Quem são os Acidentais?... [Do livro]
| PAULO PINTO MASCARENHAS é o acidental propriamente dito. Licenciou-se em Relações Internacionais depois de ter visto pela primeira vez a sebenta de Direito Administrativo. É marido da Antónia há mais de dez anos e tem três filhas, três irmãs e três cunhadas. Aos 38 anos de idade resolveu deixar o jornalismo depois de 13 anos de boa vida ao serviço d’ O Independente, onde começou como estagiário do Internacional e saiu como Editor Principal. Foi para a política a convite de Paulo Portas e conseguiu estar em dois governos num só ano. Começou a arrumar os papéis e percebeu que havia um livro para publicar. Ele aqui está. LUCIANO AMARAL faz 40 anos em Maio de 2005 (toca a todos…), mas não esteve parado até lá. Licenciou-se, (a)mestrou-se e doutorou-se (neste último caso, no estrangeiro e tudo), sempre em História. Casou e chegou mesmo ao ponto de ter três-filhos três. Ensina história económica a futuros economistas. Diz-se liberal, mas também namora o conservadorismo. Uma coisa que nunca fez foi inscrever-se em partidos. Está convencido de que a mais recente depressão de Sharon Stone se deve ao facto de ter sido incapaz de o conquistar, por muito que tentasse – é que, para Luciano, a família é um valor inegociável. Entretanto, deram-lhe uma coluna no Diário de Notícias, a qual lá vai preenchendo todas as semanas com ideias extremamente percucientes. RODRIGO MOITA DE DEUS tem 27 anos, é casado e tem um filho lindo. Não acerta com a profissão e por isso já foi jornalista, publicitário, consultor, cronista, desempregado, escritor, assessor e não obrigatoriamente por esta ordem. Adora escrever mas é viciado em política. Faz colecção de livros e até já publicou dois. É crítico do capitalismo selvagem, do liberalismo, do lucro, da exploração do homem pelo homem e da subvalorização do papel da mulher. Por isso mesmo é de direita. Culto, sereno e inteligente, só perde as estribeiras quando lhe perguntam se é alguma coisa ao Moita Flores. VASCO RATO é professor universitário, doutorado por Georgetown, mas é principalmente pai orgulhoso do João e do Manuel. Livros e filmes são as suas piores companhias, mas só as troca pelos amigos. Como professor, era conhecido há uns bons anos por gostar de falar aos alunos sobre David Lynch nas aulas de Política Internacional, mais precisamente sobre a série “Quem Matou Laura Palmer”, que dava como um dos bons exemplos da globalização. Nunca poderia ser de esquerda, porque sabe que as melhores utopias resultam quase sempre nas mais sanguinárias ditaduras. JOÃO MARQUES DE ALMEIDA queria ser surfista, mas as Relações Internacionais e a Ciência Política acabaram por lhe trocar as voltas. Portista do FCP, andou por Londres a mestrar-se e a doutorar-se, mas nunca esqueceu as saudades da terrinha e do mar português. Bem casado com a Vera, tem três filhos e uma ambição: contribuir para que Portugal seja um país mais civilizado. E, de preferência, mais liberal. RUI RAMOS é historiador e professor universitário e, com muita pena e prejuízo seus, não consegue ser de esquerda, talvez porque lê demasiado. VÍTOR CUNHA foi jornalista por vocação e agora é consultor de comunicação por convicção: este tipo de disparates em rima aprendeu-os n’O Independente, por onde passou largos anos e onde conheceu Paulo Pinto Mascarenhas, com quem tem mantido uma amizade inquebrantável. Liberal, gosta do FC Porto e, cada vez mais, de filmes de animação. O seu propósito de vida é ir morar para o Connecticut e cruzar-se com a Condoleeza Rice junto a um riacho de águas límpidas e frias numa tarde de fim de Verão. INÊS TEOTÓNIO PEREIRA é mulher do Salvador, cunhada do Zé, irmã do João, sobrinha do Nuno, sobrinha-neta do Pedro e mãe de três rapazes lindos. É ainda amiga do Paulo Mascarenhas, do Henrique, do Rodrigo e do Jacinto. Conheceu esta gente toda durante os anos em que trabalhou como jornalista n’ O Independente, no Euronotícias e na editora Volta ao Mundo. Já os conhecia a todos quando foi trabalhar para o gabinete de Paulo Portas. Não completou os cursos de Direito e de Ciência Política mas garante a pés juntos que ainda vai acabar um deles. Tem aversão a feministas e é absolutamente democrata-cristã. FRANCISCO MENDES DA SILVA é um aristocrata mental em avançado estado de aburguesamento desde esse momento absolutamente revelador em que descobriu que a forma mais rápida e honesta de se rodear das comodidades da vida moderna era trabalhar. Sendo a preguiça a mais notória das suas qualidades, acabou por se dedicar ao negócio familiar das leis, para o qual até tinha estudos. Foi um raro momento de pragmatismo numa existência essencialmente nefelibata e vivida, esquizofrenicamente, entre dois mundos imaginários. Um, feito de gente respeitável que veste tweed, usa chapéu, bebe chá e frequenta comboios a vapor. Outro, povoado por criaturas duvidosas, que vestem ganga em decomposição, transportam guitarras estridentes, bebem whisky pela garrafa e frequentam autocarros em digressão. O Francisco, o mais novo dos convidados acidentais, é de Viseu, vive em Lisboa e gosta de tudo o que aí escasseia: vida doméstica, passeios no parque, temperaturas negativas, lareiras acesas, sessões de cinema com intervalo, espaço para estacionar, tempo para pensar. No ano seguinte a nascer – (r)evolução oblige – EDUARDO NOGUEIRA PINTO partiu mundo fora. Um dia meteu na cabeça que tinha de ter um kispo tipo Michelin (nunca conseguiu). Desde aí a sua vida tem sido feita de manias: do Subuteo a Bergman, da colecção Argonauta a 007, de Alexandre O’Neill à Sugar Hill Records, passando por Carpenter, Blake, Mortimer e latas de ravioli Panzani. Frequentou os corredores da Universidade a onde, recorrentemente, regressa em pesadelos (a escola de Viena explica). Talvez por isso, gasta pouco tempo a dormir. Pessimista quanto ao planeta, céptico em relação à bondade do próximo, urbano, muito pouco depressivo, depois de experimentar vários, concluiu que o melhor mar é o Mediterrâneo. Convive bem com o facto de, muitas das pessoas que vai conhecendo, lhe perguntarem “se é filho de”. E, como criatura educada que julga ser, torce pelo Sporting. Para evitar mais desilusões, desistiu de ser gourmet. Hoje, na cozinha, pratica mais a filosofia. É casado com a Sofia, quer gerar vidas a quem possa legar o seu espólio de 3578 discos, e, apesar dos cursos de fotografia e escritíca pop que carrega, sustenta-se a advogar. DIOGO BELFORD HENRIQUES é o mais incontornável de todos os autores convidados de “O Acidental”. Primeiro, porque é, de facto, fisicamente incontornável. Depois, por ser uma espécie de guia prático para o homem de direita, um manual de instruções estéticas e morais oferecido à Humanidade para lhe poupar angústias interpretativas. Um dia, Deus disse aos discípulos: “Quereis mesmo saber como é um homem de direita? Eis, então, o vosso modelo: porte generoso; barba aristocrática; trato fleumático; casa forrada a livros; colecção cosmopolita de cachimbos; paixões fortes por passados irrecuperáveis; convicções férreas sobre futuros a alcançar; e bom senso suficiente para pedir a outros que lhe escrevam o perfil”. Ao que um instruendo mais afoito e argumentativo respondeu: “Mas, Senhor, sinto que falta algo mais distintivo. Talvez no nome. Um apelido de origem irlandesa, assim a atirar para o pedante... Que tal “Belford”? Ainda que lhe soasse levemente a fabricante de veículos pesados, Deus anuiu. E assim ficou: Diogo Belford Henriques – a cábula divina para que não pensemos mais nisso. JACINTO BETTENCOURT nasceu em 1976, ano da morte de Heidegger, filósofo que possivelmente reencarnou. Tem 28 anos de idade, e é licenciado em Direito. Exerceu advocacia durante 3 anos, até assumir funções políticas. Lê livros de filosofia avidamente, e define-se como anti-positivista, conservador da velha cepa e liberal em tons moderados. Embirra com blogues. PEDRO MARQUES LOPES é vendedor, andrade, hipocondríaco, apaixonado por livros e muito amigo dos seus amigos. Já gerou vidas suficientes para não se preocupar com a política e é demasiado lúcido e independente do Orçamento Geral do Estado para não ser de Direita. Quem o conhece bem e lhe tem alguma estima, trata-o simplesmente por Fato, ainda que nunca, ou quase nunca, use gravata. BERNARDO PIRES DE LIMA é de direita. Liberal, mas de direita. Formado em Ciência Política, continua os estudos no martírio da Universidade portuguesa, no Mestrado em Relações Internacionais. Sportinguista doente e romanista di cuore, lê e escreve compulsivamente. Da geração dos múltiplos inter-rails e do Erasmus, com grande orgulho, é apaixonado por vinil na área do rock e do jazz. Tem 25 anos. JOÃO VACAS tem 29 anos. Em traços largos, é este o seu perfil: curvo e de perímetro em expansão. Nasceu a 1 de Dezembro. Talvez por causa disso, cedo lhe ficou o gosto pela História, a fraca apetência para euro-acalmias e um repositório de informações inúteis que usa (nem sempre) a propósito. Flagelo dos professores canhotos em tempos de Perestroika, leitor compulsivo, lusófono lusófilo, maníaco dos pontos, vírgulas e concordâncias, passeou-se pelas arenas portuguesas (há 20 quilos atrás), sem jeito, nem glória. Monárquico não-praticante, militante da Juventude Centrista desde mil novecentos e carqueja, não aderiu ao cavaquismo e saiu-lhe a fava muitas vezes. Teve a ideia original de se licenciar em Direito e de querer ser advogado. Foi. Mas depois passou-lhe. Cultor das tradições e apaixonado pela sua cidade (Santarém), quis o destino que fosse exportado para a solarenga Bruxelas onde aprende o que é a Política com quem sabe. São lendários o seu optimismo (bem sintetizado na expressão “isto não está fácil”) e a caridade apostólica que emprega nos debates blogosféricos, desde que fundou, com mais quatro loucos, o “No Quinto dos Impérios”. |


Comments on "Quem são os Acidentais?... [Do livro]"
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Emilia said ... (10:06 PM) :
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GoncaloP said ... (1:25 AM) :
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andré said ... (10:27 AM) :
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esdruxulando said ... (11:47 AM) :
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Anónimo said ... (11:57 AM) :
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PPM said ... (1:22 PM) :
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Ricardo Alves said ... (2:17 PM) :
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PPM said ... (2:43 PM) :
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esdruxulando said ... (3:14 PM) :
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Ricardo Alves said ... (6:33 PM) :
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Anónimo said ... (1:55 AM) :
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PPM said ... (1:55 PM) :
post a commentPronto!
Agora já sei quem são os Acidentais!
Há tempos "caí" aqui(já não recordo vinda de onde mas creio que a propósito de algo sobre Manuais Escolares. Como essa altura PPM teve a amabilidade de referir o blog e o projecto que desenvolvo de uma forma muito simpática, passei a visitar regularmente este local a fim de saber se algo de novo haverá sobre essa questão dos manuais, ou de outras relacionadas com a educação.
Gostei de ficar a saber que a direita, ao contrário da esquerda com toda a sua arrogância intelectual, lê «muitos livros», ou simplesmente lê «livros», ou mesmo «lê». Percebi, no entanto, que um dos vossos doutorados não diz que leu muito, nem que leu livros, nem sequer que leu. Ora, o Luciano Amaral doutorou-se no estrangeiro e tudo – se tivesse sido cá, por exemplo, com o Fernando Rosas fazia sentido, mas assim?
mais um bom exemplo do abismo de inteligência, subtileza e humor que separa os acidentais dos out. a comparação desta apresentação com o post equivalente dos barnabés não podia ser mais evidente: perde em tudo. como dizia o outro: boas ideias e ideias originais. pena que as originais... enfim, já sabem o resto...
Gostava que os acidentais me dissessem se o Vasco Rato do vosso blog é o mesmo Vasco Rato que disse que se despia completamente em plena praça dos Restauradores se não fossem encontradas armas de destruição maciça no Iraque. Medo, muito medo. Felizmente para todos, o senhor (acidental ou não) não se despiu.
Não falta aqui alguém????????
Falta o José Bourbon e o Henrique Raposo, é verdade, mas eles por motivos diferentes, não entraram no livro. Quanto aos fãs dos barnabitas, enganaram-se no blogue certamente. Esdrúxulo, pede ao Vasco que ele talvez te faça uma exibição privada.
[PPM]
«três irmãs e três cunhadas»?!
...Está bem, pronto. Coisas de família...
Sim, Ricardo Alves, coisas de família, ou tens dúvidas que em Portugal ainda vivemos num sistema de matriarcado? Eu vivo rodeado de mulheres por todos os lados, com muito gosto. E tu, não?
Lá por ser de esquerda, não quer dizer que tenha de ser insultado, digo eu. Para ser sincero, no caso de a resposta ser afirmativa (vasco ratos há muitos, inclusivamente um amigo da minha mãe) não esperava algo do género "sim, foi ele" ou "pois, havia tanta certeza de haverem WMD no Iraque, sabes como é", mas fiz a pergunta na mesma porque gostava de confirmar se era ele ou não. Julgava que perguntar não ofende. Não fiques chateado, PPM, foi ele que o disse, não tu. Estou a ver que o Vasco Rato não cumpriu a promessa de se despir no Largo dos Restauradores - a première deve ter sido no Largo do Caldas e o pessoal não gostou muito. Quanto à oferta, deixa lá - sabes que nós, malta de esquerda, somos um bocado avessos a essas coisas.
PPM,
desculpe lá, devo ter percebido mal. «Três irmãs e três cunhadas» pareceram-se só três casais. Mas afinal são seis. Óptimo. É muita gente!
O PPM tem 3 irmãs e 3 cunhadas.Até que enfim que alguém de direita assume com orgulho a homossexualidade da família ou que percebe que isso não é assunto de esquerda ou de direita ou que sendo de direita aceita o casamento entre homossexuais.A família do PPM e a maneira carinhosa como ele a retrata é um exemplo para todos nós.
Claro que aceito o vosso casamento entre homossexuais, anónimo e Ricardo Alves. Parabéns, quando é que é o vosso copo de água?
[PPM]