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domingo, novembro 13, 2005

Interiores e Exteriores

1. Os estados europeus são corroídos a partir do seu interior pelo multiculturalismo e pela sua meretriz: a “cultura do repúdio” (Scruton) que nega tudo o que é ocidental. Os miúdos – imigrantes e não-imigrantes - são ensinados no pressuposto que o Ocidente é um vírus que tudo contamina. Pior: os multiculturalistas pedem amnésia aos ocidentais, mas pedem excesso de memória aos imigrantes. O Ocidente deve esquecer a sua cultura, mas o Outro tem de transformar a sua cultura em ideologia (anti-ocidental, claro).

2. Mas os estados europeus também são corroídos a partir do exterior. É que existe outra doutrina politicamente correcta a actuar por aí: a doutrina pós-Estado. Na Europa gerida por funcionários, o Estado passou a ser figura non grata. A imposição de uma suposta identidade europeia tem implicado a anulação da história e do próprio conceito de Estado.

3. Voltamos a reforçar: o imigrante, quando entra num estado europeu, quer partilhar da Cidadania. E ainda bem. E só há cidadania com duas pré-condições: (1) uma lei universalista que trata todos os indivíduos por igual, independentemente da sua origem biológica, cultural e comunitária (a negação do multiculturalismo); (2) essa lei iluminista tem de ser protegida por um poder estatal soberano (negação da ortodoxia centralista e pós-Estado de Bruxelas).

4. Quando os multiculturalistas atacam o universalismo da lei, estão a pôr em causa a democracia constitucional em si mesmo; quando os utópicos pós-Estado atacam as soberanias nacionais, estão a destruir aquilo que está a montante da democracia constitucional – o Estado.

[Henrique Raposo]