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sexta-feira, novembro 11, 2005

O Acidental à escuta

Dois conhecidos politólogos fazem hoje, no DN, uma análise aos manifestos dos candidatos presidenciais. Sondagens e manifestos valem o que valem, já o sabemos, mas não deixam de ser duas opiniões demonstrativas das fraquezas da direita portuguesa.

1. O primeiro é o da aparente ausência nestas eleições de conteúdos programáticos claramente associados a uma ideologia de direita, seja da direita "económica" seja da direita "dos valores"

Assim, não parece existir, do ponto de vista estritamente programático, um candidato de direita, o que é sintomático quer da estratégia específica de Cavaco Silva para estas eleições quer, num sentido mais profundo, das vastas áreas de consenso ideológico no eleitorado português ou, para ser mais preciso, da relutância das elites políticas portuguesas em activarem politicamente clivagens sociais e ideológicas latentes (mas nem por isso menos reais)
[Pedro Magalhães]

2. A segunda característica dos programas é o da acentuação do papel do Estado (mais ou menos reformado), enquanto agente das propostas de modernização da sociedade portuguesa. Seja a propósito da globalização, da reforma da Segurança Social ou da educação, dir-se-ia que algumas dimensões da clivagem esquerda-direita se encontram esbatidas, apesar dos esforços do dr. Mário Soares em empurrar Cavaco Silva para ponta direita do espectro. A grande moderação ao centro do Programa de Cavaco Silva e a ausência de um liberalismo de direita vão de par. Esta é uma característica que faz com que, se compararmos os programas eleitorais destas eleições presidenciais com os manifestos de outras eleições europeias, Portugal se apresente, em termos de diferenciação ideológica, com um pendor mais para o centro-esquerda, o que não deixa de ser interessante.
[António Costa Pinto]

[Bernardo Pires de Lima]

Comments on "O Acidental à escuta"

 

Anonymous Anónimo said ... (8:15 da tarde) : 

e o Eanes? Cadê o Eanes. Onde anda o homem?

 

Anonymous Anónimo said ... (1:15 da manhã) : 

É espantoso como a direita portuguesa se prepara para votar num candidato que não é de direita.
Distração? apoucamento intelectual? ou voto útil?
De mal menor em mal menor ainda irá votar em Jerónimo para evitar Louçã (ou o contrário, tanto faz).

 

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