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sexta-feira, abril 29, 2005

Bom dia para si também

No edifício de escritórios onde eu trabalho ninguém se cumprimenta. É a regra. É a etiqueta. Passam uns pelos outros como se fossem almas danando dimensões paralelas. É ridículo. Um edifício de escritórios é o mais parecido que o mundo ocidental tem com o protótipo de comuna. Pessoas que partilham o mesmo espaço, os mesmos elevadores e até as mesmas mesas de refeição. E em vez de gozar o carácter quase científico da coisa as pessoas preferem fingir que estão sozinhas. Porquê?

Nas primeiras semanas aqui fazia-me imensa confusão chegar ao elevador e dizer “bom dia” para que todos ficassem a olhar como se tivesse saído de uma serra transmontana. Como se a falta de gentileza fosse característico e apropriado nas sociedades urbanas. Fiquei de tal maneira incomodado que insisti mais duas vezes até que as bestas se sentissem tão incomodadas como eu.

Acho que é uma questão de presunção de importância. Os senhores das empresas acham-se muito importantes porque criam riqueza. Os senhores das consultoras acham-se muito importantes porque ensinam a criar riqueza. Os senhores dos escritórios de advogados acham-se muito importantes porque evitam que os outros sejam presos à conta da criação de riqueza. E por aí fora. O que eles não sabem é que o electricista também se acha importante, afinal sem luz nenhum deles trabalhava. O que eles também não sabem é que eu sou o mais importante de todos.

A maior parte das pessoas teria ficado embaraçada com tamanha falta de receptividade. Eu fiquei estimulado. Convenci-me que o meu papel neste mundo era devolver um pouco de humanidade a esta gente. Ignorando as reacções, ou a falta delas, continuei a dizer os meus “bons dias” em jeito de missão evangélica.

Os protestantes acreditam que a salvação está no trabalho. E nesse sentido o sucesso é uma espécie de reflexo da pureza da nossa alma. Mais trabalho, mais sucesso, mais stress, mais salvação, mais tempo no ginásio, carro maior. Com tantas coisas importantes como a cotação das acções da Somague ou cursos de enologia sobra pouco tempo para as pequenas cortesias da vida, como dizer “bom dia” por exemplo. Resta dizer que sou católico.

No outro dia, com o elevador cheio, o único que respondeu ao meu simpático cumprimento foi o estafeta da agência de publicidade. Sorri-lhe e fi-lo sentir-se a pessoa mais importante do cubículo.

É pena. A maior parte desta gente, mais cinzenta que os fatos, é muito esforçada. Reconhecendo limitações, precisam de consultores para comprarem obras de arte, cursos para aprenderem a comer com os talheres todos e de editorialistas para saber o que pensar. Ainda assim lhes digo "bom dia", ainda assim acham que não têm de agradecer.

[Rodrigo Moita de Deus]