eleitoral

Apoio a candidatura de Freitas do Amaral a Belém. Estou a falar a sério, apoio a candidatura do dramaturgo à Presidência da República. Em nome da boa disposição - sentimento essencial para a manutenção da saúde física e mental dos portugueses - e a bem do espectáculo, que tem de continuar, é muito importante que Freitas decida avançar.

PS: só não contem comigo para elegê-lo
[ENP]

Rebajas e tendências para esta primavera/verão. Um poste sobre modas.

Aproveitam-se os saldos de Janeiro/Fevereiro para mudanças de estilo, mais ou menos radicais, para adaptação às inevitáveis novas tendências da moda em todo o mundo. Repare-se, por exemplo, em dois exemplos notáveis de políticos que se têm transfigurado: Francisco Louçã e Freitas do Amaral.

A conselho de um amigo lá fui ver as fotografias de uma entrevista ao Diário Económico para encontrar o Professor de Direito com look renovado. Fica-lhe bem este estilo casual friday, desportivo sem ser atlético. Mais light, mais arrojado, mais próprio e adequado aos tempos que correm. Não devem estar longe os dias em que Freitas apareça eufórico em manifestações a favor dos direitos dos homossexuais, de ténis e tshirt nuclear nunca mais”. Se Soares foi fixe, Freitas é muito à frente. Tão à frente que pensa já em como param as modas de 2006.

Do outro lado, Francisco Louçã também tem feito o seu restyling à conta dos saldos socialistas. Blazer e, pasme-se, gravata. Está mais sério, mais credível e bastante mais capaz para a season que se aproxima não fizesse este estilo pendant com pastas governamentais.

É certo que ainda não usa fatos às risquinhas, mas é candidato a um dos muitos lodens em liquidação desde a semana passada. Assinale-se a melhoria na moda, que o obriga a igual esforço em matérias de amizades. Quase, quase, a caminho do conservadorismo moderado.

[Rodrigo Moita de Deus]

O vício

Sabemos que o vício tomou conta de nós quando desejamos, secretamente, perder um voo de ligação para ter tempo de fazer os quatro quilómetros que nos separam da sala de fumadores. Só damos pela palermice do vício quando os nossos desejos secretos se realizam.

[Rodrigo Moita de Deus]

Prémio: “Depois do primeiro milhão, o resto são trocos”

“Vou acabar com a especulação imobiliária e urbanística no concelho de Matosinhos”
Narciso Miranda

[Rodrigo Moita de Deus]

Não disse nada...

... quando ele disse que ia fechar a loja, mas digo-o agora que a voltou a reabrir. Ainda bem que voltaste, Paulo Gorjão, ainda que quase nunca concorde contigo. Já se tornou um vício ler a tua Bloguítica e sempre vamos sabendo o que pensam os "moderados" - os quais, segundo parece, não são nem de direita, nem de esquerda, mas serão certamente alguma coisa no meio das duas. Ou não?

[PPM]

Começar de novo

Isto são coisas que só os aficionados das audiências é que reparam mas fica dito não vá haver confusões entre leitores e convidados: a Bravenet pregou-nos uma grande partida e mudou-nos os códigos e lá se foram 250 mil visitas para o ar.
Começamos de novo, do zero.

[PPM]

O Acidental à escuta

Três recentes entradas nas nossas ligações perigosas: Xanel Cinco, the world as you know it (viva o Benfica!) e, last but not least, o polémico Sinédrio, aqui do nosso recente convidado acidental, Bernardo Pires de Lima (que, acreditem ou não, só conheço através da escrita que vai publicando).
Os três merecem visita prioritária.

[PPM]

Recordar é viver

Francisco Louçã, esse pregador da moral e dos bons costumes, esteve sexta-feira passada, salvo erro, nas ruas do Porto em campanha. De repente, um portuense vira-se para ele e diz:
- Oh senhor Louçã! Olhe que eu não voto em si, mas gosto muito de o ouvir falar.
O líder bloquista (comunista) deu de imediato um ar da sua graça:
-Deixe lá, cada um vota com a sua inteligência...
Ai Albânia, Albânia....

[Bernardo Pires de Lima]