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sábado, dezembro 03, 2005

Uns tipos e umas tipas despem-se. Não mais que dez. Dez seres de tanga. À frente da embaixada da Austrália. Porquê? Parece-me que é por causa de umas ovelhas, que, claro, devem ser torturadas e privadas na sua autodeterminação.

Mas o que é mesmo irritante é o seguinte: estes 10 gatos-pingados merecem 1 minuto de share no Telejornal e, claro, fotos em todos os jornais. Hoje, basta ser-se uma Eva temporária num mundo de alcatrão não-temporário para merecer uns minutos de fama.

Não há mesmo pachorra para quem gosta mais de animais do que do seu próximo (humano, entenda-se). Não há paciência para quem transforma a besta no seu próximo. Hoje, é chique elevar as bestas a um patamar divino enquanto se espezinha, ao mesmo tempo, a condição humana. O Homem (branco, entenda-se) é um vírus, dizem. As falácias e os mitos de Lévi-Strauss estão mesmo entranhados. E contra estas falácias, só há uma coisa a fazer:




Dizer que gosto mais deste sorriso do que do ar bonacheirão do bicho, supostamente o Buda reencarnado num tapete de pelos. Melhor: gosto da rapariga. Imediatamente. Tenho pena do bicho. Também imediatamente.



Dizer que posso ser amigo (e sou) da rapaziada das pranchas, enquanto que posso apenas olhar para aqueles bichos, supostamente muito simpáticos. Mas golfinhos não bebem copos.



Dizer que esta senhora merece a atenção de quem olha para esta foto.



Dizer que este senhor - um daqueles australianos que corta, imagine-se, lã do dorso de ovelhas - é um Homem e que aquelas senhoras são bestas. Bestas simpáticas e úteis, mas bestas.

[Henrique Raposo]

PS: por que razão estes defensores dos animais não defendem os animais que ficam presos em apartamentos exíguos, de forma, diria eu - humano e representante dessa raça maldita - desumana?