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Segunda-feira, Junho 20, 2005

Tinhas razão! Não sendo liberal sou socialista de certeza

Caro AAA:

São quatro e dezoito da tarde. Li Hayek e percebi que tinha finalmente de me assumir! Chegou a hora de escolher entre o liberalismo e socialismo! Ou somos socialistas ou somos liberais! Não há outra via! Tanto tempo enganado! Tanta gente equivocada!
Mas enfim…como acho que não me aceitam no BdE, queria deixar-te este singelo mas sentido contributo. Chamei-lhe O desmistificador do liberalismo e tenciono com este parco texto destruir alguns dos mitos e fábulas dos profanos:

1. Os liberais não são dogmáticos. Todas as restantes doutrinas é que estão erradas;

2. Não existe nenhuma ilha com uma estátua gigantesca do Hayek esculpida na rocha, onde os liberais de todo o mundo se reunam para ritos bizarros;

3. O liberalismo não é uma doutrina ao serviço do grande capital. Nem todos os liberais trabalham em bancos;

4. Os liberais gostam de pobrezinhos. Gostam tanto que fazem tudo o que podem para que eles se multipliquem;

5. Os liberais não estão obcecados com a economia. Os marxistas é que são obcecados com a economia. Os liberais só são obcecados com os marxistas;

6. Os liberais não foram os primeiros que puseram em causa a necessidade de um Estado que regulasse a comunidade. Os anarquistas pensaram nisso primeiro;

7. Os liberais são capazes de raciocínios próprios que não estejam escritos num dos livros do Hayek;

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Não foi ao texto do Mises que tirei o essencial do meu poste anterior, mas ao teu. Sabes que acho mais interessante discutir contigo que com o Ludwig. Tu respondes e ele não. Quanto à auto-propalada “gula livresca” peço-te que não te maces com o meu comentário. Há mais gente que o faz (auto-propalar gulas livrescas). O Pacheco Pereira, por exemplo.

Comments on "Tinhas razão! Não sendo liberal sou socialista de certeza"

 

Blogger Luis Gaspar said ... (5:50 PM) : 

Ahahah. Muito bom. O liberalismo eh o marxismo dos ricos.

 

Blogger PPM said ... (6:26 PM) : 

Rodrigo, uma coisa é um estado regulador, que vê o jogo de fora, como árbitro fiscalizador, outra bem diferente é um estado interventor, ele próprio jogador interessado. E é isso que tu finges não perceber.

PPM

 

Blogger Joao Galamba said ... (12:13 AM) : 

Caro PPM,

Fala do Estado como se ele fosse uma entidade estranha ao resto da sociedade. Não é preciso ser Hegeliano para criticar essa perspectiva. Dizer que "o estado é jogador interessado" é sugerir que ele é uma espécie de agente autónomo, indiferente às escolhas colectivas dos cidadãos (leia-se escolhas democráticas). Se uma maioria da população escolher enveredar pela provisão pública de certos bens ou serviços, ou pela existência de um certo nível de protecção social o Estado não é simplesmente um agente com interesses próprios. ele é um agente que responde à vontade democrática dos seus cidadãos.
A vontade da maioria tem de ser obviamente limitada no sentido de respeitar um conjunto de direitos, mas só um libertário tipo Nozick é que pode sacralizar a liberdade privada ao ponto de considerar qualquer intervenção do Estado como tirânica. O PPM não é um libertário pois não?

 

Blogger PPM said ... (1:19 AM) : 

Não, caro João, engana-se, sou um liberal. E, como tal, obviamente que não pretendo instaurar uma ditadura neo-liberal contra a vontade da maioria dos cidadãos. Sou liberal, mas também sou realista e por isso não acredito em utopias, sejam elas quais forem.
Espero é poder ajudar a convencer o maior número possível de pessoas que um Estado mais magro é também mais ágil para poder cumprir com eficiência e qualidade as suas obrigações essenciais, nomeadamente de protecção social aos que menos têm. Mas essa não deve ser a sua função por natureza: antes deve preferir criar benefícios fiscais, nomeadamente reduções de impostos, entre outros aos movimentos, às empresas e aos indivíduos que comprovadamente pratiquem e apoiem a solidariedade social. Porque é que a protecção social tem de ser um exclusivo do Estado - diria mais, essa pode ser uma das razões para que funcione tão mal.
Eu não sacralizo a liberdade individual: sem citar autores, digo-lhe que é para mim claro que a liberdade individual deve ser acompanhada sempre pela responsabilidade de cada um e pelo integral cumprimento da lei por parte de todos. Ora aí está uma importante função do Estado: assegurar que as leis são cumpridas rigorosamente e que a liberdade de todos - somatório das diversas liberdades individuais - é acompanhada pela inteira responsabilidade.

PPM

 

Anonymous Anónimo said ... (4:21 AM) : 

A Salma Hayek é BEM BOA!!!

 

Anonymous Cabral said ... (12:02 PM) : 

Ate pode ser que o liberalismo versao austriaca nao seja celebrado em estatuas e hinos. Mas nao faltam sociedades dedicadas ao culto dos pais fundadores Mises e Hayek (e por apropriacao Smith) com opulentes encontros de duvidosa utilidade.

 

Blogger Ricardo Alves said ... (12:15 PM) : 

Divertido.
O liberalismo é a utopia da nova direita.

 

Blogger André Azevedo Alves said ... (2:15 PM) : 

"Mas nao faltam sociedades dedicadas ao culto dos pais fundadores Mises e Hayek (e por apropriacao Smith) com opulentes encontros de duvidosa utilidade."

Acho que tais encontros, a existirem, deveriam ser proibidos o mais rapidamente possível. Especialmente se são "opulentes". Quanto à medição da "utilidade", é matéria que deverá preocupar mais os seguidores de Bentham e Stuart Mill do que os austríacos.

 

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