O candidato possível e a agenda necessária
| Segundo o jornal Público, António Pires de Lima propôs, no conselho nacional do CDS, uma moção que defendia que o apoio a Cavaco deveria depender da assumpção por parte deste, entre outras coisas, da defesa de uma significativa revisão da Constituição, no sentido de diminuir o peso do Estado na sociedade. António Pires de Lima tem toda a razão em querer uma significativa revisão da Constituição e um menor peso do Estado na sociedade. Eu também quero. Mas já não tem tanta quando quer fazer depender o apoio do CDS ao Professor destes nossos anseios. Cavaco, mesmo que assim pense (o que duvido), nunca irá pública e expressamente declará-lo. Cavaco é um social-democrata. E os sociais-democratas, à medida que vão envelhecendo, ficam piores. Ainda mais sociais-democratas. Se o CDS fizesse depender o seu apoio a Cavaco da defesa por parte deste de uma significativa revisão da Constituição e um menor peso do Estado na sociedade, o CDS iria, inevitavelmente, acabar por não o apoiar. E isso, tendo em conta o quadro das candidaturas presentes, seria um erro crasso. É bom não esquecer que do outro lado estão socialistas, comunistas e charlatães. Tivesse António Pires de Lima avançado para a presidência com uma agenda como aquela que vem defendendo, e teria o meu voto garantido. Como não avançou, nem ele nem qualquer outro, só nos resta apoiar Cavaco. Por exclusão de partes, com realismo e sem grandes convicções. A alteração da Constituição e a diminuição do peso do Estado são pontos de uma agenda que deve ser seguida, em primeiro lugar, pelo CDS. Independentemente das eleições presidenciais e dos presidentes - que, como se sabe, pouco ou nada por ela podem fazer. António Pires de Lima, justiça seja feita, tem-no feito. Seria bom que a actual direcção olhasse menos para dentro e começasse também a fazê-lo. Quer se queira quer não, com a falta de dinheiro, o Estado (o Monstro) irá acabar por ter que diminuir. Uma vez no Governo, sociais-democratas e socialistas não terão alternativas senão cortar na despesa - regalias, benefícios, subsídios, entidades, funcionários, etc. E é aí que Cavaco pode fazer a diferença em relação a Alegre ou Soares. Enquanto estes tenderão sempre a ceder face à agitação social que, fatalmente, tais cortes provocarão, Cavaco poderá ajudar a explicá-los. Não por convicção, mas por necessidade. Com um país à beira da bancarrota, até a esquerda começa a olhar para os números. E no que a números respeita, Cavaco é muito melhor que os outros. O CDS, se quer continuar a fazer sentido, tem de defender acerrimamente a diminuição do Estado e a eliminação dos entraves constitucionais que a impedem. Esta é uma agenda partidária. Nunca a de um candidato a presidente que quer ganhar umas eleições. [Eduardo Nogueira Pinto] |


Comments on "O candidato possível e a agenda necessária"
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PPM said ... (12:11 da manhã) :
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Tiago Mendes said ... (12:23 da manhã) :
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Unknown said ... (1:15 da manhã) :
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Anónimo said ... (10:28 da manhã) :
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Anónimo said ... (1:08 da tarde) :
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Anónimo said ... (1:58 da tarde) :
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Unknown said ... (7:09 da tarde) :
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Anónimo said ... (7:44 da tarde) :
post a commentGrande. Apoiado a 100%.
Henrique Raposo
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
"Quer se queira quer não, com a falta de dinheiro, o Estado (o Monstro) irá acabar por ter que diminuir."
Erro! Erro! Erro!
Não há falta de dinheiro! As Américas, a África, a Ásia (com a China e a Índia à frente) e até a Europa de Leste (por enquanto) estão em franco progresso e sem falta de dinheiro.
O dinheiro falta nalgumas ditaduras isoladas (Zimbabué, por exemplo) e na zona Euro!
E aqui é que a porca torce o rabo, o nosso problema é principalmente o Euro.
Enquanto não interiorizarmos que o Euro é um imenso falhanço não vamos longe.
Colocar na Presidência da República os políticos profissionais que nos conduziram a esta desgraça não nos ajuda de nenhuma maneira.
concordo a 100% alias porque os temas de revisão da constituição ou diminuição do peso do estado ou a alteração da legislação eleitoral, são discutidos e alterados na Assembleia da Republica e não na Presidencia. O motor da transformação do País não esta na presidendia, ainda que este seja um orgão importante no apoio ou não ás reformas propostas pelo APL.
Clap! Clap! Clap!
Totalmente de acordo!
"(...)Por exclusão de partes, com realismo e sem grandes convicções."
Infelizmente é assim que apoio Cavaco. Um mal menor para um bem maior!
O ónus de uma direita derrotada é mais pesado do que outros fretes que se fazem...
Derrotada mas nunca vencida