Cutileiro certamente aplaude
| Para muitos a nova ministra da cultura, Isabel Pires de Lima, é uma desconhecida. Confesso que já lhe tinha ouvido o nome, mas foi nas páginas da Visão que desfiz dúvidas. Em meia dúzia de pontos, eis as principais características de uma “ministra em construção”. Corajosa. Confessa que tem de aprender a ser ministra. Não há coisa que eu goste mais que os achaques de modéstia à portuguesa. A senhora ministra, diz que tem de aprender a ser ministra. Pessoalmente acho muito bem. Pergunto-me se nestes primeiros meses vai receber ordenado de estagiária? Espirituosa. Informa que é filha de um ateu com forte veia anticlerical. Não tendo sido essa a pergunta e estando o país a marimbar-se para o progenitor, calculo que a informação seja uma espécie de statement. A senhora ministra que não se preocupe. A informação fica, devidamente, registada. Extrovertida. Relata, orgulhosa, o tempo das tertúlias intelectuais e políticas no “Café Piolho”. Portugal é um país de grupos, havendo o grupo do Nicola, do Altis, do Chiado, ficámos agora a saber que a ministra é do grupo do Piolho. Felizarda. Assume que foi convidada por Narciso Miranda e Fernando Gomes para integrar as listas de deputados do Partido socialista. Veio para a política pelas mãos certas. Independente. Diz que foi assistente na faculdade de letras de Lisboa e militante do Partido comunista. Uma informação redundante. Modesta. Escolheu as fotografias que ilustram a entrevista com o mesmo critério que aplicou às palavras ditas. É ver a Isabel com Eduardo Lourenço, Isabel com Pepetela, Isabel com.Simone Beauvoir...Se a intelectualidade fosse como o vírus da gripe a senhora estaria certamente infectada. Obstinada. Esteve na juventude escolar católica e virou agnóstica. Esteve no PCP e virou socialista. Presumo, na mesma linha de raciocínio, que estando agora no Partido socialista há a forte hipótese de se transformar em social-democrata; [Rodrigo Moita de Deus] |


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