Tanto nos EUA como na Grã-Bretanha têm aumentando as vozes que pedem a retirada das tropas do Iraque. O porta-voz do Lib Dem para os assuntos externos, Menzies Campbell, defendeu mesmo esta semana que “estava na altura de dar um final a esta ocupação”. Duas linhas apenas sobre isto. Em primeiro lugar, tenha-se ou não concordado com a intervenção, a “ocupação” foi já legitimada pela ONU, que pediu mesmo uma participação activa da comunidade internacional. Em segundo lugar, parece-me que o ponto agora está na resolução da situação do pós-guerra (que, à vista de todos, não foi bem planeada) e não no argumento corrente do “quanto pior, melhor”, apenas para conforto dos que se opunham à intervenção militar. Neste ponto, temos três cenários possíveis. Primeiro, a continuação das tropas, inclusivamente com um acréscimo dos efectivos, sobretudo para treino das forças de segurança iraquianas, como referiu o presidente iraquiano a semana passada, Jalal Talabani. Segundo, a retirada completa. Numa altura em que alguns relatórios dão como crescente a radicalização islâmica no país – desde que se complicou a (in)segurança - e quando começa a ser politicamente difícil a confrontação de Bush e Blair com os cerca de 2 mil mortos norte-americanos e 100 britânicos, crescem as vozes defensoras desta decisão. Seria, no entanto, de uma irresponsabilidade total que ela se consumasse, para além de constituir uma derrota a toda a linha dos governos que promoveram a intervenção. Sei que isto agrada a muito boa gente, mas esses que a pedem deveriam ver o caso bem além dos proveitos eleitorais. Terceiro, manter as tropas, reduzindo os seus efectivos. Este cenário só teria cabimento (embora não negue que seria politicamente vantajoso para Blair e Bush) se a ONU, a NATO e a UE entrassem no processo de peacekeeping com forças específicas, numa clara distribuição de esforços económicos e militares. Parece-me pouco credível, até por que a eficácia da ONU depende em muito dos próprios EUA, assim com a NATO e a UE da concordância de Paris e Berlim, que sempre se colocaram do outro lado da luta e enormes proveitos eleitorais disso extraíram. A decisão política é muitas vezes mal compreendida por nós, assim como mal aconselhada e ponderada por outros. Aceitam-se opiniões e sugestões, meus caros. [Bernardo Pires de Lima] |
Comments on "Cenários no Iraque"
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Anónimo said ... (3:07 PM) :
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Bernardo Pires de Lima said ... (3:15 PM) :
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Peter of Pan said ... (3:20 PM) :
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Chico da Cuf said ... (3:46 PM) :
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Anónimo said ... (4:42 PM) :
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Bernardo Pires de Lima said ... (4:53 PM) :
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The Studio said ... (5:40 PM) :
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Anónimo said ... (5:40 PM) :
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Anónimo said ... (5:44 PM) :
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Chico da Cuf said ... (5:46 PM) :
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CN said ... (11:36 AM) :
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Anónimo said ... (12:26 PM) :
post a commentAgora ? agora está uma guerra civil aberta, com contenção ou sem contenção....tanto faz!
Achei engraçado dizer que a ONU aprovou a segunda tempestade no Deserto, no entanto, isso sou eu que olho para as pessoas e não apenas para as políticas. É uma vergonha que 3000 mortos das torres tenham mudado o mundo e nem sequer se saibam quentos morreram e continuam a morrer no Afegânistão e no Iraque.
Porra! não é uma questão de política, Esquerda ou Direita...são sempre pessoas inocentes!
Anonymous,
O que é que isso tem a ver com o que eu escrevi? Quem é que falou em esquerda e direita?
Não caiamos em gritarias desnecessárias, por favor.
"A decisão política é muitas vezes mal compreendida por nós(...)". De acordo. Mas também acrescento: as nossas decisões também são, muitas vezes, mal compreendidas pelos políticos.
A história repete-se 30 anos depois num País diferente. Há 30 anos alguns utópicos de esquerda organizavam manifestações pacifistas contra a instalação de mísseis Americanos na Europa e um autocolante demagógico com energia nuclear? Não obrigado. O argumento era que a militarização representavam uma ameaça e uma provocação ao imenso número de mísseis russos SS20 apontados á Europa. A história provou que foi a força a militarização e a atitude intransigente de Ronald Reagan e Margaret Tatcher que ajudaram ao desmoronar do império do mal.
Hoje, os legítimos descendentes desses pacifistas ingénuos e bacocos ou irresponsáveis, também acham que a paz no mundo se consegue sem atitudes de força, com o abandono e desresponsabilização.
Quantos serão os mortos civis e militares se o mundo ocidental abandonar o Iraque? Já fizeste as contas anónimas?
Basta de ingenuidade demagógica irresponsável ainda que politicamente correcta.
Como é bonito e fácil berrar por mais soldados quando não são os nossos filhos e amigos a morrer longe de casa, já ninguém sabe muito bem porquê. A escola dos "Chicken Hawks" já se propagou a Portugal...
JG
Caro Chico da Cuf,
Gosto sempre de o lêr. Não t~em um blog?
Caro JG,
Não sei se era para mim, mas não me lembro de ter "berrado por mais soldados" no meu post. Aliás, dos três cenários que me parecem colocar-se, apenas discordo da retirada imediata.
Antes de mais, e por uma questao de honestidade, o Bernardo deveria esclarecer os leitores sobre quem sao esses "Lib Dems" que exigem a retirada imediata das tropas do Iraque. Trata-se de uma especie de Bloco de Esquerda Ingles composto por gente tao irracional como uma Ana Drago, um Rodrigo Moita de Deus ou um Francisco Louca.
Independentemente do que aconteceu ate' agora, o que e' claro e' que a retirada das tropas americanas e britanicas iria causar uma guerra civil de consequencias imprevisiveis. Seria uma total irresponsabilidade e quem sofreria mais com isso seriam os proprios Iraquianos.
BPL,
mas descredibiliza o terceiro - e com razões para isso - sobrando, assim, o da continuidade da presença militar. E nesse caso, o problema é o Rummy não querer dar o braço a torcer e admitir que são necessárias muito mais tropas (e, fatalmente, mais dinheiro, muito mais dinheiro). O que, face à contestação politica e social, vai ficando cada vez mais dificil de fazer. Ou seja, incompetência da administração americana complicou aquilo que já não era fácil. Enfim, a meu ver resta agora esperar pelo plesbicito à constituição e evitar dores de parto prematuras. Depois logo se verá, mas não há nada de muito animador no momento actual.
Pese a radicalização na questão iraquiana, que, faça-se justiça, não é de agora (e teve muito de eleitoralsita), os LibDem não são nenhuma espécie de BE. Pelo menos ainda não são, embora nos ultimos anos se estejam a aproximar da coisa.
cordobes
ps. sou o anónimo do post anterior
Infelizmente a falta de tempo e um menor jeito para a escrita (ainda assim os meus textos são mais legiveis que os de Saramago)impedem me de ter um blog. De qq forma pode ser que nos encontremos amanha no S. Luis.
JG, uma vida humana é sempre uma vida humana. Seja ela de um soldado seja de um civil inocente morto no meio de uma guerra civil, ou num qq atentado terrorista cobarde. Pressuponho pelo seu comentário que dá mais importancia a vida de um soldado americano do que a de 10 civis iraquianos. Será que poderei acusa-lo de anti iraquianismo primário? ou de racismo, pq a morte de um arabe tem menos valor que a de um americano?
Demagogia meu caro, pode como vê, ser combatida com ironia demagógica!!
Opiniões e Sugestões
http://blog.causaliberal.net/2005_09_01_causaliberal_archive.html#112732120241153674
Escavaram o buraco; meteram-se lá dentro; Agora que esta a esboroar e a enterralos vivos querem os meus €€ para fazer escadas??
Nem sonhem!!