Arquipélago Guantánamo
| A Amnistia Internacional (AI), no seu relatório anual, decidiu considerar Guantánamo o “gulag dos nossos tempos”. Eu não sei se alguém na AI sabe o que quer dizer aquela palavra. Também não creio que alguém por lá vá ler este blog, mas já agora gostava de ilustrar o que se deve entender por gulag. Num sentido estrito, i.e. aplicado apenas à ex-URSS, o gulag foi um sistema prisional de que terão resultado cerca de 30.000.000 (trinta milhões) de mortos – 20.000.000 só durante o estalinismo, os restantes antes e depois; foi, para além disso, um sistema prisional que permitiu, até aos anos 80 do século XX (!), que cerca de 3% da mão-de-obra soviética fosse prisional, ou seja, mão-de-obra (literalmente e sem qualquer exagero) escrava. Nem na Alemanha Nazi se atingiram semelhantes números. Num sentido mais alargado, para incluir o resto do mundo, gulag pode ser entendido como as réplicas do original que existiram em todos os continentes, seja na China, no Cambodja, no Vietname, na Nicarágua, em Cuba, em Angola, Moçambique, etc., onde o número de mortos ultrpassou muitas vezes o original (ex. China). É isto que a AI acha que é Guantánamo? São palermices como esta, tal qual como as palermices da CBS sobre o registo militar de Bush ou da Newsweek sobre o Corão deitado pela sanita, que descredibilizam organizações e instituições que nos tínhamos habituado a respeitar. [Luciano Amaral] |


Comments on "Arquipélago Guantánamo"
-
Rui Oliveira said ... (5:17 da tarde) :
-
Anónimo said ... (5:26 da tarde) :
-
Mário said ... (5:43 da tarde) :
-
Anónimo said ... (7:59 da tarde) :
-
Anónimo said ... (10:00 da tarde) :
-
carne said ... (11:54 da tarde) :
-
FNV said ... (3:27 da tarde) :
-
Mário said ... (11:13 da manhã) :
post a commentLuciano,
o disparate não é exclusivo do BE e no caso da AI por lá acampou já há bastante tempinho.
Por isso, justa ou injustamente, o que a AI diz, para mim, se tem tornado cada vez mais irrelevante, e é pena que assim o seja.
É tanta a vontade em desculpar o massacre perpretado pelos amiguinhos que se tenta dar a volta de uma maneira rebuscada. Areia para os olhos, é o que é. Guantánamo é um crime e a direita portuguesa silencia-o!
Caro anónimo,
Guantánamo é um absurdo? É sim senhor! Mas faça um favor a todos e não seja parvo! O facto de Guantánamo existir transcende qualquer divisão esquerda/direita! Simplesmente, a AI, quiçá, agora + politizada, decidiu ir na onda muito na moda de atacar por dá aquela palha os EUA! Uma organização como a AI por tudo o que já honrosamente defendeu, tinha a obrigação de escolher (bem) melhor as palavras!! Provavelmente nunca leram o Arquipélago de Gulag de A. Soljstyne porque devem ter achado que era um calhamaço muito grande!!Se os EUA usassem em Guantánamo o mesmo tratamento que usavam no Gulag, pode crer que Bin Laden e Zarqauhi já não estavam no mundo dos vivos...Por isso, anónimo, vá ao dicionário e veja lá a definição de massacre, sff...
Já li o calhamaço e "Um dia na vida de Ivan Denisovich". Parvo és tu que leste no meu comentário alguma referência aos gulags. Não falei em nada disso, mas também já embarcaste na do outro, se Guantánamo é mau arranja-se uma pior e está a merda limpa. Mas pronto, chamemos a Guantánamo um "Tarrafal", só para usar palavras das quais vocês já se sintam orgulhosos.
o que os tipos da AI perceberam foi que o gulag não são números, nem um sistema. é uma ideia, uma certa noção de como se podem tratar os nossos semelhantes em nome de abstrações como o Certo, o Bem e a Nação. como tu próprio disseste, o gulag não se limitou aos países soviéticos, expandiu-se pelo mundo. e finalmente chegou às Caraíbas. é incrivel as voltas retóricas que os conservadores tentam dar pra justificar a tortura e a morte. ou tu afirmas frontalmente que não existe tortura em Guantámano?
Venho cá para pedir ao Luciano que, por favor, escreva uma posta sobre o que acha ele de Guantánamo. Acho que o mundo precisa dessa reflexão e o Luciano irá, com certeza, lucrar com esse exercício de introspecção. Vá lá...
Caro Luciano Amaral:
No Mar Salgado escrevi um texto ( dois, a bem dizer, mas só o primeiro se lhe refere explicitamente) que cita o seu, mas sem links, porque o meu Mac não os faz. Espero que o meu companheiro de nau PC os faça, como lhe é habitual, e que você não leve a mal.
Cumprimentos,
Filipe Nunes Vicente
Caro anónimo,
Não me estava a referir a si quando disse:"não leram o Arquipélago de Gulag"...mas sim à Amnistia Internacional que fez a comparação entre os Gulags e Guantánamo...
Eu li com atenção o seu post, ao contrário do que fez com o meu! Eu vi que o Sr. usou a expressão "massacre perpretado pelos amiguinhos..." e disse-lhe para ir ao Dicionário ver a definição de massacre!! Deu-se a esse trabalho?!