Fundado por Paulo Pinto Mascarenhas


Ana Albergaria
Bernardo Pires de Lima
Diogo Belford Henriques
Eduardo Nogueira Pinto
Francisco Mendes da Silva
Henrique Raposo
Inês Teotónio Pereira
Jacinto Bettencourt
João Marques de Almeida João Vacas
José Bourbon Ribeiro
Leonardo Ralha
Luciano Amaral
Luís Goldschmidt
Manuel Castelo-Branco
Manuel Falcão
Nuno Costa Santos
Paulo Pinto Mascarenhas
Pedro Marques Lopes
Rodrigo Moita de Deus
Tiago Geraldo
Vasco Rato
Vitor Cunha


Logótipo Acidental concebido por Vitriolica. Grafismo gerado por Miss Still.


Acidental Long Play


Direita Liberal


O Acidental


Público

TSF

Lusa

Associated PressReuters


A Causa Foi Modificada
Bomba Inteligente
O Espectro
Educação Sentimental
A Vida em Deli
Futuro Presente
Aos 35
Vitriolica Webb's Ite
A Sexta Coluna
Tristes Tópicos
Some Like It Hot
Xanel 5/Miss Pearls
Crónicas Matinais
Rititi
Mood Swing
19 meses depois
Serendipity
A Propósito de Nada
The world as we know it
Minha Rica Casinha
Da Literatura
Tradução Simultânea
Contra a Corrente
O Estado do Sítio
Geraldo Sem Pavor
Acho Eu
A Arte da Fuga
O Sinédrio
Blue Lounge
Portugal Contemporâneo
A cor das avestruzes modernas
Kapa
Snob Blog

E Depois do Adeus
Margens de Erro
Nortadas
Office Lounging
No Quinto dos Impérios
Teorema de Pitágoras
What do you represent
Esplanar
Quase Famosos
Melancómico
Vício de Forma
João Pereira Coutinho I
João Pereira Coutinho II
Retalhos da Vovó Edith
Blogue dos Marretas
Lóbi do Chá
O Insurgente
A Mão Invisível
A Esquina do Rio
Voz do Deserto
Desesperada Esperança
Homem a Dias
Blasfémias
Origem das Espécies
Babugem
Ma-Schamba
Rua da Judiaria
Fuga para a vitória
Mar Salgado
A Ágora
Miniscente
A vida dos meus dias
Elasticidade
Causa Liberal
O Telescópio
Grande Loja do Queijo Limiano
O Intrometido
Carambas
Mau Tempo no Canil
Lobby de Aveiro
Bar do Moe
Adufe
Bloguítica
Tau-tau
Incontinentes Verbais
Causa Nossa
elba everywhere
O Observador
Super Flumina
Glória Fácil
Metablog
Dolo Eventual
Vista Alegre
Aforismos e Afins
A Cooperativa
Semiramis
Diário da República
Galo Verde
Ilhas
french kissin'
Bicho Carpinteiro
Portugal dos Pequeninos
Foguetabraze
A Invenção de Morel
Aspirina B
O Boato
O Vilacondense
O amigo do povo
O Insubmisso

Aviz
Barnabé
Blog de Esquerda
Fora do Mundo
Jaquinzinhos


Powered by Blogger


Google

sexta-feira, novembro 25, 2005

Com um abraço

Parece que está na moda criticar João Miranda. Como não gosto de modas, digo o seguinte: a inveja cura-se com uns copos, com uma companhia amorosa ou, mais difícil, com a leitura. Ler, nestes casos, faz bem. Porque há por aí pessoas a falar de liberalismo, mas, parece-me evidente, essas pessoas nunca leram uma página liberal. A sua versão de liberalismo é a da novela das 5: "Pô, cara, V. tem de ser chapa legau, 'tá vendo, liberal".

E quando um liberal clássico é acusado de intolerância ou coisa assim, então, estamos perante o seguinte: a intolerância, aquilo que vem sempre agarrado à carapaça daqueles que julgam ter o BEM, está aí em força. E, como sempre, a intolerância (esta, sim, tem substância directa; a tolerância só existe enquanto causa de outra coisa – lei) aparece com um sorriso na cara e em defesa de causas avançadas. Tão avançadas que são completamente reaccionárias. Mas isso é outra conversa.

João Miranda não é intolerante. Intolerantes são aqueles que estão sempre a gritar intolerância a casa segundo. Intolerante é aquele que quer ditar a vida de tudo e de todos, inclusive do formigueiro do bairro. Intolerante é aquele que não respeita visões contrárias. Intolerante é aquele que diz “certo” ou “errado”, “existe” ou “não existe” a cada segundo. Intolerante é aquele que, por exemplo, não aceita o humor em relação à sua causa.

A tolerância resulta de outra coisa (além da lei): capacidade para discordar, criticar e, mesmo assim, dizer que aquele com quem se discorda não está errado. Dentro de um quadro democrático e constitucional, quando X afirma que uma dada posição política ou moral está errada, então, X está a um pequeno passo do desejo de destruir essa mesma posição moral através da lei. É que política, ética ou, se quisermos, moral, não é química ou física. No quadro das relações humanas, o certo vs. errado é mais difuso. E o certo vs. errado só deve ser usado em casos extremos, em casos basilares, em casos, digamos, civilizacionais. E não deixa de ser surpreendente que seja um homem ligado às ciências duras aquele que está mais consciente do que é ser-se tolerante, aquele que está mais consciente desta distinção entre moral e assuntos que implicam uma certeza matemática.

Aqueles que têm a necessidade constante de dizer "eu sou tolerante" são, precisamente, aqueles que não pensam de forma tolerante. Uma coisa é dizer. Fácil. Outra coisa é pensar. Um pouco mais difícil. E estes megafones ambulantes serão aqueles que, no futuro, gritarão “eu sou intolerante”. E, nessa altura, o João Miranda estará lá para, novamente, os criticar e, não surpreendentemente, quase pelas mesmas razões.
Uma sociedade que anda sempre com os cartões “certo” ou “errado” debaixo do braço, mostrando-os até aos periquitos, é uma sociedade intolerante.

Com um abraço,
HR

[Henrique Raposo]