Sobre a refundação da direita
| É incompreensível que trinta e um anos depois do 25 de Abril a direita tenha medo de falar sobre cultura. Pior. É incompreensível que não saiba falar sobre cultura e que, por desconhecimento ou apreensão, tenha ficado presa às convenções da esquerda sobre a matéria. A direita não tem de fazer a guerra da “minha cultura é maior que a tua” e contar autores como quem conta espingardas. Mas também não tem de desistir desse combate com o argumento dos meninos amuados “Ai é? Então não há mais dinheiro para a cultura”. Vamos desfazer mitos: Em Portugal existem três ou quatro intelectuais e nenhum deles aparece na televisão, subsidiar teatros é estar a pagar aos amigos, inaugurar bibliotecas é um desperdício de dinheiro e a esmagadora maioria da esquerda pensante roça o analfabetismo cerebral. Discutir cultura não é discutir “casas-museu”, “arte”, “intelectualidade”, “bailado contemporâneo” mas também não é discutir a ideologia de Ary dos Santos. Discutir estes conceitos é discutir “cultura” como a esquerda nos ensinou. Não nasce nada de novo e eles ganham sempre. Quando a direita entender isto, deixará de discutir orçamentos. [Rodrigo Moita de Deus] |


Comments on "Sobre a refundação da direita"
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Hoka Hei said ... (12:16 da tarde) :
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Vìtor Matos said ... (12:17 da tarde) :
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Jonas said ... (12:40 da tarde) :
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Anónimo said ... (12:41 da tarde) :
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Anónimo said ... (12:58 da tarde) :
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esim said ... (1:00 da tarde) :
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Anónimo said ... (1:04 da tarde) :
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Anónimo said ... (1:12 da tarde) :
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esim said ... (1:46 da tarde) :
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Anónimo said ... (2:02 da tarde) :
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BGL said ... (2:03 da tarde) :
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Anónimo said ... (2:20 da tarde) :
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Anónimo said ... (2:58 da tarde) :
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esim said ... (3:06 da tarde) :
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Anónimo said ... (3:50 da tarde) :
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esim said ... (4:59 da tarde) :
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Anónimo said ... (5:28 da tarde) :
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Anónimo said ... (12:21 da tarde) :
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esim said ... (1:10 da tarde) :
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Filipe Castro said ... (3:06 da manhã) :
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Anónimo said ... (10:56 da manhã) :
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Anónimo said ... (8:08 da tarde) :
post a commentRMD,
Se não considera que a direita deva discutir esses pontos da cultura que referiu, que lhe sobra? Dinheiro para bibliotecas é dinheiro deitado fora? Tem toda a razão, já que temos muitos analfabetos e uma taxa de 80% de iliteratos, por que razão havemos de tentar corrigir isso, não é verdade?
Deixe lá ver, esse dinheiro era melhor aproveitado num culturalmente bem disposto repasto de mariscos na costa alentejana, certo? Ou então montávamos excursões do interior para visitarem, maquilharem-se e ser ocas como as tias da Linha por um dia? Isso sim, seria cultura...
Resta explicar-nos o fundamental. Afinal, discutir cultura à direita é o quê?
"Dois ou três intelectuais"? Pois olhe que não me parece que eles escrevam por estas bandas...
Quanto a si, que diabos de ideia de cultura deve a direita ter?
E repare que há gente deste quadrante político com proficua actividade cultural neste país que a sua miopia imagina refém dos vermelhaços: basta olhar um pouco para a Cinemateca, por exemplo.
Trinta e um anos depois, a direita continua a sentir-se acossada pela esquerda, a queixar-se do monopólio da esquerda na cultura, a chorar que a imprensa é dominada pela esquerda, etc, etc. Pachorra... E como é divertido ver a maioria dos intelectuais de esquerda ser rotulada pela direita como “inomináveis criaturas”, ou, simplesmente, “as criaturas”, “aquela gente” “aqueles rapazes”, e outras finas variantes. É a sindrome zécastelbranco. Entretanto descobriram o Spectator, como no século XIX se tinham descoberto os jornais franceses. Chique a valer, como diria o Dâmaso Salcede. Nem imaginam como tudo isto é patético e como a esquerda se diverte.
Ao contrário do sr. Rodrigo, eu não acho que a direita não tenha políticas para a cultura (o anterior governo não tinha de facto mas isso é outra conversa). Agora quem de efectivamente revela ser um autêntico ignorante (pessoa que ignora) a esse nível é o sr. Rodrigo que acha que construir mais bibliotecas é deitar dinheiro à rua... A cultura é algo que mais do que ser discutida deve ser vivida. Não pelas cabeças pensantes deste país, mas sim pelos cidadãos anónimos. Como aqueles que vão às bibliotecas... Tá a ver?
Nuno Abrantes
www.ooutroladodireito.blogspot.com
PS: Convido-o a visitar um destes dias a Biblioteca Orlando Ribeiro em Telheiras. Certamente mudará de opinião, pelo menos em relação às bibliotecas...
Cara (?) Hoka,
"esse dinheiro era melhor aproveitado num culturalmente bem disposto repasto de mariscos na costa alentejana, certo?"
Também é verdade, mas não era aí que eu queria chegar. Temos muitos analfabetos e 80% de iliterados? E são os milhões de euros que gastamos em bibliotecas municipais que os ensinam a ler?
Nuno, o Rodrigo quis dizer exactamente o contrário daquilo que diz que ele disse. Certo, Rodrigo?
Rodrigo, você queria mesmo dizer que inaugurar bibliotecas é um desperdício de dinheiro? Parece-me que é isso que se pode concluir deste seu último comentário… E, já agora, também acha que a esmagadora maioria da esquerda pensante roça o analfabetismo cerebral? Então isso não eram mitos da direita que queria desfazer? Terei percebido mal o seu post?
Caro caramelo,
Não percebeu nada mal. O meu poste era exactamente o que se está a passar neste micro-clima que é a caixa de comentários. Quando se discute “cultura” começamos a discutir a biblioteca de telheiras e a citar “Dâmaso Salcede”. Em rigor, uma analise injustamente pequena para o que escrevi.
A biblioteca de telheiras não vai resolver o problema do analfabetismo praticante nem tão pouco o “Dâmaso Salcede” pode competir com os gráficos de quarta geração da playstation 2. Propõe-se discutir “cultura” e eis que se fala sobre miudezas, eis que se cai nos vícios com que brincava no meu texto.
Este pré conceito de uma cultura fechada, inacessível e de biblioteca pertence à esquerda. É a velha doutrina do mundo sem classes mas dividido entre operários e intelectuais. Da sapiência medida em livros lidos, da intelectualidade almejada…É uma armadilha que a direita tem de evitar. A cultura não é um mundo alquímico e nem tão pouco uma simples alínea do orçamento de Estado.
Construir um pensamento de cultura para a direita só pode ser uma prioridade. Cada vez mais.
A cultura não é massificável. Nem pode ser confundida com a erudição - sobretudo a esquerda tende a confundir ambas. Um homem culto é quase sempre erudito, um erudito não é necessariamente culto, aliás, à esquerda sobram os eruditos sem cultura nenhuma. A erudição é quando muito ponto de partida para se ser culto.
O problema da direita é apresentar-se quase sempre à sociedade com líderes que de cultura têm muito pouco. Sou de direita e é com sincera pena que o admito.
Parece-me a mim que falar da necessidade de definir um política de cultura para a direita é mais um sinal do complexo que esta ainda tem, fruto da identificação dos seus valores com o Estado Novo.
Era só o que faltava, assumir que em Portugal a esquerda tem o monopólio da política cultural. Tem sim o monopólio do subsídios estatais e uma identificação completamente atrasada com os valores da influência francesa sobre as elites de oposição ao regime.
Rodrigo, eu ainda não percebi que caminho a direita tem de seguir para evitar cair na tal armadilha. Aliás, ainda não percebi o caminho da direita, tout court (pardon my french ;)). Estou sempre a ouvir que a direita tem que se refundar, mas parece que ainda não descobriu o molde certo. Entretanto, ironicamente, é a direita que adopta agora os velhos clichés da esquerda. Essa dos operários e intelectuais é um clássico que julgava enterrado. E descobriu outros que nunca foram de esquerda: a cultura fechada, inacessível e de biblioteca. Recordo-lhe que uma das figuras que a “direita” sempre desprezou é a do “intelectual” e o “intelectual” é, por definição, de esquerda. Pelo menos, é o que a direita nos está sempre a recordar. Como sabe, o intelectual, na caricatura da direita, é aquele que pretende resolver os problemas do mundo através dos livros. Não é a do velho senhor borgiano na sua biblioteca. A mim, parece-me óbvio que o Estado deve financiar bibliotecas. Eu julgava até que para a direita uma tarefa fundamental do Estado (uma das poucas que lhe reconhece…) é a preservação da memória, incluíndo a memória escrita. Já agora, olhe que recordar o Dâmaso Salcede continua a ser muito útil…
Confesso que a direita me deixa perplexo quando se fala de cultura. E sendo eu de direita ainda mais pequenino me sinto quando vejo, ouço e leio como os políticos e as pessoas públicas que me são caras falam de cultura, agem em nome da cultura, mas nada fazem para se afirmarem como cultas.
Citar autores, debitar números, procurar refúgio em biombos ideológicos, enumerar bases de dados, tudo isso é muito bonito, mas depois esbarra-se na primeira pedrinha da calçada fora de sítio.
Sejamos claros, no que toca a Lisboa, fosse com os presidentes socialistas, fosse com os outros, a coisa tem sido medonha sob o ponto de vista cultural.
E neste mandato - que tantas esperanças criou em tanta gente- basta ver em que ponto estão os espaços geridos pela EGEAC (essa coisa inenarrável) e pela própria CML directamente i.e, Teatro Maria Matos, Cinema São Jorge, Casa Fernando Pessoa, Museu Bordalo Pinheiro, Palácio Pancas Palha, Palácio Rosa, etc. para se ver o que temos.
É muito pouco honesto esgrimir-se como caso de sucesso o Teatro São Luiz, pois ele merece muito mais do que ser, como é, explorado em regime de café-concerto-chá-dançante.
É confragedor ver-se até que ponto esta CML, que se afirma de direita, conservadora, blá, blá, blá, entende que cultura é autorizar a demolição dos Conventos de Arroios, dos Inglesinhos, por ex., cedendo de caras aos primeiros argumentos do construtor civil mais próximo, imitando o que os antecessores socialistas e comunistas fizeram.
Ou quando dá luz verde à demolição do Cinema Alvalade, dando vazão aos interesses promíscuos eleitos-empreiteiros. Ou quando decide preencher o vale de Chelas com cidades ministeriais. Ou quando faz trasladar a estação temporária de autocarros do Arco do Cego, para outra temporária em Sete-Rios (sem resolver o problema de fundo: uma estação definitiva), anunciando um jardim para aquele sítio, quando se sabe que o que vai ser é um silo, que por acaso até tem uma parte verde.
Ou então dizer-se que não há dinheiro para uma casa-museu dedicada a Garrett (a Garrett!, não é a Ary dos Santos, nem a Tozé Martinho, nem a Nuno da Câmara Pereira!, é a Garrett!!), quando todos os dias nos deparamos com "outdoors", nomeações de assessores, viagens aqui e acolá. E quando nem sequer haverá essa necessidade de investir directamente muitos milhares de contos, pois existe esse instrumento providencial que se chama "permuta de terrenos/edifícios".
E isso é o que me aflige quando vejo os notáveis de direita quererem ganhar espaço pela Cultura adentro. Tal qual como com o Ambiente, que aliá lhe é subjacente.
Desejo ardentemente que a direita consiga afirmar-se rapidamente nesses dois campos, símbolos e metas do verdadeiro progresso, mas para isso é necessário que os escribas desta área abdiquem de preconceitos.
Abraços
Caramelo,
Sou ainda mais pessimista que o meu amigo quanto à história da refundação da direita. Acho que ele precisa é de ser fundada. Mas isso é outra conversa, provavelmente mais longa.
Se os clichés estivessem realmente enterrados não havia necessidade de estarmos a ter esta conversa. Eles andem aí. Com outros nomes e outras formas. Mas eles andem aí. A própria ideia de uma "cultura inacessível" entre Carrilho e Prado Coelho é uma herança dos tempos dos intelectuais e do proletariado.
E como vivemos num país facilmente impressionável, todos nos esquecemos que as citações até vêm em pequenos livros de bolso.
Duas linhas mais à frente o meu amigo fala de uma questão importante: "preservar a memória".
Pois. As bibliotecas preservam a memória. Mas não a projectam. São mausoléus para o "património". E é exactamente disso que estou a falar.
Fazem-se três bibliotecas, com sorte uma quarta e ficamos todos felizes com o serviço que prestámos à cultura.
Ó Rodrigo, os clichés não estão enterrados, não senhor. Eu disse precisamente que pensava que estavam enterrados mas que afinal não estão. A direita agora diverte-se a passear o esqueleto dos clichés para atazanar a esquerda. Eles andem ai, huhu… E o que é isso de “projectar” a memória? Anda com uma estranha linguagem semiótico-estruturalista, ó Rodrigo ;). Agora a sério: uma biblioteca torna-se mausoléu se não tiver um horário porreiro para os utentes. Fixe era terem um horário pela noite fora, como nos paises civilizados. Mas depois há falta de pessoal, falta de dinheiro, etc, e é uma chatice. Mas já me perdi: afinal o estado deve construir bibliotecas, ou não?
p.s. O Rodrigo ficou impressionado com aquela citação do Salcede? Não era minha intenção! Prometo que não falo mais no gajo ;)
Caramelo,
Você e as bibliotecas. Isso é quase uma obsessão.
Como não sou político é fácil responder: Não. O Estado não deve gastar dinheiro na construção de bibliotecas de pequena e média dimensão.
Falta o porquê. Dou-lhe, alguns:
As principais funções de uma biblioteca são a “preservação da memória” – expressão que lhe é muito cara – e o acesso facilitado dos cidadãos à “cultura”.
Para preservar a memória, melhor faríamos em melhorar as condições da biblioteca nacional ou investir na digitalização dos arquivos da Torre do Tombo.
Acresce que nos próximos anos, a “informação” tenderá a ser tridimensional, transformando as bibliotecas em lojas de antiguidades para públicos especializados. Ou seja, se o objectivo é criar uma política de cultura global, não podemos estar a aplicar mecanismos ou equipamentos que fizeram sucesso durante a revolução industrial. Por muito sucesso que tenham feito. É preciso pensar um pouco mais à frente. É preciso pensar como posso fazer com que o meu filho largue a playstation e aprenda o que Tolstoi para dizer.
Gastar milhões de euros numa biblioteca em Carrazeda de Ansiães, para que o Presidente da Câmara se gabe da construção, não me resolve o meu problema. Mais. Obriga-me a uma dispersão de recursos que poderiam ser úteis noutra área qualquer. Já pensou que se houvesse menos bibliotecas, haveria mais funcionários e melhores condições em cada uma delas?
Vou ainda mais longe nos meus dizeres. As bibliotecas de pequena e média dimensão foram inventadas para que as pessoas possam ler porque os livros eram um produto de luxo. Hoje não o são. E a tendência é que se tornem cada vez mais acessíveis resolvendo esse problema em dez ou vinte anos.
Portanto, para que servem as pequenas bibliotecas? Para guardar livros que não temos em casa. Agora pergunto-lhe, não haverá maneira mais económica e prática do Estado guardar livros que as pessoas não têm em casa que construir bibliotecas em cada esquina?
Isso sim é uma política de cultura para a Direita pensar, porque a Esquerda nunca iria tão longe.
Respondi?
Ó Rodrigo, francamente, então eu tenho uma obssessão por bibliotecas? Fónix! Ainda se fosse pela Cameron Diaz! E a expressão “preservação da memória” é-me cara? Mas eu só falei nisso uma ou duas vezes! Ainda sobre as bibliotecas, eu acho que sim, que o estado deve investir em bibliotecas. Acho que ainda são um equipamento essencial. Sabemos já todos que a tecnologia isto e aquilo, mas nada substitui um livro. Eu vivo numa cidade pequena e gosto da ideia de ir à biblioteca buscar um livro, para mim ou para ler ao meu filho. Eu não digo que os livros ainda sejam inacessíveis, mas ainda são caros, para mim, como para muita gente. Pode sempre dizer-me, como bom liberal, que o Estado não deve financiar as minhas manias, etc. Eu, que sou de esquerda, não penso assim. E não exagere, caramba, não existe, nem nunca existirá, uma biblioteca em cada esquina. E é claro que se houvesse menos bibliotecas, haveria mais funcionários e mais condições em cada uma delas. Julgo mesmo que se pouparia imenso se só houvesse uma biblioteca. Em Lisboa, é claro. Ah, e também acho que a biblioteca de Carrazeda de Ansião não lhe resolve oa si nenhum problema. Nem a mim!
Bem sei que a biblioteca de telheiras não resolve os problemas do analfabetismo em Portugal. A minha referência deve-se ao facto de a qualquer hora do dia poder lá encontrar gente dos 8 aos 80 a ler livros, jornais, consultar a Internet, etc... Penso que o post do Sr. Rodrigo parte do princípio errado de que toda a gente pode comprar livros e ter banda larga em casa.A minha crítica parte desse pressuposto...
Caro Nuno,
Senhor Rodrigo era o homem da mercearia. Eu sou só Rodrigo. Ou Deus.
É claro que percebi onde queria chegar. Peguei no seu ponto para postular em exagero, mas com isso não o quis desconsiderar (nem ao ponto nem a si).
Entenda é que o seu comentário inicial pouco tinha a ver com a essência do texto.
Eheheh! Eu acho que a refundacao da direita e um imperativo! Para a gente se poder rir com estas coisas. Entao voce nao gosta de bibliotecas! Pois e. Os livros tem tantas letras. G'anda confusao!
Filipe Castro
O autor deste post tem qualidades humoristicas acima da média! Ou então analfabetismo muito abaixo da média!
Ja pensou em vez de refundar a direita, refundar o humor ou a revista à portuguesa?
Agora a sério: essa idéia francofona saida so seculo XIX que o pensamento politico se divide entre esquerda e direita, esta caduca! Este jargão politico do nosso país demonstra o quanto estão cheias de poeira as cabeças dos nossos politicos.
Quanto às suas ideias de cultura, de bibliotecas, teatros, cinema...perfiro não comentar para não o ofender.
Madrid
Não sei em que país vive rmd, mas no meu país, os livros ainda são um bem, não de luxo, mas muito caro... eu por exemplo nunca teria podido ler o que li se não fosse a biblioteca pública da minha terra, porque os meus pais são pobres e todo o dinheiro que tinham era para pagar os estudos ( numa escola pública, pois num aprivada serai impensável) dos meus irmãos e meus; quando penso na dívida de gratidão que tenho com as bibliotecas públicas, só posso ficar chocado com este texto.