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quarta-feira, abril 27, 2005

Não sei se sabem...

Mas liberal é uma palavra que só pode ser interpretada como um insulto nos Estados Unidos. Em Portugal é alguém que tenta lutar contra um Estado omnipresente e asfixiante, causa e consequência do nosso atraso histórico. Claro que não pode haver absolutismos ideológicos na direita em Portugal e é possível - tem de ser possível - conciliar liberais e conservadores com democrata-cristãos. Sob pena de a direita continuar a ser uma irrelevância política, reduzida permanentemente ao seu mínimo denominador comum.

[PPM]

Comments on "Não sei se sabem..."

 

Anonymous Anónimo said ... (1:28 da tarde) : 

Paulo, não esqueças a direita tecnocrata-cristã:
- Bom dia, sede nacional do CDS.
- Bom dia, é uma chamada à cobrança... de Bruxelas. Aceita?

 

Blogger PPM said ... (1:37 da tarde) : 

Caro Anónimo,

Eu aceito chamadas à cobrança e não é por aí que o gato não vai às filhozes. Ainda agora recebi aqui uma notícia de uma nova iniciativa de Ribeiro e Castro em defesa da língua portuguesa em Bruxelas. Já trabalhei com ele cá em Portugal durante as comemorações dos trinta anos de CDS no ano passado e acredito que não vai ser por falta de capacidade de trabalho e de iniciativa que o CDS não vá crescer. Mas esta é a minha opinião, é claro.
Abraço público,
PPM

 

Blogger NG said ... (2:11 da tarde) : 

A mistura objectiva de religião com política, impede o florescimento de um partido liberal. Ser conservador nos costumes e liberal na economia não cola. Eu pelo menos não tenho cola para isso. Sendo um ateu liberal, voto em quem?

 

Blogger João Caetano said ... (2:19 da tarde) : 

Quem é que te disse que a palavra «liberal» só pode ser interpretada como um insulto nos Estados Unidos? Um insulto se for dirigido aos republicanos ou à ala mais (socialmente) conservadora do partido democrático. No entanto - e felizmente -, ainda existe uma enorme fatia do partido democrata que se define como «liberal». Basta pensares no actual presidente da convenção democrata.

 

Anonymous Anónimo said ... (3:20 da tarde) : 

Caro P.P. Mascarenhas,

Para acabar de vez com a confusão do conservador-liberal ou do liberal-conservador sugiro-lhe uma leitura atenta de F. A. Hayek "New Studies in Philosophy, Politics, Economics and History of Ideas".

Calcule que nessa obra o autor até esclarece a dúvida do post em questão relativa à designação de liberal nos EUA. É que o movimento liberal nos EUA nunca teve de competir com movimentos nacionalistas ou socialistas como sucedeu na Europa do sec. XIX. Daí as instituições dos EUA terem desde logo adoptado aquelas que eram as principais preocupações do liberalismo europeu. Assim, aquilo que na Europa se designa por liberal é justamente apelidado nos EUA como conservador, sendo um liberal nos EUA aquele que pugna por conceitos mais progressistas.

Espero ter esclarecido alguma coisa...

 

Blogger PPM said ... (3:51 da tarde) : 

Nop, se é ateu liberal, e é de direita, já tem em quem votar, até porque a questão do aborto ou da defesa da família, não se confunde com religião, pelo menos para mim. João, era isso mesmo que eu queria dizer. Discordo, Anónimo, que não se possa ser - ou seja, confusão - alguém dizer-se conservador liberal ou liberal conservador. Quanto a Hayek, agradeço-lhe a recomendação. Aconselho-lhe também, para que reconsidere no seu dogmatismo, a leitura de Rationalism in Politics ou de On Being Conservative, de Michael Oakeshott. Obrigado a todos. [PPM]

 

Anonymous LGF said ... (4:07 da tarde) : 

Sugestão para a conciliação dos liberais, conservadores e democrata-cristãos: algema-os e fecha-os num quarto, apaga a luz e espera três dias.
É provável que saia apenas uma versão fundida dessas três espécies - o "Libercon".
Depois contrata o Schwarzenegger e candidata-o à CML.
Um grande abraço (não sabia que tinhas um blog).
LGF

 

Anonymous Anónimo said ... (5:33 da tarde) : 

Caro P.P. Mascarenhas,

Está a ver como este espaço de debate, ainda que dogmático, sempre torna este blog mais interessante? De resto os leitores do "Acidental" são pessoas civilizadas.

Obrigado pela referência ao Oakshot mas esse artigo "On being conservative" é pelo menos duas décadas anterior à obra que lhe propus do Hayek (a ler o cap. IX.).

O problema do "politicamente conservador mas economicamente liberal" é que, se por um lado o conservadorismo reconhece ao Estado poderes para intervir na esfera da liberdade individual do cidadão, inevitávelmente também lhe confere poderes para intervir discricionáriamente na economia. Uma coisa vem com a outra. A quadratura do círculo é impossível de fazer embora o Dr. Portas a tenha tentado.

Cumprimentos

 

Blogger NG said ... (9:06 da manhã) : 

Caro PPM,

o partido que refere confunde religião com política, nomeadamente nos temas que indicou. Essencialmente por isso, nem sempre voto nele.

Caro Anonymous,

uma achega ao seu comentário, com o qual concordo: na esquerda também se passa o mesmo, mas ao contrário.

 

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