Mais um post onde se misturam alhos com bugalhos
| Paulo, não há pior maneira para começar uma discussão do que aquela que tu ensaias aqui. O que eu escrevi nada tem a ver com "centrais de comunicação". Vê se metes na cabeça que uma pessoa pode estar de acordo com certa prática de um governo de cor diferente da sua, sem que isso signifique que está a ser enganada, manipulada, ludibriada ou iludida. Por outro lado, também seria bom que evitasses outra das técnicas de discussão a que recorres com frequência, como seja a de desviares as atenções daquilo que está em causa. Dois exemplos: a) O argumento anti-generalização. É fácil, é barato e pega quase sempre. Não desta vez. Sei bem que há excelentes professores e militares. Porém, não vejo por que razão é que terei de exibir um disclaimer politicamente correcto, antes de me abalançar para uma critica a uns ou a outros. Eu não estou a criticar todos os militares e professores em concreto. Estou a criticar as corporações, representadas por gente por elas escolhida e que em seu nome actua. b) O argumento ad taxista. É normalmente usado para distrair os leitores menos atentos. Quando tentas atribuir-me juízos do tipo “são todos uns malandros cheios de mordomias que não fazem nenhum”, estás a perverter aquilo que escrevi. A partir daí, eu terei de perder tempo a dizer que não disse bem aquilo que tu dizes que eu disse, e a discussão fica-se por aí. Como hoje tenho algum tempo, sempre te vou dizendo: lê o que lá está escrito, não deduzas aquilo que eu penso, e verás que nunca disse isso. Adiante. A autoridade dos professores e militares tem sido posta em causa, é verdade. Mas tem-no sido, não só pela acção de diversos governos – socialistas e não só (Roberto Carneiro) – como, sobretudo, pelos seus próprios representantes de “classe” e pela sistemática falta de razoabilidade das respectivas reclamações. Insisto no que disse para contrariar aquilo que escreves: as razões para a agitação de militares e professores, pelo menos as que mais vezes são invocadas pelos seus representantes, não têm nada que ver com perda de autoridade. Tem sim que ver com perda de regalias, privilégios, benefícios, “direitos adquiridos”. Absurdos, porque insustentáveis a médio (curto?) prazo pelo erário público. Absurdos, porque concedidos num tempo que em que se deu tudo a todos sem pedir muito em troca. Absurdos, ainda, por inexistirem razões para que cada um destes grupos (e outros que também ameaçam vir para a rua berrar - como os enfermeiros) tenha um conjunto de benefícios sociais essencialmente diferente da generalidade dos funcionários públicos. Claro que seria mais simpático continuar a dar-lhes sistemas de saúde praticamente gratuitos, aposentações em idade pouco avançada, promoções automáticas, garantias disto, regalias daquilo, etc. e tal. Sucede que, simpatias destas saem caro. E estes ministros, seja lá por que motivos forem, parece que perceberam isso e que estão a agir em conformidade. Um liberal como tu és, deveria, pelo menos em tese, aplaudir. Eu – que nestas matérias também sou – aplaudo. Sem me deslumbrar. Mas reconhecendo ao menos quando se tenta inverter o caminho mais fácil – tantas vezes o pior. Como aqui disse, admito estar totalmente enganado. Se for esse o caso, não hesitarei em reconhecê-lo. Se hoje à noite, após ligar a televisão, assistir aos militares e professores a exigirem mais autoridade para o desempenho das suas funções, aceitando a redução dos privilégios (“direito adquiridos” nas suas palavras) que ouço sempre reclamarem, reconhecerei que estou errado. Se hoje à noite, após ligar a televisão, tiver a notícia de que militares e professores substituíram os seus representantes associativos e/ou sindicais, por estes estarem a “desprestigiar” a “classe” em acções de protesto pela manutenção de um status quo injustificado, eu reconhecerei que estou errado. Mas enquanto tal não sucede, deixa-me pensar que estou a ver bem o filme. [Eduardo Nogueira Pinto] |


Comments on "Mais um post onde se misturam alhos com bugalhos"
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sergio m said ... (5:47 da tarde) :
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Anónimo said ... (5:56 da tarde) :
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Anónimo said ... (6:04 da tarde) :
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ENP said ... (6:05 da tarde) :
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Fátima Felgueiras said ... (6:12 da tarde) :
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The Studio said ... (6:30 da tarde) :
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Grupo Amarelo said ... (6:52 da tarde) :
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Grupo Amarelo said ... (6:56 da tarde) :
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PPM said ... (8:41 da tarde) :
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The Studio said ... (10:23 da manhã) :
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PPM said ... (1:19 da tarde) :
post a commentO que reitera agora já era evidente da sua anterior posta, e decorre de uma observação crítica e atenta do fenómeno. A discordância de PPM - e, para mais, nos moldes deselegantes com que a inicia - terá concerteza motivos que a razão desconhece.
Sugestão (completamente fora do tema do post): corrigir o apelido na assinatura... Pito?!?
'Vê se metes na cabeça que uma pessoa pode estar de acordo com certa prática de um governo de cor diferente da sua, sem que isso signifique que está a ser enganada, manipulada, ludibriada ou iludida.'
Acho que pediu ao PPM a única coisa que ele jamais será capaz de meter na cabeça...
Sergio,
Não te preocupes. Os motivos que a tua razão desconhece são apenas a vontade de discutir. Eu e o PPM somos amigos. E não é por discutirmos sobre militares, professores e ministros do PS, que vamos deixar de sê-lo.
enp
Preciso do seu apoio.
http://fatima-felgueiras.blogspot.co.
Obrigada
Eduardo, o PPM pelos vistos aprendeu na mesma escola que a Ana Drago. A "argumentacao", chamemos-lhe assim" e' exactamente a mesma e consiste em dois pontos: 1- Pegar no exemplo de um professor exemplar e carregado de trabalho para justificar as regalias de muitos que nao fazem nada. 2-As regalias que forem insustentaveis nao podem ser mantidas, quer sejam justas ou nao. 3- O que o PPM diz sobre as (poucas) regalias dos professores e' mentira, como alias quase tudo o que ele diz. Se considerarmos idades de reforma e valores das reformas, os professores tem em muitos casos regalias descabidas em relacao a outras profissoes.
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Sinceramente o que me preocupa, antes das regalias dos professores, é a não renovação dos quadros docentes das universidades. As universidades, que deveriam ser um espaço priveligiado para a inovação,estão bloqueadas por uma conspiração grisalha que nunca mais é posta a nú.
O Humanista Ecléctico - fundador do Grupo Amarelo
Os anónimos dizem realmente muitos disparates. Também não senti deselegância nenhuma e subcrevo o que escreve o Eduardo ali em cima. Quanto ao The Studio, basta ler o que se escreve lá no blogue dele para perceber o nível intelectual da fera.
Abraço para o Eduardo,
PPM
Afinal parece que nao sao so' as opinioes do PPM que sao esquerdistas e pouco inteligentes: sao tambem os metodos que emprega para as defender. Vejamos: O PPM defende previlegios insustentaveis para varios grupos da sociedade. Na sua essencia, este e' o ponto que distingue a Direita responsavel da Esquerda demagogica. Como se "defende" o PPM? Diz que o The Studio e' pouco inteligente. Pode ser pouco ou muito, para o caso e' totalmente irrelevante.
"O que o PPM diz sobre as (poucas) regalias dos professores e' mentira, como alias quase tudo o que ele diz."
Como é que quer que eu lhe responda? Prefere pouco inteligente ou mentiroso como insulto?
PPM