Que tal outro partido?
| Há liberais em Portugal? Há. Estão espalhados por três partidos. CDS, PSD e PS. Sim, o PS tem a famosa ala liberal (Grupo do Chiado). Quem me dera que tivesse mais poder. Quem me dera que pudesse estancar esta “Esquerda Habermas” de Sócrates. Mas vamos lá ao que interessa – a direita liberal. Os congressos do PSD e CDS, como era de esperar, foram uma desilusão. O PSD não é de direita. Ponto final. O CDS até é de direita, mas continua a ser aquilo que pode ser: um partido ligado à democracia cristã. Ou seja, quem acredita numa direita liberal não tem um espaço partidário em Portugal. Votava em António Pires de Lima sem pensar. Como dizem os brasileiros: de cruz. Mas a linha liderada por Pires de Lima nunca será líder do CDS. O CDS será sempre aquilo. Temos séculos de catolicismo. É inevitável que haja um partido assim. Na Europa continental, a Democracia Cristã é umas das forças essenciais. Por que razão não há-de ser assim em Portugal? Pires de Lima tem razão. É preciso mudar a constituição. Mas Pires de Lima nunca conseguirá isso a partir do CDS. E o PSD. Bom, o PSD é uma espécie de direita da calculadora. Aliás, não é de direita. É um partido positivista. Nem Hayek, nem Oakeshott. Só Comte. Contas e mais contas. E nada de ideias. António Borges, o liberal, é tão parecido com Cavaco Silva, o positivista, como uma raposa é parecida com um ouriço. Então, pergunta-se: por que razão a ala esquerda do CDS (os liberais liderados de Pires de Lima) e a ala direita do PSD (liberais “liderados” por António Borges) não se juntam num novo partido? Por que carga-de-água temos que continuar a aturar os partidos de direita que o PREC nos impingiu? É preciso um novo partido. Se as correntes personificadas por Pires de Lima e por António Borges querem fazer a diferença, só têm um caminho: juntem-se e constituam um novo partido. Se querem continuar a lamentar-se, então, deixem-se estar onde estão. Os partidos não são como os clubes. Podemos mudar. Mais: podemos criar novos. Nem é preciso citar autores e políticos lá de fora. Basta desenterrar Sá Carneiro. [Henrique Raposo] |


Comments on "Que tal outro partido?"
-
Berbigão said ... (6:41 da tarde) :
-
Anónimo said ... (6:52 da tarde) :
-
Anónimo said ... (7:26 da tarde) :
-
Manuel said ... (7:55 da tarde) :
post a commentEstimado Sr. Raposo,
Tenho dúvidas que o Dr. Pires de Lima personifique uma linha liberal. Nunca vi ou li nada nesse sentido. A contribuição do Portismo para o governo da nação saldou-se mais por um neo-conservadorismo do que propriamente por uma vertente liberal. De resto, e como bem refere no seu post, no CDS todos gostam muito de bater no peito e se afirmarem democratas-cristãos.
Fiquei com uma dúvida, se Pires de Lima corporiza a ala esquerda do CDS então que será a ala direita?
Onde é que eu assino?
E eu, também posso subscrever o post do Henrique?
O rescaldo do Congresso anda mesmo a toldar-lhes o raciocínio e a capacidade de discernimento...
O grande drama do PP é que fora a herança dos pais fundadores baseada relaxadamente na doutrina social da igreja e na Democracia Cristã Italiana (que de nascença sempre andou de braço dado com o socialismo lá e cá), fora a honra de ter feito parte da AD (primeiro grande bloco a derrotar nas urnas a esquerda), fora a jurisprudência de Portas no Indy (muita entretanto renegada), e fora a honra dúbia de ter feito parte dos governso do dr. Lopes e do Dr. Barroso o PP não é nada.
O dr. Lucas Pires foi uma elipse que acabou no PSD, o Dr. Monteiro é o Dr. Monteiro, e o facto é que o PP nunca teve uma identidade própria, fora de certos circulos urbanos. O peso rural, entretanto esvanecido, do PP vinha mais de ser o albergue natural de PSDs tresmalhados em trânsito...
ironicamente o grande salto deu-se nas últimas legislativas onde - muito por via da monumental falta de credibilidade do tanso do Santana - conseguiram em nichos urbanos resultados assombrosos... Na altura apontei os 30% q obtiveram na freguesia q mais impostos paga no país. Infelizmente - para o PP - não quiseram perceber esta mudança estrutural do eleitorado, que pela primeira vez tinha condições para solidificar e estabilizar. Tinham tudo para ser à direita uma espécie de liberais ingleses ou alemães... sem votos suficientes para ganhar mas respeitados, técnica e politicamente. uma alternativa ao bloco central.
Acontece que o dr. Portas fartou-se de brincar à política, repôs o partido no saco de gato em que o encontrou e vai fazer o doutoramento em georgetown (e é menino para o acabar) e se o último congresso é indicação Deus deu nozes a quem não tem dentes... Os resultados das últimas legislativas são um ponto solto, as presidencias não aquecem nem arrefecem, as autárquicas um desastre e ... IDEIAS nem velas...
Eu ouvi atentamente o que se disse e desdisse no Congresso, ouvi uns dias antes o Luis NG ir à TV dizer q apesar de ter estado no governo as políticas da coligação não eram, nunca foram, as do PP mas continuo sem saber quais são as políticas do PP. Sempre me pareceram de conjuntura e ao sabor do momento, destinadas ao nicho do dia.
Agora é chique alguém proclamar-se liberal, começou na blogosfera e promete nõa parar... Acontece que eu sei o que é um liberal inglês, não sei o que é um liberal em portugal. E dúvido que no PP saibam muito melhor. Recordo a propósito o q disse o Portas no debate televisivo aquando das legislativas sobre a nossa indústria textil e os chineses... é esse o liberalismo do pires de lima jr? Alguém me pode indicar a produção intelectual do personagem ? ou é só a habilidade discursiva para o jogo de cintura e o facto de ser feitor do velho mello para os sumos que o qualificam ?
o ALXavier (e eu não gosto dele) tem um discurso antigo e coerente sobre o papel do estado, o Pires de lima tem ? sobre o sistema político ? chega aos calcanhares da zezinha ? o drama é esse...
falta ao PP um modelo claro e concreto, ou não.
Quanto ao Borges, podem ficar com ele.