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sexta-feira, setembro 23, 2005

O exemplo

Para o meu avô, que faz hoje 86 anos

Se o mundo fosse todo conservador, eu seria progressista. Se o mundo fosse todo conservador, provavelmente estaria nas manifestações a falar mal do Bush e da globalização e dos estereótipos tipo Esquadrão G. Mas o mundo – aquele de que me rodeio, pelo menos - é demasiado progressista e revolucionário para me dar a esse trabalho. Aqui fica o meu agradecimento ao mundo por ser como é. (Calma aí, eu não disse que se o mundo fosse todo heterossexual eu seria gay; não foi isso que eu disse).
Mas não é sobre conservadorismo, não é sobre desconfiança e pessimismo em relação à natureza humana e às utopias que a endeusam, que venho aqui registar uns quantos parágrafos. Venho com a ideia de falar de outra dimensão da minha personalidade – a vocação liberal. O liberalismo – neste caso, num sentido mais específico do termo. Utilizando linguagem de rua (a única que vou dominando, pois), a ideia de que é preciso fazer pela vida sem esperar o colo de ninguém.
Mas, para falar de liberalismo, preciso de um divã. Que, por sinal, já está aqui à minha frente. Desembrulhadinho e tudo. Pronto para receber os meus 90 quilos de melancolia. Os homens que o trouxeram ainda refilaram palavreado feio por não caber no elevador e terem sido coagidos a subir três andares. Perderam a gorjeta - e eu que estava a pensar passar-lhes 15 cêntimos para as mãos.
Estou deitado. E feliz – o divã ainda não se desmanchou. Deixem cá fechar então os olhos. Que imagens me aparecem? O Miccoli a marcar um golo. Não, não deve ser isto. Agora estou a vislumbrar uma troca de SMS’s carinhosos entre Carmona e Carrilho. Também não deve ser isto. Deixa cá sintonizar melhor. Ah, agora sim. Estou a ver a figura do meu avô. O meu avô Raul a chegar aos Açores. É isto. Só pode ser isto.
Lá está ele. É um tropa a chegar à ilha de São Miguel no início dos anos 40. A cidade de Ponta Delgada recebe-o de costas – como a fechada sociedade micaelense. À excepção da minha avó, menina da terra, com quem vive relação apaixonada. Tempos depois, compra uma empresa. Uma empresa falida. O futuro sogro ainda tenta ajudá-lo financeiramente, numa altura em que se anunciava o casamento com a minha avó. Mas ele recusa. Prefere esperar pela sua altura. Só ao fim de cerca dez anos é que começa a criar nome e a ser respeitado.
É melhor fazer um pause antes que isto se torne demasiado longo. Afinal, o motivo é do mais simples que há: aprendi com o meu avô a importância do risco. E a desimportância da mediocridade instalada (sim, tal como referi ontem em converseta com a malta aqui do blogue no Café dos Teatros, cheguei ao liberalismo por via emocional). O seu exemplo tem pulsado dentro de mim com a força daqueles remoinhos que puxavam o meu corpo nas praias da minha adolescência. E não posso – nem quero - fazer nada contra isso.

[Nuno Costa Santos]

Comments on "O exemplo"

 

Blogger Henrique Raposo said ... (8:18 da tarde) : 

Grande. É esse Liberalismo que conta.

 

Anonymous FMS said ... (8:53 da tarde) : 

Citando Harry Fox,

Grande!

 

Anonymous Geofrey said ... (9:29 da tarde) : 

Cada vez mais me parece que o liberalismo está a substituir o marxismo como religião laica universal. Até que chegue outra, e faça ao liberalismo o que outrora fizeram ao marxismo. Entretanto, assim como os marxistas viam no seu sistema a perefeição feita humanidade, assim os liberais. Um pouco mais de respeito pela imperfeição humana, p.f.

 

Anonymous Anónimo said ... (1:49 da tarde) : 

Muito revelador o comentario sobre ser gay num mundo heterossexual...sentiu-se na necessidade de ter de se explicar, foi?

 

Anonymous Anónimo said ... (5:19 da tarde) : 

Great Nuno.E um abraço de Parabéns ao teu avô Raul!

deste 'banqueiro anarquista'
Bernardo Rodrigues

 

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