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Segunda-feira, Maio 23, 2005

Os badochas

Gordo
A crença feliz na justeza dos seus propósitos é uma característica própria do politicamente correcto. Gente que se oponha às ideias politicamente correctas está sempre ou de má-fé, ou corrompida, ou intelectualmente corrompida, ou então é irremediavelmente estúpida. Pelo seu lado, defender as ideias politicamente correctas permite tudo, inclusivamente o uso do politicamente incorrecto mais alarve. Na verdade, o politicamente correcto só se aplica às causas que o próprio politicamente correcto defende. Quanto às outras, o insulto, a insinuação e a baixeza podem ser livremente utilizados, porque a causa o justifica. É por isso que não se pode chamar maricas a um homossexual, fufa a uma lésbica, drogado a um toxicodependente, preto a um africano de pele negra. Mas já se pode chamar gordo a uma criança obesa, como se vê acima, num cartaz da campanha oficial que anda aí pelas paredes da Fundação Portuguesa de Cardiologia. O cartaz tem notáveis requintes crueldade social: das três pessoas, todas têm uma identidade individual - uma sou “eu”, outra é o “João”, mas a terceira é, simplesmente, o “gordo”. Como por acaso, tanto “eu” como o “João” têm um ar notavelmente ariano (coisa que já não se percebe no caso do "gordo", por causa da máscara), isto num país onde o tipo étnico abunda. O cartaz é desrespeitador, ainda, daqueles que são gordos por doença, o que é ainda mais reprovável vindo de uma associação médica.
Devem ser métodos propagandísticos ensinados pela Dra. Isabel do Carmo, essa bomba calórica, nas felizes palavras do meu colega Rodrigo.
[Luciano Amaral]

Comments on "Os badochas"

 

Anonymous Sofia said ... (2:55 PM) : 

Parece-me que o cartaz é eficaz no sentido que chama a atenção para a obesidade infantil utilizando uma imagem que é “usual” entre crianças, que nestas coisas normalmente não têm peneiras de chamar as coisas pelos nomes. A criança é gorda e é gorda por maus hábitos alimentares que podem ser corrigidos. Com certeza que mais vigilância poupar-lhe-iam muitos dissabores no futuro, não só físicos como psicológicos. Não acho que se possa chamar politicamente correcto alarve a uma campanha de prevenção de saúde muito pertinaz. Já agora não percebo o que é que a Isabel do Carmo tem a ver com a Fundação Portuguesa de Cardiologia (os autores da campanha), a não ser que constitua mais hipótese de utilizar a tão feliz e correcta expressão bomba calórica. Afinal como no cartaz o que interessa é reduzir a pessoa, não é?

 

Anonymous caramelo said ... (3:32 PM) : 

“Devem ser”, Luciano? Tem dúvidas? Quem houvera de ser? Eu até sei que a Isabel do Carmo se reuniu secretamente com o Otelo, numa cave do Campo Pequeno, para preparar o plano de acção da humilhação infantil: “Vamos-lhes chamar gordos balofos camarada!”. “É pá, camarada, isso também é demais! Chamamos-lhe só gordos e pronto!” “Pois! A luta continua!”

Pôças, agora que o blog do Gato Fedorento ficou autista, vocês são um maná!

 

Blogger Ricardo Alves said ... (4:30 PM) : 

Sim, realmente combater o problema social que é a obesidade é horrivelmente totalitário e comuna. O Estado deveria promover, isso sim, o alcoolismo, como no tempo do saudoso Oliveira Salazar e à semelhança do seu discípulo AJ Jardim.
Combater a obesidade, mais do que «politicamente correcto», é «saudavelmente correcto», e «socialmente correcto» ou até «socialmente recomendável». Tudo coisas péssimas.
Felizmente, existem as luminárias da «direita liberal», para defenderem o «politicamente incorrecto», o «historicamente incorrecto» e até o «matematicamente incorrecto». ;)

 

Anonymous Miguel said ... (4:45 PM) : 

É impressionante. Neste blog está sempre implicita a guerrinha irritante Esquerda Vs Direita.
Será que não conseguem analisar as coisas friamente sem estar logo implicita uma posição politica demarcada?!
Sofia e Caramelo provam isto.
Porque viram no poste do Professor Luciano Amaral um ataque à esquerda vieram logo defênde-la sem tentar sequer perceber o que ali foi dito.
Vejam as coisas para além das coisas.

 

Anonymous JPT said ... (5:32 PM) : 

É exactamente o contrário, Miguel, o Luciano Amaral é que foi buscar a política Esquerda/direita para comentar um cartaz da associação portuguesa de cardiologia. Faço minhas as palavras dos 3 primeiros comentadores: nada mais a dizer...

 

Anonymous Miguel said ... (6:07 PM) : 

Como queira JPT. Até pode ser se ficar mais feliz. Se quer saber a minha opinião sincera é a seguinte: É só incoêrencias. Para defender a vida atacam os gordos. Parece que vale tudo para defender a vida, mesmo talvez ferir alguns doentes hormonais que são inevitavelmente obesos. Mas para atacar a vida, nomeadamente defender a morte, já pretendem "proteger" o aborto e quem o pratica. Porque não atacar quem pratica o aborto, em defesa da vida (como no caso da obesidade, só estariam a defender a vida, a causa é a mesma!)!? podiam dizer " a minha mãe", "a mãe do gordo" a "mãe do João" e a "mãe-que-não-chegou-a-ser-mae-porque-se-esqueceu-de-usar-metodos-contraceptivos-e-foi-cobarde-ao-ponto-de-não-deixar-o-filho-viver-porque-era-capaz-de-dar-muito-trabalho". Podem tentar perceber o que eu quis dizer ou podem começar a levantar poeira em redor do aborto. É convosco.

 

Anonymous lino said ... (6:22 PM) : 

Tenho um post sobre a campanha na tv, relativa ao mesmo assunto, no "falta de tempo"
righthandside.blogspot.com

 

Anonymous Sofia said ... (6:26 PM) : 

Miguel, vai aí uma grande confusão. Bem a comparação com campanhas pró-aborto nem falo que é demasiado ridicula a comparação. Já agora para sua informação apenas uma percentagem pequena de pessoas obesas o são devido a problemas hormonais, a grande maioria é pela prática de maus hábitos alimentares e falta de exercício. Por isso não se trata de atacar ninguém, mas antes educar. Educar os pais e as crianças que estão a crescer com excesso de peso e que por isso tem menos qualidade de vida . Já leu o resto do cartaz, para além do super ofensivo gordo? 1 em 3 crianças tem excesso de peso, que com mudança de alguns hábitos pode ser evitado. Parece-me bem simples a questão, sem pôr aborto e Isabel do Carmo ao barulho ...

 

Anonymous JPT said ... (6:45 PM) : 

Para além de concordar com os argumentos da Sofia (e dos outros...), eu acho, verdadeiramente, que qualquer pessoa tem o direito a ser gordo. Mas também tem o direito de ser informado dos riscos que corre. Ao contrário dos proibicionistas de direita, eu acho que as pessoas têm o direito de optar, entre ser gordo e não ser, entre abortar (dentro das primeiras 10 semanas) ou não. Mas o estado tem o dever de informar. Já agora, vamos fazer um exercício de redução ao absurdo. Se o cartaz fosse da associação contra a toxicodependência, e em vez de "gordo" estivesse lá "drogado", o que diriam os senhores?

 

Anonymous Amílcar Nunes said ... (6:49 PM) : 

Mas não há gordos por gosto? Eu sou gordo e gosto muito, importam-se de não me xatear???

 

Anonymous Miguel said ... (7:02 PM) : 

Já viu Sofia. A Sofia a embirrar e sem pensar conseguiu dizer coisas acertadas! Educar as crianças! Porreiro! Chamar-lhes gordos tranquilamente porque só uma pequena minoria o é inevitavelmente. O exemplo que eu dei, forçado como é obvio foi :Porque não, então, educar as mães?chamar-lhes cobares?Só uma pequena minoria se sentiria ofendida porque só essas teriam razões que teriam levado a inevitabilidde do aborto, as outras podiam tê-lo evitado, como as crianças com maus hábitos alimentares poderiam evitar ser obesas.
A minha questão é que se está a defender a saude. Logo, a vida.
Ser ou não gordo a niveis estéticos é com cada um. Veja lá que antigamente gordura até era formosura. As pessoas podem gostar de uma boa refeição e optar por não ter cuidados a esses niveis e ser obeso. E então? Ou seja a questão é a saude, a vida!
Mas na questão do aborto já fazem exactamente o contrário: deseducam.
São estas incoêrencias que me incomodam. Estas e outras.

 

Anonymous Miguel said ... (7:06 PM) : 

Sinceramente apeteceu-me embirrar visto que é o que geralmente acontece neste blog.

 

Blogger Henrique Raposo said ... (8:05 PM) : 

Grande post.

 

Blogger PPM said ... (10:05 PM) : 

Idem, aspas

PPM

PS. A inveja e a falta de respeito pela opinião dos outros é muito mais grave do que a gordura.

 

Anonymous Miguel M. said ... (10:55 PM) : 

Não querendo deixar esta discussão um tema esquerda/direita acho um pouco descabido o post... Normalmente o Prof.Luciano até acerta mas, neste caso, incoerências escreve-as ele. Se é contra o politicamente correcto tem é de se congratular por uma campanha desta que rompe os medos de chamar "gordo" às pessoas. É uma campanha bem conseguida que pretende CHOCAR para um tema cada vez mais importante, a obesidade é grave, mata lentamente e tem que ser combatida, sem medo do que os psicólogos podem dizer. Até acho bem de Direita esta luta.

A Associação Portuguesa de Cardiologia conseguiu uma das poucas coisas boas deste ano em Portugal... e como Português de Direita fico muito contente.

Agora... podia-se aproveitar a ideia do "drogado" sim senhor, ou fazer campanhas com o alcance desta contra as drogas. E pode-se (e deve-se!) aproveitar todas as oportunidades para chamar bomba calórica a Isabel do Carmo...

E a discussão do aborto, é preciso discutir isso para todos os temas???

Abraço, boa continuação de acidentes

 

Anonymous Pedro Robalo said ... (4:47 AM) : 

Excelente post. Pena que à maioria dos comentadores o essencial lhes escape.

 

Anonymous Anónimo said ... (10:00 AM) : 

oacidental
a nova policia de costumes da direita!!!!!!!!

O LA ao menos variou já não passa o tempo a dizer porque é que o 25 de Abril foi mau

é esta a direita nova
sempre a ver em tudo uma conspiração da esquerda


por vezes ficamos iguais Àqueles que odiamos

 

Anonymous Anónimo said ... (4:15 PM) : 

LOLOL Sois mesmo incapazes de perceber uma ironia não sois? Foram pessoas como vós que proibiram um cartaz em França com a imagem de Jesus grafitada com "porco judeu". E não, não era anti-semita o cartaz, tal como este não agride as pessoas obesas. São ambos irónicos, e o francês era de um associação de estudantes judeus. Mas ninguém esperava que vocês o percebessem claro está...

 

Anonymous Anónimo said ... (4:17 PM) : 

Mas claro que no post lá aproveita para insultar gays, lésbicas e africanos.. queixando-se de não o poder fazer, fazendo-o...

Posso chama-lo fascista?

 

Anonymous Anónimo said ... (5:52 PM) : 

E um cartaz anti-racismo, em que as duas crianças brancas fossem eu e o joão, e a terceira "o preto"? Assim, sem peneiras, a chamar as coisas pelo nome. Eficaz, hein?

 

Anonymous Anónimo said ... (9:18 AM) : 

Feio, contraditório e insultuoso.
Escolhe-se ser gordo ou magro da mesma forma que se escolhe ser heterossexual ou homossexual, ou feio ou bonito, ou homem ou mulher.
O cartaz é xenófobo. Só que em vez de descriminar quanto à raça descrimina quanto às características metabólicas do indivíduo. Tanto mais cruel é quando aponta as baterias aos seres mais inocentes: os mais jovens.
Não existem seres mais ignorantes que os médicos!

 

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