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quarta-feira, abril 27, 2005

O Acidental recomenda

A democratização da Metrópole parecia incompatível com a do Ultramar. Não podia haver «25 de Abril» para todos.
O MFA optou então por se desligar de quaisquer responsabilidades para com os não-europeus, a quem, por decreto-lei de 24 de Junho de 1975, retirou a nacionalidade portuguesa, não fossem reclamar o direito de entrar em Portugal.
A «descolonização» consistiu na evacuação dos soldados e civis europeus, seguida do trespasse da administração a favor das guerrilhas.
Como se previra, brutais experiências ideológicas em regime de partido único sujeitaram os habitantes dos novos países ao despotismo e à miséria.
Quando festejarmos a boa sorte dos 8 milhões, reservemos um minuto para nos lembrarmos da má sorte dos outros 16 milhões.


Rui Ramos no Portugal Diário

[PPM]

Comments on "O Acidental recomenda"

 

Anonymous Anónimo said ... (6:28 da tarde) : 

Paulo ´´´Só falta dizer que ntes eles viviam melhor

Os argumentos da direita são incriveis e estou à vontade para falar. vim em 74 de Moçambique.
13 anos de guerrra o que queriam

eu queria era ver-te a ti e ao rui ramos a dar com os costados em africa a combater.
foi mal feita foi
mas durante 13 anos o que foi feito?

 

Anonymous MONFORTE said ... (7:09 da tarde) : 

lembro-me de um post de ppm quando disse que se filiou no cds ou na jp em 1994 no tempo de monteiro mas que não gostava dele. obviamente que ppm tinha que mostrar serviço e dizer mal de monteiro pois no NOSSO partido actualmente afirmar o contrário é processo disciplinar certo, ou quase, e é sempre uma oportunidade de mostrar serviço para ninguém desconfiar que possa alguma vez ter gostado dele... eu jamais me filiaria numa organização onde não me revisse no seu líder. as demonstrações de pórtismo militante são no meu ponto de vista perfeitamente infantis. eu sou filiado desde 1995 e orgulho-me dos presidentes do cds e das lutas que travaram em seu nome nas circunstãncias em que o fizeram algumas de facto muito difíceis desde freitas a portas passando por adriano moreira, lucas pires ou mesmo manuel monteiro. bem hajam

 

Blogger PPM said ... (8:17 da tarde) : 

O Monforte deve ter chegado aqui por outro filme qualquer. Eu estou filiado no CDS desde Janeiro de 2004 e nada escrevi sobre o Monteiro. Quanto ao outro anónimo, penso que não está em causa, nem na minha opinião, nem na do Rui Ramos, que foi positivo o fim da guerra do ultramar. O que está em causa é a forma como foram abandonadas as colónias e entregues de bandeja aos partidos comunistas, com o sofrimentos de décadas que isso implicou para os que lá ficaram.
[PPM]

 

Blogger jpt said ... (11:45 da tarde) : 

É o b-a-ba da História o ela nunca ser objectiva, nisso nem vale a pena insistir. E será um desafio (o desafio?) nela injectar o mínimo de presente possível. E também a linguagem não é objectiva, cheia de subentendidos, em especial quando se tem o saber apropriado. E este pequeno texto está deles atafulhado. RR é um excelente historiador? Do pouco que dele li é-o. Mas não aqui, mesmo que em mero texto de opinião. Mera simplificação da "guerra civil africana", mero igualizar dos processos. Que não interessa para a mensagem que quer passar? É exactamente a mensagem que é errónea: a descolonização não consistiu num "trespasse", é o corolário de uma politica colonial absurda e irrealista do EStado Novo - e é constante que quem mais critica o modus faciendi da descolonização é quem menos critica a política que dele é causa. A descolonização provém de uma estrondosa derrota, há quem a diga militar há quem a negue, nem vou por aí, haverá maior derrota do que o próprio 25 de Abril, fruto da "guerrilha" a quem se "trespassou" a "administração" e não de meras aspirações democráticas mais ou menos "socialistas".
Falar de "limpeza étnica" é o quê? Negar que eram situações profundamente racializadas, racistas, exploratórias, violentas? E que numa situação destas, ainda por cima arrastadissima, as condições para manter uma "etnia" exógena eram praticamente impossíveis? Que raciocínio é este?
Já agora quanto às ideologias, lendo Mondlane (com a linguagem do seu tempo), sabendo sua formação, redes e biografia, era ele um radical (lido, sff, no seu tempo). Cabral era marxista, num modo muito comparável com seu irmão sucessor mas este destituido de importÂncai interna. MAs não era Vieira (ainda que nunca o possamos imaginar num poder que não teve). E, mais agora, será interessante saber o relativo desapoio com que o MPLA chegou ao final da guerra, ainda que aqui com outra matriz. Quem radicalizou os movimentos, ainda para mais na Guerra Fria? Quem decapitou as linhas menos alinhadas com as tais "ideologias"? Foi o tal MFA (+ soares, santos, cunhal)?
Lamentar os "comunismos" africanos, sim. Incompreender a história portuguesa, ok, lê-se e fala-se. Mas continuar, 30 anos depois, a repetir chavões, para vincar opiniões, pequenas fracturas do hoje? Que canseira.
O MFA é um epifenómeno, e pelo menos RR poderia ter disso consciência.

[e, lateralmente, a democracia não é o PREC (o qual, bem vistas as coisas, terá sido tão longo como o já é o blog Acidental). E o 25 de Abril termina um regime anti-democrático. Gostaria de ver a verve humorística, caústica deste blog colectivo dirigido ao gozo com os vencedores do 25 de Novembro, com so homens do sistema político de então, até com os políticos assassinados. Ou é só fim do Estado Novo, um regime coorporativo, proteccionista, anti-liberal, anti-capitalista, que vos desperta o desprezo?]

Peço desculpa do longo comentário. Mas há tanto aqui a estranhar

 

Blogger jpt said ... (11:49 da tarde) : 

"...lendo Mondlane (com a linguagem do seu tempo), sabendo sua formação, redes e biografia, era ele um radical (lido, sff, no seu tempo)?" - faltou a interrogação, permito-me a repetição.

 

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