Não há América para amar ou odiar
| 1. Coisa curiosa. Coloco um “post” sobre uma dada situação política na Alemanha. Ninguém reage. Mesmo quando sabemos que no destino da Alemanha está contido um pouco do destino da Europa e, por arrastamento, de um pequeno país como Portugal. Ninguém comenta a evidente deriva “nacionalista”, “comunitarista”, “reaccionária” de uma velha esquerda encarnada em Lafontaine. Gostava de saber porquê? Porque a discrepância de comentários é demasiado grande em relação a "post" posterior, relacionado com a América. 2. Quando o assunto é a América, a emoção vem ao de cima e as pessoas não se conseguem conter. E isto é um problema para um debate a sério. Hoje em dia, as pessoas só reagem àquilo que gostam ou não gostam. As pessoas não falam da Alemanha porque não gostam nem desgostam da Alemanha. A Alemanha não incute emoção. A América, ao invés, causa espasmos faraónicos. 3. Não sou pró nem anti americano. Porque isso não existe. Ou melhor, existe na cabeça de quem faz política na base do branco e preto, isto é, na base da emoção. A Política não é assim tão simples; tem várias tonalidades de cinzento. Critico e defendo correntes de pensamento americanas. Por exemplo, critico os neoconservadores e defendo os liberais clássicos. Não há uma América para amar ou odiar. Isto não é o parque infantil onde há o Rufia e o Bonzinho a lutar pela alma dos restantes. Há várias Américas. Mas, claro, esta complexidade não dá jeito a quem pensa com… a emoção. 4. Claro que critico os atrasos na ajuda. Não sou mais papista do que o Papa. O próprio Bush já admitiu os erros. Mas uma coisa é a crítica a uma situação. Outra coisa, bem diferente, é aproveitar esta situação como prova ideológica. É intelectualmente desonesto aproveitar uma tragédia para criticar todo o sistema americano. Como se tivesse havido intenção de abandonar aquelas pessoas. Como se fosse próprio dos ricos brancos abandonarem os negros pobres. Isto é que é desonesto. Ou tremendamente imbecil. O que está subjacente a este clima de crítica em relação à situação “Katrina” não é uma crítica aos erros mas uma recusa total de um sistema que, nesta perspectiva cínica, potenciou a catástrofe e o atraso na ajuda. Isto, no meu bairro, tem um nome: chico-espertice. A conclusão (latente) é óbvia: num sistema social, aquilo não acontecia. 5. O anti-americanismo é, na verdade, uma capa para se esconder o essencial: na América, a taxa de desemprego é de 5%; na França (símbolo da Europa centralista em dificuldades económicas), é de 11%. Mais: se viver na América é um inferno, porque razão a população americana continua a aumentar? Se viver na Europa centralizada é um sonho, porque razão a população continuar a diminuir? É sobre estas coisas que devemos falar. Falar com argumentos e não gritar com emoções. E devemos discutir não só a América. A Alemanha e a França também merecem umas discussões, ou não? Devemos ou não reservar uns espasmos faraónicos para Paris e Berlim? [Henrique Raposo] |


Comments on "Não há América para amar ou odiar"
-
Anónimo said ... (5:34 da tarde) :
-
Anónimo said ... (6:04 da tarde) :
-
Anónimo said ... (6:36 da tarde) :
-
Estrangeiro said ... (7:40 da tarde) :
-
Estrangeiro said ... (7:41 da tarde) :
-
Anónimo said ... (7:55 da tarde) :
-
Anónimo said ... (8:06 da tarde) :
-
zero said ... (8:50 da tarde) :
-
Anónimo said ... (10:25 da tarde) :
-
Anónimo said ... (10:55 da tarde) :
-
Anónimo said ... (6:23 da manhã) :
post a comment1 - Porque havia uma ligaçao no abrupto para aqui. Por isso aqui o anonimo só leu o poste anterior e definitivamente está farto de ser apelidado de anti-americano.
acho que tens um erro no teu raciocinio,Henrique.Costuma dizer-se que quando os Eua estão constipados,a Europa fica engripada e portugal com pneumonia.isto do ponto de vista económico.percebo o que quero queres dizer.afinal,a Alemanha é o motor da económia Europeia.mas tambem antes era o principal parceiro comercial de portugal e agora já é apenas o terceiro..mas porque acontece esta diferença de paixões?acho que a principal razão é vivermos numa sociedade mediatizada.os Eua tem hollywood,a cnn...e bom ,quem já tá lidado com alemães..eles não são povos de despertar paixões.tão certinhos,tão organizados,tão ALEMÃES,que apetece dizer"fiquem no vosso canto!"bom,o ponto é que os eua são um povo que desperta paixões e a alemanha...bom..acho que ver um documentário sobre a poesia do burundi deve ser mais excitante do que viver na alemanha!!
Na Alemanha talvez seja pouco excitante viver (a encontrar virtude - há quem o faça - na tal "indisciplina" que parece ser coisa bondosa dos povos do Sul). Em Portugal talvez seja excitante viver.
Mas não o será certamente pelas melhores razões.
Quanto a anti/pro-americanismo, este post parece encerrar e bem a questão. A coisa acabaria por caír, decerto, numa justaposição de pontos de vista irreconciliáveis. Seria inútil continuar por aí.
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Demagogia pura. Vejamos o argumento populacional: os padrões de vida do 1º mundo levam à diminuição do número de filhos por família (é uma questão com várias causas mas que ocorre em todo o lado); acontece o mesmo nos EUA. A diferença está em que nos EUA existe uma quantidade brutal a viver padrões de vida do terceiro mundo - essencialmente nas comunidades afro e latinas - com saldos populacionais elevados. Usar a estatística do "todos comem um frango" para situações em que uns come dois e os outros nada, é simples demagogia.
Exacto. Paris e Berlim é que são os culpados do caos que se instalou na América.
Eu vivi varios anos nos EUA e, actualmente, vivo na Alemanha. Ambos sao excelentes paises, onde se pode viver muito bem mas, na minha opiniao, a Alemanha e' bastante mais agradavel. Do ponto de vista estetico, estilo de vida... Enfim, prefiro a Europa mas espero que isso nao faca de mim um anti-americano! :)
assertividade qb henrique. muito bem.
A história do lafontaine conta-se em poucas palavras: o tipo foi para férias em Palma de Maiorca e o Bild(o Sun lá do sítio) queria dar-lhe uma entrevista sobre a questão de tio frei Tomás (diz coisas piedosas, faz exactament eo contrário). Disse que sim mas o jornal tinha de o ir buscar a Palma num jactinho que o próprio Lafontaine esclareceu custar 16.000 E de aluguer. O tipo alé disso é um parolo bestial, e segundo a imprensa fez uma casa horrorosa, imensa, lá no Land inde ditava as cartas. Justificou-se destas coisa todos dizendo que gosta de vestir bem, comer bem ,etc. Mas foi adiantando que se há probçemas graves, então os hiper-ricos que vejam aumentados os impostos para reduzir as dificuldaes da mairoria, porque é indecente haver fortunas tão fabulosas na Alemanha. Foi isso. Realmente, o escândalo é total e tem repercussões em toda a europa civiizada da qual Portugal obviamente não faz parte. Basta ir ali a Badajoz e ver a porcaria que se andou a fazer nos últimos 20 anos. E o que é mais curioso, é que os brincalhões nacionais, tal como há centenas de anos, ficaram ricos com tropelias à La Oskar Lafontaine. Bricandeiras...
o motor da Europa anda a precisar de ir ao mecanico (mecanica?).a propósito desta questão,ler o artigo do Emb.José Cutileiro no Expresso desta Semana
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.