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terça-feira, maio 31, 2005

Entre a pimpineira e os patrulheiros de consciências

Sinal dos tempos generalizou-se no país o regime geral da suspeição. Os portugueses atónitos descobriram de há uns meses para cá que vivemos numa economia livre. Onde o Estado tem de contratar e comprar a privados. Onde o Estado tem de fazer “negócios” com outras entidades. E, espanto, os privados fazem mais valias com esses “negócios”. Eis palavra proibida dita em sussurro: “os negócios”. Todos os negócios deviam ser investigados. Todos aqueles que fazem “negócios” deviam ser presos. Trinta anos depois de Abril o país finalmente interiorizou o pior do socialismo.

O fenómeno não é estranho. Em anos de vacas magras o povão fica mais sensível a estas coisas. A inveja mais aguçada e o espírito mais vulnerável para as doutrinas moscovitas. Se a mais valia é um crime, todos os que guiam automóveis de gama superior aos Fiats da Judiciária deviam ser investigados. Pobre povão. Mal sabe ele que os bons “negócios” com a coisa pública já foram quase todos feitos. Agora pouco mais sobra que os matadouros e os contratos para a aquisição de clips.

Pouco importa. De uma subcave na Damaia os patrulheiros fazem juízos sobre a consciência dos outros. Os culpados, são queimados em fogueiras públicas alimentadas por páginas de jornais.
Os inocentes… bem… ninguém é rico sendo inocente.

A turba chateada com o aumento do IVA, com a falta de plafond no cartão de crédito e com a derrota do Benfica na Taça, alegra-se em saber que alguém está do seu lado e lá vai alimentando o monstro. Há bons e maus. Os maus são aqueles que têm mais do que nós. É um fenómeno entre a pimpinheira e o ressentimento.

O país descobriu finalmente que existia corrupção. Feito extraordinário. Pena é que lhe falte maturidade. Maturidade para tentar corrigir o sistema sem o por em causa. Maturidade para saber viver com o sucesso do vizinho do lado. A inveja é a mãe de quase todas as doutrinas políticas. A inveja faz as pessoas feias. O país está cheio de pessoas feias.

[Rodrigo Moita de Deus]

Comments on "Entre a pimpineira e os patrulheiros de consciências"

 

Anonymous Anónimo said ... (3:20 da tarde) : 

De facto, quando aqueles que sempre descontam são mais uma vez confrontados com a vinda de mau tempo e olham à sua volta e sentem-se como extra-terrestres rodeados de outros Portugueses que não descontam patavina e vivem sem preocupações.....porra! vale a pena continuar a alongar esta frase ? QUEM CUMPRE COM OS SEUS DEVERES DURMA DESCANSADO, AOS OUTROS QUE A VIDA LHE SEJA BASTANTE AMARGA!

 

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