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Terça-feira, Setembro 06, 2005

"A Direita e a Cultura" nas "Noites à Direita" Dia 22 de Setembro no Teatro S. Luís

1. A escolha do tema "A Direita e a Cultura" para a próxima sessão das "Noites à Direita. Projecto liberal" não foi inocente. Assumimos a provocação. Mais do que a presença do Estado na Cultura em Portugal ou a discutível relação entre os poderes públicos e os agentes culturais no nosso país – que serão certamente temas centrais em debate –, quisemos trazer a discussão sobre a Cultura para um espaço político e ideológico onde ela raramente se verifica – o espaço da Direita. Não foi certamente por acaso que se generalizou na linguagem portuguesa a designação "intelectual de esquerda" – como se não existissem igualmente intelectuais de direita ou se tratasse a Cultura de uma espécie de condomínio fechado, reservado apenas à Esquerda. A verdade é que existem intelectuais de Direita – sempre existiram, ao contrário do que muitos possam acreditar – e a Cultura não é uma coutada da Esquerda.

2. Muitos comentadores e críticos culturais de esquerda baseiam-se neste tão extraordinário como falso pressuposto: para eles, a Cultura não pode ser de Direita porque “é um conceito de Esquerda”. Para eles, a única área cultural em que a Direita manifesta alguma preocupação, quando ocupa funções executivas, é a do património edificado ou histórico, sendo apenas sensível à arte sacra, à pintura, à literatura e à música dos “clássicos”. Para eles, as pessoas de Direita desconfiam das "artes vivas", como o teatro, as artes plásticas, a dança ou o cinema – para citar apenas opiniões expressas em artigos publicados na imprensa portuguesa. Falta saber – e é importante discutir –, se em grande parte não cabe à Direita, ou a quem se afirma como tal, a responsabilidade pela larga difusão de todos estes lugares-comuns. Se não é a própria Direita que se tem esquecido de pensar a Cultura; se não é quem é de Direita que se tem esquecido de intervir culturalmente.

3. Não é fácil hoje em Portugal acumular o estatuto de intelectual ou agente da Cultura e a opção política de Direita. Mais: parece estar na moda ser de Esquerda e um intelectual de direita é quase olhado como se tratasse de uma ave rara. Pode um intelectual, um cronista, um académico, um poeta, um pintor, um músico ou um jornalista assumir-se claramente de Direita sem por isso ser alvo da desconfiança de algum pensamento politicamente correcto? Ou, por outro lado, será que a Direita soube ao longo das últimas décadas aproximar-se daqueles que, estando situados politicamente à direita, conseguem ser simultaneamente autores ou agentes da Cultura em Portugal? Tudo indica que é negativa a resposta a ambas as perguntas.

4. Vulgarizou-se a ideia de ser cada vez mais necessário um “combate cultural” à Direita, assumindo-se publicamente que foi a quase total ausência desse mesmo combate que a conduziu a recentes e severas derrotas políticas e eleitorais. Concordamos com esta opinião, mas defendemos também que a absoluta necessidade de um combate cultural protagonizado pela Direita não pode reduzir-se a meros cálculos oportunísticos ou de ocasião eleitoral. O combate, a batalha, ou mais prosaicamente o debate e a discussão sobre a Cultura, é uma obrigação de quem, como nós, sabe como é importante pensar um País que precisa, mais do que nunca, de projectos e de ideias motivadoras para o futuro.

5. É por tudo isto que escolhemos este tema. Mas também porque acreditamos que em Portugal existem cada vez mais pessoas que se revêem numa Direita que sabe ouvir e quer discutir com quem tem espírito independente, seja de Esquerda ou de Direita, para poder avançar com novas propostas. Contamos consigo e com a sua intervenção.

_______________

Churchill

NOITES À DIREITA*
*projecto liberal

DIA 22 DE SETEMBRO, PELAS 20H30,
NO TEATRO S. LUÍS


"A DIREITA E A CULTURA"

ANTÓNIO MEGA FERREIRA. PEDRO MEXIA. RUI RAMOS
_____________________

[PPM]

Comments on ""A Direita e a Cultura" nas "Noites à Direita" Dia 22 de Setembro no Teatro S. Luís"

 

Blogger Paulo Pisco said ... (10:04 PM) : 

Não vejo a cultura como uma questão de esquerda ou direita no entanto, não deixo de reconhecer que em Portugal- e na Europa fundamentalmente no continente Europeu, os Ingleses são diferentes neste aspecto - a palavra esquerda se colou a cultura. Ou seja, tudo o que não é de esquerda é "grunho" ou pior. Dai que seja louvável tentar desmontar tão abusiva colagem.
Espero lá estar dia 22.

 

Blogger PPM said ... (2:37 PM) : 

Considere-se convidado, Paulo - e se quiser intervir, procure lá pelo Paulo Mascarenhas.

PPM

 

Blogger João Pedro said ... (8:21 PM) : 

Julgo que o termo "intelectual de direita" já não soa tão estranho como há uns anos atrás, o que prova que a direita preocupou-se a sério com a apropriação da cultura pela esquerda. Diga-se de passagem que a blogoesfera contribuíu bastante para esse desenvolvimento dessa situação.

 

Anonymous António Pedro Ribeiro said ... (9:09 PM) : 

Penso que há que distinguir entre o desinteresse das pessoas de Direita pela Cultura, e uma hipotética "visão de Direita" nas coisas culturais. Quanto ao primeiro aspecto, é rigorosa e evidentemente falso que a Cultura seja monopólio da Esquerda, embora a Direita também tenha as suas responsabilidades em fazer passar essa ideia. No segundo caso, não consigo perceber o que é uma visão cultural de Direita (ou de Esquerda), pelo menos em vastas áreas. Vejamos a Literatura ou o Cinema: ser-se de Direita ou Esquerda implica ter-se certas preferências ou maneiras específicas de falar de Poesia do Século XVI ou de cinema francês actual? Não me parece. Mas há quem pensa assim.

 

Blogger pedro vendas said ... (11:31 PM) : 

A leitura do vosso blogue levantou-me algumas questões que gostava de partilhar convosco.

1 - A associação que fazem entre "liberalismo" ou "liberal" e "direita" parece-me incorrecta. São palavras cujos diversos significados históricos, politicos e filosóficos não são sinónimos e em muitas situações agrupam conceitos ou posições que se opõe.

2 - Também julgo que hoje somos postos perante questões (genética, drogas, China, India, proliferação nuclear, terrorismo, Sida, África, Aabiente, comércio livre, União Europeia, emigração, direitos dos homossexuais e em Portugal o mau funcionamento da Adm. Publica e Justiça, aborto, sistema politico, saúde, segurança social, relação com Palops e Braisl, Velhice) para as quais é necessário dar uma resposta politica e que seriam objecto de um debate mais frutuoso do que cair num debate que facilmente se torna numa sessão de ressentimento contra um ambiente cultural dominado pela esquerda que só existe porque queremos.

3 - Neste momento existem muitos opinion makers (JM Fernandes, A Barreto, M F Mónica, V. Pulido valente, Helena Matos, J C Espada, J A Saraiva, João Candido Silva, Pacheco Pereira, Revista Atlantico, Henrique Monteiro,...)que produzem opinião, de direita ou liberal, livre do suposto dominio da esquerda. Esta gente não tem a influencia politica equivalente á exposição mediática, mas são já em número significativo para continuarmos com a ladainha do dominio da esquerda na opinião publicada. Quanto à arte, literatura e cinema serem de esquerda ou de direita parece-me uma questão sem significado. Quanto ao artista parece-me irrelevante.

4 - As v/ iniciativas são sem duvida meritóriasmas penso que se deviam debruçar sobre questões concretas e que sejam desafios para todos nós. E Já agora que se constituissem como um grupo de inervenção liberal. Mas isso implica não ser de direita, mesmo que em algumas ocasiões implique estar com a direita.

5 - Julgo que ser liberal de forma consequente impde-nos de nos considerarmos de direita ou de esquerda. De uma forma simples diria que um liberal pretende que o sistema politico garanta um máximo de liberdade e tolerância sem comprometer um grau minimo de ordem e justiça. O que implica, conforme o contexto ou a preferência por uma combinação determinada dos principios referidos acima, apoiar, por vezes, projectos ditos de esquerda e noutras projectos ditos de direita.

6- O que pensa um liberal da liberalização do aborto, do comércio livre, da liberalização de comércio e consumo de drogas, de politica fiscal,... é de direita ou de esquerda?

 

Blogger anarresti said ... (6:33 PM) : 

Eu sou de esquerda e acho absolutamente ridícula a hipótese de que não existam intelectuais, cultura, propostas de direita. Há uma histórica arrogância de grande parte da esquerda neste assunto. E talvez não tenha havido, até agora, um movimento sólido por parte da direita que combata esta presunção da esquerda que só empobrece a cultura. Tal como nas outras áreas, na cultura é essencial haver posições claras e distintas. Do confronto de ideias se evolui. Há aqui uma outra questão, no entanto, que se prende com o artista. No século XX, em todo o mundo ocidental, inúmeros artistas tiveram simpatias e actividades de esquerda e extrema esquerda. Lembremo-nos da limpeza que houve nos E.U.A. com o Senador McCarthy. Ainda hoje nos espantamos quando um Vincent Gallo declara publicamente o seu apoio aos republicanos. Há aqui qualquer coisa que falhou por parte da direita em reclamar território e principalmente em produzir criadores. Mas vai demorar tempo a mudar as coisas. Não há falta de intelectuais de direita. Mas dos jovens artistas que conheço pessoalmente, dos que se estão a formar, não me lembro de nenhum que seja de direita. É da idade, não é? Quando se amadurece, deixa-se os ideiais de esquerda... Não me parece ser essa a questão.

 

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