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sábado, setembro 24, 2005

Meio caminho

O problema, Francisco e Eduardo (não consigo agora lincar os vossos textos mais abaixo), não é o aumento da idade de reforma de professores e militares - com essa medida eu também concordo genericamente, ainda que devendo ter em conta os diferentes funcionalismos públicos. Não é a idade da reforma que está realmente na substância da revolta e da angústia de muitos professores, ainda que conte também na balança da desmotivação e do desprestígio que sentem nos dias de hoje - eu bem os oiço e não é em manifestações ou outros números organizados pelos sindicatos.
Um professor ou um militar não são funcionários públicos comuns, não são escriturários ou amanuenses, com todo o respeito por estas nobres actividades. Um professor de Educação Física deve ter alguma dificuldade em dar aulas eficazmente até aos 65 anos, sobretudo para garantir a sobrevivência física das crianças quando saltam do trampolim - só para vos dar um exemplo talvez demasiado concreto.
Enganas-te, Francisco, a minha posição não é de esquerda; porque não é sindicalista mas realista, liberal mas com algum conservadorismo porque desconfiando das mudanças abruptas e às cegas. A posição do Governo é que é de esquerda - digamos, social-democrata, porque massificadora. O que está aqui em causa são alterações cegas como o aumento não estudado e muitas vezes estapafúrdio dos horários de leccionamento, o suposto fim dos "buracos" entre aulas dos professores e outros que tal - só para falar rapidamente do sector da Educação. E estas é que são as principais causas da contestação dos professores da vida real (sobre os militares tentarei escrever um dia destes).
Mais: uma reforma inclue também o processo de tomada de decisão - e o modo como a decisão foi tomada pelo Governo - e pelos ministros da Educação e da Defesa - foi claramente de esquerda, ao contrário do que possa parecer.
Igualizar situações necessariamente diferentes é uma prática tipicamente socialista. A minha direita prefere a liberdade, desde que acompanhada pela responsabilidade individual - e, por isso mesmo, defende que se devem tratar de modo diferente situações que não são iguais. O verdadeiro problema da Função Pública não são os professores ou os militares. Há muito que cortar, mas cortar a sério e sem demagogias - e não é indo buscar umas vítimas mediáticas para fazer fogo de vista que se resolve o fim dos - esses sim, reais - "privilégios absurdos" dos funcionários do Estado. E é por isso que eu não posso aplaudir os ministros aplaudidos pelo Eduardo.
Escrevi isto à pressa - antes de ir a um jantar de um grande amigo meu que está de partida - porque não poderia deixar de responder e porque gosto sempre de poder ler o Eduardo Nogueira Pinto e o Francisco Mendes da Silva aqui n' O Acidental. Espero por mais - e sem nenhuma picardia: afinal de contas estamos a discutir situações concretas que se passam todos os dias, bem longe deste blogue.

[PPM]

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