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domingo, novembro 20, 2005

Não há gays ou a brigada das bolinhas de algodão


1.A esquerda está transformada num parque infantil, composto por meninos e meninas e onde tudo se baseia na denúncia, na queixinha. X critica o comunismo. É denunciado como fascista. Quando alguém critica a anti-Globalização, logo surge a queixinha: “és um neoliberal”. Quando X critica a ONU é, de imediato, apedrejado com o “soberanista” (seja lá o que isso for). A Esquerda, hoje, é uma colecção de insultos, de armadilhas moralistas. O politicamente correcto é isto: um mecanismo de chantagem infantil destinado a impedir a crítica, a dissidência, o debate. Vivemos um tempo de terrorismo intelectual. Mas este terrorismo veste uma bata branca. Toda a gente tem medo destas brigadas de desinfecção que andam com bolinhas de algodão embebido em politicamente correcto; bolinhas sempre prontas a desinfectar uma boca não conveniente. É mesmo tempo de gritar: "I am mad as hell and am not going to take it anymore”.

2.Miguel Sousa Tavares atacou, e bem, um novo mecanismo deste simpático terrorismo, aquele que impede qualquer crítica às ditas minorias sexuais. Quando X crítica a dita comunidade homossexual, logo chove o impropério “homofóbico”. O termo “Homofóbico” faz o papel do velho “fascista”. É um termo destinado a intimidar.

3. Uma coisa tem de ser dita: não há gays. Não conheço um único gay. Não existe um único homossexual entre a terra dos pinguins e a terra daqueles ursos brancos que comem aquelas cândidas focas rechonchudas. Não existe um único gay entre a Papua Nova Guine e as Galápagos. Não, o Gay não foi extinto como o escaravelho da Bulgária. Não. Não é isso. Não existem gays, porque nunca existiram. Não há. Nunca houve. Nunca existirá. Aquilo que existe, e ainda bem, é algo mais simples: indivíduos que, no seu íntimo protegido por quatro paredes, têm actos sexuais homossexuais. Também não conheço heterossexuais. Apenas conheço pessoas que têm o prazer sexual heterossexual. Há uma diferença entre Fazer actos homossexuais e Ser-se homossexual. É a diferença entre um indivíduo que merece respeito e um membro passivo de qualquer coisa que pensa por ele. Respeito e sou amigo de quem faz actos homossexuais. Não posso respeitar e ser amigo de alguém que se afirma como não-indivíduo, como membro privado de uma causa colectiva. Posso beber uns copos, conversar, etc. com um indivíduo, seja qual for o seu comportamente sexual. Ao invés, não posso beber uns copos com alguém que não passa de uma anónima bandeira ou de um frio megafone.
Quando uma pessoa se define enquanto “gay” ou “homossexual”, só há uma resposta: “pois, está bem, mas eu não tenho nada a ver com isso”. Quando X se define publicamente com aquilo que faz privadamente, então, X está a faltar ao respeito a si próprio. Não devemos entrar nesse falta de respeito. Devemos respeitar toda a gente, mesmo aqueles que não se respeitam.

4. Querem o quê? Uma categoria “homo” ou “hetero” no Bilhete de Identidade? Sim, devem ter o direito a casar. Porquê? A razão para o sim não tem nada a ver com as reivindicações deste comunitarismo fechado (a ficção chamada "comunidade gay"). A razão é, uma vez mais, um pouco mais simples: estamos a lidar com cidadãos adultos de pleno direito. Devem ter o direito ao casamento, não porque ostentam uma bandeira colectiva mas porque são indivíduos de pleno direito. É simples. E não é preciso o histerismo colectivo ou o exibicionismo que transforma os ditos gays em bonecos articulados de uma causa defendida por uns quantos gurus.

5. Fazer do corpo privado uma marca de definição pública é um sinal de barbarismo. Nada de espantar. Vivemos um tempo dado a aceitar certas barbáries como se fossem grandes causas progressistas. E este barbarismo vai custar caro àqueles que hoje o defendem. A opinião pública é volátil. Vai virar o bico ao prego. O politicamente correcto vai voltar a ser contrário aos comunitarismos minoritários. E quando isso chegar, criticarei essa tirania da maioria. Incoerente? Não. Este texto não é feito a partir das premissas da moral e dos bons costumes de uma maioria qualquer. É feito a partir de um valor simples mas aparentemente esquecido na actual deriva identitária: qualquer pessoa merece respeito; e esse respeito nasce de uma lógica que não contempla a sua cor de pele, religião, comunidade ou actos sexuais. Simples.
E a crítica que hoje faço a este comunitarismo minoritário pró-Gay é a mesma que farei em relação ao comunitarismo maioritário anti-Gay. Chama-se a isso coerência, esta, sim, uma espécie em vias de extinção.

[Henrique Raposo]