Onde está a Direita?
| O editorial do Público de hoje parte de dois pressupostos errados: o primeiro é afirmar que o CDS é um partido de direita e o segundo é comparar os partidos de direita europeia ao PSD. Nos casos que José Manuel Fernandes aponta - Espanha, Inglaterra ou Alemanha - o erro é por demais evidente, não só em relação às políticas que os partidos de direita destes países vêm defendendo, como no que diz respeito à sua génese histórica (lembro que, por exemplo, o PSD tentou por todos os meios a adesão à Internacional Socialista). Não tentando ser muito exaustivo, pois é tema que já abordei vezes sem conta, nem o CDS das “feiras” tinha propostas de direita - quedando-se por meia dúzia de slogans populistas do tipo “vamos defender a lavoura, aumentar as pensões e dar dinheiro aos ex-combatentes” -, nem o CDS de Estado foi um partido de direita, com as inenarráveis medidas de atribuir encomendas a empresas sem concurso - só “para garantir postos de trabalho” - e o Pacote Laboral que nenhum partido de esquerda europeia desdenharia subscrever. Por outro lado, e nas palavras do seu próximo líder, o PSD é um partido de centro-esquerda e não de direita moderada - como parece querer dizer hoje José Manuel Fernandes. Comparar, repito, o PSD com a CDU alemã, os Conservadores britânicos ou o PP espanhol é (e peço perdão ao jornalista que mais respeito em Portugal) um tremendo disparate. Assim sendo, das duas uma: ou o PSD se afirma como partido de direita e já agora com propostas de direita… ou terá de haver uma força política que as defenda e é aí que o CDS deveria, na minha opinião, intervir politicamente. Ou então, estamos todos enganados e teremos de chegar à conclusão que Portugal é o único país do mundo civilizado em que 95 por cento da população é de esquerda ou centro-esquerda. O que neste momento não faz sentido é ter um PSD igual ao PS ou um CDS que se diz de direita mas é de facto uma coisa que ninguém consegue definir politicamente. [Pedro Marques Lopes] |


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