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segunda-feira, setembro 19, 2005

Todos diferentes, alguns (infelizmente) iguais

Que melhor programa para uma tarde de sábado do que acompanhar a mulher amada num "shopping spree"? Seja qual for a resposta, assim aconteceu há dois dias, permitindo um saudável exercício com o peso dos sacos de compras enquanto subia a "uber-chique" Avenida Guerra Junqueiro. Pelo menos até cometer a imprudência de entrar na Zara.
Já carregados de roupa para ela experimentar, chegámos à porta da zona dos gabinetes de prova, onde uma jovem senhora brasileira fez notar que era proibida a entrada de cavalheiros naquele espaço. Acatei a indicação, embora fosse uma regra estúpida, por reconhecer o direito à Zara para decidir o que pode ou não pode acontecer naquele espaço e fiquei à espera, lamentando a ausência de um banco onde pudesse descansar as pernas, até que um casal (heterossexual) de britânicos entrou em passo decidido no mesmo espaço cujo acesso me fora vedado minutos antes. Sem acreditar no que os meus olhos viam, fiz questão de fitar a jovem senhora brasileira até que ela tomou devida nota do meu olhar e, após muita hesitação - e com a típica expressão "sem jeito" -, procurou entabular o seguinte diálogo:
- Se quiser o senhor pode entrar. O outro moço já lá está dentro.
- Mas não se pode entrar, não é?
Ela calou-se e continuou a dobrar roupa. Eu contei até 777 enquanto ponderava os prós e os contras de chamar a gerente. Estava nisto quando a minha mulher saiu e acabámos por ir embora.
Na minha cabeça permanece a candente dúvida: por que é que a jovem senhora brasileira não me deixou entrar, ao contrário do que aconteceu com o cavalheiro britânico. Tanto eu como ele estávamos razoavelmente bem vestidos, não tínhamos uma gabardine suja e baba a escorrer da boca... Qual seria a explicação?

Eis três hipóteses:
a) O cavalheiro britânico tinha mais de 1,90 metros e a jovem senhora brasileira teve receio de o contrariar.
b) O cavalheiro britânico não era poliglota e a jovem senhora brasileira não sabia falar inglês.
c) O cavalheiro britânico tinha o mesmo tom de pele do que a jovem senhora brasileira.

Muito boa gente nunca acreditará que a terceira hipótese possa ser verdadeira. Discriminação de negros contra brancos (ou de "gays" contra
heterossexuais) é coisa que passa por prima direita do monstro de Loch Ness.
Pelo meu lado, existindo dúvida razoável de que a diferença de atitudes teve a ver com a minha pálida cor de pele, resta-me manter-me longe da Zara da Guerra Junqueiro. Da mesma forma que o faria caso o cavalheiro britânico fosse proibido de entrar para a zona dos gabinetes de provas e eu pudesse entrar.

[Leonardo Ralha]

Comments on "Todos diferentes, alguns (infelizmente) iguais"

 

Anonymous Anónimo said ... (8:08 da tarde) : 

E lá foi a gralha do costume. Leia-se discriminação em vez de descriminação.

LR

 

Anonymous Mr X said ... (8:20 da tarde) : 

Pah, vai te queixar ao Bloco de Esquerda que eles fazem já campanha contra os produtos da Zara ...

o quê !?? es Branco ?!! ahhh

não vez que é um caso de discriminação positiva !!?

Para a proxima fala espanhol !

 

Anonymous andré said ... (8:26 da tarde) : 

nojo

 

Anonymous GP said ... (9:21 da tarde) : 

nojo deste post, presumo -- espero.

 

Anonymous Anónimo said ... (9:27 da tarde) : 

Diga lá a razão deste “post” ser um nojo, caro gp.

Estou apenas a relatar um caso que, caso a resposta para a minha dúvida seja a terceira, me parece intolerável. Aliás, tão intolerável quanto seria se a jovem senhora brasileira fosse branca e me tratasse melhor do que a outro cliente da loja por eu ser da mesma cor que ela.

LR

 

Anonymous fã do RMD, mas ele não apareceu para trabalhar hoje said ... (9:42 da tarde) : 

Aposto todas as fichas na alternativa B. Antes de terminar de ler, já estava pensando: "essa aí teve vergonha de não falar inglês, do mesmo modo que a minha empregada tem vergonha de ser analfabeta". Brasileiros negros racistas existem, muitos, e de diferentes tipos (há os guetos onde você se sentiria convidado a se retirar; e há tipos como a empregada da minha mãe, que ficou contente quando o filho arranjou um bebê com uma branca, porque assim ia "melhorar a raça" - palavras dela), mas os constrangidos com a própria ignorância estão em maior número.

 

Anonymous Anónimo said ... (9:48 da tarde) : 

Espero que sim, fã do rmd. É mais simpático pensar assim. Mas houve algo no olhar dela ao reparar que eu tinha observado o que se passara que me pareceu demasiado no registo “porra, lá fui apanhada!” para poder acreditar na hipótese b.

LR

 

Blogger PPM said ... (11:42 da tarde) : 

Já corrigi a gralha, Leonardo. Também a deixei passar.

PPM

 

Anonymous Anónimo said ... (11:57 da tarde) : 

Grazie, Paulo.

 

Blogger AMJ said ... (12:16 da manhã) : 

Caro Leonardo,

Gostei do post, eu próprio me indigno com as pessoas que não configuram a possibilidade de racismo contra brancos.
Gostei especialmente do facto de não ter assumido como certa a existência e consequente manifestação desse racismo.

Aliás, estava tudo muito bem até ao "Mas houve algo no olhar dela (...) que me pareceu".

Peço-lhe desculpa, mas aí caíu no erro do comum mortal. A certeza do racismo retirada de um "feeling", principalmente numa questão como esta, não é melhor maneira de minorar o problema.
A impressão, como eu a defino, é uma incerteza e por isso não me parece o melhor argumento para responder à fã do RMDeus (custa-me escrever tão-somente "Deus", chame-me beato!). Aliás, parece-me que o argumento não só estava carregado de razão como foi bastante razoável.

Um abraço

 

Blogger AMJ said ... (12:22 da manhã) : 

Gostaria ainda de acrscentar, caso a hipótese "b" fosse verdadeira, a dita menina nunca pensaria algo como "porra,lá fui apanhada", ficaria perfeitamente indiferente à sua indignação e fingia-se despercebida.
Só a ignorância ou medo pesam verdadeiramente na consciência, o racismo ao invés não pesa na consiência mas sim nas mentalidades.

 

Anonymous Anónimo said ... (12:22 da manhã) : 

Talvez tenha razão, amj.
E acredite que me apetece muito acreditar que a fã do RMD também tenha razão. A segunda alternativa pode ser perfeitamente plausível. Mas se o caso fosse ao contrário desafiava-o a encontrar um só bloquista (e não só, pois o politicamente correcto levado ao extremo está bem espalhado por comunistas, socialistas, social-democratas e até conservadores) que admitisse, por mera hipótese, que tudo não passara de vergonha pela incapacidade de falar inglês.

Abraço.

LR

 

Blogger Ana said ... (11:23 da manhã) : 

Hum...não sei o que pensar sobre este post Leonardo!
Por um lado entendo, por outro acho um bocadito forçada a teoria do racismo.
A mim parece-me - parece-me , não estava lá - que a rapariga possa ter pensado: « olha, este jovem quer ir lá para dentro com a rapariga para se entregar a actividades lascivas!»...(não me permito utilizar linguagem mais crua :) )
E , se calhar, esse casal britânico era já mais entradote na idade a a rapariga pensou que não haveria perigo de ter de limpar substâncias pegajosas da cabine de provas.
A mim parece-me lógico, mas, enfim...
:)
Ana Albergaria

 

Anonymous Anónimo said ... (11:52 da manhã) : 

O casal britânico era constituído por “twentysomethings”.

Lá se vai a teoria.

LR

 

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