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sexta-feira, novembro 18, 2005

Quando a forma é substancial

Pacheco Pereira, num artigo publicado ontem no Público (e reproduzido no Abrupto), faz a distinção entre as campanhas de Cavaco e Soares, qualificando uma e outra como, respectivamente, "campanha declarativa" e "campanha provocatória". Para Pacheco, a campanha de Cavaco limita-se (bem, segundo a sua opinião) a afirmar determinadas coisas e só essas, não "conversando" com as demais. Já a de Soares assenta em provocações, picardias, frases assassinas e no confronto com o Professor, numa tentativa de bipolarizar as atenções (o que, diga-se de passagem, está a ser conseguido). No fim – ou antes, ao longo de todo o texto –, Pacheco lá vai concluindo que a campanha de Cavaco é melhor que a campanha de Soares, na medida em que aquela – uma campanha declarativa – encaixa melhor do que esta – uma campanha provocatória – no que para Pacheco é o estatuto de um candidato com "sentido de Estado".

Pacheco diz algumas coisas acertadas, mas parte de pressupostos que não correspondem, exactamente, à realidade. Pelo menos à valorização que à realidade Pacheco pretende atribuir.

De facto, a campanha de Cavaco limita-se a dizer “certas coisas” e só essas. Sucede que essas e só essas coisas que Cavaco declara não passaram, até agora, de banalidades. E a repetição pura e simples de banalidades não pode, em circunstância alguma, ser valorada como algo de positivo. Poque campanhas declarativas onde pouco ou nada se declara não são boas campanhas.

De facto, a campanha de Cavaco não “conversa” com as restantes campanhas. Mas, pelo que até agora foi dado a ver, tal parece fundar-se numa ausência de ideias, numa falta de conteúdo substancial que a possa distinguir das restantes. Cavaco não conversa porque não tem nada para contrapor ou porque tem receio de contrapor o que quer que seja.

Por outro lado, é verdade que a campanha de Soares tem procurado o conflito. E isso faz-se com provocações. Mas se é certo que nada de especialmente relevante foi adiantado por Soares, mesmo na perspectiva do seu potencial eleitorado, não é menos certo que (pelo menos até ao momento, e Joana Amaral Dias à parte) nada do que foi dito ultrapassou as marcas da decência.

Acresce que, ao contrário do que Pacheco quer fazer transparecer, o conflito não é mau numa campanha eleitoral. Não menoriza quem o procura. Se não for rasteiro – e, repito, até agora Soares nunca o foi –, é mesmo muito positivo. É essencial. E estimulante para quem se encontra no raio de influência política do candidato que o promove.

O mínimo que se pode dizer sobre a ideia que agora alastra na área da não esquerda, de que as campanhas não devem ser "contra os outros", é que é caricata. As campanhas - sem serem só – são também contra os outros. Um candidato que quer ser eleito, acha que deve ser eleito porque considera ser melhor que os outros para o cargo a que se propõe. Caso contrário, não faria sentido candidatar-se. Chavões como “eu candidato-me em nome dos portugueses”, não querem dizer senão “eu candidato-me porque acho que, uma vez eleito, serei melhor para os portugueses do que os outros que contra mim concorrem”.

A ideia de confronto – político, entenda-se – é essencial. Não é preciso ser-se Carl Schmittiano para chegar a semelhante conclusão. Por melhores que sejam as intenções de Cavaco, a tentativa de transformar esta campanha num colóquio asséptico é algo que deve ser denunciado.

E Pacheco, algures no seu texto, acaba por revelar um dos vícios onde assenta esta nova noção de campanha, quando adianta que: “num mundo em que não houvesse ruído, ou seja no Paraíso ou no Inferno, vale o mesmo, esta escolha seria límpida. Acontece que existe um conjunto de práticas que correspondem ao que se pensa serem (ou deverem ser) as campanhas eleitorais, umas impostas pelas nossas tradições políticas, outras pelo sistema mediático. E estas práticas moldam, durante três meses, a imagem dos candidatos num contexto de sobreexposição que tem todos os riscos ou vantagens, dependendo do tipo de campanha.”

Com isto pretende Pacheco dizer que, não fosse o facto de ter de passar por uma campanha para chegar à Presidência, Cavaco já estaria eleito. Mas como a campanha é necessária e - imagine-se (!) - implica uma sobreexposição dos candidatos, a visão transparente de um Cavaco Presidente corre o risco (pelo menos em tese) de ser ofuscada.

Por demérito do candidato Cavaco? Não. Para Pacheco tal risco deve-se à existência da própria campanha, no conceito comum de campanha, como “conjunto de práticas que correspondem ao que se pensa serem (ou deverem ser) as campanhas eleitorais”. Em suma, ao facto de numa campanha dever haver confronto político e esse confronto, com o barulho natural que implica, ser exposto perante aqueles que vão ter de escolher.

Numa campanha, o conteúdo (as ideias) é fundamental. Mas a forma (o confronto) não é menos. Até porque esta, sendo em política essencial, faz também parte daquele.

Já aqui disse que, perante o quadro existente, prefiro a eleição de Cavaco (i.e. a derrota dos restantes candidatos). Mas, mesmo sabendo bem os riscos que tal implica, quero que Cavaco entre na campanha. Que vá à guerra. Que dê e leve. Pois só assim terei algum gosto em festejar a sua vitória.

[Eduardo Nogueira Pinto]

Comments on "Quando a forma é substancial"

 

Anonymous Miguel Carvalho said ... (2:00 da manhã) : 

Comentário muito lúcido, à atenção dos estrategas da campanha de Cavaco Silva.

 

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