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domingo, novembro 13, 2005

Ode ao rádio de casa de banho



Um rádio pequeno. Um daqueles rádios pequenos de casa de banho. Dos que ora têm uma voz claríssima como o Pavarotti depois de ter ingerido um halls limão ora são fanhosos como uma tia-avó constipada. Dos que já levaram com muita chuvarada com sabonete e com milhares de bafos de vapor em cima. Que já cheiraram muito perfume, muito desodorizante, muita laca, muito odor corporal clandestino (apelo aqui à memória e à imaginação do leitor).
Um desses aparelhómetros embaciados e versáteis. Que tanto dão os sucessos da semana como os hits da música barroca. A Shakira e o Bach. O Nuno da Câmara Pereira e os Kraftwerk. Que, enquanto o cidadão espalha o sabonete líquido pelo lombo, lhe traz as notícias do dia, o trânsito no Porto, os anúncios com o José Pedro Gomes, o índice Dow Jones, a morada da casa de parafusos Mateus e o Peres Metello.
Um pombo-correio simultaneamente enferrujado e pós-moderno. Um grilo simpático que sintoniza o cidadão com a actualidade. Que, enquanto este esfrega melancolicamente o umbigo (como se houvesse outra forma de o fazer), ainda tem paciência para lhe contar episódios de gangs que andam a incendiar carros “ná França”, de gangs que rodeiam as candidaturas presidenciais, dos problemas da Saúde e da Educação e do José Maria Martins.
(Mais importante, ainda mais importante do que isso tudo:) uma daquelas maquinolas que salvam o cidadão de poéticos pensamentos (o duche empurra frequentemente para isso) com as vozes fellinianas dos fóruns. Com a dona Ermelinda Couto, técnica superior de costura, que nos fala de Rio de Mouro. Com o José Ferdinando Santos, estofador, que nos fala da Bobadela. Com a Maria Cataliana, participante em karaokes, que nos fala da Marinha Grande. Com esses desabafos de dedo em riste que, mais do que irritar, enternecem o cidadão ensaboado.
Por vezes, os aparelhos calam-se. Ficam sem dizer nada. Quietinhos e mudos como uma criança que percebe que fez asneira. Esquecem-se do que iam a dizer. Têm brancas. Ou então perdem a sintonia sozinhos. Começam a transmitir um som nebuloso no qual se juntam duas ou três estações. O cidadão perdoa-lhe a falha. Só tem de perdoar, aliás. A um rádio, a um pequeno rádio de casa de banho, perdoa-se tudo. Até porque, provavelmente, a culpa é de quem se esqueceu de mudar as pilhas. Do cidadão, pois.

[Nuno Costa Santos]

Comments on "Ode ao rádio de casa de banho"

 

Anonymous paulo simões said ... (4:18 da tarde) : 

Já vi que gosta de ouvir a tsf de manhã, durante o banho. Isso é, por vezes, um pouco mais imperdoável do que esquecer-se de mudar as pilhas.

 

Anonymous Isaltino Rodrigues said ... (5:26 da tarde) : 

Lindo texto, a fazer recordar-me a minha juventude. Muito obrigado por esta maravilha.

 

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