A bandeira do aborto
| Tenho de admitir que já tenho pouca paciência para o assunto do aborto. Sou a favor da despenalização e já dei os argumentos que entendo pertinentes. Assim, e se vier o tal referendo, votarei a favor da despenalização, como já fiz aliás da última vez. Não me esqueço porém que, no último referendo, as pessoas com a minha opinião foram estrondosamente derrotadas e por isso não percebo a histérica euforia de certos meios, em achar que só por haver o referendo, a vitória estará assegurada. Aliás, recordo a essas mesmas pessoas que cerca de 70 por cento da população não votou – logo, estavam satisfeitos com o estado de coisas ou não acharam que valia a pena o esforço de ir votar para mudar a lei – e, dos que foram votar, a maioria foi a favor do “não”. O que me choca é a minha convicção que estas pessoas estão mais interessadas nos dividendos políticos que poderão obter através da improvável vitória do “sim” do que no sofrimento dos milhares de mulheres que são obrigadas a abortar todos os anos em condições horrorosas. É uma questão política curiosa (choca-me chamar-lhe isto, mas é, de facto, uma questão política): se o “sim” ganhar, a extrema esquerda vai capitalizar politicamente esta vitória (o que será, no mínimo, indigno), mas se o “sim” perder, esta rapaziada continuará com a sua arma de arremesso político favorita. [Pedro Marques Lopes] |


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