Bonjour, non?
![]() O Eduardo Nogueira Pinto pede num comentário para que me deixe de tangas e diga quais são as coisas más do "Não" francês, uma vez que o projecto europeu que foi rejeitado pelos franceses seria o mesmo que defendo. Escrevi - lá nos comentários - que só lhe responderia se ele publicasse um texto sobre o assunto na página principal d' O Acidental - ainda que sempre o vá lendo aqui ou ali. Antes de mais, quero só garantir-lhe que não sou anti-francês e até sou dado a francesices, como o Tintin e a Milou (ah, é verdade, o Hergé nasceu em Bruxelas), o Michel Vaillant (este é mesmo francês), a FNAC, o Albert Camus (ok, eu sei, nasceu na Argélia), e, sobretudo, a Leticia Casta. Mas, desta forma, continuo só a falar do lado bom de França e o Eduardo exigiu-me que falasse sobre as coisas más do "Não" francês. Poderia dar-lhe, talvez, uma razão de fundo, que pode até ser vista como uma coisa má para os bolsos europeus, incluindo os meus e os dele: a queda do euro, que se prevê ainda maior com o "Não" holandês. Mas seria um argumento demasiado vil para uma questão tão grandiosa. O pior é que nem considero que a questão do tratado constitucional seja assim tão grandiosa - se este não for aprovado, fica a vigorar o normativo Tratado de Nice -, como entendo que muita gente anda a discutir não o tratado em si, mas questões puramente laterais e muitas vezes egoístas. Em França, como em Portugal, a discussão esqueceu há muito o dito projecto europeu - quando não se esqueceu mesmo de o ler, nem que fosse em diagonal - e o referendo transformou-se numa questão de pura política interna, de afirmação de tendências partidárias ou de tentativas de protagonismo político (nem preciso de falar de Manuel Monteiro para o exemplificar). Para mim, como já escrevi aqui ou aqui, este tratado seria um mal menor, tendo em conta o projecto ultra-federalista que esteve na sua génese. O resultado final não me provoca qualquer entusiasmo, não me aquece nem me arrefece: defendo-o porque considero que Portugal beneficia em termos europeus se votar "Sim" - e hoje, depois do "Não" francês, beneficia mais do que nunca. Há muito boa gente que classifica a minha posição como consensualista, ainda que pareça que voltei à tese cavaquista do "bom aluno". Mas, no meio de tudo isto, não dei um exemplo minimamente aceitável de "coisas más" no "Não" francês, tal como me foi pedido pelo Eduardo. Pois bem, aqui deixo uma coisa muito má - mas realmente péssima -, porque este senhor foi um dos grandes vencedores de ontem: ![]() Chega? [PPM] |




Comments on "Bonjour, non?"
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Anónimo said ... (5:28 da tarde) :
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PPM said ... (5:40 da tarde) :
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Anónimo said ... (5:42 da tarde) :
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PPM said ... (5:50 da tarde) :
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Anónimo said ... (5:58 da tarde) :
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Anónimo said ... (6:47 da tarde) :
post a commentO facto de Le Pen ter sido uma das caras dos muitos nãos à pseudo-constituição europeia, não inviabiliza uma válida defesa do não. É injusto que os partidários de um projecto europeu acente em outros moldes, não possam usufruir do não, só por causa do facínora gaulês. Tu escreves «em França, como em Portugal, a discussão esqueceu há muito o dito projecto europeu (...) e o referendo transformou-se numa questão de pura política interna, de afirmação de tendências partidárias ou de tentativas de protagonismo político»... o argumento utilizado no fim do post entra exactamente por este caminho.
Claro que não inviabiliza, mas que é uma razão de peso, tens de concordar, colega anonymous. Esclareço também que sou a favor de debate europeu, pelo "Sim" e pelo "não", todos devem ter obviamente direito a tempo de antena, ainda que veja muita gente mais interessada no seu próprio umbigo...
PPM
Paulo,
Triste defesa do sim e triste exemplo dos defeitos do Não.
Se o sim vencesse, PPM teria o prazer de estar ao lado de grandes vencedores como Chirac ou Jospin.
Mas que grande hora
Prefiro seguramente estar ao lado do Chirac e do Jospin - ou até do Presidente Sampaio e do futuro Presidente Cavaco - do que ao lado de Jean-Marie Le Pen.
PPM
a queda do Euro é má?! andava tudo aflito porque o euro está hipervalorizado e andava a matar as exportações da UE! agora o euro perde terreno em relação ao dólar e já é uma desgraça para os bolsos dos europeus.
Bruno Costa
O "Não" francês, ontem assumido maioritariamente, não é de ontem, mas de há já muito tempo, desde que Chirac reconduziu o governo de Rafarin, contra as espectativas dos franceses. Portamto, este não é um "Não" à Europa, tal como não será o "Não" holandês, ja depois de amanhã. Este é um "Não" que manifesta sobretudo o desagrado acerca das políticas internas levadas a cabo nestes dois países. Provavelmente sucederia o mesmo caso Sampaio não tivesse tomado a decisão de pôr na rua o dr. Lopes.
É certo que esta constituição nasceu com algumas insuficiências, agora não me parece que deitar tudo a perder depois do "Não" francês dignifique a legitimidade dos restantes Estados (isto de acordo com o principio de iguldade entre os 25). Certo é também que sem a França não há Europa, contudo será bom que os gauleses entendam que nem tudo pára depois de eles dizerem que NÃO.